09 março, 2020


[Cinema] Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa




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De uns tempos pra cá, parece que todo filme de herói quer ganhar um Oscar. Todo filme (e nisso a DC tem mais culpa que todo o mundo) tem que ser sério e sombrio, literal e figurativamente. Essa se provou a grande falha do DCEU (o Universo Estendido da DC) e não precisa fazer muita pesquisa pra descobrir que os filmes mais populares entre fãs e críticos são justamente os mais leves e divertidos (fora a trilogia do Nolan, claro). O sucesso de Mulher Maravilha e Shazam prova que os fãs gostam de histórias leves e cheias de ação.

É no rastro dos filmes mais populares do DCEU que Aves de Rapina se apoia, pegando tudo o que deu errado em Esquadrão Suicida (o pior de todos) e consertando. Se no filme anterior a Arlequina era a única personagem feminina do grupo, relegada ao papel de smurfette, aqui temos quatro mulheres e uma menina que representam tipos diversos de personagens. Há espaço para uma representatividade muito mais ampla simplesmente porque há mais personagens para elaborar. Cada uma das moças do grupo tem uma personalidade distinta e um objetivo diferente, além de um estilo de luta específico. Arlequina, por exemplo, luta de forma bastante acrobática, como uma ginasta; já Canário Negro tem movimentos mais focados em chutes e a especialidade se Renee Montoya são os socos. Enquanto no anterior a Arlequina era hipersexualizada nem necessidade nenhuma, neste ela continua sendo sensual mas sem as roupas antipráticas e os ângulos de filmagem que não fazem o menor sentido.

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Sai também o clima sinistro e presunçoso e entra um estilo que se aproxima muito dos quadrinhos, com a abertura em animação e a narração no sotaque fofo que é muito parecido com o da Arlequina do desenho (onde ela surgiu, por sinal). A Gotham do filme ainda é cheia de crime e tragédia, mas agora com cores vibrantes e música de festa, já que vemos a cidade pelos olhos da protagonista. Os efeitos na tela e os exageros cômicos também fazem referência aos quadrinhos e o desenho. Enquanto o trailer de ES vendeu o filme como maravilhoso e ele foi uma decepção, o trailer de BOP (sigla pro título original, Birds of prey) não faz jus ao filme.

O longa tem um roteiro bem amarradinho, que segue quatro mulheres e uma criança numa saga pra escapar de um criminoso manipulador e egocêntrico. Todas elas entraram no caminho dele de alguma forma e precisam se juntar pra encarar essa ameaça. Além disso temos o processo de cura de Arlequina, finalmente livre de uma relação abusiva com o Coringa e descobrindo quem ela é fora deste relacionamento. É um tópico incomum pra filmes de ação mas que faz todo o sentido dentro da construção da personagem. Sem nenhum spoiler, o que dá pra contar do enredo é que Arlequina (Margot Robbie) virou alvo de bandidos depois do término e é perseguida por Roman Sionis (Ewan McGregor, que nunca se divertiu tanto fazendo um filme, ao que parece). Ele está sendo investigado por Renee Montoya (Rosie Perez) e emprega Dinah Lance/Canário Negro (Jurnee Smollet-Bell) como cantora em sua boate. Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e Cassandra Cain (Ella Jay Basco) também vão ser arrastadas pra essa encrenca toda. E não deve ser por acaso que, num filme com tantas protagonistas femininas, o inimigo seja justamente uma personificação da masculinidade tóxica, que tenta a todo custo tirar o poder de escolha das mulheres à sua volta.

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As atuações são impecáveis, a começar por Margot Robbie, que nasceu pra interpretar a Arlequina. A atriz, que também é produtora do filme, transborda todo o carisma da personagem que é o coração do filme. Ela é exagerada ou sutil na medida certa, acertando o equilíbrio de uma péssima em que poderia ter sido um desastre nas mãos erradas (sim, Jared Leto, eu estou olhando pra você). Cada uma das heroínas é interpretada de forma excepcional e, mesmo tendo sentimentos conflitantes em relação à caracterização de Montoya (minha personagem de quadrinhos favorita), preciso admitir que Pérez fez um bom trabalho com ela. Ewan McGregor parece ser a única escolha possível para interpretar Sionis, o vilão flamboyant e absolutamente cruel.

