19 janeiro, 2018


[Resenha] O Bracelete Misterioso de Arthur Pepper - Phaedra Patrick

Ficha Técnica 

Título: O Bracelete Misterioso de Arthur Pepper
Título Original: The Curious Charms of Arthur Pepper
Autor: Phaedra Patrick
ISBN: 978-85-9517-017-9
Páginas: 304
Ano: 2017
Tradutor: Elisa Nazarian
Editora: Fábrica 231
Quanto tempo é necessário para conhecer verdadeiramente uma pessoa? Um ano após a morte de Miriam, com quem foi casado por 40 anos, Arthur Pepper finalmente toma coragem para arrumar o armário da esposa. O viúvo de 69 anos e hábitos modestos, cada vez mais fechado em sua vida solitária, fica surpreso ao encontrar, nas coisas de Miriam, um extravagante bracelete de ouro que ele não conhecia, enfeitado com oito diferentes pingentes. Determinado a descobrir a história por trás da joia, ele percebe que sabia muito pouco do passado da mulher com quem viveu por quatro décadas. E embarca numa viagem que o levará da Índia a Paris, na companhia da vizinha Bernadette, uma viúva que dedica seu tempo a cuidar de pessoas que perderam entes queridos. Uma jornada que mudará para sempre não só a maneira como Arthur conhecia a esposa, mas a sua própria vida, levando-o a fazer as pazes consigo mesmo e com o mundo.

Resenha

Um ano após ficar viúvo, Arthur Pepper encontra nos pertences de sua ex-esposa, Miriam, um bracelete de ouro com oito pingentes, cada um diferente do outro. Nunca tendo visto tal adereço antes, Arthur fica interessado em saber o que este bracelete está fazendo nas coisas de Miriam.

Curiosamente, Arthur encontra um telefone gravado em um dos pingentes, e assim o senhor de 69 anos, com a ajuda de sua prestativa vizinha Bernadette, começa uma jornada pelo passado de Miriam, um passado tão desconhecido, que fará Arthur se questionar se de fato conhecia sua amada esposa, com a qual conviveu nos últimos 40 anos.

Como as histórias de detetive de domingo de domingo à tarde, a que ele e Miriam assistiam, descobrir as histórias por detrás dos pingentes da pulseira ficaria atormentando seu cérebro.
P. 40

“O Bracelete Misterioso de Arthur Pepper” é uma obra delicada, sincera e muito comovente. Apesar de não ser narrado em primeira pessoa, o livro tem uma escrita tão gostosa, que é impossível não cair de amores pela personagem principal. Arthur vive dentro de sua concha, tendo uma vida de medos e inseguranças, e sua peculiar aventura fará com que ele se redescubra, e encontre na morte um motivo para continuar vivendo.

Este é o primeiro livro da Phaedra Patrick que eu tenho contato, e foi uma experiência positiva. Como já mencionei, sua escrita é no ponto, carrega emoção mas também doses de humor, suas personagens são ricas e cheias de nuances e o enredo de sua obra apesar de simples, possui um frescor.

– Também estou me conhecendo mais – admitiu. – Com cada pessoa que encontro, com cada história que ouço, me sinto como se estivesse mudando e crescendo.
P. 122

Além de tratar sobre o luto, o que mais gostei em “O Bracelete Misterioso de Arthur Pepper” é a diversidade de temas que as personagens conseguem lidar. Há espaço para amizade, relações familiares, dificuldades em confiar no próximo, cotidiano da terceira idade e crescimento pessoal. Presenciar, mesmo que de uma forma ficcional, um personagem com 69 anos de idade redescobrindo significados da vida foi muito significativo para mim, principalmente quando a maioria das obras que tenho contato são com personagens jovens e um universo completamente distinto.

Tenho que confessar que a capa não vende muito bem o livro, pois passa a ideia de algo muito juvenil, ou até mesmo infantil. O título também não colabora muito, no sentido de não chamar atenção do leitor e também reforçar essa ideia infante. Garanto à vocês que “O Bracelete Misterioso de Arthur Pepper” está mais para um “Comer, Rezar, Amar” do que “O Vitral Encantado” – qual a capa me lembrou um pouco do estilo deste exemplar que resenho.

