02 janeiro, 2021


[Resenha] Um Menino Chamado Natal - Matt Haig


Ficha Técnica 

Título: Um Menino Chamado Natal
Título Original: A Boy Called Christmas
Autor: Matt Haig
Ilustrações: Chris Mould
ISBN: 978-65-5500-589-9
Páginas: 240
Ano: 2020
Tradutor: Débora Isidoro
Editora: Ciranda Cultural
Nikolas, de onze anos, apelidado de Natal, recebeu apenas um brinquedo na vida, mas ele é um garoto feliz, porque o ganhou de seus pais, que o amam. Certo dia seu pai desaparece e Nikolas precisa viajar para o Polo Norte para salvá-lo. Ao longo do caminho, o menino vive grandes aventuras e descobre um mundo novo em uma aldeia de elfos. Porém essas criaturinhas têm seus próprios problemas: o espírito natalino e a boa vontade estão em baixa, e Nikolas pode ser a única pessoa capaz de consertar as coisas… Um Menino Chamado Natal é um novo e atrevido clássico de Natal do aclamado autor Matt Haig e do ilustrador Chris Mould.

Resenha


Livro lindinho de Natal para aquecer o coração? Sim, temos! Eu não sou dessas que espera o Natal para ler e assistir filmes do gênero, se eu estou com vontade, vou lá e leio ou assisto, com streaming então… nem sei dizer para vocês quantas vezes assisti O Grinch esse ano, a versão do Jim Carey e a animação, Operação Presente, O Expresso Polar, Klaus e claro que assisti todos os outros que estrearam recentemente. 

Em Um Menino Chamado Natal vamos conhecer Nikolas, um garoto de 11 anos que mora na Finlândia com seu pai, Joel, o lenhador. Depois que a mãe morreu na floresta, o pai é toda a família que Nikolas, bem, na verdade ele tem uma tia também, Carlotta, irmã mais velha de seu pai, mas ele não gosta nem um pouco dela, então vamos contar que a família se resume ao pai, certo? Eles vivem em uma casa de um único cômodo, as refeições são sempre escassas, mas, mesmo com toda dificuldade, Nikolas tenta ser feliz. Ele é um garoto que acredita e aí está a beleza: acreditar. Assim como acredita em duendes, trolls e pixies, Nikolas também acredita na felicidade verdadeira. 
— Para ver alguma coisa, você tem que acreditar nela. Acreditar de verdade. Essa é a primeira regra do duende. Você não pode ver alguma coisa em que não acredita. Agora faça um esforço e tente enxergar o que estava procurando.
P. 90
Nikolas nasceu no dia de Natal e por isso seu pai o apelidou de "Natal" — Joel tinha o costume de dar apelidos às pessoas, sua esposa era "Pão Doce" —, mas desde que a esposa faleceu Joel deixou de chamá-lo assim. Por quê? Não sabemos, mas é algo que faz falta a Nikolas: o sorriso da mãe, as brincadeiras do pai. Ainda assim, Nikolas amava o pai e viver com ele, sair com ele e colher frutas e cogumelos enquanto o pai cortava árvores, amava os únicos presentes que já havia ganhado: um trenó com seu apelido entalhado, que sempre ficava do lado de fora, por causa da falta de espaço na casa, e seu boneco que a mãe entalhou em um nabo velho. Amava ainda o momento antes de ir dormir, quando seu pai lhe contava uma história, mesmo que ele sempre pedisse a mesma história. 

Porém, as coisas saíram mais dos trilhos no dia que eles receberam a visita de um caçador com uma oferta: ir em uma expedição ao Extremo Norte em busca de provas de que a Vila dos Duendes existe e ganhar a recompensa que o rei está oferecendo. Joel vê aí uma grande oportunidade para ganhar dinheiro suficiente para melhorar a vida deles. Mas é claro que ele não permitiria que Nikolas fosse com ele, afinal, muitas pessoas já foram ao Extremo Norte, mas não há notícias de quem tenha voltado de lá. Assim, resta a Nikolas ficar em casa com tia Carlotta enquanto o pai não volta, uma viagem que deve durar pelo menos três meses. 
Então ele soube que as coisas terríveis, mesmo as mais terríveis, não podiam fazer o mundo parar de girar. A vida continuava. E ele prometeu a si mesmo que, quando ficasse mais velho, tentaria ser como a mãe. Colorido, feliz, bom e cheio de alegria.
Era assim que a manteria viva.
P. 135
Viver com tia Carlotta não é fácil. A mulher o coloca para dormir do lado de fora, o pouco de frutas e cogumelos que consegue colher dá apenas para Nikolas fazer uma refeição para a tia e ele come pouquíssimas na floresta, enfim, ele aguenta até o dia em que a tia diz que o pai não voltará, assim como todos os outros tolos que já foram ao Extremo Norte, afinal, já tem mais de três meses que ele viajou. Nikolas decide então ir atrás do pai. E aí a aventura começa. 

Nikolas e seu único amigo, o rato Miika, partem rumo ao Norte, no frio congelante da Finlândia, sem bagagem, apenas com a roupa do corpo e se alimentando do que consegue colher no caminho. O que o mantém firme é o desejo de encontrar o pai. E no caminho ele encontra uma rena, que batiza de Blitzen, que se torna sua amiga também e o ajudará na difícil jornada. 
— (…) O mundo inteiro, ou o mundo de onde eu vim, o mundo dos humanos, é cheio de coisas más. Tem sofrimento, ganância, tristeza, fome e maldade por todos os lados. Tem muitas, muitas crianças que nunca ganham presentes e que têm sorte quando comem mais que umas colheradas de sopa de cogumelo no jantar. Elas não têm brinquedos para brincar e vão dormir com fome. Crianças que não têm pais. Crianças que têm que morar com uma pessoa horrível como minha tia Carlotta. Em um mundo como esse, é muito fácil seu mau. Então, quando alguém é bom ou generoso, isso já é mágica. Dá esperança às pessoas. E esperança é a coisa mais maravilhosa que existe.
P. 126-127
A jornada de Nikolas, sua chegada a Vila dos Duendes e tudo o que descobre nesse período confirma muito do que ele sempre acreditou, mas também põe em prova muitas outras coisas e caberá a ele se manter firme no que acredita. Essa é minha parte favorita do livro, mas não posso dar spoilers aqui, porque o maravilhoso é fazer a jornada com ele, crescer, aprender, descobrir. 

O objetivo de Matt neste livro é nos apresentar a história de Pai Natal, como ele ganhou esse nome, como se tornou o que hoje conhecemos como Papai Noel, ou seja, o final a gente já conhece, por isso o durante é o que faz toda a diferença. Ele nos leva de uma maneira tão simples, que, quando nos damos conta, estamos no meio do século XIX com Nikolas, Miika, Blitzen, Pequena Noosh, Pai Topo e todos os outros personagens.
E, onde havia magia, sempre havia um jeito.
E desta vez ele soube que o encontraria. Passou a noite inteira acordado pensando nisso, depois parou de pensar e começou a acreditar nisso. Acreditava tão completamente que já era real. Era inútil tentar pensar em um jeito, porque era impossível. E o único jeito de realizar o impossível não era pela lógica ou pelo pensamento sensato. Não. Era acreditando que podia ser feito. Acreditar era o método. Você pode parar o tempo, expandir chaminés, até viajar o mundo em uma só noite, com a magia e a fé dentro de você.
P. 228
Se você ama histórias de Natal, garanto que não dá para perder a história de Nikolas e o principal, vale levar para a vida o que Pai Topo nos diz:
— (…) Uma impossibilidade é só uma possibilidade que você ainda não entendeu.
P. 89

