13 novembro, 2023


[Resenha] Pelos Olhos da Câmera - Laís Barbosa

Ficha Técnica 

Título: Pelos Olhos da Câmera
Autor: Laís Barbosa
ISBN: 978-65-00-68557-2
Páginas: 308
Ano: 2023
Editora: Independente
Valentina Lopes não merece ser amada — ou, pelo menos, é nisso que ela acredita.
Assombrada pela ausência do pai e pelo preconceito diário contra o seu corpo, Valentina é uma mulher gorda com preocupações maiores do que números na balança — apesar de todos acharem que a solução para os seus problemas seja perder uns quilos.
Desempregada e com o banco lhe lembrando constantemente das parcelas vencidas do FIES, ela só quer um emprego decente e fazer as pazes com suas gordurinhas. Em uma tentativa de pôr a vida de volta aos eixos, Valentina decide morar com sua melhor amiga e sua realidade antes caótica transforma-se em algo ainda mais inesperado.
Arrastada pela colega de apartamento, ela vai ao encontro de fãs de Jonathan Castiel, um youtuber em ascensão que enxerga Valentina com uma beleza que ela não vê. Compartilhando a paixão pela fotografia, os dois se aproximam e, através dos olhos de Jonathan, ela começa a enxergar o mundo e o seu corpo de uma perspectiva diferente.
Enquanto tenta conquistar um emprego no escritório do pai e praticar a autoaceitação, Valentina vai embarcar em uma jornada atribulada de autoconhecimento até perceber que, para deixar Jonathan amá-la, primeiro ela terá que amar a si mesma.

Resenha


Sabe aquele livro em que a personagem parece que é você? Que as falas dela são suas? Que você se perguntou diversas vezes se deveria escrever a resenha ou não? Aqui está um exemplo.

Valentina Lopes tem vinte e três anos e é jornalista, mas está vivendo uma fase bem complicada na vida: sem ter onde morar, vai viver com a melhor amiga, Helena, até as coisas melhorarem um pouco. Ela e Helena são amigas há dez anos, uma amizade sólida, mas mesmo assim Valentina não consegue se abrir totalmente com ela, então, como será dividir o teto com a amiga?

Helena é superfã de um youtuber, o Jonathan Castiel, que fala sobre filmes e quadrinhos e, como ele pela primeira vez fará um encontro de fãs, ela não poderia perder essa chance. Claro que ela precisa da amiga para registrar esse momento, afinal, Valentina ama fotografar.
Olho para ela duas vezes, piscando para ter certeza de que ouvi bem. Uma quentura borbulha dentro de mim e me sinto estranho, pois aquelas palavras poderiam muito bem ter saído da minha boca. É uma mistura de eu penso o mesmo com encontrei alguém que me entende.
P. 66
Valentina estava no evento apenas para fazer um favor para a amiga, claro que ela não levou a sério o "interesse" que Jonathan pareceu demonstrar por ela, ou que Helena acha viu enquanto elas estavam na fila e Valentina estava fotografando, mas, quando o evento acabou e eles se esbarraram por acaso em um forró no mesmo espaço e Jonathan mais uma vez chegou junto, Helena não teve dúvidas do interesse do seu ídolo na amiga.

Há vários motivos para Valentina não perceber que Jonathan está interessado nela e, todos vêm do mesmo lugar: a insegurança em relação ao corpo. Valentina está acima do peso que a sociedade considera aceitável e por muitos anos ouviu coisas negativas de pessoas que deveriam estar ao seu lado. Além disso, ela ainda sofreu com o último namorado, que traiu sua confiança de maneira baixa. Assim, ao longo dos anos, Valentina não lidou com nenhuma das situações que viveu, foi guardando todas as emoções o mais fundo possível, como se isso fosse resolver todos os problemas. A questão é: as emoções precisam ser sentidas, validadas. E, enquanto Valentina tem dificuldade em lidar com as emoções, Jonathan não tem nenhum problema em lidar com as próprias.
— Vou deixar transparente, porque parece que não estava claro o suficiente até agora: estou dando em cima de você e, a partir de hoje, vou usar tudo o que tenho. — Ele chega ainda mais perto e viro o rosto na direção da porta.
Sinto sua respiração em meu rosto, aperto minhas mãos suadas, quase cravando as unhas na palma, sentindo que as borboletas no meu estomago podem sair voando a qualquer momento.
P. 129
Jonathan tem vinte e seis anos, é arquiteto, mas o que ele gosta mesmo é de ser youtuber — algo que o pai sequer quer ouvir falar. Por isso seu suporte é apenas o melhor amigo, Dylan, de quem é amigo desde a infância. Para ceder aos desejos do pai, Jonathan assumiu o escritório de arquitetura da família. Para não deixá-lo sozinho, mesmo tendo seu dinheiro, ele continua morando com o pai e ouvindo tudo que ele fala sobre os vídeos dele não serem bons, envergonharem o nome da família e tantas outras baboseiras. No entanto, uma hora a pessoa cansa, não é mesmo?
Dylan não se resume a sua deficiência, não entendo como é tão difícil enxergar isso. É simples! Por isso não faz sentido resumirem Valentina ao seu peso. Ou pior, ela se sentir resumida a isso, assim como o Dylan se sentiu uma perna (ou a falta de uma) e não uma pessoa.
P. 141
Como eu disse no início, eu me identifiquei muito com a protagonista dessa história. Ela é baiana, a narrativa se passa em Salvador, Valentina está acima do peso, não gosta de se olhar no espelho, de tirar fotos, não acredita que as pessoas olham para ela com interesse romântico por causa do seu corpo, tem medo de dizer não… enfim, a lista de similaridades é imensa. Porém, graças a terapia, posso dizer que tenho conseguido ressignificar parte dessas coisas — não que seja fácil fazê-las, mas um passo de cada vez, não é mesmo? Sigamos em frente rumo à autoaceitação!


