06 outubro, 2023


[Resenha] Um Favorzinho do Vizinho - Kristina Forest

Ficha Técnica 

Título: Um Favorzinho do Vizinho
Título Original: The Neighbor Favor
Autor: Kristina Forest
ISBN: 978-85-0130-671-5
Páginas: 336
Ano: 2023
Tradutor:  Dandara Morena
Editora: Verus
E se você se apaixonasse pelo seu autor favorito, mesmo sem nunca ter visto o rosto dele? E se — ainda sem saber sua identidade — ele se tornasse seu vizinho? Um Favorzinho do Vizinho é uma história envolvente e divertida sobre autoconfiança e se permitir ser amado.
Lily Greene acredita ter muitos motivos para se sentir fracassada: detesta seu trabalho, nunca consegue o emprego dos sonhos e vai a encontros com caras insuportáveis. Desanimada, Lily envia um e-mail para seu autor de fantasia favorito, N. R. Strickland, sem esperança de ser notada… até que ele responde. Da troca de e-mails nasce uma conexão íntima, porém, sem nenhuma explicação, Strickland simplesmente deixa de responder.
Com o coração partido por alguém que nunca viu, Lily decide mudar o rumo de sua vida. Para começar, ela precisa de um acompanhante para o casamento de uma de suas irmãs. E tem certeza de que a pessoa perfeita para ajudá-la na missão é Nick Brown, o vizinho gato, simpático e ótimo conselheiro — e por quem ela sente uma atração inegável. Contudo, após conversar com a tímida vizinha, Nick percebe que os dois já se conheceram antes, porque ele… bom, ele é N. R. Strickland.
Dividido entre a atração que sente pela vizinha e o impulso de se afastar, Nick aceita ajudá-la. Mas esse favorzinho do vizinho pode ser o mais complicado de todos — sobretudo porque Nick não consegue tirar Lily da cabeça.
Lily e Nick vão descobrir que o amor pode estar mais perto do que imaginam. Mas serão capazes de deixar as inseguranças de lado?

Resenha


Ai, que delícia conhecer novos autores, novas narrativas, não é mesmo? Em Um Favorzinho do Vizinho, nós conhecemos Lily Greene, uma jovem de vinte e cinco anos que tem o sonho de trabalhar editando livros infantis, mas, até que ela consiga alcançar esse objetivo, ela é assistente da intragável e temida Edith Pearson, que é vice-presidente e editora da Edith Pearson Books na Mitchell & Milton Inc. Lá ela cuida mais dos livros de Edith e são livros que não tem absolutamente nada a ver com o que ela quer trabalhar, no entanto, as contas não se pagam sozinhas, né? Morar em Nova Iorque não é barato, mesmo que ela divida um apartamento minúsculo no Brooklyn e que sua colega de teto e o cachorro dela aparentemente não saibam compartilhar o espaço com Lily e Tomcat, e por isso ela passa a maior parte do tempo em casa trancada em seu quarto.

Como se isso fosse pouco, as irmãs mais velhas de Lily são muito bem-sucedidas: Iris, que é viúva e é a mais velha, é diretora de parcerias de uma startup de uma marca de beleza e mora em Nova Jérsei com a filha no mesmo que os pais dela. Violet, a irmã do meio, é estilista de celebridades e mora em Union Square, Manhattan, mas estava sempre viajando por causa do trabalho. Elas se amam muito e têm uma relação incrível, mas tanto Iris quanto Violet vivem tentando marcar encontros para Lily, o problema é que os caras nunca são compatíveis com ela: os caras que Violet consegue sempre queriam sair com ela (mas ela nunca quer) e os de Iris são sempre da área financeira e não entendem o jeito de humanas de Lily. Entretanto, ela não consegue dizer não. Assim como não consegue dizer não para a mãe, que vira e mexe empurra ela para workshops para mudança de carreiras, para que ela migre para algo que dê mais dinheiro, estabilidade, ou algo similar. Tudo que Lily não procura.

O ideal mesmo seria ela conseguir um emprego em alguma editora infantil e conseguir um encontro por conta própria. Mundo dos sonhos. Seria possível?

Talvez a sorte lhe sorria um pouco…

o livro favorito de Lily é Os elfos de Ceradon, que ela descobriu quando trabalhava em um sebo, quando descobriu que gostaria de trabalhar com livros infantis. Infelizmente nunca descobriu nada sobre o autor, N. R. Strickland, apenas a curta biografia dele no livro, um autor britânico que tinha publicado um livro de fantasia com um clã de elfos negros e aparentemente apenas ela conhecia aquele livro. Afinal, a Labyrinth Press logo faliu e os livros pararam de circular. Entretanto, estando presa no metrô em uma tarde absurdamente quente ela decidiu fazer algo que não fazia há algum tempo: pesquisar sobre o autor na internet. E não é que agora ele tem um site com um campo para contato? Ela não poderia perder essa chance!

Nick Brown tem vinte e sete anos e, ao escrever Os elfos de Ceradon cinco anos atrás, quando estava na faculdade, ele não imaginava que assinaria o contrato com uma editora que confiaria no seu trabalho, mas que logo iria à falência. Por um lado, ter usado um pseudônimo (por razões que apenas ao ler poderemos entender de verdade — e, olha, acho que eu faria o mesmo) pode ter sido um bom subterfúgio, afinal, tirando seu amigo Marcus — que também é seu agente e insiste que seu livro merece uma nova chance — ninguém cobra que ele escreva uma continuação da história. Bem, ninguém cobrava até o e-mail que ele recebeu de Lily.

Nick passa a trocar e-mails com Lily, mas não revela seu verdadeiro nome, no entanto fica evidente pelos meses que se passam que a relação entre eles evolui bastante e, mesmo que ela more nos Estados Unidos e ele esteja a cada momento em uma parte do mundo escrevendo para a sua coluna na World Traveler, a conexão é profunda. Até que ele some.

O problema é que Nick sabe que não pode continuar com a mentira que vinha contando para Lily. Ele não é britânico, ele é da Carolina do Norte. E agora Marcus conseguiu que seu livro foi contratado por uma editora estadunidense e o convenceu a se mudar para lá. É assim que, o destino fez com que Nick se tornasse vizinho de Lily, porque ela está morando em Union Square, no sofá de Violet.

Mas quando ela imaginaria que o vizinho muito gato que ela vê direto — principalmente agora que um elevador está quebrado — é seu autor favorito? Não dá para imaginar isso, né? Mas certamente ele será a pessoa certa para ajudá-la em uma missão: conseguir um par para o noivado de Violet, agora que viu como ele ajudou o outro vizinho do prédio, Henry, a se sentir mais confiante a chamar Yolanda para sair. Sem dúvida ele é o cara certo para isso.

