02 novembro, 2019


[Resenha] A Dama Mais Apaixonada - Julia Quinn, Eloisa James e ConnieBrockway

Ficha Técnica 

Título: A Dama Mais Apaixonada
Título Original: The lady most willing
Autor: Julia Quinn, Eloisa James e Connie Brockway
ISBN: 978-85-306-0021-1
Páginas: 288
Ano: 2019
Tradutor: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Entre no mundo cintilante do período da Regência e prepare-se para ter seus corações aquecidos por Julia Quinn, Eloisa James e Connie Brockway... Durante sua peregrinação anual de Natal à Escócia, para visitar seu tio idoso em seu decrépito castelo, o Conde de Rocheforte e seu primo, Conde de Oakley, recebem presentes únicos: seu tio invadiu a festa de Natal de um lorde inglês - Lorde Bretton - e sequestrou quatro adoráveis mulheres para seus herdeiros escolherem... O castelo fica isolado devido à nevasca e as horas se tornam dias, as intenções mais honrosas revelam tentações tão surpreendentes quanto irresistíveis.

Resenha


Depois do sucesso que foi o livro A Dama Mais Desejada, as três autoras trazem para gente o romance A Dama Mais Apaixonada. Quando elas escreveram o livro anterior, mesmo tendo sido apresentado como uma história única, não consegui ver dessa forma e sim como três contos que tinham os mesmos personagens. Agora isso não acontece, de fato é uma história única, mas cada autora fica encarregada da história de um casal.

A Dama Mais Apaixonada se passa em Kilkarnity, nas Terras Altas da Escócia, mais precisamente no castelo Finovair, lar de Taran Ferguson. Viúvo e sem filhos para herdar o castelo e as responsabilidades do título, Taran via nos sobrinhos a responsabilidade de seguirem o legado da família. Robert Parles, conhecido por todos como Robin, tem o título francês de conde de Rocheforte, mas não tem um só centavo no bolso, além do futuro como herdeiro de Finovair, o que não é muita coisa. Como se isso não fosse suficiente, é conhecido como Príncipe dos Libertinos, o que não ajuda na missão de casar e ter herdeiros. Byron Wotton é o outro sobrinho de Taran e é o conde de Oakley. Ao contrário do primo, Byron é muito centrado em suas responsabilidades e nas regras da sociedade.

Como Taran percebia que, se deixasse na mãos dos sobrinhos, o legado de sua família seria extinto, em uma noite de muito frio e antecedendo uma grande nevasca de dezembro de 1819, ele saiu com seus homens em direção ao baile que estava acontecendo próximo, no castelo Bellemere, lar do conde de Maycott, para raptar algumas candidatas a noivas para seus sobrinhos. Foi assim que ele trouxe para Finovair lady Cecily Tarleton, as irmãs Fiona e Marilla Chisholm, mas não esperava que viesse junto Cartiona Burns e John Shevington, o duque de Bretton.
Um homem não se apaixonava, não sentia algo do tipo, nada mais do que desejo, em um espaço tão curto de tempo. Isso não acontecia. E certamente não com ele.
P. 63
Taran se aproveita de que a nevasca deixará as estradas intransitáveis por pelo menos quatro dias para que seus sobrinhos tenham a chance de escolher uma noiva e cortejá-la, menos Catriona, é claro, que não é uma herdeira e não tem nenhum dinheiro. Claro que o fato de haver um novo concorrente no páreo, não estava nos planos, mas ainda que o duque de Bretton não esteja buscando uma noiva, certamente só o fato de ser um duque, chamará a atenção das damas.

A história mostrará a interação de todos no castelo enquanto lidam com as consequências da imprudência de Taran, mas, consequentemente, todos verão muitas de suas certezas sendo questionadas: a certeza de que não irão se casar, de que não merecem a felicidade, de que são libertinos inveterados e que as reputações uma vez arruinadas, jamais terão direito a um casamento feliz.
E mais, se Bret era capaz de fazer uma mulher amá-lo, ele, Byron, com certeza também era, ora essa! Seu lado competitivo estava vindo à tona. Era capaz de fazer uma mulher olhar para ele com puro deleite. Era capaz de envolvê-la de tal forma que ela nunca olhasse para outro.
P. 118
Eu adorei todos os personagens, com a grande exceção que é Marilla Chisholm, que garota insuportável, mas a melhor para mim ainda é Catriona Burns. Ela é altiva, decidida e sempre tem uma palavra amiga. John é incrível em toda sua imponência de duque, Fiona e Robin se parecem muito com a convicção de que não merecem um casamento feliz por conta de suas reputações, Byron é atormentado pelo fantasma do pai e de seu passado e Cecily foi criada com a certeza de que encontraria alguém que fizesse seu coração bater mais forte, mas até então isso não havia acontecido e ela já estava praticamente certa de que precisaria se casar logo, com o pretendente menos ruim, afinal, suas irmãs mais novas precisavam casar e seu pai não permitiria que isso acontecesse enquanto ela não se casasse também.
— Mas então você chegou — continuou ele —, e acabou com toda a minha força de vontade. Cada barreira, cada defesa, cada gota de bom senso e cada lição que aprendi a duras penas foram devastadas por esse sorriso, destruídas por esse olhar.
P. 276
A história é divertida e é possível ver a continuidade na narrativa das autoras. Adorei a história, os personagens e simplesmente devorei o livro por conta desses elementos.