O céu noturno já estava raiado de azul-claro, preparando-se para o novo dia, as estrelas se esvaíam. Envolveu a pulseira com os dedos e a segurou com forças até chegar ao hotel.
P. 206

No mais, a obra de Phaedra é consistente, cativante e acolhedora. Com delicadeza e beleza, a autora cria uma personagem muito carismática, que guiará o leitor por uma viagem inesquecível e recheada de inesperadas surpresas. Leitura mais do que recomendada.

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18 dezembro, 2017


[Resenha] Do Outro Lado - Carrie Hope Fletcher

Ficha Técnica

Título: Do Outro Lado
Título Original: On the other side
Autor: Carrie Hope Fletcher
ISBN: 978-85-9517-022-3
Páginas: 266
Ano: 2017
Tradutor: Cláudia Mello Belhassof
Editora: Fábrica231

Primeiro livro de ficção da jovem atriz, cantora e escritora britânica Carrie Hope Fletcher, que mantém um canal no Youtube muito popular na Inglaterra www.youtube.comItsWayPastMyBedTime. Do outro lado conta a emocionante jornada de Evie Snow, que morre aos 82 anos, serenamente e cercada pela família, mas descobre que ainda precisa acertar algumas contas com o passado para que sua alma consiga chegar ao Paraíso. Nesta espécie de segunda chance, Evie se vê aos 27 anos e sabe que precisa se livrar de culpas e segredos antes que seja tarde demais. Mas assim que começa a refazer a própria jornada, ela percebe que sabia pouco sobre a própria vida e que precisa recuperar o verdadeiro amor para encontrar a paz.

Resenha


Evie Snow parte dessa vida como muitos gostariam: uma morte tranquila, durante o sono e com sua família ao redor. A sua idade ao falecer era 82 anos, mas quando a protagonista chega a sala de espera, um lugar antes do seu céu particular, Evie tem 27 anos e a missão de se tornar mais leve para entrar no céu.

Essa sala de espera é o local onde as pessoas que morrem recentemente, e que estão "pesadas", ficam até cumprir com todas as exigências para entrar no céu. Esse "peso" do vida após a morte são todas as coisas que Evie trouxe de sua vida terrena. As angústias, medos, mágoas, segredos. A personagem precisa se desfazer de tudo aquilo que a mantêm na sala de espera e conta com ajuda de Dr. Lieffe, o senhor que trabalhava no prédio em que ela morava em sua passagem terrena.
- Quando uma pessoa olha para você, só vê o que está na superfície e costuma deixar passar grande parte dos detalhes. Quando uma você, ela vê quem você é, do que realmente é feita. Ela vê mais do que está diante dos olhos.
P. 49 
Dr. Lieffe é o guia e amigo de Evie para ela passar por todo esse processo. Ele explica o passo a passo para a que a protagonista consiga o seu objetivo final. Evie tem que voltar ao seu passado, andar entre os vivos, mesmo que eles não saibam que ela está lá, para trilhar o caminho para o seu céu particular. Em alguns momentos tive uma certa dificuldade em entender se o que estava sendo narrado era uma memória ou algo que estava acontecendo no pós morte.

A sensação que o livro nos dá é que a protagonista, e as outras pessoas que se encontram na sala de espera, tem uma segunda chance para resolver tudo aquilo que não foi resolvido em vida. Evie tem a plena consciência do que a mantêm na sala de espera, ela não passa pelo momento de negação das possíveis causas de estar nesse lugar. Ela sabe e está disposta a mudar essa situação.