BOP é um filme visualmente lindo e alegre, com cores brilhantes e música divertida, como deve ser o interior da cabeça da Arlequina. O detalhe mais especial fica por conta das cenas de combate, coreografadas de forma espetacular (eu posso ser suspeita pra falar, porque qualquer filme que tenha uma cena de luta ao som de Barracuda já ganha meu coração). Além de enaltecerem os pontos fortes de cada personagem, elas são empolgantes e bonitas (apesar do sangue).

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BOP é um dos três melhores filmes do DCEU (no meu coração, tá empatado com Mulher Maravilha), um excelente filme de ação e uma incrível adaptação de quadrinhos. Vale cada centavo e é importante que a gente tenha mais histórias não só protagonizadas por mulheres mas escritas, dirigidas e produzidas por mulheres. Até mesmo entre os filmes baseados em quadrinhos, que continuam sendo um meio muito machista.

Numa escala de uma a cinco personagens femininas da DC que merecem um filme solo, o quanto eu gostei de BOP:

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(Batwoman, Questão, Poderosa, Ravena e Bárbara Gordon)
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22 janeiro, 2020


[Eventos] Batman 80 Anos


Não sei vocês, mas eu passei minha infância assistindo muitos desenhos na TV e, entre os personagens que eu mais gostava, estava o Batman e tudo porque ele era um super-herói sem super-poderes, ele simplesmente é muito inteligente e tem dinheiro para colocar suas ideias em prática.

O personagem foi criado em 1939 pelo roteirista Bill Finger e pelo desenhista Bob Kane e sua primeira aparição foi na revista Detective Comics #27, na história "The Case of the Chemical Syndicate". Em 2019 o personagem completou 80 anos e isso levou a exposição Batman 80 anos, no Museu da América Latina.

A exposição, que iria até o início de dezembro foi prorrogada até 02/02/2020, então, se gostam do personagem e tiverem a oportunidade, visitem, está maravilhosa!






Do lado de fora temos carros maravilhosos e, para entrar de fato na exposição, temos a entrada da mansão Wayne. Seguindo, na sala da mansão tem muito material: bonecos, revistas antigas nacionais e internacionais, sempre explicando o ano, a nacionalidade e o conteúdo da história.

 


 

 


Em seguida passamos para a misteriosa Batcaverna. #Uhul


 




A exposição está linda, detalhada e um verdadeiro presente para os fãs. Passei mais de duas horas la para conseguir ver tudo. E claro que no final ainda tem a lojinha que acaba com a gente, né?!

 

 


 

 

Se você já foi na exposição, me conta aí, o que achou? E se não foi ainda, o que acha de dar um pulinho lá?
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21 abril, 2018


[Seriando um Pouquinho] Krypton

Sinopse: Baseado nas HQs da DC Comics criadas por Jerry Siegel e Joe Shuster, Krypton se inicia duas gerações antes da destruição do planeta natal do Superman. Krypton acompanha Seg-El (Cameron Cuffe), o avô do lendário Homem de Aço – cuja Casa de El foi banida. Com a liderança de Krypton em desordem, Seg-El encontra o viajante do tempo Adam Strange (Shaun Sipos) que o avisa que ele deve lutar contra o tempo para salvar seu querido mundo do caos. Lutando para recuperar a honra de sua família e proteger aqueles que ama, Seg também enfrenta um conflito de vida e morte – salvar seu planeta natal ou deixá-lo ser destruído para restaurar o destino de seu futuro neto.

Super heróis estão em alta, deste modo vamos passar um longo tempo tendo diversas produções contando as histórias já conhecidas ou histórias que relembram o passado ou o futuro dos salvadores do nosso planeta. Desta vez, passeando pelo mundo mágico da internet, me deparei com uma série nova que conta a história do SuperMan. A princípio não tem nada de novo pois o Homem de Aço é um dos heróis mais conhecidos. Entretanto a proposta de Krypton é ser um spin-off ou um prelúdio, contando a história da família El. O membro mais famoso da família é citado, mas o nosso protagonista é seu avô Seg-El, que tem 20 anos e é bem mais descolado que o Seg-El dos quadrinhos, que transparece a imagem de um homem rabugento.