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10 julho, 2019


[Resenha] A Dama Mais Desejada - Julia Quinn, Eloisa James e Connie Brockway

Ficha Técnica 

Título: A Dama Mais Desejada
Título Original: The lady most likely
Autor: Julia Quinn, Eloisa James e Connie Brockway
ISBN: 978-85-8041-951-1
Páginas: 272
Ano: 2019
Tradutor: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Três das estrelas mais brilhantes dos romances de época convidam você para uma festa na casa de campo do ilustríssimo marquês de Finchley. Hugh Dunne, o irresistível conde de Briarly, precisa de uma esposa. Para ajudá-lo, sua irmã convida as mais elegantes damas da sociedade, assim como alguns cavalheiros, para uma festa em sua propriedade. A reunião inclui a incrivelmente bela (e dolorosamente tímida) Gwendolyn Passmore, a sincera e adorável Katherine Peyton e a viúva lady Georgina Sorrell, além de alguns condes e até um arrojado herói de guerra. Durante o evento, que promete ser o grande acontecimento da temporada, Hugh terá tempo suficiente para eleger a dama que mais deseja. A não ser que outro cavalheiro seja mais rápido. Nesse caso, quem sabe ele acabe cortejando uma moça que definitivamente não está no mercado casamenteiro, e que vai exigir uma boa dose de perseverança...

Resenha


Escrito por três autoras, sendo que duas delas já são bem conhecidas dos leitores dos romances de época aqui no Brasil, A Dama Mais Desejada traz mais um romance para nos envolver.

Hugh Theodore Dunne é o conde de Briarly, o mais velho de cinco filhos e o único homem da família, ou seja, aos 28 anos, percebeu que está na hora de se casar e produzir um herdeiro, mas como essa não é sua especialidade, pediu ajuda para sua irmã Carolyn - a mais velha dentre suas irmãs - para fazer uma lista com possíveis candidatas à se tornar a futura condessa de Briarly.

A verdade é que Hugh não pensava em casamento, seu foco sempre foram os cavalos que sempre amou e treinou, mas, durante o treinamento de seu atual cavalo árabe, foi derrubado e ficou em coma por uma semana, e esse fato trouxe à luz que sua responsabilidade como conde - produzir um herdeiro - não seria cumprida com sua morte e o título passaria para um primo de terceiro grau que nem ele nem seus parentes mais próximos suportam.
— Quero a melhor esposa disponível no mercado de casamentos — explicou Hugh prontamente. — Sei que você não gosta da comparação, mas não me parece assim tão diferente de comprar um cavalo. Sempre há um potro que todos acham que vai gerar um campeão.
P. 17
Depois de debochar muito da cara do irmão por enfim decidir se casar, Carolyn decide promover uma pequena reunião no campo com damas que ela acredita  que seriam boas esposas para seu irmão. Como já estava deixando Londres com o marido - Piers, o marquês de Finchley - por conta do final da temporada social e indo para sua Mansão Finchley, em Yorkshire Dales, essa era a ocasião perfeita.

Embora a tal lista tenha apenas os nomes de lady Gwendolyn Passmore e lady Katherine Peyton, Carolyn convidou sua melhor amiga, lady Georgina Sorrell - quem ela tem como irmã e por amar muito queria que ela deixasse a viuvez de lado e se casasse novamente - e também convidou outras damas e cavalheiros para a reunião.

Ainda que tenha tomado a decisão de se casar, Hugh não facilita em nada a vida da irmã em achar uma esposa para ele, afinal, sabendo que passaria pelo menos duas semanas na casa da irmã, ele levou o cavalo que estava treinando para não interromper o treinamento e passava horas nos estábulos, sempre chegava atrasado nas refeições e, além de não ter muito traquejo social, não faz a menor esforço para remediar a situação.
Carolyn não achava que estaria se gabando se dissesse que seus planos em geral saíam exatamente como desejava. Não era possível administrar as três casas do marquesado de Finchley e não se tornar uma especialista em organizar pessoas e coisas. Mas naquele momento estava se vendo presa de uma emoção nova, bem frustrante.
P. 101
Enquanto a semana passa com diversos eventos promovidos pela anfitriã para envolver seus convidados e, principalmente, para ajudar Hugh a escolher a dama certa, vamos conhecendo um pouco mais sobre ele, Gwen, Kate, Georgie, Carol, Piers e alguns outros cavalheiros que irão arrebatar as candidatas da lista uma a uma.
Ele havia perdido a primeira dama de sua lista para o melhor amigo, e a segunda, para o capitão Oakes. Deveria estar ao lado da irmã, implorando a ela pelo nome da terceira candidata. Mas Hugh não chegara à mesa antes de cinco minutos depois do gongo em nenhum dia da última semana.
P. 182
Mesmo nos sendo apresentado como uma história única, fica clara a divisão e mais parece que são três contos com os mesmos personagens e Hugh me pareceu uma pessoa diferente em cada um deles. Sinceramente gostei mais quando Julia escreveu com outras autoras os livros Lady Whistledown Contra-AtacaNada Escapa a Lady Wistledown porque foram histórias diferentes, escritas por cada uma das autoras e aqui foi forçado e para mim não funcionou. Prefiro ver como contos para aproveitar melhor a história.

