13 novembro, 2023


[Resenha] Pelos Olhos da Câmera - Laís Barbosa

Ficha Técnica 

Título: Pelos Olhos da Câmera
Autor: Laís Barbosa
ISBN: 978-65-00-68557-2
Páginas: 308
Ano: 2023
Editora: Independente
Valentina Lopes não merece ser amada — ou, pelo menos, é nisso que ela acredita.
Assombrada pela ausência do pai e pelo preconceito diário contra o seu corpo, Valentina é uma mulher gorda com preocupações maiores do que números na balança — apesar de todos acharem que a solução para os seus problemas seja perder uns quilos.
Desempregada e com o banco lhe lembrando constantemente das parcelas vencidas do FIES, ela só quer um emprego decente e fazer as pazes com suas gordurinhas. Em uma tentativa de pôr a vida de volta aos eixos, Valentina decide morar com sua melhor amiga e sua realidade antes caótica transforma-se em algo ainda mais inesperado.
Arrastada pela colega de apartamento, ela vai ao encontro de fãs de Jonathan Castiel, um youtuber em ascensão que enxerga Valentina com uma beleza que ela não vê. Compartilhando a paixão pela fotografia, os dois se aproximam e, através dos olhos de Jonathan, ela começa a enxergar o mundo e o seu corpo de uma perspectiva diferente.
Enquanto tenta conquistar um emprego no escritório do pai e praticar a autoaceitação, Valentina vai embarcar em uma jornada atribulada de autoconhecimento até perceber que, para deixar Jonathan amá-la, primeiro ela terá que amar a si mesma.

Resenha


Sabe aquele livro em que a personagem parece que é você? Que as falas dela são suas? Que você se perguntou diversas vezes se deveria escrever a resenha ou não? Aqui está um exemplo.

Valentina Lopes tem vinte e três anos e é jornalista, mas está vivendo uma fase bem complicada na vida: sem ter onde morar, vai viver com a melhor amiga, Helena, até as coisas melhorarem um pouco. Ela e Helena são amigas há dez anos, uma amizade sólida, mas mesmo assim Valentina não consegue se abrir totalmente com ela, então, como será dividir o teto com a amiga?

Helena é superfã de um youtuber, o Jonathan Castiel, que fala sobre filmes e quadrinhos e, como ele pela primeira vez fará um encontro de fãs, ela não poderia perder essa chance. Claro que ela precisa da amiga para registrar esse momento, afinal, Valentina ama fotografar.
Olho para ela duas vezes, piscando para ter certeza de que ouvi bem. Uma quentura borbulha dentro de mim e me sinto estranho, pois aquelas palavras poderiam muito bem ter saído da minha boca. É uma mistura de eu penso o mesmo com encontrei alguém que me entende.
P. 66
Valentina estava no evento apenas para fazer um favor para a amiga, claro que ela não levou a sério o "interesse" que Jonathan pareceu demonstrar por ela, ou que Helena acha viu enquanto elas estavam na fila e Valentina estava fotografando, mas, quando o evento acabou e eles se esbarraram por acaso em um forró no mesmo espaço e Jonathan mais uma vez chegou junto, Helena não teve dúvidas do interesse do seu ídolo na amiga.

Há vários motivos para Valentina não perceber que Jonathan está interessado nela e, todos vêm do mesmo lugar: a insegurança em relação ao corpo. Valentina está acima do peso que a sociedade considera aceitável e por muitos anos ouviu coisas negativas de pessoas que deveriam estar ao seu lado. Além disso, ela ainda sofreu com o último namorado, que traiu sua confiança de maneira baixa. Assim, ao longo dos anos, Valentina não lidou com nenhuma das situações que viveu, foi guardando todas as emoções o mais fundo possível, como se isso fosse resolver todos os problemas. A questão é: as emoções precisam ser sentidas, validadas. E, enquanto Valentina tem dificuldade em lidar com as emoções, Jonathan não tem nenhum problema em lidar com as próprias.
— Vou deixar transparente, porque parece que não estava claro o suficiente até agora: estou dando em cima de você e, a partir de hoje, vou usar tudo o que tenho. — Ele chega ainda mais perto e viro o rosto na direção da porta.
Sinto sua respiração em meu rosto, aperto minhas mãos suadas, quase cravando as unhas na palma, sentindo que as borboletas no meu estomago podem sair voando a qualquer momento.
P. 129
Jonathan tem vinte e seis anos, é arquiteto, mas o que ele gosta mesmo é de ser youtuber — algo que o pai sequer quer ouvir falar. Por isso seu suporte é apenas o melhor amigo, Dylan, de quem é amigo desde a infância. Para ceder aos desejos do pai, Jonathan assumiu o escritório de arquitetura da família. Para não deixá-lo sozinho, mesmo tendo seu dinheiro, ele continua morando com o pai e ouvindo tudo que ele fala sobre os vídeos dele não serem bons, envergonharem o nome da família e tantas outras baboseiras. No entanto, uma hora a pessoa cansa, não é mesmo?
Dylan não se resume a sua deficiência, não entendo como é tão difícil enxergar isso. É simples! Por isso não faz sentido resumirem Valentina ao seu peso. Ou pior, ela se sentir resumida a isso, assim como o Dylan se sentiu uma perna (ou a falta de uma) e não uma pessoa.
P. 141
Como eu disse no início, eu me identifiquei muito com a protagonista dessa história. Ela é baiana, a narrativa se passa em Salvador, Valentina está acima do peso, não gosta de se olhar no espelho, de tirar fotos, não acredita que as pessoas olham para ela com interesse romântico por causa do seu corpo, tem medo de dizer não… enfim, a lista de similaridades é imensa. Porém, graças a terapia, posso dizer que tenho conseguido ressignificar parte dessas coisas — não que seja fácil fazê-las, mas um passo de cada vez, não é mesmo? Sigamos em frente rumo à autoaceitação!


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05 novembro, 2023


[Resenha] Doce Combinação - Stuart Reardon & Jane Harvey-Berrick

Ficha Técnica 

Título: Doce Combinação
Título Original: Gym or Chocolate?
Autor: Stuart Reardon & Jane Harvey-Berrick
ISBN: 978-65-5636-179-6
Páginas: 402
Ano: 2022
Tradutor: Ana Flávia L. Almeida
Editora: The Gift Box
A radialista espertinha, Cady Callahan, nunca experimentou um chocolate que não tenha amado. Ela tem curvas e não está nem aí.
Depois de comprar uma rifa em apoio a uma instituição beneficente para veteranos, ela fica chocada ao ganhar uma assinatura de um ano na Body Tech, uma academia seleta em Manhattan, onde todos os atletas de elite treinam e todas as grandes celebridades procuram quando precisam entrar em forma para seus papéis em filmes de ação. Ela também ganhou um personal trainer sob a forma do irresistível — até demais —, Rick Roberts.
Rick fica ainda menos impressionado quando a chegada de Cady acarreta um grande circo da imprensa. O aposentado craque britânico de rúgbi administra um centro de treinamento sério, e ele, definitivamente, não tem tempo para qualquer pessoa que não queira se esforçar.
Quando a curvilínea Cady o desafia a treiná-la para correr uma maratona no final do ano, isso parece ser uma solução para os problemas de ambos. Se… quando o treinamento acabar, a academia de Rick voltar ao seu normal.
Mas Cady não planeja perder a aposta — ela só não estava contando com outras intercorrências. E o carrancudo Rick é muito complicado. E tão tentador quanto o mais delicioso doce…

Resenha


Que livro divertido, gente! Cady Callahan é uma jornalista de trinta e seis anos bem-sucedida e muito bem resolvida com seu corpo de cem quilos. Obrigada! Depois de anos ouvindo tantas baboseiras como "nossa, mas você tem um rosto tão bonito, por que não emagrece?" (ai, como ouvi isso 😒) — incluindo de sua própria família — ela decidiu que isso não abalaria mais a sua vida.