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27 dezembro, 2020


[Resenha] A Torre de Nero - Rick Riordan

Ficha Técnica 

Título: A Torre de Nero
Título Original: The Tower of Nero
Autor: Rick Riordan
ISBN: 978-65-5560-101-5
Páginas: 336
Ano: 2020
Tradutor: Regiane Winarski e Giu Alonso
Editora: Intrínseca
No último livro da série As provações de Apolo, lágrimas, aliados improváveis e um confronto decisivo aguardam o deus mais petulante e adorado do Olimpo Não tem chororô, a jornada de Apolo na Terra acabou! Depois de libertar antigos oráculos, enfrentar criaturas assus-tadoras, derrotar imperadores malignos e pas-sar por humilhações indescritíveis, o ex-imortal se prepara para sua aventura derradeira entre os mortais. Se quiser retornar ao Olimpo e de quebra salvar seus amigos semideuses, ele terá que derrotar o temido Nero e a arqui-inimiga Píton, que não vê a hora de dominar para sempre o Oráculo de Delfos. Por isso, Apolo e Meg retornam ao lugar onde tudo começou: Manhattan, em Nova Iorque. Lá, terão que se infiltrar na terrível torre de Nero e impedir que o imperador ponha em prática seu plano megalomaníaco de destruição e faça picadinho deles. Com a ajuda dos amigos semideuses, de seres obcecados por chapéus e até da flecha falante mais dramática que existe, eles se preparam para enfrentar uma macabra profecia e seu destino final.
Conseguirá Apolo sair vivo desse embate e retornar ao Olimpo?
Conseguirá Meg confrontar seu padrasto cruel e manipulador?
E, mais importante: conseguiremos sobreviver sem Apolo?
Unindo mitologia greco-romana, tiradas hilárias e momentos de tirar o fôlego, o último livro da série As provações de Apolo traz todos os elementos que consagraram Rick Riordan como um dos escritores mais importantes da literatura infantojuvenil. Considerado “o contador de histórias dos deuses”, o autor já vendeu quase sete milhões de exemplares no Brasil, e suas obras continuam sendo um sucesso absoluto.

Resenha


Acabou! E agora?
Essa é a pergunta que me faço desde que finalizei a leitura de A Torre de Nero, quinto e último livro da série As Provações de Apolo. Uma série onde o protagonista precisou rever todos os seus padrões e se reinventar de uma forma que, tenho certeza, todo mundo se encantou com ele.

Certo, como sabemos, os livros do Rick são impulsionados por profecias: uma "maior", que guia a série, e outras "menores", que movem os heróis ao longo de cada livro, nos levando ao grand finale. E, depois de tantas profecias e tantas batalhas, chegou a hora da grande conclusão da profecia.

Depois de ter ficado desacordado por muito tempo, despertado em uma caçamba de lixo em um beco de Nova Iorque habitando um corpo adolescente mortal com pneuzinhos e acne e ter feito uma jornada árdua com sua mestre Meg McCaffrey por vários lugares dos Estados Unidos, o Apolo que vemos em A Torre de Nero é absolutamente diferente do que era em O Oráculo Oculto. Ele lutou, fugiu, apanhou, venceu algumas batalhas, fez amigos, se aproximou dos filhos, sofreu perdas, mas é certo que evoluiu. Viver como um ser humano não foi fácil, mas Apolo soube de reconstruir. 
(…) Eu estava constrangido pelas coisas que costumava considerar importantes. Avaliações. Adoradores. A ascensão e queda das civilizações que mais gostavam de mim. O que eram essas coisas em comparação a manter meus amigos em segurança?
P. 61
Nesta última etapa Lester e Meg estão voltando para Nova Iorque, o lugar onde tudo começou e onde fica a torre de Nero, o último imperador da Triunvirato S.A. a ser derrotado, o que eles precisam fazer antes de enfrentar Píton, a arqui-inimiga de Apolo, que está controlando os oráculos e que quer dominar o destino do mundo.

No caminho de volta eles darão de frente com vários capangas de Nero, entre eles uma personagem que fará a diferença na história. Também precisarão de reforço para cumprir seu objetivo e, mais uma vez, irão em busca dos semideuses do Acampamento Meio-Sangue, e aqui retornam personagens que amo: Will e Nico. Eles serão fundamentais para o início do plano para derrotar Nero, com a ajuda de Rachel Dare. 
Quando ele me disse para lembrar como é ser humano, ele quis dizer crescer com a dor e a tragédia, superar e aprender com isso. Era algo que os deuses nunca faziam. Nós só reclamávamos.
Ser humano é seguir em frente, se adaptar, acreditar na sua capacidade de melhorar as coisas. Esse é o único jeito de dar algum significado à dor e ao sacrifício.
P. 150
Ao longo dos livros anteriores tio Rick nos apresentou muito seres mitológicos, situações inesperadas, altos e baixos dos personagens, não deixando para resolver tudo no último livro, o que tornou toda a jornada de quatro anos dessa série, intensa. Sem perder o jeito, Lester continua rindo de si mesmo, faz diversas menções a cultura pop, sejam eles filmes, séries, músicas, e deixa tudo tão atual que é fácil nos conectarmos a tudo que está acontecendo. 

Não dá para escrever muito e não soltar spoilers, mas preciso dizer que o novo Apolo me conquistou. Os deuses são completamente egoístas, mas sua estada como mortal o fez crescer e me fez torcer por ele em cada batalha: físicas ou emocionais. Ver sua relação com Meg foi incrível! Vê-lo se aproximando de Will, Austin e Kayla e percebendo como quem perdia era ele ao ficar longe dos filhos foi acalentador. Além de poder rir com seus comentários autodepreciativos sobre quem ele foi nos últimos quatro mil anos, mas certa de que, se ele sobrevivesse, levaria essas mudanças para sempre. 

Para finalizar, mas não menos importante, o último parágrafo foi uma mensagem muito fofa e sim, se esse for mesmo o último livro d'As Crônicas do Acampamento Meio-Sangue (todos os livros que envolvem o universo de Percy Jackson) eu realmente sentirei falta. Mas, no fim surgiu uma nova profecia que, mesmo não tendo sido revelada para nós, há a chance de algo vir por aí, não é mesmo? De toda forma, sabemos que vem novidade na Netflix e só nos resta torcer para ser muito bom. 


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13 julho, 2020


[Resenha] Coraline - Neil Gaiman

Ficha Técnica 

Título: Coraline
Título Original: Coraline
Autor: Neil Gaiman
ISBN: 978-85-510-0675-7
Páginas: 224
Ano: 2020
Tradutor: Bruna Beber
Editora: Intrínseca
Certas portas não devem ser abertas. E Coraline descobre isso pouco tempo depois de chegar com os pais à sua nova casa, um apartamento em um casarão antigo ocupado por vizinhos excêntricos e envolto por uma névoa insistente, um mundo de estranhezas e magia, o tipo de universo que apenas Neil Gaiman pode criar. Ao abrir uma porta misteriosa na sala de casa, a menina se depara com um lugar macabro e fascinante. Ali, naquele outro mundo, seus outros pais são criaturas muito pálidas, com botões negros no lugar dos olhos, sempre dispostos a lhe dar atenção, fazer suas comidas preferidas e mostrar os brinquedos mais divertidos. Coraline enfim se sente... em casa. Mas essa sensação logo desaparece, quando ela descobre que o lugar guarda mistérios e perigos, e a menina se dá conta de que voltar para sua verdadeira casa vai ser muito mais difícil ― e assustador ― do que imaginava.

