23 maio, 2020


[Resenha] VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue - Cesar Bravo

Ficha Técnica 

Título: VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue
Autores: Cesar Bravo
ISBN: 978-85-9454-190-1
Páginas: 288
Ano: 2019
Editora: DarkSide Books
Dizem que segredos não sobrevivem por muito tempo em cidades pequenas. Mas, em Três Rios, eles estão por toda parte há tempo demais. Sombrios, aterrorizantes e indecifráveis — um espelho da cidadezinha onde tudo aquilo que é estranho e profano sempre encontra um jeito de se manifestar na superfície. O encontro inevitável de Cesar Bravo com a DarkSide® Books veio das profundezas. Algo visceral, que era para ser, como todas as coisas assinadas com sangue. Ultra Carnem selou o pacto entre a editora mais sinistra do Brasil e a mente maldita de Bravo, povoando os pesadelos dos leitores, que pediram mais. Mais histórias. Mais mistérios. Uma nova experiência sobrenatural, quem sabe? Em VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, Bravo guia os leitores amaldiçoados até os cantos mais sombrios de nossas mentes. E a cidadezinha de Três Rios, localizada no noroeste paulista, é o palco principal — um ponto de encontro de todas as coisas estranhas que acontecem nas redondezas. O inferno corre por essas águas e lança suas sementes nessa terra. Um lugar vivo e pronto para devorar o próximo filho que renegar sua origem. VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue se passa em um período especial e repleto de esquisitices, entre 1985 e 1995, e tem início em uma videolocadora peculiar capaz de alugar os sonhos e as vidas de seus clientes. Quem viveu nessa época vai ter para sempre suas lembranças com textura de VHS. Bravo constrói a narrativa de seu novo romance de horror fragmentado com base em registros orais, casos sinistros e uma porção de detalhes que rodeiam a vida dos moradores de Três Rios — mandingas macabras, crimes brutais, animais soturnos e inúmeros mapas, notícias de jornais e anúncios compõem o imaginário de um local esquecido pelo tempo.

Resenha

"O senhor precisa entender que muito sangue já foi derramado nessas terras, sangue que a terra foi obrigada a engolir. E uma coisa que se alimenta com sangue por tanto tempo, logo pega gosto pela coisa."

Um conceito que me fascina em terror é o da terra amaldiçoada. Lugares como o Cemitério e a mansão Rose Red, ambos do Stephen King, que se tornam foco do sobrenatural por causa da maldade que foi praticada ali. E toda vilania tem retorno em Três Rios.

A cidade fictícia de pouco mais de 300 mil habitantes fica em São Paulo e tem um terrível histórico de acidentes industriais e crimes. É nessa região que se desenrolam os casos de VHS, uma coletânea de contos de horror que varia entre o terror psicológico e o sobrenatural.

Três Rios já é conhecida pelo fãs de Cesar Bravo por ter sido palco de seu livro anterior, Ultra Carnem, também lançado pela DarkSide. O município parece um reduto do mal e estende seus tentáculos sinistros para as cidades ao redor. A maldade presente aqui é como uma resposta à crueldade das pessoas, como se toda ruindade sobrenatural tivesse, no fundo, origem humana.

É interessante imaginar cada história como uma gita VHS, um episódio de uma série antológica. Como Clube do Terror (Are you afraid of the dark?), que passava na tv nos anos 1990.

A edição é, como sempre, primorosa. Com destaque pras ilustrações lindas no começo de cada conto e os títulos das fitas na guarda (que fica atrás da capa).

Recomendado pra quem gosta de contos e horror (mesmo que você seja frouxa como eu e durma com a luz acesa). E também pra quem sente falta do terror nostálgico dos anos 1990.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob 😉
Comentários
1
Compartilhe

28 abril, 2020


[Resenha] Seres Mágicos & Histórias Sombrias - Neil Gaiman e Al Sarrantonio

Ficha Técnica 

Título: Seres Mágicos & Histórias Sombrias
Título Original: Stories: all-new tales
Autores: Neil Gaiman e Al Sarrantonio (organização)
ISBN: 978-85-9454-097-3
Páginas: 448
Ano: 2019
Tradutor: Regiane Winarski
Editora: DarkSide Books
As melhores histórias são poderosas o suficiente para fazer com que o leitor continue virando as páginas, ávido para obter respostas para a pergunta que move todos os curiosos: “o que aconteceu depois?”. É uma conexão que vai muito além das restrições de gênero literário; no fim, o que importa são as histórias, e se elas são capazes de desprender o leitor da realidade para fazê-lo simplesmente imaginar. É com essa certeza inspiradora que Seres Mágicos & Histórias Sombrias começa. Neil Gaiman, autor de Deuses Americanos, Coraline e Sandman, se uniu ao escritor de terror e ficção científica Al Sarrantonio para editar uma antologia especialmente sombria e mágica para leitores curiosos que gostam de sonhar. Eles sabem que os escritores são os criadores de um portal mágico capaz de sugar cada um de nós para seus universos particulares, e moldam mundos onde as palavras se tornam uma paleta de cores únicas capazes de ganhar vida em nossos corações, sonhos e pesadelos. Com 27 histórias que expandem e redefinem a ficção imaginativa, Seres Mágicos & Histórias Sombrias reúne Joyce Carol Oates, Joe R. Lansdale, Jodi Picoult, Peter Straub, Chuck Palahniuk, Jeffery Deaver, Joe Hill e outros inúmeros autores renomados que toparam o desafio de transcender todo e qualquer limite ao darem vida a seus personagens e histórias de maneira afiada e intensa, cada um à sua maneira. Em “O Diabo na Escada”, Joe Hill conta a história perturbadora de um homem e seu declínio ao mal. “A Verdade é uma Caverna nas Montanhas Negras”, de Neil Gaiman, é um conto gelado e folclórico com um desfecho inesperado. “Figuras Fósseis”, de Joyce Carol Oates, narra o implacável e poderoso elo entre irmãos gêmeos. “As Estrelas Estão Caindo”, de Joe R. Lansdale, reflete sobre as mudanças na vida de um soldado da Primeira Guerra Mundial que volta para casa depois de passar anos afastado de quem ama. Em “Perdedor”, Chuck Palahniuk apresenta a história do membro de uma fraternidade que participa de um programa de tv durante uma viagem de ácido. De Carolyn Parkhurst, “Indisposta” é narrado por uma mulher de idade que recorda a relação tóxica com sua irmã. Estes são apenas alguns exemplos dos tesouros escondidos nas páginas deste livro. Mas a experiência de ler Seres Mágicos & Histórias Sombrias vai muito além disso: o livro é um verdadeiro compêndio com contos para todos os gostos e autores queridos para conhecer e revisitar. Para tornar a edição da DarkSide® Books ainda mais especial, o artista norte-americano Jason Limon emprestou seu singular talento para conectar a delicadeza e magia das palavras do livro em uma imagem poderosa. O resultado é uma edição única no mundo, feita de fã para fã, com capa dura e detalhes extraordinários. Em seu texto de abertura, Neil Gaiman ainda escreve que a magia da ficção é pegar as palavras e utilizá-las para construir novos mundos. E se viajar aumenta nossos horizontes, os destinos de Seres Mágicos & Histórias Sombrias — e o reino sem fronteiras da ficção imaginativa — vão transformar sua visão de mundo.

Resenha

O dicionário Michaelis dá algumas possíveis definições de fantasia. Entre elas, "Obra criada ou produto da imaginação". Ué, mas assim qualquer ficção pode ser considerada fantasia. E esse é o ponto de Seres Mágicos & Histórias Sombrias. Tudo é fantasia. Não precisa ter criaturas mitológicas exóticas ou se passar em lugares imaginários. Qualquer coisa diferente da nossa realidade já é fantástica.