Enquanto a gente avança na história, dá aquele desespero de saber em qual momento e quem irá descobrir primeiro quem eles são. E, quando o primeiro descobre, fica aquele aperto no coração de saber como o outro vai reagir quando descobrir. Ai, gente! Que delícia! Eu amei mesmo essa história. E fiquei muito feliz de ver ambos crescerem, superarem seus medos com a ajuda um do outro e de aceitarem que precisam de ajuda externa também. De expor suas opiniões depois de engoliram tantos sapos.

Ah, um adendo, fiquei feliz também em saber que Violet ganhará um livro no próximo ano, The Partner Plot, espero que venha para cá também. Espero que Iris também ganhe um, hein, Kristina?!🤎


P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
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18 fevereiro, 2017


[Resenha] O Pássaro Noturno - Alice Hoffman

Ficha Técnica

Título: O Pássaro Noturno
Título Original: Nightbird
Autor: Alice Hoffman
ISBN: 978-85-286-2079-5
Páginas: 176
Ano: 2016
Tradutor: Ludimila Hashimoto
Editora: Bertrand Brasil
Somente uma amizade verdadeira pode quebrar uma antiga maldição. Quando você acha que sabe o que vai acontecer, o mundo te surpreende. Isso é especialmente verdadeiro em uma cidadezinha no Massachusetts que, segundo os rumores, é o lar de um monstro. Por causa de um segredo de família, a jovem Twig tenta ao máximo ser invisível, mas quando duas meninas, Julia e Agate, se mudam para o chalé ao lado da sua casa, tudo muda. Uma bruxa morou lá, e Twig sempre foi proibida de entrar naquele lugar. Mas Julia pode ser sua primeira amiga de verdade e aliada no plano para quebrar a antiga maldição. Nessa fascinante história, amizade e amor são verdadeiramente mágicos.

Resenha


Há muitos anos existe na cidade de Sidwell, um burburinho sobre um monstro que vive pelas redondezas, mas, poucas pessoas sabem que essa lenda começou por causa de um coração partido. Tal mistério nos leva até Twig, uma jovem menina que mora em Sidwell, mas que precisa ser o mais invisível possível. Isso se deve a um grande segredo que ela e sua mãe guardam a sete chaves, e que tem relação direta com as especulações da existência de um monstro.

Vivendo de uma forma solitária, sob as sombras dos outros e em constante silêncio para que praticamente ninguém lhe note, Twig colocará em risco o maior segredo de sua família – e de Sidwell também. Com a chegada das novas vizinhas – Julia e Agate – à cidade, Twig saberá pela primeira vez na vida como é ter uma amiga e a sensação de não ser invisível. Mas, sabendo que a delicada amizade poderá trazer sérios problemas, Twig precisará encontrar uma solução, antes que o tal monstro seja mais do que uma lenda, e venha devorar sua doce e nova liberdade.
Há boatos de que uma criatura misteriosa mora em nossa cidade. Algumas pessoas insistem que é um pássaro maior que uma águia. Outros dizem que é um dragão, ou um morcego enorme que parece uma pessoa. Esse ser, com certeza, humano, animal ou meio-termo, não existe em nenhum outro lugar deste mundo.
P. 07 
“O Pássaro Noturno” é uma obra infanto-juvenil deliciosa de se ler. Com uma história gostosa e intrigante, além de personagens carismáticos, a boa escrita da talentosa autora Alice Hoffman complementa e enriquece esse livro com ares de fábula, garantindo que as menos de 200 páginas sejam devoradas quase que instantaneamente.

A narração do livro fica a cargo da Twig, que é uma menininha muito inteligente, e que apesar das limitações sociais e dúvidas pessoais que sofre, se mostra bastante forte e decidida perante as dificuldades que lhe afligem. A amizade que nasce entre Twig e Julia é muito pura, e apesar da simplicidade, demonstra certo âmago, levando principalmente em conta a idade jovem de ambas. 
Era de se pensar que, após duzentos anos, uma maldição enfraqueceria e finalmente começaria a perder o efeito, como tinta num papel velho. Mas não era esse o caso.
P. 57 
A edição do livro é muito boa também. As páginas em tom creme são grossas, os inícios de capítulos são enfeitados com o desenho de uma pena – referência óbvia ao título da obra –, e além da belíssima e mágica arte de capa, contamos ainda com uma receita de torta de maçã cor-de-rosa ao final, prato que é especialidade da mãe de Twig, e uma dos grandes sucessos culinários da cidade de Sidwell.

Ao ler o livro, senti uma súbita vontade de reassistir “Da Magia à Sedução” (1998), filme com ares de Sessão da Tarde com as talentosas Sandra Bullock e Nicole Kidman no elenco, e que apesar de acreditar que poucas pessoas o conheçam ou até mesmo gostem dele, sempre me trouxe grande encanto por muitos motivos, dentre eles a temática de magia. Grande surpresa foi ao terminar o livro, e ler na orelha do mesmo, que Alice Hoffman, autora deste que vos resenho, é nada mais nada menos que a escritora do romance que inspirou “Da Magia à Sedução”. Bruxaria? Não tenho dúvidas.


Para os amantes de uma boa fantasia, “O Pássaro Noturno” é uma pedida agradável. Mesmo sendo voltado para um público mais jovem, fui fisgado completamente pela obra, e não posso deixar de indicá-la. Com certa poesia e beleza na narrativa, e um leve toque de mistério e magia no enredo, a obra de Hoffman foi um deleite de apreciar.

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20 janeiro, 2017


[Resenha] Quando Eu Parti - Gayle Forman

Ficha Técnica

Título: Quando Eu Parti
Título Original: Leave Me
Autor: Gayle Forman
ISBN: 978-85-01-10765-7
Páginas: 305
Ano: 2016
Tradutor: Ryta Vinagre
Editora: Record
Quando um coração falha, não é apenas o corpo que trai. Mas sonhos desfeitos, amores não vividos, destinos cruzados. Maribeth Klein tem a própria cota de problemas: do marido omisso até a chefe e ”ex-amiga” Elizabeth, passando pelos gêmeos superativos. Ela está sempre tão ocupada que mal percebe um ataque cardíaco. Depois de uma complicação inesperada no procedimento cirúrgico, Maribeth começa a questionar os rumos que sua vida tomou e faz o impensável: vai embora de casa. Longe das exigências do marido, filhos e carreira, e com a ajuda de novos amigos, ela finalmente é capaz de enfrentar o passado e os segredos que guarda até de si mesma.

