02 outubro, 2020


[Filmes] Enola Holmes

Todo o mundo adora um bom mistério vitoriano, né? É o tipo de história que tem o potencial para cativar muita gente mas que pode parecer muito datada, por se passar numa sociedade muito diferente da nossa. Mas com um bom roteiro, uma trama passada no século XIX pode ser bem atual e relevante. E Enola Holmes é muito atual, ao mesmo tempo em que se mantém apropriada para a época.

Heleninha, me adota

Aqui a gente acompanha Enola Holmes, irmã mais nova de Sherlock e Mycroft, investigando o desaparecimento da mãe (Helena Bonham-Carter), quando se depara com outro mistério para resolver, ao mesmo tempo em que precisa fugir dos irmãos que querem que ela vá para uma escola extremamente rígida. Perseguições, lutas e muita investigação.


Entre a tirania de Mycroft (Sam Claflin) e a passividade de Sherlock (Henry Cavill), Enola precisa encontrar seu lugar dentro da família e em uma sociedade à beira da mudança.


É importante ter uma protagonista como Enola: uma adolescente interpretada por uma atriz também adolescente (não uma adulta, como em muitos filmes), que não só é habilidosa como tem momentos de vulnerabilidade. Uma personagem em quem uma geração inteira de meninas pode se inspirar. E Millie Bobby Brown é a atriz perfeita para a personagem: carismática (como o Henry Cavill não cansa de dizer em entrevistas), talentosa e cheia de vontade de fazer a diferença, ela também é produtora do filme. Millie transmite toda a energia da personagem, jovem e brilhante, e seu abandono nos momentos mais dramáticos. Provando mais uma vez que tem uma carreira brilhante pela frente (mas a gente já sabia disso desde Stranger Things, né?).


Helena Bonham-Carter está mais uma vez no papel de mulher incomum, que ela interpreta tão bem. Uma mãe fora dos padrões que só poderia ter criado filhos tão fora dos padrões como Sherlock e Enola. E eu nunca achei que o Sam Claflin (nosso crush Finnick de Jogos Vorazes) podia ser tão irritante, mas a versão dele do Mycroft dá nos nervos. E o Louis Partridge é um fofinho como Lorde Tewksbury.


Eu preciso de um parágrafo inteiro pra enaltecer o Henry Cavill como Sherlock Holmes. O detetive inteligentíssimo dessa vez se mostra mais interessado em pessoas, mais educado que outras versões (sim, Benedict, eu estou olhando para você). Esse Sherlock mais empático ajuda a consolidar a ideia de que só porque alguém é um gênio, não quer dizer que a pessoa precisa ser fria e mal educada. Claro que o cabelo cacheado e a roupa de época não atrapalham em nada e essa já é a minha segunda versão favorita do personagem (só perde para o Basil de O ratinho detetive).


pensa num crush (não me espanta a internet inteira estar caidinha por ele)

As cenas de ação são muito bem feitas e as lutas são bem coreografadas. É interessante também que tanta atenção tenha sido dada à continuidade. Quando os personagens lutam, suas roupas ficam sujas, os cabelos bagunçam, fica visível que eles foram afetados pela ação. Parece um detalhe besta mas muitos filmes esquecem disso e parecem mais inverossímeis.


Mas nem só de aventura vive o filme, também tem uma crítica social muito relevante na história. Em vez de simplesmente fingir que era tudo lindo e perfeito na Inglaterra vitoriana, o filme toca em tópicos sensíveis e importantíssimos como racismo e machismo. Tem uma cena maravilhosa em que uma personagem negra diz para Sherlock que ele não se interessa por política porque não tem interesse em mudar um sistema que o favorece.


Enola Holmes é um dos melhores filmes já lançados pela Netflix e pode inspirar uma geração inteira de meninas. Divertido, cheio de aventura e mistério e baseado numa série de livros, então eu espero que realmente tenha continuação.


Numa escala de uma a cinco mocinhas vitorianas nada indefesas, o quanto eu gostei do filme:


Classic American films: Monster – Charlize Theron's superb ...Dark Places | Veja Charlize Theron na primeira foto da adaptaçãoImperator Furiosa | Mad max costume, Mad max fury road, Max costumeif your colors were like my dream… | Sweet november, Manic pixie ...Monkey (Kubo and the Two Strings) | Heroes Wiki | Fandom

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13 julho, 2020


[Resenha] Coraline - Neil Gaiman

Ficha Técnica 

Título: Coraline
Título Original: Coraline
Autor: Neil Gaiman
ISBN: 978-85-510-0675-7
Páginas: 224
Ano: 2020
Tradutor: Bruna Beber
Editora: Intrínseca
Certas portas não devem ser abertas. E Coraline descobre isso pouco tempo depois de chegar com os pais à sua nova casa, um apartamento em um casarão antigo ocupado por vizinhos excêntricos e envolto por uma névoa insistente, um mundo de estranhezas e magia, o tipo de universo que apenas Neil Gaiman pode criar. Ao abrir uma porta misteriosa na sala de casa, a menina se depara com um lugar macabro e fascinante. Ali, naquele outro mundo, seus outros pais são criaturas muito pálidas, com botões negros no lugar dos olhos, sempre dispostos a lhe dar atenção, fazer suas comidas preferidas e mostrar os brinquedos mais divertidos. Coraline enfim se sente... em casa. Mas essa sensação logo desaparece, quando ela descobre que o lugar guarda mistérios e perigos, e a menina se dá conta de que voltar para sua verdadeira casa vai ser muito mais difícil ― e assustador ― do que imaginava.

Resenha


Coraline, de Neil Gaiman, volta as livrarias em junho - O Megascópio

Muitos dos filmes infantis que fizeram sucesso nos anos 1990 tinham um toque mais sombrio. Ao contrário dos filmes mais populares do final da década, como os da Disney e os da Barbie, as histórias produzidas no começo da década e no final dos anos 1980 possuem aspectos mais sinistros, bem diferente do que se espera de um "filme para criança". Desde criança morta (Conta comigo, 1986) a abuso infantil (Matilda, 1996), passando por bruxas que comem criancinhas (Convenção das bruxas, 1990).