Seja falando sobre divindades ou pessoas que voltam dos mortos, a coletânea organizada pelo Neil Gaiman (lindíssimo falou tudo quer o mundo eu te dou) traz histórias de diferentes estilos de fantasia. Vários autores (incluindo o próprio Gaiman, Joe Hill e Chuck Palahniuk - os que eu conhecia anter de ler) de diferentes estilos de fantasia. Alta magia, baixa magia, realismo fantástico. Contos bem escritos, com enredos fascinantes e reviravoltas surpreendentes (a cara de espanto que eu fiz quando entendi Descrença).

A edição lindíssima conta com uma ilustração linda de Jason Limon, capa dura e fitinha, um luxo só (eu estaria mentindo se dissesse que não parei pelo menos dois minutos cheirando o livro quando ele chegou). Recomendo pra quem gosta de contos, de fantasia e boas histórias.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob 😉

P.P.S.: O conto do Neil Gaiman (meu favorito), virou um livro ilustrado com o mesmo nome.
Comentários
1
Compartilhe

03 março, 2020


[Resenha] Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino - Terry Sullivan e Peter T. Maiken

Ficha Técnica 

Título: Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino
Título Original: Killer Clown: The John wayne Gacy Murders
Autores: Terry Sullivan e Peter T. Maiken
ISBN: 978-85-9454-182-6
Páginas: 432
Ano: 2019
Tradutores: Lucas Magdiel e Mariana Branco
Editora: DarkSide Books
O palhaço Pennywise, de It: A Coisa, é apenas uma ficção macabra perto de Pogo, o alter ego de John Wayne Gacy. Cidadão modelo. Empresário de sucesso. Voluntário do hospital. Um dos assassinos em série mais sádicos de todos os tempos. Poucas pessoas podiam ver o monstro cruel sob a maquiagem colorida de palhaço que Gacy usava para entreter as crianças. Poucas pessoas podiam imaginar o que estava enterrado em sua casa de horrores. Quando um adolescente desapareceu pouco antes do Natal de 1978, Gacy foi detido e uma equipe de investigadores foi enviada até sua casa com um mandado de busca. Enquanto vasculhavam o local procurando por pistas, toparam com indícios cada vez mais comprometedores e sinistros. O promotor do caso, Terry Sullivan, começava então a maior caçada de sua carreira. Sullivan reconstruiu a investigação — de registros de violência no passado de Gacy à horrível descoberta de mais de trinta vítimas atribuídas ao assassino e ao chocante relato de testemunhas oculares — para levar o leitor ao centro de um julgamento e seus desdobramentos. Killer Clown Profile: Retrato de um Assassino, novo livro da linha Crime Scene®, da DarkSide® Books, traz detalhes de investigações e audiências de John Wayne Gacy pela voz de quem caçou e prendeu o assassino em série brutal. Capítulo a capítulo vemos o caso se desenrolar, e as duas faces de Gacy — a do empresário bem-sucedido que ainda encontrava tempo para se dedicar aos interesses da comunidade e aquela que os psiquiatras nomeados pelo tribunal pintaram em seu julgamento — se mesclarem. Raramente é possível fazer um retrato tão profundo e fiel de um monstro. A história de Gacy veio à tona e perturbou profundamente os moradores de Chicago. Como confiar novamente nas figuras que os rodeavam? O julgamento foi repleto de depoimentos e conjecturas obscenas da defesa, mas terminou com Gacy condenado à morte. Ele aguardou a execução de sua sentença por catorze anos, e usou seu período de isolamento para pintar diversos quadros (palhaços, autorretratos, figuras religiosas e bastante polêmicas), muitos dos quais foram vendidos — outros tantos queimados. Poucos anos depois da condenação de Gacy, as pessoas viriam a se assustar novamente com palhaços, mas dessa vez na ficção: Stephen King lançou It: A Coisa em setembro de 1986, deixando para sempre a imagem perturbadora do palhaço Pennywise na mente de todos. Apesar de nunca ter confirmado a inspiração, os fãs do escritor de coração assombrado relacionam a origem do personagem com o visual de Gacy. E para quem sofre de coulrofobia, meio sorriso distorcido pela maquiagem excessiva já basta para causar pesadelos.

Resenha


Alguns detalhes são necessários quando se escreve um livro sobre um assassino real: o histórico familiar do sujeito, laudos médicos, relatos de psiquiatras envolvidos no caso, fotos da vítimas quando vivas, plantas do lugar em que os crimes foram cometidos. O que não é necessário é mencionar cada detalhe que deu errado durante as investigações. É compreensível que os policiais entrevistados queiram ter seus nomes na história mas, quando o livro é escrito por policiais e não jornalistas, tudo vira uma grande cerimônia para dar tapinha nas costas de policial burro que ajudou o criminoso.

O grande circo midiático (trocadilho intencional) que se criou ao redor de John Wayne Gacy é compreensível: Gacy é um dos assassinos em série com o maior número de vítimas confirmadas da história, numa época em que ainda não se compreendia o conceito de serial killer (termo cunhado pelo agente do FBI Robert Ressler nos anos 1970). O empreiteiro foi condenado por torturar e matar trinta e três rapazes num período de seis anos. A revelação dos crimes foi um choque para sua comunidade, já que Gacy era visto como um empresário simpático que se vestia de palhaço para animar criancinhas em hospitais.

A grande falha do livro é esquecer o que realmente é relevante aqui: os crimes e o assassino. O tempo que poderia ser gasto destrinchando a personalidade de Gacy e examinando seu modus operandi é desperdiçado nomeando cada policial que atuou na investigação. Cada policial que jantou na casa do suspeito, que pagou um café para ele, que seguiu Gacy por dias a fio sem lhe aplicar nem ao menos uma multa de trânsito. Chega a ser irritante acompanhar a história de como um homem que já tinha passagem pela polícia e ligações com vários meninos desaparecidos conseguiu enrolar os policiais por quase duas semanas antes de ser preso pelos assassinatos.

O ponto positivo é que há muitas conversas com o assassino, então é possível criar uma imagem muito nítida de sua personalidade egocêntrica e tão desprovida de empatia. As conversas infelizmente ficam um pouco perdidas entre todos os relatos dos policiais. Se o livro tivesse sido escrito por um jornalista ou escritor, teria sido muito mais fluido e melhor estruturado.

John Wayne Gacy se tornou um marco não só no bizarro culto a serial killers como na cultura pop, e é um dos motivos pelos quais muita gente tem medo de palhaços (Stephen King também colaborou muito com a fobia com o lançamento de It em 1986). O livro inclusive conta com uma galeria de palhaços famosos (alguns icônicos, outros terríveis), uma adição excelente à edição que já conta com o acabamento primoroso da coleção crime scene: capa dura com ilustrações do próprio Gacy e a fitinha amarela exclusiva da coleção.