Resenha


Maribeth Klein tem uma vida super atribulada. Além de ter um casal de gêmeos de apenas quatro anos de idade, ela precisa cuidar das necessidades da casa – já que seu marido não lhe ajuda –, e se virar todos os dias em um escritório onde trabalha editando uma revista. Apesar do corre-corre e do pouco tempo para si mesma, Maribeth consegue dar conta do recado. Porém, sem aviso prévio, Maribeth começa a sentir umas dores no peito e um formigamento no braço, aproveitando que possuí uma consulta médica naquele mesmo dia, ela acaba descobrindo que está tendo um infarto. As coisas se complicam um pouco, e ela precisa fazer uma cirurgia de emergência. Após o susto, Maribeth percebe como dedica muito do seu tempo para os outros, e que está na hora de cuidar de si própria.
– Está tudo bem, querida – disse ela. – A bruxa morre no final. – Como se a morte fosse uma ideia reconfortante para uma criança de 4 anos.
P. 64

Gayle Forman já é conhecida por muitos, autora best-seller do sucesso juvenil “Se Eu Ficar”, “Quando Eu Parti” é seu primeiro romance adulto. Diferentemente de suas outras obras, neste exemplar iremos nos deparar com uma personagem principal já adulta, em seus 40 anos, mãe de família e trabalhadora. Escapando totalmente das raízes adolescentes que lhe consagraram, Gayle consegue criar uma obra de nuances, mas que talvez não seja suficientemente memorável para alcançar os elogios que sua jornada no mundo YA lhe rendeu. Maribeth é uma boa personagem, riquíssima, diga-se de passagem. Ela não poderia ser mais atual e normal, sendo assim o retrato da mulher moderna; que têm filhos, cuida da casa e ao mesmo tempo trabalha, e que muitas vezes não tem oportunidade de se priorizar. O escapismo utilizado por Maribeth é um pouco extremo: ela abandona a casa, os filhos e o marido deixando somente um bilhete. Essa atitude faz com que o leitor provavelmente questione muitas vezes sua simpatia por Maribeth, porém a própria personagem constantemente julga-se e compreende o peso de suas escolhas, todas em prol de um objetivo maior: se curar, de dentro pra fora, para que possa mais uma vez ocupar a posição que tinha em seu núcleo familiar e social como um todo.
– Sabe o que não consigo parar de me perguntar? – indagou ela. – O quê?
– O que teria acontecido se eu já não tivesse uma consulta médica naquele dia? Teria simplesmente continuado a tomar sorvete alegremente e, depois, infartaria mais uma vez e cairia morta?
P. 110

A escrita de Forman é muito boa, e a narrativa fica a cargo e um narrador em terceira pessoa. Os capítulos são relativamente curtos – no total são 72 –, dando fluidez à história, que além da carga dramática, acha um espaço também para o famoso romance, não que este seja o principal foco da obra. A capa também é muito bonita, e sua simplicidade representa bastante o conteúdo do livro, que apesar de ter reviravoltas e dramaticidade, ao mesmo tempo possui um ar despretensioso. O grande problema de “Quando Eu Parti” é que nada nele marca. O livro não é ruim, a escrita não é ruim, as personagens não são ruins… Porém, nada disso é suficiente para torná-lo excelente ou até mesmo memorável. Após terminar a leitura, esse universo fica ali, preso dentro das páginas. Não sei o que poderia ter sido feito, para essa sensação ser diferente, pois como disse, a obra é bastante redondinha e cumpre com o que promete.
Maribeth entendia que merecia sua raiva. Não queria sair pela tangente. Não buscava perdão nem absolvição. Só queria saber em que pé a coisa andava. Ao menos uma vez, saber onde realmente estava. P. 210

Não sendo nem de longe a melhor obra de Gayle Forman, “Quando Eu Parti” é um bom início para uma autora já consagrada que busca novas aventuras em suas empreitadas literárias. Não tenho dúvidas que com o tempo, Forman conseguirá achar a fórmula certa para atingir seu novo público, assim como já encontrou e mostrou talento, ao escrever para os mais jovens.

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06 dezembro, 2016


[Resenha] Suzy e as Águas-vivas - Ali Benjamin

Ficha Técnica

Título: Suzy e as Águas-vivas
Título Original: The Thing About Jellyfish
Autor: Ali Benjamin
ISBN: 978-85-7686-537-7
Páginas: 222
Ano: 2016
Tradutor: Cecília Camargo Bartalotti
Editora: Galera Record

Sinopse

Às vezes, quando nos sentimos mais solitários, o mundo decide se abrir de formas mágicas. Suzy Swanson está quase certa do real motivo da morte de Franny Jackson. Todos dizem que não há como ter certeza, que algumas coisas simplesmente acontecem. Mas Suzy sabe que deve haver uma explicação — uma explicação científica — para que Franny tenha se afogado. Assombrada pela perda de sua ex-melhor amiga — e pelo momento final e terrível entre elas —, Suzy se refugia no mundo silencioso de sua imaginação. Convencida de que a morte de Franny foi causada pela ferroada de uma água-viva, ela cria um plano para provar a verdade, mesmo que isso signifique viajar ao outro lado do mundo... sozinha. Enquanto se prepara, Suzy descobre coisas surpreendentes sobre o universo — e encontra amor e esperança bem mais perto do que ela imaginava. Este romance dolorosamente sensível explora o momento crucial na vida de cada um de nós, quando percebemos pela primeira vez que nem todas as histórias têm final feliz... mas que novas aventuras estão esperando para florescer, às vezes bem à nossa frente.