Do outro lado tem uma ideia ótima em mostrar uma possibilidade de como seria o céu, como o céu se mostraria um lugar em que fomos felizes e, portanto, decidiríamos voltar na vida após a morte, mas tem alguns problemas em sua execução. Achei confusa a narrativa em diversos momentos, as vezes não fica claro se tudo aquilo ta acontecendo no pós morte ou se a personagem está relembrando histórias. A leitura é rápida, flui, mas em algumas passagens isso não é um ponto positivo, é como se tudo se resolvesse depressa e sem lógica. Já conhecia Carrie, a autora é irmã de um dos integrantes do McFLY e ela também canta, atua e assisti alguns vídeos de seu canal no YouTube. Faltava a experiência em ler algo dela e confesso que esperava mais. O livro não é ruim, pelo contrário, a ideia é ousada, inteligente e diferente, mas o desenvolvimento dessa ideia poderia ter sido outro.

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07 julho, 2017


[Resenha] Melodia Mortal - Pedro Bandeira & Guido Carlos Levi

Ficha Técnica

Título: Melodia Mortal
Autor: Pedro Bandeira & Guido Carlos Levi
ISBN: 978-85-9517-002-5
Páginas: 240
Ano: 2017
Editora: Fábrica231
Será que Mozart foi assassinado por Salieri? Tchaikovsky morreu de cólera ou envenenamento? Chopin morreu mesmo tuberculoso? E Beethoven, foi vítima do alcoolismo? A resposta, ou, pelo menos, algumas hipóteses plausíveis para essas perguntas estão em Melodia mortal, estreia na ficção adulta de um dos maiores autores para o público juvenil do país. Escrito a quatro mãos por Pedro Bandeira com o médico Guido Carlos Levi, o livro examina, à luz dos conhecimentos da medicina contemporânea, os indícios possíveis sobre as mortes polêmicas de alguns grandes compositores da música clássica. E quem conduz a investigação é ninguém menos que Sherlock Holmes, auxiliado pelo seu fiel escudeiro, o doutor John H. Watson, que narra as aventuras do detetive na empreitada. Talvez não seja possível, tanto tempo depois, elucidar a causa dessas mortes que a medicina da época não foi capaz de precisar, mas a diversão é garantida neste romance cheio de teorias científicas e enigmas que formam um intricado quebra-cabeça, na tradição da melhor literatura policial.

Resenha

O ilustre autor de livros juvenis, Pedro Bandeira, se junta ao médico Guido Carlos Levi, para criarem uma obra muito interessante; rica em detalhes históricos e sob a curiosa – e gratificante – narrativa de ninguém mais, ninguém menos do que o Dr. John H. Watson, o braço direito do detetive mais famoso da literatura: Sherlock Holmes.

Em “Melodia Mortal”, os autores irão retratar contos supostamente perdidos de Sherlock e Watson, utilizando da mesma atmosfera criada por Sir Conan Doyle, onde o detetive e o médico precisam solucionar casos aparentemente impossíveis. O genial aqui, é que essas novas aventuras giram de certo modo em torno de grandes musicistas, entre eles Mozart, Chopin e Beethoven.
– Que tempo, Holmes!
– Olá Watson – cumprimentou-me. – Bela tarde para ficarmos confortavelmente em casa lendo um bom livro à frente da lareira, hein? [...]
P. 38
Após cada conto – são seis no total –, o leitor irá usufruir de um debate fictício entre médicos, fãs das histórias de Sherlock. Eles participam mensalmente de uma convenção, e nela debatem os contos e as informações obtidas pelas investigações de Holmes, e com a ajuda das tecnologias atuais e suas formações médicas, eles opinam e debatem sobre as mortes dos famosos compositores, tentando chegar a um veredito sobre seus óbitos.

Apesar de ser uma obra ficcional, “Melodia Mortal” se mostra bastante precisa nos fatos históricos, principalmente aqueles que cercam a vida dos músicos, não somente o processo de doenças e mortes, mas também a infância, a época que viviam e como começaram a se apaixonar e trabalhar com música.

Um artista como Mozart nunca deveria morrer! Deveria viver para sempre! Tornar-se eterno!
O professor Hathaway levantou os olhos molhados para a médica e respondeu:
– E por acaso ele não se tornou?
P. 118
A participação do doutor Guido Carlos Levi é importante, pois dá uma veracidade aos fatos, que são melhores destrinchados e que acabam se tornando bem verossímeis, sob a narrativa do também doutor John Watson. Tal narrativa além de tornar a escrita rica, complementa a realidade, e faz com que os casos sejam mais elaborados e críveis, mesmo que tal acontecimento na vida real não tenha sido da maneira que foi descrita – fato difícil de provar, devido as centenas de anos que se passaram desde as mortes destas pessoas.

