Ficha Técnica
Título: A Namorada Ideal
Título Original: The Girlfriend
Autor: Michelle Frances
ISBN: 978-85-8246-753-4
Páginas: 448
Ano: 2018
Tradutor: Marcia Blasques
Editora: Astral CulturalUma garota. Um garoto. A mãe dele. E a mentira que ela desejará nunca ter contado. O quão longe você iria para proteger seu filho? Laura tem uma vida perfeita: carreira de sucesso e um casamento feliz e duradouro com um marido rico. Além disso, Daniel, seu filho de vinte e três anos, é um jovem gentil e muito bonito. Um dia, Daniel conhece Cherry, uma garota inteligente que, infelizmente, não teve a vida que gostaria ter tido. Ela quer a vida de Laura. Quando uma tragédia acontece, uma decisão é tomada em um ato de desespero e uma mentira terrível é contada, tão terrível que mudará a vida de todos para sempre.
Resenha
Daniel retornou para casa após anos fazendo faculdade de medicina, porém, a estadia na residência de seus pais não vai ser longa, pois o jovem de 23 anos está decidido a encontrar um lar para chamar de seu. Enquanto procura sua nova morada, Daniel conhece Cherry, e instantaneamente os dois percebem que possuem muitas coisas em comum.
Mas Laura, a mãe de Daniel, não vai muito com a cara da nova namorada de seu único filho. Aos olhos de Laura, Cherry é mais uma interesseira atrás de usufruir das conquistas de Daniel. Não escondendo de ninguém que não vai com a cara da menina, Laura fará tudo ao seu alcance para que os dois não fiquem juntos, sem perceber que suas ações podem acabar afastando também o seu filho.
– Deixe-o em paz. Só porque, pela primeira vez na vida do rapaz, você não sabe cada detalhe. Não interfira.
– Não estou interferindo – ela falou baixinho. De repente, quis deixar o aposento. Colocou o guardanapo sobre a mesa e se levantou. Estava prestes a levar seu prato para a cozinha quando…
– Você é obsessiva – era um rompante súbito –, possessiva.
Ela parou, mortificada.
P. 28
“A Namorada Ideal” é um romance psicológico escrito pela autora Michelle Frances. A narrativa fica a cargo de um narrador onisciente, podendo assim o leitor acompanhar os fatos tanto através dos passos de Laura, como também de Cherry. Os capítulos são curtinhos, e todos eles trazem um dia e uma data, onde iremos notar a cronologia dos fatos e como eles são desenvolvidos em relação ao tempo.
Nunca tinha lido algum trabalho de Michelle, que no passado trabalhou como produtora e editora de cinema e TV, porém fiquei satisfeito em boa parte de sua escrita. Os capítulos são relativamente curtos, as personagens são bem desenvolvidas e cheias de nuances e o enredo é intrigante. Mas, talvez, a história promete mais do que cumpre, deixando mil possibilidades em aberto, e optando por ficar em um local seguro, ao invés de ousar.
E estava acabado; estava, ela lembrou a si mesma mais tarde. Não só Cherry, mas o que acontecera com ela. A pessoa que se tornara, a quem, olhando para trás, não reconhecia. Era como se outra pessoa tivesse feito aquelas coisas, e isso a assustava, a extensão do que fizera.
P. 277
Quando se lê a sinopse do livro, você espera muitas reviravoltas e confusão entre Laura e Cherry, e de fato isto acontece, apesar de que por mais de metade da leitura tal embate é velado e extremamente cauteloso. Até que “a tal mentira” citada pela sinopse aconteça, muitas páginas precisam ser lidas, e mesmo assim, a autora opta por terminar a obra quando as coisas estão pegando fogo. Acredito que o início poderia ter sido mais enxuto, para o plot principal ter mais foco no contexto geral.
Ou seja, Frances constrói toda sua obra em cima de uma rixa entre sogra e nora, mas tal briga demora de decolar. Quando as personagens jogam tudo pro alto e decidem levantar suas armas uma contra a outra, chega o final do livro, este com um desfecho morno, simplório e decepcionante, pois tenta ser algo grandioso e surpreendente, quando de fato não é. De qualquer forma, a dúvida sobre se Laura é uma mãe super protetora e ciumenta; ou se Cherry de fato é a namorada dissimulada e interesseira, é intrigante e prende a leitura.
– Ah, Moisés, fiz algo realmente… horrível.
E fizera. Tinha começado tudo aquilo ao contar aquela mentira monstruosa.
P. 303
Apesar de seus problemas, fiz a leitura de forma bastante rápida, pois como disse, o livro tem pontos positivos e a escrita é agradável. Eu particularmente esperava mais drama psicológico, mais carga e energia nas intenções de cada lado da história, para que o leitor pudesse ficar confuso e dividido sobre de que lado da narrativa gostaria de acreditar e defender. Como isso aconteceu de uma forma branda, restou usufruir da leitura que prometia ser um leão, mas que mostrou ser um gatinho.









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