Cady apresenta o programa Larica Matinal na Rádio XKL em um horário nobre, mas isso significa que ela precisa acordar às quatro da manhã, o que faz com que ela não consiga sair à noite — o horário que a maioria das pessoas usa para paquerar. É por isso que ela é adepta convicta do Tinder. Porém, justamente por causa do trabalho, Cady precisará fazer uma concessão e comparecer a um evento à noite representando a rádio, pelo menos era um evento em prol dos veteranos, algo que ela realmente era a favor, em grande parte porque o irmão era um Ranger. Por isso ela comprou vário bilhetes da rifa, só não imaginou que fosse ganhar justamente um ano de academia grátis. E não em qualquer academia, mas em uma badalada, a Body Tech, frequentada por celebridades em Nova Iorque e o treinamento seria feito pelo próprio Rick Roberts!
— Exercícios são benéficos para todas as áreas da sua vida, mas isso não significa que eles têm que dominar seus dias. Aumentar a sua frequência cardíaca e suar por apenas onze minutos, três vezes por semana, irá te trazer benefícios.
— Tipo sexo?
— Só se você estiver namorando os homens errados — murmurei baixinho.
— O quê?
Não acreditei que falei algo tão impróprio, e torci, de verdade, para que ela não tivesse me ouvido.
Posição 14%
Rick tem trinta e sete anos e nasceu em Bradford, em Yorkshire, no Reino Unido. Ele jogava rúgbi, mas por causa de uma lesão no joelho — e duas cirurgias consecutivas — se aposentou com apenas vinte e quatro anos. Sem saber o que fazer da vida, ele partiu para os Estados Unidos, onde conheceu Vin, que o apresentou ao mundo da moda, mas ser modelo não deu certo para ele, então se tornou personal trainer. Agora, essa é sua vida e, há onze anos sua dedicação é total a Body Tech, sem saber o que é vida pessoal (inclusive o apartamento dele é em cima da academia).

Porém, há muito tempo que Rick pessoalmente não treina ninguém, ele tem várias pessoas em sua equipe para isso, mas quando o mestre de cerimônias anunciou que ele seria pessoalmente o personal daquele prêmio, Rick não tinha como voltar atrás, mesmo que a ganhadora do prêmio mostrasse tanto desinteresse ao ganhar um ano de treinamento com ele em sua academia, quando havia uma fila de pessoas esperando por uma vaga para se matricular lá.
Ela ficou boquiaberta.
— Ai, meu Deus, ele parece adorável. Você vai nos apresentar na próxima vez que ele estiver na cidade?
Nem fodendo.
O pensamento de Cady e Vin ficando juntos provocou uma chama súbita de raiva.
— Rick? Sobre Vin? Faça um favor para uma garota, pode ser?
— Ele não é o seu tipo — resmunguei, rispidamente.
— Ele é gay?
— Não! — gritei, desejando muito que eu pudesse mentir para ela e dizer que Vin só namorava caras.
— Então ele é meu tipo — ela disse, com um sorriso. — Ah, bem, não perca a cabeça, Rick. Eu entendo. Não vou dar em cima dos seus amigos se isso for te estressar.
— Não estou estressado — menti.
Posição 32%
Cady não tinha o menor interesse em se exercitar e estava muito bem com essa decisão, no entanto, quando se viu pessoalmente atacada no evento por Molly McKinney, uma influencer britânica conhecida por ter participado de um reality show e por ter uma página no Instagram só para escarnecer de qualquer pessoa — e ela escolher Cady como alvo desta vez — ficou difícil para Cady recuar quando seus chefes a fizeram ir à um programa ao vivo na TV no dia seguinte ficar frente a frente com Molly. Ou seja, Cady não apenas aceitou iniciar sua rotina fitness como o desafio de correr na maratona de Nova Iorque em um ano. Gente… são 42,5 km. Cady não anda nem os sete quarteirões de distância do trabalho para casa! Bem, mas se tem uma coisa que os Callahan não são é desistentes.

Claro que o começo não é fácil (pois é Cady, eu sei, e olha que eu nunca quis correr), mas realmente é bom ver como ela vai mudando a forma como percebe os exercícios físicos. Da mesma forma, a presença de Cady na vida de Rick faz uma transformação significativa também: Cady é muito expansiva, então ela faz com que ele se expresse mais, com que ele saia de casa para outras atividades que não sejam treinar e, por mais que ele queira manter as coisas profissionais, ela acaba se tornando uma amiga — mesmo que a atração entre eles esteja lá, mas Rick não ultrapassará essa linha.
— Rick, posso te fazer uma pergunta?
— Pode — ele disse.
Um homem de poucas palavras.
— Você não quer que eu fique com o seu amigo gostoso Vin, e não quer que eu vá em um encontro de rosquinhas com o seu cliente gostoso Alex Pettyfer; você está me empatando deliberadamente?
Ele engasgou com a saliva (…)
— Porque se você estiver, isso não é legal. Mas se estiver fazendo porque quer me chamar para sair, então talvez eu te dê um desconto. Qual é, grandão?
Ele não me encarou quando respondeu:
— Nenhum. Eles não são certos para você.
— Então você não quer me namorar?
— Eu não namoro clientes — ele respondeu, claramente irritado.
Eu eu ele somos dois.
— Se eu não fosse uma cliente, você namoraria comigo?
— Você é uma cliente.
Posição 35%
Eu realmente adorei cada página deste livro, adorei os personagens, adorei as mensagens, adorei tudo mesmo. E ainda temos os amigos divertidos que, já bisbilhotei por aí, e sei que têm livros, então, please, tragam para o Brasil, pelo amor de Deus. Quero muito o livro do Vin tentando conquistar a Grace a todo custo, aquele final foi épico. Ela foi MARA! E ainda tem um outro que deixou meu coração quentinho. Também queroooo. 🤎

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05 agosto, 2023


[Resenha] Se Liga, Dani Brown - Talia Hibbert

Ficha Técnica 

Título: Se Liga, Dani Brown
Título Original: Take a Hint, Dani Brown
Autor: Talia Hibbert
ISBN: 978-85-843-9249-0
Páginas: 288
Ano: 2022
Tradutor: Lígia Azevedo
Editora: Paralela
Dani Brown precisa de um sinal. Tudo que ela quer é alguém com quem possa se divertir, sem complicações ou sentimentos envolvidos. O problema é encontrar essa pessoa, por isso ela pede ao universo que lhe avise se aparecer alguém que preencha os requisitos.
Quando acaba presa em um elevador durante um treinamento de incêndio e é resgatada por Zaf, o segurança rabugento de quem é mais ou menos amiga, Dani pensa ter entendido o recado e começa a bolar um plano para seduzi-lo. Nenhum dos dois espera que o resgate gere rumores de que eles estejam juntos. Muito menos que tais rumores tragam benefícios para suas vidas, o que os leva a encenar um namoro de mentira.
Nos bastidores, porém, Dani continua firme com seu plano de seduzir Zaf e conseguir o que quer, mas aos poucos essa amizade colorida se torna mais complicada que sua tese de doutorado. Será que o tiro saiu pela culatra? Ou será que esse é o verdadeiro sinal do universo e Dani só precisa se ligar para ver?

Resenha


As irmãs Brown estão de volta — e suas maravilhosas excentricidades também —, e agora Danika chegou com tudo. A irmã do meio é focada nos estudos e seu objetivo é ser professora universitária. 

Pois bem, Danika Alfreda Brown conseguiu, agora é professora-adjunta na universidade, então está mais próxima de se tornar professora titular. Já deu para perceber que Danika é obcecada por metas, né? Sim, aos vinte e sete anos, ela tem algumas bem singulares, e para alcançá-las, Dani não tem tempo nem espaço para relacionamentos amorosos. 