Resenha


Coraline, de Neil Gaiman, volta as livrarias em junho - O Megascópio

Muitos dos filmes infantis que fizeram sucesso nos anos 1990 tinham um toque mais sombrio. Ao contrário dos filmes mais populares do final da década, como os da Disney e os da Barbie, as histórias produzidas no começo da década e no final dos anos 1980 possuem aspectos mais sinistros, bem diferente do que se espera de um "filme para criança". Desde criança morta (Conta comigo, 1986) a abuso infantil (Matilda, 1996), passando por bruxas que comem criancinhas (Convenção das bruxas, 1990).

O que parece muito bizarro perto do colorido dos filmes mais convencionais é mais uma volta às origens das histórias infantis: os contos de fadas originais, onde coisas terríveis acontecem e o fim sempre tem uma moral. Onde Chapeuzinho Vermelho é devorada pelo lobo, a Pequena Sereia não consegue o príncipe no final e a madrasta da Branca de Neve é obrigada a calçar sapatos de ferro quente. Todos esses contos serviam de aviso para as crianças e ensinavam como se comportar e o que não fazer no "mundo lá fora".

Nesse contexto, Coraline surge como um conto de fadas moderno, ou o que eu chamo de "filme de terror para crianças". Uma história que não se preocupa em suavizar tudo e deixar todos os detalhes fofos e coloridos. Coisas ruins acontecem e crianças precisam ser ensinadas a lidar com elas. Porque histórias também servem como aprendizado.

Aqui conhecemos Coraline Jones, uma menina curiosa que adora explorar e acabou de se mudar para uma casa nova. Essa casa era uma mansão que foi dividida em apartamentos e seus vizinhos são muito peculiares. Tem duas ex atrizes de teatro e um velho esquisito que fala com ratos e nenhum deles parece conseguir pronunciar o nome dela direito. Num dia chuvoso e tedioso, Coraline resolve explorar a casa e encontra uma porta que leva até um apartamento que é igual ao seu, exceto por alguns detalhes e o fato de que os moradores são seus outros pais. Eles parecem versões melhoradas de seus pais verdadeiros, só que com grandes botões no lugar dos olhos. Quando seus pais verdadeiros desaparecem, Coraline precisa juntar toda sua coragem e astúcia para encontrá-los e lidar com a ameaça que é sua Outra Mãe. Ela vai contar com a ajuda de um presente nas vizinhas e um gato preto sem nome ("Nós sabemos quem somos, então não precisamos de nomes.").

Coraline retorna às livrarias em nova edição ilustrada - Editora ...

Pode parecer um livro para crianças "esquisitas", daquelas que gostam de coisas meio macabras (tipo o filho do Neil Gaiman), mas é uma obra que serve de lição até mesmo pra adultos. Uma história sobre coragem e sobre fazer o que é certo mesmo quando se está com medo.
Porque coragem é quando você sente medo de fazer algo, mas faz mesmo assim, é quando você enfrenta o medo.
P. 90
A edição nova é gloriosa, toda em capa dura e páginas com bordas roxas, combinando com as cores da capa e as ilustrações magníficas do Chris Riddell, que é um dos meus ilustradores favoritos. Riddell ilustrou outros livros do Neil Gaiman, como O Livro do Cemitério, João e Maria e Felizmente, o Leite. Seus desenhos tem um traço muito peculiar e a forma como ele captura o horror que a Outra Mãe representa é incrível.

O livro virou um filme todo em stop motion (aqueles de massinha) em 2009, pela Laika, o mesmo estúdio que fez Paranorman (2012), Kubo e as Cordas Mágicas (2016) e A Noiva Cadáver (2005). O longa é tão sinistro quanto o livro (o que é ótimo) e bem o tipo de coisa que eu gostaria de ter assistido quando criança.

Se você, assim como eu, ama o Neil Gaiman, histórias infantis e terror, vai amar Coraline.

(O gato ganha o prêmio de segundo melhor gato preto do universo, perdendo só para o Salem)

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04 julho, 2020


[Resenha] Diário de um Nerd: Supernerd - Philip Osbourne

Ficha Técnica 

Título: Diário de um Nerd: Supernerd
Título Original: Diary of a nerd: now super nerd
Autor: Philip Osbourne
ISBN: 978-65-5500-213-3
Páginas: 160
Ano: 2020
Tradutor: Fabio Teixeira
Editora: Ciranda Cultural
Phil, o Nerd, nunca pensou que um dia se tornaria um super-herói de verdade. Quando um terrível vilão sequestra os roteiristas das séries de TV, Phil é o único que pode resgatá-los. Agora, o Supernerd precisa arriscar sua vida para salvar o futuro, de suas séries preferidas.








Resenha


Depois das aventuras vividas em Diário de um Nerd e Diário de um Nerd: Aventuras em Hollywood, chegou a hora de conhecer a terceira e última história de Phil, o Nerd.

Bem, depois de perder uma disputa de esgrima, nosso querido nerd recebe novamente a visita do seu "mentor" Darth Vader, pois é, que agora trouxe a notícia de que os roteiristas das séries de TV foram sequestrados pelo louco Mark Truss, presidente da Ilha Sem-Fim e tudo porque ele não conseguiu ver o final de uma série que estava assistindo por conta do cancelamento da temporada, é mole?

Depois de criar coragem e contar essa história maluca para os amigos, Phil contará com o apoio da The Ping Pong Theory, para se tornar um super-herói, ir até a ilha e salvar os roteiristas. Mas, aí vem o primeiro problema: onde fica a Ilha Sem-Fim? E segundo: como criar um superpoder? Depois, como chegar até onde os roteiristas estão presos?

Com muita loucura - que me rendeu altos risos - Phil consegue chegar ao local, mas derrotar o vilão não será nem um pouco comum. Claro que sempre há a presença de Ellen, George, Nicholas e Grande Mata-crânio para encontrar as melhores soluções para os problemas.

Não dá para esquecer que, em meio a essa confusão, Phil ainda precisa lidar com o fato de gostar da Grande Mata-crânio e o fato de que precisa dizer isso para ela, mas não é nada fácil para um adolescente de 14 anos.

Neste livro ficou ainda mais evidente o traço da amizade como base da história e Phil compartilhou ao longo do diário muitos outros pontos da cultura nerd, de heróis, filmes, séries de TV e tantos outros temas, mas uma coisa que gostei bastante foi o fato de abordar que não é necessário ter superpoderes como os heróis das HQs e filmes para ser um super-herói, todos podemos ser heróis no dia a dia, lutando pelo bem de todos.
— Então você acha que existem super-heróis neste mundo...
— Sim, acredito que eles existam, e dá para saber quem eles são, pois lutam e vencem sem usar violência.
— É quase o que nós, nerds, fazemos... Nós usamos o cérebro em vez de armas!
P. 141
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12 junho, 2020


[Resenha] A Última Batalha - C.S. Lewis

Ficha Técnica 

Título: A Última Batalha
Título Original: The Last Batle
Autor: C.S. Lewis
Ilustrações: Pauline Baynes
ISBN: 978-85-7827-909-7
Páginas: 212
Ano: 2014
Tradutor: Silêda Steuernagel
Editora: WMF Martins Fontes
À luz de uma enorme fogueira crepitante, a última batalha de Nárnia está prestes a acontecer. O rei Tirian, ajudado corajosamente por Jill e Eustáquio, terá de enfrentar os cruéis calormanos, num combate que decidirá, finalmente, a luta entre as forças do bem e do mal. Mas, com tantas dúvidas e confusão ao redor, conseguirá o rei Tirian manter-se firme na hora mais negra de Nárnia?






