06 outubro, 2023


[Resenha] Um Favorzinho do Vizinho - Kristina Forest

Ficha Técnica 

Título: Um Favorzinho do Vizinho
Título Original: The Neighbor Favor
Autor: Kristina Forest
ISBN: 978-85-0130-671-5
Páginas: 336
Ano: 2023
Tradutor:  Dandara Morena
Editora: Verus
E se você se apaixonasse pelo seu autor favorito, mesmo sem nunca ter visto o rosto dele? E se — ainda sem saber sua identidade — ele se tornasse seu vizinho? Um Favorzinho do Vizinho é uma história envolvente e divertida sobre autoconfiança e se permitir ser amado.
Lily Greene acredita ter muitos motivos para se sentir fracassada: detesta seu trabalho, nunca consegue o emprego dos sonhos e vai a encontros com caras insuportáveis. Desanimada, Lily envia um e-mail para seu autor de fantasia favorito, N. R. Strickland, sem esperança de ser notada… até que ele responde. Da troca de e-mails nasce uma conexão íntima, porém, sem nenhuma explicação, Strickland simplesmente deixa de responder.
Com o coração partido por alguém que nunca viu, Lily decide mudar o rumo de sua vida. Para começar, ela precisa de um acompanhante para o casamento de uma de suas irmãs. E tem certeza de que a pessoa perfeita para ajudá-la na missão é Nick Brown, o vizinho gato, simpático e ótimo conselheiro — e por quem ela sente uma atração inegável. Contudo, após conversar com a tímida vizinha, Nick percebe que os dois já se conheceram antes, porque ele… bom, ele é N. R. Strickland.
Dividido entre a atração que sente pela vizinha e o impulso de se afastar, Nick aceita ajudá-la. Mas esse favorzinho do vizinho pode ser o mais complicado de todos — sobretudo porque Nick não consegue tirar Lily da cabeça.
Lily e Nick vão descobrir que o amor pode estar mais perto do que imaginam. Mas serão capazes de deixar as inseguranças de lado?

Resenha


Ai, que delícia conhecer novos autores, novas narrativas, não é mesmo? Em Um Favorzinho do Vizinho, nós conhecemos Lily Greene, uma jovem de vinte e cinco anos que tem o sonho de trabalhar editando livros infantis, mas, até que ela consiga alcançar esse objetivo, ela é assistente da intragável e temida Edith Pearson, que é vice-presidente e editora da Edith Pearson Books na Mitchell & Milton Inc. Lá ela cuida mais dos livros de Edith e são livros que não tem absolutamente nada a ver com o que ela quer trabalhar, no entanto, as contas não se pagam sozinhas, né? Morar em Nova Iorque não é barato, mesmo que ela divida um apartamento minúsculo no Brooklyn e que sua colega de teto e o cachorro dela aparentemente não saibam compartilhar o espaço com Lily e Tomcat, e por isso ela passa a maior parte do tempo em casa trancada em seu quarto.

Como se isso fosse pouco, as irmãs mais velhas de Lily são muito bem-sucedidas: Iris, que é viúva e é a mais velha, é diretora de parcerias de uma startup de uma marca de beleza e mora em Nova Jérsei com a filha no mesmo que os pais dela. Violet, a irmã do meio, é estilista de celebridades e mora em Union Square, Manhattan, mas estava sempre viajando por causa do trabalho. Elas se amam muito e têm uma relação incrível, mas tanto Iris quanto Violet vivem tentando marcar encontros para Lily, o problema é que os caras nunca são compatíveis com ela: os caras que Violet consegue sempre queriam sair com ela (mas ela nunca quer) e os de Iris são sempre da área financeira e não entendem o jeito de humanas de Lily. Entretanto, ela não consegue dizer não. Assim como não consegue dizer não para a mãe, que vira e mexe empurra ela para workshops para mudança de carreiras, para que ela migre para algo que dê mais dinheiro, estabilidade, ou algo similar. Tudo que Lily não procura.

O ideal mesmo seria ela conseguir um emprego em alguma editora infantil e conseguir um encontro por conta própria. Mundo dos sonhos. Seria possível?

Talvez a sorte lhe sorria um pouco…

o livro favorito de Lily é Os elfos de Ceradon, que ela descobriu quando trabalhava em um sebo, quando descobriu que gostaria de trabalhar com livros infantis. Infelizmente nunca descobriu nada sobre o autor, N. R. Strickland, apenas a curta biografia dele no livro, um autor britânico que tinha publicado um livro de fantasia com um clã de elfos negros e aparentemente apenas ela conhecia aquele livro. Afinal, a Labyrinth Press logo faliu e os livros pararam de circular. Entretanto, estando presa no metrô em uma tarde absurdamente quente ela decidiu fazer algo que não fazia há algum tempo: pesquisar sobre o autor na internet. E não é que agora ele tem um site com um campo para contato? Ela não poderia perder essa chance!

Nick Brown tem vinte e sete anos e, ao escrever Os elfos de Ceradon cinco anos atrás, quando estava na faculdade, ele não imaginava que assinaria o contrato com uma editora que confiaria no seu trabalho, mas que logo iria à falência. Por um lado, ter usado um pseudônimo (por razões que apenas ao ler poderemos entender de verdade — e, olha, acho que eu faria o mesmo) pode ter sido um bom subterfúgio, afinal, tirando seu amigo Marcus — que também é seu agente e insiste que seu livro merece uma nova chance — ninguém cobra que ele escreva uma continuação da história. Bem, ninguém cobrava até o e-mail que ele recebeu de Lily.

Nick passa a trocar e-mails com Lily, mas não revela seu verdadeiro nome, no entanto fica evidente pelos meses que se passam que a relação entre eles evolui bastante e, mesmo que ela more nos Estados Unidos e ele esteja a cada momento em uma parte do mundo escrevendo para a sua coluna na World Traveler, a conexão é profunda. Até que ele some.

O problema é que Nick sabe que não pode continuar com a mentira que vinha contando para Lily. Ele não é britânico, ele é da Carolina do Norte. E agora Marcus conseguiu que seu livro foi contratado por uma editora estadunidense e o convenceu a se mudar para lá. É assim que, o destino fez com que Nick se tornasse vizinho de Lily, porque ela está morando em Union Square, no sofá de Violet.

Mas quando ela imaginaria que o vizinho muito gato que ela vê direto — principalmente agora que um elevador está quebrado — é seu autor favorito? Não dá para imaginar isso, né? Mas certamente ele será a pessoa certa para ajudá-la em uma missão: conseguir um par para o noivado de Violet, agora que viu como ele ajudou o outro vizinho do prédio, Henry, a se sentir mais confiante a chamar Yolanda para sair. Sem dúvida ele é o cara certo para isso.

Enquanto a gente avança na história, dá aquele desespero de saber em qual momento e quem irá descobrir primeiro quem eles são. E, quando o primeiro descobre, fica aquele aperto no coração de saber como o outro vai reagir quando descobrir. Ai, gente! Que delícia! Eu amei mesmo essa história. E fiquei muito feliz de ver ambos crescerem, superarem seus medos com a ajuda um do outro e de aceitarem que precisam de ajuda externa também. De expor suas opiniões depois de engoliram tantos sapos.

Ah, um adendo, fiquei feliz também em saber que Violet ganhará um livro no próximo ano, The Partner Plot, espero que venha para cá também. Espero que Iris também ganhe um, hein, Kristina?!🤎


P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
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13 março, 2023


[Resenha] De Férias Com Você - Emily Henry

Ficha Técnica 

Título: De Férias Com Você
Título Original: People We Meet on Vacation
Autor: Emily Henry
ISBN: 978-65-5924-141-5
Páginas: 392
Ano: 2022
Tradutor: Cecília Camargo Bartalotti
Editora: Verus
Dois melhores amigos. Dez viagens de verão. Uma última chance de se apaixonar.
Poppy e Alex. Alex e Poppy. Eles não têm nada em comum. Ela é uma garota rebelde; ele usa calça cáqui. Ela tem um desejo insaciável de viajar; ele prefere ficar em casa lendo um livro. E de alguma forma, desde uma fatídica carona na faculdade há muitos anos, os dois são melhores amigos. Durante a maior parte do tempo, Poppy e Alex moram longe um do outro — ela em Nova Iorque, ele em sua pequena cidade natal —, mas todo verão, há dez anos, embarcam juntos em uma semana deliciosa de férias.
Até dois anos atrás... quando eles estragaram tudo. E, desde então, não se falaram mais.
Poppy tem todas as coisas de que precisa, mas se sente estagnada. E, se alguém lhe pergunta quando foi a última vez que se sentiu realmente feliz, ela sabe que foi naquela viagem final com Alex. Por isso decide convencer seu melhor amigo a saírem de férias juntos mais uma vez — pôr tudo em pratos limpos, fazer dar certo. Milagrosamente, ele concorda.
Agora Poppy tem uma semana para consertar as coisas. E, quem sabe, contornar a grande verdade que permanece em silêncio no meio de sua amizade aparentemente perfeita.
Será que algo mais ainda pode dar errado?