Para isso ela se vira muito bem com casos passageiros, amigos com benefícios e por aí vai. Porém, sua última amiga com benefícios cometeu o erro de se apaixonar por Dani e para ela isso foi uma grande traição, afinal elas tinham combinado que isso não aconteceria. O pior é que elas trabalham no mesmo edifício é mole? Ai, que situação. Bem, mas é também no Echo que Dani fez um novo amigo, Zaf, um dos seguranças de lá.
"Estou sendo linda para o povo."
Ele soltou uma gargalhada. "Queria poder te carregar assim o tempo todo. Você faz milagres com meu humor."
Posição 12%
Zafir Ansari é descendente de paquistaneses e era jogador profissional de rúgbi, mas agora, aos trinta e um anos, ele não quer que ninguém saiba do seu passado brilhante. O rúgbi está apenas nos momentos em que ele treina os garotos da ONG que ele criou, que visa também dar assistência emocional — diferente do que é visto na maioria dos esportes. Zaf se tornou recluso depois de perder o pai e o irmão mais velho — que ele tinha como um segundo pai — em um mesmo acidente de carro sete anos atrás, enquanto ele estava treinando. Agora sua vida se resume a trabalhar, cuidar da ONG e ler seus romances.

Para Zaf, o ponto alto do dia é quando Dani dá aula no Echo, porque ela sempre traz café para ele. Claro que ele desenvolveu uma queda indevida por ela, ele sabe que Dani deve estar envolvida com a  professora Josephine, ou talvez nem goste de homens, mas o que ele pode fazer? Bem, mas quando Zaf salva Dani de um elevador preso durante uma simulação de incêndio, as coisas realmente saem do controle.
"Por que você lê romances?", ela perguntou, parecendo um pouco com uma sargento ou uma investigadora de polícia. Ops…
Zaf olhou para Dani como se ela tivesse perguntado se leite vinha dos peixes. "Pelo romance."
"Pelo romance."
(…)
"Você gosta de ler sobre pessoas falando dos próprios sentimentos?"
"Gosto."
"Vou reformular a pergunta", ela disse. "Por que você gosta de ler sobre pessoas falando dos próprios sentimentos?"
"Se eu estivesse com um thriller, você me perguntaria por que eu leio sobre assassinos?"
"Claro que não. Você tem cara de assassino, não de alguém que fala sobre os próprios sentimentos."
Agora foi a vez de Zaf dar risada, uma risada baixa e extremamente sexy. "Faz sentido."
"É só que eu nunca desconfiaria que você fazia o tipo romântico" 
(…)
Um leitor de romances que era u fofo disfarçado e nem pensava duas vezes antes de emprestar sua jaqueta para quem esquecia o guarda-chuva? Aquele deveria ser seu pau amigo?
Posição 21%
Alguém filmou Zaf carregando Dani no colo (simmm, como na capa do livro 🤎) e como eles se olharam e colocaram na internet, logo alguém reconheceu ele como o jogador que tinha sumido e associou que Zaf e Dani eram namorados. Assim, em pouco tempo Zaf viu a ONG receber uma atenção muito bem-vinda, afinal, todo investimento que ele não tinha conseguido angariar sozinho nos últimos anos estava chegando até ele. Mas será que Dani toparia fingir ser sua namorada? Ou melhor: ele aguentaria um romance de mentira? Sendo leitor de romances, ele sabe muito bem como esse tipo de enredo acaba, mesmo que ele não acredite em um "final feliz" para si mesmo.

Gente, Dani tinha feito um pedido a Oxum por um pau amigo, vocês acham mesmo que ela ia negar? O caso é que ela fez Zaf prometer que ele não ia se apegar nem se apaixonar, e por isso eles estabeleceram um prazo para essa "brincadeira", porque Zaf não aguentaria ficar muito tempo nessa situação.
"Talvez seja isso. Talvez você não ache possível que alguém que te olha do jeito que eu olho se importe com absolutamente tudo em você. Talvez você tenha encontrado pessoas que só queriam uma parte ou outra sua. Nunca tudo. Nunca o bastante."
Posição 71%
Durante os capítulos, vemos como Zaf está completamente envolvido na relação, assim como Dani, mas ela não percebe da mesma maneira e como Zaf é mais aberto aos sentimentos, fiquei com o coração apertado imaginando que ele sofreria um pouco com tudo isso, até que Dani reconhecesse que estava apaixonada por ele.

Dani e Zaf formam um casal lindo e se apoiam de várias maneiras, esses são apenas alguns dos motivos de amar essa história. Assim como o primeiro livro dessa série, Acorda Pra Vida, Chloe Brown, a representatividade aqui é maravilhosa: uma protagonista negra, gorda, inteligente, empoderada. O protagonista também, vindo de família paquistanesa, algo que não vemos com frequência. ADOREI!
"Você faz com que eu me sinta eu mesma, faz com que me sinta o bastante, e até faz com que eu sinta que ficaria bem sem você. Mas o lance é que não quero ficar sem você, por isso nunca faço planos nesse sentido.
Posição 98%

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20 junho, 2023


[Resenha] Acorda Pra Vida, Chloe Brown - Talia Hibbert

Ficha Técnica 

Título: Acorda Pra Vida, Chloe Brown
Título Original: Get a Life, Chloe Brown
Autor: Talia Hibbert
ISBN: 978-85-8439-203-2
Páginas: 296
Ano: 2021
Tradutor: Lígia Azevedo
Editora: Paralela
Depois de quase ser atingida por um carro em alta velocidade, Chloe Brown se deu conta de que seu obituário seria um tanto entediante. Para reverter essa situação, ela decide montar uma lista de atividades necessárias para finalmente “acordar para a vida”.
Mudar assim não é nada fácil, mas, para sua sorte, Chloe encontra alguém que ― mesmo a contragosto — pode ajudá-la nessa missão. Seu vizinho Red Morgan é um motoqueiro misterioso, que tem várias tatuagens e mais sex appeal que uma estrela de Hollywood.
No entanto, um acordo leva Chloe e Red a se aproximarem e perceberem que suas primeiras impressões um do outro estavam erradas. E que, mesmo com traumas do passado e receios quanto ao futuro, o amor nunca perde a chance de surpreender.

Resenha


Chloe Sophia Brown tem trinta e um anos e é web designer. Há alguns anos ela foi diagnosticada com fibromialgia e muito de sua vida social mudou depois disso: a inconstâncias das dores fez com que ela se tornasse reclusa, ela abandou a pós-graduação, os amigos sumiram e o noivo foi um dos primeiros a deixá-la, quando ele não viu "provas" de que ela realmente tinha uma doença que fazia com que sentia dor na maior parte do tempo. Agora, as únicas pessoas que fazem parte do seu círculo são sua família, melhor evitar que novas pessoas entrem e a abandonem em seguida.

Porém, em uma de suas caminhadas, Chloe quase morreu atropelada e isso fez com que ela repensasse sua vida, como ela está se escondendo. Por isso, ela decidiu fazer uma lista (uma das muitas que faz) de coisas que quer fazer, e é por isso que, dois meses depois ela está morando sozinha. Mas esse foi o único item que ela conseguiu concluir até então, os outros não tiveram qualquer avanço, embora pareçam simples de ser alcançados.
"Sabe", ele começou, rindo, "antes eu te achava esnobe. Mas, quando se trata desse tipo de coisa, você só é desatenta, né?"
"Você achava o quê?" Ela tentou parecer horrorizada. "Estou estupefata. Não acredito que você me achava esnobe."
"Nem eu. Você é só uma ermitãzinha fofa que se incomoda até com a luz do sol."
P. 156
Redford Thomas Morgan é um artista, mas há dezoito meses pinta suas telas apenas à noite e não as mostra a ninguém, tudo por causa do seu último relacionamento. Sem dúvida, namorar com Pippa Aimes-Baxter não lhe fez bem de nenhuma maneira, o relacionamento abusivo deixou marcas profundas e agora ele voltou para sua cidade natal, onde pode estar próximo da mãe, seu melhor amigo Vikram Anand (que é um pequeno magnata dos imóveis) lhe deu um emprego como zelador em um de seus prédios, onde ele também podia morar. Era lá que ele estava se escondendo desde que saiu de Londres, mas desde que Chloe se mudou para o prédio, as coisas mudaram. Red se dá bem com todo mundo e todo mundo gosta dele, mas aparentemente Chloe, com suas roupas retrô e classicismo (que é o que ele acha) é boa demais para conversar com o zelador e para gostar do lugar onde está morando. Enquanto claramente as irmãs dela o adoram, ela mal consegue olhar na cara dele. Ela é uma incógnita para Red. Linda, mas aparentemente uma megera. Até que ele a ajuda a descer de uma árvore enquanto ela resgatava um gato.

