23 janeiro, 2018


[Resenha] A Estrela da Meia-Noite - Marie Lu

Ficha Técnica 

Título: A Estrela da Meia-Noite
Título Original: The Midnight Star
Autor: Marie Lu
ISBN: 978-85-7980-343-7
Páginas: 254
Ano: 2017
Tradutor: Rachel Agavino
Editora: Rocco Jovens Leitores
Adelina Amouteru sobreviveu à febre do sangue, fez uso de seus dons, formou seu próprio exército, vingou-se de seus traidores e conquistou a vitória. Mas seu reinado triunfante está ameaçado, e o inimigo não vem de fora; a sede de vingança da jovem levou seu lado cruel e sombrio a sair do controle, e ela terá que curar antigas feridas se quiser manter tudo o que conquistou. No desfecho da eletrizante trilogia Jovens de Elite, Marie Lu coloca sua protagonista diante de uma nova ameaça que a levará a revisitar fatos dolorosos do seu passado e a fazer uma aliança arriscada e difícil. Será que Adelina está preparada para se transformar na estrela da meia-noite e, finalmente, conhecer a paz?

Resenha

Marie Lu me conquistou lá atrás, com seu primeiro livro. Ao criar personagens fortes, inteligentes e humanos, Marie entregou uma das melhores distopias da atualidade: "Legend". Iniciar uma nova série após um grande sucesso, serviria para reafirmar o talento de Lu além de suas primeiras publicações, e felizmente, a saga Jovens de Elite chegou e foi mais um excelente e eficaz trabalho na biografia da autora.

Em “A Estrela da Meia-Noite”, terceiro e último volume da série, nos deparamos mais uma vez com nossa poderosa anti-heroína Adelina. Com seu jeito obscuro e bastante cruel de governar, a então agora rainha continua com sede de vingança contra aqueles que lhe privaram de usufruir de seus poderes no passado. Enquanto Adelina governa e luta para conquistar novos territórios, algo afeta os Jovens de Elite, os enfraquecendo e levando-os a morte.

Sem saber o que está acontecendo, a Sociedade dos Punhais e a Sociedade da Rosa precisarão deixar suas diferenças de lado para solucionarem um problema em comum. Porém, Adelina além de sofrer com os tormentos pessoais, começa a desconfiar que uma traição dentro de sua guarda é eminente, fato que refletirá em suas escolhas, e obviamente, na batalha final que se aproxima. O egoísmo e sede de vingança de Adelina serão justificativas para que a mesma não mude suas atitudes? E afinal, o que será dos Jovens de Elite caso a destruição em massa não seja interrompida?

Precisarei extirpar esses insurgentes antes que eles se tornem uma ameaça real. Precisarei fazer da morte deles um exemplo mais duro. Precisarei ser mais implacável.
Esta é a minha vida agora.
P. 23

“A Estrela da Meia-Noite” é obscuro e desafiador, ao ponto que os acontecimentos finais vão se desenrolando, o leitor continua sem desconfiar das reviravoltas que estão por vir. Marie Lu tem em sua manga várias cartas coringas, e ela faz questão de usar todas. Desenvolver uma história com crítica social já faz parte de sua natureza, e aqui não é diferente. A acidez da escrita é evidente, e isso reflete principalmente na personagem principal, que foge claramente da figura heróica e boazinha. 

Mas, nem por isso, Adelina é odiável. As camadas que a cobrem são muitas, e faz parte do processo descobrir seus motivos e razões de ser como é, e isso a torna uma personagem riquíssima e um ótimo objeto de interesse por parte do leitor. Acredito que neste volume veremos o ápice de seu comportamento, para o bem ou para o mal. Suas escolhas são reflexos de uma sociedade opressora, e apesar de ser uma ficção, não há como não haver uma reflexão e comparação com a realidade.

Então, ele fecha os olhos e fica estirado no chão. Seu corpo fica imóvel. Sei, sem dúvida, que ele se foi.
P. 120

Acredito que o melhor de “A Estrela da Meia-Noite”, além do ótimo desenrolar dos fatos, é a escrita de Marie Lu. Detalhada e no ponto certo, mesmo este sendo o menor dos três volumes da série, a autora consegue dar vida às palavras, criando um universo vivo e extremamente palpável, apesar da fantasia da obra. Os capítulos são devorados rapidamente e a leitura flui, até quando somos pegos de surpresa e sofremos com inesperados eventos, tais eventos que prometem chocar qualquer leitor. Se você gosta de um final alucinante, aqui você vai encontrar.

O design da capa ainda não me agrada muito, apesar do título continuar em alto-relevo, porém sem dúvidas é o melhor produto final entre todas da série. As cores são boas e combinam entre sí, e a imagem escolhida não é tão gritante quanto as demais, principalmente a do lobo e das ondas presentes na capa do volume dois, “A Sociedade da Rosa”.

Em resumo, “A Estrela da Meia-Noite” não fica para trás comparado aos demais volumes da trilogia, nem mesmo pela diferença na quantidade de páginas (o exemplar anterior tem mais ou menos 80 páginas a mais). Poder ver o desfecho de Adelina e companhia de uma forma prazerosa e satisfatória foi uma excelente surpresa, apesar de que, vindo de Marie Lu, decepção não é uma palavra que combina nem um pouco com seu trabalho. Não vejo a hora de poder desfrutar de suas próximas criações, e até lá ficarei aqui me recuperando dos baques finais dos Jovens de Elite.

