28 junho, 2019


[Resenha] O Que Aconteceu com Annie - C.J. Tudor

Ficha Técnica 

Título: O que Aconteceu com Annie
Título Original: The Taking of Annie Thorne
Autor: C. J. Tudor
ISBN: 978-85-510-0475-3
Páginas: 288
Ano: 2019
Tradutor: Flávia Rossler
Editora: Intrínseca
Quando Joe Thorne era adolescente, sua irmã mais nova desapareceu. Vinte e cinco anos depois, um e-mail anônimo o leva mais uma vez ao passado: “Eu sei o que aconteceu com sua irmã. Está acontecendo de novo.” Atolado em dívidas e bem longe do vilarejo onde cresceu, Joe precisa escapar das pessoas perigosas que estão atrás dele, mas também vê a oportunidade de resolver o que arrasta consigo há mais de duas décadas. Retornar a Arnhill parece a única opção. Mas voltar também significa abrir velhas feridas e reencontrar pessoas e lugares que ele nunca mais pensou que veria. Afinal, alguns segredos são grandes demais — e Joe não faz ideia de onde está se metendo. Neste suspense de ares sobrenaturais, o leitor é carregado por reviravoltas sombrias que o deixam na expectativa até o fim. O que Aconteceu com Annie é uma viagem ao lugar mais escuro de um passado que precisa ser esquecido.

Resenha

Anos após o desaparecimento de sua irmã, Annie, Joe Thorne recebe um e-mail anônimo que lhe diz o seguinte: “Eu sei o que aconteceu com sua irmã. Está acontecendo de novo”. Assim, não resta a Joe senão voltar a sua cidade natal, Arnhill, para tentar descobrir quem lhe enviou a mensagem, e se de fato, novos desaparecimentos estão ocorrendo na cidade.

Ao retornar à Arnhill, Joe se vê em uma situação delicada, já que os moradores da região não estão muito satisfeitos com sua presença e sua súbita curiosidade em relação ao desaparecimento de adolescentes nos últimos meses. Talvez seja por isso que Joe começa a receber ameaças de morte, sendo necessário então que ele descubra o mais rápido possível se os novos eventos tem alguma relação de fato com o desaparecimento de sua irmã 25 anos atrás. E caso tenha, ele precisará fazer de tudo para pôr um ponto final a isto.
Eles riem, um pouco nervosos. A conversa segue em frente. Foi uma boa jogada. Sou um homem bom, um homem honesto. Um homem que enfrentou uma tragédia, que carrega suas cicatrizes, mas que ainda tem algum senso de humor.
Também sou mentiroso. Não perdi minha irmã em um acidente de carro, e também não mancava naquela época.
P. 42
“O que Aconteceu com Annie” é a mais nova obra da autora C.J. Tudor, a mesma de “O Homem de Giz”. Aqui, Tudor parece trabalhar na mesma frequência do livro anterior, não restando ao leitor muitas surpresas e novidades, apesar de sua excelente escrita. Além disso, mais uma vez a história de Tudo se mostra beber bastante de obras de Stephen King, fazendo com que cedo ou tarde o leitor tenha a impressão de já ter lido aquilo anteriormente.

Alternando a narrativa entre passado e presente, o livro é narrado em terceira pessoa pelo Joe, que é uma personagem o tanto quanto diferenciada, pois ele já tem conhecimento do que aconteceu de fato com Annie, restando assim a nós, leitores, acompanharmos sua trajetória para compreender melhor o desaparecimento dela. No topo disso tudo, Joe é escrito de uma forma bem misteriosa, e as suas camadas vão se desenrolando a cada capítulo, o que é bem interessante de acompanhar.
Olhei para Annie.
– O que você está fazendo aqui, porra?
P. 197
O bom do livro é que C.J. sabe criar uma atmosfera de suspense e mistério, e devido a este artifício, a leitura além de fluir, também consegue prender o leitor. Outro ponto positivo são os capítulos curtinhos, que obviamente ajudam bastante nessa fluidez que acabei de citar. Vale ressaltar também que as personagens são interessantes e construídas de uma forma rica, mas como disse anteriormente, Joe é a principal delas. 

“O que Aconteceu com Annie” é um thriller com toques sobrenaturais, que poderá agradar a muitos. Na minha opinião, a autora poderia ter desenvolvido mais alguns pontos, principalmente nos capítulos finais do livro, pois o desfecho me pareceu muito morno, não condizendo com a construção que foi feita anteriormente. Com uma edição caprichada, que fará uma bela dupla na estante junto com “O Homem de Giz”, a nova obra de C.J. Tudor é instigante e satisfatória, mesmo com uma narrativa focada em uma zona de conforto.

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14 junho, 2019


[Resenha] Uma Mulher na Escuridão - Charlie Donlea

Ficha Técnica

Título: Uma Mulher na Escuridão
Título Original: Some Choose Darkness
Autor: Charlie Donlea
ISBN: 978-85-9581-072-3
Páginas: 303
Ano: 2019
Tradutor: Carlos Szlak
Editora: Faro Editorial
Ao limpar o escritório de seu pai, falecido há uma semana, a investigadora forense Rory encontra pistas e documentos ocultados da justiça que a fazem mergulhar num caso sem solução ocorrido 40 anos atrás. No verão de 1979, cinco mulheres de Chicago desapareceram. O predador, apelidado de Ladrão, não deixou nenhum corpo ou pista — até que a polícia recebeu um pacote enviado por uma mulher misteriosa chamada Angela Mitchell, cujas habilidades não-ortodoxas de investigação levaram à sua identidade. Mas antes que a polícia pudesse interrogá-la, Angela desapareceu. Agora, Rory descobre que o Ladrão está prestes ser posto em liberdade condicional pelo assassinato de Angela: o único crime pelo qual foi possível prendê-lo. Sendo um ex-cliente de seu pai, Rory reluta em representar o assassino, que continua afirmando não ser o assassino de Angela. Agora o acusado deseja que Rory faça o que seu pai prometeu: provar que Angela ainda está viva. Enquanto Rory começa a reconstruir os últimos dias de Angela, outro assassino emerge das sombras, replicando o mesmo modus operandi daqueles assassinatos. A cada descoberta, Rory se enreda mais no enigma de Angela Mitchell, e na mente atormentada do Ladrão.Traçar conexões entre passado e presente é a única maneira de colocar um ponto final naquele pesadelo, mas até Rory pode não estar preparada para a verdade...