Com uma trama meio distópica e uma luta de classes ou de clãs, acompanhamos a decadência da família El. Esta derrocada do clã do Super Homem se dá porque seu trisavô Val-El (Ian McElhinney) resolve  desafiar as instituições teocráticas do planeta, ao tentar mostrar que não estão sozinhos no universo e que existem outros planetas povoados. Ao desafiar as leis do planeta, Val-El é condenado à morte e faz com que a família perca seu posto sendo condenada a viver entre a escória do planeta nos subúrbios. Seg-El, que viu seu avô morrer, cresce como um jovem revoltado que acaba encontrando um misterioso viajante do tempo que o alerta de perigos futuros e já cita o neto famoso (Super Homem). Para garantir o futuro da sua linhagem, Seg-El, seguir os passos do avô. Essa premissa deixa o público com o  pé atrás. Viagens no tempo são complicadas e podem ser artifícios para eventos sem explicação lógica. Mesmo estando em um universo fantástico de pessoas que tem poderes sobre humanos.


Algumas coisas me incomodaram bastante na série. O elenco, em seu primeiro episódio, mantém uma atuação abaixo do esperado por fãs de heróis, tendo em vista que a história de Kal-El é exaustivamente tratada em filmes, séries, animações, etc, Entretanto podem cair no gosto popular pela simpatia e beleza, como é costumeiro em series voltadas para o público jovem. Deste modo, temos a  impressão que estamos assistindo uma série adolescente, com amores proibidos, famílias que não se gostam, interesses políticos e alpinismo social. Por conta do baixo orçamento, a ambientação da série acaba perdendo um pouco a qualidade, pois as cenas externas parecem sempre gravadas no mesmo local.


Mesmo com o orçamento baixo, temos imagens muito boas, uma fotografia muito bonita na série e um figurino padrão para ficção científica. deste modo os produtores tentam equilibrar, de maneira geral, o resultado apresentado ao público. Temos muitas referências às produções já feitas sobre Kal-El, a capa, o penteado, a fortaleza da solidão podemos ver no futuro mais referências aos filmes do herói. 


Mesmo não agradando à crítica especializada, o episódio de estreia teve um bom índice de audiência e tem previsão de uma temporada curta (dez episódios). Assim podemos esperar que a primeira temporada seja finalizada com a trama completa e caso haja uma melhora na qualidade no decorrer da história, possamos ter mais temporadas. o piloto da série foi exibido em 21 de março de 2018 pelo canal SiFy.


Elenco
Cameron Cuffe como Seg-El
Georgina Campbell como Lyta Zod
Ian McElhinney como Val-El
Elliot Cowan como Daron-Vex
Ann Ogbomo como Alura Zod
Rasmus Hardiker como Kem
Wallis Day como Nyssa-Vex
Aaron Pierre como Dev-Em

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09 junho, 2017


[Resenha] Supergirl na Super Hero High - Lisa Yee

Ficha Técnica

Título: Supergirl na Super Hero High
Título Original: Dc Super Hero Girls: Supergirl at Super Hero High
Autor: Lisa Yee
ISBN: 978-85-7980-301-7
Páginas: 258
Ano: 2017
Tradutor: Raquel Zampil
Editora: Rocco Jovens Leitores
Supergirl Na Super Hero High
Supergirl é a garota nova na escola. E também a mais poderosa (embora ela não acredite muito nisso). Recém-chegada à Terra, depois de perder sua família e todo o resto do planeta Krypton, a menina está começando a descobrir seu potencial, e a Super Hero High parece ser o local ideal para isso. Mas mesmo para a adolescente mais poderosa da galáxia, acompanhar as aulas do ensino médio e se enturmar com seus novos e poderosos amigos, entre eles Wonder Woman, Katana e Harley Quin, não é nada fácil. Porém, quando misteriosos acontecimentos colocam em risco não só a escola, mas seu novo planeta, Supergirl precisa confiar nos seus amigos e em si mesma e mostrar que é capaz de salvar o dia. No segundo livro da série DC Super Hero Girls, Lisa Yee mantêm o ritmo do primeiro volume e vai além, mostrando um pouco mais do dia a dia e da personalidade das jovens super-heroínas que vêm conquistando a garotada com uma aventura recheada de mistério, ação e muito humor.