– Tudo isso acabará logo – digo. – E o seu dever para com os deuses será cumprido.
P. 163
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16 janeiro, 2018


[Resenha] Lembra Aquela Vez - Adam Silvera

Ficha Técnica 

Título: Lembra Aquela Vez
Título Original: More Happy Than Not
Autor: Adam Silvera
ISBN: 978-85-7980-280-5
Páginas: 335
Ano: 2017
Tradutor: Lucas Peterson
Editora: Rocco Jovens Leitores
Finalista na categoria romance juvenil do Prêmio Lambda, o mais tradicional do segmento de literatura LGBT do mundo, e celebrado por veículos como The New York Times (“lindo romance de estreia”) e Chicago Tribune (“comovente”), entre outros, Lembra aquela vez conta a história de um garoto do Bronx (re)descobrindo sua sexualidade. Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade.

Resenha


Misturando gêneros, “Lembra Aquela Vez” é um interessante young-adult, pois ao mesclar romance com ficção científica, a obra de Adam Silvera consegue se distanciar bastante de trabalhos no mesmo segmento, o que faz com que seja instantaneamente um destaque. 

Aaron Soto tem 16 anos e vive no Bronx, em Nova York. Com uma vida difícil, o jovem vê sua adolescência se perder em um caminho sem volta. Após perder o pai, que se matou dentro da banheira de casa, Aaron carrega em seu próprio corpo as marcas desta perda, registros de uma falha tentativa de seguir as mesmas escolhas de seu patriarca.

Enquanto lida com a pobreza de seu bairro e as responsabilidades de seu relacionamento com sua namorada, Genevieve, Aaron precisa entender o que está acontecendo com seu coração. Após conhecer o novo vizinho, Thomas, nosso jovem protagonista começa a questionar sua sexualidade, e com medo de ser rejeitado e de magoar as pessoas que ama, Aaron prefere recorrer a um procedimento capaz de modificar sua memória, ao invés de ser fiel a seus sentimentos. Mas será que vale a pena abrir mão de seu verdadeiro ser, em uma tentativa de se privar das possíveis dores?
É como quando você é criança e quer ser astronauta, até se dar conta de que isso é impossível, apesar de todos falarem que nada é impossível, fazendo até questão de citar momentos específicos da história só para fazer você se sentir um idiota.
P. 93
Além de tratar de temas como bullying e homofobia, Adam Silvera consegue inserir muito bem em sua obra, de uma forma sutil mas eficiente, uma crítica social, onde as condições de vida das personagens acabam por afetar diretamente em suas escolhas e modo de vida. Escolher Nova York como locação da história pode até parecer clichê, porém ambientar tal narrativa em uma região menos glamurosa da cidade faz toda diferença.

No primeiro parágrafo, mencionei rapidamente que “Lembra Aquela Vez” possui traços de ficção científica – hoje em dia pode-se dizer também que há um quê de Black Mirror. Apesar da narrativa deixar claro que a história é contemporânea, é evidente que o procedimento capaz de apagar e modificar as nossas memórias não passa de uma hipotética invenção. Esse aspecto foge completamente dos clássicos romances, pois não chega a ser massivamente trabalhado, servindo somente como um aditivo ao plot principal.
– Você me pergunta isso como se não tivesse sido um menino durante toda a sua vida. Alguns caras fazem das suas mentes uma prisão. Eu gosto de viver fora das grades. Se somos diferentes, não tenho nenhum problema com isso.
P. 155
Apesar de ser o primeiro livro publicado do autor Adam Silvera, gostei bastante da sua conduta. Ao deixar a narrativa em primeira pessoa, o leitor se conecta rapidamente com Aaron, e não pude de deixar de notar que possivelmente ele seja uma representação fictícia do próprio autor, que assim como a personagem principal, possui as iniciais do nome AS e mora no Bronx. Minha maior crítica à escrita de Silvera talvez seja algumas passagens extensas demais, sem nenhum conteúdo relevante de fato, fazendo com que o ritmo do livro ficasse arrastado sem necessidade.

No geral, gostei bastante de “Lembra Aquela Vez”, não só por sua criatividade, mas também por seu tom mais sério do que o normal, tom este que acredito ser responsabilidade da escrita de Adam Silvera. A capa também é um ponto positivo que me agradou, e não posso deixar de citar uma certa reviravolta que acontece mais para o fim do livro... Tal evento é essencial para obra, tanto por fugir do óbvio e ir fundo ao inesperado, mas também por trabalhar as personagens sob uma nova perspectiva, porém aviso logo que a própria orelha do livro entrega esta surpresa. Logo, se for se aventurar na vida de Aaron, pule direto pro capítulo um.
Eu não quero mais ser eu.
[...]
Sei que será uma mentira não ser eu, mas sei também que estarei fazendo um favor para mim mesmo a longo prazo, [...].
A felicidade não deveria ser tão difícil assim.
P. 180-181
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30 dezembro, 2017