Resenha

Mesclando passado e presente, “Uma Mulher na Escuridão” entrega ao leitor uma história inteligente, sagaz e com eventos muito bem amarrados. Aqui, iremos conhecer duas fortes mulheres: Rory e Angela. A primeira é uma investigadora forense, que após a morte de seu pai fica responsável por seus casos de advocacia. Um destes casos é o de um homem supostamente preso injustamente pelo assassinato de ninguém mais ninguém menos o que Angela.

Angela é a personagem responsável por nos apresentar os eventos situados no passado da obra. Ela é extremamente inteligente, mas também desconfiada e anti-social, além de possuir manias peculiares. E devido a tais comportamentos ditados como “estranhos”, que Angela se torna a responsável por desvendar a identidade de um serial killer que está raptando e matando mulheres na cidade de Chicago durante o verão de 1979.

Após o anúncio de quem era o assassino, conhecido por Ladrão, Angela desaparece, e é dada como morta, como forma de represália por ter aberto a boca para à polícia sobre a verdadeira identidade do psicopata. Porém, Ladrão garante que sofreu uma emboscada, e que Angela está viva, sendo assim ele, um inocente. 40 anos após esses eventos, caberá a Rory seguir os passos finais de Angela, para poder confirmar a suposta inocência de Ladrão, e assim, poder talvez encontrar o verdadeiro assassino que está em liberdade este tempo todo.
Angela recuou mais um pouco e se virou. Saiu correndo pela porta de serviço e atravessou o quintal. Alcançou a porta da cozinha e se atrapalhou com a maçaneta. Porém, logo que conseguiu abrir a porta, entrou na segurança da sua casa e girou imediatamente a chave na fechadura.
P. 50
Charles Donlea entrega mais uma excelente obra, com personagens fortes e reviravoltas sem fim. A escrita do autor é muito boa, fazendo com que a leitura seja fluida e ao mesmo tempo recheada de tensão. A decisão de dividir o livro entre dois tempos, foi certeira, ainda mais porque Donlea consegue conectar muito bem passado e presente, através de capítulos curtos, mas repletos de ação.

Provavelmente a melhor coisa de “Uma Mulher na Escuridão” seja suas personagens principais, ambas mulheres inteligentes, independentes e corajosas de suas próprias maneiras. Mesmo que elas não se encontrem fisicamente devido há um espaço temporal de 40 anos, é curioso como a narrativa dá ideia que elas estão trabalhando juntas para solucionar os mistérios do livro.
Rory esperou um momento.
– Receia o quê?
– Que eu não a tenha tratado melhor do que qualquer uma das pessoas que ela tentou evitar.
– O que houve?
Catherine tomou um gole de café para ganhar coragem.
– Tenho certeza de que você sabe sobre as mulheres desaparecidas em 1979.
P. 159
A edição do livro está boa, apesar de continuar não entendo muito a insistência da editora nesses títulos super batidos e que destoam em relação ao título original da obra. O livro em inglês se chama “Some Choose Darkness”, algo como “Alguns Escolhem a Escuridão” em tradução livre, e mais uma vez a Faro opta em introduzir no título “uma garota”, “uma menina”, “uma mulher” ou coisa que valha no título, como se isso fosse este o motivo maior de alguém se interessar pelo livro em questão. Também não fiquei satisfeito com a imagem da capa, porém quando vi a capa do original, percebi que estamos no lucro.

“Uma Mulher na Escuridão” é mais uma obra coesa e muito bem elaborada do autor Charlie Donlea. Com mistérios e reviravoltas para dar e vender, o livro é uma excelente pedida para os fãs de thriller. Tenho certeza absoluta que a sagacidade e maestria de Rory e Angela irão lhe conquistar, assim como me conquistaram.

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21 abril, 2019


[Resenha] A Caça - M.A. Bennett

Ficha Técnica 

Título: A Caça
Título Original: S.T.A.G.S.
Autor: M. A. Bennett
ISBN: 978-85-8041-930-6
Páginas: 239
Ano: 2019
Tradutor: Alves Calado
Editora: Arqueiro
O ano letivo começou e Greer ­MacDonald está se esforçando ao máximo para se adaptar ao colégio interno onde ela entrou como bolsista. O problema é que a STAGS, além de ser a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, é repleta de alunos ricos e privilegiados – tudo o que Greer não é. Para sua grande surpresa, um dia Greer recebe um cartão misterioso com apenas três palavras: “caça tiro pesca”. Trata-se de um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito e popular do colégio... e líder dos medievais, o grupo de alunos que dita as regras. Greer se junta ao clã de Henry e a outros colegas escolhidos para o evento, mas esse conto de fadas não vai terminar da maneira que ela imagina. À medida que os três esportes se tornam mais sombrios e estranhos, Greer se dá conta de que os predadores estão à espreita... e eles querem sangue. Que a caçada comece!

Resenha


Greer acaba de ser aceita como bolsista em um colégio de elite, e apesar de ser uma oportunidade única, a jovem se vê em um ambiente totalmente tóxico e solitário. Sendo um das escolas mais tradicionais e antigas do Reino Unido, a STAGS claramente é uma instituição que funciona pela hierarquia, onde os mais ricos comandam, não sendo este, obviamente, o caso de Greer.

Porém, após meses de exclusão por parte de seus colegas, Greer recebe um inusitado cartão, lhe convidando para um fim de semana especial na casa de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito da STAGS e não por acaso o líder dos medievais, um grupinho super exclusivo de estudantes para lá de ricos e privilegiados.