Resenha


Depois de ter conhecido a escrita da Emily Henry com Leitura de Verão não tinha como não ficar curiosa para ler essa nova história, ainda mais sendo uma história de grandes amigos.

Poppy Wright e Alex Nilsen são melhores amigos há doze anos e é uma amizade improvável aos olhos de muitas pessoas — pelo menos era no início para eles e para quem vê de fora. Poppy gosta de viajar, sair, curtir a vida. Desde muito nova ela queria sair da pequena Linfield, Ohio, queria viajar pelo mundo. Do outro lado dessa amizade está Alex, um cara pé no chão, que perdeu a mãe quando ainda era uma criança e se viu criando os três irmãos mais novos enquanto o pai afundava no luto. Ele é quieto, não costuma demonstrar os sentimentos, gosta de ficar em seu canto lendo, tem dificuldade em se abrir para novas amizades. Ela é baixinha, ele é muito alto. Ela é muito barulhenta, ele é silencioso. Eles se conheceram longe de casa, na semana de apresentação na Universidade de Chicago, mas, após poucos minutos de uma constrangedora conversa na qual perceberam suas imensas diferenças, eles não se encontraram por quase um ano até que, por causa de uma amiga em comum, eles acabaram em uma viagem de carro juntos a caminho de casa para as férias em Linfield.
A sensação de segurar a mão dele me surpreende. Noventa e cinco por cento do tempo, vejo Alex Nilsen de maneira totalmente platônica, e acho que, para ele, o número é ainda maior. Mas, nos outros cinco por cento do tempo, existe o e se.
Posição 21%
Após horas de viagem, planos haviam sido feitos para se encontrarem no período em que estariam na cidade e, depois de voltarem para a universidade, eles ficaram cada vez mais unidos e as férias de verão passaram a ser o evento mais aguardado do ano. Mesmo sem muito dinheiro, eles se empenhavam em viajar sempre para lugares diferentes e aproveitar ao máximo.

Mesmo quando Poppy abandonou a universidade, voltou por um tempo para Linfield e depois foi morar em Nova Iorque, as viagens continuaram acontecendo, ainda que Alex estivesse bem longe: primeiro em Chicago, depois em outros estados enquanto fazia o mestrado e o doutorado. Mesmo quando eles estavam em relacionamentos, eles saiam sozinhos em suas viagens de verão; e eram sempre o momento mais aguardado do ano para ambos.
— Acho que eu não sabia que era solitário até conhecer você. — Ele balança a cabeça de novo. — Em casa, depois que minha mãe morreu e meu pai desmoronou, eu só queria que todos  ficassem bem. Queria ser exatamente o que meu pai e meus irmãos precisavam e, na escola, eu desejava ser o que todos queriam, então tentava ser calmo e responsável e estável, e acho que eu tinha uns dezenove anos quando me ocorreu pela primeira vez que talvez não fosse desse jeito que algumas pessoas viviam. Que talvez eu fosse alguém além daquilo que eu tentava ser. 
Posição 60%
De Férias Com Você é narrado sob a perspectiva de Poppy, então, perdemos o que se passa na mente doce (é assim que eu imagino) de Alex, mas dá para perceber que Poppy pelo menos pensa no e se em alguns momentos dessa amizade. O que nos leva a pergunta: será que Alex se sente da mesma maneira?

A narrativa em De Férias Com Você não é linear, o que faz com que a gente fique cada vez mais curioso para saber mais sobre essa amizade, como ela progrediu e, principalmente (pelo menos para mim), o que aconteceu dois anos atrás que causou o afastamento entre Poppy e Alex. Na verdade, essa forma de apresentar a história foi bem interessante, porque começa cinco verões atrás, depois o verão atual, em seguida viajamos para doze verões no passado e assim vamos intercalando passado e presente, no qual, além de ver a construção da amizade, vemos Poppy tentando reconstrui-la agora, trazer Alex de volta para sua vida em um momento que ela não sente mais motivação para absolutamente nada — mesmo que esteja morando em um apartamento maravilhoso em Nova Iorque e trabalhando como redatora em uma grande revista que lhe paga para fazer várias viagens pelos Estados Unidos e pelo mundo.
— O que eu quero dizer é que ninguém me conhecia de verdade antes de você, Poppy. E mesmo que… algumas coisas mudem entre nós, você nunca vai estar sozinha, entendeu? Eu sempre vou amar você.
Posição 60%
Como eu imaginei ao iniciar a leitura, amei cada pedacinho e em muitos momentos vi partes de mim em Poppy e principalmente em Alex. Nossa! Como dói ver nossas fraquezas expostas, mesmo que seja na pele de personagens e que os autores sequer saibam que estão fazendo isso. Mas é isso que é a leitura, não é mesmo? Encontrar um pouquinho de nós naquelas páginas, nos refugiar, encontrar amigos, encontrar pessoas como nós e não nos sentirmos sozinhos.


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27 dezembro, 2022


[Resenha] Leitura de Verão - Emily Henry

Ficha Técnica 

Título: Leitura de Verão
Título Original: Beach Read
Autor: Emily Henry
ISBN: 978-65-5924-063-0
Páginas: 364
Ano: 2022
Tradutor: Cecilia Camargo Bartalotti
Editora: Verus
Em Leitura de Verão, uma escritora de romances que não acredita mais no amor e um escritor literário sufocado pela rotina se envolvem em um desafio que pode subverter tudo o que eles sempre pensaram sobre o que é ser feliz.
Augustus Everett é um aclamado autor de ficção literária. January Andrews escreve romances best-seller. Enquanto ela cria seus “felizes para sempre”, ele mata todos os seus personagens. Eles definitivamente são polos opostos. A única coisa que têm em comum é que, durante três meses, vão morar em casas de praia vizinhas, ambos falidos e paralisados por um bloqueio criativo. Até que, em uma noite nebulosa, uma coisa leva à outra e eles fazem um acordo que tem o objetivo de arrancá-los da zona de conforto: Augustus vai passar o verão redigindo um livro com final feliz, e January vai escrever o próximo clássico da literatura. Ela vai levá-lo a viagens de campo dignas de uma comédia romântica, e ele a acompanhará em entrevistas com sobreviventes de um culto de suicídio (obviamente). Cada um vai finalizar um livro e ninguém vai se apaixonar. Será?

Resenha


January Andrews tem vinte e nove anos e, um ano atrás sua vida mudou completamente. Até os vinte os oito, ela vivia uma vida feliz, com pais felizes e casados — e a mãe tinha superado o câncer duas vezes —, ela tinha um namorado perfeito e também já tinha publicado alguns romances que se tornaram best-sellers. Porém, quando um ponto saiu do lugar, tudo desmoronou.

Com a morte repentina do pai, January descobriu que ele traiu a mãe dela, na sequência, o namorado perfeito não soube lidar com a "nova January" não tão feliz e terminou com ela e, com isso, como escrever um romance com final feliz quando você não acredita mais neles e está literalmente falida e sem um lugar para morar? Não importa, as contas não param de chegar porque temos problemas, não é mesmo? Assim, ela se vê deixando Nova Iorque para trás e indo morar em North Bear Shores, Michigan, na casa que o pai vivia com a amante, isso porque ela não tem como pagar mais nada e, desde que descobriu a traição do pai (no velório dele), a relação com a mãe também não está nos melhores termos.

Lá, ela precisa — de qualquer maneira — escrever um livro para sua editora antes que as coisas realmente fiquem ainda piores, mas ao chegar ela logo se desentendeu com o vizinho e, no dia seguinte, quando realmente viu o rosto dele, descobriu que era ninguém menos que Augustus Everett, sua nêmesis da faculdade.
— Pois é, você não é o único que não entende — eu disse. — Eu sei como contar uma história, Gus, e sei como juntar uma frase. Se você trocasse todas as minhas Jessicas por Johns, você sabe o que você teria? Ficção. Apenas ficção. Pronta para ser lida por qualquer um, mas de qualquer forma, ser uma mulher que escreve sobre mulheres, acabei eliminando metade da população da Terra dos meus potenciais leitores, e sabe o que mais? Não tenho vergonha disso. Só fico irritada. Que pessoas como você vão assumir que os meus livros não valem o seu tempo, enquanto isso você poderia soltar um arropeido ao vivo na TV e o New York Times elogiaria sua ousada exibição de humanidade.
Posição 19%
Durante a faculdade January teve um leve crush por Gus, mas ele vivia implicando com a escrita dela e também era conhecido por seus relacionamentos curtos, logo, não era um cara para ela sequer pensar em se envolver e ali estavam eles, sete anos depois vivendo em casas vizinhas em uma cidade minúscula. E então, de repente se viram fazendo uma aposta que mudaria o verão deles: January deveria escrever uma ficção onde não houvesse um final feliz e Gus deveria escrever uma comédia romântica e também haveriam aulas nas quais um ensinaria ao outro "como escrever" no seu estilo, o que proporcionaria mais tempo juntos.

