17 agosto, 2019


[Resenha] Feitos de Sol - Vinícius Grossos

Ficha Técnica

Título: Feitos de Sol
Autor: Vinícius Grossos
ISBN: 978-85-9581-080-8
Páginas: 256
Ano: 2019
Editora: Faro Editorial
E se você soubesse que o mundo está prestes a acabar, qual seria o último momento que você gostaria de guardar para sempre? E se fosse sua última chance de seguir seu coração e descobrir um mundo novo de possibilidades? E se você encontrasse o verdadeiro amor prestes a enfrentar o bug do Milênio? Essas eram algumas das dúvidas que Cícero tinha em mente, no auge de seus 15 anos e prestes a vivenciar a virada dos anos 2000. Mas tudo isso mudou no instante em que Vicente atravessou o seu caminho e colocou tudo de pernas para o ar. A Faro Editorial lança em julho “Feitos de Sol”, o novo romance de Vinicius Grossos, um dos mais amados autores nacionais de YA. Vinícius incluiu nesta obra cenas que ele próprio viveu: a luta por aceitação em um lar religioso e o medo do fim do mundo. Neste romance, vamos acompanhar os planos finais de dois meninos que viram suas vidas se entrelaçarem quando um grande desastre estava prestes a acontecer. Vicente, um jovem reprimido por uma família extremamente religiosa e conservadora. Cícero, um garoto criado apenas pela mãe com muito carinho, mas com enormes dúvidas quanto ao seu papel no mundo. Unidos pelo destino em busca da última edição de uma revista da qual eram fãs, Vicente e Cícero vão descobrir o valor da amizade e do primeiro amor, o peso do ódio e do preconceito, e meio a momentos inesquecíveis em uma das décadas mais fantásticas: os anos 90. Um a história delicada e divertida sobre o primeiro amor e suas consequências.

Resenha

Todo o mundo teve um primeiro amor que deu certo ou não. E é muito comum ter aquele sentimento de novidade boa, aquele nervosinho, o frio na barriga, a emoção de um amor novo que a gente tanto procura depois de adulto. E que muitas vezes faz a gente se voltar pra literatura YA (pra jovens adultos) pra tentar lembrar como era ser adolescente e estar apaixonado. Por isso a leitura de Feitos de Sol é tão prazerosa: ela traduz em palavras a sensação do primeiro amor e de todas as descobertas que vem com ele.

O terceiro livro solo do Vinícius Grossos conta a história de dois meninos que se conhecem pouco antes do apocalipse. Ou pelo menos é o que eles acreditam. Cícero e Vicente acham que o mundo vai acabar na virada do século, por motivos bem diferentes: enquanto um acredita piamente no bug do milênio, o outro aposta no arrebatamento bíblico. Os dois se conhecem por acaso durante a busca pelo último número do quadrinho do seu super herói favorito e acabam desenvolvendo uma amizade sincera e inesperada. Apesar das dificuldades que encontram, como a família de Vicente ser ultra religiosa e não permitir que ele tenha contato com coisas “do mundo”, os rapazes se descobrem apaixonados. 

E toda essa paixão vem com um sentimento de urgência, tão comum em adolescentes, agravado pela proximidade do fim do mundo e contido pelas dificuldades de dois jovens que não saíram do armário e ainda não tem certeza de como lidar com seus sentimentos. É uma história bonita, às vezes triste, e principalmente muito fofa. Os dois meninos são uns amores (principalmente o Vicente, nossa, não me admira o Cícero se apaixonar por ele), o que faz a gente torcer por eles desde o comecinho. Até os coadjuvantes são carismáticos e cheios de personalidade, em especial a dona Emir, avó do Vicente. 

A ambientação me lembrou uma série chamada Everything sucks, que também se passa nos anos 90. Tanto na série quanto no livro, os elementos marcantes da época, como filmes e músicas, não estão simplesmente jogados lá, como referências aleatórias. Eles funcionam em benefício da história, como uma forma de criar a ambientação certa pro enredo sem nunca tomar espaço demais. São detalhes que ajudam a contextualizar a história e não um apelo vazio à nostalgia. 

A edição está uma gracinha, com uma ilustração lindinha na capa, e as cores evocam a sensação de ser um romance quentinho, daqueles que aquecem o coração mesmo. É uma leitura fluida (eu quase li todo de vez e não conseguia largar), que faz a gente querer ler tudo logo pra saber o que acontece com os personagens mas ao mesmo tempo querer que o livro dure pra sempre. Porque os personagens são uns fofos e eu quero ser amiga deles e abraçar e dizer que vai ficar tudo bem. 