O que parece muito bizarro perto do colorido dos filmes mais convencionais é mais uma volta às origens das histórias infantis: os contos de fadas originais, onde coisas terríveis acontecem e o fim sempre tem uma moral. Onde Chapeuzinho Vermelho é devorada pelo lobo, a Pequena Sereia não consegue o príncipe no final e a madrasta da Branca de Neve é obrigada a calçar sapatos de ferro quente. Todos esses contos serviam de aviso para as crianças e ensinavam como se comportar e o que não fazer no "mundo lá fora".

Nesse contexto, Coraline surge como um conto de fadas moderno, ou o que eu chamo de "filme de terror para crianças". Uma história que não se preocupa em suavizar tudo e deixar todos os detalhes fofos e coloridos. Coisas ruins acontecem e crianças precisam ser ensinadas a lidar com elas. Porque histórias também servem como aprendizado.

Aqui conhecemos Coraline Jones, uma menina curiosa que adora explorar e acabou de se mudar para uma casa nova. Essa casa era uma mansão que foi dividida em apartamentos e seus vizinhos são muito peculiares. Tem duas ex atrizes de teatro e um velho esquisito que fala com ratos e nenhum deles parece conseguir pronunciar o nome dela direito. Num dia chuvoso e tedioso, Coraline resolve explorar a casa e encontra uma porta que leva até um apartamento que é igual ao seu, exceto por alguns detalhes e o fato de que os moradores são seus outros pais. Eles parecem versões melhoradas de seus pais verdadeiros, só que com grandes botões no lugar dos olhos. Quando seus pais verdadeiros desaparecem, Coraline precisa juntar toda sua coragem e astúcia para encontrá-los e lidar com a ameaça que é sua Outra Mãe. Ela vai contar com a ajuda de um presente nas vizinhas e um gato preto sem nome ("Nós sabemos quem somos, então não precisamos de nomes.").

Coraline retorna às livrarias em nova edição ilustrada - Editora ...

Pode parecer um livro para crianças "esquisitas", daquelas que gostam de coisas meio macabras (tipo o filho do Neil Gaiman), mas é uma obra que serve de lição até mesmo pra adultos. Uma história sobre coragem e sobre fazer o que é certo mesmo quando se está com medo.
Porque coragem é quando você sente medo de fazer algo, mas faz mesmo assim, é quando você enfrenta o medo.
P. 90
A edição nova é gloriosa, toda em capa dura e páginas com bordas roxas, combinando com as cores da capa e as ilustrações magníficas do Chris Riddell, que é um dos meus ilustradores favoritos. Riddell ilustrou outros livros do Neil Gaiman, como O Livro do Cemitério, João e Maria e Felizmente, o Leite. Seus desenhos tem um traço muito peculiar e a forma como ele captura o horror que a Outra Mãe representa é incrível.

O livro virou um filme todo em stop motion (aqueles de massinha) em 2009, pela Laika, o mesmo estúdio que fez Paranorman (2012), Kubo e as Cordas Mágicas (2016) e A Noiva Cadáver (2005). O longa é tão sinistro quanto o livro (o que é ótimo) e bem o tipo de coisa que eu gostaria de ter assistido quando criança.

Se você, assim como eu, ama o Neil Gaiman, histórias infantis e terror, vai amar Coraline.

(O gato ganha o prêmio de segundo melhor gato preto do universo, perdendo só para o Salem)

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12 junho, 2020


[Resenha] A Última Batalha - C.S. Lewis

Ficha Técnica 

Título: A Última Batalha
Título Original: The Last Batle
Autor: C.S. Lewis
Ilustrações: Pauline Baynes
ISBN: 978-85-7827-909-7
Páginas: 212
Ano: 2014
Tradutor: Silêda Steuernagel
Editora: WMF Martins Fontes
À luz de uma enorme fogueira crepitante, a última batalha de Nárnia está prestes a acontecer. O rei Tirian, ajudado corajosamente por Jill e Eustáquio, terá de enfrentar os cruéis calormanos, num combate que decidirá, finalmente, a luta entre as forças do bem e do mal. Mas, com tantas dúvidas e confusão ao redor, conseguirá o rei Tirian manter-se firme na hora mais negra de Nárnia?






Resenha


Depois de algumas derrapadas no caminho que me fizeram demorar mais do que o previsto, cheguei ao final da releitura da série As Crônicas de Nárnia, ao livro A Última Batalha. Tirian é o atual rei de Nárnia. Ele é bisneto do bisneto do rei Rillian, que conhecemos em A Cadeira de Prata, lembram? Então, Rillian morreu há mais de duzentos anos, mas na Inglaterra, um ano se passou para Eustáquio e Jill.

Em Nárnia, Tirian tem ouvido comentários de que possivelmente Aslam está de volta à Nárnia, mas seria verdade? Se sim, seria maravilhoso! Mas o que ele não sabia é que na verdade tudo não passava de mentira.
— (...) As estrelas nada dizem sobre a vinda de Aslam, nem sobre paz ou alegria. Pelos meus conhecimentos, sei bem que, nestes quinhentos anos, jamais ocorreu tão desastrosa conjunção de planetas. Já estava pensando em vir prevenir Vossa Majestade de que algum grande mal está por abater-se sobre Nárnia.
P. 24
Perto do Ermo do Lampião vivia Manhoso, um macaco muito idoso que sempre se aproveitava de seu amigo Confuso, um jumento que não era muito esperto e sempre acabava ludibriado pelo amigo. Porém, a mais recente ideia de Manhoso não envolve apenas Confuso e sim toda Nárnia, pois ele achou o rio uma pele de Leão e teve a "brilhante" ideia de amarrá-la em Confuso e convencer todos de que ele era Aslam e conseguir muitas coisas com isso.

