09 janeiro, 2022


[Resenha] O Herói que Faltava - Julia Quinn, Kinley MacGregor, Lisa Kleypas

Ficha Técnica 

Título: O Herói que Faltava
Título Original: Where's my Hero?
Autor: Julia Quinn, Kinley MacGregor, Lisa Kleypas
ISBN: 978-65-5565-212-3
Páginas: 224
Ano: 2021
Tradutor: Alessandra Esteche
Editora: Arqueiro
Alguns livros são tão especiais que nos brindam com mais de um herói, mas contam a história de apenas um deles. Se você já quis ver seus coadjuvantes preferidos estrelarem a própria aventura, esta coletânea vai realizar os seus desejos.
***
Depois de despertar o ciúme de pretendentes indecisos na trilogia Damas Rebeldes, Ned Blydon reaparece em “Um conto de duas irmãs”, de Julia Quinn, em uma situação nada invejável: fica noivo de uma das irmãs Thorntons, mas está secretamente apaixonado pela outra!
Em “Improvável”, de Lisa Kleypas, a sensata Lydia Craven decide se casar por conveniência e não por amor. Só que ainda não conhece a determinação do atencioso médico Jake Linley, que já tinha conquistado muitos corações na série Os Mistérios de Bow Street e não vai medir esforços para ganhar o dela.
Após sua aparição em Master of Desire, Simon de Ravenswood ressurge em “Sonho de um cavaleiro de verão”, de Kinley MacGregor, para responder às cartas de lady Kenna em nome de um conde poderoso. Faz isso apenas por educação, mas a dama acaba se apaixonando e precisa escolher entre ele, seu melhor amigo e um voto solene feito há muito tempo.

Resenha


Neste livro, que é composto por contos de três autoras, conheceremos heróis finalmente ganharem seus momentos em suas respectivas séries.

No primeiro conto, “Improvável”, retornaremos à série Os Mistérios de Bow Street da Lisa Kleypas para que o charmoso médico Jake Linley também encontre um par, afinal ele sempre ajudou os intrépidos agentes a se recuperarem, nada mais justo do que ter um amor para chamar de seu. O problema é que a mulher que conquistou seu coração está de casamento marcado com um conde, e para uma união por conveniência.

Lydia Craven é fruto de um casamento amoroso, mas tendo uma mente analítica, sabe que a probabilidade de ter uma união como a dos pais é praticamente nula, assim, o melhor é se casar com alguém que pelo menos tem uma mente como a dela, que a compreende. Mas descobrir nas vésperas do seu casamento que Jake Linley (com quem vive se desentendendo desde que se conheceram quatro anos atrás) tentou convencer seu noivo a não a pedir em casamento traz à tona a rixa entre eles. 

O que Lydia não entende é que Jake não a odeia, ela a ama, mas entende que a vida que o conde pode proporcionar a ela é muito melhor do que a que ele poderia, afinal, ainda que ela não venha de uma família aristocrática, é absurdamente rica. Entretanto, pensem comigo: Jake não deveria deixar que ela decidisse se preferiria uma vida sem amor ao lado do conde ou ao lado dele? E se ela também o amar?
Com o passar dos anos, a antipatia mútua aumentara a ponto de eles não poderem dividir o mesmo cômodo sem iniciar uma discussão que fazia com que todos corressem para se proteger. Lydia tentava ser indiferente, mas algo em Linley a provocava até as profundezas da alma. Quando estava com ele, ela se via dizendo coisas que não queria e ruminava seus encontros até muito depois de se despedirem.
P. 27-28 
O conto seguinte, “Sonho de um Cavaleiro de Verão”, é o retorno à série Master of Desire da Kinley MacGregor que eu não conheço, mas já gostei do protagonista aqui, Simon de Ravenswood, assim como dos outros personagens em volta dele. Simon luta justas ao lado do amigo Stryder de Blackmoor, que é um conde, e foi por causa de um amigo em comum que ele conheceu a dama que conquistou seu coração: lady Kenna. Ela era irmã de um amigo deles que morreu e prima do rei da Escócia e, tendo escrito à Stryder para agradecer por ele ter trazido o irmão do exterior em segurança, ela não sabia que era Simon o responsável por toda a correspondência, onde ele assinava como “S” e ela entendeu que era “Stryder” e ele nunca a corrigiu. Porém, após um ano de troca de cartas — que passaram de assuntos triviais e se tornaram muito mais profundos —, Simon e Stryder estão novamente na Inglaterra para uma competição e eis que Stryder descobre por acaso que está noivo da prima do rei da Escócia — dama que ele nem sequer sabe quem é.