O tal evento se resume em três dias de esportes ao ar livre, sendo eles caça, tiro e pesca. Para os jovens de elite da STAGS, claramente que tais atividades esportivas não passam de brincadeira de criança, porém Greer nunca teve a chance de praticá-los. Na dúvida entre aceitar ou não o convite, a garota decide ir, pois talvez esta seja sua única chance de se enturmar com os estudantes de sua nova escola, e assim poder fazer amigos. Mas ao chegar na suntuosa mansão dos Warlencourt, Greer percebe logo que há algo de muito estranho, e o que era para ser um fim de semana divertido, poderá se tornar um filme de terror.
Eu me senti meio esquisita por não haver ninguém… no comando.
Nada de pais.
Apenas nove adolescentes numa casa enorme.
P. 57
Narrado em primeira pessoa, sob a ótica da nossa personagem principal Greer, “A Caça” se mostra uma obra coesa, tensa e bem amarrada. Escrito pela inglesa M.A. Bennett, o livro cria um universo absurdo, mas ainda assim crível, carregando em suas páginas além de um suspense, uma crítica social válida e pertinente, que me lembrou vagamente a crítica feita pelo excelente filme “Corra!” (2017) do diretor Jordan Peele.

Apesar da boa escrita da autora, que consegue imprimir muito bem a grandiosidade do ambiente onde a história se passa, a mesma peca um pouco ao entregar uma personagem principal que oscila entre muito safa ou muito boba, nunca encontrando um meio termo. Isso no início até que é aceitável, mas chega certo ponto da narrativa, onde a moça tem em suas mãos todas as cartas, e ainda insiste em fazer papel de otária… e assim não dá para defendê-la.
— É melhor desse jeito — disse ele gentilmente. — Confie em mim.A verdade é que eu não tinha certeza se ainda confiava.
P. 138
Por outro lado, as personagens coadjuvantes são bem ricas e variadas, trazendo ao contexto dos eventos diversas possibilidades. Os capítulos não são longos, o que obviamente dá movimento e agilidade ao livro, o que enriquece toda a tensão que a obra pretende entregar a seu leitor. Essa tensão por sinal, é algo que nos acompanha até a última página, pois a autora consegue dar muitas camadas à história, surpreendendo mesmo quando os fatos são meio óbvios.

“A Caça” é uma leitura boa e consistente. Se passando em universo juvenil, porém cruel, a autora M.A. Bennett consegue entregar um Young Adult diferente e fresco para seus leitores. Sua escrita é coerente, mesmo quando sua personagem principal opta por fazer papel de desentendida. No mais, para os fãs de um thriller, com pitadas de ação e juventude, “A Caça” é uma excelente pedida, principalmente por sua excelente crítica social, com questionamentos plausíveis e atuais.

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28 julho, 2018


[Seriando um Pouquinho] The Alienist

Sinopse: Thriller psicológico dinâmico e atmosférico sobre um trio de especialistas formado pelo psiquiatra Laszlo Kreizler, o repórter jornalístico John Moore e o comissário de polícia Theodore Roosevelt, responsável por desenvolver as primeiras técnicas de psicologia e investigação para encontrar um assombroso serial killer na Era de Ouro de Nova Iorque.

Então, a sinopse oficial (ou a que eu acabei encontrado na internet) da série está um pouco equivocada e um tanto quanto machista. Já que, para quem assistiu a série exibida originalmente pela TNT americana, é possível identificar que os protagonistas da série são: Daniel Brühl, que interpreta o alienista Laszlo Kreizler; Luke Evans, o repórter jornalístico John Moore, meio ingênuo e de bom coração; E Dakota Fanning, que dá vida a Sara Howard, primeira mulher a trabalhar no Departamento de polícia de Nova Iorque. 


Claro que usar o nome de Theodore Roosevelt chama atenção e é extremamente importante. Para os desavisados, o personagem da série realmente existiu sendo nomeado presidente do conselho do comissariado da polícia da cidade de Nova Iorque em 1895. A história nos conta que enquanto exerceu o cargo, Roosevelt reformou radicalmente o departamento da polícia que tinha a reputação de ser uma das mais corruptas da América. Mais tarde, em 1901, ocupou o cargo mais importante dos Estados Unidos, sendo o 26º Presidente do país. Sim, o sobrenome Roosevelt nos leva a achar que seria algum parente do presidente, mas é o próprio.


Mas voltemos à série. Ambientada em 1896, a série que foi baseada no aclamado best-seller de Caleb Carr, trata de thriller que se passa na cidade de Nova Iorque em meio à inovação tecnológica, diferenças sociais gritantes, além da luta das mulheres para ocupar seu lugar na sociedade, seja trabalhando, votando ou exercendo o que quer que elas desejem.


A história perpassa a investigação de um serial killer que cometeu uma série de assassinatos a garotos que se prostituem. Com a autorização do Comissário de Polícia Roosevelt, Dr. Laszlo Kreizler e John Moore conduzem uma investigação em segredo paralelo à investigação policial, já que a corrupção está  entranhada em todos os cargos da polícia da cidade. Kriezler é conhecido como Alienista, pois dedica sua vida a estudar patologias mentais para desvendar os comportamentos de quem sofreu algum tipo de trauma e como, porque e o que leva o ser humano a cometer crimes como o assassinato. Kriezler, recorre ao auxílio de um antigo amigo para ter acesso às informações sobre os crimes. Esse amigo é o jornalista Moore, ilustrador do The New York Times. Por não fazer parte do corpo policial, a dupla precisava de alguém de dentro da polícia, pois isso contam com a ajuda de Sara Howard, a jovem secretária da equipe de Roosevelt que não se contenta em apenas ser secretária, seus planos são bem maiores, ela deseja se tornar a primeira detetive de polícia da cidade de Nova Iorque. 