Resenha


Depois de algumas derrapadas no caminho que me fizeram demorar mais do que o previsto, cheguei ao final da releitura da série As Crônicas de Nárnia, ao livro A Última Batalha. Tirian é o atual rei de Nárnia. Ele é bisneto do bisneto do rei Rillian, que conhecemos em A Cadeira de Prata, lembram? Então, Rillian morreu há mais de duzentos anos, mas na Inglaterra, um ano se passou para Eustáquio e Jill.

Em Nárnia, Tirian tem ouvido comentários de que possivelmente Aslam está de volta à Nárnia, mas seria verdade? Se sim, seria maravilhoso! Mas o que ele não sabia é que na verdade tudo não passava de mentira.
— (...) As estrelas nada dizem sobre a vinda de Aslam, nem sobre paz ou alegria. Pelos meus conhecimentos, sei bem que, nestes quinhentos anos, jamais ocorreu tão desastrosa conjunção de planetas. Já estava pensando em vir prevenir Vossa Majestade de que algum grande mal está por abater-se sobre Nárnia.
P. 24
Perto do Ermo do Lampião vivia Manhoso, um macaco muito idoso que sempre se aproveitava de seu amigo Confuso, um jumento que não era muito esperto e sempre acabava ludibriado pelo amigo. Porém, a mais recente ideia de Manhoso não envolve apenas Confuso e sim toda Nárnia, pois ele achou o rio uma pele de Leão e teve a "brilhante" ideia de amarrá-la em Confuso e convencer todos de que ele era Aslam e conseguir muitas coisas com isso.

Embora não tenha gostado da ideia, Confuso foi convencido a participar do plano e agora, em conluio com os calormanos, Manhoso está transformando Nárnia em um lugar escravizado. A cada dia chegam mais calormanos em Nárnia e a cada novo pedido de Aslam, por intermédio de Manhoso, destrói mais os bosques e escraviza os seres de lá.
— (...) Melhor morrer do que viver com esse terrível temor de Aslam voltou e não é nada parecido com Aslam em quem sempre acreditamos e por quem tanto esperamos. É como se de repente a gente acordasse e visse o Sol nascer escuro...
P. 35
Mas, depois de ser alertado por uma dríade, Tirian e seu melhor amigo, o unicórnio Precioso, irão até o Ermo do Lampião descobrir o que tem destruído as árvores. Mas chegando lá, descobrem que os murmúrios sobre o retorno de Aslam são ainda mais fortes e piores do que imaginavam; é por suas ordens que as árvores têm sido derrubadas e os animais e outros seres, escravizados.

E, como sabemos, quando Nárnia está em perigo, seus amigos aparecem e assim, Tirian consegue pedir ajuda e Jill e Eustáquio retornam a Nárnia para mais uma aventura.
Ninguém tentava consolar um ao outro com palavras. Naquele momento, não era nada fácil pensar em algo confortador para dizer. Tirian nunca imaginara que o fato de um macaco inventar um falso Aslam pudesse levar as pessoas a deixar de acreditar no verdadeiro Aslam.
P. 89
A questão é que o estrago feito pelo macaco foi maior do que Tirian imaginava, afinal, os narnianos ainda acreditarão no verdadeiro Aslam depois de saber da farsa da pele de leão em jumento?

A Última Batalha é uma história da luta do bem contra o mal e traz à tona temas como fé, amizade, lealdade, traição, ambição; mais uma vez diversos deles nos remetem aos acontecimentos bíblicos. Ao chegar ao final de Nárnia, fica a pergunta: acabou mesmo ou seria apenas o começo de uma nova história? Só digo uma coisa, não tem como acompanhar as histórias dos livros anteriores e chegar aqui e não se emocionar com tudo que acontece, em ver que, mesmo nos momentos mais difíceis, quando nosso coração é puro, tudo ficará bem.
— Finalmente voltei para casa! Este, sim, é o meu verdadeiro lar! Aqui é o meu lugar. É esta a terra pela qual tenho aspirado a vida inteira, embora até agora não a conhecesse. A razão por que amávamos a antiga Nárnia é que ela, às vezes, se parecia com isto aqui.
P. 199
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08 junho, 2020


[Resenha] Diário de um Nerd: Aventuras em Hollywood - Philip Osbourne

Ficha Técnica 

Título: Diário de um Nerd: Aventuras em Hollywood
Título Original: Diary of a nerd: The thousand lights of Hollywood
Autor: Philip Osbourne
ISBN: 978-85-380-9167-7
Páginas: 160
Ano: 2019
Tradutor: Fabio Teixeira
Editora: Ciranda Cultural
Phil, o Nerd, se prepara com seus amigos para viajar para Hollywood, onde vai conhecer os estúdios de clássicos do cinema e participar de um programa de talentos da TV. Mas seu novo professor, que odeia nerds, está disposto a acabar com a fama de nerd de Phil. Será que ele conseguirá vencer o programa de talentos e convencer o professor de que os nerds são legais?






Resenha


Querendo saber qual seria a próxima aventura de Phil, o Nerd, não poderia deixar de ler Diário de um Nerd: Aventuras em Hollywood, afinal, o título e a sinopse deixam claro que nosso nerd querido iria à Hollywood, o que me deu a certeza de que ele visitaria os estúdio onde grandes produções foram gravadas. E não me decepcionei.

Depois da aventura de Diário de um Nerd, onde Phil teve de conciliar uma vida dupla como nerd que participaria com seus amigos de mais uma Olimpíada de matemática e como esportista, uma vez que começou a praticar esgrima, chegou a hora de uma aventura ainda maior.

Agora que a Grande Mata-crânio faz parte da The Ping Pong Theory, a equipe nerd está ainda mais forte e este é o motivo para Ellen ter inscrito a equipe no programa de TV America Loves Talent, e, agora que foram aceitos como competidores, eles deverão ir à Hollywood para participar do programa.

Lá, eles enfrentarão os Vingadores Malvados, uma equipe liderada pelo seu novo professor de matemática, o professor Gray, que simplesmente odeia todos os nerds, mas antes disso, Phil, seus amigos e seus pais irão aproveitar a estadia em Hollywood para conhecer os estúdios mais famosos. Confesso que era o que eu mais estava esperando - já falei isso antes, né? rsrs - e fiquei imaginando se eu tivesse a oportunidade de estar nestes estúdios, qual seria a minha reação... ver o Delorean, o Gizmo, os cenários de Divergente, Jogos Vorazes, Star Wars, Star Trek e, principalmente, de Harry Potter? Gente, realmente seria incrível!!!!!
Seguimos o Jason e o Kevin, então, de repente, nos vimos em HOGWARTS, a escola de magia e bruxaria onde se passa a maior parte da história de HARRY POTTER. Naquele momento, percebemos que aquele era o dia mais INCRÍVEL da nossa vida!
P. 103
Mas voltando a competição, o professor Gray se mostrará um grande adversário para Phil, pois ele não joga limpo, mas a The Ping Pong Theory precisará ficar unida mais uma vez para alcançar o sucesso, claro que liderados pela pequena e doce Ellen, que de doce não tem nada hahahaha. A garotinha de 09 anos, irmã mais nova de Phil e líder o grupo tem uma mente estratégica de dar inveja a qualquer um.

O livro é muito rápido de ser lido, pois, intercalando com o texto, há várias ilustrações, que ajudam a contextualizar a história contada. Além disso, há um site com algumas atividades que podem servir de complemento para quem quiser ainda mais deste universo. Agora é ler a próxima aventura de Phil e seus amigos.