Uma vantagem dos contos é que as coisas se resolvem rapidamente, então, logo Kenna descobre quem era o “S” que escrevia cartas para ela e abriu o coração nelas, mas também assim como Simon sabia, não havia a menor possibilidade de o primo dela permitir que a única filha de seu tio casasse com um homem sem qualquer título ou importância, não quando ele era o rei da Escócia e precisava pensar não apenas na família, mas no futuro do reino. Por outro lado, Stryder sequer deseja se casar, muito menos com alguém que sabe que ama outra pessoa, uma pessoa que ele considera sua família. Será que a confusão pode ser desfeita?
— Não sou um nobre e grandioso campeão de justas, Kenna. Sou apenas um homem que não tem nada a oferecer a uma dama como você. Durante um tempo, suas cartas me permitiram ser mais do que eu era. Perdoe-me pela dor que lhe causei.
Ele se virou e se afastou.
Lágrimas encheram os olhos de Kenna. Ela conhecia aquele homem. Conhecia em um nível que transcendia a amizade e o amor. Transcendia o entendimento e a razão. E certamente transcendia uma pequena omissão.
P. 96
O último conto, “Um Conto de Duas Irmãs”, nos leva de volta à trilogia Damas Rebeldes e ao nosso projeto de libertino, Ned Blydon, o visconde de Burwick. Nós vimos que ele foi a causa de alvoroço nos livros porque nossos queridos protagonistas eram indecisos, mas agora, com trinta anos, ele percebeu não estava ficando mais novo e provavelmente não encontraria o amor. Assim, como o pai havia passado a propriedade Middlewood para ele que não era atrelada ao título de conde seis anos atrás, Ned decidiu que pedir a mão da vizinha — Lydia Thornton, de vinte e dois anos — em casamento e somar oito hectares de terras às suas era uma boa ideia, afinal, quantas pessoas de sua classe não se casavam por conveniência? Ele certamente não seria o primeiro e nem o último.
— Bem, isso foi interessante — comentou Belle assim que teve certeza de que Charlotte não ouviria.
— O que foi interessante? — perguntou Ned.
—Isso. Ela. Charlotte.
Ele a encarou sem entender.
— Belle, seja clara.
Ela apontou com a cabeça na direção em que Charlotte tinha saído.
— É com ela que você deveria se casar.
P. 156-157
Tudo estava bem até a semana de festejos pré-casamento, quando a certeza dessa união de conveniência começou a ruir, principalmente quando ele conheceu a irmã mais nova de sua noiva, Charlotte.

Os dias que antecedem a cerimônia servem para Ned perceber como ele não conhece a noiva, como ele tem muito em comum com a futura cunhada e o quão complicada é essa constatação, afinal, sendo um cavalheiro, ele não pode simplesmente desistir do casamento. Assim, ele deve seguir em frente, mesmo sentindo que isso não é mais o certo a ser feito. Então, para nós leitores e para mim (quando digo que não gosto de Lydia) só fiquei esperando que ela desistisse, fizesse qualquer coisa, mas deixasse Ned livre, porque ela não o faria feliz, ela só o diminuía em seus comentários para a irmã e eu, como boa leitora e passadora de pano dos meus mocinhos, não gostei nem um pouco disso.
O que ele estava pensando? Não amava a mulher com quem ia se casar, ela não o amava e, francamente, ele nem poderia dizer que se conheciam. Só soubera, por exemplo, que Lydia era aficionada por poesia quando Charlotte lhe contara isso durante a caça ao tesouro (que, é claro, eles tinham vencido. Do contrário, qual seria o sentido de participar de jogos bobos?).
Mas esse não era o tipo de coisa que um homem deveria saber sobre a esposa? Principalmente se esse homem fazia questão de não incluir livros de poesia em sua biblioteca?
P. 183
O livro é rápido de ser lido, os contos são de séries que são nossas conhecidas e mesmo o conto que não é de uma série publicada pela Arqueiro, também tem uma escrita muito agradável. É aquela leitura leve e despreocupada para passar o tempo.