Apesar de ser necessário um pouco de paciência para lidar com o estilo de escrita, Killer clown é um volume importante para qualquer prateleira de crimes reais que se preze. Ninguém sabe sobre serial killers de verdade até conhecer a história de Gacy e seu alter ego Pogo, o palhaço.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob 😉
Comentários
2
Compartilhe

25 janeiro, 2020


[Resenha] BTK Profile: Máscara da Maldade - Roy Wenzl, Tim Potter, Hurst Laviana e L. Kelly

Ficha Técnica 

Título: BTK Profile: Máscara da Maldade
Título Original: The Night Diary
Autores: Roy Wenzl, Tim Potter, Hurst Laviana e L. Kelly
ISBN: 978-85-9454-087-4
Páginas: 288
Ano: 2019
Tradutor: Débora Isidoro
Editora: DarkSide Books
Ao longo de três décadas, um monstro aterrorizou os moradores de Wichita, Kansas. Um assassino em série que amarrava, torturava e matava mulheres, homens e crianças, iludiu a polícia por anos a fio enquanto se vangloriava de suas terríveis façanhas para a mídia. A nação ficou chocada quando os crimes de BTK — a sigla para os termos em inglês bind, torture, kill, que eram sua assinatura criminosa — foram enfim associados a Dennis Rader, um vizinho amigável, marido devoto e respeitado presidente da congregação de uma igreja local. O jornal Wichita Eagle fez a cobertura do assassino em série desde seu primeiro ataque, em janeiro de 1974. Desde então, o jornal, a polícia e o assassino desenvolveram um intricado relacionamento. Foi por meio do Eagle que BTK enviou sua primeira mensagem, em 1974. Foi para o Eagle que, alguns anos depois, o desesperado chefe de polícia de Wichita pediu ajuda para criar uma armadilha para o assassino. Foi em uma carta para o Eagle que BTK anunciou seu reaparecimento, em 2004. E foi por meio dos classificados do jornal que o chefe da investigação levou BTK a cometer um erro que resultou em sua captura, em 2005. O Wichita Eagle transcreveu todo o julgamento e o postou na internet para que a população tivesse acesso à informação. A imagem da estranha máscara feita de plástico resistente, na qual ele pintara lábios, cílios e sobrancelhas se tornou icônica entre as evidências do caso. A cobertura abrangente e aprofundada — que gerou mais de oitocentos artigos entre 2004 e 2006 — rendeu prêmios jornalísticos e elogios a uma dedicada equipe compromissada com a verdade. E virou livro. BTK Profile: Máscara da Maldade é um registro contundente e não uma mera reconstituição do caso, com uma narrativa íntima e completa de um pesadelo que assolou a cidade de Wichita por décadas, contada em primeira mão pelas pessoas que estavam lá desde a chocante descoberta. Os repórteres que cobriram o caso reuniram documentos, evidências e depoimentos da força-tarefa designada para a investigação, colocando todas as peças do horrendo quebra-cabeça em seu devido lugar. Enquanto muitos se concentraram apenas em retratar o mal, o competente time por trás deste livro optou por dedicar a mesma quantidade de tempo às pessoas que o erradicaram. As pessoas que detiveram BTK são policiais de verdade — personagens de carne e osso que baixaram a guarda para que os leitores pudessem seguir com eles em missões de vigilância e confronto, para dentro de seus lares e corações.

Resenha


Serial killers fascinam as pessoas desde antes da criação do termo, no fim dos anos 1970. Há décadas este tipo de criminoso intriga a polícia, psicólogos e o público geral, que tenta entender o que leva alguém a cometer atos tão bárbaros tantas vezes. O fascínio é tanto que movimenta um mercado de memorabilia, filmes, séries, documentários e até visitas turísticas. Muitos assassinos receberam cartas apaixonadas e até arranjaram namoradas enquanto estavam presos.

A coleção Crime Scene, da editora DarkSide, conta com quinze títulos e traça perfis de alguns dos assassinos mais notórios da história. Um deles é Dennis Lynn Rader, conhecido como Assassino BTK ou Estrangulador BTK. Rader matou pela primeira vez em 1974 e fez dez vítimas. Quando foi preso em 2005, tinha aterrorizado a cidadezinha de Wichita por 31 anos e muitos moradores cresceram ouvindo histórias sobre seus crimes.

O codinome BTK era uma sigla para seu modus operandi: Bind, Torture, Kill - amarrar, torturar, matar. Suas vítimas tinham pouco em comum e ele manteve extensos diários, que foram apreendidos pela polícia após sua prisão. Após um jogo de gato e rato que durou mais de trinta anos e no qual Rader teve muita sorte.

O livro foi escrito a muitas mãos, são quatro autores, jornalistas que tinham contato próximo com a polícia na época das duas levas de investigações. Parte dele narra as investidas do assassino, com descrições pouco detalhadas do processo. A outra parte se dedica a acompanhar o esforço dos agentes determinados a prendê-lo. É aqui que o livro se perde um pouco. São muitos detetives e os autores gastam muito tempo tentando dar tapinhas nas costas de cada um deles e de si mesmos. A proximidade dos autores com a polícia acabou por tirar o foco do assassino. Como se eles estivessem tentando manter todos os agentes felizes com suas descrições ao invés de dissecar os motivos e as técnicas de Rader. Inclusive as vítimas mereciam mais espaço.

A edição é primorosa, dentro do padrão já consolidado da DarkSide: capa dura e a fitinha exclusiva da coleção. Só as fotos que podiam ser mais relevantes: tipo fachada da casa do assassino, as vítimas quando eram vivas ou dos souvenirs ao invés de fotos dos jornalistas ou de capa de jornal.

Indicado pra quem gosta de ler sobre crimes reais e serial killers e não conhece o caso do BKT.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
1
Compartilhe

21 dezembro, 2019


[Resenha] Columbine - Dave Cullen

Ficha Técnica 

Título: Columbine
Título Original: Columbine
Autor: Dave Cullen
ISBN: 978-85-9454-153-6
Páginas: 544
Ano: 2019
Tradutor: Eduardo Alves
Editora: DarkSide Books
O dia 20 de abril de 1999 deixou uma marca indelével na história norte-americana. O Massacre de Columbine pode não ter sido o primeiro tiroteio em massa, mas foi o primeiro da era digital — e o primeiro de larga magnitude. Na esteira dos acontecimentos de Newtown, Aurora, Virginia Tech, Christchurch, Suzano e Ohio, torna-se cada vez mais urgente compreender e confrontar acontecimentos como o de Columbine. Nossa arma é reaprender a ouvir a dor que cresce em silêncio no outro e no cerne dos valores da nossa sociedade. Columbine é lembrado até os dias de hoje sempre que um episódio horrível e similar ocorre, mas boa parte do que sabemos sobre o massacre está errado. Erros factuais e testemunhos duvidosos propagados à época permanecem verdade absoluta para muitos; é fácil dizer que dois meninos rejeitados pelos atletas e pelas garotas, vítimas de bullying, que vestiam sobretudos e descontavam sua raiva em videogames violentos fizeram o que fizeram por essas razões, mas até que ponto isso é real? Dave Cullen foi um dos primeiros repórteres a chegar à cena e passou dez anos escrevendo Columbine, livro que hoje é considerado a obra definitiva sobre o tema. Passar tanto tempo debruçado neste projeto o fez analisar a postura da imprensa na época com olhos críticos; hoje, Cullen acha que a mídia tentou encontrar um motivo rápido demais, e um episódio que deveria promover uma discussão sobre desarmamento e saúde mental acabou se transformando em um espetáculo midiático irresponsável. Em Columbine, os episódios recontados são uma mistura das reportagens que Cullen publicou na época com anos de pesquisa — incluindo centenas de entrevistas com a maioria dos diretores envolvidos, a análise de mais de 25 mil páginas de evidências policiais, incontáveis horas de vídeo e áudio, e o trabalho extenso de outros jornalistas de confiança. Com um faro investigativo apurado e uma narrativa terna e respeitosa, Cullen apresenta o retrato de um assunto ainda infelizmente tão atual, ao mesmo tempo em que critica a cobertura massiva que se sucedeu. E questiona: por que armas de fogo ainda permanecem ao fácil alcance nos Estados Unidos? A possibilidade de se tornar uma celebridade pela mídia também mata pessoas? Será que a imprensa não deveria focar nas vítimas em vez dos assassinos?