Eu gostei muito da atmosfera criada por Bandeira e Levi, e principalmente curti a ousadia e genialidade em reviver Holmes e Watson, sem perder a identidade de personagens tão icônicos. Porém, houveram dois fatores que me incomodaram um pouco. O primeiro deles foi que os capítulos que mostram os debates entre os médicos são um pouco arrastados. Após lermos um conto envolvente, precisamos lidar com personagens que não conhecemos, em uma narrativa cheia de nomes que não nos significa nada, além de muitas vezes demorar de chegar ao ponto crucial de bater o martelo sobre como tal artista de fato morreu.
– O quê, Holmes? Isso quer dizer que…
– Que você está enganado quanto à constituição do casalzinho, meu caro!
– O quê, Holmes? O quê? Holmes! Espere aí! Holmes! Holmes!
P. 149
O outro ponto foi a utilização do termo “homossexualismo” durante o conto de Ilitch Tchaikovsky, que era homossexual. Historicamente falando, a palavra homossexual atrelada ao sufixo ismo, representou durante anos ideia de doença mental. A Associação Americana de Psiquiatria há uns anos – 1993 –, retirou de sua lista de doenças tal conotação, para que a mesma não fosse mais associada a ideia de uma disfunção. Ache primeiramente que o termo foi utilizado desta forma por Sherlock e Watson para reafirmar a época em que o conto se passava, porém o termo foi repetido várias vezes dentro do capítulo, incluindo na narrativa presente, durante a convenção médica. Faltou um pouco de cuidado dos autores, e também da revisão nesse quesito, afinal, sem querer, acabam reforçando um termo com conotação pejorativa.

No mais, “Melodia Mortal” é uma leitura gostosa e é sempre bom poder desfrutar da genial peculiaridade de Sherlock Holmes e de seus casos, mesmo que não venham sob o punho de Sir Conan Doyle. Vale dizer também que a capa e a edição do livro são lindíssimas, e só deixam o livro ainda melhor.

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16 junho, 2017


[Resenha] O Bom do Amor - Laís Soares & Chris Melo

Ficha Técnica 

Título: O Bom do Amor
Autor: Chris Melo
Ilustração: Lais Soares
ISBN: 978-85-9517-014-8
Páginas: 84
Ano: 2017
Editora: Fábrica231
“O bom do amor é aumentar o volume do rádio quando a música preferida do outro toca.” “O bom do amor é gostar de dormir agarradinho no inverno e saber dividir o ventilador no verão.” “O bom do amor é apreciar cada qualidade, mesmo rodeada de defeitos.” O bom do amor reúne tirinhas de Chris Melo, autora de romances de sucesso entre o público feminino, e aquarelas de Laís Soares que retratam, de forma delicada, sincera e bem-humorada, os pequenos gestos que dão real significado a palavras como companheirismo e cumplicidade na vida de um casal. A cada página, o leitor encontra uma tirinha mostrando uma situação do dia a dia que comprova que o amor – e a felicidade – está nos pequenos prazeres do cotidiano.

Resenha


Para fechar a semana que se iniciou com o Dia dos Namorados, trazemos hoje a resenha do lindo e romântico “O Bom do Amor”, livro nacional composto pelas talentosas Chris Melo e Laís Soares. 

Através de tirinhas – todas começando com a frase ‘o bom do amor…’ – Chris Melo elenca diversos motivos, cenários e ações do cotidiano de um casal, sendo estes positivos ou negativos, reafirmando que o amor é composto de infinitas camadas, as quais nem todas são prazerosas e divertidas, porém necessárias.
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Para complementar e enriquecer as citações de Melo, o livro conta com belíssimas ilustrações feitas em aquarela, criadas pela talentosa ilustradora Laís Soares. Com bastante delicadeza e sentimento, a arte de Laís casa muito bem com a escrita, sendo um fator essencial e indispensável para o sucesso da obra.