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25 dezembro, 2021


[Resenha] Indomável - Julia Quinn

Ficha Técnica 

Título: Indomável
Título Original: Minx
Autor: Julia Quinn
ISBN: 978-65-5565-216-1
Páginas: 336
Ano: 2021
Tradutor: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Henrietta Barrett, que atende desde pequena pelo apelido de Henry, nunca seguiu as regras impostas pela sociedade. Prefere calças a vestidos e, em vez de frequentar chás e bailes e fazer aulas de artesanato, administra pessoalmente a propriedade de seu idoso tutor, localizada em um canto remoto da Cornualha.
Mas quando seu guardião morre, as terras que Henry tanto adora vão parar nas mãos de um primo distante, um homem que pode ameaçar a vida que está acostumada a levar e também o ganha-pão das pessoas que ela mais ama.
William Dunford, o solteiro mais esquivo de Londres, fica surpreso ao saber que herdou uma propriedade, um título… e uma pupila decidida a expulsá-lo o mais rápido possível da Cornualha.
Henry está determinada a continuar administrando Stannage Park sem a ajuda do novo lorde, embora o charme que ele exala quase a faça esquecer as próprias convicções. Mas Dunford tem certeza de que pode mudar as coisas para melhor, começando por sua pupila indomável.
Só que transformar Henry em uma dama faz com que ela se torne não apenas a queridinha da alta sociedade, mas também uma tentação irresistível para o homem que pensava que nunca seria conquistado…

Resenha


Finalizando a trilogia Damas Rebeldes, chegou o momento de encontrarmos um par à altura do bom partido William Dunford e, por ele, pelo melhor amigo Alex e pelas amigas Belle e Emma, o par precisaria estar no mesmo nível, mas como encontrar outra Belle em Londres? Trazer outra Emma dos Estados Unidos? Fato é que, não tendo um título que o obrigasse a casar, não havia razão para Dunford, com apenas vinte e nove anos, correr para o altar com qualquer uma, até porque ele estava bastante satisfeito com a vida de solteiro. Por que mudar?
— Ah, por favor — zombou Belle. — Aposto que em um ano você vai estar amarrado, acorrentado e adorando isso.
Arabella se recostou no assento com um sorriso de satisfação. Ao seu lado, John estremecia de tanto rir.
Dunford se inclinou para a frente e apoiou os cotovelos nos joelhos.
— Aceito a aposta. Quanto está disposta a perder?
— Quanto você está disposto a perder?
P. 08
Porém, outra parte de sua vida mudaria em breve: com a morte de um primo de oitavo grau ele herdou um baronato e tornou-se, lorde Stannage, e com ele veio uma propriedade na Cornualha.

Tendo vivido sempre em Londres, Dunford não fazia a menor ideia de como administrar uma propriedade no campo. Certamente, ele precisaria contratar alguém para o trabalho, mas ele nem imaginava que já havia essa pessoa em Stannage Park e que era Henrietta Barrett, sua tutelada. Melhor: ele nem sabia que tinha uma tutelada.

Assim que chegou em Stannage Park, Dunford percebeu como a propriedade era próspera e os poucos criados fizeram questão de informá-lo de que isso era mérito de Henry — quem quer que fosse Henry — o que já lhe deu esperança de que havia alguém para cuidar do lugar, mas quando um incidente faz com que Henry apareça, Dunford descobre que na verdade se trata de Henrietta, que prefere a chamem pelo apelido e veste-se diariamente com calças e camisas masculinas — que por sinal é assim que ela conhece seu novo tutor.

Henry ficou órfã  aos oito anos e desde então vive em Stannage Park, lugar pelo qual se apaixonou desde o início. Ela foi criada por Viola — prima da avó dela — e seu esposo Carlyle, mas quando estava com catorze anos, Viola faleceu e Carlyle entrou em uma tristeza profunda de tal forma que Henry, mesmo sendo tão jovem, assumiu às rédeas da administração de toda a propriedade, algo que fez nos últimos seis anos, até recente morte de Carlyle. Porém, a chegada de um novo barão traz a incerteza sobre o seu futuro: ela continuará em Stannage Park? Quais são os planos de seu tutor para ela? Ele permitirá que ela continue administrando tudo? O certo é que ela precisa convencê-lo de que a Cornualha não é lugar para alguém de Londres. Mas precisa fazer isso cautelosamente.