Essa aproximação foi o suficiente para que Red percebesse que Chloe não era a pessoa que ele tinha idealizado, além do que, descobrir que ela trabalhava com criação de sites era o que ele precisava no momento, uma vez que ele pretendia voltar a vender suas obras, mas de maneira independente. Bem, ela também precisava dele, afinal, ela não queria depender da família para realizar os itens da lista — e ela meio que já tinha usado ele para atingir um deles. 🤭
O pensamento o paralisou por um segundo, antes que Red mergulhasse nele como se fosse uma cama de plumas. Antes que se tornasse o conforto que o ajudaria a descobrir como falar. Ele amava Chloe. Amava Chloe como se ela fosse uma tela em branco e um quadro terminado e todos os momentos emocionantes e dolorosos no meio, quando parava e recomeçava. Amava Chloe como amava atravessar a noite em sua moto, se sentindo vivo em movimento quando não conseguia por dentro. Amava Chloe como se todos os os olhares fixos dela fossem um beijo e todos os beijos fossem um pedacinho do coração dela nas mãos dele.
P. 237
Claro que Red aceitou ajudar Chloe, pois, mesmo com toda a indiferença da parte dela, ele já estava muito encantado por ela. Quanto mais ele a conhece, mais ele quer ficar perto dela. Por outro lado, a gente vê como é difícil para ele também separar ela de Pippa em alguns momentos (apenas pelo fato das duas serem ricas, mas dispararem gatilhos nele). Enquanto do lado de Chloe a gente percebe a dificuldade que ela tem de acreditar que um homem com uma aparência tão bonita como Red está interessado em alguém como ela (mal sabe ela o quanto ele sonha com ela e suas roupas retrô cheias de botões lhe dando atenção, conversando com ele). 

Chloe e Red têm feridas para curar, mas é ver um ajudando o outro é incrível, eles se complementam. Ain, gente, eu adorei essa história. Adorei encontrar uma protagonista negra, plus size e ver parte de mim ali, e parte em Red. Talia realmente construiu uma história que me conquistou, sem dúvida preciso ler os livros das irmãs de Chloe, Danika e Eve, e saber o que elas irão aprontar.
Chloe estava apaixonada por Redford Morgan, e muito. Aquilo a atingiu com tanta força que ficou tonta.. Deveria sentir medo, deveria querer esconder, mas a constatação a acendeu até que ela se sentisse como aquelas luzinhas, e esconder aquilo seria quase um pecado.
P. 245

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27 março, 2023


[Resenha] De Olho em Você - Amy Lea

Ficha Técnica 

Título: De Olho em Você
Título Original: Set on You
Autor: Amy Lea
ISBN: 978-65-5565-433-2
Páginas: 320
Ano: 2023
Tradutor: Roberta Clapp
Editora: Arqueiro
Crystal Chen é uma influenciadora digital que tem o corpo fora do padrão e construiu a carreira lutando contra os estereótipos do mundo fitness. Após o fim do seu último namoro, ela está sem nenhuma paciência para os homens e seu único refúgio passa a ser a academia — seu templo de autoestima e positividade.
Até que Scott Ritchie se matricula no mesmo lugar. Já no primeiro dia, o bombeiro sarado que exala arrogância — e gostosura — comete um pecado imperdoável: invade o aparelho preferido de Crystal antes que ela termine de usar e conquista sua antipatia imediata.
Dia após dia, enquanto esses inimigos mortais e ultracompetitivos disputam o território da academia, as faíscas de desejo entre eles se multiplicam. Mesmo assim, a última coisa que eles esperam é se encontrar fora de seu campo de batalha diário e constatar que têm mais em comum do que achavam.
Ao descobrir que dentro daquele peito musculoso bate um coração sensível, Crystal decide baixar a guarda. Mas antes de poder vivenciar plenamente essa paixão, ela precisa passar pelo teste de força mais importante de sua vida: enfrentar o preconceito e superar todos os obstáculos para continuar divulgando sua mensagem de amor-próprio.

Resenha


Se em seu romance de estreia Amy Lea já me fez desidratar desse jeito, imagino o que ela me reservará para os próximos livros que escrever da série — que não vi como será em português, mas acredito que, se seguir o inglês, será A Influenciadora.

Crystal Chen tem vinte e sete anos e é personal trainer e influenciadora digital fitness há sete anos. Filha de pai chinês e mãe branca estadunidense, ser birracial era complicado e também ser considerada acima do peso era um adicional às suas inseguranças juvenis. Quando estava na universidade e encontrou o universo fitness, Crystal descobriu que era daquilo que gostava, mesmo que o seu biotipo não permitisse que fosse considerada uma mulher magra. Ela gosta de se exercitar, gosta de se alimentar bem, e o melhor é que, quando ela iniciou seu negócio no Instagram e as parcerias começaram a surgir e render frutos, Crystal percebeu que poderia realmente fazer daquilo a sua carreira. 
— Ele ficou te olhando mais cedo. Tipo, da cabeça aos pés, enquanto a gente estava falando da história do pau.
— Provavelmente planejando me matar.
— Ou te comendo com os olhos.
Se alguém tivesse me sugerido isso anos atrás, eu teria duvidado na hora. Mas atualmente, depois de anos trabalhando meu amor-próprio e minha autoconfiança, não acho a ideia tão absurda.
Página 22
Decidida a levar para outras pessoas o conceito de body positive e amor-próprio, ela sempre faz posts ressaltando a importância de cada um se amar, de aceitar o seu corpo, de não deixar os haters abalarem suas vidas com a negatividade que espalham nas redes.

Mas é no seu ambiente seguro, a academia, que ela encontrará um rival que não esperava: o Ladrão de Rack. 
Passei a vida inteira ouvindo que, em alguma medida, ser introvertida é ser inferior. Que ser extrovertido como meu pai é mais desejável.
(…)
— Digamos que se eu tiver planos pra mais de duas noites consecutivas, talvez passe a semana inteira estressada por causa disso. Ah, e se alguém cancela um programa, eu sinto como se tivesse ganhado na loteria.
Página 131
Crystal estava absolutamente feliz ao ver que seu rack de agachamento favorito estava disponível. Ela poderia fazer sua série ao lado da janela e ainda poderia gravar o treino para postar depois. Que maravilha. Porém, enquanto deixou as coisas no rack e foi pegar água, alguém sem educação se apropriou do "seu" rack. E o pior, fingiu que não a estava vendo; depois agiu como um completo babaca e não cedeu o rack para ela (que tinha chegado primeiro, hein?). Após essa primeira interação — que aconteceu justo no dia que ela encontrou um carinha do Tinder na academia. 🤦🏾‍♀ E claro que, além da "ficada" ter sido daquelas para esquecer, o cara fingiu que não a viu — a relação entre Crystal e o Ladrão de Rack só piorou, parecia que ele atrapalhava seus treinos, aulas e gravações de propósito.