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25 maio, 2020


[Resenha] Guerras Bruxônicas - Sibéal Pounder

Ficha Técnica 

Título: Guerras Bruxônicas
Título Original: Witch Wars
Autor: Sibéal Pounder
Ilustrador: Laura Ellen Anderson
ISBN: 978-85-380-8761-8
Páginas: 272
Ano: 2019
Tradutor: Monique D'Orazio
Editora: Ciranda Cultural
Existe um mundo especial habitado por bruxas, e ele fica bem debaixo dos canos da sua pia! Tiga Rúbia Mamelux não sabia nada sobre esse mundo, até o dia em que uma fada fabulosa lhe diz que ela é uma bruxa e a leva para competir nas Guerras Bruxônicas, uma competição que decidirá quem será a próxima a governar o País da Pia. Será que Tiga se sairá bem competindo com outras bruxas?






Resenha


Para dar uma aliviada no clima atual, resolvi que estava na hora de pegar alguns livros que estavam aqui sem ser lidos. Foi assim que comecei o infantojuvenil Guerras Bruxônicas, que inicia a série Puxa, que bruxa!, que está aqui há algum tempo esperando sua vez de ser lido.

Tiga Rúbia Mamelux é uma garota de 9 anos que vive com a senhorita Estriga em uma casa muito sem graça. Elas não se suportam e na verdade TIga não sabe porque a mulher "cuida" dela, sendo que elas não têm nenhum parentesco. Tudo que sabe é que, quando era um bebê, alguém a colocou no galpão da casa da senhorita Estriga e desde então ela vive lá, sempre tendo água de queijo como refeição e tentando ao máximo se esconder no galpão, para ficar fora do caminho da velha megera.

É em um desses momentos de fuga que ela conhece Fran, a Fada Fabulosa, que subiu os canos com uma missão: levar Tiga para o País da Pia para competir nas Guerras Bruxônicas. É mole?! Pois então, é assim que Tiga dedscobre que é uma bruxa e que alguém a indicou para competir em um torneio que pode transformá-la na bruxa mais poderosa de todo o País da Pia.

Como não achar que caiu no sono e esse é o sonho mais estranho que existe? Como acreditar que arrumando as letras de seu nome existe "uma bruxa legítima"? Como acreditar que debaixo dos canos da pia existe um país completo onde as bruxas e fadas existem? E que fadas são seres pequeninos? Mas ao que tudo indica, TIga não está sonhando, as fadas realmente existem, ela é uma bruxa, existem muitas outras e tudo no País da Pia é uma variação de preto, branco e cinza, os chapéus das bruxas não são pontudos e elas não são sujas nem desarrumadas como ela sempre acreditou. Mas o pior é: ela precisará vencer uma competição que começará no dia seguinte se quiser permanecer neste lugar mágico, sendo que não sabe absolutamente como fazer isso.

Mas, ainda que essa seja uma competição, enquanto está na Cidade Glamourosa, Tiga se torna amiga de Peggy Porqui e Fluffanora Infusão, duas pessoas bem diferentes logo de cara, isso porque, enquanto Peggy vive nas Docas, uma área mais humilde do País da Pia, Fluffanora mora no Pico Perolado, o completo extremo e é filha da melhor estilista do país, a senhora Infusão. Juntas, elas irão causar bastante durante a competição, enquanto Tiga conhece vários lugares e pessoas diferentes.
— (...) A cada nove anos, nove bruxas, todas com 9 anos de idade, são escolhidas para competir nas Guerras Bruxônicas. A vencedora, uma de vocês, será a próxima Melhor Bruxa, aquela que governará todo o País da Pia.
(...)
— Por que escolher uma menina de 9 anos? — perguntou Tiga. — Lá em cima dos canos ninguém nunca permitiria que alguém de 9 anos ditasse as regras.
Fran subiu no ar e pousou no ombro de Tiga.
— As crianças de 9 anos, minha cara, enxergam o mundo de uma forma incrível e maravilhosa. E elas são bem pequenas. Quanto menor for a pessoa, melhor ela é, quase certeza.
P. 55-57
Guerras Bruxônicas é super divertido e vem para mostrar as bruxas de uma maneira totalmente diferente do que estamos acostumados, inclusive, a ideia de um país embaixo dos canos foi o que atraiu minha atenção em primeiro lugar. Imaginem tem um país completo debaixo dos canos da pia? E a explicação das cores do país serem apenas preto, branco e cinza? Hilária. Além da explicação sobre o motivo de conhecermos as bruxas de outra maneira aqui em cima. Quanta criatividade! Curiosa para saber o que Tiga e suas amigas aprontarão nos próximos livros.

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07 maio, 2020


[Resenha] Diário de um Nerd - Philip Osbourne

Ficha Técnica 

Título: Diário de um Nerd
Título Original: Diary of a nerd
Autor: Philip Osbourne
ISBN: 978-85-380-9166-0
Páginas: 160
Ano: 2019
Tradutor: Fabio Teixeira
Editora: Ciranda Cultural
Phil, o Nerd, é um garoto de 12 anos muito inteligente que adora estar com os amigos. Ele e sua turma precisam se preparar para competir nas Olímpiadas de Matemática e Ciências. Mas, para tentar conquistar a garota dos seus sonhos, Phil começa a viver uma vida secreta de campeão esportista. Em meio a todas as mentiras, será que Phil conseguirá conciliar as duas realidades?






Resenha


Sabe quando você está precisando de uma leitura despretensiosa? Foi o que encontrei no infantojuvenil Diário de um Nerd, do Philip Osbourne. Ao longo de 160 páginas o autor do diário - Phil Dick ou Phil, o nerd - nos leva em uma divertida história sobre amizade e autoconhecimento.

Phil tem 12 anos e como vários adolescentes, está em fase de descobertas, mas se tem uma coisa que ele tem certeza é de que ele é um nerd; e com muito orgulho. Por isso, enquanto ele conversa com o diário, em diversos momentos ele faz pausas para explicar as referências que cita, como personagens, séries de TV, filmes, HQs, livros, músicas. É um verdadeiro tributo aos nerds.
Eu queria saber mais sobre o que significava nerd e descobri que "geek e nerd são duas palavras anglo-saxônicas que denotam alguém ávido por novas tecnologias, videogames, internet, smartphones...". Mas ser nerd é mais que isso. Você precisa saber que, depois dos anos 1990, nerd virou sinônimo de gente tecnicamente preparada.
P. 07
Entretanto, embora tenha muito orgulho de ser nerd e dos seus amigos que também são, chega uma hora que cansa de ser zoado no colégio, não é mesmo? Pois então, some a isso que Phil tem um crush por uma menina da escola que nem olha para os nerds. Entendeu? Aí vem confusão, porque, quando uma mentira começa, outras sempre são criadas para sustentá-la.
Eles também vão tirar sarro de nós por causa dos nossos trajes espaciais de Star Trek e Call of Duty. Eu adorei os uniformes e adoro ciências, física e matemática, mas insultos não vão me fazer parecer popular nem descolado, muito menos para a Lauren.
P. 71-72
O livro é muito rápido de ser lido, pois, intercalando com o texto, há várias ilustrações, que ajudam a contextualizar a história contada. Além disso, há um site com algumas atividades que podem servir de complemento para quem quiser ainda mais desse universo, sem falar que também há outros livros da série.

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04 maio, 2020


[Resenha] A Cadeira de Prata - C.S. Lewis

Ficha Técnica 

Título: A Cadeira de Prata
Título Original: The Silver Chair
Autor: C.S. Lewis
Ilustrações: Pauline Baynes
ISBN: 978-85-7827-791-8
Páginas: 212
Ano: 2014
Tradutor: Paulo Mendes Campos
Editora: WMF Martins Fontes
"Como se chega até lá?", perguntou Jill, tentando encontrar um jeito qualquer de fugir daquela escola horrível. "Do único modo possível", sussurrou Eustáquio, "por magia". Então deram-se as mãos e, concentrando toda a sua força de vontade para que algo acontecesse, viram-se de repente à beira de um alto precipício, muito acima das nuvens, na terra encantada de Nárnia. Assustada e confusa, Jill fica horrorizada ao ver Eustáquio perder o equilíbrio e cair. Imediatamente, porém, ela sente ao seu lado uma presença calorosa. Era o Leão.