A aposta definitivamente ajudou Janie a sair do zero com o livro, mesmo que ela não soubesse se seria aceito por sua editora (por causa do novo estilo), entretanto, enquanto isso ela precisa lidar com a casa em que está vivendo — que ela tem desocupado aos poucos e vendido os itens antes de conseguir vender a casa em si —, precisa lidar com a dor de ter vivido uma mentira boa parte de sua vida e ainda tem os sentimentos confusos que Gus desperta dela.
— Não importa se eu acredito que pode funcionar ou não — disse ele. — Não acreditar em algo não o impede de querer. Se você não tiver cuidado.
Posição 55%
O triste é que só temos o ponto de vista da Janie, então vamos conhecendo Gus aos pouquinhos, mas cada pedacinho dele que a gente ganha, vai montando o quebra-cabeça que ele é e conseguimos entender as ações dele na faculdade, o motivo de ele sempre estar com uma namorada diferente e porque ele "escolheu" esse gênero para escrever seus livros; tudo faz sentido quando o conhecemos.

Leitura de Verão foi minha primeira experiência com a escrita da Emily Henry e eu já gostei, então, é muito provável que havendo outros livros publicado por aqui, vou ler também.
— Quando você ama alguém — ele disse hesitantemente — … você quer fazer este mundo parecer diferente para eles. Dar significado a todas as coisas feias e amplificar as boas. É isso que você faz. Para seus leitores. Para mim. Você faz coisas lindas, porque ama o mundo, e talvez o mundo nem sempre seja como nos seus livros, mas… acho que colocá-los lá fora muda um pouco o mundo. E o mundo não pode se dar luxo de perder isso.
Posição 81%

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07 novembro, 2022


[Resenha] Desencantada - Carina Rissi

Ficha Técnica 

Título: Desencantada: Entregando-se aos segredos do amor
Autor: Carina Rissi
ISBN: 978-85-7686-461-5
Páginas: 476
Ano: 2018
Editora: Verus
Valentina de Albuquerque descobriu muito cedo que não é nenhuma princesa encantada. Em vez de bailes e romance, tudo o que a jovem deseja é encontrar um jeito de viver com dignidade longe do pai e da madrasta, que tem como hobby fazer da vida dela um inferno. A oportunidade surge com uma proposta de casamento. Quase passando da idade de se casar, Valentina cogita aceitar. Seu coração não se alvoroça com o pretendente, mas ela não está à procura do amor. Seria um bom arranjo… se o capitão Leon Navas não cruzasse o seu caminho. O misterioso espanhol é mal-educado, irritante, atrevido — além de lindo —, e Valentina ficaria muito feliz se jamais voltasse a vê-lo. Mas o destino parece decidido a reuni-los, e, após um equívoco embaraçoso, ela está noiva de Leon, de quem pouco sabe, exceto que seu coração dispara toda vez que seus olhares se cruzam e que irritação não é o único sentimento que o capitão lhe desperta. Então Valentina sofre um terrível acidente. Assustada, porém disposta a provar que não foi um simples acaso, ela vai atrás do responsável. Entre suspeitas, disfarces, segredos e contratempos, a moça acaba sucumbindo à irresistível e devastadora paixão, sem se dar conta de que o perigo ainda está à espreita… Poderá uma garota nem um pouco encantada viver um conto de fadas e conseguir o seu final feliz?

Resenha


Desta vez eu não demorei para ler um livro da Carina. Como eu já estava com Desencantada em casa, engatei logo na leitura dele porque, como eu disse na resenha de Prometida, eu estava curiosa para saber o que tinha acontecido com Valentina.

Neste, que é o quinto livro da série Perdida, vamos conhecer um pouco mais da história de Valentina Dominique Emanuelle de Albuquerque. Sim, a garota tem um bocado de nomes, não é mesmo? 😂Pois bem, nós vimos em Prometida que a vida de Valentina estava indo ladeira abaixo e muito rápido e, infelizmente ela não via como poderia voltar aos eixos: viu o pai arranjar uma amante, esfregá-la na cara da mãe, tirar o dinheiro da casa e das despesas com elas para dar à amante enquanto elas praticamente não tinham o que comer; depois viu a mãe morrer e, enquanto deveria estar de luto, o pai estava tendo um filho com a amante e, logo em seguida, praticamente fugindo da vila onde ela sempre viveu para ir morar em um lugar que ela nem sabia onde era. Realmente as coisas não estavam boas para ela. 

Com vinte e dois anos, Valentina agora está vivendo no Sul do país, em uma cidade que é muito maior do que a vila onde sempre morou e tem apenas dois amigos lá. Além disso, sua relação com Miranda, a madrasta, continua insuportável e a mulher continua dilapidando o patrimônio da família em uma velocidade alarmante, e a ralação com o pai piorou nos últimos três anos, após a morte de sua mãe. Para não dizer que não tem alegria em sua vida, a única que ela encontra é em Felix, mesmo que o meio-irmão seja fruto da traição do pai dela.

Sério, a garota precisa dar um jeito em sua vida. E rápido!

Ela só não imaginava que mudaria tão drasticamente e tão rápido. Receber uma proposta de casamento de um homem sem qualquer emoção? Que sequer parecia empolgado com a ideia de desposá-la seria sua saída da vida medíocre que estava levando? Será  que deveria considerar?
— Muito bem. Eu a beijei porque não sou capaz de resistir a você. Eu a beijei porque é impossível estar perto de você e não desejar tê-la em meus braços. Eu quis beijá-la desde a primeira vez em que a vi, no armazém do sr.. Martinelli. É o que desejei fazer em todos os momentos em que estivemos juntos. É o que quero fazer neste exato instante. — Ele chegou mais perto, sua voz diminuindo algumas oitavas, os olhos intensos. — O sr. Nogueira não é o único que deseja a mesa.
P. 81
Conhecer o capitão Leon Navas no armazém, e discutir com ele logo de cara certamente não fazia parte dos planos quando saiu de casa disposta a comprar um presente de aniversário para o pai. Ainda assim, ela não acreditava que o encontro com o lindo e irritante capitão fosse se repetir, mas que engano, parecia que o destino estava disposto a fazer com que o caminho deles se cruzassem diversas vezes. O problema é que Valentina não tinha o menor talento para identificar quando as pessoas estavam interessadas romanticamente nela e, como diziam sua amiga Najla e sua prima Suelen, ela realmente precisava de muita ajuda nesse assunto. Entretanto, uma coisa é certa, Leon mexe com ela de uma maneira que ela nunca imaginou e, quando percebe, se vê em um mal-entendido atrás do outro com esse espanhol atrevido.
Uma centelha de emoção atravessou  seu semblante, mas não fui rápido o bastante para decifrá-la, já que ele subitamente pareceu interessado no que acontecia no palco. Entretanto, o canto de sua boca apontava para cima, a mão permanecendo sobre a minha.
— Isso é bom — disse, olhando para a frente. — Porque eu não tenho intenção de ir para qualquer lugar longe de você, sirena.
P. 108-109
O primeiro a leva a ser ver noiva dele, mas vou logo avisando, isso acontece nas primeiras cem páginas do livro, então vocês podem imaginar que muita coisa ainda acontece por aqui. Infelizmente não dá para falar muito aqui porque senão perderia a emoção da leitura para vocês, mas eu garanto que é emocionante, e ao mesmo tempo frustrante. Existem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na narrativa, mas a falta de percepção de Valentina é realmente de dar nos nervos e como a narrativa é toda sob a ótica dela, a gente só tem essa perspectiva mesmo.

É claro como água que Leon está apaixonado por ela, porém ela não consegue perceber e, depois não consegue acreditar que ele pode estar interessado nela, que deve ter algum motivo oculto. Sempre há algo que a faz duvidar dele, mesmo que ele não faça nada para que ela chegue a essas conclusões.
— Você é um homem muito… 
— Apaixonado — disse, antes que eu pudesse. — Perdi o juízo e o coração para uma jovem intempestiva e não consigo fazer mais nada da vida a não ser pensar nela.
P. 318
Enquanto os capítulos passam e os segredos, disfarces e confusões continuam, Valentina tenta descobrir quem está atrás dela ao mesmo tempo em que se apaixona cada vez mais por Leon, mesmo que não se dê conta dessa segunda parte logo de início. E nós ficamos do lado de cá torcendo para que tudo isso chegue ao fim da melhor forma possível, que ela enfim perceba que está apaixonada por Leon, que ele não irá a lugar algum sem ela, e claro, nós queremos saber quem é o bandido nessa história. E o que dizer dos segredos? Minha gente, eu não suspeitei nem por um momento! Realmente me pegou de surpresa. Todos eles!