Até o dia em que algo muda na academia… e o Ladrão de Rack some por alguns dias. O problema é que ele reaparece justamente no jantar que a avó dela e Martin estão oferecendo para que as famílias se conheçam, afinal, vovó Flo vai se casar novamente. É assim que ela descobre que o nome do Ladrão de Rack é Scott Ritchie, afinal, o lugar dele está marcado ao lado dela. E descobre que ele chegou atrasado porque ele é bombeiro no Corpo de Bombeiros de Boston, e não é um desocupado como ela imaginava quando o odiava na academia. Ahh, ela também descobriu que ele tem uma namorada, uma patinadora artística que estava em turnê com a Disney.
(…) — Estou interessado, Crys. Mas como você deixou claro que só queria ser minha amiga, não toquei mais no assunto.
— Fora tentar me atrair para um pacto de casamento — lembro.
— Pode acreditar em mim, prefiro sair com você bem antes dos 40. Mas aceito o que vier.
Página 144
Scott tem trinta anos e é o queridinho da família e logo conquistou a família de Crystal também com seu jeito de bom moço, mas ela não se deixará levar pelo rosto bonito e corpo perfeito dele; ele a beijou mesmo tendo uma namorada e o fato de ele ter ido até ela para explicar em seguida que na verdade ele já estava solteiro há algumas semanas, mas que a família não sabia, ou mesmo o fato de ele ser pai de pet e não alguém que odeia animais como ela imaginava contam a favor dele, mas Crystal sabe que, ninguém pula de uma relação para outra e ela decidiu que não terá mais relações casuais e nem será o rebote de ninguém.

Entretanto, a gente pode dizer que Scott é um homem perseverante porque ele acredita na relação deles — e vovó Flo também, e garantirá alguns encontros entre eles. É assim que eles se tornarão amigos, porque ele está determinado a ter o que Crystal estiver disposta a oferecer. Porém, quanto mais tempo passam juntos, mais é evidente que a atração continua lá, mais forte até, então a questão é o quanto Crystal conseguirá resistir, afinal a gente percebe — mesmo sem ter capítulos narrados por Scott — que Scott realmente gosta dela.
— Penso em você o tempo todo. Todos os dias, o dia inteiro. A única coisa que eu quero fazer é estar com você. Mesmo que a gente não esteja fazendo nada.
Página 225
Enquanto a gente espera que o romance aconteça — e quando ele enfim acontece — também temos vislumbres do trabalho de Crystal na internet e na academia, afinal, isso impacta profundamente em suas relações. Em alguns trechos há posts dela e algumas respostas nos comentários, de apoiadores e haters. Infelizmente é um desses posts que desencadeará uma forte reação em Crystal e fará com que ela reavalie suas convicções.

Se eu tinha achado a leitura de Será Que é o Meu Número? intensa, isso nem se compara a maneira como me senti enquanto lia De Olho Em Você. Se ver representada em um livro, ler uma personagem passando ou que tenha passado pelas mesmas inseguranças que você viveu e vive é de uma dureza sem tamanho, gente. Nossa, como foi catártico ler essa história, muitos gatilhos foram disparados e, sim, eu já sabia que havia essa possibilidade, pois a Amy nos alerta logo no início do livro, mas ainda assim não achei que fosse sentir tanto. Marquei tantas passagens enquanto lia a história que é capaz de eu ter marcado o livro todo se for analisar bem, mas é para ler e reler sempre, até internalizar a mensagem: você precisa se amar, mas tudo bem você não se amar o tempo todo.

Se o perfil da Cystal de fato existisse era um que eu precisaria seguir porque ela nos ajuda a lembrar que não precisamos ficar obcecadas com os números na balança para sermos felizes, que não precisamos ser perfeitas, porque nós somos seres humanos.
— Você precisa fazer isso do seu jeito. Redescubra tudo aquilo que ama em você mesma, não só o que a sociedade diz que você deve amar, e alimente isso. A beleza não é uma coisa objetiva, né, por mais que nos digam que sim.
(…)
— Cada pessoa vê a beleza de uma forma diferente, Crystal. E o que é pior, essa mesma sociedade ensinou pra gente quando éramos novinhas que não somos bonitas porque não somos brancas e magras.
Página 292-293
Amy, muito obrigada de verdade. Que leitura incrível. Que resenha difícil de escrever com as lágrimas escorrendo, mas absolutamente maravilhosa e, sabendo que em janeiro o segundo livro da série foi publicado nos Estados Unidos — Exes and O's —, quero logo ler a história de Tara Chen e, em seguida, ler a de Melanir Karlsen, em The Catch.


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13 agosto, 2022


[Resenha] Será Que é o Meu Número? - Julie Murphy

Ficha Técnica 

Título: Será Que é o Meu Número?: uma história moderna da Cinderela
Título Original: If the Shoe Fits
Autor: Julie Murphy
ISBN: 978-65-5609-199-0
Páginas: 304
Ano: 2022
Tradutor: Marcia Men
Editora: Universo dos Livros
Cindy ama sapatos. Seja com um laço no lugar certo ou um salto chique de madeira, é com eles que ela consegue se expressar. Mas ser uma mulher plus size obcecada por moda não é fácil. Ela nunca encontra roupas de marca que funcionem em seu corpo — embora um par de sapatos especial sempre lhe sirva perfeitamente.
Com um recém-obtido diploma em design de moda, mas nenhum emprego à vista, Cindy se muda de volta para a casa da madrasta, Erica Tremaine, a produtora-executiva do maior reality show de namoro do mundo, o Antes da meia-noite. Quando uma das participantes da nova edição desiste de participar do programa no último minuto, Cindy é jogada sob os holofotes. Exibir sua coleção matadora de sapatos em rede nacional parece uma ótima maneira de impulsionar a carreira. E, já que ela está ali, por que não aproveitar alguns encontros luxuosos com um solteiro cobiçado?
No entanto, ser a primeira e única participante gorda em Antes da meia-noite a transforma em uma sensação viral — e num ícone do movimento body positive — da noite para o dia. E o mais inacreditável? Ela pode realmente se ver apaixonada por esse Príncipe Encantado. Para chegar até o final, além de encarar os fãs, os haters e uma casa cheia de outras participantes em quem ela não tem certeza se pode confiar, Cindy terá de dar um salto no escuro e torcer para que seus saltos — e seu coração — não se quebrem no processo.

Resenha


Quando vi a capa e a sinopse do livro eu sabia que precisava ler essa história — mesmo sendo uma releitura de um conto de fadas, algo que eu sinceramente não sou muito fã. E que maravilha que eu fiz isso, gente, porque Será Que é o Meu Número? me conquistou desde o início, as semelhanças com o conto são muito poucas — e nada como se sentir representada, não é mesmo?😊

Cindy Woods sempre foi muito amada por seus pais que muito esperaram por seu "milagre" e viveu feliz enquanto teve os dois em sua vida, mas o câncer levou sua mãe quando ela tinha apenas sete anos e por anos sua família ficou resumida a ela e o pai até que ele conheceu Erica Tremaine, e o namoro levou ao casamento. Assim, a família de Cindy cresceu e ela ganhou uma madrasta e duas meias-irmãs: Anna e Drew. Porém, mais uma vez a vida de Cindy mudou drasticamente quando, ainda no ensino médio, o pai morreu em um acidente de carro. 
— Desde pequena, eu adorava o modo como as roupas podem transformar uma pessoa. Eu… sempre fui gorda. Rechonchuda, como meu pai dizia. E as pessoas são muito rápidas em tirar conclusões a meu respeito, antes mesmo de eu abrir a boca. Meu estilo é uma chance de eu me expressar e, talvez, até fazer alguém repensar seu julgamento apressado. Mas essa é só uma parte do motivo. Eu amo as linhas. Amo que seja arte que você pode vestir. Odeio como a arte pode parecer distante e inacessível, mas você pode entrar numa Target e sair de lá vestida como uma obra de arte. Isso é algo que todo mundo pode fazer.
Posição 40%
Como eu disse antes, as semelhanças com o conto de fadas são poucas, então, por mais que haja uma certa dificuldade de adaptação entre Cindy e a nova família, elas se dão bem e há também o fato de que Erica levou adiante o desejo de Simon de ter mais filhos. Assim, como eles haviam decidido ter filhos com uma barriga de aluguel (e o procedimento seria feito uma semana depois do acidente que ele sofreu), agora Cindy tem mais três meios-irmãos, os trigêmeos Gus, Mary e Jack.