Entretanto, os planos de Henry começam a dar errado quando percebe que seu novo tutor não é um homem velho como imaginava com mais de cinquenta anos e sim alguém muito jovem, vigoroso e extremamente bonito, além de ter um sorriso avassalador. 

Durante as poucas semanas que passa em Stannage Park, é clara a conexão que Dunford e Henry têm, mesmo que ela comece tentando expulsá-lo de lá, afinal ele percebe o plano e reverte a situação a seu favor. Mas é apenas depois de mais de uma semana que ele descobre que Henry na verdade não é apenas uma jovem solteira que vive lá e cuida de tudo, ela é sua tutelada, sua responsabilidade, cabia a ele levá-la para Londres, dar a ela a oportunidade de conhecer outras pessoas, casar, ter uma família e não viver ali escondida sempre.
— Diga uma coisa, Hen. Se você é capaz de supervisionar duas dúzias de criados, cuidar de uma fazenda em atividade e construir um chiqueiro, pelo amor de Deus, por que acha que não estará à altura da tarefa de passar por uma temporada social em Londres?
— Porque eu sei fazer tudo isso que você citou! — explodiu ela. — Sei montar a cavalo, sei construir um chiqueiro e sei como administrar uma fazenda. Mas eu não sei ser uma dama!
P. 123
Mas em Londres, o que nós leitores já havíamos percebido quando eles estavam na Cornualha, fica muito mais evidente para nossos protagonistas e a questão é apenas de quem cederá primeiro, quem demonstrará seus sentimentos e iniciará um romance que já deveria ter ocorrido desde os capítulos iniciais tamanha era a sintonia entre eles.

Mas também em Londres teremos o reforço de Belle, John e Alex, uma vez que Emma está gravidíssima em Westonbirt, e todos logo percebem que o amigo está completamente apaixonado, e que é correspondido, o que não poderia ser melhor.
Pare, Henry — pediu Dunford. — Basta ser você mesma e vai ficar tudo bem, eu prometo.
Ela olhou para ele. Depois do que pareceu uma eternidade, assentiu e disse:
— Bem, se você está dizendo… Confio em você.
Dunford sentiu algo oscilar em seu âmago e voltar ao lugar enquanto encarava as profundezas prateadas dos olhos dela.
P. 165
Bem, como falei antes, eu gostei bastante de Esplêndida, mas quando cheguei em Brilhante fiquei um pouco frustrada, mas Indomável certamente foi o melhor dos três e talvez Dunford tenha um papel importantíssimo nisso pois ele foi um personagem que eu adorei desde o início e, vejam, ele é primo das Smythe-Smith, lembram delas e seus recitais sofríveis? Pois bem. Melhor dos três, sem dúvida, e foi a melhor maneira de encerrar a trilogia, adorei!
— Às vezes, Hen — disse ele, sem se virar para encará-la —, eu acho até que daria a vida só por um sorriso seu.
P. 259

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04 outubro, 2021


[Resenha] Brilhante - Julia Quinn

Ficha Técnica 

Título: Brilhante
Título Original: Dancing at Midnight
Autor: Julia Quinn
ISBN: 978-65-5565-168-3
Páginas: 320
Ano: 2021
Tradutor: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Quando um pretendente diz a lady Belle que, por conta da beleza e da fortuna dela, está disposto a fazer vista grossa para as suas chocantes tendências intelectuais, ela decide se afastar do mercado casamenteiro e passar uma temporada no campo.
Belle não imaginava que, durante sua estadia, fosse conhecer lorde John Blackwood, um herói de guerra que a deixaria fascinada como nenhum outro homem da alta sociedade londrina fora capaz.
Apesar de já ter vivido coisas terríveis, nada aterroriza mais o coração atormentado de lorde John do que lady Arabella. Ela é inebriante, exasperante e… faz com que ele tenha sede de viver. De repente ele se vê escrevendo poesias ruins e subindo em árvores na calada da noite só para poder dançar com ela quando o relógio bater meia-noite.
Apesar de saber que nunca será o homem que ela merece, John não consegue parar de desejá-la. Será que quando a luz do dia substituir a magia da madrugada, os dois conseguirão deixar as diferenças de lado e se entregar ao amor?

Resenha


Depois da surpresa que foi Esplêndida, primeiro livro escrito pela Julia Quinn, Brilhante ficou um pouco longe do que eu imaginava. Mas vamos lá, porque chegou o momento de conhecer mais a prima de Emma, lady Arabella Blyndon.