Eu gostei bastante da leitura, que se mostrou bem rápida devido as frases curtas e o grande número de imagens. No total são mais ou menos 80 tirinhas que narram as situações desse fofo e simpático casal banhado em tons de laranja, verde e roxo.

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A temática e abordagem do livro lembra bastante ao do elogiado “Soppy” da autora Phillippa Rice e que também foi publicado no Brasil pela Fábrica231. Logo quem o leu e curtiu, acredito que gostará também de “O Bom do Amor”, podendo descobrir novas nuances e olhares sobre o cotidiano de um casal ao lê-lo.

Com uma edição muito bonita, super colorida e recheada de amor, a obra de Chris Melo e Laís Soares ressalta mais uma vez a qualidade artística da nossa literatura nacional. Seja para os solteiros ou para os casais, “O Bom do Amor” destaca o melhor de uma jornada que todos nós vivemos, independentemente de quem seja a pessoa ao nosso lado.

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29 março, 2017


[Resenha] Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo - Iain Reid

Ficha Técnica 

Título: Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo
Título Original: I’m Thinking of Ending Things
Autor: Iain Reid
ISBN: 978-85-68432-96-9
Páginas: 224
Ano: 2017
Tradutor: Santiago Nazarian
Editora: Fábrica231
No romance de estreia do canadense Iain Reid, Jake conduz o carro em que ele e a namorada, que narra a história, vão à fazenda dos pais do rapaz. Durante a longa viagem por estradas desertas e escuras, a garota, atormentada com a perseguição de um homem misterioso que deixa sempre a mesma mensagem de voz em seu telefone, pensa em encerrar o relacionamento com Jake. Mas talvez seja tarde demais. Reid, que tem dois livros de não ficção elogiados pela crítica e contribui para veículos de prestígio como a revista New Yorker, une, numa narrativa profundamente psicológica, tanto referências de terror clássico, quanto elementos de suspenses menos tradicionais, sustentando a trama para além das limitações inerentes ao gênero. Um thriller denso que esconde, em meio ao medo provocado pela sensação de uma tragédia iminente, alegorias sobre a própria vida ser uma tragédia anunciada.

Resenha


Jack e sua namorada estão prestes a cruzar mais uma linha no relacionamento: é a hora da moça conhecer a família dele. Pegando a estrada em um carro e indo em direção à fazenda da família de Jack, iremos conhecer um pouco do conturbado romance dos dois, ao qual nos é evidenciado muitas vezes por ela, que é a narradora, que o mesmo pode acabar a qualquer momento.

Cogitando em pôr um fim ao seu namoro com Jack, a jovem utiliza da viagem para pesar o que os dois têm e até onde o relacionamento poderá ir. Através de fotografias da infância de Jack, conversas com os pais do rapaz e histórias nunca antes compartilhadas, a menina percebe que conhece muito pouco de seu namorado, e que talvez, de fato, ela tenha que acabar com ele muito em breve.
[...] Acho que as perguntas nos fazem menos solitários e mais conectados. Não é sempre questão de saber. Eu gosto de não saber. Não saber é humano. É assim que deve ser, tipo o espaço. É insolúvel, e é escuro, mas não totalmente.
P. 44
“Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo” é o livro de estreia do autor canadense Iain Reid. O que mais gostei da escrita de Reid é a sua escrita rica e extremamente reflexiva. Com palavras fortes e uma excelente entonação, Iain joga ao leitor a todo momento inúmeros questionamentos, que fazem muito sentido no universo conturbado do livro, mas também na vida de muitas pessoas em geral.