Quando a história de fato se inicia, Cindy tem vinte e dois anos, é uma jovem recém-formada na Parsons School of  Design, mas está absolutamente perdida profissionalmente e tudo por causa da última visita de férias que fez a sua casa, quando reencontrou pertences de seus pais e o luto a abateu fortemente e sua criatividade e inspiração a abandonou de uma forma que ela mal conseguiu se formar. E é por isso que ela acredita que não tenha recebido qualquer proposta de emprego e está deixando Nova Iorque e voltando para Los Angeles, onde temporariamente ajudará Erica como babá dos trigêmeos, pois a babá deles foi embora e desde então houve uma rotatividade imensa no cargo nos últimos dois meses.
— Está óbvio assim? — pergunto. — Que eu gosto dele?
É a primeira vez que estou admitindo isso, até para mim mesma.
Drew revira os olhos.
— Você foi a última a receber um pergaminho e desfilou até lá, deu um longo abraço nele, um beijo no rosto e cochichou no ouvido dele. Você basicamente marcou território. Foi bem sexy, e confie em mim: se você não tinha um alvo nas costas antes disso, agora tem.
Posição 33% 
Embora ela não quisesse deixar a cidade que foi seu lar nos últimos quatro anos, nem sua melhor amiga Sierra, o voo de volta para casa lhe reservou uma grata surpresa, um príncipe encantado, educado e charmoso que a salvou de voar ao lado de um cara folgado.😏Chegar em casa também lhe mostrou o quanto era amada por seus irmãos e também trouxe uma novidade: o reality show de namoro no qual Erica é a produtora-executiva, o Antes da meia-noite, perdeu duas participantes e pode ser a sua chance de aparecer e, quem sabe, ganhar visibilidade para o mercado da moda, pois para o namoro ela não acreditava mesmo que um reality show fosse a solução.

É assim que ela, Anna e Drew entram no programa — claro que não como filhas de Erica para o público —, mas para Cindy há um agravante na situação: ela é a primeira participante gorda do programa e ninguém estava preparado para isso.

Cindy sempre esteve acima do peso considerado ideal, mas também sempre adorou moda — além de ser obcecada por sapatos — então não é fácil amar tanto tudo isso e não encontrar roupas que sirvam no seu corpo, mas os sapatos não têm esse problema (e eu também sempre preferi comprar sapatos do que roupas, tão mais simples e menos assustador…). Quando ela chega no programa, logo percebe que o guarda-roupa deles não está preparado para ela, ainda que em algumas ocasiões eles deveriam lhe fornecer um figurino e isso me deixava morta de raiva — assim como Cindy —, mas nossa querida protagonista sabia se virar com uma tesoura e linha na mão e eu, mesmo vindo de uma família de costureiras e alfaiates, se me der esses itens, não consigo nem salvar a minha vida.😂

Pois bem, Cindy estava no programa com uma missão, mesmo que fosse para ser eliminada na primeira rodada com outras seis candidatas, ela mostraria um visual maravilhoso e um sapato de criação própria. Ela só não imaginava que o solteiro da edição seria o seu príncipe encantado do voo de Nova Iorque a Los Angeles: Henry Mackenzie.😍
Não sou o tipo de garota que toma a iniciativa. Não porque não queira ser ou por pensar que haja algo de errado nisso, mas porque nunca tive coragem o bastante. O medo da rejeição sempre me prendeu no lugar, esperando que o cara se arrisque primeiro. Mas vim até aqui e, se eu for para casa amanhã à noite sem ter beijado Henry Mackenzie, vou me perguntar pelo resto da vida como isso poderia ter sido.
Posição 49% 
A surpresa é mútua, mas, já tendo acontecido de em outra edição o solteiro ter conhecido uma das participantes em um evento antes do reality, eles seguiram como se não se conhecessem, entretanto, com o passar dos dias e das gravações, podia se perceber que havia uma química entre Henry e Cindy. Porém, havia outras mulheres disputando o coração dele também.

Henry é filho de uma grande estilista que, coincidentemente, também estudou na Parsons e de quem Cindy é fã, mesmo que a grife LuMac não produza uma peça sequer no tamanho plus size, e ele, depois de ter estudado administração em Harvard, ingressou nos negócios da família e está aos poucos assumindo cada vez mais a dianteira nas decisões; inclusive estar em um reality show não foi uma decisão fácil nem pessoal e sim profissional.

Como a história é narrada no ponto de vista da Cindy, a gente não sabe o que se passa do lado do Henry, então toda a insegurança que ela sente em relação a ele é o que sentimos, inclusive, gente, que difícil e fácil foi ler esse livro porque em muitos momentos me vi nas mesmas situações. Nossa! Eram nos momentos de insegurança e frustração que eu mais me identificava, e me distanciava nos momentos criativos/fashions, mas foi tão intenso que li o livro em apenas um dia.
— (…) Cindy, sempre foi você. Era você desde o momento em que nos encontramos, ainda no nosso portão no aeroporto.
(…)
— (…) Eu não previ você. Não sabia que alguém como você podia existir. Cindy, estar com você me faz sentir como se eu pudesse respirar tranquilo.
Posição 98%
Esta adaptação foi incrível e para mim pouco me lembrei que era uma adaptação, sério mesmo e foi ótimo por isso. Cindy, querida, vem aqui me ajudar nas minhas sessões de terapia, please. Julie, amei demais essa história e já vi que o livro faz parte da série Meant to Be e que o outro livro traz uma jovem negra que trabalha em uma editora (Oi? Se ela junta as duas eu digo que sou eu 😂) e claro que já quero ler, né? Universo dos Livros, traz aí também, por favor!


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26 agosto, 2021


[Resenha] André - Bibi Santos

Ficha Técnica 

Título: André
Autor: Bibi Santos
ASIN: B08174RTT6
Páginas: 417
Ano: 2019
Editora: Independente
André Monteiro Moraes só deseja uma coisa: sucesso.
Um homem que veio de baixo, determinado, que aprendeu que misturar prazer e trabalho não funciona. Sua regra é clara: nada de se envolver com funcionárias.
A mãe tinha planos: queria um neto antes de morrer, mesmo estando com a saúde de ferro. André não precisava saber disso, mas diante de sua recusa em casar-se, ela não vê outra alternativa a não ser ela mesma arrumar uma noiva para ele.
Belle Flores, espanhola de sangue quente, precisa de emprego. De língua solta, nada discreta e acima do peso, não tem nada de esposa perfeita.
Mas o encontro dessas duas tornará a vida de André Monteiro bem complicada. Ele se vê envolvido por sua faxineira, que não tem medo dele e não se importa em colocá-lo em seu devido lugar quando necessário.
Belle vai tirá-lo da zona de conforto e o conhecido coração de gelo derreterá com seu sangue quente espanhol.
CEO: escolha um para chamar de seu!

Resenha


Vou dizer para vocês, estava comentando com Bibi que iria reler Reencontrando o Passado porque Emely é uma personagem acima do peso e eu estava precisando de uma personagem assim, com quem eu me identificasse fisicamente e que lidasse bem com a situação (o que eu não é para mim) quando ela me falou de André, que eu amaria Belle. E não é que ela estava certa? Li em menos de vinte e quatro horas de tanto que me envolvi com a história.

Ainda que o livro leve o nome de André e, ao lado de Belle, seja o protagonista, quem inicia esta história — e direciona boa parte dela — é Sara Monteiro, mãe de André. Ela é uma mulher independente que, vendo-se abandonada pelo marido e com um filho para criar, arregaçou as mangas e foi à luta.
Sara Monteiro era a mulher mais importante da minha vida, faria tudo por ela, devia tudo àquela mulher.
Posição 7%
Foi com a ajuda e apoio incondicional da mãe que André abriu a Next Monteiro, uma empresa que desenvolve softwares personalizados, e chegou ao topo. Ele tem dinheiro, poder, influência e, para ele, é isso que importa. Ao contrário do que a mãe espera, André não pensa em construir uma família, casar, ter filhos. Não há espaço para isso em sua vida. Então, se seu bebê — de trinta e nove anos 😂 — não toma a iniciativa, ela mesma irá resolver a situação, e já tem a candidata perfeita para ser sua nora.