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26 maio, 2019


[Resenha] Esse Duque é Meu - Eloisa James

Ficha Técnica 

Título: Esse Duque é Meu
Título Original: The duke is mine
Autor: Eloisa James
ISBN: 978-85-8041-942-9
Páginas: 320
Ano: 2019
Tradutor: Livia de Almeida
Editora: Arqueiro
QUINTO E ÚLTIMO VOLUME DA SÉRIE CONTOS DE FADAS. Nas mãos de Eloisa James, autora de best-sellers do USA Today e The New York Times, os contos de fadas que amamos quando crianças assumem uma nova vida vibrante e sensual. Era uma vez, numa época não muito distante… Para Olivia Lytton, seu noivado com o duque de Canterwick é mais uma maldição do que uma promessa de ser feliz para sempre. Pelo menos o título de nobreza dele ajudará sua irmã, Georgiana, a garantir o próprio noivado com o carrancudo – e lindo – Quin, o duque de Sconce, um par perfeito para ela em todos os sentidos. Quer dizer, menos em um, porque Quin está apaixonado por Olivia. A curvilínea, teimosa e inconformista irmã gêmea de sua noiva desperta um desejo desconhecido nele. Mas Quin nunca coloca a paixão à frente da razão, e a razão lhe diz que Georgiana é a noiva perfeita. Quando eles não conseguem resistir à paixão, correm o risco de colocar tudo a perder – o noivado de Olivia, a amizade dela com a irmã e o próprio amor dos dois. Agora só há uma coisa capaz de salvá-los, e ela espera no quarto, onde um magnífico colchão guarda respostas transformadoras ao enigma mais romântico de todos. No quinto livro da coleção Contos de Fadas, Eloisa James traz de volta à baila uma pergunta antiga: será que a perfeição tem alguma coisa a ver com o amor?

Resenha


No quinto e último livro da série Contos de FadasEloisa James traz uma história inspirada no conto A Princesa e a Ervilha.

A Srta. Olivia Mayfield Lytton é a filha mais velha - por apenas sete minutos - do Sr. e da Sra. Lytton e por isso, desde seu nascimento está prometida em casamento ao marquês de Montsurrey, herdeiro do duque de Canterwick. Ainda que não tenha um título de nobreza, o Sr. Lytton teve a oportunidade de estudar e, Eton quando garoto, o que lhe permitiu conhecer e desenvolver uma amizade com o duque de Canterwick, levando os jovens a fazer um acordo de casarem seus primogênitos. O problema começou no fato de que o Sr. Lytton casou e logo teve duas filhas gêmeas - Olivia e Georgiana - enquanto o o único filho do duque nasceu apenas cinco anos depois das garotas.

Para garantir que Olivia fosse uma duquesa perfeita, os pais investiram em uma educação diferenciada para as garotas desde muito cedo, assim, ainda que a prometida fosse Olivia, eles estenderam a educação à Georgiana, sabendo que não poderiam confiar no destino quando o futuro da família estava em questão. Assim, não apenas Olivia como Georgiana passaram pela "duquesificação", tornando Olivia a perfeita futura duquesa e Georgiana longe de conseguir um bom casamento, afinal, os rapazes não estavam interessados em mulheres que poderiam conversar sobre qualquer assunto além de gerir uma casa e a família Lytton certamente não tinha mais condições de oferecer um dote para garantir o casamento da caçula depois de uma vida de investimentos e do dote de Olivia.
— Não importa - disse Georgiana, com indiferença. Enxugou uma lágrima. — É a duquesificação, Olivia. Nenhum homem quer se casar com uma pudica que age como se fosse uma viúva de 95 anos. E — ela soltou um soluço — parece que não consigo me comportar de forma diferente.
P. 16
Embora as duas tenham passado pela mesma educação, a mãe vê Georgiana como sendo a mais "perfeita" para o papel de duquesa: aceita muito melhor as regras, não revida suas orientações e é muito mais magra do que Olivia. Mas, embora Olivia não tenha as qualidades que a mãe gostaria que tivesse e não tenha nem um pouco de vontade de casar com Rupert - que, além de ser mais novo, é imaturo e lento no raciocínio - sabe que esse é o único caminho que pode tomar e que essa é a solução para conseguir um dote para sua irmã. Porém, o convite da duquesa viúva de Sconce para que as irmãs visitem Littlebourne Manor, residência da família em Kent, é a chance de Georgiana conseguir um duque para ela.

Tarquin Brook-Chatfield é o duque de Sconce e, mesmo tendo apenas 32 anos, já é um viúvo. Depois do desastre do seu primeiro casamento, sua mãe, autora do livro O espelho dos elogios - que ajudou a Sra. Lytton na educação de suas filhas - decidiu que ela escolherá a próxima esposa de Quin para que ele não cometa o mesmo erro de se deixar levar pelas emoções nessa tarefa. Mas como Olivia caiu nessa história inesperadamente como acompanhante da irmã e noiva de um marquês, claro que as emoções estarão afloradas.
Claro que não era desejo. Ninguém podia sentir isso, não por ela.
Era uma mulher gorducha, nem tão jovem assim, sem nada mais que a recomendasse além de seu noivado com o herdeiro de um duque.
P. 77
Durante todo o livro fica claro como a busca pela perfeição conduz os personagens e como ela é totalmente questionável. Enquanto Quin vive uma vida baseada na ausência de emoções fortes, porque duques não são emocionais e sim racionais, Olivia é cobrada para ter um comportamento irrepreensível e um corpo que seja adequado a posição que ocupará. Claro que para Quin o corpo e o modo como Olivia encara a vida são o que mais o atraem e com ela ele perceberá que deixar que as emoções o conduza não é tão ruim como sempre lhe disseram.