[Resenha] Batgirl na Super Hero High - Lisa Yee

Ficha Técnica

Título: Batgirl na Super Hero High
Título Original: Batgirl at Super Hero High
Autor: Lisa Yee
ISBN: 978-85-7980-371-0
Páginas: 250
Ano: 2017
Tradutor: Raquel Zampil
Editora: Rocco Jovens Leitores

No terceiro livro da série DC Super Hero Girls, parte de um bem-sucedido projeto multiplataforma que apresenta personagens clássicos da DC Comics para as novas gerações, Barbara Gordon é uma garota muito inteligente, gênio da tecnologia e ótima detetive. Embora não tenha superpoderes, esses talentos a levam a conseguir uma vaga na Super Hero High, e ela não desiste até convencer o pai, o Comissário Gordon, a deixá-la frequentar a famosa escola de super-heróis, ao lado de Supergirl, sua melhor amiga, e de outras super-heroínas. Lá, ela rapidamente se torna uma das alunas preferidas do professor de Robótica e Ciência da Computação, e vai precisar ganhar uma batalha de computadores para salvar a Terra. Mas será que sua inteligência e domínio da tecnologia serão suficientes? Barbara Gordon sempre teve o coração de uma heroína. Transformada em Batgirl, ela deverá provar que pode ser uma.

Resenha


Batgirl na Super Hero High é o terceiro livro da série DC Super Hero Girls e nos conta a trajetória de Barbara Gordon na famosa escola para heróis. No livro anterior, Barbara ganha destaque ao ser escalada para trabalhar na parte de tecnologia do colégio, ela prestava serviços a Super Hero High e foi muito importante na batalha contra um vilão que tentou dominar a Terra.

Por causa da sua bravura e de sua inteligência que salvou a todos, Barbara - a nossa Batgirl - recebeu a oportunidade de deixar Gotham High para ingressar na Super Hero High. Mas como uma garota "comum" poderia se destacar entre tantos jovens com superpoderes? Essa é uma das inseguranças de Barbara, além do medo constante de seu pai, que relutou para permitir que sua filha estudasse na Super Hero, a garota tem muita disposição para mostrar que é capaz e que merece estar no colégio tanto qualquer outro estudante. É um tanto difícil porque ela acaba sentindo os fatores de não ser uma adolescente com poderes ou com habilidades físicas invejáveis e isso interfere em como ela se enxerga dentro da escola.

Barbara é muito inteligente. Ela sempre foi muito ligada na parte de tecnologia e não é por acaso que o novo professor de Robótica e Ciência da Computação vê na jovem um potencial a ser explorado. Potencial este que já tinha sido reconhecido pela escola, uma vez que ela prestava serviços nessa área. O problema é, como grande parte dos adolescentes e das heroínas dos livros anteriores, Batgirl vive dilemas, tem a aprovação duvidosa de seu pai em relação ao colégio, o desejo de se mostrar capaz. Felizmente ela passa por essa fase com a ajuda de sua melhor amiga Supergirl e do grupo de meninas do bem (apelidei carinhosamente o grupo das heroínas que se importam).

Como em seus antecessores, Batgirl na Super Hero High tem uma diagramação muito boa, cores vibrantes e que chamam atenção do público para o qual está destinado. Também dividido em três partes, segue o mesmo padrão dos anteriores. A jovem é iniciada no colégio, tem os conflitos pessoais e uma batalha pela qual ela passa e tira disso uma lição. Trata-se de uma leitura para o público infanto, com características bem diferentes das personagens que nós que gostamos de quadrinhos estamos acostumados. Contudo, acho uma iniciativa válida para as crianças terem esse contato com essas personagens e de uma maneira mais leve e divertida. O próximo livro da série é com Katana!

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27 dezembro, 2017


[Resenha] O Livro do Cemitério: Volume 1 - Neil Gaiman, P. Craig Russell & Outros

Ficha Técnica

Título: O Livro do Cemitério: Volume 1
Título Original: The Graveyard Book: Volume 1
Autor: Neil Gaiman
Adaptação: P. Craig Russell
Ilustração: Kevin Nowlan, P. Craig Russell, Tony Harris, Scott Hampton, Galen Showman,
Jill Thompson & Stephen B. Scott
ISBN: 978-85-7980-386-4
Páginas: 188
Ano: 2018
Tradutor: Ryta Vinagre
Editora: Rocco Jovens Leitores
Bestseller do The New York Times e premiado com as medalhas Newbery (EUA) e Carnegie (Reino Unido), o romance O livro do cemitério, do cultuado escritor Neil Gaiman, ganha versão em quadrinhos adaptada por P. Craig Russell, parceiro de Gaiman em diversos livros, incluindo a versão em HQ de outro clássico do autor, Coraline. O livro é o primeiro de dois volumes que acompanham a trajetória de Ninguém Owens, ou Nin, um garoto como outro qualquer, exceto pelo fato de morar em um cemitério e ser criado por fantasmas. Cada capítulo nesta adaptação de Russell acompanha dois anos da vida do menino e é ilustrado por um artista diferente, apresentando uma variedade fascinante de estilos que dão ainda mais vida à atmosfera ao mesmo tempo afetuosa e sombria da história.