Resenha

A melhor amiga de Suzy Swanson, Franny Jackson, faleceu durante as férias de verão, e mesmo que as duas não estivessem no melhor momento da amizade, Suzy sente bastante a perda. Sem conseguir aceitar muito bem a situação, a jovem, durante um passeio ao aquário, começa a acreditar que Franny morreu devido ao ataque de águas-vivas. Inicia-se assim, uma intensa pesquisa por parte de Suzy, para poder coletar provas que confirmem sua teoria. Para isto, a menina está decidida a enfrentar seus medos e seus limites, inclusive cruzar o globo para encontrar evidências de profissionais, que poderão validar suas suspeitas. Com muita poesia e delicadeza, “Suzy e as Águas-Vivas” é um livro sobre perdas, mas também sobre descobertas.
Se as pessoas ficassem em silêncio, poderiam ouvir melhor o barulho de sua própria vida. Se as pessoas ficassem em silêncio, o que elas falassem, quando escolhessem falar, se tornaria mais importante. Se as pessoas ficassem em silêncio, poderiam ler os sinais umas das outras, do modo como criaturas submarinas piscam luzes entre si, ou fazem sua pele assumir diferentes cores.
P. 92
Com uma narrativa deliciosa, que mescla passado e presente, a autora Ali Benjamin escreve uma obra bastante contemporânea e rica, sem necessariamente precisar extrapolar. Finalista do National Book Award, “Suzy e as Águas-Vivas” prova-se uma obra merecedora dos melhores prêmios da literatura, tanto por sua boa escrita, mas principalmente por sua ousadia em tratar da morte de uma forma tão poética, tudo isto voltado para um público infanto-juvenil.
A personagem principal, Suzy, é super gostosa de acompanhar; seja por sua natureza distinta, ou por seu carisma instantâneo. O legal de Suzy, é que após a morte de sua amiga, ela se retrai e começa a parar de falar, desta forma durante o livro é super raro encontrarmos diálogos, principalmente vindos dela. Poder acompanhar uma história construída principalmente na base da narrativa é sensacional. Mergulhar na cabecinha de Suzy, foi uma experiência muito prazerosa, pois apesar da pouca idade, a personagem principal criada por Benjamin possui uma carga muito intensa e bem ampla, gerando uma gama de possibilidades para à narrativa.
O que você e eu entendemos, Jamie, é que ter veneno não torna uma criatura má. Veneno é uma forma de proteção.
Quanto mais frágil o animal, mais ele precisa se proteger. Portanto, quanto mais veneno uma criatura tiver, mais devemos ser capazes de perdoá-la. Elas são as que mais precisam do veneno.
P. 128
Cansada da monopolização masculina na indústria cinematográfica, a atriz premiada com Oscar de melhor Atriz, Reese Witherspoon, criou neste ano de 2016 sua própria companhia de filmes, focada em produzir longas com oportunidades voltadas principalmente para as mulheres, seja como atrizes, produtoras, roteiristas ou diretoras. Um dos primeiros projetos escolhidos pela Reese foi exatamente “Suzy e as Águas-Vivas”, ao qual a própria qualificou como uma obra “impressionante e mágica”.
O ano está no fim, e posso dizer com propriedade que “Suzy e as Águas-Vivas” foi uma das melhores leituras que fiz este ano. Com uma escrita inteligente e bastante diversificada – sem contar os diversos fatos verídicos que compõem a obra –, acredito que a autora Ali Benjamin foi bastante feliz, tanto ao criar personagens fortes como ao decidir os seus rumos, independentemente das consequências que elas irão enfrentar. Super indico para qualquer um, definitivamente uma leitura excepcional.
Esta é a coisa mais importante que aprendi com o não-falar: é muito, muito mais fácil guardar um segredo quando não usamos nenhuma palavra.
P. 169
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29 outubro, 2016


[Resenha] Doadores de Sono - Karen Russell

Ficha Técnica

Título: Doadores de Sono
Título Original: Sleep Donation
Autor: Karen Russell
ISBN: 978-85-01-10522-6
Páginas: 166
Ano: 2016
Tradutor: Cláudia Costa Guimarães
Editora: Record
42Quando pesadelos são reais, dormir é um privilégio. Uma epidemia assola os Estados Unidos. Milhares de pessoas perdem a capacidade de dormir. Conheça a Corpo do Sono, uma organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Sob o comando dos enigmáticos irmãos Storch, o alcance da Corpo do Sono só cresce, e ela já está presente nas principais cidades americanas. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando ela é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q.

Resenha


Uma sinopse instigante e que revelou uma história confusa. Doadores de sono, de Karen Russell, é um livro que promete muito em sua sinopse e atende pouco na história. Narrado por Trish, uma mulher que perdeu a irmã mais velha para a insônia letal. Na obra, a insônia é um mal que mata centenas de pessoas e que não pode ser controlada por medicamentos. Pela falta de sono/descanso, o corpo dos insones não aguenta o longo período sem repouso. 

GER_SELO_PARCEIROS_2016_GERCom a tragédia familiar, Trish decide entrar para o Corpo do Sono, uma empresa que incentiva e armazena o "bom sono" das pessoas saudáveis para repassar para aquelas que não conseguem dormir. A protagonista tem como função convencer os possíveis doadores, sempre contando a história de como sua irmã morreu pela falta de sono tranquilo. Sua irmã Dori era o seu "trunfo" para o convencimento. A coleta se dava por duas formas: doadores se dirigiam ao centro de doações ou uma van era enviada a cada do doador. Doadores estes que respondiam um inteso e imenso questionário. O sono é coletado através de um equipamento especial e, após a coleta, é tratado e distribuído para quem sofre o mal da insônia. 

Além de Trish, narradora da história, duas personagens tem um grau de importância para o desenrolar da narrativa. Bebê A, doadora universal, que tem um sono muito bom e é explorada pela Corpo do Sono. A exploração fica tão evidente que seu pai começa a se questionar sobre as interferências causadas na vida de sua filha e coloca em risco a doação do "bom sono" da bebê. E a outra personagem é o Doador Q, que se se tornou famoso após doar seu sono contaminado e provocou danos a vida dos que receberam esse "sono ruim". Com este fato a credibilidade da empresa foi colocada a prova. Trish precisa lidar com esse inconveniente que é o Doador Q, precisa continuar na tarefa de incentivar os doadores de sono e fazer com que a Bebê A não deixe de ser a principal doadora de sono. O sono do bebê é tão poderoso que neutraliza os efeitos dos pesadelos causados pelo sono do Doador Q. 

A história lhe pareceu confusa e sem um objetivo definido? Pois foi exatamente isso que me pareceu. Um livro com capítulos curtos, que na maioria das vezes ajuda a história fluir, no caso de Doadores de Sono deixou brechas e questionamentos. Uma obra com menos de 200 páginas e que dá para ser lida em um dia, mas que apresentou alguns problemas para a compreensão da história. A premissa do livro de Karen é empolgante, tão empolgante que dá muita vontade de conferir o desenvolvimento da narrativa. Mas quando chega o momento dessa expectativa ser atendida, deixa muito a desejar. Diversas questões em aberto e um desenvolvimento raso, a mistura de alguns fatos deixou o livro extremamente confuso. Um exemplo da não clareza é de como se dá a distribuição do sono doado. Tudo muito solto, falta explicação para fatos importantes da história, autora não se aprofunda nos detalhes que poderiam enriquecer o seu livro e tornar a narrativa tão atraente quanto foi a sua sinopse. 