 Resenha

E chegamos ao segundo livro da série DC Super Hero Girls. No final de As aventuras de Wonder Woman na Super Hero High, após o prêmio de Herói do Mês ser entregue a Wonder Woman, Supergirl é introduzida na série como a garota novata da Super Hero High. Uma super fã de Wonder Woman, a garota de Krypton vive com a insegurança de não ser boa o suficiente e nem forte o bastante.

Kara Zor-El, Supergirl, parou no planeta Terra após a destruição de seu planeta de origem, Krypton. Ela perdeu o seu porto seguro muito cedo. Tudo e todos que conhecia morreram com a destruição de seu planeta. Uma dor profunda para a sobrevivente desse episódio tão devastador. Perder seus pais, pessoas próximas e o lugar que chamava de lar. É um golpe duro para Supergirl e por isso ela tem tanta dificuldade em enxergar sua força.

A garota de superpoderes vive mais um dilema: qual escola deve escolher para aprender a dominar seus poderes. Kara opta seguir o caminho de seu primo, o Superman, e de Wonder Woman, escolhendo assim a Super Hero High. Assim como vimos no primeiro livro, a heroína começa sua vida dentro do colégio cheia de incertezas e com alguns temores.

Supergirl se tivesse poder de escolha, mesmo sabendo que o correto deveria frequentar uma escola, teria ficado na fazenda com Tia Martha e Tio Jonathan. E esse sentimento de autopreservação é resultado da tragédia com seus pais. Apesar de saber que precisa dominar os seus poderes para ajudar outras pessoas, como Superman e outros heróis fazem, Kara se sente impotente, incapaz, já que nada pode fazer para ajudar seu planeta. A garota se torna muito amiga de Barbara Gordon, elas tem muito em comum, mais do que elas imaginavam. E já nos prepara para o terceiro livro da série que tem Batgirl como a principal.

Supergirl na Super Hero High também é narrado em terceira pessoa, a diagramação continua impecável e é o mesmo modelo visto no primeiro livro - exceto a cor utilizada. Também é dividido em três partes, os capítulos são curtos mas isso não o transforma em um livro raso, pelo contrário. A continuação não deixa a desejar e mantem a leveza, diversão e responsabilidade vistas em As aventuras de Wonder Woman na Super Hero High. Lisa Yee, tendo como base o universo DC, conta os dilemas dos adolescentes dentro do colégio. A diferença é que esses adolescentes são super heróis.


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07 junho, 2017


[Cinema] Mulher-Maravilha


Sabe quando foi a última vez que eu assisti um filme de super heróis tão bom?


Brincadeira, gente, nem tem tanto tempo assim. Mas a última vez foi quando saiu O cavaleiro das trevas, o melhor filme da trilogia do Nolan. Não me levem a mal, eu adoro o Batman e a ideia de inspirar terror no coração dos homens. Mas os filmes da DC ficaram tão sombrios ultimamente, como se os produtores se recusassem a seguir a fórmula de sucesso da Marvel, só de pirraça. Depois de comer muita poeira e fazer muito filme ruim (cof cof esquadrão suicida cof cof), parece que a DC tomou jeito e resolveu dar aos fãs o que a gente pedia há anos: um bom filme solo de uma heroína.

O filme da Mulher-Maravilha tem tudo o que a gente queria: uma história de origem sem interferência de outros heróis, um roteiro que valoriza as características da personagem, ação, humor e muitas personagens femininas sensacionais. Pra começar, eu moraria em Themyscira. Fácil. Uma ilha paradisíaca cheia de belezas naturais, estátuas lindas e guerreiras fenomenais, o que tem pra não amar? A ilha do filme é bem o que eu esperava de um lugar chamado Ilha Paraíso.

meu coraçãozinho foi mais pisado que a areia dessa praia
Eu gostaria que o filme tivesse explorado mais a diversidade entre as amazonas. Pelo que dá pra ver, são mulheres de etnias diferentes e com tipos físicos diferentes. Eu entendo que não dá pra explorar todas as possibilidades num longa só, mas foi revigorante ver as amazonas em ação e consigo entender porque algumas não queriam sair da ilha. Apesar de Hipólita ser a mais proeminente, Antíope ganhou meu coração pela ferocidade e pelo espírito de batalha. Robin Wright é a maior arqueira que você respeita.