Tais questionamentos - ou reflexões - são tão bem escritas, que muitas vezes soam com certo ar de poesia. Não é atoa que separei centenas de quotes do livro, e tive um pequeno trabalho de selecionar algumas poucas para colocar aqui na resenha. Infelizmente, muitas delas entregariam um pouquinho da história, por isso optei pelas mais enigmáticas e corriqueiras.
Tanto ficção quanto memórias são relembradas e recontadas. Ambas são formas de histórias. Histórias são a forma como aprendemos. Histórias são como entendemos uns aos outros. Mas a realidade acontece apenas uma vez.
P. 56/57 
Se tratando de enredo, “Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo” aposta no thriller psicológico, na pesquisa e desenvolvimento de personagens em primeiro plano, e em uma construção lenta com um ápice digno de gerar surpresa. Até a página 100, mais ou menos, acompanhamos a trajetória do casal até a fazenda, e o autor planta na história um homem misterioso que sempre está ligando e rondando os personagens, e isso é somente uma forma de dar ao leitor um suspense coadjuvante, tal suspense que se desdobra e se torna algo muito maior e mais complexo.

Os capítulos finais são de tirar o fôlego, com uma narrativa detalhista e agonizante, onde o leitor acompanhará por páginas uma jornada obscura e surpreendente . Não tenho certeza se o final do livro irá agradar à todos, pois ao mesmo tempo que ele é ousado, pode parecer também confuso, e isso exigirá do leitor muita atenção, principalmente aos detalhes que nos foram dados no decorrer do livro.
Outro sorriso largo. Novamente olho para Jake , mais intensamente desta vez. Busco respostas no rosto dele, mas não recebo nada. Ele precisa entrar na conversa, me ajudar. Mas não o faz.
P. 102 
Independente do sentimento que o livro possa causar em você, acredito que Iain Reid merece os parabéns por ter a coragem de iniciar sua carreira literária com uma obra tão diferenciada e destoante dos suspenses atuais. Parabéns também para a editora, que investiu em uma edição maravilhosa, com direito a capa dura. “Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo” é definitivamente uma boa escolha, caso você esteja procurando um livro diferente, que não seja necessariamente o melhor livro do mundo, mas que ainda assim traz uma boa escrita e uma certa reflexão.

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06 julho, 2016


[Resenha] Por Você - Laurelin Paige

Ficha Técnica

Título: Por Você
Título Original: Fixed on You
Autor: Laurelin Paige
ISBN: 978-85-68432-00-6
Páginas: 368
Ano: 2014
Tradutor: Júlio de Andrade Filho
Editora: Fábrica231
16Um cara rico, lindo, charmoso e que estranhamente não tem capacidade para amar. E uma mulher extremamente sexy, inteligente e ex-compulsiva, que lida com o vício de se agarrar emocionalmente aos parceiros. É através dessa dupla de protagonistas, Hudson Pierce e Alayna Withers, aparentemente tão diferentes, que a autora Laurelin Paige apresenta Por você, primeiro volume da trilogia Fixed, o maior sucesso de autopublicação do mercado norte-americano e primeiro título independente a chegar no topo da lista dos mais vendidos do The New York Times, categoria ebook. As histórias de Paige chegam às livrarias pelo Fábrica231, novo selo de entretenimento da Rocco, como parte da coleção Violeta, que reunirá apenas títulos com alto teor de romantismo, sensualidade e erotismo. Diferentemente da maioria das heroínas, Alayna Withers conhece bem o seu poder de conquista. Adepta de figurinos provocantes, chama a atenção com suas calças justas e decotes pra lá de generosos. Principalmente quando está em ação trabalhando como atendente da boate Sky Launch. Do tipo segura, leva com bom humor as cantadas dos clientes e costuma flertar com David, o gerente da boate. Até que é surpreendida pela presença desconcertante de Hudson Pierce, um homem lindo e sexy, que aparece numa noite na boate. A atração entre eles é imediata. O choque eletrizante de uma simples troca de olhares provoca reações diversas e assustadoras em Alayna. Calores, desejo, palpitação, excitação... tudo ao mesmo tempo. Mas não foi apenas a sua beleza incomparável e nem a sua intensa exibição de masculinidade que provocou aquele calor entre as minhas pernas... Foi como ele olhou para mim, de uma forma que nenhum homem jamais tinha olhado..., diz a protagonista.