Resenha


Mais uma aclamada e premiada obra de Neil Gaiman ganha uma adaptação em quadrinhos pelas mãos de P. Craig Russell, que além de editar o texto original, contribui também em conjunto com outros 6 artistas para ilustrar “O Livro do Cemitério: Volume 1”.

Como deixa bem claro o título, está é a primeira parte de dois volumes deste best-seller ganhador da medalha Newbery, prêmio literário norte-americano voltado para os destaques infanto-juvenis. A obra também foi agraciada com o Carnegie Medal, equivalente ao prêmio anterior, só que do Reino Unido, se tornando assim a primeira publicação a ganhar ambas condecorações.

Dividido em seis capítulos, cada um comandado por um renomado artista em especial (o capítulo três é feito em dupla), “O Livro do Cemitério” ganha vida e cores ao retratar uma trágica história que envolve muita fantasia, como qualquer boa obra de Gaiman. Além de P. Craig Russell, os demais artistas envolvidos no projeto são Kevin Nowlan, Tony Harris e Scott Hampton, Galen Showman, Jill Thompson e Stephen B. Scott.
 
O enredo de “O Livro do Cemitério” gira em torno de Ninguém Owens, ou simplesmente Nin. Quando ainda era um bebê, a família de Nin foi brutalmente assassinada, e ele conseguiu fugir das garras do assassino pois engatinhou de sua casa até o cemitério que ficava nas redondezas. Ao chegar lá, os espíritos se afeiçoaram a ele, e notando que o mesmo corria perigo de vida, decidiram tomá-lo como seu protegido.

Sob os cuidados dos fantasmas, Nin foi crescendo e crescendo, sendo educado e alfabetizado pelos moradores do cemitério, mas sempre se questionando o motivo de não poder ter amigos iguais a ele e nem o fato de ser proibido de cruzar os limites da propriedade. Acompanhando de dois em dois anos da vida de Nin em cada capítulo, nós leitores iremos nos deliciar com as mágicas aventuras desse garotinho, ao mesmo tempo que torcemos para que o mal que uma vez atingiu sua família, não consiga lhe encontrar em seu novo lar.

“O Livro do Cemitério” é uma obra rica e cativante, seus personagens são super bem desenvolvidos e repletos de camadas a serem descobertas. A ambientação da história não podia ser mais intrigante, assim como o desenrolar da jornada de Nin. Aqui temos a oportunidade de ver tal saga ganhar vida pelas mãos de diversos artistas, cada qual com sua própria técnica e traços.
 
Se tratando dos artistas, posso dizer que a arte da maioria me agradou visualmente, e surpreendentemente elas no quadro geral não se destoam umas das outras. Artisticamente falando, o capítulo que menos me agradou foi aquele onde dois artistas dividiram a tarefa de ilustrá-lo. Além de terem traços distintos entre si, eles também se destacam em comparação aos demais capítulos, principalmente uma destas artes, que utiliza de um traço mais grosso e elaborado. Ironicamente, este capítulo sem dúvidas é um dos mais ricos e detalhados da obra.

A edição nacional está bem caprichada também, além de manterem a capa original da adaptação, a Rocco Jovens Leitores colocou a capa meio cartonada, que seria algo entre brochura e encadernado. O título tanto na capa quanto na lombada do livro são em dourado e para fechar com chave de ouro, a tradução ficou a cargo de ninguém mais ninguém menos do que Ryta Vinagre, a mesma responsável por traduzir as obras de Robert Galbraith (ou para quem preferir, J.K. Rowling).

Capa em inglês do Volume Dois
Eu não vejo a hora de ter em minhas mãos a segunda e final parte desta linda história ilustrada. Há alguns anos tive a chance de resenhar aqui no blog uma adaptação de Neil Gaiman feita também pelo P. Craig Russell, e assim como este volume, gostei muito da experiência. Então assim como aquela resenha de “Coraline”, termino esta afirmando que “O Livro do Cemitério” é uma HQ mais do que indicada, tanto pela qualidade dos traços de Russell e seus demais parceiros, quanto pela magnífica imaginação de Neil Gaiman.

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15 dezembro, 2017


[Resenha] As Perfeccionistas - Sara Shepard

Ficha Técnica

Título: As Perfeccionistas
Título Original: The Perfectionists
Autor: Sara Shepard
ISBN: 978-85-7980-357-4
Páginas: 287
Ano: 2017
Tradutor: Joana Faro
Editora: Rocco Jovens Leitores

Autora da série bestseller Pretty Little Liars, que virou seriado de TV, Sara Shepard apresenta uma nova trama envolvendo cinco garotas e um crime em As perfeccionistas, primeiro de uma duologia. Desta vez, o cenário da trama é Beacon Heights, Washington, onde Mackenzie, Ava, Caitlyn, Julie e Parker frequentam o último ano do ensino médio. Enquanto planejam seu futuro e lidam com suas próprias questões pessoais e familiares, algumas nem um pouco louváveis, as cinco descobrem algo em comum: todas elas odeiam o mesmo garoto, o rico e convencido Nolan. E arquitetam um plano de assassinato perfeito. Mas quando Nolan aparece morto exatamente do jeito que elas haviam imaginado, Mackenzie, Ava, Caitlyn, Julie e Parker precisarão provar que não são culpadas, enquanto suas vidas – e seus segredos – desmoronam ao redor.