Embora não tenha gostado da ideia, Confuso foi convencido a participar do plano e agora, em conluio com os calormanos, Manhoso está transformando Nárnia em um lugar escravizado. A cada dia chegam mais calormanos em Nárnia e a cada novo pedido de Aslam, por intermédio de Manhoso, destrói mais os bosques e escraviza os seres de lá.
— (...) Melhor morrer do que viver com esse terrível temor de Aslam voltou e não é nada parecido com Aslam em quem sempre acreditamos e por quem tanto esperamos. É como se de repente a gente acordasse e visse o Sol nascer escuro...
P. 35
Mas, depois de ser alertado por uma dríade, Tirian e seu melhor amigo, o unicórnio Precioso, irão até o Ermo do Lampião descobrir o que tem destruído as árvores. Mas chegando lá, descobrem que os murmúrios sobre o retorno de Aslam são ainda mais fortes e piores do que imaginavam; é por suas ordens que as árvores têm sido derrubadas e os animais e outros seres, escravizados.

E, como sabemos, quando Nárnia está em perigo, seus amigos aparecem e assim, Tirian consegue pedir ajuda e Jill e Eustáquio retornam a Nárnia para mais uma aventura.
Ninguém tentava consolar um ao outro com palavras. Naquele momento, não era nada fácil pensar em algo confortador para dizer. Tirian nunca imaginara que o fato de um macaco inventar um falso Aslam pudesse levar as pessoas a deixar de acreditar no verdadeiro Aslam.
P. 89
A questão é que o estrago feito pelo macaco foi maior do que Tirian imaginava, afinal, os narnianos ainda acreditarão no verdadeiro Aslam depois de saber da farsa da pele de leão em jumento?

A Última Batalha é uma história da luta do bem contra o mal e traz à tona temas como fé, amizade, lealdade, traição, ambição; mais uma vez diversos deles nos remetem aos acontecimentos bíblicos. Ao chegar ao final de Nárnia, fica a pergunta: acabou mesmo ou seria apenas o começo de uma nova história? Só digo uma coisa, não tem como acompanhar as histórias dos livros anteriores e chegar aqui e não se emocionar com tudo que acontece, em ver que, mesmo nos momentos mais difíceis, quando nosso coração é puro, tudo ficará bem.
— Finalmente voltei para casa! Este, sim, é o meu verdadeiro lar! Aqui é o meu lugar. É esta a terra pela qual tenho aspirado a vida inteira, embora até agora não a conhecesse. A razão por que amávamos a antiga Nárnia é que ela, às vezes, se parecia com isto aqui.
P. 199
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04 maio, 2020


[Resenha] A Cadeira de Prata - C.S. Lewis

Ficha Técnica 

Título: A Cadeira de Prata
Título Original: The Silver Chair
Autor: C.S. Lewis
Ilustrações: Pauline Baynes
ISBN: 978-85-7827-791-8
Páginas: 212
Ano: 2014
Tradutor: Paulo Mendes Campos
Editora: WMF Martins Fontes
"Como se chega até lá?", perguntou Jill, tentando encontrar um jeito qualquer de fugir daquela escola horrível. "Do único modo possível", sussurrou Eustáquio, "por magia". Então deram-se as mãos e, concentrando toda a sua força de vontade para que algo acontecesse, viram-se de repente à beira de um alto precipício, muito acima das nuvens, na terra encantada de Nárnia. Assustada e confusa, Jill fica horrorizada ao ver Eustáquio perder o equilíbrio e cair. Imediatamente, porém, ela sente ao seu lado uma presença calorosa. Era o Leão.



Resenha


Continuando com a releitura da série As Crônicas de Nárnia em ordem cronológica, cheguei ao sexto livro, A Cadeira de Prata. Eu acabei me embolando toda aqui com as leituras de parceria e essa releitura ficou um pouco atrasada, mas vamos lá que falta pouco para terminar hahaha.

Já tem um ano que Eustáquio Mísero voltou de sua aventura a bordo do Peregrino da Alvorada e ele é um garoto diferente desde então. Mesmo voltando ao Colégio Experimental, ele já não fazia parte do grupo de crianças que perturbavam a vida das outras. Quem também percebeu isso foi Jill Pole, uma garota que estudava na mesma escola e era importunada o tempo todo. Foi em um desses momentos de fuga que Eustáquio achou Jill escondida e lhe contou que havia um lugar mágico e que se eles descobrissem uma maneira de ir para lá, ninguém mexeria com eles.
— Mas, afinal de contas, de que adianta? Não estamos lá: estamos aqui. E não há nenhum jeito de ir para lá. Ou há?
— É por isso mesmo que estamos aqui conversando. Quando voltei do tal lugar, alguém disse que os meus dois primos nunca mais iriam lá. Era a terceira vez que iam, entende? Mas esse alguém não disse que eu não ia voltar. Se não disse é porque achava que eu ia voltar. Não me sai da cabeça a ideia de que nós... poderíamos...
— Dar um jeito para que a magia aconteça de novo?
P. 17
Tenho certeza que eles não imaginavam que conseguiriam de fato ir para Nárnia, mas Aslam os chamou, que é a única maneira de chegar lá. Enquanto Eustáquio estava encantado por estar de volta, Jill tentava absorver toda a beleza do lugar, completamente diferente de onde mora e estuda, um lugar onde o Sol brilha ainda mais, as cores são mais vivas e tudo parece ter vida.