O trio passa a estudar os corpos, as mutilações, o ambiente quem que os corpos são encontrados, para que possam começar a  traçar um perfil do assassino e do rastro deixado por ele. pois em 1896, não existia uma ideia do que seria um serial killer ou como se comporta a mente de um assassinos. Diferente de investigações que se passam no nosso tempo, em O Alienista, temos uma trama um pouco mais arrastada, visto que não existiam celulares, computador e coisas que estamos acostumados no nosso cotidiano. Reconstruir uma Nova Iorque do século XIX não é uma tarefa fácil, porém foi realizada com maestria pela equipe de produção. A fotografia da série é extremamente preocupada com detalhes e o figurino não deixa nada à desejar. Compondo fatores importantes desenvolvimento da trama, a lealdade aos detalhes e atenção à história, remetem um cuidado com o próprio desenvolvimento dos personagens.


Os dez episódios foram muito bem avaliados pela crítica e pelo público, o que levou a Netflix comprar os direitos de distribuição da série, que já faz parte do seu catálogo ao redor do mundo. Não temos, ainda, notícias sobre uma segunda temporada, entretanto Caleb Carr, autor do livro que deu origem à série, escreveu  uma continuação, chamada O Anjo das Trevas.


Elenco
Daniel Brühl como o Dr. Laszlo Kreizler
Luke Evans como John Moore
Brian Geraghty como Theodore Roosevelt
Robert Ray Sabedoria como Cyrus Montrose
Douglas Smith como Marcus Isaacson
Matthew Shear como Lucius Isaacson
Q'orianka Kilcher como Mary Palmer
Matt Lintz como Stevie Taggert
Dakota Fanning como Sara Howard
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19 junho, 2018


[Resenha] O Homem de Giz - C. J. Tudor

Ficha Técnica 

Título: O Homem de Giz
Título Original: The Chalk Man
Autor: C. J. Tudor
ISBN: 978-85-510-0293-3
Páginas: 271
Ano: 2018
Tradutor: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes. Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás. Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.
que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido.

Resenha



É o ano de 1986. Na pequena cidade de Anderbury não há muito o que fazer, logo, Eddie, um garotinho de 12 anos de idade, aproveita qualquer possibilidade para sair da rotina em companhia de seus melhores amigos.

Um parque de diversões está na região, e é lá que os tenebrosos eventos começam a ocorrer. Depois deste dia, nada será como antes na vida de Eddie, e mesmo que o desenrolar inicial seja mero acaso, um grave acidente em um dos brinquedos, será somente o primeiro de muitos eventos a derramar sangue na cidadezinha. 

Eddie sempre soube que ele e seus amigos, Gav Gordo, Micky Metal, Hoppo e Nicky, não se encaixavam com o restante dos jovens do povoado, sendo o alvo preferido dos valentões dentro e fora da escola. Logo, eles preferiam ficar indo para cima e para baixo em suas bicicletas pelas desertas estradas ou desbravando os bosques ao redores da cidade. Porém, certo dia em uma dessas aventuras, Eddie e sua turma acabam encontrando um corpo desmembrado no meio da floresta.

Trinta anos se passam, e a descoberta desse corpo ainda assombra aqueles que o encontraram. O que em 1986 era uma mera brincadeira, em 2016 se torna um verdadeiro filme de terror. Quando crianças, Eddie e seus companheiros utilizavam de giz para se comunicarem em códigos, mas como o assassinato nunca foi solucionado, parece que alguém está buscando justiça, e acredita fielmente que as então crianças, possuem relação direta com a morte da jovem. E é assim, que todos os cinco amigos recebem uma estranha mensagem: um papel com o desenho de um bonequinho feito de giz… com uma corda enforcando seu pescoço.

Foi desenhado com lápis de cera, o que está errado. Talvez seja por isso que, como lembrete adicional, o remetente acrescentou outra coisa ali dentro. Viro o envelope e o objeto cai na mesa em uma pequena nuvem de poeira. Um único pedaço de giz branco.
P. 48

“O Homem de Giz” é inteligente, ágil, nostálgico e imprevisível. Com uma narrativa sagaz e dinâmica, a autora C. J. Tudor consegue criar uma obra que alterna entre passado e presente de uma forma que prende o leitor, além de sempre estar adicionando a cada capítulo um ingrediente importante, tanto para a conclusão do mistério como para o desenvolvimento das personagens e das inter-relações destas.

O artifício de utilizar de bonequinhos de giz para atormentar as personagens é de uma simplicidade, mas que ao mesmo tempo se mostra eficaz e assustador. Querendo ou não, essa feliz sacada da autora não se distancia do clássico terror psicológico, que utiliza de barulhos de vento, ranger de portas e sombras na janela para alcançar seu objetivo.

Eu poderia ter deixado o desenho ali. Talvez devesse ter deixado. Em vez disso, peguei uma bacia embaixo da pia e a enchi de água. Afoguei o homem de giz em água fria e restos de espuma de sabão.
Tentei me convencer de que algum dos outros tinha desenhado aquilo. Talvez Gav Gordo ou Hoppo. Uma espécie de piada de mau gosto.
P. 98

Provavelmente, a maior qualidade de “O Homem de Giz” se deve a sua excelente construção. A autora conhece de fato a sua história: sabe muito bem o passado de suas personagens, quem elas são e onde se encontram no presente. Isso possibilita um jogo entre as linhas temporais, conectando cada pequeno detalhe, que surpreendentemente começa na primeira página do livro, ainda no prólogo. Ficar atento é indispensável nesta leitura, caso você queira solucionar toda a teia de aranha que é essa história.

Além da bela composição criativa por parte da autora, preciso elogiar a edição do livro. Impresso em um papel com laterais pretas e confeccionado em capa dura, a Intrínseca entrega ao leitor um exemplar digno de uma edição de luxo, deixando bem claro que este é sem dúvidas, uma das maiores apostas da editora neste ano.