Lá no final da ficha catalográfica tem dizendo que Feitos de Sol é classificado como ficção brasileira e romance LGBT. Mas ele também é um romance YA maravilhoso e daqui a alguns anos pode até ser considerado romance de época (rs). E em todas essas categorias ele é um livro lindo e bem escrito, com uma história de amor reconfortante e cheio de personagens fofos.

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P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob 😉
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15 junho, 2019


[Entrevista] Vinícius Grossos



Em 2016 entrevistamos Vinícius Grossos alguns meses após o lançamento de “O Garoto Quase Atropelado”, seu segundo livro, sendo o primeiro pela Faro Editorial. Quatro anos depois, aqui estamos de novo com uma nova entrevista, desta vez para descobrirmos um pouco mais da sua nova obra “Feitos de Sol” que chega às livrarias em Julho e que já se encontra em pré-venda na Saraiva, com exemplares autografados. 
"Faça sua lista de filmes para alugar no fim de semana, prepare as músicas para gravar na sua mixtape e faça uma viagem no tempo diretamente para 1999. Feitos de Sol é nostálgico, recheado de cultura pop, e tem aquele sabor de primeiro amor que a gente sente, independentemente da época. Final da década de 90... Cícero é um nerd de quinze anos, fã de quadrinhos e que acredita que o mundo vai acabar na virada de 1999, por causa do bug do milênio — quando os computadores de todo o planeta iriam se descontrolar por não terem sido programados para entender a mudança das datas. Hoje pode parecer loucura, mas muita gente acreditou nesse risco. E ele não estava sozinho. Na busca pela última edição da revista do seu herói favorito, ele conhece Vicente, um garoto de família religiosa com quem ele logo se identifica. Vicente também acredita no fim do mundo, mas por outro motivo: o Apocalipse. Com suas diferenças, crenças e afinidades, Cícero e Vicente vão juntos desbravar um mundo além do que conheciam e, no caminho, descobrir mais sobre si mesmos. Dois jovens com histórias de vida cheias de adversidades e reviravoltas, numa época em que tudo era ainda mais complicado... É quando aparece, sem avisar, o amor..."
Agora que vocês já conhecem a capa e sinopse de "Feitos de Sol", confiram a exclusiva entrevista com o autor Vinícius Grossos:
De Tudo Um Pouquinho: “Feitos de Sol” é o seu primeiro livro desde “O Garoto Quase Atropelado” escrito somente por você. Por que optou por este intervalo e qual foi o impacto dele na sua forma de escrever?
Vinícius Grossos: Esse intervalo foi consequência de me abrir para projetos em parceria. Os convites para “1+1: A Matemática do Amor” e “O Verão em que Tudo Mudou” chegaram em sequência, e eu senti que devia abraçá-los, porque eram condizentes com tudo o que eu estava construindo e faziam sentido para mim.
Depois disso, me mudei para São Paulo, passei por certas dificuldades emocionais que me colocaram num limbo psicológico que afetou totalmente meu ritmo de escrita.
Quando eu literalmente encontrei o sol, escrevi o livro novo em pouco menos de dois meses.
DTuP: No próximo mês de Julho será o lançamento de “Feitos de Sol”. Nos fale um pouco mais deste projeto.
VG: É um livro muito especial pra mim. Tem uma carga pessoal fortíssima, fala sobre a vivência de muitos jovens ainda hoje (por mais que se passe nos anos 90), e além de cultura nerd, tem o amor como motivador - o tipo de história que eu amo!
Nele, temos dois protagonistas, com histórias de vida diferentes, motivações diferentes, mas que são ligados por gostos em comum.
Gosto de pensar que a vida é um pouco disso: vários estranhos conectados por motivos afins!
DTuP: Você nasceu em meados da década de 90. Por qual motivo decidiu ambientar a história do livro em 1999?
VG: Por causa de um motivo em específico. O livro tem uma passagem de tempo, mas meus personagens têm 15 anos quando a história acontece de fato. Quando eu tinha meus seis anos, em 99', eu tinha a vivência religiosa como um mote muito forte. E, por muito tempo, morria de medo de perder todos que eu amava, porque o mundo iria acabar. Seria o grande retorno de Jesus!
Esse medo foi o motivador para escrever o livro e, imaginando eu com meus 15 anos, vivendo essa realidade, acho que seria terrivelmente "porra louca" - assim como Cícero e Vicente.
DTuP: Quando criança você queria trabalhar com quadrinhos, e os leitores mais atentos podem perceber que seus livros sempre trazem referências à este universo. Desta vez os quadrinhos serão de extrema importância para sua obra. Quais referências deste tipo de literatura você gosta de utilizar em seus trabalhos?
VG: Odeio os termos de alta e baixa cultura. Para mim, cultura é cultura e ponto. Então, dessa vez, eu mesclo e brinco com os grandes clássicos dos HQs e as revistinhas de banca, que a gente encontra facilmente. Os meninos são igual a mim: sem preconceito cultural.