Para mim, o encerramento dessa série foi muito bom e, mesmo eu não conhecendo muito o conto que inspirou a história, fica clara a referência em muitos momentos. Adorei os personagens e, se ainda tivessem mais livros da série, queria muito uma história para a Georgiana, ela me intrigou bastante nos últimos capítulos.

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07 maio, 2019


[Resenha] A Torre do Amor - Eloisa James

Ficha Técnica 

Título: A Torre do Amor
Título Original: Once Upon a Tower
Autor: Eloisa James
ISBN: 978-85-8041-885-9
Páginas: 352
Ano: 2018
Tradutor: Livia Almeida
Editora: Arqueiro
Quando Gowan, o magnífico duque de Kinross, decide se casar, seu plano é escolher uma jovem adequada e negociar o noivado com o pai dela. Ao conhecer Edie no baile de apresentação dela à sociedade, ele acredita que, além de linda, ela também seja a dama serena que ele procura e imediatamente pede sua mão. Na verdade, o temperamento de Edie é o oposto da serenidade. No baile, ela estava com uma febre tão alta que mal falou e não conseguiu prestar atenção em nada, nem mesmo no famoso duque de Kinross. Ao saber que seu pai aceitou o pedido do duque, ela entra em pânico. E quando a noite de núpcias não é tudo o que podia ser... Mas a incapacidade de Edie de continuar escondendo seus sentimentos faz com que o casamento deles se desintegre e com que ela se recolha à torre do castelo, trancando Gowan do lado de fora. Agora o poderoso duque está diante do maior desafio de sua vida. Nem a ordem nem a razão funcionam com sua geniosa esposa. Como ele conseguirá convencê-la a lhe entregar as chaves não só da torre, mas também do próprio coração?

Resenha


Seguindo com a série Contos de Fadas da Eloisa James, chegou a hora desse conto, que, ao contrário dos outros, tem duas histórias como inspiração: Romeu e Julieta e Rapunzel. A Torre do Amor é o quarto livro da série, que já trouxe os livros: Quando a Bela Domou a Fera, Um Beijo à Meia-Noite e A Duquesa Feia.

Gowan Stoughton de Craigievar é o duque de Kinross e chefe do clã MacAulay. Aos 22 anos, ele é  dirigente do Banco da Escócia, poderoso, inteligente e respeitado. Como assumiu o título aos 14 anos, sua vida sempre foi dedicada ao ducado e suas responsabilidades, visto que seu pai nunca foi muito responsável em nenhum aspecto das vida, para isso, ele leva sua agenda muito a sério, otimizando ao máximo o seu tempo. Assim, ao ter que visitar a Inglaterra por conta de negócios, ele aceita participar de um baile promovido pelo conde de Gilchrist, porque precisa encontrar uma esposa.

Gowan sempre tratava de negócios com Gilchrist, que ocupava o mesmo cargo que ele no Banco da Inglaterra, mas não sabia que o homem tinha uma filha e que estava debutando naquele evento, lady Edith Gilchrist.
E lá estava ele: matando dois coelhos com uma cajadada só. Preferia matar três ou quatro, mas às vezes era obrigado a se contentar com pouco.
P. 13
Edie sempre foi apaixonada por música e é uma excelente violoncelista, mesmo que mulheres não pudessem ser musicistas, ainda mais as da nobreza. Esse era o único ponto em comum com seu pai e o que começou como uma maneira de ter a atenção dele, tornou-se sua paixão e por esse motivo ela debutou apenas aos 19 anos. Ainda que soubesse que seu casamento seria um acordo quando seu pai achasse que ela deveria se casar, ela não imaginava que logo após seu baile estaria noiva de um duque escocês. E para completar, Edie estava com muita febre no dia, o que fez com que ela não agisse como ela mesma, ou seja, estava muito calada e passiva.
Depois da troca de cartas, ela tinha certeza de que Kinross desejava se casar com uma mulher sensual e audaciosa. Alguém que pudesse falar coisas como ponteiro ereto, palavras que Edie mal conseguia compreender. Queria mais do que nunca olhar nos olhos dele e ver desejo. Até mesmo luxúria. Se ele a olhasse e o ponteiro não ficasse ereto, usando uma linguagem lírica, ela se sentiria humilhada.
Queria deixá-lo atordoado.
P. 58
Ao se reencontrarem, fica visível que o casal se dará muito bem, ainda que Edie não seja a pessoa que ele viu no baile. Eles têm humor, tem seus momentos que não abrem mão (ele do trabalho e ela das horas de estudo) e, sendo tão jovens, têm muito a aprender com o casamento, com a vida a dois, sabem disso e estão dispostos a ter um casamento feliz - ao contrários dos exemplos que têm dos pais.  Tudo parece fluir perfeitamente bem, mas, a noite de núpcias é um fiasco para Edie e daí para a frente o casamento parece ruir rapidamente.

Ao contrário dos outros romances de época que já li, nesse o casal não se entende na cama e eles têm muita dificuldade de comunicação nesse aspecto. Ainda que eles se entendam, gostem um do outro, conversem, esse é um assunto difícil de abordar e, tratando-se da época em que o livro se passa, é perfeitamente compreensível que eles tivesse esse tipo de dificuldade. Se ainda hoje para muitas mulheres é difícil falar sobre esse assunto, imagina no século XIX.
Era melhor reconhecer o fato, pelo menos para si mesmo. Alguma coisa não ia bem. Não era tudo o que ele esperava... não era aquilo o que os poetas descreviam. Mesmo nas profundezas do prazer, Gowan sentia que era como ela estivesse lhe fazendo um favor. Chegava a suspeitar que Edie pensava em música enquanto ele estremecia de desejo.
P. 206
A angústia do casal é imensa, pois ambos se culpam pelos problemas sexuais, mas não conversam um com o outro, o que faz com que repitam parte dos problemas dos seus pais: a falta de comunicação. Como Gowan e Edie são jovens e muito perfeccionistas, atribuo que parte dos problemas deles vêm dessa união e eles precisarão amadurecer e entender seus sentimentos para fazer com que a união seja feliz e duradoura.

