21 maio, 2020


[Resenha] O Príncipe Serpente - Elizabeth Hoyt

Ficha Técnica 

Título: O Príncipe Serpente
Título Original: The Leopard Prince
Autor: Elizabeth Hoyt
ISBN: 978-85-01-10982-8
Páginas: 364
Ano: 2017
Tradutor: Ana Resende e Carolina Simmer
Editora: Record
Quando o diabo encontra um anjo...
Lucy Craddock-Hayes está satisfeita com a vida tranquila no interior. Até o dia em que tropeça num homem inconsciente — um homem inconsciente e nu — e perde para sempre sua inocência. Ele pode levar ao paraíso...
O visconde Simon Iddesleigh apanhou de seus inimigos até quase morrer. Agora ele está determinado a se vingar. Mas quando Lucy cuida dele para restaurar sua saúde, a sinceridade da jovem surpreende sua sensibilidade calejada — e desperta um desejo que ameaça consumir os dois.
Ou ao inferno.
Encantada com a inteligência perspicaz de Simon, com seus modos urbanos e até com seus sapatos de solado vermelho, Lucy rapidamente se apaixona por ele. Embora sua honra o mantenha longe dela, a vingança envia os agressores de Simon à sua porta. Enquanto o visconde entra em guerra contra seus inimigos, Lucy luta pela própria alma, usando a única arma que tem — seu amor...

Resenha


Finalmente chegou a hora de concluir essa trilogia, demorei, mas consegui, hahaha. Eu li O Príncipe Corvo e O Príncipe Leopardo em sequência e acabei esperando mais de um ano para ler O Príncipe Serpente, e estava sentindo falta desses amigos inusitados, membros da Sociedade Agrária. Depois de Edward de Raaf, o conde de Swartingham e Harry Pye, um administrador, terem encontrado o caminho do amor, agora é a hora do visconde Simon Iddesleigh.

A srta. Lucinda Craddock-Hayes tem 24 anos e vive com o pai na pacata Maiden Hill, em Kent. Sua família basicamente se resume a ele, uma vez que seu irmão mais novo seguiu os passos do pai e está na Marinha Britânica. Os dias dela são preenchidos com visitas ao moradores do vilarejo, caridade, cuidar da casa da família e desenhar. Ah, e a três anos ela é cortejada pelo melhor partido do vilarejo, o jovem vigário, o sr. Eustace Penweeble. Mas a rotina pacata de Lucy é completamente alterada quando ela encontra um homem nu caído na estrada praticamente morto e o leva para casa.

Simon Iddesleigh levava uma vida de indulgência até dois anos atrás, quando seu irmão mais velho, Ethan, morreu em um duelo e deixou para ele o título e sua família aos seus cuidados. Aos 30 anos, Simon nunca tinha imaginado que um dia seria visconde, muito menos que seu irmão morreria em um duelo, ainda mais quando ele estava passeando na Itália. Mas agora ele está em uma missão: vingar a morte de Ethan. É assim que ele acaba jogado na estrada de Maiden Hill. Seus inimigos acreditavam que ele estava morto, mas lhe fizeram um favor; lhe apresentaram a um anjo.
Se ficasse mais tempo ali, só seria mais tentado a seduzir esta donzela,e, como ele vinha demonstrando a vida toda, não era capaz de resistir à tentação. Diabos! Às vezes, ele corria na direção dela. Mas não dessa vez. Não com essa mulher. Ele a observava agora, com as sobrancelhas franzidas enquanto Lucy manobrava a pequena carruagem em direção à cidade. Um cacho de cabelo escuro tinha se soltado e acariciava sua bochecha como a mão de um amante. Com essa mulher, se cedesse à tentação, ele iria destruir algo bom e verdadeiro. Algo que ele nunca havia encontrado em parte alguma dessa terra infeliz.
P. 103
Simon e Lucy não poderiam ser mais diferentes um do outro; enquanto ele é apaixonado pela vida na cidade, ela nunca sequer saiu de Maiden Hill e está muito bem com isso; enquanto ela vive tentando ajudar outras pessoas, fazendo caridade, Simon está focado em sua missão - encontrar e matar os assassinos do seu irmão - e corromper um anjo. Então fica a pergunta: Esse casal dará certo?