Acontece que Aslam chamou os garotos para Nárnia pois eles precisam encontrar o filho do rei Caspian X, desaparecido há dez anos. Perceberam? Pois, enquanto passou um ano para Eustáquio na Inglaterra, em Nárnia se passaram décadas e Caspian está idoso e seu sonho é reencontrar Rillian antes de morrer. Por isso, no momento em que as crianças chegaram em Nárnia viram um navio partir do cais, só não sabiam então do que se tratava.
— (...) Por mais estranhos que sejam os acontecimentos, de maneira alguma deixe de obedecer aos sinais. Em segundo lugar, aviso-a de que falei, aqui na montanha, com a maior clareza: não o farei sempre em Nárnia. O ar aqui na montanha é limpo, e aqui o seu espírito também é limpo; em Nárnia, o ar será mais pesado. Cuidado para que o ar pesado não confunda seu espírito.
P. 31
Com a missão dada por Aslam, as crianças seguem para a jornada de busca pelo príncipe, mas que também se torna uma jornada de conhecimento de si mesmos e de respeito pelo outro, afinal, por mais que Jill e Eustáquio se conheçam da escola, eles não conviviam, não sabiam dos medos uns do outro e além deles ainda tem o terceiro integrante dessa equipe, o paulama Brejeiro, que, sendo um narniano, conhece boa parte do caminho que precisarão percorrer.

Eu adorei Brejeiro, um personagem incrível e pé no chão e que, quando as crianças pareciam fraquejar, estava ali, atento às orientações de Aslam, mostrando como muitas vezes é complicado seguir o caminho certo quando passamos por adversidades.
— (...) Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista.
P. 159-160
 A Cadeira de Prata traz uma jornada que nos leva mais próximo do fim. Sendo o penúltimo livro, terminei a leitura já com aquela sensação quando uma série está terminando: feliz e triste ao mesmo tempo. Mais uma vez a mensagem que C.S. Lewis passa é brilhante através de sua fantasia e deixa sempre o gostinho de quero-mais. Então, que venha A Última Batalha.

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09 março, 2020


[Cinema] Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa




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De uns tempos pra cá, parece que todo filme de herói quer ganhar um Oscar. Todo filme (e nisso a DC tem mais culpa que todo o mundo) tem que ser sério e sombrio, literal e figurativamente. Essa se provou a grande falha do DCEU (o Universo Estendido da DC) e não precisa fazer muita pesquisa pra descobrir que os filmes mais populares entre fãs e críticos são justamente os mais leves e divertidos (fora a trilogia do Nolan, claro). O sucesso de Mulher Maravilha e Shazam prova que os fãs gostam de histórias leves e cheias de ação.

É no rastro dos filmes mais populares do DCEU que Aves de Rapina se apoia, pegando tudo o que deu errado em Esquadrão Suicida (o pior de todos) e consertando. Se no filme anterior a Arlequina era a única personagem feminina do grupo, relegada ao papel de smurfette, aqui temos quatro mulheres e uma menina que representam tipos diversos de personagens. Há espaço para uma representatividade muito mais ampla simplesmente porque há mais personagens para elaborar. Cada uma das moças do grupo tem uma personalidade distinta e um objetivo diferente, além de um estilo de luta específico. Arlequina, por exemplo, luta de forma bastante acrobática, como uma ginasta; já Canário Negro tem movimentos mais focados em chutes e a especialidade se Renee Montoya são os socos. Enquanto no anterior a Arlequina era hipersexualizada nem necessidade nenhuma, neste ela continua sendo sensual mas sem as roupas antipráticas e os ângulos de filmagem que não fazem o menor sentido.

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Sai também o clima sinistro e presunçoso e entra um estilo que se aproxima muito dos quadrinhos, com a abertura em animação e a narração no sotaque fofo que é muito parecido com o da Arlequina do desenho (onde ela surgiu, por sinal). A Gotham do filme ainda é cheia de crime e tragédia, mas agora com cores vibrantes e música de festa, já que vemos a cidade pelos olhos da protagonista. Os efeitos na tela e os exageros cômicos também fazem referência aos quadrinhos e o desenho. Enquanto o trailer de ES vendeu o filme como maravilhoso e ele foi uma decepção, o trailer de BOP (sigla pro título original, Birds of prey) não faz jus ao filme.

O longa tem um roteiro bem amarradinho, que segue quatro mulheres e uma criança numa saga pra escapar de um criminoso manipulador e egocêntrico. Todas elas entraram no caminho dele de alguma forma e precisam se juntar pra encarar essa ameaça. Além disso temos o processo de cura de Arlequina, finalmente livre de uma relação abusiva com o Coringa e descobrindo quem ela é fora deste relacionamento. É um tópico incomum pra filmes de ação mas que faz todo o sentido dentro da construção da personagem. Sem nenhum spoiler, o que dá pra contar do enredo é que Arlequina (Margot Robbie) virou alvo de bandidos depois do término e é perseguida por Roman Sionis (Ewan McGregor, que nunca se divertiu tanto fazendo um filme, ao que parece). Ele está sendo investigado por Renee Montoya (Rosie Perez) e emprega Dinah Lance/Canário Negro (Jurnee Smollet-Bell) como cantora em sua boate. Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e Cassandra Cain (Ella Jay Basco) também vão ser arrastadas pra essa encrenca toda. E não deve ser por acaso que, num filme com tantas protagonistas femininas, o inimigo seja justamente uma personificação da masculinidade tóxica, que tenta a todo custo tirar o poder de escolha das mulheres à sua volta.

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As atuações são impecáveis, a começar por Margot Robbie, que nasceu pra interpretar a Arlequina. A atriz, que também é produtora do filme, transborda todo o carisma da personagem que é o coração do filme. Ela é exagerada ou sutil na medida certa, acertando o equilíbrio de uma péssima em que poderia ter sido um desastre nas mãos erradas (sim, Jared Leto, eu estou olhando pra você). Cada uma das heroínas é interpretada de forma excepcional e, mesmo tendo sentimentos conflitantes em relação à caracterização de Montoya (minha personagem de quadrinhos favorita), preciso admitir que Pérez fez um bom trabalho com ela. Ewan McGregor parece ser a única escolha possível para interpretar Sionis, o vilão flamboyant e absolutamente cruel.