Além dos protagonistas, temos a presença constante da madrasta de Edie, que eu não vejo como algo positivo, afinal o casamento dela está ruindo quando Edie está iniciando o seu, mas ela é a única figura materna que tem. Tem também um crossover aqui com personagens do livro Simplesmente o Paraíso, da série Quarteto Smythe-Smith da Julia Quinn e nos permite reencontrar Honoria e o conde de Chatteris.
Edie era a única pessoa no mundo que importava para ele. Seus pais estavam mortos. Tinham sido problemáticos demais para amá-lo e o amor que ele sentira por eles havia se esvaído. Molly desaparecera. As tias eram, no máximo, cordiais, e Layla tinha adotado Susannah.
Mas Edie o amava. Afirmara isso, e ele precisava acreditar: foram as palavras que ela disse logo antes de sua partida. Se ela o amava, talvez fosse capaz de perdoá-lo. Trevas estavam à espreita em sua vida tão organizada, mas ele queria banir a escuridão.
Tinha que confessar a ela. Tinha que abrir seu coração.
P. 319-320
Adorei a história, ainda que tenha demorado de me aproximar dos protagonistas, mas o que achei difícil de conectar foram as histórias de inspiração para esse romance. Há muito pouco de Romeu e Julieta e de Rapunzel aqui, então poderia ser apenas um romance de época e eu passaria tranquila por essa história. Ou seja, para mim, o primeiro livro dessa série ainda é o melhor.

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05 outubro, 2018


[Resenha] A Duquesa Feia - Eloisa James

Ficha Técnica 

Título: A Duquesa Feia
Título Original: The Ugly Duchess
Autor: Eloisa James
ISBN: 978-85-8041-849-1
Páginas: 272
Ano: 2018
Tradutor: Lúcia Brito
Editora: Arqueiro
Baseado na história O Patinho Feio, esse é o terceiro volume da série Contos de Fadas. Como ela ousa achar que ele a ama, quando Londres inteira a chama de Duquesa Feia? Theodora Saxby é a última mulher com quem se poderia esperar que o lindo James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, se casasse. Mas depois de um pedido romântico feito na frente do próprio príncipe, até a realista Theo se convence de que o futuro duque está apaixonado. Ainda assim, os tablóides dizem que a união não durará mais do que seis meses. Em seu íntimo, Theo acredita que os dois ficarão juntos para sempre… até que ela descobre que o que James desejava não era seu amor, mas seu dote. E a sociedade, que primeiro se chocou com seu casamento, se escandaliza com sua separação. Agora James precisará enfrentar a batalha de sua vida para convencer Theo que ele amava a patinha feia antes que ela se transformasse em cisne. E Theo logo descobrirá que, para um homem com alma de pirata, vale tudo no amor – e na guerra.

Resenha


A Duquesa Feia é o terceiro livro da série Contos de Fadas, da Eloisa James. Nessa história, com inspiração na fábula O Patinho Feio, do dinamarquês Hans Christian Andersen, publicada em 1843, Eloisa nos apresentará Theodora Saxby, uma herdeira que, após a morte do pai, foi acolhida com a mãe na casa do melhor amigo de seu pai, o duque de Ashbrook. Com isso, ela cresceu ao lado de James Ryburn e eles se tornaram melhores amigos.

Aos dezessete anos Theo, como gosta de ser chamada, acabou de debutar na sociedade londrina e, após três semanas de eventos, já percebeu que seus pares não gostaram muito de sua aparência e não fazem questão nenhuma de esconder suas opiniões. Entretanto, enquanto ela é considerada feia, seu melhor amigo, além de ser o conde de Islay e herdeiro de um ducado, é absurdamente lindo e não faz a menor questão de frequentar esses eventos, nem mesmo para ajudar Theo.

Com dezenove anos James quer distância desses eventos onde precisa interagir com pessoas hipócritas e falsas. Pior que isso, ele detesta viver debaixo do mesmo teto que o pai, que tem um temperamento agressivo e que em seus acessos de fúria (que são constantes) atira objetos em quem quer que seja, ou seja, ele se especializou em desviar deles.

Como se James já não desprezasse tanto o pai, que foi apelidado pela sociedade de Duque Tolo por conta de suas péssimas escolhas de investimentos, descobriu que após a morte da esposa ele dilapidou tudo que não estava ligado ao título, incluindo parte da herança de Theo, que estava sob seus cuidados. Agora, obrigou James a casar-se com sua amiga sob a alegação de que não havia maneira de pagar o dote dela caso ela se casasse com outra pessoa, o que seria um escândalo.
— Você não reconheceria um amor verdadeiro nem que ele batesse na sua cabeça — declarou James, cruzando os braços sobre o peito.
P. 44
Mesmo tendo uma relação difícil com o pai, James cede e resolve casar com Theo, mas a verdade é que ambos percebem, e deixam claro para nós que, ao longo dos anos, enquanto a amizade existia, o amor coexistia. Imagina que maravilha descobrir que seu amor é seu melhor amigo?