P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
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05 novembro, 2023


[Resenha] Doce Combinação - Stuart Reardon & Jane Harvey-Berrick

Ficha Técnica 

Título: Doce Combinação
Título Original: Gym or Chocolate?
Autor: Stuart Reardon & Jane Harvey-Berrick
ISBN: 978-65-5636-179-6
Páginas: 402
Ano: 2022
Tradutor: Ana Flávia L. Almeida
Editora: The Gift Box
A radialista espertinha, Cady Callahan, nunca experimentou um chocolate que não tenha amado. Ela tem curvas e não está nem aí.
Depois de comprar uma rifa em apoio a uma instituição beneficente para veteranos, ela fica chocada ao ganhar uma assinatura de um ano na Body Tech, uma academia seleta em Manhattan, onde todos os atletas de elite treinam e todas as grandes celebridades procuram quando precisam entrar em forma para seus papéis em filmes de ação. Ela também ganhou um personal trainer sob a forma do irresistível — até demais —, Rick Roberts.
Rick fica ainda menos impressionado quando a chegada de Cady acarreta um grande circo da imprensa. O aposentado craque britânico de rúgbi administra um centro de treinamento sério, e ele, definitivamente, não tem tempo para qualquer pessoa que não queira se esforçar.
Quando a curvilínea Cady o desafia a treiná-la para correr uma maratona no final do ano, isso parece ser uma solução para os problemas de ambos. Se… quando o treinamento acabar, a academia de Rick voltar ao seu normal.
Mas Cady não planeja perder a aposta — ela só não estava contando com outras intercorrências. E o carrancudo Rick é muito complicado. E tão tentador quanto o mais delicioso doce…

Resenha


Que livro divertido, gente! Cady Callahan é uma jornalista de trinta e seis anos bem-sucedida e muito bem resolvida com seu corpo de cem quilos. Obrigada! Depois de anos ouvindo tantas baboseiras como "nossa, mas você tem um rosto tão bonito, por que não emagrece?" (ai, como ouvi isso 😒) — incluindo de sua própria família — ela decidiu que isso não abalaria mais a sua vida.

Cady apresenta o programa Larica Matinal na Rádio XKL em um horário nobre, mas isso significa que ela precisa acordar às quatro da manhã, o que faz com que ela não consiga sair à noite — o horário que a maioria das pessoas usa para paquerar. É por isso que ela é adepta convicta do Tinder. Porém, justamente por causa do trabalho, Cady precisará fazer uma concessão e comparecer a um evento à noite representando a rádio, pelo menos era um evento em prol dos veteranos, algo que ela realmente era a favor, em grande parte porque o irmão era um Ranger. Por isso ela comprou vário bilhetes da rifa, só não imaginou que fosse ganhar justamente um ano de academia grátis. E não em qualquer academia, mas em uma badalada, a Body Tech, frequentada por celebridades em Nova Iorque e o treinamento seria feito pelo próprio Rick Roberts!
— Exercícios são benéficos para todas as áreas da sua vida, mas isso não significa que eles têm que dominar seus dias. Aumentar a sua frequência cardíaca e suar por apenas onze minutos, três vezes por semana, irá te trazer benefícios.
— Tipo sexo?
— Só se você estiver namorando os homens errados — murmurei baixinho.
— O quê?
Não acreditei que falei algo tão impróprio, e torci, de verdade, para que ela não tivesse me ouvido.
Posição 14%
Rick tem trinta e sete anos e nasceu em Bradford, em Yorkshire, no Reino Unido. Ele jogava rúgbi, mas por causa de uma lesão no joelho — e duas cirurgias consecutivas — se aposentou com apenas vinte e quatro anos. Sem saber o que fazer da vida, ele partiu para os Estados Unidos, onde conheceu Vin, que o apresentou ao mundo da moda, mas ser modelo não deu certo para ele, então se tornou personal trainer. Agora, essa é sua vida e, há onze anos sua dedicação é total a Body Tech, sem saber o que é vida pessoal (inclusive o apartamento dele é em cima da academia).