Resenha


Por Você é o primeiro livro que leio desse novo selo da Editora Rocco e já fazia algum tempo que queria ler ele, mas faltava a oportunidade. Valeu Bibi por me emprestar ;)

Alayna Withers é uma jovem de 26 anos que trabalha como barwoman na boate Sky Launch Nightclub, mas ao contrário do que seu irmão e a maioria das pessoas, mesmo tendo acabado de concluir seu MBA, seu objetivo é continuar trabalhando na boate, que é um ambiente que ela gosta muito. Ela sabe como se virar e conseguir boas gorjetas aproveitando-se de seus atributos físicos e valorizando-os com roupas provocantes. Em uma de suas típicas noites de trabalho ela conheceu um cara super gostoso e sexy, mas alguns dias depois ela descobre que ele é o novo dona da boate onde trabalha. 

Hudson Pierce vem de uma família de magnatas e desde sempre foi criado para ser bem-sucedido. Aos 29 anos ele é um grande empresário e respeitado pela sociedade. Disposto a ter Alayna, Hudson tem duas propostas para ela, uma é ser sua amante e a outra é fingir ser sua namorada, em troca, ele quita as dívidas estudantis dela (que não são nem um pouco pequenas, podem apostar!)

Aí você pensa, "tudo bem, se ele for solteiro", mas o caso é que Alayna tem alguns problemas emocionais e fez terapia por muito tempo para conseguir encará-los e entrar em um novo relacionamento, ainda que apenas de mentira, pode ser mais do que ela pode encarar.
Após os inúmeros sofrimentos e corações partidos que pontilharam o meu passado, descobri que me sentia capaz de dividir os homens pelos quais me sentia atraída em duas categorias. A primeira categoria podia ser descrita como: "foder e esquecer". Esses eram os homens que me levavam para o quarto, mas eram fáceis de deixar para trás, se necessário. E este era o único grupo com o qual eu ainda me ocupava. Eram os homens confiáveis. (...) 
E havia a segunda categoria, a dos homens que podiam ser tudo, menos confiáveis. Não eram do tipo "foder e esquecer, eram mais do tipo "Ah, porra!". Estes caras me atraíam de forma tão intensa que eu me tornava consumida por eles, absolutamente focada em tudo o que faziam, diziam e eram. Eu corria destes homens para bem longe, e bem rapidamente. 
P. 11-12
Assim como Alayna ama demais quando se envolve com alguém, chegando a ser obsessiva, Hudson logo a alerta de que ele não é capaz de amar (imaginem só a quantidade de confusão que isso pode causar!), para que ela não crie falsas expectativa. 
- Espere, Alayna. - Sua respiração fez cócegas e queimou ao mesmo tempo. Eu fechei os olhos, absorvendo, suportando. - Peço desculpas por sobrecarregá-la com isso. Essa não foi a minha intenção. Mas eu  quero que você saiba que, mesmo que decida não me ajudar na minha situação, irei continuar a seduzi-la. Eu sou um homem que consegue o que quer. E eu quero você.
P. 64
Mais do que um romance, Por Você mostra o relacionamento familiar dos protagonistas e a carga dramática é intensa. Os problemas emocionais vividos pelos protagonistas nos mostra como é difícil lidar com algumas situações. A Alayna por exemplo, perdeu os pais em um acidente de carro quando tinha 16 anos e desde então foi criada pelo irmão mais velho, esse acontecimento desencadeou outros problemas para ela. Hudson acredita não ser capaz de amar ninguém, mas vemos como ele se importa com a mãe (uma vaca, diga-se! Afff) e com todo o restante de sua família.
- Sim, confio em você.
- Você confia?
Pensei em como ficara ansiosa para conseguir a confiança de Brian, e quão decepcionada quando percebera que ainda não a tinha conseguido. Hudson precisava de alguém, precisava que eu acreditasse nele.
P. 315
Narrado em primeira pessoa pela Alayna, o livro nos deixa curiosos para saber como nossos protagonistas irão continuar sua estória nos próximos livros, Com Você e Sempre Você. Para mim, é uma super dica de leitura para quem está afim de fugir de romances muito melosos, aqui as coisas são mais reais, plausíveis, com drama, romance e erotismo na medida certa.
- Alayna, não desista. Não desista de mim.
P. 188

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