Agora é providenciar Indomada para ler a próxima história da série.


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15 outubro, 2022


[Resenha] Prometida - Carina Rissi

Ficha Técnica 

Título: Prometida: Uma longa jornada para casa
Autor: Carina Rissi
ISBN: 978-85-7686-460-8
Páginas: 476
Ano: 2016
Editora: Verus
Elisa Clarke anda um pouco entediada. Seus dias parecem iguais e os bailes há muito deixaram de trazer algum prazer a ela. Não que seja uma surpresa, pois sempre que ela está presente os eventos se tornam um desastre! E é injusto, já que ela foi uma boa moça a vida toda. Nascida em uma das famílias mais influentes, a jovem aprendeu desde pequena a respeitar as normas sociais e se manter longe de escândalos. Na única vez em que ignorou uma dessas regras acabou noiva. E foi apenas um beijo, ora bolas!
Um beijo com o qual Elisa fantasiou desde que conheceu e se apaixonou irrevogavelmente pelo belo e gentil jovem médico e que, como acontece nos contos de fadas, mudou sua vida para sempre. Mas não da maneira que ela esperava. Como consequência, agora está prometida a alguém que a despreza tanto que preferiu viver em outro continente. Tudo o que ela deseja é que as coisas permaneçam assim.
Mas Elisa não sabe que seu noivo está a caminho do Brasil, e ela terá de enfrentar o homem cujo coração um dia se viu forçada a partir. Destinados a ficar juntos, mas separados por seus corações, eles se envolverão em uma sinuosa dança marcada por segredos, mágoas do passado, intrigas e uma arrebatadora paixão que colocará em perigo não apenas seus sentimentos, mas a vida de ambos.

Resenha


Gente, como assim tem dois anos que não leio nada da Carina? Tem alguma coisa errada no mundo e, assim como eu disse na última resenha de um livro dela, não sei como eu consigo isso. O bom é que os livros dela são literalmente imensos!😂😂

Depois de termos conhecido e lido a história de Sofia e Ian, agora é o momento de conhecermos a história de Elisa Clarke, a irmã de Ian.

Ao iniciarmos Prometida, Elisa tem vinte anos e sente que sua vida é um marasmo só, sem falar que ela está noiva de um homem por quem está completamente apaixonada, mas que a três anos está na Itália — e ninguém sabe que agora a odeia e que ela prefere que ele fique por lá.

É, dona Carina sabe começar uma história, não tenham dúvida disso!
— Você desperta um lado meu que eu não sabia que possuía — expliquei. — Ou fingia não saber.
— Eu sei. Eu sinto isso — murmurou. — Há algo borbulhando sob a superfície recatada que você criou. Mas comigo você não precisa pensar no que vai dizer, medir suas palavras nem seus atos. Comigo, e apenas comigo, você se permite ser você mesma.
P. 325
Bem, quando Elisa Clarke e Lucas Guimarães se conheceram pouco mais de três anos antes, eles logo se encantaram um pelo outro. Ele havia acabado de chegar ao pequeno vilarejo para fazer um favor a um amigo, apenas levar uma carta ao tio do amigo e encontrou no doutor Almeida alguém que seria o seu tutor na medicina e, na mesma localidade, o amor da sua vida. Quando Lucas retornou para a cidade, os jovens passaram a se corresponder e era claro que eles estavam se apaixonando. Ao se reencontrarem, para nós leitores não havia qualquer dúvida disso.

Porém, um único beijo irá desencadear uma série de desentendimentos que parecem não acabar nunca! Não dá para dizer para vocês nenhum deles, mas são muitos mesmo e, enquanto os problemas entre eles aumentam com os segredos guardados, muitas outras situações acontecem em torno do casal. Bem, mas como eu disse logo no começo, Lucas foi para Itália fazer uma pesquisa — isso é o que oficialmente se sabe e claro que, de fato, ele está fazendo isso, mas uma grande motivação para essa viagem também foi se afastar de Elisa depois que ela partiu seu coração. Entretanto, ele está voltando ao Brasil e pegará todos de surpresa quando o navio aporta antes do correio entregar a carta que havia enviado mencionando o seu retorno. E, tanto para ele quanto para Elisa será um choque dar-se conta de que os sentimentos um pelo outro não mudaram mesmo que tenham se esforçado para isso.
No fundo, seu irmão estava certo. Lucas dizia a si mesmo que tinha se casado com Elisa apenas para não ter o peso da ruína da jovem apunhalando sua consciência, mas a verdade era mais complexa. Ele queria que ela o conhecesse, que o admirasse, talvez viesse a gostar um pouco dele e se arrependesse de ter brincado com seus sentimentos no passado.
P. 267
Eles são teimosos e, óbvio, que terminam casados, mesmo que "se odeiem", mas os problemas só se acumulam e, por mais que várias e várias vezes a gente acredite que eles enfim vão se entender, vão falar a verdade e contar seus segredos… nada. É frustrante, porque a gente sabe que eles são completamente apaixonados um pelo outro e que seriam absurdamente felizes juntos.

Ainda assim, entre todas as desavenças, há pequenos momentos em que eles abaixam a guarda e essas lembranças fazem com que o relacionamento vá se reconstruindo aos poucos e vai acalentando o nosso coração romântico.

Eu adoro a série Perdida e já quero ler Desencantada porque Valentina finalmente deu sinal de vida depois de semanas sem dar notícias, então, preciso saber o que aconteceu com ela. Claro que não dá para deixar de dizer que, ver novamente Ian (meu amor) e Sofia foi maravilhoso, e ver as filhas deles, Marina e Ana Laura, ver a família crescendo e feliz… ai ai, a gente ama.
— Mesmo quando estive em outro continente e tudo o que eu queria era esquecê-la, não consegui deixar de amar você. — Abriu um sorriso desamparado. — Não sou capaz, Elisa. Você está dentro de mim, e é impossível tirá-la daqui sem que eu morra. Não consegui na época e não sou capaz agora. — Seus polegares roçaram de leve minhas bochechas, demorando-se um pouco mais em minhas covinhas. — Desde que a conheci, eu sinto o mundo com muita intensidade. Você me faz sentir o mais sortudo dos homens ou o mais miserável deles. Extremamente vivo ou excepcionalmente ferido. Contentíssimo ou imensamente infeliz. Desde você, tudo é superlativo.
P. 392

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22 setembro, 2021


[Resenha] Um Beijo de Inverno na Livraria dos Corações Solitários - Annie Darling

Ficha Técnica 

Título: Um Beijo de Inverno no Corações Solitários
Título Original: A Winter Kiss on Rochester Mews
Autor: Annie Darling
ISBN: 978-85-7686-825-5
Páginas: 350
Ano: 2020
Tradutor: Cecília Camargo Bartalotti
Editora: Verus
O Natal é a ocasião perfeita para espalhar amor e alegria… Porém, na livraria Felizes para Sempre, um improvável casal luta para encontrar o espírito natalino.
Mattie, uma confeiteira brilhante, detesta a comemoração desde que teve o coração partido na véspera de um Natal. A única coisa que ela odeia mais que essa data é o insuportável Tom, que a irrita desde que ela começou a administrar o salão de chá ao lado da livraria.
Mas, após uma coincidência, os dois passam a conhecer detalhes da vida um do outro que sequer imaginavam, o que faz com que alguns pontos de vista se alterem.
Assim, quando Mattie e Tom são deixados no comando nos frenéticos dias antes do Natal, mesmo estando no inverno, as coisas certamente vão esquentar.
Será que uma livraria cheia de romances, com uma rena em tamanho real e uma barraca de beijos, pode convencer dois ranzinzas a se apaixonar pelo Natal… e, quem sabe, um pelo outro?

Resenha


Chegou o momento de voltar para a Felizes para Sempre, nossa amada livraria especializada em romances, e conhecer o final desta série que nos encantou desde o início. Vimos Posy, Verity e Nina encontrarem os seus respectivos “felizes para sempre”, então nada mais justo do que o misterioso Tom Greer também entrar o dele, concordam? Até porque eu sou curiosa ao extremo (vocês já sabem que sou escorpiana com ascendente em câncer e o FBI corre nas veias 😂😂).

Porém, antes de começar a falar, preciso sinalizar aqui os dois únicos pontos negativos que encontrei no livro, ao contrário dos outros três, este não foi protagonizado por um funcionário da livraria; acredito que por ser um homem a autora quis dar o protagonismo a uma mulher, como nos livros desta série, assim como a autora manteve a narrativa em primeira pessoa e trazendo apenas um lado da história, o que deixa Tom como um mistério para os leitores por muitos capítulos.