Se você já assistiu algum filme animado da Mulher-Maravilha ou da Liga da Justiça, deve saber que tava tudo muito bom, tudo muito bem em Themyscira até o avião do Steve cair por lá. A partir daí, Diana percebe que a gente tá bem encrencado e sai da ilha pra ajudar. No filme também é assim. Ela resolve ir embora quando descobre que o mundo fora da ilha tá uma bagunça e que essa guerra injusta tá matando um monte de gente. Ela parte porque quer ajudar as pessoas, e isso é importante. É fantástico que a característica mais marcante dela seja a empatia, o fato de não se conformar com o sofrimento dos outros. É o tipo de motivação que a gente não vê nos filmes baseados em quadrinhos. A Diana é uma pessoa genuinamente boa que, podendo ajudar, não hesita em largar a vida confortável que tem pra ir pro front.

O plano dela é ir até o front e deter Ares, que ela acredita ser o responsável pela guerra. Apesar de não acreditar na existência do deus, Steve reúne um grupo de aventureiros pra ajudá-los a alcançar o objetivo. Aqui eu vou reclamar um pouquinho, porque um desses aventureiros podia ser uma mulher e rolar uma interação maior entre as mulheres do filme. Maaaaaas, todas as interações que de fato acontecem são repletas de companheirismo e sinceridade.

A própria Diana é um símbolo de esperança. Contrariando a onda de super heróis cínicos e interesseiros, ela é um farol de empatia num mar de indiferença. Ela parece ingênua às vezes e meio alheia às normas sociais, mas nunca insensível ou fraca. O grande trunfo da personagem é justamente se importar com todos e não se conformar com injustiça. Ela realmente acredita na bondade das pessoas e é por isso que ela luta.


E o Steve, oh céus, por onde começar com Steve Trevor? Ele é um cara bom e justo, que sabe que nem sempre dá pra confiar nos interesses dos seus superiores. Além disso, ele é protetor mas consegue perceber quando as pessoas são mais fortes que ele. Ele tenta, tadinho, mas às vezes o mundo é um lugar injusto e ele só pode tentar tornar tudo menos pior. De um jeito ou de outro. Não deixe a cara de cafajeste do Chris Pine te enganar, Steve é um amorzinho. (Duas das minhas cenas favoritas envolvem ele numa banheira e Diana e ele conversando sobre literatura no barco)

Os outros membros fazem o grupo bem diverso, na verdade. Temos um falsário árabe, um sniper irlandês e um contrabandista indígena, que não só têm personalidades próprias como adicionam um subtexto interessante à trama, deixando no ar um clima de ressentimento e transtorno de estresse pós-traumático.

De todas as mulheres fenomenais do filme, minhas favoritas são Antíope (Robin, casa comigo), Etta, a melhor secretária/planejadora que alguém podia ter, e a Doutora Veneno, um gênio do mal que esconde a própria fragilidade atrás de muitas camadas de conformidade e inteligência. Eu realmente gostaria de ver um curta animado sobre a origem da doutora e como ela se deixou levar por quem dava valor ao seu trabalho. E, numa indústria obcecada com juventude, não passou despercebido que duas das três amazonas mais importantes do filme são representadas por mulheres com mais de cinquenta anos que não têm a idade disfarçada.

Eu ainda tenho minhas reservas com o uniforme (ainda acho o tomara-que-caia pouco prático, o saiote muito curto e o salto desnecessário), mas a Patty Jenkins fez um trabalho fenomenal dirigindo um filme que não só é muito bom como cala a boca de todo o mundo que disse que ela não ia conseguir ou que filme com protagonista mulher não dá dinheiro. Em cinco dias, o filme fez mais de cem milhões de dólares só no EUA e quebrou o recorde de arrecadação para um filme dirigido por uma mulher.

sambando na cara dos haters
Vale cada centavo. As atuações são impecáveis, o roteiro é muito bem escrito e as cenas de ação são muito bem coreografadas e satisfatórias. Depois de tantos anos de espera, a Mulher-Maravilha (e a gente também) ganhou o filme que merece. Agora é esperar pelo filme da Liga e torcer pra mais um filme da Amazona (dirigido pela Patty, claro!).

De uma a cinco heroínas que merecem um filme solo, o quanto eu gostei:


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