BOP é um filme visualmente lindo e alegre, com cores brilhantes e música divertida, como deve ser o interior da cabeça da Arlequina. O detalhe mais especial fica por conta das cenas de combate, coreografadas de forma espetacular (eu posso ser suspeita pra falar, porque qualquer filme que tenha uma cena de luta ao som de Barracuda já ganha meu coração). Além de enaltecerem os pontos fortes de cada personagem, elas são empolgantes e bonitas (apesar do sangue).

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BOP é um dos três melhores filmes do DCEU (no meu coração, tá empatado com Mulher Maravilha), um excelente filme de ação e uma incrível adaptação de quadrinhos. Vale cada centavo e é importante que a gente tenha mais histórias não só protagonizadas por mulheres mas escritas, dirigidas e produzidas por mulheres. Até mesmo entre os filmes baseados em quadrinhos, que continuam sendo um meio muito machista.

Numa escala de uma a cinco personagens femininas da DC que merecem um filme solo, o quanto eu gostei de BOP:

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(Batwoman, Questão, Poderosa, Ravena e Bárbara Gordon)
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02 dezembro, 2019


[Resenha] A Viagem do Peregrino da Alvorada - C.S. Lewis

Ficha Técnica 

Título: A Viagem do Peregrino da Alvorada
Título Original: The Voyage of the Dawn Treader
Autor: C.S. Lewis
Ilustrações: Pauline Baynes
ISBN: 978-85-7827-266-1
Páginas: 216
Ano: 2010
Tradutor: Paulo Mendes Campos
Editora: WMF Martins Fontes
Lúcia e Edmundo, com seu odioso primo Eustáquio a tiracolo, embarcam numa incrível viagem de aventuras e descobertas, a bordo do imponente navio Peregrino da Alvorada. Rumo às Ilhas Solitárias, em busca dos sete amigos desaparecidos do pai do rei Caspian, eles encontram um dragão, uma serpente do mar, um bando de criaturas invisíveis, um mágico e o próprio Aslam, o Grande Leão, que os presenteia com uma promessa muito especial.





Resenha


Continuando com a releitura da série As Crônicas de Nárnia em ordem cronológica, cheguei ao quinto livro, A Viagem do Peregrino da Alvora. Iniciamos esse livro um ano depois da aventura vivida em Príncipe Caspian. O pai dos irmãos Penvensie conseguiu uma vaga de professor nos Estados Unidos no verão.. Como não poderia levar toda a família por conta do custo, apenas Susana foi com os pais. Enquanto isso, Pedro, que precisava estudar para os exames - que não fica claro quais são - irá para a casa do professor Kirke, que já não mora na mesma casa da época da guerra; agora vive em um pequeno chalé de um quarto. Assim, Edmundo e Lúcia não tiveram escolha a não ser ficar na casa dos tios Arnaldo e Alberta e conviver por quatro meses com o primo Eustáquio.

Os primos são completamente diferentes - Eustáquio é insuportável - e a convivência na casa está cada vez pior, principalmente para Edmundo, que precisa dividir o quarto com o primo. Some a isso o fato de estar longe da família e a incerteza de saber quando e se poderão retornar à Nárnia.

Mas como Aslam havia dito no final de Príncipe Caspian, Edmundo e Lúcia retornariam à Nárnia e isso aconteceu graças a um quadro que havia na casa dos tios - do qual eles não gostavam, é claro! Eles só não imaginavam que Eustáquio também teria a chance de conhecer a terra que tanto amam.
Só Lúcia soube que ao revolutear em torno do mastro, o albatroz murmurara: "Coragem, querida!". Era a voz de Aslam, e seu hálito suave roçou-lhe a face.
P. 180
Ao chegarem em Nárnia, os irmãos embarcam no Peregrino da Alvorada, navio que está em uma missão exploratória e de resgate pelos mares comandada pelo próprio Caspian. Em Nárnia passaram três anos desde a última aventura e, agora que o reino está em paz, Caspian viaja em busca de respostas sobre o destino dos sete fidalgos leais a seu pai que saíram em missão sete anos antes sob ordens de seu tio Miraz.

Claro que nessa aventura não poderia faltar o valente Ripchip, que vê na missão do Peregrino, a chance de realizar seu sonho de conhecer o País de Aslam, que segundo as lendas, fica além das terras do fim do mundo.
— Em todos os mundos há um caminho para o meu país — falou o Cordeiro. E enquanto ele falava, sua brancura de neve transformou-se em ouro quente, modificando-se também sua forma. E ali estava o próprio Aslam, erguendo-se acima deles e irradiando luz de sua juba.
P. 230
Enquanto buscam pelos antigos fidalgos telmarinos, a tripulação do Peregrino passará por terras que estão sob o domínio de Nárnia - mas que há muito tempo não vêm seu governante e, por isso, precisa de muitos ajustes de conduta -, enfrentará diversas situações complicadas - que envolverão, ou não, magia -, descobrirá novas terras e evoluirão como pessoas.

A história desenvolvida nesse livro é uma verdadeira viagem, não apenas do navio e da exploração dos mares em si, mas uma viagem de autoconhecimento. Lewis dá destaque para Caspian, Lúcia e principalmente para Eustáquio, que enfrentarão algumas situações individualmente para o próprio crescimento. E o que dizer de Aslam? Como sempre incrível e presente - visível ou não - e os momentos em que surge são de puro aprendizado.
— Já são muito crescidos. Têm de chegar mais perto do próprio mundo em que vivem.
— Nosso mundo é Nárnia — soluçou Lúcia. — Como poderemos viver sem vê-lo?
— Você há de encontrar-me, querida — disse Aslam.
— Está também em nosso mundo? — perguntou Edmundo.
— Estou. Mas tenho outro nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo--me um pouco, venham a conhecer-me melhor.
P. 230
Mais uma vez a mensagem que C.S. Lewis passa é brilhante através de sua fantasia e deixa sempre o gostinho de quero-mais. Então, que venha A Cadeira de Prata.