Porém, há muito tempo que Rick pessoalmente não treina ninguém, ele tem várias pessoas em sua equipe para isso, mas quando o mestre de cerimônias anunciou que ele seria pessoalmente o personal daquele prêmio, Rick não tinha como voltar atrás, mesmo que a ganhadora do prêmio mostrasse tanto desinteresse ao ganhar um ano de treinamento com ele em sua academia, quando havia uma fila de pessoas esperando por uma vaga para se matricular lá.
Ela ficou boquiaberta.
— Ai, meu Deus, ele parece adorável. Você vai nos apresentar na próxima vez que ele estiver na cidade?
Nem fodendo.
O pensamento de Cady e Vin ficando juntos provocou uma chama súbita de raiva.
— Rick? Sobre Vin? Faça um favor para uma garota, pode ser?
— Ele não é o seu tipo — resmunguei, rispidamente.
— Ele é gay?
— Não! — gritei, desejando muito que eu pudesse mentir para ela e dizer que Vin só namorava caras.
— Então ele é meu tipo — ela disse, com um sorriso. — Ah, bem, não perca a cabeça, Rick. Eu entendo. Não vou dar em cima dos seus amigos se isso for te estressar.
— Não estou estressado — menti.
Posição 32%
Cady não tinha o menor interesse em se exercitar e estava muito bem com essa decisão, no entanto, quando se viu pessoalmente atacada no evento por Molly McKinney, uma influencer britânica conhecida por ter participado de um reality show e por ter uma página no Instagram só para escarnecer de qualquer pessoa — e ela escolher Cady como alvo desta vez — ficou difícil para Cady recuar quando seus chefes a fizeram ir à um programa ao vivo na TV no dia seguinte ficar frente a frente com Molly. Ou seja, Cady não apenas aceitou iniciar sua rotina fitness como o desafio de correr na maratona de Nova Iorque em um ano. Gente… são 42,5 km. Cady não anda nem os sete quarteirões de distância do trabalho para casa! Bem, mas se tem uma coisa que os Callahan não são é desistentes.

Claro que o começo não é fácil (pois é Cady, eu sei, e olha que eu nunca quis correr), mas realmente é bom ver como ela vai mudando a forma como percebe os exercícios físicos. Da mesma forma, a presença de Cady na vida de Rick faz uma transformação significativa também: Cady é muito expansiva, então ela faz com que ele se expresse mais, com que ele saia de casa para outras atividades que não sejam treinar e, por mais que ele queira manter as coisas profissionais, ela acaba se tornando uma amiga — mesmo que a atração entre eles esteja lá, mas Rick não ultrapassará essa linha.
— Rick, posso te fazer uma pergunta?
— Pode — ele disse.
Um homem de poucas palavras.
— Você não quer que eu fique com o seu amigo gostoso Vin, e não quer que eu vá em um encontro de rosquinhas com o seu cliente gostoso Alex Pettyfer; você está me empatando deliberadamente?
Ele engasgou com a saliva (…)
— Porque se você estiver, isso não é legal. Mas se estiver fazendo porque quer me chamar para sair, então talvez eu te dê um desconto. Qual é, grandão?
Ele não me encarou quando respondeu:
— Nenhum. Eles não são certos para você.
— Então você não quer me namorar?
— Eu não namoro clientes — ele respondeu, claramente irritado.
Eu eu ele somos dois.
— Se eu não fosse uma cliente, você namoraria comigo?
— Você é uma cliente.
Posição 35%
Eu realmente adorei cada página deste livro, adorei os personagens, adorei as mensagens, adorei tudo mesmo. E ainda temos os amigos divertidos que, já bisbilhotei por aí, e sei que têm livros, então, please, tragam para o Brasil, pelo amor de Deus. Quero muito o livro do Vin tentando conquistar a Grace a todo custo, aquele final foi épico. Ela foi MARA! E ainda tem um outro que deixou meu coração quentinho. Também queroooo. 🤎