Resenha


Conhecida e popularizada devido a sua grande – literalmente, são 16 livros – série de sucesso Pretty Little Liars (PLL), a autora norte-americana Sara Shepard acaba de ter seu último lançamento publicado no Brasil pelas mãos da Rocco Jovens Leitores.

“As Perfeccionistas” não foge muito do universo criado por Shepard em suas demais obras, e para saber disso nem precisei lê-las – assistir a finada série de TV ajudou nesse quesito. Resumidamente, aqui, existe um grupo de jovens meninas, muita fofoca, traição e ocasionalmente mortes, fatores recorrentes também em PLL.

Em meu primeiro contato com a escrita de Sara, tenho que ser sincero e confessar que esperava muito mais. Sempre desejei ler Pretty Little Liars, mas devido a extensa quantidade de livros e o valor alto dos mesmos, desisti. Com uma narrativa pobre, desenrolar engessado e personagens nem um pouco carismáticas, “As Perfeccionistas” me parece mais um reaproveitamento de uma antiga fórmula, e até mesmo para mim que nunca li nada antes da autora, senti como se tal fórmula já fosse datada.
Ela se levantou depressa, pegou suas coisas e saiu sorrateiramente da loja antes que Blake pudesse impedi-la. Saiu às pressas pela porta da frente, balançando os sininhos. Assim que chegou lá fora a chuva molhou seu rosto, ela percebeu a enormidade do que tinha feito.
P. 51
A história basicamente gira em torno de cinco garotas, que aparentemente nem amigas íntimas são, que durante uma certa aula fazem uma “brincadeira”, onde o intuito seria matar Nolan, um popular colega de escola que além de muito escroto com todos, obtém podres e segredos de algumas delas.

Porém, certo dia, durante uma festa, Nolan é encontrado morto, e depois de uma investigação é revelado que ele foi assassinado, não curiosamente, da mesma forma que as meninas tinham insinuado durante a tal aula. Daí em diante vamos descobrindo o passado das meninas e a relação de cada um com o falecido, ferramenta que querendo ou não, cria uma possível justificativa – ou pelo menos motivo –, para uma delas – ou todas – de fato cometerem tal crime.
Ava tinha ligado para todo mundo naquela tarde para dizer que alguém a vira conversando com Nolan no andar de cima.
P. 149
Algumas das meninas – seus nomes são Mackenzie, Ava, Caitlyn, Julie e Parker – se mostram bem interessantes de um ponto de vista de desenvolvimento da história, pois possuem muitas nuances, já outras são bem vazias e aparentemente desnecessárias para enriquecer o plot principal. Porém, por dividir o foco da narrativa entre cinco perspectivas diferentes, as personagens que de fato são interessantes, acabam perdendo espaço para outras, o que prejudica demais o livro.

Talvez a melhor coisa de “As Perfeccionistas” seja seu mistério. Afinal, se as meninas afirmam que não mataram Nolan, quem o fez? Tristemente, tal suspense não é tratado como a estrela da obra, e durante muitos capítulos a única menção em relação a isto é de que Nolan foi morto. Questionar e tentar inserir uma investigação mais rica perante as personagens, ao meu ver, daria um fôlego diferente ao livro, de uma maneira bem positiva.
Sua pulsação começou a se acelerar outra vez quando ela percebeu que não tinha sido totalmente sincera com Alex. O que contara era quase a verdade… mas deixava muito de fora. Tudo sobre Nolan.
Tomara que ele nunca precisasse saber.
P. 207
Minha decepção foi coroada ao chegar no último capítulo e descobrir que o assassinato não foi desvendado, e que sim, haverá uma continuação. “As Perfeccionistas” faz parte de dois volumes – nada comparado aos 16 de PLL –, mas ainda assim, devido a vários fatores, não vi motivo para a obra ser dividida. Minha vontade de fato não é de conferir a continuação, mas talvez minha curiosidade seja maior, afinal, nunca digo não a um mistério… seja ele bom ou ruim.

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23 julho, 2017


[Resenha] Comportamento Altamente Ilógico - John Corey Whaley

Ficha Técnica

Título: Comportamento Altamente Ilógico
Título Original: Highly Illogical Behavior
Autor: John Corey Whaley
ISBN: 978-85-7980-348-2
Páginas: 249
Ano: 2017
Tradutor: Ana Carolina Mesquita
Editora: Rocco Jovens Leitores

Um garoto de 16 anos tímido e retraído que sofre de agorafobia (transtorno de ansiedade que leva a pessoa a evitar locais que não considera seguros); uma menina ambiciosa e realista que sonha em entrar para a faculdade de psicologia. Determinada a provar que merece ser aceita no segundo melhor curso do país, Lisa se aproxima de Solomon para ajudá-lo a superar suas dificuldades, trazendo também seu encantador namorado, Clark, para próximo de sua “cobaia”. Logo, os três formam laços inesperados de amizade. À medida que se conhecem melhor, porém, os planos de Lisa começam a sair de controle, e cada um deles é obrigado a rever suas certezas e encarar seus medos. Será que Sol, Lisa e Clark conseguirão encontrar novos arranjos em suas vidas, servindo de apoio um ao outro na difícil tarefa de encarar a vida adulta que se aproxima?