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11 setembro, 2019


[Resenha] Príncipe Caspian - C.S. Lewis

Ficha Técnica 

Título: Príncipe Caspian
Título Original: Prince Caspian
Autor: C.S. Lewis
Ilustrações: Pauline Baynes
ISBN: 978-85-469-0195-1
Páginas: 216
Ano: 2017
Tradutor: Paulo Mendes Campos
Editora: WMF Martins Fontes
Tempos difíceis abateram-se sobre a terra encantada de Nárnia. Os dias de paz e liberdade, em que os animais, anões, árvores e flores viviam em absoluta paz e harmonia, estavam terminados. A guerra civil dividia o reino, e a destruição final estava próxima. O príncipe Caspian, herdeiro legítimo do trono, decide trazer de volta o glorioso passado de Nárnia. Soprando sua trompa mágica, ele convoca Pedro, Suzana, Edmundo e Lúcia para ajudá-lo em sua difícil tarefa.





Resenha


Continuando com o objetivo de reler a série As Crônicas de Nárnia em ordem cronológica, cheguei ao quarto livro, Príncipe Caspian. Nesse livro Nárnia é governada pelo tirano Miraz, príncipe regente que assumiu a função em nome do sobrinho, Caspian. Porém, com o nascimento do seu filho, ele precisa que Caspian desapareça e o trono seja de fato seu.

Com a ajuda de seu tutor, Caspian descobrirá o plano do tio e conseguirá fugir para as longínquas terras que, de acordo com as lendas, foram morada dos grandes reis da era de ouro de Nárnia, em Cair Paravel.

Enquanto centenas de anos se passam desde que Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia voltaram para a Inglaterra, para eles apenas um ano se passou, mas, ao serem chamados pela trompa de Susana, viram que muita coisa mudou. Em primeiro lugar, como eles reinaram há muito tempo, muitos não acreditam que eles ou mesmo Aslam tenham existido, pensam que não passam de lendas que não devem sequer ser repetidas. Em segundo, muitos animais falantes deixaram de existir, assim como os espíritos das árvores, rios e lagos hibernaram em suas formas básicas. A verdade é que os narnianos precisaram se esconder para sobreviver.
— Não seria medonho se um dia, no nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?
P. 120
A invasão telmarina fez com que os verdadeiros narnianos tivessem que se esconder, mas agora Caspian, os narnianos remanescentes, Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia irão à luta para tirar o usurpador do trono e devolver à Nárnia a glória do passado.

Esse livro é repleto de aventuras do início ao fim e também apresenta novos personagens como o rato Ripchip e o texugo Caça-Trufas, que eu amei. Além disso, reencontrar os irmãos Pevensie foi ótimo, ver que amadureceram e que ao retornarem à Nárnia, recuperaram o ar majestoso que tiveram no passado. E o que dizer de Aslam? Como sempre incrível, dando a oportunidade de ser encontrado não apenas pelos irmãos, mas por todos que ainda acreditam nele.
— Oh, Aslam, acha que eu errei? Como  é que eu... podia deixar os outros e vir sozinha encontrar-me com você? Não olhe para mim desse jeito... bem... de fato... talvez eu pudesse. Sei que com você não estaria sozinha. Mas ia adiantar alguma coisa?
Aslam não respondeu.
— Mesmo assim teria sido melhor? — perguntou Lúcia, com a voz sumida. — Mas como? Aslam, por favor, diga-me.
P. 138
Se você já leu as resenhas de O Sobrinho do Mago, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e O Cavalo e seu Menino ou mesmo já tenha lido os livros da série sabe da referência que C.S. Lewis faz à Bíblia e se repetirá em todos os livros. Aqui, mostra como muitos narnianos se afastaram de Aslam e como os telmarinos sequer acreditavam na existência dele.

Mais uma vez a mensagem que C.S. Lewis passa é brilhante através de sua fantasia e deixa sempre o gostinho de quero-mais. Então, que venha A Viagem do Peregrino da Alvorada.

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27 julho, 2019


[Resenha] O Cavalo e seu Menino - C.S. Lewis

Ficha Técnica 

Título: O Cavalo e seu Menino
Título Original: The horse and his boy
Autor: C.S. Lewis
Ilustrações: Pauline Baynes
ISBN: 978-85-7827-353-8
Páginas: 189
Ano: 2010
Tradutor: Paulo Mendes Campos
Editora: WMF Martins Fontes
Ao saber que não era filho de Arsheesh, o pescador, o jovem Shasta decide fugir da cruel Calormânia. Na companhia do cavalo falante Bri, ele parte em direção ao Norte rumo a Nárnia, onde o ar é fresco e reina a liberdade. Em sua jornada pelo deserto árido, Shasta tenta imaginar o que estará esperando por ele adiante. Tudo parece tão vasto, desconhecido, solitário... e livre.







Resenha


Continuo com a releitura da série, As Crônicas de Nárnia e, depois de ler O Sobrinho do Mago e  O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, agora cheguei ao terceiro livro, O Cavalo e seu Menino, que nos leva a uma enseada no sul da Calormânia onde o jovem Shasta vive com o pescador Arriche, a quem chama de pai. A verdade é que Shasta mais parece um escravo e, com a passagem de um tarcaã - um senhor de alta linhagem - pela região, Arriche o hospedou em sua casa e em uma conversa na primeira noite, Shasta ouviu a confirmação do que seu coração já sabia: não era filho de Arriche e por isso não deveria sofrer por não amá-lo se ele não era seu pai.