Talvez seja hora de dar um passeio na boa e velha estrada da memória. Só que não será um passeio por um caminho ensolarado de lembranças queridas. Essa rota específica é escura, um emaranhado de mentiras, segredos e buracos ocultos.
E ao longo do caminho há homens de giz.
P. 160

Com ares oitentistas, bebendo da fonte de grandes clássicos do suspense e terror de tal época, “O Homem de Giz” consegue ser singular, saudosista e contemporâneo ao mesmo tempo, criando personagens ricas e um desenrolar complexo, mas sem deixar nenhum ponto com a sua devida explicação. Mais do que indicado, seja por sua beleza exterior, seja por sua qualidade literária indiscutível. Sendo este o primeiro romance da autora, já fiquemos atentos aos próximos passos de uma provável ótima carreira de C. J. Tudor.
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22 abril, 2018


[Resenha] Rio Vermelho - Amy Lloyd

Ficha Técnica

Título: Rio Vermelho
Título Original: The Innocent Wife
Autor: Amy Lloyd
ISBN: 978-85-9581-014-3
Páginas: 266
Ano: 2018
Tradutor: Carlos Szlak
Editora: Faro Editorial
Você acredita nele... então porque está com tanto medo? Uma combinação perfeita de A Sangue Frio e Making a Murder! Como confrontar quem você ama quando você não tem certeza se quer saber a verdade? Há vinte anos, Dennis Danson foi preso pelo assassinato brutal de uma jovem no condado de Red River, na Flórida. Agora ele é o assunto de um documentário sobre crimes reais que está lançando um frenesi online para descobrir a verdade e libertar um homem que foi condenado erroneamente. A mil milhas de distância na Inglaterra, Samantha está obcecado com o caso de Dennis. Ela troca cartas com ele e é rapidamente conquistada por seu aparente charme e bondade para ela. Logo ela deixou sua velha vida para se casar com ele e fazer campanha para sua libertação. Mas quando a campanha é bem sucedida e Dennis é libertado, Sam começa a descobrir novos detalhes que sugerem que ele pode não ser tão inocente....

Resenha


Dennis Danson foi preso quando tinha 18 anos de idade por ter matado brutalmente uma jovem em sua cidade natal, Red River. Vinte anos anos se passaram, e após ser o personagem central de um documentário sobre crimes, um debate nacional surge sobre a condenação de Dennis e a possibilidade de seu caso ter sido julgado de uma forma errônea.

Enquanto isso, na Inglaterra, Samantha, que vive uma vida muito sem graça após um difícil divórcio, acaba se esbarrando na história de Dennis ao ponto de ficar obcecada. Desta forma, a moça envia uma carta para Danson, e após alguns meses nesse vai e vem de troca de mensagens, ela decide largar tudo para ir até a Flórida visitar aquele rapaz desconhecido, mas que de alguma forma lhe tira o sono e acelera o coração.

Ao chegar nos Estados Unidos e finalmente conhecer Dennis, a relação dos dois, que basicamente acontece através de uma parede de vidro no presídio local, floresce ao ponto de Dennis pedir Samantha em casamento. Apaixonada e confiante que o caso de seu amado será revisto, Sam nem imagina onde está se metendo, afinal, independentemente da suposta inocência de Dennis, ela não sabe nada sobre ele, além de sua relação com um assassinato. Porém, já foi dada a largada neste jogo, e só resta a Sam jogá-lo para realmente descobrir se ela entrou para ganhar ou perder.

– Não há versões. Não há história. Há apenas o que todos por aqui sabem que é verdade. É algo que forasteiros nunca entenderão, porque não estavam aqui, não conheciam as famílias como nós e não conheciam Dennis. Não como ele era então, antes de vocês o tornarem o que ele é agora. Antes de ele aprender a se mostrar como presa, e não como o predador.
P. 68

“Rio Vermelho” é um thriller com proposta interessante e ganhador de uma competição de best-sellers do Daily Mail. Escrito por Amy Lloyd, a obra é narrada através de um narrador onisciente, e dividido em três partes. A escrita de Lloyd é boa e se desenrola facilmente, e o fato dos capítulos não serem muito longos nem arrastados, dá uma potencializada nesta sensação de fluidez.

Com um número limitado de personagens, os fatos basicamente ocorrem entre Sam e Dennis: antes, durante e após ele sair da cadeia. A construção desse relacionamento, principalmente acompanhando essas subdivisões temporais, é a cerne principal da narrativa, que tenta ao máximo criar em Samantha a dúvida de ter ou não um relacionamento saudável com um homem que ela mal conhece. E obviamente, o que isso pode acarretar à ela no quesito perigo.

– Pois não deve ter medo dele. Dennis não fez nada. – Sam perguntou-se como poderia provar para o menino que tudo não passava de história e mitos. – Além do mais, sou casada com ele. Eu saberia se ele fosse um cara mau. Dennis nunca machucaria ninguém.
P. 167

Girando em torno dessas plots de “Dennis é culpado ou inocente?” e “Samantha fez bem em largar sua vida para ficar com ele?” que o livro se desenrola, porém não de uma forma surpreendente. Apesar de ter devorado o livro, a previsibilidade foi grande, e a falta de um suspense fez com que tudo ali fosse muito simplório. “Rio Vermelho” é uma obra constante, começa de uma forma e continua na mesma frequência até quase o final, onde tenta – e consegue brevemente – injetar um gás.

O final em si é bastante interessante, bem cru, bem direto e reflexivo. E na verdade, tal final é o epílogo, pois infelizmente as ações finais na minha opinião foram descritas de uma forma muito corrida e vaga, e senti muito, pois as possibilidades de desfecho eram imensas, e não vi aproveitamento. Durante a leitura eu conseguia visualizar as personagens gritando para a autora, pedindo por mais algumas páginas, para que tudo acontecesse de uma forma mais orgânica e menos acelerada. Uma pena que ela não os ouviu…

[...] No caminho de volta, Sam cochilou e sonhou com eles indo embora de Red River. Quando isso acabar, ela pensou, Dennis será diferente. Havia algo naquele lugar que fazia com que seu marido mudasse; e Sam podia sentir que a mudava também.
P. 196

No mais, como já disse, “Rio Vermelho” é uma obra constante, sem muito suspense ou reviravoltas, mas agradável. A edição como sempre está muito bonita, apesar de não ter gostado muito da capa, por ter achado ela muito poluída na parte superior. De qualquer forma, acredito que o livro tem fatores suficientes para agradar os fãs de um romance policial.