Há um ano e meio Matilda Smith administra o salão de chá anexo à livraria Felizes Para Sempre, lugar que ela considera um território neutro, um país independente da livraria, mas a verdade é que a parceria é muito mais intrínseca do que ela admite. Assim, às vésperas do Natal, ela foi convocada às pressas por Posy para definição das estratégias de fim de ano, mesmo odiando o Natal a exatos dois anos, desde que seu relacionamento evaporou poucos dias antes do feriado preferido dela.

Por causa desse relacionamento, ela deixou Paris, onde fez o curso de culinária dos sonhos, e retornou para Londres para lamber as feridas e se reerguer, mas as feridas ainda não haviam cicatrizado, ela ainda odiava o Natal, ainda não tinha trazido cores para o guarda-roupa e definitivamente não estava preparada para abrir o coração novamente.

Entretanto, a reunião para definição das estratégias de Natal trará uma boa notícia: um dos quartos no apartamento em cima da loja ficará vago e é sua chance de ter a possibilidade de economizar duas horas de trajeto, às vezes mais, a depender do trânsito. Ela só não esperava que Tom tivesse a mesma ideia.
Tom era como uma receita que não dava certo. Mas, do mesmo modo que havia feito trinta e três tentativas até aperfeiçoar seus bownies para corações partidos (finalmente achando o ponto exato ao acrescentar algumas nozes-pecã trituradas para aumentar a serotonina), Mattie não descansaria até que Tom não fosse mais um mistério.
P. 94
A relação entre Mattie e Tom era longe de ser a ideal. Ainda que trabalhassem tão perto, eles mal se falavam e Mattie vinha nutrindo um rancor profundo por Tom por causa de sua presença diária para pegar o café gratuito que ela fornecia para quem trouxesse sua caneca e comprasse algo, mas, além de nunca comprar nada, ele sempre estava com um panini que comprava todos os dias em uma padaria na mesma rua, bem oleoso e completamente diferente de seus salgados e doces frescos.

Acontece que, quis o destino que os dois conseguissem se mudar para o apartamento e a relação se torna cada vez mais conturbada entre eles, mas, enquanto sabemos que boa parte da maneira como Mattie encara a vida atualmente se deva a maneira como seu último relacionamento terminou, não compreendemos Tom de maneira alguma. Ele parece sempre carrancudo, misterioso e com algum comentário sarcástico na ponta da língua, mas temos vislumbres de alguém que se importa com seus colegas de trabalho, com seus amigos, mas parece não ser muito bom em interações sociais.
— Isso mesmo, o Tom é ótimo — acrescentou Veriry, entrando na defesa dele. — Você já mora com ele há duas semanas, então com certeza já pôde ver que, atrás da fachada séria e nerd, o Tom é um fofo.
— Ele é como um gato que finge ser antissocial, mas, na verdade, fica todo dengoso quando a gente o afaga — concordou Posy.
P. 156
Porém, Tom e Mattie encontram algo em comum: ambos odeiam o Natal e essa é a única trégua entre eles e em alguns poucos momentos eles até se toleram consideravelmente bem e enquanto os capítulos passavam, eu torcia para que eles abaixassem a guarda e Mattie conseguisse descobrir mais sobre Tom apenas para que eu pudesse conhecer os segredos dele. Quer dizer, nem eram segredos, na verdade ele só achava muito importante manter sua vida pessoal e profissional separadas, ao contrário de suas colegas de trabalho.

Em Um Beijo de Inverno na Livraria dos Corações Solitários continuamos contando com a presença dos protagonistas dos livros anteriores, afinal todos continuam trabalhando na livraria, e também de outros personagens, como Sam e Sophie e ainda teremos novos que somarão a essa turma. Além disso, enquanto o Natal se aproxima, as coisas ficam cada vez mais caóticas na livraria e no salão de chá com o movimento das pessoas que deixam as compras de fim de ano para a última hora, Tom e Mattie vão se conhecendo mais e mais; nós os conhecemos mais e mais e esperamos em qual momento os dois darão o braço a torcer e se entregarão a felicidade, mas esse é um caminho longo para os dois. Tanto que, quando cheguei à última página, tudo que eu imaginava era: quero mais!

Romântico e fofo assim como os outros livros, esta série foi um verdadeiro afago no coração, trazendo personagens apaixonados por livros, apaixonados por romances, que trabalham com o que amam e eu só suspirei do início ao fim esperando que a realidade pudesse ser um pouquinho como a ficção.

Enquanto isso não acontece, a gente mergulha de cabeça nos romances mesmo sem dó nem piedade! 😍😍😍 



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21 março, 2020


[Resenha] Amor Sob Encomenda - Carina Rissi

Ficha Técnica 

Título: Amor Sob Encomenda
Autor: Carina Rissi
ISBN: 978-85-7686-748-7
Páginas: 546
Ano: 2019
Editora: Verus
Melissa Gouvêa está totalmente focada na profissão. Responsável pela situação financeira da família, incluindo o caro tratamento médico da mãe, a determinada assistente sonha em se tornar a produtora de eventos da Allure. Como se casar não faz parte de seus planos no momento, ela se assusta ao saber que o namorado foi visto comprando um anel de noivado. Mas Mel não devia ter se preocupado tanto, já que o anel não era para ela e, pior ainda, a Allure foi contratada para o cerimonial do canalha. Mesmo assim, Melissa aceita o maior desafio de todos: produzir o casamento do ex. A bagunça em sua vida aumenta quando ela se vê dividindo o apartamento com o cara mais irritante, cínico, atrevido - e muito lindo, infelizmente - que conhece. Melissa devia se concentrar em manter o que resta de seu coração a salvo e sobreviver ao casamento do ex. O problema é que o novo colega de apartamento confunde sua razão e seus batimentos cardíacos, despertando desejos avassaladores até então desconhecidos. Tarde demais, Mel se dá conta de que seu coração nunca correu tanto perigo. Amor sob encomenda vem cheio de humor, amor e emoção e apresenta uma história que nos fará refletir a respeito do que realmente é importante na vida.

Resenha

Sinceramente, não sei como consigo passar tanto tempo sem ler os livros da Carina Rissi, quando começo um começo a pensar: meu Deus, como consegui ficar tanto tempo sem eles? É sempre delcioso, romântico e divertido.

Melissa Gouvêa tem 25 anos e trabalha na Allure, uma empresa de eventos. Embora atue como produtora de eventos, cuidando de contratos e da produção mesmo dos eventos, seu cargo registrado na carteira de trabalho está bem abaixo disso, por isso sua motivação é conseguir produzir o casamento da badalada herdeira Camila Salles de Castro Bueno, porta-voz do banco da família e vice-presidente de uma empresa de tecnologia. Assim, certamente sua chefe a promoveria, o que lhe garantiria mais dinheiro para as despesas da família. Melissa sempre foi muito dedicada ao trabalho, mas desde que sua mãe sofreu um acidente de carro e perdeu a capacidade de armazenar memórias recentes e, em seguida o pai perdeu o emprego, ela passou a ser a única fonte de renda da família. Claro que com a situação de saúde da mãe, os custos passaram a ser muito altos, dessa maneira, pensar em vida pessoal não cabia na realidade dela.

Ainda assim, Mel tem um namorado perfeito, Fred Lanza, economista de sucesso que estava apresentando um quadro no jornal da manhã e com possibilidades de ter um programa independente no final de semana. Claro que, por conta da mídia, eles nunca saiam em programas comuns de namorados, mas com a carga horária de trabalho de Melissa, isso era perfeito. Até ela descobrir que passou um ano sendo enganada por ele, acreditando ser a namorada quando na verdade era a amante.
Não tinha certeza se Nicolas se sentia da mesma forma. Talvez sim, já que ele continuou me segurando com intensidade. Acalentada pelo seu calor e seu delicioso perfume, pareando minha respiração na cadência da dele, com o murmúrio do mar a nos embalar, notei que, assim como acontecera na pracinha, Nicolas conseguira calar os gritos em minha mente. Todos eles, até os mais antigos, que me roubavam a paz fazia tanto tempo. Dessa vez consegui dar um nome àquela sensação extraordinária que eu experimentava em seus braços. Algo que eu pensara ter perdido havia muito tempo: paz.
P. 294
Nesse momento em que a vida pessoal parece querer lhe dar uma rasteira, nada melhor do que canalizar as energias ainda mais no trabalho, e não é que o trabalho da sua vida cai no seu colo? Sim, Camila Bueno vai casar e quer que ela seja a cerimonialista. Finalmente algo bom não é mesmo? Mas é claro que a vida sempre nos mostra que nem tudo é tão simples assim.