Belle Flores veio da Espanha acreditando no amor de Sergio e na promessa dele de ajudá-la a se tornar modelo, sonho que sempre alimentou. Entretanto, chegando ao Brasil, Belle se viu vítima de um golpe, do qual foi difícil fugir e agora vive ilegalmente no país, conseguindo apenas trabalho como doméstica, irregular.

Atualmente ela trabalha na casa de Sara e a relação delas é ótima, o que faz com que Sara leve Belle para trabalhar na casa de André sob o pretexto de que a funcionária que ele tem não é dedicada o suficiente, mas é claro que ela tem um plano muito bem arquitetado em mente e, para que ele aconteça, eles precisam se conhecer.
— Você é demais.
, demais. Gostosa, saborosa, mas nem sempre o suficiente — explicou com normalidade.
Ali na minha frente estava uma mulher com autoestima elevada, apaixonada por si mesma, e eu admirava isso nela.
Posição 43%
O primeiro encontro de André e Belle não é dos melhores. Chegando com Sara, que a incumbiu de chamar o filho no quarto dele, Belle encontra André na cama com uma mulher. Ela não se abala, é claro, mas para ele a situação é constrangedora: está de ressaca, nu na cama com uma mulher e uma desconhecida está lhe passando um sermão por estar dormindo até tarde e ainda disse que está ali com a mãe dele e que ela será sua nova funcionária.

Ainda que seja um adulto independente, a relação de André e Sara é de amor e cumplicidade em um nível que ele nem sequer pensa em fazer algo que desagrade ou magoe a mãe. Ou seja: não aceitar Belle em sua casa está fora de cogitação, mesmo que ele tenha achado ela desbocada demais.

Belle não está nos padrões de beleza impostos pela sociedade, mas ela não está nem aí; ela é muito bem resolvida com seu corpo, com sua sexualidade e com sua vida. Nem os problemas que enfrentou quando chegou no Brasil — e não foram poucos —, nem a infância conturbada na Espanha a derrubaram e não é algo que ela fique lamentando a todo momento, são situações que ela só traz à tona quando necessário.
No precisa disso, chica. Ninguém precisa sentir orgulho de ti como você mesmo.
Ela me olhou e lágrimas brilharam em seus olhos.
Toquei seu rosto com carinho.
— Faça por ti. Quem te ama verdadeiramente vai sentir orgulho, mas o reconhecimento sempre virá de você.
Posição 50%
André e Belle são explosão pura e vê-los debaixo do mesmo teto é maravilhoso, divertido, quente. Ver as peças do plano de Sara se encaixando e como ela é brilhante em cada detalhe é para a gente gargalhar muito. Ver a ingenuidade de André em algumas situações mesmo sendo um homem feito chega a ser desesperador em alguns momentos, nos fazendo querer correr para ele e dizer: “amigo, abre teu olho”. Mas acima de tudo para mim conhecer Belle era o que eu precisava nesse fim de semana: bem resolvida, amiga, inteligente, alto astral, linda, empoderada, sexy, MARAVILHOSA. Bibi, amiga, muito obrigada de coração por trazer essa personagem às nossas vidas, à minha vida. 😍
As pessoas têm mania de tentar diminuir às outras por causa do peso. Para mim, minhas carnes eram o mais sedutor e toda sua volúpia.
Posição 89%

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25 dezembro, 2019


[Resenha] O Peso da Conquista - Mara Jacobs

Ficha Técnica 

Título: O Peso da Conquista
Título Original: Worth the Weight
Autor: Mara Jacobs
ASIN: B07YX97Y2J
Páginas: 338
Ano: 2019
Tradutor: A.J. Ventura
Editora: Cherish Books
Um novo corpo…
Uma nova vida…
Uma velha chama?
Lizzie Hampton é apenas uma sombra de seu antigo eu. Tendo perdido metade do seu peso corporal, ela está indo para sua pequena cidade natal para testar seu novo corpo e uma antiga chama. Apenas uma aventura inofensiva para recuperar sua autoconfiança antes de retornar à cidade e ao novo homem em sua vida. Mas o plano de Lizzie tem alguns percalços no caminho.
Finn Robbins não pode acreditar que Liz está de volta à cidade. Desesperado para ser seu primeiro homem dezoito anos atrás, ele nunca teve a chance. Agora ela está de volta, e ele finalmente pode riscá-la de sua lista de desejos. Mas seus amigos, seu filho e a misteriosa Annie podem ter algo a dizer sobre isso.

Resenha


O Peso da Conquista é o primeiro livro da série Conquistas, da Mara Jacobs e foi publicado no Brasil pela Cherish Books.

Nessa história conheceremos Elizabeth Hampton, uma mulher de trinta e seis anos que mora em Detroit e é dona de sua própria empresa, a Hampton Public Relations. A vida profissional de Liz está perfeita, sua empresa tem cada vez mais clientes — muitos deles atletas profissionais — e ela se sente realizada nessa área. Entretanto, o mesmo não pode ser dito de sua vida pessoal.

Liz sempre foi uma pessoa que planeja tudo com antecedência, logo, é claro que desde muito nova ela tinha um plano para sua vida e ele não incluía perder a virgindade até chegar a universidade. Por isso, quando namorou com Finn Robbins na escola, mesmo gostando muito de estar com ele, ela não cedeu ao que tanto queria.

Finn tem trinta e oito anos e, ao contrário do que era seu objetivo quando era mais novo, nunca saiu da cidadezinha onde nasceu. A vida lhe deu várias rasteiras ao longo dos anos, mas reencontrar a doce Liz Hampton depois de tantos anos, parece lhe dar esperança de que talvez as coisas comecem a melhorar para ele.
Nem mesmo amigos com benefícios. Apenas benefícios.
Sim. Certo. Como se isso fosse possível.
Ele suspirou, aceitando seu destino. Quem ele estava engando? Manter as coisas no mínimo com Liz nunca funcionaria, e realmente não era o que ele queria, se fosse honesto consigo mesmo.
Posição 60%
Finn e Liz são de classes sociais diferentes e por isso, mesmo quando namoravam, Finn não se via digno de estar com ela. Agora que ela está de volta a cidade natal tantos anos depois, com uma proposta para aproveitarem o tempo que ela passará de férias na cidade, é a chance de reviver bons momentos.

Liz e Finn verão nessa nova chance uma maneira de reconquistarem a autoconfiança — ainda que não expressem isso um para o outro —, mas tenho que dizer que, os planos deles não sairão exatamente como eles imaginavam, para os dois.

Eu gostei bastante da história, mas me chateei em alguns momentos com os protagonistas, repetindo os mesmos erros que cometeram quando eram adolescentes. Por outro lado, também preciso dizer que os amigos de Liz são ótimos, Pete, Katie e Alison são incríveis e sempre estão ao seu lado para ajudar, ajudando-a a entender o que está bem a sua frente e não consegue ver. Quero muito ler os próximos livros da série, principalmente porque são das amigas, ou seja, a curiosidade mora aqui.
Ela quase podia chorar pelos jovens que tinham sido. Encontrar o amor da sua vida tão jovem, e não ser maduro o suficiente para continuar com ele. Deixar coisas como orgulho e falta de autoestima governar seu coração.
Posição 76%
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14 julho, 2017


[Resenha] Reencontrando o Passado - Bibi Santos

Ficha Técnica 

Título: Reencontrando o Passado
Autor: Bibi Santos
ASIN: B071G4GDSP
Páginas: 346
Ano: 2017
Editora: Independente
Emely sempre foi gordinha. Desde a infância sofria com seu peso e com as brincadeiras de mau gosto dos amigos e até familiares. Na noite de sua formatura sofreu um enorme golpe em seu ego que marcou toda sua vida e da sua família. Rafael sempre foi seu grande amor. Ele tinha planos para noite de formatura da Emely, mas não tinha nada de romântico planejado, e sim, muita humilhação. Emely consegue colocar sua vida para frente, mas jamais esqueceu daquela noite fatídica. Oito anos depois, Rafael, um renomado médico, resolve voltar para sua cidade e, assim, acender as dores do passado. O que será que ele deseja? Por que voltou? Emely é uma mocinha forte, engraçada, dona de uma floricultura, mas será que estará pronta para reencontrar o passado? Uma história de amor e perdão, regada a muita paixão, que vai mexer com você em cada página.