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24 outubro, 2016


[Resenha] Belo Sacrifício - Jamie McGuire

Ficha Técnica

Título: Bela Redenção
Título Original: Beautiful Sacrifice
Autor: Jamie McGuire
ISBN: 978-85-7686-503-2
Páginas: 293
Ano: 2016
Tradutor: Cláudia Mello Belhassof
Editora: Verus
68Falyn Fairchild abandonou seu carro, seus estudos e até seus pais. Filha do próximo governador do Colorado, ela está de volta à sua cidade natal, falida e trabalhando como garçonete em um café. Ao fim de cada turno, ela guarda o que recebeu, esperando um dia ter o suficiente para comprar uma passagem para o único lugar onde pode encontrar redenção: Eakins, Illinois. No instante em que Taylor Maddox entra no café, Falyn sabe que ele trará problemas. Taylor é charmoso, não cumpre promessas e é lindo mesmo coberto de fuligem, fazendo dele tudo o que Falyn acredita que um bombeiro de sucesso deve ser. Mas ela não está interessada em se tornar mais uma em sua lista — e, para um dos Maddox, uma garota desinteressada é o desafio mais atraente de todos.

Resenha


Essa resenha pode conter spoilers dos livros anteriores da série
Então aqui estamos com o terceiro livro da série "Irmãos Maddox". Para quem já acompanha a autora sabe que, após o sucesso de Travis Maddox em Belo Desastre ela trouxe os livros Desastre Iminente e Belo Casamento e logo depois trouxe a série com os irmãos mais velhos de Travis. Bela Distração apresentou o querido Trenton e a Cami e Bela Redenção o maravilhoso Thomas Maddox e a Liis. Agora chegou a vez de um dos gêmeos: Taylor.

Taylor Maddox é integrante da Equipe Alpina de Bombeiros da Guarda Florestal dos Estados Unidos, considerada uma equipe de elite, com base em Estes Park, mas que sempre está se deslocando para onde são necessários. Com os constantes incêndios em Colorado Springs, é lá que ele e sua equipe estão alocados no momento. A cidade já está acostumada com esses homens que vêm e vão quando são necessários, homens que estão apenas temporariamente na cidade. Para Falyn, que sempre viveu na pequena cidade, isso é muito comum, e as mulheres devem se proteger desses homens, que deixam as mulheres sozinhas e grávidas sempre que vão embora da cidade.

Há cinco anos Falyn Fairchild deixou a faculdade comunitária de Dartmouth, a suntuosa casa dos pais e a vida de luxo e regras que tinha para viver e trabalhar no Bucksaw Café. Com o apoio de Phaedra e Chuck - os proprietários do café - ela trabalha como garçonete e pode viver no loft acima do estabelecimento pagando um preço irrisório. Logo na primeira cena dos pais dela, dá para entender perfeitamente porque ela deixou tudo para trás, eles pensam apenas nas aparências. William e Blaire são médicos e queriam que a única filha seguisse o mesmo caminho. Além disso ele é ex-prefeito da cidade e em breve será candidato ao governo do estado, o que pede uma família exemplar, no mínimo.

Ainda que possamos perceber a hostilidade na relação entre eles, os segredos são muito mais sombrios e a única coisa que sabemos é que, desde que passou a trabalhar, o objetivo de Falyn é juntar dinheiro para ir à Eakins, Illinois. O que ela não poderia imaginar era Thomas, era da mesma cidade para onde ela quer ir.

Desde que reparou em Falyn no Bucksaw Café Thomas ficou muito interessado nela, e quanto mais ela dizia não, mas se tornava um desafio tentador para ele.
- Não acho que aquele garoto, Taylor, está procurando alguma coisa fácil. Pelo contrário. Acho que ele sabe que já encontrou.
- O que isso quer dizer? - perguntei.
- Significa que é melhor se acostumar. Caras como ele não desistem facilmente quando encontram uma garota como você.
P. 44
Taylor é muito teimoso e graças a alguns momentos de sorte de estar no lugar certo na hora certa, ele foi conseguindo se aproximar cada vez mais de Falyn, e quanto mais ele se aproximava e ela o conhecia, mais difícil ficava resistir a ele.
Sua proteção não me tornava fraca. Só me lembrava de que eu era valorizada. Eu não era a garota inútil que vivia no reflexo dos olhos dos meus pais. Taylor era um herói, mas isso não significava que me via como vítima. Alguém que fazia você se sentir segura e forte ao mesmo tempo só podia ser uma coisa boa. Isso não era algo que uma garota como eu podia ignorar.
P. 173 
Gostei do livro como um todo, mas descobrir o segredo de Falyn partiu meu coração e só não foi maior do que um aperto que surgiu no final do livro, quando Jamie quase me destroçou completamente, sério mesmo, sei que tão cedo não preciso ir no cardiologista, depois de terminar esse livro, sei que estou bem.

Não posso deixar de falar também dos personagens que compõem esse lindo livro. Phaedra e Chuck são de uma emoção a parte, esses sim na minha humilde opinião são os verdadeiros pais de Falyn, são pessoas que se preocupam com ela como um todo. E também ainda tem os amigos Kirby, Gunnar e Pete, sempre presentes quando são necessários, ou não.

Mantendo seu padrão, Jamie continua trazendo apenas a narrativa feminina (fato que eu já disse que não curto, mas, não dá para se ter tudo na vida, não é mesmo?!) então aqui o livro é todo na perspectiva da Falyn, mas também temos o fato dos livros estarem se interligando. Adoro quando isso acontece, ver uma cena que já conheço sob outra visão, de alguém de fora.
- Vocês todos têm um pacto para ficarem em segurança, mas seu irmão caçula lutou numa luta clandestina, e você e seu irmão gêmeo combatem incêndios florestais. Thomas é o quê? Espião?
- Não, é executivo de propaganda na Califórnia. Ele tem uma personalidade tipo A, faz sempre o que deve fazer.
- Pelo menos um de vocês é.
P. 166
Curiosa demais pelo livro do Tyler, afinal é o último irmão que falta e sinceramente não sei como Jim vai reagir quando souber, se ele que ele saberá, a real profissão dos filhos, isso realmente está me preocupando, viu?! Mas só a Jamie para aplacar essa curiosidade.

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19 outubro, 2016


[Resenha] Uni-Duni-Tê - M. J. Arlidge

Ficha Técnica

Título: Uni-Duni-Tê
Título Original: Eeny Meeny
Autor: M. J. Arlidge
ISBN: 978-85-01-10526-4
Páginas: 321
Ano: 2016
Tradutor: Maurette Brandt
Editora: Record
42Um assassino está à solta. Sua mente doentia criou um jogo macabro no qual duas pessoas são submetidas a uma situação extrema: viver ou morrer. Só um deverá sobreviver. Um jovem casal acorda sem saber onde está. Amy e Sam foram dopados, capturados, presos e privados de água e comida. E não há como escapar. De repente, um celular toca com uma mensagem que diz que no chão há uma arma, carregada com uma única bala. Juntos, eles precisam decidir quem morre e quem sobrevive. Em poucos dias, outros pares de vítimas são sequestrados e confrontados com esta terrível escolha. À frente da investigação está a detetive Helen Grace, que, na tentativa de descobrir a identidade desse misterioso e cruel serial killer, é obrigada a encarar seus próprios demônios. Em uma trama violenta que traz à tona o pior da natureza humana, Grace percebe que a chave para resolver este enigma está nos sobreviventes. E ela precisa correr contra o tempo, antes que mais inocentes morram.