Primeiro: Melissa acaba reencontrando em uma curta viagem de negócios o maravilhoso Nicolas Cassani, não que ela o veja dessa forma. Para quem não leu os livros Procura-se um Marido e Mentira Perfeita, Nicolas é primo de Max e Marcus Cassani, os protagonistas dos livros, respectivamente, e Melissa, sendo cerimonialista dos casamentos dos Cassanis, conheceu Nicolas completamente bêbado no ensaio de casamento de um deles. Nos poucos encontros que tiveram, a interação entre eles foi péssima e não foi diferente nessa viagem, quando tudo parecia estar dando errado.

Que tal piorar um pouco mais a situação para a protagonistas? Então vamos lá: Melissa descobriu que o noivo de Camila é ninguém menos que seu ex; ela não pode desistir de fazer esse casamento, pois é sua chance real de ser promovida e sua melhor amiga, com quem divide o apartamento, irá morar com o namorado, o que demanda a necessidade de se mudar o quanto antes do apartamento.

Para mim, o que Melissa precisa é de um bom banho de sal grosso, porque a única coisa boa aí, é o fato de estar encontrando Nicolas com muita frequência - ainda que ela não veja dessa forma. Mas ele será sua salvação, quando se veem prestes a dividir um apartamento no mesmo prédio onde ela já mora. Nada menos que o antigo apartamento de Dante - lembram do protagonista em No Mundo da Luna? Ele e a Luna aparecem rapidamente algumas vezes em Amor Sob Encomenda.
Nicolas me ensinara tanta coisa... Que dividir os problemas com alguém não me tornava fraca, apenas mais forte, centrada. Que eu não precisava ser tão dura comigo mesma, que ter sua mão na minha pelo caminho acidentado facilitava transpor cada um dos obstáculos. Que seu sorriso se tornara meu farol, a luz me guiando para fora das sombras.
P. 482
Sob vários protestos e com muitas regras de convivência, Mel, Loki - seu gato - e Nicolas passam a viver debaixo do mesmo teto e ela passa a se dar conta de que sua implicância com tudo que tem relação à Nicolas tem um nome: atração.

Nocolas inteligente, carismático e tem um humor irreverente. Ele é um brilhante desenvolvedor de softwares e foi graças a um projeto diferenciado que atraiu a atenção da Brasitecno, onde trabalha a pouco mais de um ano. Coincidentemente é a empresa onde Camila Bueno é a vice-presidente.

Como o livro é narrado na visão da Melissa, são nas interações com ela que descobrimos que Nicolas não é apenas o mulherengo que ela acreditou que ele fosse no início. Ele também é muito fiel e dedicado à família, aos amigos e ao trabalho que adora, por isso conquista todos ao seu redor - inclusive ela. Claro que ele também tem seus problemas, mas não deixa transparecer para ninguém, exceto Melissa.

Ao passarmos pelos capítulos descobrimos como a convivência com Nicolas faz com que Melissa dê mais atenção a si mesma. Seus amigos também terão um importante papel nesse aspecto, pois desde o acidente de dois anos antes, ela pensa apenas na família e no trabalho, o que não é saudável, mas eu também acredito que tudo tem o momento certo e talvez ela precisasse desse tempo para internalizar, refletir e superar os traumas vividos.
— Não acredito nisso. Em pessoa certa na hora errada... Se é a pessoa certa, então o momento também é. Porque quando se encontra alguém que preenche todos os vazios dentro da gente, tudo muda. O mundo, os desejos, os sonhos. Tudo.
P. 512
Bem, deixa eu parar por aqui antes que eu acabe soltando algum spoiler sem querer, pois é fato que eu amei o livro e poderia ficar aqui escrevendo sobre ele por várias linhas. Os personagens são ótimos, a história é incrível e eu terminei completamente apaixonada e suspirando enquanto pensava: "universo, manda um Nicolas para mim, mas sem as complicações que o casal enfrentou?". Não custa pedir, não é mesmo?

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20 janeiro, 2020


[Resenha] As Dez-Vantagens de Morrer Depois de Você - Fernanda de Castro Lima

Ficha Técnica 

Título: As Dez-Vantagens de Morrer Depois de Você
Autor: Fernanda de Castro Lima
ISBN: 978-85-76867746
Páginas: 252
Ano: 2019
Editora: Verus
Coisas mágicas acontecem quando a gente se abre para o mundo. Gabriela Muniz tem dez desafios a cumprir, um mais desconcertante que o outro. Saltar de paraquedas é só o começo ― ela ainda vai ter que distribuir abraços a desconhecidos, aprender a dançar, cantar para uma multidão, entre outros itens da lista que sua amiga Júlia deixou para ela. A ideia surgiu em uma tarde em que as duas não tinham muito o que fazer: inventar dez coisas para a amiga cumprir caso a outra morresse. E que fossem coisas absurdas, já que, aos dezessete anos, a morte era algo muito, muito distante. Mas, quando Júlia sofre um terrível acidente, resta a Gabriela a memória de sua melhor amiga ― e a lista de desafios, que agora terão de ser cumpridos. Entre situações que tiram a pacata Gabriela completamente da zona de conforto ― é sério que a Júlia incluiu “Se apaixonar” na lista? ―, ela talvez aprenda que a vida pode ser mais leve quando vivida com alegria e intensidade, e que coisas mágicas acontecem quando a gente se abre para o mundo.

Resenha


Perder alguém que a gente ama é sempre uma experiência horrível e difícil de colocar em palavras. Ainda mais quando esse alguém era a pessoa mais importante do mundo e as coisas começam a não fazer mais sentido. As Dez-Vantagens de Morrer Depois de Você é uma história sobre perda e também sobre conexão, com a memória de quem se ama e com outros aspectos de si mesma. Júlia morreu num acidente de carro e deixou para sua amiga dez envelopes coloridos com desejos. Cada envelope contém algo que Júlia achava que faria sua amiga mais feliz. Conforme Gabriela vai realizando os desejos, ela se aproxima cada vez mais de uma versão de si mesma que lida melhor com o luto e se permite encontrar outras pessoas importantes além da amiga morta.

A amizade de Júlia e Gabriela sempre foi muito forte. Forte o bastante para que ninguém mais se aproximasse das duas e, quando a primeira morre, a segunda fica praticamente sozinha. Afinal, a única pessoa que poderia consolá-la está morta. E parte do processo de realizar os pedidos de Júlia envolve conhecer novas pessoas e "se jogar no mundo". Como se fosse uma forma de quebrar o luto e seguir adiante.

O livro possui uma escrita fluida, apesar de alguns dos diálogos (principalmente as mensagens de texto) não funcionarem muito bem. Além disso, Júlia é claramente uma mulher na geladeira, já que não possui nenhuma função na trama além de motivar a protagonista. Mas nada supera Fabinho, o único personagem gay da história, que é a encarnação do estereótipo negativo do "gay de estimação": irritante e sem propósito nenhum dentro da trama, ele só está ali pra cumprir cota e parece a interpretação que uma mulher heterossexual tem de um rapaz gay, ao invés de um personagem de verdade. E eu perdi a conta de quantas vezes a protagonista poderia estar morta, porque muitas das ações dela não funcionariam na vida real (entrar no carro de gente desconhecida é uma péssima ideia até na ficção).

Apesar disso, é reconfortante ver uma história centrada na amizade de duas meninas e em como elas se preocupam uma com a outra. As melhores partes do livro são as interações de Júlia e Gabriela e o retrato de uma amizade que não é perfeita e por isso mesmo parece real. As duas se apoiam, implicam uma com a outra, brigam e se resolvem, como amigas de verdade. É nesses momentos que a história parece mais honesta. As Dez-Vantagens de Morrer Depois de Você é um livro que vai funcionar muito melhor com o público jovem. Uma história sobre amizade recomendada para quem não se imagina sem a melhor amiga. E para quem gosta de um drama também.