Resenha


Pensem em uma resenha difícil de escrever, foi essa. Antes mesmo de terminar o prólogo de Reencontrando o Passado eu já estava chorando e parei para falar com Bibi no WhatsApp, percebi logo que me identificaria com Emely.

Emely sempre foi gordinha (olá, Emely, bem-vinda ao clube 😉) e sempre sofreu com isso, mesmo dentro de casa. Sua mãe sempre foi uma das primeiras a lhe criticar, mas fora ela, muitos sentiam-se no direito de criticá-la por causa de seu peso. Do seu lado mesmo sempre foram apenas seu pai — Ricardo — e sua melhor amiga — Duda. Entre as pessoas que criticavam Emely estava Rafael, irmão de Duda, mas desde sempre o grande amor de Emely. O desprezo por causa de sua aparência nunca lhe permitiu conhecê-la de verdade, a pessoa divertida, inteligente, doce e determinada que Emely é.

Quando se vive em uma cidade pequena é incrível como fofocar sobre a vida alheia parece fazer parte da rotina da população e não é diferente em São Conrado. As pessoas esquecem que muitas vezes as palavras ferem mais do que agressões físicas, são feridas que demoram muito mais para curar e pode levar anos até que isso aconteça — se acontecer.
Odiava esse padrão que a sociedade criou de que só as magras são lindas. Por que não posso ser bonita, sexy? Por que não tenho o corpo da Gisele? Nem acho tão bonito o corpo dela.
Posição 2% 
Quando a rejeição vem de pessoas que amamos é ainda pior e ser rejeitada pela mãe, sem dúvida é uma dor imensa, tanto que Emely não esconde de ninguém que o dia mais feliz de sua vida foi o dia em que sua mãe foi embora, abandonando ela e o pai. Mas Rafael também causa sua parcela de dor em Emely, pois por sua causa, ela sofreu uma grande humilhação na frente de toda a cidade. Logo depois ele foi embora, mas Emely ficou e enfrentou uma vida de olhares de piedade e até de repulsa. Assim como ela, Duda também ficou na cidade, a diferença é que Duda saiu, se formou e voltou médica pediátrica e Emely, embora hoje seja proprietária da única floricultura da cidade, nunca conseguiu sair de São Conrado, o medo de enfrentar uma cidade grande, uma faculdade onde poderia ser ainda mais rejeitada fez com que aprofundasse ainda mais suas raízes.

Mas, anos depois, Rafael volta para a cidade, mais um médico necessário, o filho pródigo, afinal, sendo lindo e rico, ninguém o relaciona com o trauma que Emely viveu no passado, ela carrega até hoje toda a culpa.
Como vou viver na mesma cidade dele? Como vou olhar em sua cara de novo? Eu não consigo perdoar o que ele fez comigo. Precisei fazer terapia, mas não consegui perdoar. Ele foi cruel, não tenham pena dele, podem odiar junto comigo. Não vale se bandear para o lado dele quando bater aqueles cílios e piscar aqueles olhos verdes.
Posição 1% 
Rafael retorna aparentemente arrependido, mas confesso que eu estava com os dois pés atrás com ele, até porque ainda não sabia tudo o que tinha acontecido no passado, sabia apenas uma parte do que Emely lembrava. Mas Rafael é insistente e está determinado a conseguir o perdão de Emely, entretanto, pouco antes de ele retornar, uma nova peça entra em jogo, o delegado Murilo, que ao que parece também está bastante interessado em Emely.
— Olá, delegado! Em que posso ajudá-lo? — gostava dele. Era um cara muito simpático e bem forte, musculoso. Não me julguem, não sou cega.
— Amanhã é meu aniversário, vou sair com alguns amigos para comer uma pizza e gostaria de convidá-la para participar.
Minha mão começou a suar frio. Sei que não era um encontro, mas ninguém nunca me convidava para nada. Minha vida social era uma merda, pode crer, pior do que você pensou.
— Claro, delegado!
— Fico feliz. Na Pizzaria da Saly, as oito, então? — com um sorriso lindo, saiu da minha floricultura.
Meu Deus, nem acredito que aconteceu isso! Será que não era sonho? Um gato daquele me queria em sua festa de aniversário. Jesus! Preciso providenciar uma roupa.
Posição 3% 
Além da narrativa da Emely, que como já deu para perceber é em primeira pessoa com muita interação com o leitor, temos alguns pequenos trechos narrados por Duda, Ricardo e Murilo e isso nos leva para outras situações que se passarão no livro, mas que no fim, culminam no perdão e na força que o amor tem para superar os obstáculos da vida.

Emely passou por muita coisa no passado, mas ainda continua enfrentando muito preconceito e outras situações que tornarão sua vida um turbilhão: o interesse de Murilo, o retorno de Rafael e sua busca por perdão, os fofoqueiros de plantão, a percepção de que sua amiga pode estar precisando de ajuda — ainda que não tenha lhe dito nada, a nova inquilina — recém chegada na cidade, seu pai que insiste em não ter um novo amor, quando é claro que merece ser feliz. Mas para mim, o ponto principal nessa história é a chegada de July, uma garota que Emely conheceu na cidade vizinha em um momento de muita dificuldade: órfã, grávida com apenas dezessete anos, sozinha e sem ter onde ficar. E depois que conhecemos sua história na íntegra é ainda pior, mas pensam que ela se deixou abater? Não mesmo! Ela continua acreditando no amor, na saúde de seu filho, em um futuro feliz e a verdade é que ela é quem salva Emely e não o inverso. Embora Emely saiba que merece ser feliz, perdoar é algo muito difícil para ela e July a ajudará muito nisso.
A vida nem sempre era boa, mas a maioria dos erros acontece porque nós mesmos que causamos, por não medir as consequências antes de fazer as coisas. A vida sempre nos dá dois caminhos e os sinais estão sempre lá, mas o perigo sempre foi mais atraente.
Posição 32% 
Como falei no início, me identifiquei demais com a Emely, além de perdoar ser algo extremamente difícil para mim, sempre estive acima do peso, sempre ouvi comentários como ela: “você tem um rosto e um sorriso tão bonito, por que não emagrece?”, “sua irmã é tão magrinha, por que não é igual a ela?”, além de todos os apelidos que ganhei quando criança (das próprias crianças — hoje sabemos que é bullying, mas eu sempre fui uma criança muito quieta e tímida, então nunca dizia nada à ninguém sobre isso). As pessoas não pensam que se pudéssemos seríamos igual a elas? Ninguém gosta de ser rejeitado e essas coisas vão afetando nossa autoestima ao longo dos anos e não é fácil superar isso. Cada um cria sua defesa como pode, mostrar-se forte e indiferente aos comentários é uma delas, mas machuca do mesmo jeito. Não consigo compreender como alguns seres humanos são tão cruéis com seu semelhante, ser gordo ou magro, branco ou negro, rico ou pobre, homo ou hétero, homem ou mulher não nos faz melhores ou piores do que ninguém. Nos faz diferentes, nos faz únicos e todos merecemos ser tratados com respeito.

Viver em uma sociedade é respeitar a individualidade do outro, aceitar que todos são únicos e merecem ser felizes. A mensagem principal de Reencontrando o Passado para mim é essa, do amor como diretriz, do amor como fonte de perdão. ♥♥
Durante o percurso, passou um filme em minha mente, de tudo o que passei para chegar ali. Precisei aceitar que não podia mudar o passado. Aceitei o amor como fonte de energia, abri espaço para o futuro, para a felicidade, para a aceitação do meu corpo, da minha beleza. (…) Comecei a sorrir. Sentia-me completa, sentia-me grande, única.
Posição 98%
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