Mas a gente sabe desde o início dessa história que o casal iria se separar então, não imaginava que o casal ficaria junto e se separaria tão rápido. E imaginava menos ainda o quanto eles mudariam no período em que ficaram separados e que esse período seria tão longo.
Mais do que isso, ele queria estar com ela, ser o primeiro a compartilhar suas ideias brilhantes e opiniões ferozes. Em todas as suas viagens, ele nunca conheceu ninguém, nem mesmo Griffin, com quem gostasse tanto de conversar quanto apreciava conversar com Daisy.
P. 177 
Durante o período em que ficam separados ambos crescem, evoluem e passam a se conhecer melhor. Porém, cada um tomou um rumo diferente para suas vidas e, se não se tratasse de um romance de época, cogitaria a possibilidade do casal não ficar junto novamente, de tanto que suas vidas se separaram. Entretanto, o reencontro fará com que percebam que precisam um do outro, a ausência da amizade e do amor fez muita diferença em suas vidas.
— Me parece que você reagiu ao desafortunado fim do nosso casamento indo na direção oposta. Eu me atirei ao perigo, você se cercou de retidão.
P. 220
O reencontro não foi fácil, mas gostei da maneira como a Eloisa conduziu a situação, fiquei torcendo para que eles se entendessem, se não pelo amor, pela amizade que tinham, afinal, eles foram o apoio um do outro em vários momentos e perder uma amizade é péssimo, ainda mais se também é seu amor. Gostei da história, assim como Quando a Bela Domou a Fera e Um Beijo à Meia-Noite, é uma leitura rápida e gostosa, com uma narrativa na visão dos dois protagonistas, que dessa vez achei um pouco imaturos demais para o que já estou acostumada a ler.

Ainda assim, a curiosidade impera para conhecer os próximos livros dessa série e ver quais serão as fábulas que os inspirarão.

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13 fevereiro, 2018


[Resenha] Um Beijo à Meia-Noite - Eloisa James

Ficha Técnica 

Título: Um Beijo à Meia-Noite
Título Original: A Kiss at Midnight
Autor: Eloisa James
ISBN: 978-85-8041-778-4
Páginas: 320
Ano: 2017
Tradutor: Livia Almeida
Editora: Arqueiro
Kate Daltry é uma jovem de 23 anos que não costuma frequentar os salões da alta sociedade. Desde a morte do pai, sete anos antes, ela se vê praticamente presa à propriedade da família, atendendo aos caprichos da madrasta, Mariana. Por isso, quando a detestável mulher a obriga a comparecer a um baile, Kate fica revoltada, mas acaba obedecendo. Lá, conhece o sedutor Gabriel, um príncipe irresistível. E irritante. A atração entre eles é imediata e fulminante, mas ambos sabem que um relacionamento é impossível. Afinal, Gabriel já está prometido a outra mulher – uma princesa! – e precisa com urgência do dote milionário para sustentar o castelo. Ele deveria se empenhar em cortejar sua futura esposa, não Kate, a inteligente e intempestiva mocinha que se recusa a bajulá-lo o tempo todo. No entanto, Gabriel não consegue disfarçar o enorme desejo que sente por ela. Determinado a tê-la para si, o príncipe precisará decidir, de uma vez por todas, quem reinará em seu castelo. Um beijo à meia-noite é um conto de fadas inspirado na história de Cinderela. Com um estilo que combina graça, encanto e sedução, Eloisa James escreve uma narrativa envolvente, com direito a fada madrinha e sapatinho de cristal.

Resenha


Chegou a hora de ler meu segundo livro da Eloisa James que também é o segundo livro da série Contos de Fada. Assim como Quando a Bela Domou a FeraUm Beijo à Meia-Noite é uma releitura, mas dessa vez da história da Cinderela.

Em Um Beijo à Meia-Noite Eloisa nos apresenta Katherine Daltry, uma jovem de vinte e três que, desde que perdeu o pai - há sete anos - e ficou completamente órfã, se viu morando com a madrasta, Mariana Daltry, e a filha dela, Victoria Daltry e tornando-se praticamente uma criada em sua própria casa. Tudo que Kate tem é um pequeno dote deixado por sua mãe, afinal a ausência de um testamento do pai deixou todo o patrimônio dele para Mariana, que consequentemente transformou em dote para a bela Victoria, que está noiva de Algernon Bennett, Visconde de Dimsdale.

Kate vive em pé de guerra, mas não consegue se desvincular da vida que leva, não consegue sequer imaginar abandonar todos os que vivem nas terras de sua família à mercê das loucuras e despropósitos de Mariana e por isso quase sempre acaba cedendo e ficando e tolerando tudo o que ela lhe impõe. É assim que ela se vê viajando para o Castelo Pomeroy, em Lancashire, com Augie e fingindo ser Victoria (que está impossibilitada de sair de casa), para ter a aprovação do tio dele, o príncipe Gabriel Augustus-Frederick Willian von Aschenberg of Warl-Marburg-Baalsfeld.

Gabriel acabou de mudar-se para a Inglaterra com toda a corte renegada de seu irmão, o grão-duque de Marburgo. Agora ele precisa se casar com a noiva escolhida pelo irmão para que o dote dela possibilite que ele custeie todas as pessoas que dependem dele até que as terras ao redor do castelo tenham condição de se pagar. Entretanto, o que Gabriel queria mesmo era estar em Cartago, no meio de uma escavação arqueológica, descobrindo a história com as próprias mãos, mas o senso de responsabilidade não o deixa seguir esse caminho.