Resenha



Fiz um experimento com um grupo de alunos durante uma aula sobre massacres escolares (sim, eu tenho esse tipo de aula) e perguntei qual tinha sido o massacre mais grave na história. A resposta não demorou: Columbine. Quando perguntei sobre o motivo do tiroteio, a turma respondeu com as razões enumeradas pela mídia exatos vinte anos atrás: bullying, perseguição e vingança. Os mitos envolvendo os assassinos continuam e o livro de Dave Cullen (em sua primeira edição no Brasil) finalmente dissipa a névoa de mistério o incidente.

O livro começa alguns dias antes do massacre, relatando alguns eventos significativos na escola, como a reunião antes do baile de formatura, e segue até o relato detalhado da ação. Todos os passos dos assassinos são recriados com base em relatos das vítimas, registros das câmeras de segurança e os diários mantidos pelos criminosos. As fontes são extensas, prova de que o autor se debruçou sobre o caso durante anos, e o resultado é um retrato minucioso não só do ataque como dos perpetradores.

A partir daí o livro segue duas linhas temporais diferentes: uma acompanha os sobreviventes e as famílias das vítimas durante a investigação que se seguiu, e a outra narra a criação do plano para atacar a escola, chegando a um ano antes do incidente. Todos os detalhes do plano são destrinchados ao longo dos capítulos, desde as listas de materiais às artimanhas usadas para conseguir o equipamento necessário.

Quando se pensa em Columbine, as duas perguntas mais recorrentes em qualquer artigo ou publicação são: a) qual a motivação por trás do massacre e b) ele poderia ter sido evitado? As duas perguntas são trabalhadas ao longo de muitas páginas, com a ajuda de profissionais de psicologia e psiquiatria e relatórios policiais. Outro aspecto muito importante analisado com afinco é o papel desempenhado pela mídia durante e depois do massacre. O autor ressalta a cobertura irresponsável, que entrevistava vítimas ao vivo e mostrava os movimentos da polícia (que podiam ser vistos pelos assassinos pelo circuito interno de TV da escola) até a manutenção de mitos sobre os atiradores. Mitos que sobrevivem até hoje e criam uma imagem que destoa do que realmente aconteceu.

Quem gosta de ler sobre crimes reais vai encontrar um material excelente neste livro. Um retrato que consegue se manter preciso sem ser apelativo ou desrespeitoso. Vale também ver a palestra da mãe de um dos atiradores e ler ou assistir Precisamos falar sobre o Kevin, inspirado em dezenas de massacres escolares.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
1
Compartilhe

07 dezembro, 2019


[Sorteio] Sorteio de Natal


Olá meus queridos, como vocês estão??? 

O Sorteio do livro A Tumba do Tirano está quase acabando, mas hoje já tem sorteio novo para vocês. Quem aí quer ganhar três livros de natal? Então é só participar do nosso Sorteio de Natal e torcer bastante. 😉


Prêmio:
📖 Livro Pulso Forte
📖 Livro Alice no País das Maravilhas
📖 Livro Uma Herdeira Apaixonada

Informações: 
📖 Seguir o blog publicamente;
📖 Deixar um comentário nesse post dizendo que está participando;
📖 Não esqueça de ler o Terms & Conditions que está incluso no Rafflecopter;
📖 Ter endereço de entrega no Brasil;
📖 A promoção vai de 07 de dezembro de 2019 à 07 de janeiro de 2020;
📖 Para se inscrever basta inserir suas entradas no formulário Rafflecopter abaixo;
📖 Será apenas um ganhador;
📖 O sorteado terá 3 dias para retornar o e-mail com seus dados, ou um novo sorteio será realizado;
📖 Na opção twittar sobre a promoção, basta clicar no ícone do twitter que uma janela aparecerá com a mensagem que você deve twittar e é só confirmar e depois copiar o link e colar no local indicado;
📖 Usar o tweet about the giveaway apenas 1 vez por dia;
📖 O prêmio será enviado pela editora Intrínseca em até 60 dias após a confirmação do ganhador.
📖 Este sorteio é de caráter recreativo/cultural, pois não está vinculado à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita conforte item II do artigo 3 da lei 5.768 de 20/12/1971 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça.


a Rafflecopter giveaway

Beijos e boa sorte à todos!
Comentários
38
Compartilhe

09 setembro, 2019


[Resenha] O Diário de Nisha - Veera Hiranandani

Ficha Técnica 

Título: O Diário de Nisha
Título Original: The Night Diary
Autor: Veera Hiranandani
ISBN: 978-85-9454-087-4
Páginas: 288
Ano: 2019
Tradutor: Débora Isidoro
Editora: DarkSide Books
Nisha não é de falar muito. Quietinha e reservada, prefere observar as pessoas ao seu redor e anotar os detalhes do cotidiano em seu diário, onde pode ser ela mesma. E ser ela mesma não é nada fácil no epicentro da Partição da Índia, que, após séculos de tensão religiosa, atinge seu ápice criando dois estados independentes do governo britânico: a Índia (maioria hindu) e o Paquistão (maioria muçulmana). Parte hindu e parte muçulmana, Nisha não sabe muito bem a qual lugar pertence, e não entende os desdobramentos políticos deste momento tão crucial da história. Por que hindus e muçulmanos estão brigando tanto entre si? Por que milhares de pessoas precisam abandonar seus lares? E por que tantas acabam morrendo atravessando as fronteiras? Com as tensões criadas pela separação, o pai de Nisha decide que é perigoso demais para eles permanecerem no lugar que, agora, se tornou o Paquistão. É neste cenário turbulento que Nisha e sua família — a avó, o irmão Amil e o pai — embarcam no primeiro trem, rumo a um novo lar. A DarkSide Books apresenta O Diário de Nisha, novo lançamento da linha DarkLove que vai arrebatar seu coração com a árdua e arriscada jornada de uma esperançosa menina em busca de um lar. Endereçando cada relato do diário para a finada mãe, ela registra sua vida com ricos detalhes ao longo do ano de 1947 — os momentos bons em que prepara pratos deliciosos com Kazi, cozinheiro da família, e os ruins em que o mundo se mostra cruel e nada mais parece fazer sentido. Com esmero e ternura, Veera Hiranandani transmite os conflitos internos de Nisha e retrata a dura realidade provocada pela Partição, que movimentou mais de catorze milhões de pessoas pelas fronteiras e matou pelo menos um milhão durante a travessia. O impressionante recorte histórico é inspirado na trajetória de sua própria família, que precisou atravessar a fronteira de Mirpur Khas para Jodhpur exatamente como a pequena Nisha faz neste livro. Seus avós e pais tiveram de recomeçar em um lugar estranho como uma família de refugiados — história que, tantos anos depois, tristemente ressoa com a realidade de muitas famílias que sofrem com a Guerra da Síria. Vencedor do Malka Penn Award para Direitos Humanos em Literatura Infantil em 2018, Newbery Honor Award 2019 e Walter Dean Myers Honor Award 2019, O Diário de Nisha é a história perfeita para todos os leitores que se emocionaram com a pequena Ada em A Guerra que Salvou a Minha Vida e A Guerra que Me Ensinou a Viver, e também com os relatos verdadeiros em O Diário de Myriam e Refugiados: A Última Fronteira. Assim como os livros mais tocantes da linha DarkLove, que publica poderosas vozes femininas contemporâneas, O Diário de Nisha aquece o coração do leitor com uma história tão bela e sensível que é um verdadeiro tesouro. Através da busca de Nisha por identidade, aprendemos a exercer a empatia e a lutar por um futuro mais pacífico e tolerante. E vemos que reconstruir a vida nunca é fácil, mas fica um tantinho melhor se for ao lado das pessoas que mais amamos.