Resenha


“Comportamento Altamente Ilógico” é o mais recente trabalho do John Corey Whaley. Para quem não lembra, ou ainda não acompanhava o blog, há alguns anos tivemos aqui uma entrevista exclusiva com ele. Sendo um autor jovem, John continua narrando suas histórias sob a mesma ótica, prezando em dissecar adolescentes diferenciados, mostrando ao seus leitores suas prismas e profundas camadas. 

Neste livro, iremos conhecer Solomon, um garoto de 16 anos que sofre de agorafobia, transtorno que faz com que Sol queira evitar ao máximo locais públicos e que não lhe passem a ideia de segurança. Enquanto isso, seremos também apresentados a Lisa, que louca para deixar a pequena cidade que mora, está decidida em fazer o que for necessário para entrar em uma faculdade renomada.

[...] E é o que torna a coisa toda mais confusa. Ele é um pouco ansioso, claro, mas fora isso é como nós. Papo fácil. Engraçado. Engraçado mesmo, se quer saber. Não sei por que ele não consegue mais lidar com as coisas do mundo aqui fora. Eu acho que ele tem tanta capacidade quanto qualquer outra pessoa para isso.
Pág. 85

Lisa, então decide escrever um trabalho sobre Solomon, para poder enviar à faculdade uma redação junto a sua inscrição. O sonho de Lisa é estudar psicologia, e ela acredita fielmente que curar a situação de Sol, é sua melhor chance de alcançar sua meta. Desta forma, a menina arranja um jeito de se infiltrar na casa de Solomon, local da onde ele não sai há mais de três anos, para colocar seu plano em prática… sem que ele saiba de suas reais intenções. 

Com personagens carismáticos e ricos, “Comportamento Altamente Ilógico” é uma mistura de young adult com sick-lit bastante interessante. A narrativa é dividida, e acompanha certos momentos a perspectiva de Solomon, e em outros a de Lisa. Para completar o time, ainda temos Clark, o namorado de Lisa, que acaba se tornando super amigo de Sol, criando um triângulo com diversas possibilidades, possibilidades essas que são questionadas bastante no decorrer da obra.

– Meu Deus, você fala como se eu fosse uma trapaceira. Quero ajudar o Solomon. Faz tempo. Você se lembra! Agora estou conseguindo fazer isso, e ainda por cima, como resultado, irei ajudar muito mais gente. Qual o problema disso, Janis?
Pág. 133

Como já disse, acho a escrita de Whaley muito boa e gostosa de se ler. O fato dos capítulos serem curtinhos e as personagens carismáticas, faz com que a leitura seja bem rápida. Outro fator super importante da obra é o trabalho com temas delicados e sérios, feitos de uma forma despretensiosa e bem acessíveis. 

O livro não chega a ser maravilhoso, mas cumpre o que promete: é divertido, com suas parcelas de romance e de debates, sem cair na mesmice. “Comportamento Altamente Ilógico” também conta com uma edição bem bonita, e por sinal, Auri fez o Capas pelo Mundo desse mês mostrando as diferentes capas do livro ao redor do mundo, vale a pena conferir. Acho que quem ler, irá se deliciar com Solomon e seus amigos, e estou curioso para continuar acompanhando a carreira do talentoso John Corey Whaley. 

– Não tem como fugir disso.
– Do quê?
– Da vida.
Pág. 201

Saraiva | Fnac | Livraria Cultura
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21 julho, 2017


[Capas pelo Mundo] Comportamento Altamente Ilógico


Olá leitores do DTuP! O Capas pelo Mundo do mês de julho é um livro publicado pela Rocco Jovens Leitores e sugestão de Tácio. Nosso querido Tácio leu o livro de John Corey Whaley e em breve tem resenha aqui no blog \o/\o/ Fiquem ligados em nossas redes sociais para não perder essa resenha. Vou dar uma prévia do livro através das capas de outros países e o curioso é que existem - até agora - seis artes para a obra de Whaley e se trata de um livro recente. O livro chegou ao Brasil praticamente um ano após o lançamento nos EUA e estava na lista de lançamentos da Rocco do mês passado. 
Um garoto de 16 anos tímido e retraído que sofre de agorafobia (transtorno de ansiedade que leva a pessoa a evitar locais que não considera seguros); uma menina ambiciosa e realista que sonha em entrar para a faculdade de psicologia. Determinada a provar que merece ser aceita no segundo melhor curso do país, Lisa se aproxima de Solomon para ajudá-lo a superar suas dificuldades, trazendo também seu encantador namorado, Clark, para próximo de sua “cobaia”. Logo, os três formam laços inesperados de amizade. À medida que se conhecem melhor, porém, os planos de Lisa começam a sair de controle, e cada um deles é obrigado a rever suas certezas e encarar seus medos. Será que Sol, Lisa e Clark conseguirão encontrar novos arranjos em suas vidas, servindo de apoio um ao outro na difícil tarefa de encarar a vida adulta que se aproxima?