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07 setembro, 2019


[Resenha] Loucamente Apaixonada na Livraria dos Corações Solitários - Annie Darling

Ficha Técnica 

Título: Loucamente Apaixonada na Livraria dos Corações Solitários
Título Original: Crazy in love at the lonely hearts bookshop
Autor: Annie Darling
ISBN: 978-85-7686-770-8
Páginas: 322
Ano: 2019
Tradutor: Cecília Camargo Bartalotti
Editora: Verus
Novo romance da série A Livraria dos Corações Solitários, sobre a vida dos funcionários da livraria que por uma razão ou outra desistiram do amor e, ainda assim, o encontram quando menos esperam. Cheia de tatuagens e com o cabelo cor-de-rosa, a dublê de pinup Nina adora bad boys — quanto mais cara de mau, melhor. Apesar dos receios de seus amigos, ela acredita firmemente que o amor verdadeiro só tem uma forma: selvagem, intenso e pontuado por brigas tempestuosas — como na história de Heathcliff e Cathy, o casal angustiado de O Morro dos Ventos Uivantes. E ela não vai se contentar com nada menos que isso. Mas anos de encontros marcados por aplicativo não trouxeram nada além de caras esquisitos e paqueras banais, e Nina não está nem um pouco mais perto de encontrar o amor. Quando um homem de seu passado entra na livraria, Nina sabe que não tem nada a temer: o garoto mais nerd da escola se tornou um analista de negócios tedioso que combina o terno com a gravata, sem chance de fazer seu coração bater mais rápido. O que só mostra quão pouco Nina sabe sobre bad boys, analistas de negócios e o próprio coração.. Este é mais um romance delicioso da série A Livraria dos Corações Solitários, sobre a vida dos funcionários da livraria, um “alegre bando de desajustados”, que por uma razão ou outra desistiram do amor e, ainda assim, o encontram quando menos esperam.

Resenha


Chegou a hora de voltar para A Livraria dos Corações Solitários e reencontrar personagens tão queridos e divertidos. Depois de ter lido sobre a Posy e a Very encontrarem seus amores nos dois primeiros livros dessa série, está na hora de Nina ter a sua chance.

Nina O'Kelly tem quase trinta anos e continua na busca do seu verdadeiro amor que, segundo ela, deve ser selvagem, intenso e pontuado por brigas tempestuosas e tudo isso porque é apaixonada pelo romance O Morro dos Ventos Uivantes e pelo amor entre Heathcliff e Cathy. Para isso, ela sai bastante com os amigos para os pubs e marca diversos encontros com caras que conhece pelo app de relacionamento.

Desde que saiu da casa dos pais, Nina vive a busca por encontrar seu amor e a si mesma, antes de tudo. Movida pela busca de viver intensamente, ela saiu do emprego no salão de beleza da tia - próximo de casa -, saiu da casa dos pais, agora tem muitas tatuagens literárias pelo corpo, se veste em um autêntico estilo pinup, bem vintage mesmo e seu cabelo está sempre com uma cor diferente.
—  Na verdade, O Morro dos Ventos Uivantes tem sido minha inspiração nesses últimos dez anos da minha vida. Foi por isso que saí da Hair (and Nails) By Mandy e de Worcester Park, por isso que faço a maior parte das coisas que faço.
—  Por quê? —  Noah perguntou.
— Paixão. Cathy e Heathcliff eram governados por suas paixões. Eles não se contentavam com o que era seguro ou medíocre.
P. 131
Mas é trabalhando na Felizes Para Sempre que ela reencontrará alguém do seu passado, Noah Harewood, um cara completamente diferente do seu tipo de homem: certinho, atencioso, inteligente. Um verdadeiro amor. Na verdade, Nina demora de lembrar de onde conhece Noah e ele não faz a mínima ideia de que no passado eles estudaram na mesma escola, mas ele fica encantado com o jeito dela e a convida para um encontro, que ela aceita apenas por uma questão de princípios: não se recusa um convite para um encontro. Mas, quanto mais tempo eles passam no trabalho e saindo juntos, mais Nina percebe que, mesmo ele não sendo o tipo de homem que procura, Noah se infiltrou aos poucos em sua vida de uma forma que ela não vê mais prazer em marcar diversos encontros aleatórios, sair e paquerar outros homens e sente até mesmo a falta dele no trabalho, mesmo ele estando lá para analisar o trabalho dela e de seus colegas.

Além do romance, que torcemos para que dê certo, também temos a oportunidade de conhecer a família de Nina e, sinceramente, entendo perfeitamente a razão dela ter saído de casa e voltar o mínimo de vezes possível, principalmente pela relação que ela tem com a mãe, que sempre tem comentários que deixariam qualquer um para baixo.

Também há o outro lado da relação de amizade entre os funcionários da Felizes Para Sempre, Posy e seu marido Sebastian, Very que continua firme no namoro com Johnny e o mistério que Tom ainda é para todas elas — inclusive, estou ansiosa pelo livro dele, porque esse suspense está me matando de curiosidade.
Ela o conhecia havia pouco mais de um mês, mas não era o bastante. Ela sabia com uma rara certeza que Noah era o tipo de homem com quem ela poderia estar por um ano, dez anos, uma vida inteira, e ele ainda encontraria novas maneiras de surpreendê-la, de fazê-la rir, de fazê-la se sentir segura.
P. 268
Como o livro é narrado na perspectiva de Nina, não dá para saber muito sobre Noah, apenas o que ela sabe dele e quando eles estão juntos em cena, conversando, mas tenho que dizer uma coisa: Noah é o meu tipo de cara: inteligente, certinho, atencioso, amoroso. Estou apaixonada! 😍😍😍 

Assim como os dois primeiros livros da série, esse livro é um amorzinho e nos faz suspirar do início ao fim e quando chega ao final deixa aquele gostinho de quero mais.

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30 março, 2019


[Resenha] Quando a Noite Cai - Carina Rissi

Ficha Técnica 

Título: Quando a Noite Cai
Autor: Carina Rissi
ISBN: 978-85-7686-580-3
Páginas: 476
Ano: 2017
Editora: Verus
Briana Pinheiro sabe que não é a pessoa mais sortuda do mundo. Sempre que ela está por perto algo vai mal, especialmente no trabalho. Por isso é tão difícil manter um emprego. E a garota realmente precisa de grana, já que a pensão da família não anda nada bem. Mas esse não é o único motivo pelo qual Briana anda perdendo o sono. Quando a noite cai e o sono vem, ela é transportada para terras distantes: um mundo com espadas, castelos e um guerreiro irlandês que teima em lhe roubar os sonhos... e o coração. Depois de ser demitida — pela terceira vez no mês! —, Briana reúne coragem e esperanças e sai em busca de um novo trabalho. É quando Gael O’Connor cruza seu caminho. O irlandês de olhar misterioso e poucas palavras lhe oferece uma vaga em uma de suas empresas. Só tem um probleminha: seu novo chefe é exatamente igual ao guerreiro dos seus sonhos. Enquanto tenta manter a má sorte longe do escritório, Briana acaba por misturar realidade e fantasia e se apaixona pelo belo, irresistível e enigmático Gael. Em uma viagem à Irlanda, a paixão explode e, com ela, o mundo de Briana, pois a garota vai descobrir que seu conto de fadas está em risco — e que talvez nem mesmo o amor verdadeiro seja capaz de triunfar...

Resenha


Nossa, nem sabia que tinha sentido tanta falta das histórias da Carina Rissi, com seus personagens e diálogos divertidos.

Quando a Noite Cai nos apresenta Briana Pinheiro, uma jovem de 23 anos que tem uma certa afinidade com situações desastrosas - a garota é um verdadeiro imã de problemas - e é assim que a história começa, com ela se envolvendo em uma tremenda confusão no restaurante onde está trabalhando há alguns dias e sendo demitida em seguida - a terceira demissão do mês. Mas isso não é novidade para ela e sua família.
Desistir nem sempre é perder. Muitas vezes abandonar o que não está funcionando é a única maneira de ter a chance de um recomeço.
P. 311
A família de Briana tem uma pensão, mas desde a morte do pai, enquanto a mãe e a irmã cuidam do local, ela tem se dedicado a conseguir um emprego para conseguir manter as despesas em dia, mas isso não tem sido fácil, além de não conseguir ficar uma semana em qualquer emprego, a pensão tem apenas uma hóspede há anos - Dona Lola - que já é praticamente da família a essa altura.

Como se isso tudo não fosse suficiente, desde seu aniversário de 18 anos ela tem um sonho recorrente sobre uma história de amor de uma princesa e um guerreiro irlandês. Como Briana mesmo diz, os sonhos mais parecem uma série onde, a cada noite, ela tem acesso a um episódio da história de Lorcan e Ciara. Esses personagens a perseguem há cinco anos e Lorcan é recorrente nos desenhos que ela faz até que, ao sair frustrada de uma quase entrevista de emprego e de quase ter sido atropelada, ela vê Lorcan diante de seus olhos - e nem está dormindo.
— Dona Lola, não existe nada entre nós. — Eu a soltei, rindo. — De verdade.
— Pode repetir isso pra si mesma, se te traz algum conforto. Mas eu sei o que eu vi. Vocês se encontraram. E, quando isso acontece, nada mais pode ser feito.
P. 186
Enquanto seu quase atropelador lhe dá toda assistência necessária, Briana não deixa de notar o quanto ele é lindo/quase cópia idêntica de Lorcan, e é aí que sua sorte parece mudar. Gael O’Connor é um empresário bem sucedido e está em busca de uma assistente pessoal e assim, finalmente Briana tem a chance de um emprego novamente e quem sabe assim ajudar nas contas em casa, além é claro de ficar próximo de Gael.