Resenha

Papai diz que [...] quando as pessoas são separadas em grupos, elas começam a acreditar que um grupo é melhor que o outro.
P. 105
O estudo de história estrangeira que se tem nas escolas brasileiras se foca quase que exclusivamente na Europa. Pouco ou nada se aprende sobre as Américas, África ou Ásia e, consequentemente, pouco sabemos sobre o passado ou a cultura de outros países. São maravilhas e horrores que são desconhecidos pra nós e que só vão ser revelados se por acaso alguma novela se passar em outro país. Ou se um livro estrangeiro for traduzido pro português.

É o caso de O Diário de Nisha, cuja história se passa durante a Partição da Índia (em 1947), um evento histórico do qual a gente não tem nenhum conhecimento mas que teve um impacto gigantesco na configuração que a Ásia tem hoje. Ao se separar da Inglaterra (que colonizava o país há duzentos anos), o território foi dividido em dois países independentes: Índia e Paquistão. Na primeira, ficariam os hindus e sikhs; no segundo, os muçulmanos. A partição gerou uma crise de refugiados e violência pelos dois países. Pessoas foram mortas, famílias precisaram cruzar a fronteira a pé porque os trens eram atacados e um número incerto de mulheres (estima-se que cerca de 50 mil, entre muçulmanas, sikhs e hindus) foram sequestradas durante o período que se seguiu à partição.

 É neste contexto histórico que conhecemos Nisha, uma menina quieta de doze anos que mora com o irmão gêmeo, o pai, a avó e o cozinheiro. Sua mãe morreu pouco depois de dar à luz e é pra ela que Nisha escreve, contando de sua rotina na escola, sobre como gosta de ajudar na cozinha e tem dificuldade de falar com as pessoas. Ela narra seu cotidiano e conta suas impressões sobre as pessoas ao seu redor nas páginas de um diário que ganhou do cozinheiro, sempre se referindo à mãe e dizendo o quanto sente saudade dela, apesar de nunca a ter conhecido. Após a partição, sua família decide que é muito perigoso continuar onde eles moram, porque são hindus do lado muçulmano da divisão, e decidem migrar para “a nova Índia”.
Ele falou que alguém precisa fazer um registro das coisas que vão acontecer, porque os adultos vão estar muito ocupados.
P. 11
O livro segue então a jornada da família de Nisha do Paquistão recém-criado à Índia através do deserto, toda a fome a sede e o medo de uma família de refugiados tentando sobreviver num ambiente político hostil. Uma viagem motivada por uma decisão política que dividiu um povo. Tudo pelos olhos de uma criança adolescendo, em conflito consigo mesma e com seus sentimentos em relação a seu país.

É inevitável a comparação com O diário de Anne Frank, já que ambos são narrados por uma adolescente e contam como suas famílias tentaram sobreviver aos horrores de um momento político conturbado. Mas enquanto Anne Frank é mais introspectiva e fala principalmente sobre sua vida pré-guerra e sua opinião sobre seus vizinhos, Nisha foca em sua jornada e como ela afeta não só sua família como os outros viajantes ao seu redor.

A edição é lindíssima, com capa dura e um design que imita um diário, inclusive com o desenho do fecho, além da lateral ser pintada com arabescos e pássaros. O design é, como sempre, primoroso e o livro parece um caderno muito bonito, com temática indiana e uma ilustração linda na capa.

É importante ler histórias que se passam sem realidades fora da nossa, sejam em outras culturas ou outros períodos históricos. Elas nos fazem enxergar outros pontos de vista e sentir mais empatia por pessoas que, apesar de muito diferentes, tem os mesmos sentimentos e os mesmos sonhos. Uma menina atravessando a fronteira entre Paquistão e Índia em 1947 pode nos ensinar muito sobre família e todo o sofrimento que a guerra inflige sobre pessoas comuns.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob 😉
Comentários
3
Compartilhe

04 janeiro, 2019


[Resenha] The Beatles: Yellow Submarine - Bill Morrison

Ficha Técnica 

Título: The Beatles: Yellow Submarine
Título Original: The Beatles: Yellow Submarine
Autor: Bill Morrison
ISBN: 978-85-9454-068-3
Páginas: 112
Ano: 2018
Tradutor: Bruno Dorigatti
Editora: DarkSide Books
Basta uma nota para voltarmos no tempo, em que jovens cabeludos que só queriam mudar o mundo acabaram se tornando a trilha sonora de nossas vidas. Chegou a hora de embarcar novamente no submarino amarelo e mostrar para uma nova geração que se eles existem, é porque aprendemos a sonhar em Pepperland. Baseado em várias músicas dos Beatles, o filme Yellow Submarine, lançado em 1968, conta a história de Pepperland, um paraíso subaquático onde o vento espalha as adoráveis canções da banda do Sgt. Peppers aos quatro cantos e onde ninguém se sente sozinho. Quando o líder dos Malvados Azuis, que odeia música, ameaça as cores e a existência de Pepperland, o marinheiro idoso jovem Fred sai no lendário Submarino Amarelo para buscar ajuda e recruta os garotos de Liverpool para libertar sua cidade. Yellow Submarine se destaca pela colorida mistura de estilos e técnicas inovadoras na época, além da harmoniosa combinação das músicas que ajudam a derrubar os Malvados Azuis. A música e o amor como resposta aos ataques e ao autoritarismo desse grupo que odeia tudo o que torna Pepperland especial é o que se sobressai da animação. Agora, os fãs de uma das maiores bandas de todos os tempos podem reviver a história clássica dos Beatles e comemorar o aniversário de 50 anos de estreia do filme com a DarkSide® Books. A editora mais rock ‘n’ roll do Brasil traz para os fãs a adaptação oficial de Yellow Submarine para os quadrinhos feita por Bill Morrison, um dos desenhistas de Os Simpsons e também editor da revista mad. A profusão de cores da arte, aliada ao roteiro divertido e arrojado e a habilidade de Bill Morrison de contar histórias faz com que o leitor embarque na aventura do jovem Fred para salvar Pepperland dos seres que instalaram a tristeza, o medo e o silêncio na cidade. Cada painel é ricamente detalhado e ajuda a contar a história que os fãs mais fervorosos da banda — e a nova geração que se delicia com os acordes que não saem de moda — sabem de cor e salteado.

Resenha


Em comemoração aos 50 anos da estreia do filme Yellow Submarine, a DarkSide trouxe para os fãs da banda e aos que não conhecem a famosa banda de Liverpool a chance de conhecer essa história.

Embora eu conheça e goste muito das músicas dos Beatles, sabia da existência do filme, mas nunca tive a oportunidade de assisti-lo e agora, com a DarkSide, tive essa chance 😍.



O filme era uma animação que foi adaptada para uma graphic novel por Bill Morrison, um dos desenhistas do desenho animado Os Simpsons e também é editor da revista Mad, sem falar no trabalho como ilustrador na Disney nos anos 1980, onde trabalhou em filmes como Peter Pan, A Raposa e o Cão, A Pequena Sereia e muitos outros.