Emma e Alex estão casados e estão vivendo em Westonbirt, residência da família em Oxfordshire e Belle está passando uma temporada com eles, uma vez que Ned já voltou para Oxford e os pais deles decidiram passar férias na Itália. Imaginem só um casal recém-casados sendo responsáveis por uma jovem dama… ainda mais Emma e Alex e a jovem dama sendo Belle…

Muito à vontade no campo, Belle tem aproveitado consideravelmente o tempo para cumprir seu desafio de ler todas as obras de Shakespeare em ordem alfabética — ainda que fique cada vez mais evidente que ela precisa de óculos, algo que ela não assume — e para ver como o casamento de sua prima é feliz e que é isso que deseja para si, o que a levará a enfrentar mais uma Temporada para talvez encontrar o amor de sua vida, o que pode ser muito frustrante, afinal, mais de um pretendente já havia lhe dito que sua inteligência e hábito de leitura eram fatores difíceis de serem aceitos. Quantos pedidos de casamento ela ainda poderia rejeitar até encontrar seu amor?
(…) Lorde Blackwood precisava de alguém, isso ficara muito claro. Alguém capaz de afastar a dor que nublada seus olhos quando ele achava que ninguém estava olhando.
Belle endireitou os ombros. Nunca fora do tipo que foge de um desafio.
P. 47
Em uma tarde, quase terminando o último livro do desafio, Belle descobriu que, ao contrário do que imaginava, não estava sentada debaixo de uma árvore nas terras de Alex, ela estava na propriedade vizinha. 

John Blackwood é o sétimo filho dos condes de Westborough. Mesmo vindo de uma família aristocrática, era uma família empobrecida e seu pai faleceu antes que soubesse que a esposa estava grávida novamente. Ele cresceu com a família em Shropshire, mas basicamente foi esquecido por todos, assim, depois de ter concluído os estudos e com o início da guerra ibérica, convenceu o irmão a comprar-lhe uma patente e foi para o exército, onde permaneceu até sofrer um ferimento que quase o deixou sem uma perna. 

Após retornar para a Inglaterra, manco e sem muitas opções, vendeu sua patente e investiu o dinheiro, o que lhe permitiu comprar a mansão Bletchford, propriedade em Oxfordshire. Também ao retornar, recebeu o título de barão pelos serviços prestados na guerra, o que não era muito bem aceito por muitos aristocratas, que acreditavam apenas nos títulos antigos, passados por gerações para os primogênitos herdeiros.

John viu muita coisa na guerra, mas uma particularmente mudou sua vida consideravelmente, ao ponto de ele acreditar jamais ser merecedor do amor de uma mulher. Por isso, ao se ver encantado por Belle, ele sabe que o certo é manter-se distante dela, pois ele não poderá dar a felicidade que uma mulher merece. Acontece que, após comprar a propriedade, ele descobriu que seu vizinho era o duque de Ashbourne, um amigo que fez no campo de batalha. Assim, quando Alex descobriu que o homem que salvou sua vida na guerra era seu vizinho, fez uma visita para retomar a amizade.
John tinha consciência de que estava prestes a levar a cabo uma das maiores reviravoltas da história, mas só podia torcer para que Belle compreendesse que ele se dera conta de que ela estivera certa o tempo todo. As pessoas cometiam erros, não? Afinal, ele não era um herói infalível dos livros.
P. 131
É claro o quanto John é solitário. Ele vive na propriedade que comprou com poucos criados que vieram na compra. Ele não tem qualquer contato com a família e claramente é da parte deles, que não o procuraram quando ele retornou ferido da guerra. O que é absolutamente diferente da família Blyndon, onde os irmãos Belle e Ned são amigos e muito próximos, os pais, os condes de Worth, que se amam e apoiam os filhos de forma que inclusive permitiram que Belle rejeitasse diversos pedidos de casamento por não serem da pessoa que ama.