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27 fevereiro, 2018


[Resenha] Bem Atrás de Você - Lisa Gardner

Ficha Técnica

Título: Bem Atrás de Você
Título Original: Right Behind You
Autor: Lisa Gardner
ISBN: 978-85-8235-496-4
Páginas: 349
Ano: 2018
Tradutor: Eric Novello
Editora: Gutenberg
Após uma tragédia que o separou por oito anos de sua irmã mais nova, Sharlah, o jovem Telly ressurge como o principal suspeito de uma onda de assassinatos. Só uma pessoa é capaz de desenhar o perfil do criminoso: o hábil ex-agente do FBI Pierce Quincy, que é convocado para colaborar no caso. Mas seu envolvimento como pai adotivo de Sharlah pode obscurecer sua linha de raciocínio ou levá-lo para um emaranhado de pistas desconexas, mostrando que o caso pode ir muito além do que parece ser.


Resenha

Ah, que saudade eu estava de ler uma obra da Lisa Gardner. Mestre na escrita do thriller e suspense, havia um bom tempo que as obras de Gardner não chegavam por essas bandas do planeta Terra. Amém Gutenberg.

Em “Bem Atrás de Você” iremos nos deparar com a clássica multi-narrativa de Lisa, ao nos contar uma história familiar o tanto quanto incômoda. Enquanto eram crianças – ela com 5 anos de idade e ele com 9 anos – os irmãos Sharlah e Telly vivenciaram uma tragédia sem precedentes: seu pai extremamente alterado e furioso, após matar a sua esposa com facadas, vai atrás das crianças, porém o jovem Telly querendo defender sua irmã, pega um taco de beisebol e atinge seu pai, levando-o a óbito.

Oito anos se passam e descobrimos que os irmãos foram separados, cada qual enviado para uma família diferente. Agora com 13 anos de idade, Sharlah vive sob os cuidados do casal Pierce Quincy e Rainie Conner, e ainda sofre fortes consequências daquela fatídica noite. Mas, parece que o passado não deixará a menina seguir em frente tão fácil assim, pois certo dia seu irmão aparece nas manchetes de jornais, acusado de assassinar quatro pessoas, incluindo seus pais adotivos. Em seus pertences encontram fotos de Sharlah, e a polícia logo compreende que ela é a provável próxima vítima de Telly.

Urgentemente Quincy e Rainie, que são um agente aposentado do FBI e uma policial, decidem ajudar a investigação, antes que Telly consiga encontrar sua irmã. Porém o grande questionamento é; por qual motivo Telly surtou poucos meses antes de completar 18 anos? Qual o propósito em assassinar seus pais adotivos que lhe tratavam bem? Por que ele quer ir atrás de sua irmã 8 anos após vê-la pela última vez? Há muito nessa história que precisa ser desvendado, e tudo aponta para o que mais pode ter acontecido naquela noite em que os pais das crianças foram mortos.

Eu tenho sorte. Sei disso. E estou me esforçando bastante para colar meus cacos e melhorar e controlar meus impulsos.
Mas em alguns dias ainda é difícil ser eu mesma.
P. 19

Para quem não conhece, Lisa Gardner é especialista em romances policiais, com muita reviravolta, muitas surpresas e personagens bem desenvolvidos. Com diversos prêmios na estante e uma extensa lista de #1’s na lista do The New York Times, uma das maiores características da escrita de Lisa é escrever sob diversas perspectivas, tipo três ou quatro.

“Bem Atrás de Você” não fica atrás neste quesito. O livro é narrado pela Sharlah em primeira pessoa, porém temos capítulos sempre intercalando os acontecimentos que envolvem outras personagens como Telly, Quincy, Rainie e às vezes até a xerife ou outro policial qualquer. O que isso acarreta pra história? Muitas e muitas camadas de mistérios, que vão sendo destrinchados ao leitor pouco a pouco, literalmente a cada fim de capítulo.

Dito isto, fico contente em dizer que a obra é muito boa, bem escrita, com um desenvolvimento excelente, tanto nos acontecimentos quanto no quesito das personagens. Por boa parte da leitura pensei que já tinha desvendado todo o plot do livro, porém fui pego de surpresa, e apesar de ter chegado perto, me vi mergulhando em reviravoltas que nunca teria imaginado que o livro seria capaz de possuir.

[...] O passado é um luxo que crianças acolhidas não têm. Estamos ocupadas demais vivendo no presente. Quaisquer pensamentos que nutrisse sobre meus pais, já não penso mais. Quaisquer emoções que nutrisse em relação àquilo que o meu irmão fez, eu não as sinto mais.
Agora meu pergunto se Telly tinha feito o mesmo até hoje de manhã, quando saiu da cama, carregou a primeira arma e puxou o gatilho.
P. 84

Apesar de todo o mistério e ação que rondam os eventos da obra, ouso dizer que o ponto principal aqui são as relações familiares, e principalmente, o verdadeiro significado da palavra família e como é se sentir pertencente a uma. Pensando aqui, as obras que li de Gardner em sua maioria sempre trataram casos envolvendo família, porém este aqui leva tal relacionamento à outro nível.

No geral, “Bem Atrás de Você” não deixa a desejar em nada tratando-se de um thriller. Com uma escrita única e personagens bem verossímeis e ricos, Lisa Gardner entrega mais uma obra de deixar o leitor aficcionado até conseguir terminar de ler. Minha maior crítica não seria à escrita em si, mas sim para a edição, que achei ter páginas um pouco finais demais, e o corte das folhas, pelo menos no meu exemplar, não está bem retinho, deixando o papel cheio de pelotinhas.