Resenha


Continuando com a releitura da série As Crônicas de Nárnia em ordem cronológica, cheguei ao sexto livro, A Cadeira de Prata. Eu acabei me embolando toda aqui com as leituras de parceria e essa releitura ficou um pouco atrasada, mas vamos lá que falta pouco para terminar hahaha.

Já tem um ano que Eustáquio Mísero voltou de sua aventura a bordo do Peregrino da Alvorada e ele é um garoto diferente desde então. Mesmo voltando ao Colégio Experimental, ele já não fazia parte do grupo de crianças que perturbavam a vida das outras. Quem também percebeu isso foi Jill Pole, uma garota que estudava na mesma escola e era importunada o tempo todo. Foi em um desses momentos de fuga que Eustáquio achou Jill escondida e lhe contou que havia um lugar mágico e que se eles descobrissem uma maneira de ir para lá, ninguém mexeria com eles.
— Mas, afinal de contas, de que adianta? Não estamos lá: estamos aqui. E não há nenhum jeito de ir para lá. Ou há?
— É por isso mesmo que estamos aqui conversando. Quando voltei do tal lugar, alguém disse que os meus dois primos nunca mais iriam lá. Era a terceira vez que iam, entende? Mas esse alguém não disse que eu não ia voltar. Se não disse é porque achava que eu ia voltar. Não me sai da cabeça a ideia de que nós... poderíamos...
— Dar um jeito para que a magia aconteça de novo?
P. 17
Tenho certeza que eles não imaginavam que conseguiriam de fato ir para Nárnia, mas Aslam os chamou, que é a única maneira de chegar lá. Enquanto Eustáquio estava encantado por estar de volta, Jill tentava absorver toda a beleza do lugar, completamente diferente de onde mora e estuda, um lugar onde o Sol brilha ainda mais, as cores são mais vivas e tudo parece ter vida.

Acontece que Aslam chamou os garotos para Nárnia pois eles precisam encontrar o filho do rei Caspian X, desaparecido há dez anos. Perceberam? Pois, enquanto passou um ano para Eustáquio na Inglaterra, em Nárnia se passaram décadas e Caspian está idoso e seu sonho é reencontrar Rillian antes de morrer. Por isso, no momento em que as crianças chegaram em Nárnia viram um navio partir do cais, só não sabiam então do que se tratava.
— (...) Por mais estranhos que sejam os acontecimentos, de maneira alguma deixe de obedecer aos sinais. Em segundo lugar, aviso-a de que falei, aqui na montanha, com a maior clareza: não o farei sempre em Nárnia. O ar aqui na montanha é limpo, e aqui o seu espírito também é limpo; em Nárnia, o ar será mais pesado. Cuidado para que o ar pesado não confunda seu espírito.
P. 31
Com a missão dada por Aslam, as crianças seguem para a jornada de busca pelo príncipe, mas que também se torna uma jornada de conhecimento de si mesmos e de respeito pelo outro, afinal, por mais que Jill e Eustáquio se conheçam da escola, eles não conviviam, não sabiam dos medos uns do outro e além deles ainda tem o terceiro integrante dessa equipe, o paulama Brejeiro, que, sendo um narniano, conhece boa parte do caminho que precisarão percorrer.

Eu adorei Brejeiro, um personagem incrível e pé no chão e que, quando as crianças pareciam fraquejar, estava ali, atento às orientações de Aslam, mostrando como muitas vezes é complicado seguir o caminho certo quando passamos por adversidades.
— (...) Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista.
P. 159-160
 A Cadeira de Prata traz uma jornada que nos leva mais próximo do fim. Sendo o penúltimo livro, terminei a leitura já com aquela sensação quando uma série está terminando: feliz e triste ao mesmo tempo. Mais uma vez a mensagem que C.S. Lewis passa é brilhante através de sua fantasia e deixa sempre o gostinho de quero-mais. Então, que venha A Última Batalha.

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22 abril, 2020


[Resenha] Diário de Aventuras da Ellie: Uma Viagem Fora de Série - Ruth McNally Barshaw

Ficha Técnica 

Título: Diário de Aventuras da Ellie: Uma Viagem Fora de Série
Título Original: The Ellie McDoodle diaries: have pen, will travel
Autor: Ruth McNally Barshaw
ISBN: 978-85-380-5528-0
Páginas: 176
Ano: 2014
Tradutor: Ciranda Cultural
Editora: Ciranda Cultural
Quando os pais da Ellie vão viajar, ela é obrigada a acampar com sua tia, seu tio, seus primos e seu irmãozinho Ben-Ben. Ela sabe lidar com pernilongos e reconhecer plantas venenosas, mas dividir uma cabana com seus parentes irritantes? De jeito nenhum! Entre as regras duras de sua tia e as brincadeiras sem graça de seu primo Eric, Ellie precisa de seu diário para sobreviver a essas férias em família!






Resenha


Depois de uma ressaca literária homérica, nada melhor do que um livro leve e despreocupado, não é mesmo? Por isso escolhi ler finalmente o infantojuvenil Diário de Aventuras da Ellie: Uma Viagem Fora de Série, que inicia a série Diário de Aventuras da Ellie e que já está aqui há algum tempo esperando sua vez de ser lido.

Eleonor Rabisco, mais conhecida como Ellie é uma garota de 11 anos muito observadora que adora desenhar. Quando seus pais precisam viajar às pressas por conta de um falecimento na família, ela se vê obrigada a passar uma semana com o irmão mais novo - de 3 anos - na casa dos tios e primos que ela simplesmente não suporta. O que ela queria mesmo é ser mais velha, assim como seus irmãos Lisa e Josh, que ficariam sozinhos em casa.
Por que eu tenho este diário ilustrado
1. Para espionar. Não, para OBSERVAR as coisas. Só quero observar a vida ao meu redor. Como na aula de Ciências!
2. Para lembrar de coisas importantes.
3. Para provar que tenho uma família de malucos.
4. É o único jeito de manter minha sanidade.
P. 11
Como se não bastasse ter que ficar com os tios e os primos, eles ainda iriam acampar (algo que Ellie adora), mas não ficariam em cabanas como ela está acostumada e tudo parece irritar a garota, cada palavra dos tios e olhar dos primos.

Porém, com o passar das horas e dos dias, Ellie tenta se divertir mesmo assim e ela começa a perceber que em alguns momentos até que seus familiares não são tão ruins assim, que dá para aguentar um tempo com eles.

Com a narrativa de um diário escrito em tempo real e muitas ilustrações, afinal não seria  típico de Ellie e não desenhar para expressar melhor a sensação, ela percebe algumas coisas como: não julgar as pessoas nem as coisas pelas aparências nem se isolar.
Depois de voltar do lago, a gente foi pro parquinho.
Essa parte me assustou: eles foram brincar de pega-pega! Eu fiquei só anotando no meu diário.
[...]
Foi uma surpresa mesmo. Não sabia que eles também brincavam juntos. Normalmente, a única coisa que faziam juntos era brigar. Ou aprisionar e matar sapos.
P. 83-84
O livro é bem divertido e uma lição para a garotada, então, se tiverem filhos e/ou sobrinhos nessa faixa etária, acredito ser uma boa dica de leitura.