Mas não é só John que está atraído por Belle, ela também se sente irresistivelmente atraída por John e não é apenas por sua beleza, mas pela vulnerabilidade que ela percebe no fundo dos olhos dele, algo que ele esconde debaixo de diversas camadas e, não sabendo o segredo que ele carrega da guerra, ela não entende quando ele se afasta dela, ainda que perceba que ele também está atraído.
— Já lhe disse que ri mais nas últimas semanas do que em toda a minha vida?
Sem palavras, Belle apenas balançou a cabeça.
— É verdade. Você provoca isso em mim. Não sei como fez isso, mas a verdade é que levou embora a minha raiva. Anos de mágoa, dor e cinismo me tornaram duro, mas agora consigo sentir o sol de novo.
P. 163
Ainda que o casal seja muito bom, senti que Belle não era a mesma personagem que me cativou no primeiro livro da série Damas Rebeldes, aqui ela não parece nem um pouco a mulher prática e objetiva e sim uma garota mimada que quer o que quer e na hora que quer e se mete sim em confusões por causa disso, algo que antes era tido como uma característica exclusiva de Emma.

Por outro lado, ter a “gangue” reunida foi incrível. Alex, Emma, John, Belle e Dunford juntos causam confusão na certa e a tia-avó de Alex, Persephone, que surge neste livro é incrível, consegue ser uma dama de companhia pior do que Emma, mas é divertidíssima e salva a pátria. 
(…) Ficou impressionado ao se dar conta de como aquilo era fácil - simplesmente permitir que ela lhe iluminasse o coração. John passara a manhã toda sorrindo.
P. 152
Estou agora ansiosa para que o livro que eu mais espero, de Dunford, chegue logo e que não frustre as minhas expectativas! Só vem, Dunford!

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04 julho, 2021


[Resenha] Esplêndida - Julia Quinn

Ficha Técnica 

Título: Esplêndida
Título Original: Splendid
Autor: Julia Quinn
ISBN: 978-65-5565-101-0
Páginas: 336
Ano: 2021
Tradutor: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Existem duas coisas que todos sabem sobre Alexander Ridgely. A primeira é que ele é o duque de Ashbourne. E a segunda, que é um solteiro convicto.
Isso até uma linda jovem se jogar na frente de uma carruagem para salvar a vida do sobrinho dele. Ela é tudo que Alex nunca pensou que desejaria em uma mulher: inteligente e engraçada, cheia de princípios e corajosa. Mas é uma criada, inadequada para um nobre. A menos que, talvez, ela não seja bem o que parece…
A herdeira americana Emma Dunster pode estar cercada por ingleses, mas isso não significa que pretenda se casar com um, mesmo tendo concordado em participar de uma temporada em Londres.
Quando ela sai da casa dos primos vestida como criada, só quer um último gostinho de anonimato antes de ser apresentada à sociedade. Em vez disso, vai parar nos braços de um duque perigosamente lindo. Em pouco tempo, fica claro para Emma que o amor floresce quando menos se espera e é capaz de derreter até o mais teimoso dos corações.

Resenha


Depois de ter lido tantos livros da Julia Quinn, ter a oportunidade de ler o primeiro livro que ela escreveu me causou uma sensação dúbia de felicidade e apreensão, afinal, já conheço a escrita dela e gosto bastante — mesmo não sendo a minha autora favorita do gênero — e normalmente o primeiro, ou os primeiros livros, nem sempre são os melhores, porque sabemos que os autores vão amadurecendo a escrita com a prática, como em qualquer profissão. Mas vou dizer uma coisa para vocês: adorei a história!

Emma Dunster é uma jovem estadunidense de vinte anos que vive com o pai em Boston. Mesmo ele sendo inglês, a criação de Emma está bem longe do recomendado para uma dama inglesa, afinal, sempre morou em Boston, e teve liberdade suficiente para aprender a gerenciar o negócio da família, o Estaleiro Dunster, algo que faz muito bem, e certamente melhor do que muitos homens. Entretanto, mesmo ansiando por assumir os negócios, ela sabe que a sociedade não aceitaria uma mulher à frente de uma empresa, mesmo que ela fosse muito boa. Por isso, John Dunster decide enviá-la para uma temporada em Londres, onde ficará com os tios e os primos (que estavam visitando-os em Boston). Conhecendo a filha que tem, capaz de se meter nas maiores encrencas por causa de seu gênio indomável e teimoso (tal qual ele), John deixou para informá-la da partida apenas um dia antes da viagem. 
— Emma, nós dois sabemos que não há outra pessoa para quem eu gostaria de deixar a empresa. Eu construí o Estaleiro Dunster do zero e Deus sabe que quero passá-lo para alguém do meu sangue. Mas precisamos encarar os fatos. A maior parte dos nossos clientes relutaria em fazer negócios com uma mulher. E os empregados não vão querer receber ordens suas. Ainda que você carregue o sobrenome Dunster.
Quase chorando diante da injustiça de tudo aquilo, Emma fechou os olhos. Ela sabia que era verdade.
P. 08-09
Claro que Emma já havia ido duas vezes para Londres, mas agora parecia que o pai queria se livrar dela, para que ela fosse apresentada à Sociedade e encontrasse um marido, como se ele não soubesse que o maior objetivo da vida dela era assumir o comando do Estaleiro Dunster, o que podemos dizer em parte que era sim parte do plano, por saber que será difícil demovê-la da ideia de assumir o Estaleiro.