“Família é algo poderoso, não acha? Ah, as coisas que fazemos pela família.”
P. 340

No mais, pode mandar mais Lisa Gardner pra gente Gutenberg, porque o amor aqui é real, não dá pra se cansar. Vale ressaltar que Quincy e Rainie são personagens antigos da Lisa, e existem vários outros casos com eles, sendo “Bem Atrás de Você” a primeira vez em anos que Gardner escreve sobre eles – um pedido por parte de seus leitores, que votaram em uma enquete em seu site. Mas não se preocupem, esse fato não afeta em nada a leitura deste volume, mas seria excelente podermos conhecer esses personagens desde o início de suas aventuras. Fica a dica Guten ;D.

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23 agosto, 2017


[Resenha] Carbono Alterado - Richard K. Morgan

Ficha Técnica 

Título: Carbono Alterado
Título Original: Altered Carbon
Autor: Richard K. Morgan
ISBN: 978-85-286-2165-5
Páginas: 490
Ano: 2017
Tradutor: Edmo Suassuna
Editora: Bertrand Brasil
Um eletrizante thriller noir de ficção científica em adaptação para série do Netflix No século XXV, a consciência de uma pessoa pode ser armazenada em um cartucho na base do cérebro e baixada para um novo corpo quando o atual para de funcionar. A morte, agora, nada mais é que um contratempo inconveniente, uma falha no programa. Takeshi Kovacs, um ex-militar de elite, após sua última morte, tem sua consciência transportada a Bay City, a antiga São Francisco, e é trazido de volta à vida para solucionar o assassinato de um magnata. Isso só para descobrir que seu contratante é a própria vítima, que voltou à vida em um novo corpo, mas sem as memórias do crime. Mal sabe Kovacs, porém, que essa investigação irá lançá-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.

Resenha


"Se você quiser justiça, terá que fazer isso com as próprias mãos. Leve para o lado pessoal. Cause o máximo de estrago que puder. deixe sua mensagem bem clara. Assim será bem mais provável que levem você a sério. De que considerem você uma pessoa perigosa."
Quellcrist Falconer, p. 176


Depois de levar mais tempo do que o esperado pra ler Carbono Alterado e sabendo que a Netflix está produzindo uma adaptação em 10 episódios que vai estrear ano que vem, eu só consigo pensar uma coisa: boa sorte.

O livro é narrado em primeira pessoa por Takeshi Kovacs, um ex-Emissário (que aqui equivale a um soldado de elite treinado para ser impiedoso), recém libertado de sua pena para investigar a morte de um executivo. Neste cenário (que foi descrito como noir mas que também pode ser chamado de cyberpunk ou distópico), as pessoas podem ter sua mente baixada para um cartucho que pode ser transferido para outro corpo. Crimes são punidos com armazenamento digital e os corpos dos criminosos, chamados de "capas", podem ser comprados e usados por outras pessoas enquanto eles cumprem suas penas.

Laurens Bancroft foi encontrado "morto" com um tiro na cabeça. Baixado para um novo corpo, ele recusa a ideia de suicídio, para desgosto da polícia local, e contrata Kovacs para descobrir o que realmente aconteceu. Essa investigação vai arrastar Kovacs numa espiral de violência, prostituição, crimes e intrigas muito mais extrema do que ele imaginava.

O protagonista do livro tem tanto carisma quanto o ator escolhido para interpretá-lo na série: nenhum. Takeshi é um sociopata altamente funcional, uma máquina de matar jogada num corpo que ele vai descobrir que não foi escolhido por acaso. No meio do caminho ele vai interagir com personagens tão ou menos carismáticos que ele, como é o caso da Miriam Bancroft. Meu deus, que mulher chata! Uma esposa troféu cruel e dissimulada que tem um relacionamento pouco saudável como marido. Além dela, temos Kristin Ortega, que começa como a policial mais mal humorada já escrita e evolui para uma versão menos mal humorada, Kadmin, o assassino mercenário treteiro, Reileen Kawahara, que sabe mais do que admite e que eu não me conformo que não vai ser interpretada pela Jessica Henwick, e o fantasma de Jimmy DeSoto, que tem o dom de aparecer quando o protagonista está mentalmente debilitado.

Na maior parte do tempo, o livro só faz sentido nas cenas de sexo, que são bem interessantes. Depois delas, graças a Zeus, o protagonista consegue se manter dentro das próprias calças (sério, são cinco menções ao próprio pênis em cento e vinte páginas!!). A segunda cena é mais bem elaborada e a conexão emocional entre os personagens é mais bem explorada.

Eu quase larguei o livro na página 159. Tem uma cena de estupro/tortura sexual extremamente desnecessária que acabou com a minha vontade de ler o resto. Então, se você tiver algum gatilho com isso, recomendo pular umas cinco páginas. Além dessa cena grotesca e descabida, tem o fato de que o protagonista é japonês/eslavo e fica preso no corpo de um cara branco. Tem tecnologia de troca de corpo? Tem. O corpo novo, ou capa, é relevante pra história? É. Mas essa relevância é mínima e não justifica o whitewashing do personagem. Faltou um leitor amigo pra dizer que esses dois pontos são problemáticos e totalmente não ok.

O livro melhora um pouco lá pelas páginas 250-300, mas não muito. Continua confuso, com uma série de termos tecnológicos que nunca são explicados, e depois de trezentas páginas você começa a não lembrar do fulaninho que foi mencionado no capítulo dois, sumiu e reapareceu agora. A edição poderia ter sido mais cuidadosa: o  livro tem uma série de erros de digitação e até erros de concordância verbal! Tudo isso poderia ter sido evitado com uma revisão eficiente.