Assim como era característico da aura psicodélica dos anos 1960, dá para perceber que Morrison trouxe a mesma premissa para a graphic novel, são muitas cores misturadas para retratar principalmente os moradores de Pepperland e os garotos de Liverpool.



Na história estamos em Pepperland, uma terra com muita cor e música onde os moradores vivem em paz e harmonia, mas isso causa inveja no líder dos Malvados Azuis, que quer acabar com a música e consequentemente, com a alegria e as cores de Pepperland e ataca a cidade. Com isso, o prefeito incube o jovem Fred de comandar o Submarino Amarelo em busca de ajuda em outras terras. Assim, ele encontrará Ringo, que, junto com os amigos, aceitará ir até Pepperland ajudar essas pessoas que não conhecem.



Depois de muitos obstáculos pelos mares confusos, eles chegam em Pepperland, mas a situação é muito crítica, mas com sua música e o amor conseguirão reverter os efeitos causados pelos Malvados Azuis.

Tratando-se de uma graphic novel a história é muito rápida de ser lida, mas são tantos elementos gráficos que complementam a história que a gente se vê completamente absorvido nesse mar de cores e detalhes.

Mais uma vez a DarkSide fez um trabalho incrível com a diagramação, com o cuidado da edição, o papel (couchê, que favorece o colorido), o tamanho do livro (maior do que os mais usuais no mercado - 20x30cm).



Uma linda edição de colecionador para termos em casa e presentear nossos amigos, não acham? Os viajantes dos mares do tempo, de monstros, de buracos, verdes e tantos outros se sentirão em casa com essa aventura repleta de esperança e alegria para ajudar a enfrentar os tempos sombrios.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob 😉
Comentários
7
Compartilhe

25 dezembro, 2018


[Resultado] Sorteio Wayfarers


Olá meus queridos, como estão nessa manhã de natal?

Muitos devem ter ido dormir tarde ontem - ou hoje, né? - então, que tal saber se ganhou o Sorteio Wayfarers com os livros A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil e A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada, da Becky Chambers, para dar aquela acordada?

Vamos lá ver, né? Cruzem os dedos 🤞🏾🤞🏾🤞🏾



a Rafflecopter giveaway


Parabéns Rudy!! Você recebeu um e-mail e têm 72 horas para respondê-lo e garantir seus prêmios.

Obrigada à todos pela participação e uma dica para quem participa de sorteios, confere se estão seguindo TODAS as regras, hein?! Até a próxima 😉
Comentários
4
Compartilhe

21 novembro, 2018


[Sorteio] Wayfarers


Olá meus queridos, como vocês estão??? 

Vamos animar as coisas com mais um sorteio? Em parceria com a DarkSide, um sortudo ou sortuda irá ganhar os livros da série Wayfarers, da Becky Chambers. Então é só participar e torcer 😉



Prêmio:
📖 Livro A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil
📖 Livro A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada

Informações: 
📖 Seguir o blog publicamente;
📖 Deixar um comentário nesse post dizendo que está participando;
📖 Não esqueça de ler o Terms & Conditions que está incluso no Rafflecopter;
📖 Ter endereço de entrega no Brasil;
📖 A promoção vai de 21 de novembro à 24 de dezembro;
📖 Para se inscrever basta inserir suas entradas no formulário Rafflecopter abaixo;
📖 Será apenas um ganhador;
📖 Caso o ganhador mande os dados para o envio do livro errado, o mesmo será sorteado novamente;
📖 O sorteado terá 3 dias para retornar o e-mail com seus dados, ou um novo sorteio será realizado;
📖 Na opção twittar sobre a promoção, basta clicar no ícone do twitter que uma janela aparecerá com a mensagem que você deve twittar e é só confirmar e depois copiar o link e colar no local indicado;
📖 Usar o tweet about the giveaway apenas 1 vez por dia;
📖 O prêmio será enviado pela editora em até 45 dias após a confirmação do ganhador.


a Rafflecopter giveaway
Beijos e boa sorte à todos!
Comentários
30
Compartilhe

18 novembro, 2018


[Resenha] A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada - Becky Chambers

Ficha Técnica 

Título: A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada
Título Original: A Closed and Common Orbit
Autor: Becky Chambers
ISBN: 978-85-9454-121-5
Páginas: 320
Ano: 2018
Tradutor: Flora Pinheiro
Editora: DarkSide Books
Lovelace já foi a Inteligência Artificial responsável pelo funcionamento da nave espacial Andarilha no passado. Após uma reinicialização completa, ela acorda em um novo corpo e sem nenhuma memória do que veio antes. Enquanto descobre sua essência e aprende a se virar em um universo repleto de artimanhas e novidades, ela faz amizade com Sálvia uma engenheira empolgada com os desafios que se colocam à sua frente. Juntas, Sálvia e Lovelace vão descobrir que não importa qual seja o tamanho do espaço, duas pessoas podem preenchê-lo. A Vida Compartilhada em Uma Admirável Órbita Fechada é uma sequência independente do aclamado romance de estreia de Becky Chambers, A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil. Com a criatividade e visão inovadora já conhecida entre seus leitores, a autora fala sobre amizade, humanidade, força feminina e também debate as teorias e limites do que é possível realizar com a Inteligência Artificial. Tudo com o apuro exigido pelos fãs de ficção científica, que agora encontram uma nova casa na linha DarkLove, da DarkSide® Books.

Resenha


Em A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada retornamos à trilogia Wayfarers da Becky Chambers e ao universo por ela criado. Quando lemos A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, conhecemos a tripulação da nave Andarilha, suas particularidades e durante a viagem foi possível entender um pouco sobre eles. Pois bem, faltou uma personagem, que conheceremos agora.

Vimos como foi o final da história para Lovey, a Inteligência Artificial da Andarilha e, depois da tensão e da decisão tomada por ela, a curiosidade toma conta da gente, de como será seu futuro. Lovey agora é Sidra e, em um corpo orgânico, deixará a Andarilha com Sálvia e viverá com ela e seu companheiro, Azul, em Porto Coriol.
"Tenho tantas perguntas para fazer. Você me fez pensar em várias coisas que nunca considerei. Não é nada agradável perceber que você estava enganado sobre algo, mas acho que isso é positivo de vez em quando."
P. 167
Desde o início percebemos que Sálvia e Jenks compartilhavam uma opinião semelhante quanto aos direitos das IAs e nesse livro, com uma narrativa que alterna o presente, onde enfrentamos com Sidra suas dificuldades de adaptação à nova realidade e o passado, aproximadamente 20 anos atrás, vendo a infância e adolescência de Sálvia, conseguimos compreender sua ideologia, principalmente quando o assunto é Inteligência Artificial.