Quando se conhecem, Gabriel fica logo intrigado com a personalidade de Kate, afinal, por mais que ela tente se passar por Victoria, elas são diferentes, não apenas fisicamente como em personalidade. Depois de sete anos aprendendo a se virar praticamente sozinha, Kate é mais durona, sem falsas ilusões. Mas esse final de semana no castelo a fará perceber o quanto é forte e o quanto ela precisa se soltar das amarras impostas por Mariana e a descoberta de que tem uma madrinha a ajuda nesse propósito.
— Nós nos beijamos como se o maldito quarto estivesse em chamas — declarou ele. — Nós nos beijamos como se o ato de fazer amor não existisse e os beijos fossem tudo o que nos resta. Nós nos beijamos...
P. 178
A atração entre eles é intensa, mas eles são o que não podem para o outro: Kate não pode demonstrar nenhuma intenção, afinal está se passando pela comprometida Victoria e o príncipe não pode ter nenhum envolvimento com uma mulher sem um dote substancial para manter seu castelo. Mas basta ser proibido para a atração aumentar, não é mesmo?
— Se eu não fosse um príncipe, você me aceitaria? — Ele falou tão baixo que ela quase não ouviu. —Em outras palavras, se você tivesse milhares de libras, Kate, se fosse a dona do seu patrimônio, você me compraria? Porque era disso que eu precisava. Precisava de uma mulher que achasse que eu valho o preço, e meu irmão encontrou uma assim na Rússia.
P. 221
Ambos são dedicados aos que dependem deles e colocam suas obrigações em primeiro lugar, ainda que isso não os leve à felicidade. E assim os vemos lutando bravamente contra esse sentimento que cresce a medida que conhecem mais um ao outro.

Além dos protagonistas, não dá para deixar de falar de outros personagens que são incríveis. Adorei a madrinha de Kate, Henrietta, ou Henry como prefere ser chamada, uma mulher à frente de sua época que não se importa muito com a opinião dos outros. Outro personagem maravilhoso é Berwick, o mordomo de Gabriel, alguém que diz o que pensa, repreendendo-o quando necessário. Até mesmo Victoria e Augie foram grandes surpresas para mim, confesso que de início não esperava muito deles, mas gostei bastante do rumo que Eloisa deu para eles.

Mas não é só de romance que vive Um Beijo à Meia-Noite, no livro a Eloisa revela muitos segredos do passado de Kate para a própria, que faz com que ela entenda como sua vida chegou até o ponto em que está hoje, à medida em que também conhecemos algumas passagens do passado de Gabriel e seu relacionamento com muitas das pessoas que convivem com ele nos dias atuais na Inglaterra.
— O amor é desordem — declarou Henry, tirando o pano e substituindo-o por outro, gelado.
Estava um pouco úmido demais, e uma gota de água gelada deslizou pelo rosto de Kate.
— Eu odeio o amor — disse Kate, com convicção.
— Pois eu não odeio. Porque é melhor viver uma paixão, Kate, conhecer um homem e amá-lo, mesmo que ele não possa ser seu, do que nunca amar.
P. 276
Sabe aquele livro que você lê suspirando e se divertindo ao mesmo tempo e na mesma proporção? Esse foi Um Beijo à Meia-Noite!

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25 julho, 2017


[Resenha] Quando a Bela Domou a Fera - Eloisa James

Ficha Técnica 

Título: Quando a Bela Domou a Fera
Título Original: When Beauty Tamed The Beast
Autor: Eloisa James
ISBN: 978-85-8041-680-0
Páginas: 320
Ano: 2017
Tradutor: Thalita Uba
Editora: Arqueiro
Eleito um dos dez melhores romances de 2011 pelo Library Journal, "Quando a Bela domou a Fera" é uma releitura de um dos contos de fadas mais adorados de todos os tempos. Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher. Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas. No entanto, Linnet não faz ideia do perigo que seu coração corre. Afinal, o homem a quem ela o está entregando talvez nunca seja capaz de corresponder a seus sentimentos. Que preço ela estará disposta a pagar para domar o coração frio e selvagem do conde? E Piers, por sua vez, será capaz de abrir mão de suas convicções mais profundas pela mulher mais maravilhosa que já conheceu?

Resenha


Meu primeiro livro da Eloisa James e o que tenho para dizer? ADOREI! Sério mesmo, gente. Os personagens são incríveis e a escrita da Eloisa faz com que não queiramos largar o livro em momento algum.

Em uma releitura da história d'A Bela e a Fera, Eloisa nos apresenta Piers Yelverton, o conde de Marchant e futuro duque de Windebank. Piers é um médico reconhecido e bem-sucedido, embora não se espere que cavalheiros tenham profissões, mas como foi criado na França, os conceitos deles são bem diferentes, não é a toa que vive afastado em seu castelo no País de Gales onde poucas pessoas convivem com seu temperamento intempestivo. Ainda assim, algumas pessoas o procuram no castelo depois de terem procurado outros médicos e não terem tido seus problemas resolvidos, afinal Piers fez de seu castelo, em parte um hospital.