A roteirista da série foi co-autora do roteiro de Ilha do Medo, o que me dá um pouco de esperança para a adaptação. Muita coisa vai ter que ser cortada e remendada e, pelo que consta no IMDB, personagens novos foram criados para série. Eu não confio no elenco escolhido porque parece que o único ator que não foi mal escalado vai interpretar um coadjuvante por dois episódios. É torcer pro roteiro ser só inspirado no livro e não baseado.
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21 agosto, 2017


[Resenha] Piano Vermelho - Josh Malerman

Ficha Técnica 

Título: Piano Vermelho
Título Original: Black Mad Wheel
Autor: Josh Malerman
ISBN: 978-85-510-0206-3
Páginas: 318
Ano: 2017
Tradutor: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Ex-ícones da cena musical de Detroit, os Danes estão mergulhados no ostracismo. Sem emplacar nenhum novo hit, eles trabalham trancados em estúdio produzindo outras bandas, enchendo a cara e se dedicando com reverência à criação — ou, no caso, à ausência dela. Uma rotina interrompida pela visita de um funcionário misterioso do governo dos Estados Unidos, com um convite mais misterioso ainda: uma viagem a um deserto na África para investigar a origem de um som desconhecido que carrega em suas ondas um enorme poder de destruição. Liderados pelo pianista Philip Tonka, os Danes se juntam a um pelotão insólito em uma jornada pelas entranhas mortais do deserto. A viagem, assustadora e cheia de enigmas, leva Tonka para o centro de uma intrincada conspiração. Seis meses depois, em um hospital, a enfermeira Ellen cuida de um paciente que se recupera de um acidente quase fatal. Sobreviver depois de tantas lesões parecia impossível, mas o homem resistiu. As circunstâncias do ocorrido ainda não foram esclarecidas e organismo dele está se curando em uma velocidade inexplicável. O paciente é Philip Tonka, e os meses que o separam do deserto e tudo o que lá aconteceu de nada serviram para dissipar seu medo e sua agonia. Onde foram parar seus companheiros? O que é verdade e o que é mentira? Ele precisa escapar para descobrir. Com uma narrativa tensa e surpreendente, Josh Malerman combina em Piano Vermelho o comum e o inusitado numa escalada de acontecimentos que se desdobra nas mais improváveis direções sem jamais deixar de proporcionar aquilo pelo qual o leitor mais espera: o medo.

Resenha


Josh Malerman provou seu talento ao lançar o seu primeiro livro, o elogiado e premiado thriller “Caixa de Pássaros”. Agora, Malerman tenta continuar surpreendendo ao criar sua nova aposta literária, “Piano Vermelho”, que segue bastante os moldes de sua obra de estréia, apesar de ter um ponto crucial de divergência. 

Aqui iremos conhecer Philip Tonka, pianista da Danes, uma pequena banda de Detroit, que certa vez já serviram como banda oficial do exército norte-americano durante a guerra. Iniciamos a trajetória de Tonka ao encontrá-lo destroçado em uma cama de hospital, no final da década de 50. Philip e sua banda foram enviados até o continente africano para tentar identificar um ruído sonoro, este que segundo os agentes de segurança dos Estados Unidos, poderia ser fonte de uma arma nuclear poderosa. 

O tal som é altamente perturbador, quem o ouve têm alucinações, enjoos, tonturas e o pior de tudo, pode ter seus ossos todos quebrados, fato que aconteceu com Philip e o colocou em coma durante 6 meses. Agora que acordou, Tonka precisa se lembrar exatamente do que aconteceu lá no deserto africano. O que era de fato o som? Onde está o restante dos integrantes da Danes? Como ele saiu da África e voltou para os Estados Unidos? Seria um ruído realmente capaz de destruir todo o seu corpo? Se sim, como – e por que – ele sobreviveu?
– Eles precisam da gente – argumenta.
– Quem são eles?
– Os Estados Unidos.
P. 54/55
“Piano Vermelho” é instigante. Bem escrito, muito bem elaborado e altamente viciante, a leitura flui rapidamente, fazendo o leitor devorar os capítulos intercalados; uns que mostram a vida de Philip ao ser recrutado para esta missão suicida e os demais narrado seis meses após estes fatos, com ele já acordado no hospital. Tal disposição narrativa foi utilizada pelo autor também em “Caixa de Pássaros”, e Malerman deixa claro que consegue fazer esse balanceamento de uma forma que ajuda a construir e manter o suspense.

Eu gostei bastante da leitura, porém a experiência só não foi excelente devido aos eventos finais, que não me agradaram muito. O que é curioso, pois muita gente criticou o final de “Caixa de Pássaros” por ser misterioso demais, coisa que me fascinou. Em “Piano Vermelho”, acho que talvez o autor tenha sofrido com tais críticas e tenha decidido ser um pouco mais claro com o seu mistério, o que para mim não funcionou como eu desejava.
Greer assente em meio ao silêncio que criou. Saboreia o momento. Então acrescenta:
– Alguma coisa nesse lugar quer que a gente chegue lá.
Greer tem a atenção de todos. Ele faz uma pausa dramática e o avião range contra o vento.
– Eu até diria que fomos convidados.
P. 87
Quando você constrói uma situação como a de “Piano Vermelho”, onde não sabemos exatamente o que está acontecendo, a nossa mente fica em alerta para qualquer possibilidade. Mesmo que não a esperemos, se houver uma boa justificativa e tiver sentido, nós iremos aceitar, ou pelo menos tentar entender de acordo com o universo ambientado. Josh Malerman, ao invés de manter o suspense, opta por tentar explicar o tal som, e para piorar, tal explicação não é muito clara. Ou seja, era melhor não ter tentado explicar nada e sustentado o ideal imaginário, pois vale muito mais um bom mistério que o leitor irá refletir, do que uma situação hipoteticamente clara extremamente decepcionante. 

No mais, apesar dos pesares, curti “Piano Vermelho”, e ainda acho Josh Malerman um excelente novo autor com uma carreira promissora e um potencial altíssimo. Espero ver em sua próxima empreitada a mesma carga de suspense de seus dois livros publicados, mas com uma nova estrutura de enredo e narrativa, até mesmo como forma de desafio. Enquanto isso, torcer para a adaptação cinematográfica de “Caixa de Pássaros” chegar o mais cedo possível.
O passado é presente e o presente é louco, e Philip liga a lanterna, desliga, vira à direita, dobra à esquerda, prossegue, fecha os olhos, abre os olhos, respira fundo, ignora, absorve.
Quando liga a lanterna outra vez, ele dá um grito.
P. 250
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