Ainda nessa conversa ouviu que estavam negociando sua venda e por isso decidiu fugir. Assim, próximo do cavalo do tarcaã, ouviu quando esse confirmou suas suspeitas de que ser vendido para o nobre em nada facilitaria sua vida. Sim, o cavalo falou que seu amo era muito cruel e Shasta descobriu que o cavalo era na verdade um narniano capturado quando jovem.
— (...) Você não é propriamente o grande cavalo que pensava ser, por estar vivendo entre infelizes cavalos mudos. É claro que era mais valente e mais inteligente do que os outros. Mas você não podia ser de outra forma. Isso não significa que será alguém especial em Nárnia. Mas, enquanto souber que não é ninguém em especial, será um cavalo muito honrado.
P. 131-132
Para ajudar um ao outro, Brirri-rini-brini-ruri-rá (isso lá é nome para um cavalo?) e Shasta partem em direção ao norte, onde precisarão cruzar Tashbaan - uma cidade muito movimentada - e depois o deserto para assim chegar ao norte, chegar à Nárnia. Bri e Shasta logo se entendem e antes mesmo de chegarem à Tashbaan encontram duas fugitivas que se tornarão suas aliadas - Huin e Aravis.

Assim como Bri, Huin é um égua narniana e está conduzindo Aravis para Nárnia. Aravis é uma tarcaína província de Calavar que foi prometida em casamento à um homem que tinha idade para ser seu avô ou até mesmo bisavô e por isso, decidiu tirar a própria vida quando foi interrompida por Huin, que lhe falou de Nárnia, uma terra de pessoas livres onde certamente ela não seria obrigada a casar-se com quem não queria.

Dessa forma, o grupo partiu em direção ao norte, com muitos obstáculos pelo caminho, a começar por Tashbaan, onde acabaram se "esbarrando" conheceram os reis Edmundo e Susana, que estavam na cidade a convite do próprio Tisroc (rei) e seu filho, o príncipe Rabadash, que tinha esperança de se casar com Susana, a quem conheceu quando esteve em Cair Paravel. Claro que quando chegaram a Tashbaan logo viram que o príncipe que esteve em Cair Paravel era uma encenação da realidade, por isso Susana não tinha mais o menor interesse em casar com ele. Mas sair da cidade não seria assim tão fácil.
— Fui eu o leão que o forçou a encontrar-se com Aravis. Fui eu o gato que o consolou na casa dos mortos. Fui eu o leão que espantou os chacais para que você dormisse. Fui eu o leão que assustou os cavalos a fim de que chegassem a tempo de avisar o rei Luna. E fui eu o leão que empurrou para a praia a canoa em que você dormia, uma criança quase morta, para que um homem, acordado à meia-noite, o acolhesse.
P. 141
Depois que Bri, Shasta, Huin e Aravis se separam na cidade eles precisam se encontrar no ponto marcado caso isso acontecesse e as surpresas surgem de todos os lados, até a descoberta de uma retaliação à Nárnia por conta dos últimos acontecimentos.

A história contada em O Cavalo e seu Menino é uma jornada para todos os protagonistas, que aprendem sobre amizade, sobre si mesmos e ainda descobrem muito sobre suas histórias e também nos fala sobre as diferentes formas de governo - a escravidão e tirania da Calormânia e a liberdade de Nárnia e da Arqueândia - e como isso influencia na vida do seu povo. Ainda que a história desse livro não se passe propriamente em Nárnia, está totalmente ligada a ela e já deixa um gostinho de quero mais para seguirmos para o quarto livro da série, O Príncipe Caspian.
— Aslam — disse Bri, com a voz estremecida —, acho que sou um estúpido.
— Feliz o cavalo que sabe disso ainda na juventude. Ou o humano. Chegue mais perto, Aravis, minha filha. Veja! Minhas patas são de veludo. Não precisa temer agora.
P. 170
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18 julho, 2019


No Escurinho do Cinema #305


E aí pessoal, tudo bem??
Vamos conhecer os filmes dessa semana? Chegou a hora de saber como será esse novo filme d'O Rei Leão estão curiosos como eu?

O Rei Leão
Direção: Jon Favreau
Elenco: Ícaro Silva, Donald Glover, Beyoncé Knowles-Carter
Gênero: Aventura, Animação
Duração: 1h58min
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Simba (Donald Glover) é um jovem leão cujo destino é se tornar o rei da selva. Entretanto, uma armadilha elaborada por seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor) faz com que Mufasa (James Earl Jones), o atual rei, morra ao tentar salvar o filhote. Consumido pela culpa, Simba deixa o reino rumo a um local distante, onde encontra amigos que o ensinam a mais uma vez ter prazer pela vida.


O Bar Luva Dourada
Direção: Fatih Akın
Elenco:Jonas Dassler, Margarete Tiesel, Hark Bohm
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 1h50min
Nacionalidade: Alemanha
Sinopse: Na década de 70, os habitantes da cidade de Hamburgo sofrem quando os jornais começam a noticiar o desaparecimento sucessivo de vários cidadãos seguindo um padrão específico. Começa então uma das mais complexas investigações de assassinatos em série que o local já havia presenciado até o momento.



Jornada da Vida
Direção: Philippe Godeau
Elenco:Lionel Louis Basse, Omar Sy, Fatoumata Diawara
Gênero: Drama, Comédia
Duração: 1h44min
Nacionalidades: França, Senegal
Sinopse: Um ator francês (Omar Sy) de descendência senegalesa faz uma viagem à África para promover o seu livro. No local, descobre que um de seus maiores fãs é Yao, um garotinho que efetuou uma longa viagem sozinho para vê-lo. Comovido com a história do menino, decide acompanhá-lo de volta à sua casa, e no percurso, confronta-se às suas próprias raízes.



E então, pretendem assistir algum?
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04 julho, 2019


No Escurinho do Cinema #303


E aí pessoal, tudo bem??
Vamos conhecer os filmes dessa semana? Quero muito assistir Homem-Aranha: Longe de Casa😍 e vocês?

Homem-Aranha: Longe de Casa
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Jake Gyllenhaal, Zendaya
Gênero: Aventura
Duração: 2h10min
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Peter Parker (Tom Holland) está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Precisando de ajuda para enfrentar monstros nomeados como Elementais, Fury o convoca para lutar ao lado de Mysterio (Jake Gyllenhaal), um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si seu óculos pessoal, com acesso a um sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries.