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02 dezembro, 2019


[Resenha] A Viagem do Peregrino da Alvorada - C.S. Lewis

Ficha Técnica 

Título: A Viagem do Peregrino da Alvorada
Título Original: The Voyage of the Dawn Treader
Autor: C.S. Lewis
Ilustrações: Pauline Baynes
ISBN: 978-85-7827-266-1
Páginas: 216
Ano: 2010
Tradutor: Paulo Mendes Campos
Editora: WMF Martins Fontes
Lúcia e Edmundo, com seu odioso primo Eustáquio a tiracolo, embarcam numa incrível viagem de aventuras e descobertas, a bordo do imponente navio Peregrino da Alvorada. Rumo às Ilhas Solitárias, em busca dos sete amigos desaparecidos do pai do rei Caspian, eles encontram um dragão, uma serpente do mar, um bando de criaturas invisíveis, um mágico e o próprio Aslam, o Grande Leão, que os presenteia com uma promessa muito especial.





Resenha


Continuando com a releitura da série As Crônicas de Nárnia em ordem cronológica, cheguei ao quinto livro, A Viagem do Peregrino da Alvora. Iniciamos esse livro um ano depois da aventura vivida em Príncipe Caspian. O pai dos irmãos Penvensie conseguiu uma vaga de professor nos Estados Unidos no verão.. Como não poderia levar toda a família por conta do custo, apenas Susana foi com os pais. Enquanto isso, Pedro, que precisava estudar para os exames - que não fica claro quais são - irá para a casa do professor Kirke, que já não mora na mesma casa da época da guerra; agora vive em um pequeno chalé de um quarto. Assim, Edmundo e Lúcia não tiveram escolha a não ser ficar na casa dos tios Arnaldo e Alberta e conviver por quatro meses com o primo Eustáquio.

Os primos são completamente diferentes - Eustáquio é insuportável - e a convivência na casa está cada vez pior, principalmente para Edmundo, que precisa dividir o quarto com o primo. Some a isso o fato de estar longe da família e a incerteza de saber quando e se poderão retornar à Nárnia.

Mas como Aslam havia dito no final de Príncipe Caspian, Edmundo e Lúcia retornariam à Nárnia e isso aconteceu graças a um quadro que havia na casa dos tios - do qual eles não gostavam, é claro! Eles só não imaginavam que Eustáquio também teria a chance de conhecer a terra que tanto amam.
Só Lúcia soube que ao revolutear em torno do mastro, o albatroz murmurara: "Coragem, querida!". Era a voz de Aslam, e seu hálito suave roçou-lhe a face.
P. 180
Ao chegarem em Nárnia, os irmãos embarcam no Peregrino da Alvorada, navio que está em uma missão exploratória e de resgate pelos mares comandada pelo próprio Caspian. Em Nárnia passaram três anos desde a última aventura e, agora que o reino está em paz, Caspian viaja em busca de respostas sobre o destino dos sete fidalgos leais a seu pai que saíram em missão sete anos antes sob ordens de seu tio Miraz.

Claro que nessa aventura não poderia faltar o valente Ripchip, que vê na missão do Peregrino, a chance de realizar seu sonho de conhecer o País de Aslam, que segundo as lendas, fica além das terras do fim do mundo.
— Em todos os mundos há um caminho para o meu país — falou o Cordeiro. E enquanto ele falava, sua brancura de neve transformou-se em ouro quente, modificando-se também sua forma. E ali estava o próprio Aslam, erguendo-se acima deles e irradiando luz de sua juba.
P. 230
Enquanto buscam pelos antigos fidalgos telmarinos, a tripulação do Peregrino passará por terras que estão sob o domínio de Nárnia - mas que há muito tempo não vêm seu governante e, por isso, precisa de muitos ajustes de conduta -, enfrentará diversas situações complicadas - que envolverão, ou não, magia -, descobrirá novas terras e evoluirão como pessoas.

A história desenvolvida nesse livro é uma verdadeira viagem, não apenas do navio e da exploração dos mares em si, mas uma viagem de autoconhecimento. Lewis dá destaque para Caspian, Lúcia e principalmente para Eustáquio, que enfrentarão algumas situações individualmente para o próprio crescimento. E o que dizer de Aslam? Como sempre incrível e presente - visível ou não - e os momentos em que surge são de puro aprendizado.
— Já são muito crescidos. Têm de chegar mais perto do próprio mundo em que vivem.
— Nosso mundo é Nárnia — soluçou Lúcia. — Como poderemos viver sem vê-lo?
— Você há de encontrar-me, querida — disse Aslam.
— Está também em nosso mundo? — perguntou Edmundo.
— Estou. Mas tenho outro nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo--me um pouco, venham a conhecer-me melhor.
P. 230
Mais uma vez a mensagem que C.S. Lewis passa é brilhante através de sua fantasia e deixa sempre o gostinho de quero-mais. Então, que venha A Cadeira de Prata.

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23 novembro, 2019


[Resenha] A Tumba do Tirano - Rick Riordan

Ficha Técnica 

Título: A Tumba do Tirano
Título Original: The tyrant's tomb
Autor: Rick Riordan
ISBN: 978-85-510-0534-7
Páginas: 368
Ano: 2019
Tradutor: Regiane Winarski e Giu Alonso
Editora: Intrínseca
Os tempos estão difíceis para ex-deidades que quase destruíram a humanidade, foram expulsas do Olimpo, perderam os poderes divinos e, de quebra, conquistaram a antipatia de imperadores sanguinários. Apolo, o deus mais glorioso e belo que já existiu, agora é Lester Papadopoulos, um adolescente desajeitado de 16 anos que, para reconquistar seu lugar, precisa libertar cinco oráculos que estão na mais completa escuridão.
Não é de hoje que Apolo tem passado por poucas e boas em sua temporada terrena. Nos três livros já publicados da série As Provações de Apolo, vimos o ex-deus enfrentar terríveis inimigos: um psicopata piromaníaco, um crush das antigas com sede de vingança e até um dos imperadores mais temidos da Antiguidade. Como se isso já não fosse o bastante, ele só pôde contar com sua inteligência e sagacidade humanas (bem reduzidas, como é de se esperar), já que seus poderes foram extintos por tempo indeterminado. A sorte é que nessa jornada ele teve a ajuda de amigos valiosos, como Percy Jackson, Leo Valdez e Meg McCaffrey.
Em A tumba do tirano, sua mais nova aventura, Apolo precisa correr até o Acampamento Júpiter, lar dos semideuses romanos, para ajudá-los a se defenderem da fúria do Triunvirato de imperadores, que fará de tudo para destruí-los. É hora de unir forças com Hazel, Reyna, Frank, Tyson, Ella e muitos outros nessa batalha que promete ser a mais difícil e dramática de suas vidas. Infelizmente, a chance de eles saírem vivos reside na tumba de um dos tiranos romanos mais odiados e ardilosos da história, conhecido pela soberba e pela crueldade. Se alguém achou que seria fácil voltar ao Olimpo, achou errado, é claro.

Resenha


Depois de mais de um ano, finalmente chegou a hora de ler A Tumba do Tirano, quarto livro da série As Provações de Apolo e aqui mora o problema de demorar tanto para ler a sequência de um livro, nem me lembrava que O Labirinto de Fogo tinha terminado dessa forma. 😱

Lester e Meg estão a caminho do Acampamento Júpiter com duas missões bastante complicas: uma delas é muito desagradável - que não posso contar porque é spoiler dos grandes -, a outra é com o objetivo de alertar o acampamento da invasão que Calígula e Cômodo estão planejando com o apoio de um antigo rei romano, um tirano conhecido por sua crueldade e também para encontrar os livros sibilinos e desvendar mais uma parte da profecia.