Resenha


Amy e Sam pegam carona em uma estrada deserta e acabam dopados pelo motorista. Horas depois, eles acordam dentro de uma piscina vazia, ao lado de um celular e uma pistola. Quando o telefone toca e Amy o atende, uma voz lhe diz que para sair viva dali, ela precisará matar o seu namorado. Este será somente o primeiro movimento de um serial killer que está à solta na cidade, e com seus joguinhos mentais, ele colocará a polícia em sua cola, porém não será fácil compreender sua linha de raciocínio.

GER_SELO_PARCEIROS_2016_GERA responsável pelo caso será a detetive Helen Grace, que com sua experiência e determinação, não descansará até colocar o assassino atrás das grades. Porém, ela começará a perceber conexões estranhas entre as vítimas, e ao passo que o assassino ataca com mais frequência, mais confusa e perdida Helen fica. Enquanto precisa lidar com seus próprios fantasmas, e com os problemas internos da polícia, a detetive Helen Grace vê o relógio engolindo o pouco tempo que ela ainda tem, antes que mais um inocente morra.
–Você quer viver?
– Quem é você? O que fez com a gen…
– Você quer viver?
Por um momento, não consigo responder. Minha língua não se move. Mas, logo depois…
– Quero.
– No chão, ao lado do celular, tem uma pistola. Está carregada com uma única bala. Para Sam ou para você. Este é o preço da sua liberdade. Para viver, precisa matar. Você quer viver, Amy?
P. 06 
“Uni-Duni-Tê” é um thriller bem diferente, e me conquistou desde a primeira página. Com uma construção narrativa peculiar, o autor M. J. Arlidge faz sua estreia literária com bastante ousadia. Decidindo escrever em terceira pessoa (com passagens em primeira), Arlidge optou por deixar seus capítulos bem curtinhos – muitos deles com apenas uma página –, e além disso, o autor escreve acompanhando os passos de diversas personagens: da detetive Helen, das várias vítimas, dos policiais e também do serial killer. Não tem como não terminar um curto capítulo e não dizer: só mais um. Quando você vê, já leu o livro todo.

Uma coisa que achei bastante interessante foi a escolha de apresentar de uma forma misteriosa o assassino desde cedo. O leitor, mesmo não sabendo de sua identidade até as páginas finais, acaba tendo um vislumbre dos motivos do mesmo estar fazendo tais atrocidades, chegando até gerar um pouco de empatia durante determinado momento. E tenho que admitir, o assassino é sagaz, diferenciado e extremamente determinado, e apesar de sua crueldade, não há como não admitir sua inteligência.
[...] Enquanto ainda estivesse lá dentro, era uma vítima. A partir do momento em que pusesse o pé do lado de fora, seria uma assassina.
Mas que opção lhe restava? Para viver, precisava aceitar seu crime. [...]
P. 162 
Ao mesmo tempo em que os rápidos capítulos dão fluidez para a leitura, o mesmo é responsável por dar agilidade nos acontecimentos finais da obra, porém, eu não sei se foi pela técnica utilizada, ou se foi problema de narrativa mesmo, mas deu a impressão que as coisas ficaram um pouco corridas. O autor poderia ter continuado com os trechos curtos, mas deveria ter trabalhado o desfecho para que ele não terminasse exatamente na explosão, sem muitas explicações posteriores. Acredito eu, que Arlidge fez isso porque pensa em continuar escrevendo livros sobre a detetive Helen Grace, e se for o caso, o final faz todo sentido.

“Uni-Duni-Tê” é um livro para os fãs de policial, mas, devido a sua construção diferenciada, não sei se o mesmo irá agradar à todos. Eu particularmente gostei muito da leitura, e não consegui largar o livro até chegar no capítulo final. A atmosfera à la “Jogos Mortais” (2004) em seus tempos áureos, ajudou bastante também. Sinceramente, acho que o autor M. J. Arlidge começou sua carreira com o pé direito, e estou torcendo para que ele continue investindo neste mesmo universo.
[...] – Por ser tão sagaz, muito organizada e, no entanto, tão difícil de compreender. Como escolhe suas vítimas? E por quê? Será que odeia as duas pessoas que sequestra ou apenas uma delas? Como consegue prever o resultado? Será que para ela importa quem vive ou quem morre? [...]
P. 177
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11 outubro, 2016


[Resenha] Bela Redenção - Jamie McGuire

Ficha Técnica

Título: Bela Redenção
Título Original: Beautiful Redemption
Autor: Jamie McGuire
ISBN: 978-85-7686-441-7
Páginas: 308
Ano: 2015
Tradutor: Cláudia Mello Belhassof
Editora: Verus
64A aguardada continuação de Bela Distração Liis Lindy é uma agente do FBI decidida a se casar apenas com o trabalho. Ela adora sua mesa, está em um relacionamento sério com seu laptop e sonha em ser cumprimentada pelo diretor depois de solucionar um caso difícil. O agente especial Thomas Maddox é arrogante e implacável, um dos melhores que o FBI tem a oferecer — e chefe de Liis. Quando Liis e Thomas são encarregados de uma missão em que precisam fingir ser um casal, a atração entre eles chega ao limite — e os leva a questionar quanto realmente estavam fingindo. Bela redenção é o segundo volume da série que narra a excitante, romântica e por vezes volátil jornada dos Maddox rumo ao amor. Chegou a hora de conhecer o mundo misterioso do esquivo Thomas e descobrir como a paixão pode ser intensa quando você não é a primeira, e sim a última. Além, é claro, de rever os outros irmãos da família Maddox.

Resenha


Essa resenha pode conter spoilers dos livros anteriores da série
Depois de ter nos conquistado com Travis Maddox em Belo DesastreDesastre Iminente e Belo Casamento, Jamie McGuire tem nos presenteado com a série "Irmãos Maddox", onde cada livro conta a estória de um dos irmãos Maddox. O primeiro livro foi Bela Distração, com o querido Trenton e a Cami e agora chegou a vez do irmão que eu sinceramente mais aguardava, o mais velho Thomas James Maddox.

Descobrimos em Bela Distração que Thomas Maddox é agente do FBI, mas sua família não tem a menor noção disso. Morando em San Diego, todos acreditam que ele trabalha com propaganda e ele quer que as coisas permaneçam dessa forma, e agora finalmente compreenderemos o motivo. Após o fiasco que foi o final do seu último relacionamento (bafão do último livro, por sinal), ele meio que desistiu de se envolver em relacionamentos amorosos, o melhor mesmo é focar única e exclusivamente em sua carreira. E desde que ficou solteiro, seus subordinados na filiar do FBI em San Diego vivem tempos nebulosos, tentando lidar com seu mal-humor constante.