Sob os cuidados da tia, Caroline Blyndon, irmã do seu pai, e do esposo dela, Henry Blyndon, conde de Worth, Emma será apresentada à Sociedade depois de alguns meses em Londres, e de muitas confusões, é claro, e a mais recente é protagonizada por ela e a prima, lady Arabella, no dia do baile de apresentação, quando se envolve em um acidente e conhece Alexander Edward Ridgely, o duque de Ashbourne.

Alex tem vinte e nove anos e todo mundo sabe que ele é um solteiro convicto. Claro que precisará de um herdeiro em algum momento, mas ele tem tranquilamente ainda tem uns dez anos de solteirice pela frente, quando deverá escolher uma dama sem muita personalidade com quem terá um herdeiro e depois esquecerá da existência. Porém, o destino tem outros planos ao colocar Emma em seu caminho.
— Acha que sou honesta demais? — perguntou Emma em um tom suave. — Ora, mas se eu ainda nem terminei… Nos conhecemos de forma menos convencional, o que provavelmente é o motivo pelo qual somos capazes de falar um com o outro com tanta sinceridade. Acho você um homem gentil mas muito severo, e acho que você é capaz de me magoar mesmo sem ter intenção. Vou ficar em Londres por poucos meses, e gostaria que a minha estadia aqui, com minha família, fosse a mais feliz possível. Por isso estou pedindo que você, por favor, fique longe de mim.
— Acho que não consigo.
P. 80-81
Um acidente os uniu, mas, por mais que Emma acreditasse que jamais esbarraria com Alex novamente pelo fato de ele não frequentar os bailes, a jovem que ele conheceu na manhã fará com que ele vá ao seu primeiro baile por vontade própria, sem ser obrigado pela mãe ou pela irmã; o baile de apresentação dela.

Alex ficou absolutamente encantado com Emma e seu cabelo ruivo — não bem-visto pela Sociedade — e temperamento altivo, algo que ele percebeu nos poucos minutos que interagiu com ela. E por isso realmente gravitará em torno de Emma, o que chama a atenção de todos, que apostam em quanto tempo ele pedirá Emma em casamento — o que os dois sabem que não há possibilidade de acontecer, afinal, assim como ele não quer casamento nos próximos anos, ela também não pretende casar, muito menos com um inglês, o que não permitirá que ela volte aos Estados Unidos e assuma a empresa.

Os meses em que Emma e Alex se tornaram amigos também serviram para ambos perceberem como se tornaram dependentes um do outro; a talvez repensar a decisão convicta de não se casar. 
Depois que ele beijou a mão dela pelo dobro do tempo apropriado — acrescentou Belle, empolgada. — Aliás, quando as pessoas pararam de comentar sobre como estavam chocadas por ele ter aparecido, não pararam mais de falar como ele parecia estar interessado em Emma.
P. 86
Além deles, que são personagens teimosos e que eu amei, há outros personagens na história: os primos, Belle e Edward William Blyndon, o visconde Burwick e mais conhecido como Ned; William Dunford, que é amigo de Alex desde Oxford e também amigo de Belle (na verdade ele cortejou Belle por algumas semanas, mas perceberam que não combinavam romanticamente e se tornaram amigos); e a  mãe e a irmã de Alex, Eugenia e Sophie, respectivamente.

A história é bem ágil e não se prolonga demais em situações desnecessárias. Adorei as confusões de Emma e a forma como ela lidou com o autoritarismo de Alex, acostumado a ter todas as vontades atendidas independente da situação e da exigência. Eu adorei os personagens, eu adorei a história e estou querendo mais, quero conhecer a história de Belle e quero mais, mais e mais!

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