Linnet Berry Thrynne é uma jovem extremamente bela. Aos vinte e três anos e recém-debutada na sociedade londrina, está passando por um momento muito complicado e sua reputação corre um grande perigo e o pior, é que ela nem fez nada de tão errado. Linnet é órfã de mãe há alguns anos, mas até hoje sua reputação persegue a família e ao que parece, mesmo seu pai tendo decidido que ela debutasse mais tarde, não adiantou, o escândalo os seguiu e agora é preciso que Linnet case o mais rápido possível. Mas quem aceitaria?
Em suma, é rara a mulher que, de fato, ofusca o brilho do sol. Ainda mais uma mulher com dentes perolados, voz de cotovia e um rosto tão lindamente esculpido que os anjos chorariam de inveja.
Linnet Berry Thrynne tinha todos esses atributos, com exceção, talvez, da fala melodiosa de uma cotovia. Ainda assim, sua voz era perfeitamente aceitável e já haviam lhe dito que sua risada era como ressoar de sinos dourados e (apesar de não serem cotovias) como canções de pintarroxos.
Ela nem sequer precisava olhar para o espelho para saber que seu cabelo e seus olhos estavam brilhantes, e seus dentes - bem, talvez esses não brilhassem, mas eram bastante brancos.
P. 07
Embora tenha todos os todos os atributos físicos desejados pelos homens e mulheres da época, com a rachadura atual em sua reputação, Linnet se vê em uma longa viagem com o Robert Yelverton, o duque de Windebank, para conhecer seu noivo. Aparentemente, Linnet terá que se contentar em se casar com o homem conhecido como Fera e ficar feliz com seu destino. Mas quando chega no Castelo Owfestry, em Pendine, no País de Gales, descobre que Piers é ainda pior do que imaginava.
-Suponho que você ache que eu vou me apaixonar  por você - disse ele.
- Muito provavelmente.
- Quanto tempo você deu a si mesma?
Ele parecia genuinamente curioso.
- Duas semanas no máximo.
E, então, ela deu o sorriso - covinhas, charme, sensualidade e tudo o mais.
Ele nem piscou.
- Isso é o melhor que você tem?
Sem conseguir se conter, Linnet deixou escapar uma risadinha. Depois outra.
- Geralmente, isso é mais que suficiente.
P. 66
Para quem ainda não sabe, além de uma releitura do conto de fadas A Bela e a Fera, Eloisa trouxe mais um ingrediente para esse livro, Piers é um personagem inspirado no Dr. Gregory House, da série Dr. House, que eu simplesmente amo, então ver Piers me fazia lembrar do Hugh Laurie interpretando o médico mais lindo e rabugento do Princeton-Plainsboro Teaching Hospital . Piers também tem um defeito na perna que o faz usar uma bengala e seu humor, sua inteligência sem dúvida lembravam e muito o médico do nosso século.


Enquanto vemos o desenrolar dos dias de Linnet em Owfestry, conhecemos um pouco mais tudo em torno da história deles, principalmente o passado de Piers com seus pais, como ele ficou com a lesão em sua perna que lhe causa tanta dor, como decidiu se tornar médico e como ficou cada vez mais recluso em seu castelo, com seu humor e por outro lado, ele vê que Linnet não é apenas um rosto e corpo bonito, ao contrário do que era recomendado pela sociedade da época, Linnet adora ler e é bastante inteligente.
Piers bufou.
- Você é uma romântica, mesmo que pareça contemplar o adultério sem pestanejar.
- Eu leio romances demais para não ser romântica.
- Romances não têm nada a ver com a vida real.
- São melhores que a vida real - afirmou Linnet. - Há um prazer enorme em ver pessoas más recebendo o que merecem.
P. 166
Quanto mais o livro se desenrolava, mais eu me apaixonava por Piers e adorava o casal. Eles são envolventes, sagazes, inteligentes, têm uma personalidade forte e isso para mim é um dos pontos altos do livro, a Linnet não é aquela garotinha frágil, ela enfrenta Piers de igual para igual e isso abala suas certezas.
- Você é um chato - Linnet informou a Piers.
Ele a tinha acordado balançando uma fita sobre seu rosto, de modo a fazer cócegas em seu nariz.
- Eu trouxe chocolate quente.
- Isso ajuda a amenizar sua chatice - respondeu ela, sentando-se apoiada na cabeceira para tomar seu chocolate.
E também para observar Piers disfarçadamente, apesar de ela mesma não entender direito por que se sentia atraída por uma figura tão grosseira.
P. 151
Além de Piers e Linnet, outros personagens são maravilhosos, os pais de Piers - o duque de Windebank e lady Bernaise -, seu mordomo, Prufrock e seu primo Sébastien - marquês Latour de l'Affitte - são ótimos, adoro como eles não se deixam abater pelo temperamento de Piers, como o enfrentam para estar ao seu lado.
- Sei que você tem uma afinidade pela infelicidade - retrucou Sébastien, levando o copo à boca. - Na verdade, paradoxalmente, você não se sente feliz a não ser que esteja infeliz. Sua maneira de fazer isso é afastando as pessoas que se preocupam com sua existência sórdida. Para começar, eu mesmo, que sou impossível de descartar, então, você parece ter desistido. Seus pais. - Ele ergueu o copo na direção de Linnet. - Sua linda noiva.
P. 222
Estou completamente apaixonada e quero muito que o próximo livro da série Contos de Fada seja publicado pela Arqueiro, realmente a Eloisa James entrou para o rol das minhas autoras de romances de época .
- Se eu fosse me casar com alguém, Linnet, seria com você.
- Eu sempre soube que esses seios seriam úteis - disse ela com satisfação.
Ele riu disso.
P. 203
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