A agente Liis Lindy deixou Chicago para fugir do seu ex-noivo e para ascender em sua carreira. Sabendo que o melhor era se afastar fisicamente também de Jackson Schultz, agente da SWAT, ela solicitou transferência e por sorte a filial de San Diego estava justamente precisando de uma especialista em idiomas. O que ela não contava era encontrar um desconhecido no dia em que chegou em San Diego e ter ficado logo com ele, ela não costumava agir assim, mas ainda mais estranho foi descobrir, do dia seguinte, que o desconhecido (que logo depois de ficar com ela disse que morava no mesmo prédio, no andar de cima) era ninguém menos que o seu chefe.

Eles são muito parecidos, não querem se envolver emocionalmente com ninguém, estão focados em suas carreiras como agentes e querem progredir nela, mas o fato de terem se conhecido antes de saberem que trabalhariam juntos mudou e muito a perspectiva deles.
- Talvez, mas somos iguais, Liis. Foi por isso que não deu certo com outras pessoas. Não vou deixar você fugir e você não vai aguentar as minhas merdas. Podemos pensar se é eficiente ou não ficarmos juntos até nos aposentarmos ou podemos simplesmente aceitar agora. O fato é que nós planejamos, organizamos e controlamos as coisas.
Engoli em seco.
Thomas apontou para a parede.
- Antes de você, eu era um solitário viciado em trabalho, e, apesar de ter alguém, você também era. Mas você e eu podemos dar certo. Faz todo sentido ficarmos juntos.
P. 135
Outro fator que implicará no relacionamento profissional deles é o fato de Thomas estar trabalhando há mais de um ano no caso do incêndio que ocorreu em um dos prédios do campus da Universidade Eastern, onde 132 jovens morreram e Travis é um dos investigados como suspeitos de envolvimento no ocorrido. Agora ele precisa da ajuda de uma agente do FBI do sexo feminino para acompanhá-lo até sua casa, em Chicago, onde deverá recrutar Travis para trabalhar como agente secreto, caso ele não aceite, não haverá saída a não ser a prisão. Para os dois, esse será um final de semana bastante revelador.
- Não quero que você prometa que vai ficar em San Diego. Só quero que prometa que vai ficar comigo.
P. 207
O livro é todo narrado sob a perspectiva de Liis, então digo logo que isso para mim foi um ponto negativo (para mim, o único), porque vocês já sabem que eu amo uma narrativa alternada e principalmente, normalmente gosto mais das cenas narradas na perspectiva masculina, e sendo um Maddox, preciso dizer algo mais? Acho que não, né?
Eu amava um homem que eu não podia amar, que amava outra pessoa, mas me amava mais.
P. 265
A cada descoberta sobre o passado de Thomas eu me apaixonava mais por ele. Sendo o irmão mais velho, foi o que mais sofreu com a morte da mãe, por conseguir compreender o que de fato tudo aquilo significava. O amor dele pela família, como se sente em relação a distância deles, em omitir sobre seu trabalho, enfim, o peso que ele carrega sobre tantos aspectos.

Já sabemos que quando um Maddox se apaixona, é para sempre, então não será diferente em Bela Redenção. Já tenho plena convicção de que Thomas será o meu queridinho dessa série. Sei que o próximo livro, Belo Sacrifício traz a estória de um dos gêmeos, Taylor, que já apareceu um pouco mais aqui, e que ainda tem Bela Chama que será do Tyler, mas Thomas é Thomas simplesmente ♥♥♥♥♥.
- Eu amei a Camille primeiro - Thomas disse. - Mas você, Liis... você é a última mulher que eu vou amar.
P. 276
A gente teve que se encontrar para finalmente entender que o amor não pode ser controlado. Previsões, suposições e certezas absolutas são ilusões. Meu amor por ele era volátil, incontrolável e esmagador, mas... isso era amor. O amor era real.
P. 293
- Você ainda não aprendeu? - Thomas falou, encostando os lábios em meu cabelo. - É no imprevisto que os melhores e mais importantes momentos da nossa vida parecem acontecer.
P. 299
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27 setembro, 2016


[Resenha] O Herói Improvável da Sala 13B - Teresa Toten

Ficha Técnica

Título: O Herói Improvável da Sala 13B
Título Original: The Unlikely Hero of Room 13B
Autor: Teresa Toten
ISBN: 978-85-286-2060-3
Páginas: 319
Ano: 2016
Tradutor:Rodrigo Abreu
Editora: Bertrand Brasil
42Adam Spencer Ross, 14 anos, precisa lidar todos os dias com os problemas que resultam do divórcio dos pais e das necessidades de um meio-irmão amoroso, mas totalmente carente. Acrescente os desafios de seu TOC e é praticamente impossível imaginar que um dia ele se apaixonará. Mas, quando conhece Robyn Plummer no Grupo de Apoio a Jovens com TOC, ele fica perdida e desesperadamente atraído por ela. Robyn tem uma voz hipnótica, olhos azuis da cor do céu revolto e uma beleza estonteante que faz o corpo de Adam doer. Adam está determinado a ser o Batman para sua Robyn, mas será possível ter uma relação “normal” quando sua vida está longe de ser isso?

Resenha


Adam Ross tem apenas catorze anos, mas sua adolescência não é das mais convencionais. Portador de TOC, Adam precisa diariamente enfrentar seus transtornos, que ultimamente estão piorando. Participante de um grupo de apoio à crianças e adolescentes com TOC, que acontece na sala 13B, Adam acaba conhecendo em uma das sessões a linda e hipnotizante Robyn, por quem o garoto cai por amores instantaneamente.

GER_SELO_PARCEIROS_2016_GEREnquanto vê o seu mundo lentamente desabando, problemas decorrentes da separação de seus pais começam a vir à tona, o que acabam prejudicando mais ainda os transtornos do jovem Adam. Cansado de suas limitações e de seus dilemas, Adam decide focar em sua melhora, e ele acredita fielmente que Robyn será essencial para esse avanço, fazendo de tudo para conquistar a menina, crente que ela será o Robin do seu Batman.
Milagrosamente, Robyn Plummer sorriu de novo. Aquela era a quarta vez e meia que ela sorria para ele desde que tinham se conhecido. As orelhas dele esquentaram.
P. 38 
“O Herói Improvável da Sala 13B” é um sick-lit escrito pela autora canadense Teresa Toten, que foi finalista e vencedora de prestigiados prêmios literários no Canadá com esta publicação. Utilizando de um narrador para contar a bela história de superação de Adam e Robyn, Toten consegue através de sua escrita entregar um livro sincero, lúdico e extremamente contemporâneo.