A história mostra que eles tentarão, mas não será fácil e a chave para mim desse romance é que ele mostra - principalmente para Lucy - que a vida não é sempre um conto de fadas, que as pessoas não são perfeitas, elas cometem erros e que um relacionamento é feito de altos e baixos.

Além dos protagonistas, adorei conhecer a cunhada e a sobrinha de Simon, Rosalind e Theodora. Theodora então é incrível com sua perspicácia e paixão pelo tio. Também não dá para deixar de falar que adorei rever Edward e Harry.

Finalizando a Trilogia dos Príncipes, não sei se foi o fato de ter esperado tanto para ler esse livro, mas foi o que mais me arrastei na leitura, algo que não acontece muito e fiquei triste com esse sentimento, mas, no fim, curti bastante a história de Simon e Lucy.

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17 fevereiro, 2019


[Resenha] O Príncipe Leopardo - Elizabeth Hoyt

Ficha Técnica 

Título: O Príncipe Leopardo
Título Original: The Leopard Prince
Autor: Elizabeth Hoyt
ISBN: 978-85-01-10983-5
Páginas: 364
Ano: 2017
Tradutor: Ana Resende
Editora: Record
A única coisa que uma dama jamais deve fazer... Lady Georgina Maitland não quer um marido, embora ela pudesse ter um bom administrador para cuidar de suas propriedades. Ao pôr os olhos em Harry Pye, Georgina percebeu que não estava lidando apenas com um criado, mas com um homem. É se apaixonar... Harry conheceu muitos aristocratas — incluindo um nobre que é seu inimigo mortal. Mas nunca conheceu uma dama tão independente, desinibida e ansiosa para estar em seus braços. Por um criado. Ainda assim, é impossível ter um relacionamento discreto quando ovelhas envenenadas, aldeões assassinados e um magistrado furioso tumultuam o condado. Os habitantes culpam Harry por tudo. Enquanto tenta sobreviver em meio à desconfiança e manter o pescoço de Harry longe da forca Georgina não quer perder outra noite de amor.

Resenha


Seguindo com a Trilogia dos Príncipes, chegou a hora de ler O Príncipe Leopardo, o segundo livro, que se passa poucos meses depois de O Príncipe Corvo, mas pode ser lido de maneira independente, pois se trata da história de outro casal.

Em O Príncipe Corvo a gente conheceu Harry Pye, um misterioso e recluso administrador de terras membro da Sociedade Agrária e conhecido de Edward de Raaf, o conde de Swartingham, e agora será a vez de conhecermos a história dele. Harry lutou bravamente para chegar nessa posição e agora trabalha para Lady Georgina Maitland.
Quando descobrira que o proprietário das várias terras que administraria era uma mulher, Harry dicara surpreso. Mulheres, em geral, não eram donas de terras. Normalmente, quando uma mulher possuía uma propriedade, havia um homem - um filho, um marido ou um irmão - por trás de tudo, o verdadeiro mandante, a pessoa que decidiria como as terras seriam administradas. Mas, embora Lady Georgina tivesse três irmãos, era a própria dama que estava no controle.
P. 33
Ao contrário do que era visto nessa época, Georgina recebeu uma grande herança de uma tia sem filhos e fazia parte das recomendações que ela tivesse poder absoluto sobre suas propriedades, assim, se ela não se preocupava em casar, depois de receber a herança isso ficou ainda mais irrelevante.

No início dessa história ela está indo com seu administrador para a Mansão Woldsly, em Yorkshire, pois sua irmã caçula lhe escreveu uma carta pedindo para ir para lá passar um tempo. Ao chegar ao interior descobrirá que um mistério está rondando as terras de seu vizinho, lorde Granville, e o principal suspeito das mortes das ovelhas é Harry Pye. Claro que ela não acreditará nisso e acompanhará Harry na investigação desse mistério - não que ele fique muito feliz com a companhia.
O Sr. Pye, lutando com a rolha de uma garrafa de vinho branco, ergueu o olhar e sorriu para ela.
(...)
Por um momento, Georgina se perdeu naquele sorriso, o primeiro sorriso de verdade que vira no rosto dele.
P. 75
Embora Harry se mostre sempre muito sério na presença da patroa, ela insiste em conversar com ele sobre temas amenos e quanto mais eles permanecem juntos durante a investigação, mais conhecem um ao outro. Harry percebe que Georgina é diferente da maioria das aristocratas que conhece, ela encara os problemas de frente, inclusive na administração de suas terras. Georgina também descobrirá muito sobre Harry, principalmente por ele ter crescido na região, o que é o principal motivo para agora estar sendo acusado do assassinato das ovelhas de Granville.