Ao longo dos capítulos Becky mais uma vez aborda muitos temas que nos remetem à reflexão. Amizade, força feminina, sustentabilidade, diferenças raciais, culturais e de gênero, recomeço, dilemas éticos e a busca por um propósito são alguns deles e, em alguns casos, são abordados através da interação entre diferentes personagens, nos proporcionando a possibilidade de aprofundar o conhecimento da personalidade do personagem e a oportunidade de ver diferentes pontos de vista de um mesmo tema. Tudo isso supera a ausência de um vilão e de um clímax muito elaborado, elementos que estamos acostumados a encontrar nas narrativas atuais. Mas vamos combinar, já são tantos temas a refletir, não é mesmo?
Mas então olhou para cima de novo, para a grande galáxia macia, e se sentiu bem depois de um tempo. Ela se sentiu bem. Por algum motivo, ficar ali fora, olhando para as estrelas, deixou tudo um pouco melhor. Não fazia sentido em sua cabeça, mas fazia sentido no estômago dela. Ela olhou para as estrelas e soube que todas as suas perguntas seriam respondidas, todas as coisas seriam consertadas. Todas aquelas coisas estranhas eram boas.
P. 130
Além de falar da história e de como os personagens são bem construídos, em se tratando de um livro da DarkSide, não posso deixar de falar sobre o projeto gráfico: a fotografia da capa, a capa dura, a textura dela, a diagramação interna, com a separação das três partes do livro em cor preta, remetendo ao universo e suas estrelas, tudo é cuidadosamente pensado para prender nossa atenção e eles conseguem isso de maneira primorosa.
"Você  estudou história. Você sabe disso. A história de todas as espécies consiste em uma longa cadeia de atrocidades que cometemos uns contra os outros."
P. 281
A escrita da Becky me impressionou, sua criatividade em criar o universo da Comunidade Galáctica, os detalhes de seus personagens, os temas que escolheu abordar em sua narrativa, a coragem em fugir do comum e não apresentar um vilão e um clímax. Sinceramente estou curiosa para saber o que ela trará no terceiro e último livro dessa trilogia.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob 😉
Comentários
5
Compartilhe

13 novembro, 2018


[Resenha] Chronos: Limites do Tempo - Rysa Walker

Ficha Técnica 

Título: Chronos: Limites do Tempo
Título Original: Time’s Edge
Autor: Rysa Walker
ISBN: 978-85-9454-125-3
Páginas: 384
Ano: 2018
Tradutor: Fernanda Lizardo
Editora: Darkside Books
Os leitores brasileiros embarcaram em um salto temporal com a DarkSide® Books e voltaram para casa com lembranças que vão durar para sempre. Em Chronos: Viajantes do Tempo, primeiro livro da premiada trilogia de Rysa Walker, acompanhamos a história de Kate Pierce-Keller, que não só descobriu que possui um gene que a permite viajar no tempo, como também saltou para o século xix para impedir um homicídio e ajustar a linha temporal que desmanchou sua família. Agora, em Chronos: Limites do Tempo, Kate está frente a frente com uma conspiração envolvendo os ciristas, um culto religioso que ameaça afetar o universo como o conhecemos ao fazer mudanças nas linhas temporais para aumentar sua rede de poder. Para impedi-los de alterar a realidade de maneira irreversível, ela foi incumbida de coletar todas as chaves chronos através do tempo antes que elas parem nas mãos erradas. Tudo precisa ser detalhadamente planejado e nada pode dar errado: um movimento em falso e os ciristas descobrem seu plano, comprometendo o futuro de milhões de inocentes. Conforme Kate revela as camadas da mente doentia de seu avô, uma das principais figuras envolvidas na ascensão do culto, e as memórias aterrorizantes de quando foi perseguida pelo serial killer H.H. Holmes a atormentam, sua missão fica cada vez mais complexa. Os aliados são poucos, e qualquer um pode ser um espião. Em Chronos: Limites do Tempo, Rysa Walker faz o leitor presenciar momentos críticos e marcantes da história norte-americana: o assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963; a Boston de 1905, onde o escapista Harry Houdini apresentava seus truques; e o interior do estado da Georgia, em 1938, onde as leis de segregação racial ainda eram uma triste realidade. Nesta sequência de tirar o fôlego, Rysa Walker apresenta um jogo de ações e consequências em que limites são testados literalmente o tempo todo — como toda boa história envolvendo viagens no tempo deve ser, afinal, cada caminho traçado pode ter implicações perigosíssimas. E o finalzinho deste segundo volume vai deixar qualquer um com vontade de saltar no tempo para saber como tudo termina. Chronos: Limites do Tempo chega para arrebatar os leitores de todas as épocas e lugares em mais uma publicação da linha DarkLove — dedicada a revelar novas vozes femininas na literatura. Preparados para uma nova jornada?

Resenha

Após descobrir todo um universo antes desconhecido, Kate tem que continuar ajudando sua avó a impedir que Saul, seu avô, cometa uma destruição em massa, através do uso das chaves CHRONOS. O plano de Saul é criar um grupo religioso, onde seus integrantes sejam selecionados a dedo, enquanto para o restante da sociedade; nada além da morte.

Neste segundo volume da Trilogia Chronos, Kate precisa continuar viajando para o passado, na tentativa de descobrir como seu avô pretende dizimar parte dos habitantes do planeta. É imprescindível que o cuidado seja redobrado, já que o inimigo também pode viajar no tempo. Isso faz com que Kate una suas forças à Kiernan, sem ter a certeza que pode confiar 100% nele. Balanceando sua vida entre passado e presente, Kate deve correr, antes que seja tarde demais para que qualquer viagem no tempo, possa solucionar seus problemas.

Mas fico em silêncio quando os braços de Kiernan me envolvem, e seus dedos voam sobre a interface da minha chave CHRONOS a fim de registrar o ponto estável em seu quarto. “Kate, temos que ir. Não há nada que possamos fazer aqui.
P. 94

Como disse anteriormente, “Limites do Tempo” é o segundo volume da trilogia escrita por Rysa Walker, sequência de “Chronos: Viajantes do Tempo”. Aqui, a autora mantém sua mesma fórmula narrativa, sendo Kate a narradora de sua própria história. Senti que os capítulos ficaram um pouco mais extensos do que os do volume anterior, fazendo com que as vezes a leitura ficasse sobrecarregada. Não houve muitas adições de personagens, e os eventos continuam basicamente em torno de Kate e seus aliados.

Agora que Kate domina melhor a chave CHRONOS, as viagens no tempo são mais constantes, acontecendo em várias linhas temporais, em anos diferentes e sem necessariamente serem longas como a viagem à Exposição Universal do primeiro volume.

Ao mesmo tempo que tais viagens são mais frequentes, senti que tal artifício tornou as personagens incapazes de viajar no tempo como Kate, em meras coadjuvantes. Mais uma vez, a autora deu um jeito de sumir com os pais de Kate, e além disso, limitou muito a interação de Kate com sua avó Katherine, Connor e até mesmo Trey.

Não é de se admirar que sra. Meyer tenha me achado familiar. Se você ignorar a barriga distendida – algo que estou tendo muita dificuldade para fazer –, a deusa da fertilidade em sua sala de estar se parece exatamente comigo.
P. 156

Até então, a trilogia Chronos não fez meus olhos brilharem. A leitura não é ruim, e a prova disso é que li cada exemplar bem rápido. Mas, acho às vezes a história confusa demais, sem contar que não tenho afeição alguma por Kate. Senti também, principalmente neste segundo volume, que muitas passagens ficaram arrastadas e desnecessárias, enchendo o livro de coisas que não acrescentam em nada ao plot principal.

De qualquer forma, a edição do livro continua impecável e com uma excelente diagramação. Para o terceiro e último volume da saga, eu espero que a Rysa Walker consiga acelerar as coisas, dar mais fôlego às personagens e lapidar seu trabalho para não pecar nos excessos. Eu vejo um bom potencial em “Chronos” e estou na torcida para a série ter um desfecho de respeito.