Através da simbologia dos super-heróis, que mais do que nunca estão em alta, a autora cria para cada um de suas personagens com TOC um alter-ego, uma identidade baseada em um determinado super herói. Essa ideia apesar de singela, realça todo o ideal dos super-heróis da vida real, levando à obra uma atmosfera de superação e esperança, sem que para isso precise utilizar de super poderes de fato.
– Ela gosta de você.
Adam pensou nas preces e no rosário e na água benta e em todos os ornamentos católicos.
– Não, ela precisa de mim.
– Isso, você logo vai perceber, é basicamente a mesma coisa, meu filho.
P. 131 
Apesar da capa não ser das melhores, “O Herói Improvável da Sala 13B” é uma obra de conteúdo ímpar. No início a narrativa começa sem muitas pretensões, o leitor segue lendo os curtos capítulos, mas nada ali soa especial. Porém, com o passar das páginas, a coisa evolui, os personagens ganham força – inclusive os coadjuvantes–, como o querido irmão mais novo de Adam, o Docinho.

É interessante notar como a autora conseguiu transformar uma história sobre primeiro amor em algo tão substancial. A inclusão do TOC na narrativa, apesar de ter sido utilizada em diversos livros nos últimos anos, dá uma aura especial à obra, que acaba ganhando moldes mais sérios e adultos, tratando de temas delicados e profundos para os mais jovens. Essa arriscada escolha de Teresa Toten, eleva “O Herói Improvável” de mais um sick-lit para adolescentes, para um patamar superior
Isso era errado. Ela estava cuidando dele. Ele deveria cuidar dela. Esse era o plano, e o plano era tudo. Adam se curaria por ela, seria normal por ela, a salvaria.
P. 199 
De uma forma sutil e delicada, “O Herói Improvável da Sala 13B” entrega ao leitor um romance coeso e fresco. Com personagens carismáticas, a obra de Toten trabalha diversas temáticas, e através delas vai criando uma história de amores, doenças, perdas e curas sem necessariamente cair no clichê. Tenho certeza que quem for ler o livro, irá aprender muitas coisas com Adam e sua turma, principalmente que as vezes, os super-heróis somos nós mesmos.
Mas ele se sentia bem. E foi então que ele soube.
As mudanças estavam muito profundas e rápidas. Ele tinha que encontrar um cinto de segurança melhor, ou essa montanha russa iria matá-lo.
P. 238
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18 setembro, 2016


[Resenha] O Vento da Noite - Emily Brontë

Ficha Técnica

Título: O Vento da Noite
Autor: Emily Brontë
ISBN: 978-85-200-1306-9
Páginas: 151
Ano: 2016
Tradutor: Lúcio Cardoso
Editora: Civilização Brasileira
42Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivante, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa. Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, “O Vento da Noite”, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira. É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes na literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor – uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza. A edição é organizada e apresentada por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso. A prestigiada tradutora Denise Bottman assina o texto de orelha.

Resenha 


O Vento da Noite é a reunião de trinta e três poemas escritos por Emily Brontë, autora de O Morro dos Ventos Uivantes, seu único romance publicado e que só foi reconhecido como um clássico muitos anos após sua morte. A editora José Olympio, também selo do Grupo Editorial Record, foi responsável pela publicação de O vento da noite em 1944. Essa nova edição, publicada pelo selo Civilização brasileira, conta com a organização e apresentação de Ésio Macedo Ribeiro.

GER_SELO_PARCEIROS_2016_GER
Trata-se de uma edição bilíngue. Os poemas originais em inglês e ao lado a tradução feita por Lúcio Cardoso. É possível analisar as diferenças entre o original e a tradução entendendo as escolhas que o tradutor precisou fazer para se aproximar do que Emily escreveu. A intenção em colocar determinadas palavras para passar o sentimento e força da escrita da autora. Quem já leu O Morro dos Ventos Uivantes tem uma noção da intensidade presente na escrita de Emily. Com O Vento da Noite não foi diferente.


Melancolia, solidão, as menções ao tempo e a noite e morte. A escrita da autora é carregada de emoção, de uma atmosfera sombria e que foge ao padrão das produções literárias feitas por mulheres de sua época. Classificam Emily como uma autora da escola romântica, mas os seus escritos fogem ao padrão do Romantismo, como alguns críticos sinalizam.

O Vento da Noite é um livro para quem gosta de Emily Brontë, dos cenários sombrios criados pela autora, de quem está disposto a ler com muita atenção e captar toda a intensidade presente em seus poemas. Assim como O morro dos ventos uivantes, precisa de tempo para ler e sentir os poemas de Brontë. É fato que O Vento da Noite, por ser um livro de poemas, tem uma leitura que pode ser considerada mais rápida ou que o texto flui melhor que a única obra publicada pela autora - levando em consideração que muitas pessoas não conseguiram terminar O morro dos ventos uivantes.

A atmosfera sombria de O Vento da Noite me agradou, foi bom retornar a escrita de Emily e ver em seus poemas aquela melancolia e solidão que tanto gostei em O Morro dos Ventos Uivantes. Dos trinta e três poemas, escolhi alguns como os meus preferidos. Gostei da obra como um todo, mesmo que em alguns poemas a tradução tenha amenizado ou "quebrado" um pouco da emoção do texto original. Um livro que vale a pena ser lido e sentido, como todo livro de poemas.
20.
Este vento de verão

Este vento de verão rodopia conosco,
Rodopia através das auroras do dia;
Mas é preciso que antes do cair da noite
Partas com este divagante para bem longe.

A voz que chora no adeus,
De tua alma será fiel companheira,
Enquanto a vaga subindo das colinas distantes
E o débil horizonte das ribeiras moventes
Não tiverem elevado ainda, para sempre suas barreiras.

Sei que cometi uma grande injustiça
Para contigo,
E para com o Céu também;
Sei que devia passar a minha vida, talvez,
A chorá-la,
Sem merecer jamais o perdão.

Em vão correrão minhas lágrimas:
O arrependimento ainda será pouco
Para destruir tantas mentiras,
Pois a dor é impotente
Para consumir a palavra adeus!

E no entanto, o futuro te promete repouso,
Tua alma é realmente muito pura!
Mas eu, que tive coração para tal falta,
Também acharei força para arrastar o fardo.

Mais tarde,
E além deste mundo de furiosas disputas,
Que põe na sua destruição uma raiva juvenil,
Tua fé morta e perdida
De repente se lançará às fontes da vida,
E meu remorso

Morrerá.
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