Mesmo a atração sendo óbvia eles sabem que não devem se envolver, a não ser que Georgina queira apenas um caso com um empregado. Harry aceitaria saber que seria descartado na primeira oportunidade?
Harry havia ficado louco. Ele tomou um gole de cerveja e limpou a espuma da boca. Essa era a única explicação para ter beijado Lady Georgina aquela tarde. Ele fora até ela com a testa sangrando e o corpo dolorido dos socos. Beijá-la não era algo que passava pela cabeça dele. Mas então, de alguma maneira, ela estava em seus braços, e nada no mundo o impediria de sentir o seu gosto. Nem a possibilidade de ser atacado novamente. Nem a dor que sentia. Nem mesmo o fato de que ela era uma aristocrata, pelo amor de Deus, e tudo que esse fato significava para ele.
P. 91
Enquanto temos o mistério a ser desvendado, vemos a evolução da relação de Harry e Georgina, o desenvolvimento da confiança e do amor e a gente torce para descobrir como eles resolverão o problema da diferença de classes.

Além dos protagonistas, Elizabeth também criou outros personagens que conquistam. Os irmãos de Georgina - Tony, Oscar, Ralph e Violet -, Bennet, Will são incríveis e rever Edward de Raaf e Simon Iddesleigh nesse livro foi ótimo. Adoro quando eles aparecem assim em outros livros.

Assim como no livro anterior, Elizabeth Hoyt narra a história em terceira pessoa e intercala a narrativa entre os protagonista e outros personagens, o que nos permite ter um panorama geral da história. Também seguindo a linha do primeiro livro da trilogia, temos uma protagonista forte e decidida, algo que curto muito, ainda mais num romance de época, quando sabemos que isso era absolutamente improvável de acontecer. Georgina é dona de sua vida e lida com maestria com os irmãos, que acham que podem ditar as regras de sua vida.

O Príncipe Leopardo é um livro com sensualidade, diversão, mistério e protagonistas fortes. Alguma dúvida quanto a ficar preso nessa história do início ao fim?

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18 janeiro, 2019


[Resenha] O Príncipe Corvo - Elizabeth Hoyt

Ficha Técnica 

Título: O Príncipe Corvo
Título Original: The Raven Prince
Autor: Elizabeth Hoyt
ISBN: 978-85-01-10981-1
Páginas: 350
Ano: 2017
Tradutor: Ana Resende
Editora: Record
Ao descobrir que o conde de Swartingham visita um bordel para atender suas “necessidades masculinas”, Anna Wren decide satisfazer seus desejos femininos... com o conde como seu amante. Chega uma hora na vida de uma dama... Anna Wren está tendo um dia difícil. Depois de quase ser atropelada por um cavaleiro arrogante, ela volta para casa e descobre que as finanças da família, que não iam bem desde a morte do marido, estão em situação difícil. Em que ela deve fazer o inimaginável... O conde de Swartingham não sabe o que fazer depois que dois secretários vão embora na calada da noite. Edward de Raaf precisa de alguém que consiga lidar com seu mau humor e comportamento rude. E encontrar um emprego. Quando Anna começa a trabalhar para o conde, parece que ambos resolveram seus problemas. Então ela descobre que ele planeja visitar o mais famoso bordel em Londres para atender a suas necessidades “masculinas”. Ora! Anna fica furiosa — e decide satisfazer seus desejos femininos… com o conde como seu desavisado amante.

Resenha


O Príncipe Corvo é o primeiro livro da Trilogia dos Príncipes e também meu primeiro contato com a escrita da Elizabeth Hoyt.

A história se passa no século XVIII, mais precisamente no interior da Inglaterra de 1760 e de início conheceremos Anna Wren, uma viúva prestes a completar 31 anos que está passando por uma situação complicada. Após seis anos da morte de seu marido, Anna vive em um pequeno chalé com sua sogra e uma criada que mais está na casa por caridade do que por qualquer outro motivo afinal, a garota não tem família e Anna e a sogra tampouco têm como lhe pagar um salário. Sendo filha do antigo vigário da vila, Anna teve uma educação privilegiada para as mulheres da época, aprendeu a ler, escrever, matemática, grego e latim e com isso decide que precisa conseguir um emprego antes que as coisas em casa fiquem ainda piores, ela só não imaginava que seria tão difícil conseguir um trabalho em Little Battleford - mas deveria, uma vez que a vila é minúscula.