Alguns segundos depois, a porta do lado direito da capela é aberta e a luz do sol se infiltra, enquadrando a silhueta de um homem parado à entrada. À medida que o homem avança alguns passos, a porta vai se fechando lentamente atrás dele.
P. 261

Compre na Amazon
Comentários
5
Compartilhe

07 novembro, 2018


[Resenha] A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil - Becky Chambers

Ficha Técnica 

Título: A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil
Título Original: The long way to  small angry planet
Autor: Becky Chambers
ISBN: 978-85-9454-050-9
Páginas: 352
Ano: 2017
Tradutor: Flora Pinheiro
Editora: DarkSide Books
Você nem imagina os mistérios que existem do outro lado do Universo. Se tiver coragem de desbravá-los, é melhor se preparar. Essa não será uma jornada rápida e os perigos podem surgir a cada momento, de onde menos se espera. A boa notícia é que você não estará sozinho. Milhares de leitores em todo o mundo já embarcaram nas páginas dessa que é A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil. O livro de Becky Chambers é um marco recente no universo da ficção científica. Lançado originalmente através de financiamento coletivo pela plataforma Kickstarter, ele conquistou a crítica especializada e os ainda mais exigentes fãs do gênero, sendo indicado para prêmios respeitados, como o Prêmio Arthur C. Clarke e o Prêmio Hugo. Um dos motivos do sucesso de A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil é a abordagem da história. Elementos essenciais em qualquer narrativa de ficção científica estão muito bem representados, como a precisão científica e suas possíveis implicações políticas. O gatilho principal é a construção de um túnel espacial que permitirá ao pequeno planeta do título participar de uma aliança galáctica. Mas o que realmente torna único esse romance "On the Road" muito divertido e futurístico são seus personagens. Complexos, instigantes e tridimensionais. A autora optou por contar a história de gente como a gente, ainda que nem todos sejam terráqueos ou mesmo humanos. A tripulação da nave espacial, Andarilha, é composta por indivíduos de espécies, gêneros e planetas diferentes, incluindo um médico de gênero fluido, que transita entre o masculino e o feminino ao longo da vida e uma estagiária nascida nas colônias de Marte, uma piloto reptiliana. Temas como amizade, força feminina, novos conceitos de família, poliamor e racismo fazem parte do universo do livro, assim como cada vez mais fazem parte do nosso mundo. Becky Chambers segue os passos da pioneira Ursula K. Le Guin e inclusive presta homenagem à inventora do ansible, um dispositivo de comunicação interplanetária, em sua obra. A visão acurada e feminina de autoras como Becky e Ursula permite desconstruir velhos clichês e quem sai ganhando são os amantes da literatura de ficção científica, de todos os espécies e gêneros. Outras fontes ajudaram a formar a autora de A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, Carl Sagan e Star Trek, por exemplo. Mas certamente suas influências estavam em casa. Becky é filha de um casal de cientistas espaciais e neta dum dos participantes do Projeto Apolo da NASA. A ciência é algo importante na família. A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil é o primeiro livro de ficção científica da linha DarkLove. Livros escritos por autoras com grandes histórias para contar prontas para desbravar novos mundos. E ele consolida a DarkSide Books no fantástico universo da ficção científica. A editora já lançou Star Wars, romance dos 3 primeiros filmes da série, e o Homem que Caiu na Terra, romance que deu origem ao primeiro filme de David Bowie como ator.

Resenha


Estava mesmo precisando de uma leitura diferente para mudar um pouco e a ficção científica A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil chegou no momento certo.

Não há mais vida na Terra. Os humanos restantes são integrantes da Comunidade Galáctica, assim como diversas outras espécies da galáxia. No início do livro, o capitão Ashby Santoso contratou uma guarda-livros, Rosemary Harper, mais uma humana que integrará a tripulação interespécie da Andarilha, uma nave especializada em fazer túneis para transporte no espaço (buracos de minhoca). A tripulação é composta pelos humanos: Ashby, Rosemary, Artis Corbin (algaísta), Jenks (técnico de computação) e Kizzy Shao (técnica mecânica); o Grum, Dr. Chef (médico e cozinheiro); a aandriskana Sissix (piloto); o Sianat Par, Ohan (navegador) e a inteligência artificial Lovelace, ou Lovey, como ela prefere ser chamada.

Quando vi Rosemary chegando à nave com um segredo, imaginei que haveria ali um romance entre ela e o capitão, mas a história não segue nesse rumo. Com a chegada dela na nave e uma nova aliança na Comunidade Galáctica com os toremi, surge a oportunidade de trabalho para a Andarilha perfurar um túnel em Hedra Ka (novo planeta dos toremi), onde seria necessária uma longa viagem para chegar lá e realizar o trabalho. A questão é que, sendo uma viagem muito longa, as paradas em terra firme seriam quase nulas e ficar muito tempo em uma nave não é psicologicamente saudável para ninguém, independente da espécie.
"Tudo o que você pode fazer, Rosemary, assim como todos nós, é trabalhar para se tornar uma força positiva. É a escolha que todo sapiente deve fazer todos os dias da sua vida. O universo é aquilo que fazemos dele. Cabe a você decidir que papel quer desempenhar. E o que vejo diante de mim é uma mulher que sabe muito bem o que quer ser."
P. 184
O tempo é contado de maneira diferente, mas fazendo mais ou menos uma relação com nossa unidade métrica, é como se a viagem até Hedra Ka levasse quase um ano. Nesse período a gente descobrirá o segredo de Rosemary, entenderá um pouco da cultura de Sissix, perceberá que a relação de Jenks e Lovey é incrível, que Ashby tem também um "segredo" - que não é um segredo, mas... e que Corbin fará uma grande descoberta sobre sua história.

Quanto mais conhecemos os personagens da Andarilha, mais a gente percebe como são reais, como têm problemas comuns e a Becky aborda muitos assuntos nesse livro: relações familiares, sexualidade, amor, amizade, companheirismo, sempre trazendo para a pauta de que é possível conviver em harmonia mesmo tendo culturas muito diferentes entre si.
"O homem ficou quieto. E então fez algo que eu nunca tinha visto antes: começou a chorar. Veja bem, na época eu não sabia que os humanos choravam, então fiquei um pouco assustado. Sabe como é perturbador ver os olhos de alguém começarem a vazar? Ah, pobre coitado, ele tentou me explicar o que era o choro enquanto passava por todos aqueles sentimentos. Nunca vou esquecer o que me disse. Ele falou: 'Isso significa que nós temos valor, que não somos irrelevantes.' E eu respondi: 'É claro que vocês têm valor. Toda vida tem valor.' E ele me disse: 'Mas agora eu sei que o restante da galáxia também pensa assim.'"
P. 226
Fiquei impressionada com esse livro e com essa jornada. A maneira como Becky fala do preconceito, como sempre julgamos em primeiro lugar, como o choque cultural atinge alguns mais do que outros, sobre lidar com espécies de gênero fluido, que nascem de um sexo e com a idade passam a ser de outro, espécies de corpos reptilianos, outros parecidos com moluscos, outros com pássaros, mas o principal é que todos vivem em comunidade.

Todos os personagens apresentados são muito complexos e a cada página eu ficava intrigada com algum deles, afinal os capítulos são narrados alternando o ponto de vista entre os tripulantes. Embora todos os personagens sejam muito importantes e interessantes, preciso dizer que as personagens femininas são extremamente fortes e são fundamentais em muitos momentos da história, seguindo a tendência atual.

Estou muito curiosa para ler A Vida Compartilhada em uma Admirável Órbita Fechada, pois o universo criado pela Becky é incrível, como desenvolveu um futuro para os humanos, como se integraram a Comunidade Galáctica, como as inteligências artificiais ganharam mais autonomia, a tecnologia, como é viver no espaço, nossa, foi incrível! Fico impressionada com tanta criatividade.

Lá vou eu ler o próximo 😉

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob 😉
Comentários
7
Compartilhe
 
imagem-logo
De Tudo um Pouquinho - Copyright © 2016 - Todos os direitos reservados.
Layout e Programação HR Criações