Ao trabalhar com Gael, Briana começa a enxergar as diferenças entre ele e Lorcan, mas ainda assim não consegue deixar de sentir atração pelo novo chefe - difícil, sem dúvida. Quanto mais tempo passam juntos, mas a relação entre eles se torna mais próxima e Lorenzo - amigo de Gael e antigo assessor - percebe como ele está diferente após a chegada de Briana, mais leve e relaxado como nunca havia visto antes.
— Você não sai da minha cabeça. — No tempo de uma pulsação, ele estava diante de mim outra vez, a tormenta dentro de si ganhando força. — Eu tento não pensar em você, mas é impossível, porque você está bem ali, batucando na mesa com o lápis, trançando o cabelo, sorrindo para o celular enquanto responde a alguém, sendo gentil e educada com todo mundo. Estou cansado de fingir que não te vejo, que ão penso em você, que não te desejo, e de me sentir miserável por isso. Eu sei que você é capaz de entender o que eu digo. Eu sei que é, porque você é a única pessoa que realmente pode me ver por dentro.
P. 244
Quando a Noite Cai é narrado em primeira pessoa pela Briana, então só temos a visão dela, mas é tão divertida que nem senti falta do lado do Gael. Além disso, a narrativa alterna o presente e os sonhos de Briana, o que nos faz relacionar as duas histórias e entender que mistério ronda o passado de Gael.

O livro tem romance, drama, humor e fantasia e me fez suspirar e torcer para que Gael se desse uma chance para ser feliz e que a onda de azar de Briana desse uma trégua para a garota, sem falar que eles viajam a negócios para a Irlanda e eu fiquei sonhando acordada com o dia que poderei visitar esse país, que Vitória já mostrou um pouco aqui no blog na coluna Próxima Parada. Carina também aborda temas como a importância da amizade e da família como alicerces e foi muito feliz em como reuniu tudo isso nesse livro que, embora tenha mais de quatrocentas páginas, a leitura é absolutamente leve e a gente nem percebe que tem tudo isso - na verdade, no final eu ainda queria mais.

Se você curte uma boa comédia romântica, mais uma vez a Carina não deixa a desejar, vale muito a pena a leitura desse romance.
É natural do ser humano lutar. E, sempre que nos sentimos ameaçados, acuados, amedrontados ou feridos, nós atacamos, porque é o jeito mais fácil de mascarar a dor. Perdoar exige muito mais: mais bravura, mais coragem, mais força.
P. 410-411
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22 junho, 2018


[Resenha] Amor Verdadeiro na Livraria dos Corações Solitários - Annie Darling

Ficha Técnica 

Título: Amor Verdadeiro na Livraria dos Corações Solitários
Título Original: True Love at the Lonely Hearts Bookshop
Autor: Annie Darling
ISBN: 978-85-7686-676-3
Páginas: 336
Ano: 2018
Tradutor: Cecília Camargo Bartalotti
Editora: Verus
Este é mais um romance delicioso da série A Livraria dos Corações Solitários, sobre a vida dos funcionários da livraria, um “alegre bando de desajustados”, que por uma razão ou outra desistiram do amor e, ainda assim, o encontram quando menos esperam. É uma verdade universalmente conhecida que uma mulher solteira, em posse de um bom emprego, quatro irmãs mandonas e um gato carente, deve estar em busca do seu verdadeiro amor. Será? Verity Love — fã de carteirinha de Jane Austen e uma introvertida em um mundo de extrovertidos — está perfeitamente feliz sozinha, muito obrigada. E seu namorado fictício, Peter Hardy, é muito útil para ajudá-la a escapar de eventos sociais indesejados. Mas, quando um mal-entendido a obriga a apresentar um total estranho como namorado para suas amigas, a vida de Verity de repente se torna muito mais complicada. Uma namorada fictícia também pode ser bem útil para Johnny. Indo contra todos os instintos de Verity, ela se deixa convencer a fazer uma parceria com ele para um único verão recheado de casamentos, aniversários e festas no jardim, com apenas uma promessa: não se apaixonarem um pelo outro. Mas isso não tem nem chance de acontecer, pois Verity jurou nunca mais ter um namorado, e o coração de Johnny já tem dona...

Resenha


Depois de ter lido A Pequena Livraria dos Corações Solitários e me apaixonado pela história de Posy Morland e Sebastian Thorndyke, chegou a hora de conhecer a história de Verity Love.

Em Amor Verdadeiro na Livraria dos Corações Solitários, conhecendo Very, a gente descobre que, em seu primeiro, único e desastrado namoro, as coisas não terminaram de maneira muito agradável e desde então decidiu que será mais feliz sozinha. Entretanto, a pressão constante de sua família e amigos fez com que ela criasse um namorado fictício, Peter Hardy, oceanógrafo, que vivia viajando e não precisava apresentá-lo à ninguém. O caso é que, esse personagem que deveria ter permanecido em sua vida durante as festas, acabou se estendendo por alguns meses e a cobrança para que ele fosse apresentado estava cada vez maior e Very sabia que precisava acabar com aquela história de uma vez. Porém, inesperadamente ela conhece Johnny True e embarca em uma aventura ainda maior.

Very acaba conhecendo Johnny quando estava fugindo de Posy e Nina, que a seguiram e queriam descobrir quem era Peter de qualquer jeito e assim, ela sentou na primeira mesa com um homem solteiro no seu restaurante favorito.
Verity fechou os olhos e desejou que o fato de não poder ver Nina e Posy significasse que elas também não poderiam vê-la. Infelizmente, a vida nunca era tão generosa.
— Por favor - ela choramingou. — Eu te peço. Só deixe rolar. Por favor.
— Deixar rolar o quê? — ele perguntou, mas era tarde demais. Verity sentiu mãos pousarem em seus ombros e o forte perfume de rosas de que Nina gostava.
— Very! Não vai nos apresentar?
P. 14

A verdade é que Very gosta de estar sozinha, ela não se sente bem interagindo com muitas pessoas e por esse motivo ela permanece no escritório na livraria. E convenhamos, logo no início, com a perseguição de Nina e Posy eu já me senti sufocada também, imagina ela, que cresceu em uma casa pequena com os pais e as quatro irmãs. Very é filha de um vigário do interior e suas irmãs são absolutamente enxeridas, sério mesmo, todas elas tem nomes de virtudes, mas não refletem nenhuma delas: Constante (Constância), Mercy (Misericórdia), Patience (Paciência), Charity (Caridade) e Verity (Verdade).

Very não é de mudar sua rotina, nem de fazer novos amigos, mas ao conhecer Johnny ela acaba contando como se meteu nessa enrascada chamada Peter Hardy e Johnny lhe propõe que sejam namorados de mentira, para frequentarem as festas de verão, afinal, com um par, eles deixarão de ser insistentemente cobrados para estar em um relacionamento.
De alguma forma, enquanto ela estivera ocupada precisando ficar sozinha e inventando namorados imaginários, todas as pessoas que ela conhecia haviam formado casais. Todos haviam se tornado unidades de dois. Verity era a única solteira presente. Na verdade, a única solteira que ela conhecia.
P. 123
Enquanto Very tem certeza de que não quer viver um novo relacionamento, que não foi feita para isso, Johnny está apaixonado por alguém que não pode ter em sua vida e a cada nova festa que eles compareciam como "amigos que estão se conhecendo", mais a gente compreende a história de Johnny e confesso que fiquei frustrada por ver alguém tão legal se iludir com um amor que não iria para lugar nenhum e, principalmente, porque a mulher por quem ele é apaixonado não vale nada.

Gostando cada vez mais de Johnny, Very está decidida a aproveitar o tempo que têm juntos nesse verão para ajudá-lo a superar esse amor impossível e para isso ela contará com orientações de seu livro favorito: Orgulho e Preconceito. São tantas as situações em que ela busca ajuda nas páginas do livro que ele é praticamente um personagem nessa história. Assim como Johnny, eu nunca li o livro da Jane Austen, mas já o comprei para remediar essa situação e saber do que tanto Very e outras pessoas falam.
— Eu nunca tive ninguém em quem confiar até você aparecer na minha vida. Você parece me entender de um jeito que nem eu me entendo.
P. 238
A relação entre Johnny e Very é de muita cumplicidade e amizade e vê-los baixar a guarda para outras pessoas, outras experiências é maravilhoso, tanto que, quando percebem, o amor aconteceu.

Enquanto li as páginas de Amor Verdadeiro na Livraria dos Corações Solitários eu me identifiquei em muitos aspectos com Very e acredito que isso me deixou ainda mais apaixonada pelo livro, como se trouxesse mensagens para a minha vida. Valeu, Annie!

LINDO! Agora é esperar pelo próximo livro da Annie e voltar a nos deliciar com a história da Nina.

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