Hora das capas!

Capas norte-americanas

Adorei a segunda capa norte-americana, as cores, a fonte escolhida, tudo casou perfeitamente. A primeira ficou um pouco esquisita.

Brasil e Inglaterra

A capa escolhida pela Rocco segue a mesma linha da capa inglesa e é a minha preferida. Brasil tem acertado para caramba nas capas, artes bem feitas, os profissionais tem arrasado muito! Ultimamente as minhas capas preferidas são daqui.

  Espanha e Hungria
Rússia

As três capas acima seguem a mesma linha da segunda capa norte-americana.

 Bulgária e França
Portugal

Essas três capas não me agradaram muito e se fosse para julgar um livro pela capa - sei que é errado - provavelmente não compraria o livro. Todos nós que somos leitores ávidos sabemos que não podemos fazer julgamentos apenas pela capa, mas, dentro de uma livraria, aquela capa maravilhosa e bem feita é a que chama nossa atenção, não é verdade?! 

Quero saber de vocês quais capas mais gostaram! 



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27 junho, 2017


[Resenha] A Mulher que Matou os Peixes - Clarice Lispector

Ficha Técnica

Título: A Mulher que Matou os Peixes
Autor: Clarice Lispector
ISBN: 978-85-325-0814-6
Páginas: 32
Ano: 1968
Ilustração: Flor Opazo
Editora: Rocco Jovens Leitores

"A mulher que matou os peixes infelizmente sou eu." Clarice Lispector começa confessando o "crime" que cometeu sem querer. E para explicar como tudo aconteceu, ela escreveu uma história de compreensão e afeto, contando sobre todos os bichos de estimação que já viveram em sua casa. Os que vieram sem ser convidados e foram ficando, e os que ela escolheu para criar, e que foram muitos: uma lagartixa que comia os mosquitos e mantinha limpa a sua casa, cachorros brincalhões, uma gata curiosa, um miquinho esperto, vários coelhos... Antes de mais nada, ela explica que sempre foi alguém que gosta de animais, de crianças e também de gente grande. Todos os bichos que aparecem em seus livros fizeram, em algum momento, parte de sua vida. Nada mais natural, então, do que contar simplesmente o que aconteceu com cada um deles. Por isto mesmo, estas histórias são narradas de modo coloquial e muito próximo do cotidiano infantil. Mesmo quando ela fala sobre dor e perda, quando explica que, às vezes, as coisas acontecem diferente da maneira que queremos. Clarice mostra, em A mulher que matou os peixes, que além de conhecer muito de perto o universo infantil, é alguém que sabe conversar com crianças com extrema sensibilidade. Ela trata os sentimentos com toda a delicadeza e fala direto ao coração.

Resenha

“A Mulher que Matou os Peixes” é uma obra infantil escrita pela talentosa Clarice Lispector, a qual dispensa apresentações. Com muita delicadeza, sinceridade e riqueza, Clarice narra um conto sobre perdas e culpas, utilizando os animais para traçar a jornada de uma mãe que sem querer, matou os peixinhos do filho.
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"Voltando aos coelhos, tem gente que come coelho. Eu não tenho coragem porque é como se eu comesse um amigo."
Iniciando o livro com a confissão do “crime”, Clarice dá ponta pé a uma história envolvente sobre a relação dos seres-humanos com os animais (em sua maioria os domésticos), desde os mais pequenos como baratas, até os maiores, como no caso dos macacos, cachorros e gatos. Tudo isso com um ar bastante pessoal da autora, que narra seu envolvimento direto com esses animais no decorrer de sua vida, buscando através de tal revelação, o perdão de seus leitores por tamanho descuido.

Publicado no final da década de 60, mais precisamente em 1968, “A Mulher que Matou os Peixes”, apesar de ser voltado para o público jovem, se prova uma obra muito detalhista e de tom linguístico rico. Clarice consegue conversar muito bem com os pequeninos, sem deixar de lado sua marca narrativa, o que acaba criando um conto recheado de nuances.
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"Bem, agora descansem um pouco porque vou contar uma história tão terrível que até parece filme de mocinho e bandidos. É uma história de amor e ódio misturados num só coração."
Essa edição recentemente publicada pelo selo Rocco Jovens Leitores traz um aditivo especial: ilustrações de Flor Opazo, a neta de Clarice. Utilizando de técnicas de corte e colagem e com tons de cores bastante chamativos como amarelo, laranja e verde.

“A Mulher que Matou os Peixes” é um livro infantil gosto de se ler, e que com certeza aborda questionamentos pertinentes, tanto para os mais jovens, como para os adultos também. A escrita é toda construída em tom de confissão, mas também carrega bons ensinamentos, como o poder da amizade e do perdão. Sem dúvidas mais uma grande obra de Lispector, que, camaleoa que foi, conseguiu permear suscetivelmente por diferentes públicos.
"Bom, depois de contar uma história um pouco triste sobre a saudade da periquita, quero ficar alegre e alegrar vocês com outra história."
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21 junho, 2017


[Resenha] Quando Tudo Faz Sentido - Amy Zhang

Ficha Técnica

Título: Quando Tudo Faz Sentido
Título Original: Falling Into Place
Autor: Amy Zhang
ISBN: 978-85-7980-342-0
Páginas: 319
Ano: 2017
Tradutor: Joana Faro
Editora: Rocco Jovens Leitores

Liz Emmerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentaria tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang, que nasceu na China e mora no estado de Nova York, aborda temas como abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente que vai arrebatar os fãs de obras como As vantagens de ser invisível, Nuvens de Ketchup e Meu coração e outros buracos negros, entre outros. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro – que prende também pelo mistério se a protagonista vai ou não sobreviver (e que só é revelado no final) – mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera.