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27 março, 2023


[Resenha] De Olho em Você - Amy Lea

Ficha Técnica 

Título: De Olho em Você
Título Original: Set on You
Autor: Amy Lea
ISBN: 978-65-5565-433-2
Páginas: 320
Ano: 2023
Tradutor: Roberta Clapp
Editora: Arqueiro
Crystal Chen é uma influenciadora digital que tem o corpo fora do padrão e construiu a carreira lutando contra os estereótipos do mundo fitness. Após o fim do seu último namoro, ela está sem nenhuma paciência para os homens e seu único refúgio passa a ser a academia — seu templo de autoestima e positividade.
Até que Scott Ritchie se matricula no mesmo lugar. Já no primeiro dia, o bombeiro sarado que exala arrogância — e gostosura — comete um pecado imperdoável: invade o aparelho preferido de Crystal antes que ela termine de usar e conquista sua antipatia imediata.
Dia após dia, enquanto esses inimigos mortais e ultracompetitivos disputam o território da academia, as faíscas de desejo entre eles se multiplicam. Mesmo assim, a última coisa que eles esperam é se encontrar fora de seu campo de batalha diário e constatar que têm mais em comum do que achavam.
Ao descobrir que dentro daquele peito musculoso bate um coração sensível, Crystal decide baixar a guarda. Mas antes de poder vivenciar plenamente essa paixão, ela precisa passar pelo teste de força mais importante de sua vida: enfrentar o preconceito e superar todos os obstáculos para continuar divulgando sua mensagem de amor-próprio.

Resenha


Se em seu romance de estreia Amy Lea já me fez desidratar desse jeito, imagino o que ela me reservará para os próximos livros que escrever da série — que não vi como será em português, mas acredito que, se seguir o inglês, será A Influenciadora.

Crystal Chen tem vinte e sete anos e é personal trainer e influenciadora digital fitness há sete anos. Filha de pai chinês e mãe branca estadunidense, ser birracial era complicado e também ser considerada acima do peso era um adicional às suas inseguranças juvenis. Quando estava na universidade e encontrou o universo fitness, Crystal descobriu que era daquilo que gostava, mesmo que o seu biotipo não permitisse que fosse considerada uma mulher magra. Ela gosta de se exercitar, gosta de se alimentar bem, e o melhor é que, quando ela iniciou seu negócio no Instagram e as parcerias começaram a surgir e render frutos, Crystal percebeu que poderia realmente fazer daquilo a sua carreira. 
— Ele ficou te olhando mais cedo. Tipo, da cabeça aos pés, enquanto a gente estava falando da história do pau.
— Provavelmente planejando me matar.
— Ou te comendo com os olhos.
Se alguém tivesse me sugerido isso anos atrás, eu teria duvidado na hora. Mas atualmente, depois de anos trabalhando meu amor-próprio e minha autoconfiança, não acho a ideia tão absurda.
Página 22
Decidida a levar para outras pessoas o conceito de body positive e amor-próprio, ela sempre faz posts ressaltando a importância de cada um se amar, de aceitar o seu corpo, de não deixar os haters abalarem suas vidas com a negatividade que espalham nas redes.

Mas é no seu ambiente seguro, a academia, que ela encontrará um rival que não esperava: o Ladrão de Rack. 
Passei a vida inteira ouvindo que, em alguma medida, ser introvertida é ser inferior. Que ser extrovertido como meu pai é mais desejável.
(…)
— Digamos que se eu tiver planos pra mais de duas noites consecutivas, talvez passe a semana inteira estressada por causa disso. Ah, e se alguém cancela um programa, eu sinto como se tivesse ganhado na loteria.
Página 131
Crystal estava absolutamente feliz ao ver que seu rack de agachamento favorito estava disponível. Ela poderia fazer sua série ao lado da janela e ainda poderia gravar o treino para postar depois. Que maravilha. Porém, enquanto deixou as coisas no rack e foi pegar água, alguém sem educação se apropriou do "seu" rack. E o pior, fingiu que não a estava vendo; depois agiu como um completo babaca e não cedeu o rack para ela (que tinha chegado primeiro, hein?). Após essa primeira interação — que aconteceu justo no dia que ela encontrou um carinha do Tinder na academia. 🤦🏾‍♀ E claro que, além da "ficada" ter sido daquelas para esquecer, o cara fingiu que não a viu — a relação entre Crystal e o Ladrão de Rack só piorou, parecia que ele atrapalhava seus treinos, aulas e gravações de propósito.