A Árvore dos Frutos Selvagens
Direção: Nuri Bilge Ceylan
Elenco:Doğu Demirkol, Murat Cemcir, Hazar Ergüçlü
Gênero: Drama
Duração: 3h08min
Nacionalidades: França, Turquia, Alemanha, Bulgária
Sinopse: Sinan (Doğu Demirkol) é um jovem apaixonado por literatura que sempre sonhou em se tornar um grande escritor. Ao retornar para o vilarejo em que nasceu, ele faz de tudo para conseguir juntar dinheiro e investir na sua primeira publicação. O problema é que seu pai deixou uma dívida que atrapalhará os seus planos.



Um Homem Fiel
Direção:
Louis Garrel
Elenco: Laetitia Casta, Louis Garrel, Lily-Rose Depp
Gênero: Romance, Comédia
Duração: 1h15min
Nacionalidade: França
Sinopse: Nove anos depois de deixá-lo pelo seu melhor amigo, a agora viúva Marianne (Laetitia Casta) volta para o jornalista Abel (Louis Garrel). Porém, o que parece um belo recomeço logo se mostra bem mais complicado e Abel se vê enrolado em um monte de drama, como as maquinações do estranho filho de Marianne e a questão de afinal o que aconteceu com o ex marido dela.




Boas Intenções
Direção: Gilles Legrand
Elenco: Agnès Jaoui, Alban Ivanov, Tim Seyfi
Gênero: Comédia dramática
Duração: 1h43min
Nacionalidades: Brasil, Uruguai, Dinamarca, Noruega, Chile, Suécia, França
Sinopse: Isabelle (Agnès Jaoui) dedica todo o seu tempo ao trabalho humanitário, ajudando imigrantes, doando roupa, preparando comida e ministrando aulas de francês para estrangeiros. Um dia, quando uma professora mais jovem aparece no mesmo centro onde ela dá aulas, Isabelle começa a se sentir ultrapassada. Enquanto se envolve numa competição com a novata, começa a negligenciar o marido e os filhos, criando outros problemas para solucionar além da miséria no mundo.


E então, o que querem assistir?
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27 junho, 2019


No Escurinho do Cinema #302


E aí pessoal, tudo bem??
Vamos conhecer os filmes dessa semana? Quero tanto assistir Pets 2 e Turma da Mônica... 😍

Pets - A Vida Secreta dos Bichos 2
Direção: Chris Renaud
Elenco: Danton Mello, Tiago Abravanel, Angélica Borges
Gênero: Animação, Comédia , Família
Duração: 1h26min
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Nova York. A vida de Max e Duke muda bastante quando sua dona tem um filho. De início eles não gostam nem um pouco deste pequeno ser que divide a atenção, mas aos poucos ele os conquista. Não demora muito para que Max se torne super protetor em relação à criança, o que lhe causa uma coceira constante. Quando toda a família decide passar uns dias em uma fazenda, os cachorros enfrentam uma realidade completamente diferente com a qual estão acostumados.


Annabelle 3: De Volta para Casa
Direção: Gary Dauberman
Elenco:Vera Farmiga, Mckenna Grace, Patrick Wilson
Gênero: Terror
Duração: 1h46min
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Quando Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) deixam sua casa durante um fim de semana, a filha do casal, a pequena Judy Warren (McKenna Grace), é deixada aos cuidados de sua babá (Madison Iseman). Mas as duas entram em perigo quando a maligna boneca Annabelle, aproveitando que os investigadores paranormais estão fora de jogo, anima os letais e aterrorizantes objetos contidos na Sala dos Artefatos dos Warren.



Turma da Mônica - Laços
Direção:
Daniel Rezende
Elenco: Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo
Gênero: Aventura
Duração: 1h39min
Nacionalidade: Brasil
Sinopse: Floquinho, o cachorro do Cebolinha (Kevin Vechiatto), desapareceu. O menino desenvolve então um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira). Juntos, eles irão enfrentar grandes desafios e viver grandes aventuras para levar o cão de volta para casa.




Divino Amor
Direção: Gabriel Mascaro
Elenco: Dira Paes, Júlio Machado, Teca Pereira
Gênero: Drama
Duração: 1h41min
Nacionalidades: Brasil, Uruguai, Dinamarca, Noruega, Chile, Suécia, França
Sinopse: Joana (Dira Paes) trabalha como escrivã em um cartório e, profundamente religiosa e devota à ideia da fidelidade conjugal, sempre tenta demover os casais que volta e meia surgem pedindo o divórcio. Tal situação sempre a deixa à espera de algum reconhecimento, pelos esforços feitos. Entretanto, a situação muda quando ela própria enfrenta uma crise em seu casamento.


O Olho e a Faca
Direção: Paulo Sacramento
Elenco: Rodrigo Lombardi, Maria Luisa Mendonça, Luis Melo
Gênero: Drama
Duração: 1h39min
Nacionalidade: Brasil
Sinopse: Roberto (Rodrigo Lombardi) trabalha numa base de petróleo, e passa longos meses afastado da esposa e dos dois filhos. Nos momentos de distância, inicia um relacionamento com outra mulher. Um dia, Roberto recebe uma promoção no emprego, forçando-o a ficar ainda menos presente para a família e os amigos.


Cyrano Mon Amour
Direção: Alexis Michalik
Elenco: Thomas Solivérès, Olivier Gourmet, Mathilde Seigner
Gênero: Comédia , Drama
Duração: 1h53min
Nacionalidades: França, Bélgica
Sinopse: Em 1897, Edmond Rostand (Thomas Solivérès) não tem nem 30 anos de idade ainda, mas já tem dois filhos e muitos anseios. Desesperado por trabalho e há dois anos sem conseguir escrever nada, ele oferece ao renomado Benoît-Constant Coquelin (Olivier Gourmet) uma nova peça, uma comédia heroica a ser entregue na época das festas. Só tem um problema, ele ainda não a escreveu. Esta peça viria a ser o clássico Cyrano de Bergerac.



E então, o que querem assistir?
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