Resenha

Liz Emerson está imersa em um grande frenesi de sentimentos, estes que acabam lhe ajudando a tomar uma complicada decisão. Apesar de toda sua popularidade na escola, das suas queridas amizades e de seus relacionamentos amorosos, Liz se sente vazia, e por isso ela decide simular um acidente de carro, para desta forma, fazer com que as pessoas acreditem que foi somente um fatídico evento ao acaso, afinal, a popular Liz Emerson jamais poderia estar relacionada com a palavra “suicídio”.


Após colocar seu plano em prática, iremos descobrir que nem tudo saiu como esperado, pois Liam, um colega de escola de Liz, presencia todo o acidente e chama a polícia para socorrê-la. Daí em diante, iremos acompanhar eventos passados que explicam o motivo de Liz tomar a decisão que tomou, enquanto passagens do presente mostrarão as reações das pessoas de seu ciclo social que foram afetadas por sua escolha.
Ela odeia todos eles.
Por sorrirem. Por rirem. Por estarem bem, despreocupados e felizes enquanto Liz está no hospital com um pulmão perfurado, uma perna quebrada, uma das mãos despedaçada e ferimentos demais para contar. Ninguém deveria estar feliz. O sol não deveria ter permissão de brilhar. O mundo inteiro deveria parar por Liz Emerson.
P. 113 
“Quando Tudo Faz Sentido” é um young adult escrito pela autora chinesa Amy Zhang. Na obra, Zhang aborda temas delicados, como aborto e suicídio, ambientados em um universo juvenil. A história é contada através de um narrador, o que permite o leitor passear pelos diferentes momentos temporais e também por diversos núcleos de personagens.

Terei que ser sincero e dizer que o livro começou muito intrigante, porém foi se perdendo com o decorrer dos capítulos, e virou uma grande decepção. A falta de um personagem carismático e que conduza os eventos, é um dos piores problemas da obra, pois apesar de estarmos acompanhando o destino de Liz, ela acaba se tornando somente mais uma personagem, sem conseguir se destacar como supostamente deveria.
Liz Emerson olhou em volta e viu que as leis não precisavam ser seguidas se fosse possível sair incólume ao desobedecer-lhes. Viu que a neve não era sempre bonita. Viu que o passado estava morto e o futuro não prometia nada. Quando encostou a cabeça ao volante e fechou os olhos, as lágrimas vieram e ela realmente desejou nunca mais abri-los.
P.175 
O fato de existir uma pretensão de um romance entre Liz e Liam também é muito perturbador, pois a todo momento, Liam se mostra presente para Liz, porém ambos não trocam uma palavra se quer em mais de 300 páginas. Isso acaba tornando toda a intenção de um possível relacionamento, em uma grande perda de tempo, porque não há um verdadeiro desdobramento, seja ele para o bem ou para o mal.

Levando em conta que romance não é o foco principal da obra, deixarei o ponto anterior de lado para discutirmos algo mais importante na minha opinião. Ao meu ver, o gancho mais intrigante do livro é descobrir se Liz sobreviveu ou não ao acidente, e isso só iremos saber de fato na última página. Dito isto, aponto que o livro tenta criar um desenvolvimento complexo ao buscar justificar a escolha de Liz, ocorrência que é posta por terra ao chegarmos na última página sem nunca sabermos como realmente sua escolha afetou as pessoas, e principalmente a si mesma. Se ela ficou viva, termina ali… se ela morreu, também. Sem mais explicações sobre tudo que foi construído por mais de 80 capítulos. Simplesmente o fim.
Aceleração. Não havia unidade que pudesse medir de forma exata a velocidade, a energia potencial e cinética, da fofoca, que fazia o som parecer uma tartaruga. Fazia a luz parecer a avó aleijada de Kennie. Havia um estranho vício no ato de espalhar um boato, em apreciar a dor de outra pessoa. Ninguém conseguia resistir.
P. 214 
Fiquei triste com o desenrolar de “Quando Tudo Faz Sentido”, pois o início da obra é muito interessante e envolvente, sem contar que a ideia de trabalhar as leis de movimento criadas por Newton para enriquecer a escrita, é bem legal. Ponto positivo disso tudo, é que os capítulos são super curtinhos, o que acaba agilizando a leitura.

Com uma bela capa em efeito metálico fosco – vale destacar que o papel em que o livro foi impresso é muito fininho, lembrando os dos pocket de banca de revista –, e uma sinopse super chamativa, tenho certeza que muitos se interessarão por conferir a obra. Ela não é de todo ruim, porém faltou um melhor desenvolvimento e uma conclusão decente para uma ideia tão rica, atual e necessária de se debater.
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