Como a gente sabe, Nero ficou em Nova Iorque e permanecerá desse jeito aqui, tanto que ele mal é citado. O foco é em Apolo e Meg que precisam descobrir quem é o tirano e onde fica essa tumba que faz parte da profecia maior, que o levará de volta ao Olimpo.

Na busca para encontrar a tumba do tirano, Apolo e Meg farão novos amigos no Acampamento Júpiter que mostrarão sua importância no decorrer da história. Nessa jornada também vamos descobrindo mais sobre o passado de Apolo e, como já vimos nos livros anteriores que ele tem evoluído como pessoa, ele fica abalado em lembrar de tudo que já fez e com o fato dos seus amigos terem conhecimento dessas histórias.
Eu prometi a você que me lembraria de como era ser humano. Mas por que a vergonha humana tinha que doer tanto? Por que não havia um botão de desligar?
P. 116
Quanto mais capítulos eu lia, mais percebia o quanto Apolo amadureceu ao longo desses quatro livros da série, muito mais do que os seus quatro mil anos de vida imortal e eu fiquei muito feliz em ler uma história assim: com ele assumindo os erros que cometeu ao longo dos milênios, assumindo os sentimentos pelas pessoas que lhe são próximas e também externalizando-os. Eu amei 😍.

Sendo uma série com uma longa jornada e muitas batalhas, diversas perdas são sentidas ao longo dos livros, mas senti muito mais intensamente em A Tumba do Tirano, alguns personagens nos cativam profundamente e nos despedir deles não é fácil.
Era triste dizer, mas nos meus mais de quatro mil anos, as vezes em que me senti mais em casa foram nos meses anteriores: no Acampamento Meio-Sangue, dividindo o chalé com meus filhos semideuses; na Estação Intermediária com Emma, Jo, Georgina, Leo e Calipso, todos nós sentados em volta da mesa de jantar cortando os legumes da horta para o jantar; na Cisterna de Palm Springs com Meg, Grover, Mellie, o treinador Hedge e uma variedade de dríades e cactos; e agora, no Acampamento Júpiter, onde os romanos tensos e abalados, apesar dos muitos problemas, apesar de eu levar infelicidade e desastre aonde quer que fosse, me receberam com respeito, um quarto no sótão do café e uns lençóis lindos para vestir.
P. 147-148
Quando cheguei ao final do livro, como já é comum quando leio os livros do Rick Riordan, fiquei querendo logo o próximo, para saber como ele prosseguirá essa história e ainda mais agora que será o último da série, mas a gente já sabe que precisaremos aguardar pelo menos mais um ano pela frente. Não sei o que o Rick nos reserva, mas eu sinceramente vi Apolo evoluir tanto como pessoa que não queria que ele voltasse a ser um deus, eu não sei se ele conseguiria manter a promessa de não se esquecer de como é ser um mortal, mesmo que ele queira.

Evento de lançamento do livro na Saraiva do Pátio Paulista
Ainda sobre esse livro, ele foi o responsável pelo primeiro evento que mediei aqui em São Paulo em parceria com a querida Rô do Livrólogos e Marina e Maíra do canal Monte Olimpo e foi uma experiência nova estar em outro estado mediando 😍. Obrigada pela parceria mais uma vez, meninas!

E aí, quem já leu o livro ou algum dos livros do Rick? O que acham de conhecer mais sobre as mitologias e ainda se divertir bastante com uma ficção?

Aproveitem e participem do sorteio que está acontecendo aqui no blog e concorram a um exemplar de A Tumba do Tirano.

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11 setembro, 2019


[Resenha] Príncipe Caspian - C.S. Lewis

Ficha Técnica 

Título: Príncipe Caspian
Título Original: Prince Caspian
Autor: C.S. Lewis
Ilustrações: Pauline Baynes
ISBN: 978-85-469-0195-1
Páginas: 216
Ano: 2017
Tradutor: Paulo Mendes Campos
Editora: WMF Martins Fontes
Tempos difíceis abateram-se sobre a terra encantada de Nárnia. Os dias de paz e liberdade, em que os animais, anões, árvores e flores viviam em absoluta paz e harmonia, estavam terminados. A guerra civil dividia o reino, e a destruição final estava próxima. O príncipe Caspian, herdeiro legítimo do trono, decide trazer de volta o glorioso passado de Nárnia. Soprando sua trompa mágica, ele convoca Pedro, Suzana, Edmundo e Lúcia para ajudá-lo em sua difícil tarefa.





Resenha


Continuando com o objetivo de reler a série As Crônicas de Nárnia em ordem cronológica, cheguei ao quarto livro, Príncipe Caspian. Nesse livro Nárnia é governada pelo tirano Miraz, príncipe regente que assumiu a função em nome do sobrinho, Caspian. Porém, com o nascimento do seu filho, ele precisa que Caspian desapareça e o trono seja de fato seu.

Com a ajuda de seu tutor, Caspian descobrirá o plano do tio e conseguirá fugir para as longínquas terras que, de acordo com as lendas, foram morada dos grandes reis da era de ouro de Nárnia, em Cair Paravel.

Enquanto centenas de anos se passam desde que Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia voltaram para a Inglaterra, para eles apenas um ano se passou, mas, ao serem chamados pela trompa de Susana, viram que muita coisa mudou. Em primeiro lugar, como eles reinaram há muito tempo, muitos não acreditam que eles ou mesmo Aslam tenham existido, pensam que não passam de lendas que não devem sequer ser repetidas. Em segundo, muitos animais falantes deixaram de existir, assim como os espíritos das árvores, rios e lagos hibernaram em suas formas básicas. A verdade é que os narnianos precisaram se esconder para sobreviver.
— Não seria medonho se um dia, no nosso mundo, os homens se transformassem por dentro em animais ferozes, como os daqui, e continuassem por fora parecendo homens, e a gente assim nunca soubesse distinguir uns dos outros?
P. 120
A invasão telmarina fez com que os verdadeiros narnianos tivessem que se esconder, mas agora Caspian, os narnianos remanescentes, Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia irão à luta para tirar o usurpador do trono e devolver à Nárnia a glória do passado.

Esse livro é repleto de aventuras do início ao fim e também apresenta novos personagens como o rato Ripchip e o texugo Caça-Trufas, que eu amei. Além disso, reencontrar os irmãos Pevensie foi ótimo, ver que amadureceram e que ao retornarem à Nárnia, recuperaram o ar majestoso que tiveram no passado. E o que dizer de Aslam? Como sempre incrível, dando a oportunidade de ser encontrado não apenas pelos irmãos, mas por todos que ainda acreditam nele.
— Oh, Aslam, acha que eu errei? Como  é que eu... podia deixar os outros e vir sozinha encontrar-me com você? Não olhe para mim desse jeito... bem... de fato... talvez eu pudesse. Sei que com você não estaria sozinha. Mas ia adiantar alguma coisa?
Aslam não respondeu.
— Mesmo assim teria sido melhor? — perguntou Lúcia, com a voz sumida. — Mas como? Aslam, por favor, diga-me.
P. 138
Se você já leu as resenhas de O Sobrinho do Mago, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e O Cavalo e seu Menino ou mesmo já tenha lido os livros da série sabe da referência que C.S. Lewis faz à Bíblia e se repetirá em todos os livros. Aqui, mostra como muitos narnianos se afastaram de Aslam e como os telmarinos sequer acreditavam na existência dele.

Mais uma vez a mensagem que C.S. Lewis passa é brilhante através de sua fantasia e deixa sempre o gostinho de quero-mais. Então, que venha A Viagem do Peregrino da Alvorada.

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