Coincidentemente o conde de Swartingham acabou de retornar para a Abadia de Ravenhill, propriedade da família De Raaf e, com a fuga na calada da noite do recém contratado secretário, ele incumbiu seu administrador de conseguir um novo secretário em um dia para não atrasar seu trabalho para a série de palestras na Sociedade Agrária, que aconteceria em pouco tempo em Londres.

Com a falta de tempo e de mão de obra qualificada para concorrer com Anna o administrador a contrata sem o conhecimento prévio do conde, visto que esse não era o tipo de trabalho para uma mulher - na verdade, elas mal podiam trabalhar.

Edward de Raaf é o único sobrevivente da família, que sucumbiu a varíola muitos anos atrás. A doença deixou várias cicatrizes e marcas pelo corpo, incluindo o rosto e, aliado a essas marcas, Edward tem o péssimo hábito de rosnar e fazer cara feia, o que só piora sua imagem.
— Ouvi algumas pessoas dizerem que meu temperamento é um tanto... — Ele fez uma pausa, aparentemente em busca de uma palavra.
Anna o ajudou.
— Selvagem?
Ele estreitou os olhos e a fitou.
— Feroz?
Ele franziu o cenho e abriu a boca.
Ela foi mais rápida.
— Bárbaro?
O conde a interrompeu antes que Anna pudesse acrescentar mais alguma coisa à lista.
— Sim, bem, vamos simplesmente dizer que isso intimida algumas pessoas. — Ele hesitou. — Eu não queria intimidá-la, Sra. Wren.
— Não intimidou.
P. 90
Depois do fracasso de seu primeiro casamento, Edward precisa casar-se novamente e ter um herdeiro ou o título e tudo que está vinculado a ele voltará para a Coroa. Entretanto, ao longo dos capítulos a gente descobre que não é apenas essa motivação dele, fica claro que tantos anos sozinho é um preço muito alto a ser pago.

Por outro lado, Anna não teve um casamento perfeito e seu final não foi dos melhores, o que deixou uma marca que ela carrega até hoje e, mesmo sentindo-se atraída por Edward, sabe que não é o que ele precisa.

Da mesma forma, Edward sente-se atraído, mas sabe que deve esquecer a secretária e focar no contrato de seu casamento e assim, ele retorna à Londres para prosseguir com a negociação matrimonial e para fazer uma visita a um famoso bordel e esquecer Anna. O problema é que ele nem desconfia que Anna sabe para onde ele está indo e decide que irá para a cama com o conde sem que ele saiba que é ela.
Por alguma razão, Anna se sentiu estranhamente sentimental. A emoção a deixou confusa. Aquela havia sido a experiência mais gloriosa de sua vida, mas também fora totalmente inesperada. Ela havia pensado que seria uma simples liberação física, mas, em vez disso, fora um maravilhoso tipo de transcendência. Não fazia sentido, mas ela não estava pensando de forma racional para desfazer o quebra-cabeça.
P. 139
Os segredos que guardam trarão muitas consequências. Mas a pergunta é: eles superarão as diferenças e segredos para ficarem juntos?

Assim como muitos romances de época, Elizabeth Hoyt narra a história em terceira pessoa e intercala a narrativa entre os protagonista e um outro personagem, nos dando um panorama geral da história.

Gostei muito dos personagens criados, não apenas os protagonistas como os secundários, mas a Anna teve um lugar especial pela sua determinação e temperamento forte, totalmente necessário para lidar com seu período de viuvez e depois com Edward. Também tenho que dizer que outro ponto positivo nessa história é o fato de não serem personagens exuberantes - o que estamos acostumados a encontrar - que proporcionam verdadeiros arrebatamentos. Ambos são pessoas comuns, com cicatrizes e marcas externas e internas.

O Príncipe Corvo é um romance altamente sensual, mas tudo tem um propósito, as cenas não são expostas aleatoriamente e Elizabeth equilibra com drama e diversão, o que faz com que fiquemos grudados no livro do início ao fim.

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