Até o dia em que algo muda na academia… e o Ladrão de Rack some por alguns dias. O problema é que ele reaparece justamente no jantar que a avó dela e Martin estão oferecendo para que as famílias se conheçam, afinal, vovó Flo vai se casar novamente. É assim que ela descobre que o nome do Ladrão de Rack é Scott Ritchie, afinal, o lugar dele está marcado ao lado dela. E descobre que ele chegou atrasado porque ele é bombeiro no Corpo de Bombeiros de Boston, e não é um desocupado como ela imaginava quando o odiava na academia. Ahh, ela também descobriu que ele tem uma namorada, uma patinadora artística que estava em turnê com a Disney.
(…) — Estou interessado, Crys. Mas como você deixou claro que só queria ser minha amiga, não toquei mais no assunto.
— Fora tentar me atrair para um pacto de casamento — lembro.
— Pode acreditar em mim, prefiro sair com você bem antes dos 40. Mas aceito o que vier.
Página 144
Scott tem trinta anos e é o queridinho da família e logo conquistou a família de Crystal também com seu jeito de bom moço, mas ela não se deixará levar pelo rosto bonito e corpo perfeito dele; ele a beijou mesmo tendo uma namorada e o fato de ele ter ido até ela para explicar em seguida que na verdade ele já estava solteiro há algumas semanas, mas que a família não sabia, ou mesmo o fato de ele ser pai de pet e não alguém que odeia animais como ela imaginava contam a favor dele, mas Crystal sabe que, ninguém pula de uma relação para outra e ela decidiu que não terá mais relações casuais e nem será o rebote de ninguém.

Entretanto, a gente pode dizer que Scott é um homem perseverante porque ele acredita na relação deles — e vovó Flo também, e garantirá alguns encontros entre eles. É assim que eles se tornarão amigos, porque ele está determinado a ter o que Crystal estiver disposta a oferecer. Porém, quanto mais tempo passam juntos, mais é evidente que a atração continua lá, mais forte até, então a questão é o quanto Crystal conseguirá resistir, afinal a gente percebe — mesmo sem ter capítulos narrados por Scott — que Scott realmente gosta dela.
— Penso em você o tempo todo. Todos os dias, o dia inteiro. A única coisa que eu quero fazer é estar com você. Mesmo que a gente não esteja fazendo nada.
Página 225
Enquanto a gente espera que o romance aconteça — e quando ele enfim acontece — também temos vislumbres do trabalho de Crystal na internet e na academia, afinal, isso impacta profundamente em suas relações. Em alguns trechos há posts dela e algumas respostas nos comentários, de apoiadores e haters. Infelizmente é um desses posts que desencadeará uma forte reação em Crystal e fará com que ela reavalie suas convicções.

Se eu tinha achado a leitura de Será Que é o Meu Número? intensa, isso nem se compara a maneira como me senti enquanto lia De Olho Em Você. Se ver representada em um livro, ler uma personagem passando ou que tenha passado pelas mesmas inseguranças que você viveu e vive é de uma dureza sem tamanho, gente. Nossa, como foi catártico ler essa história, muitos gatilhos foram disparados e, sim, eu já sabia que havia essa possibilidade, pois a Amy nos alerta logo no início do livro, mas ainda assim não achei que fosse sentir tanto. Marquei tantas passagens enquanto lia a história que é capaz de eu ter marcado o livro todo se for analisar bem, mas é para ler e reler sempre, até internalizar a mensagem: você precisa se amar, mas tudo bem você não se amar o tempo todo.

Se o perfil da Cystal de fato existisse era um que eu precisaria seguir porque ela nos ajuda a lembrar que não precisamos ficar obcecadas com os números na balança para sermos felizes, que não precisamos ser perfeitas, porque nós somos seres humanos.
— Você precisa fazer isso do seu jeito. Redescubra tudo aquilo que ama em você mesma, não só o que a sociedade diz que você deve amar, e alimente isso. A beleza não é uma coisa objetiva, né, por mais que nos digam que sim.
(…)
— Cada pessoa vê a beleza de uma forma diferente, Crystal. E o que é pior, essa mesma sociedade ensinou pra gente quando éramos novinhas que não somos bonitas porque não somos brancas e magras.
Página 292-293
Amy, muito obrigada de verdade. Que leitura incrível. Que resenha difícil de escrever com as lágrimas escorrendo, mas absolutamente maravilhosa e, sabendo que em janeiro o segundo livro da série foi publicado nos Estados Unidos — Exes and O's —, quero logo ler a história de Tara Chen e, em seguida, ler a de Melanir Karlsen, em The Catch.


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