DTuP: Em “Feitos de Sol” você vai falar pela primeira vez sobre religião. Se considera uma pessoa religiosa? Tal abordagem virá de uma relação pessoal sua com a mesma?
VG: Não religioso, propriamente dito. Mas muito espiritualizado, sim. Me sinto afim com praticamente todas as religiões e segmentos.
Mas, neste livro em especial, vou abordar como a espiritualidade, quando usada de um jeito errado, pode destruir uma vida. Porque, de certa forma, quase destruiu a minha.
Todas as religiões, praticamente, tem como base o amor. Algumas só se esquecem disso... hahaha
DTuP: Sua interação com os leitores pelas redes sociais é bastante forte. O quão importantes são estas ferramentas no auxílio da propagação de seu nome e de seus livros em pleno 2019?
VG: A conexão que eu tenho com meus leitores é um dos maiores presentes que a literatura trouxe para a minha vida. A maior função das minhas redes sociais é única e exclusivamente poder me conectar diretamente com eles. Quem é meu leitor, sabe, eu respondo todo mundo, gosto de conversar, de conhecê-los, de saber o que eles gostam ou não gostam. Mais do que autor, acho que eles me veem como amigo, e isso é maravilhoso!
DTuP: A crise no mercado editorial é conhecida por todos nós. Lá em 2016 você me disse que em 10 anos “gostaria de viver exclusivamente de livros”. A situação atual do mercado já lhe afetou diretamente? Ainda acha que é possível viver somente deste meio?
VG: Me afetou completamente... Não posso abrir muito o jogo, vai que eu sou processado! Mas eu tento encarar esse momento sombrio da melhor maneira possível. Eu não vou parar.
Enquanto tiver uma pessoa no mundo querendo me ler, aqui estarei eu.
DTuP: Você é uma pessoa musical e faz sempre questão de incluir músicas em seus livros e até mesmo criar playlists para eles. Podemos esperar mais músicas em “Feitos de Sol? Se sim, como será a importância delas nesta narrativa em especial?
VG: Totalmente sim! Mas músicas dos anos 90, é claro.
A música tem dois caminhos distintos na narrativa. Uma, é como quem já leu meus livros conhece. Elas estão ali, no pano de fundo, servindo como uma construção da narrativa e do ambiente.
Mas há uma playlist que... Hum... Ela é de extrema importância pro livro. E há uma mensagem escondida nela. Vamos ver se a galera descobre!

DTuP: Se o mundo fosse acabar na virada do ano, assim como na premissa de “Feitos de Sol”, o que você gostaria de ver ou fazer antes de morrer e por qual motivo?
VG: Acho que eu iria me recolher com a minha família e as pessoas que eu amo. Acho que gostaria de passar o fim do mundo em paz. Talvez no mar...
DTuP: Está claro pela sinopse que “Feitos de Sol” tratará de um romance entre dois jovens rapazes. Sendo o Brasil uma nação extremamente homofóbica, que tipo de mensagem você quer passar para os seus leitores, principalmente em um momento tão obscuro de nosso país?
VG: Eu já trabalhava com esse tipo de narrativa antes do país mergulhar num local onde máscaras caíram... E, agora, mais que nunca, quero que os meus livros cheguem ainda a mais pessoas. Seja um amigo no meio de uma ignorância que cega e mata. Somos fortes e estamos juntos.
DTuP: Sua escrita é muito visual e suas personagens muito ricas e verossímeis. Tem vontade de vê-las tomarem vida em alguma produção de audiovisual? Se acharia capaz em transformar seus livros em roteiros?
VG: Yaaaas. É um sonho, viu? Quem sabe em breve...
Na minha vida, os grandes sonhos chegam quando eu menos espero.
Torce por mim!
E sim, acho que adoraria ver minhas personagens na tela do cinema, e contribuir com isso, no roteiro, seria um presente (para mim e para os leitores).
DTuP: Nesses últimos quatro anos qual foi a melhor coisa que o mundo literário lhe proporcionou?
VG: Eu poderia falar que andei de avião pela primeira vez por causa dos livros, ou todos os lugares que conheci, mas, definitivamente, quando eu estou mal, triste, é o amor que recebo dos leitores que me ergue de novo. Então é o amor, a conexão que nasce e se alimenta através das minhas narrativas.

DTuP: Quando você veio em Salvador, durante a sessão de bate-papo, um garotinho pediu dicas para escrever, pois ele queria ser que nem você. Como se sente sabendo que consegue ajudar a dar uma voz aos jovens? Quais dicas você poderia oferecer para estes aspirantes a escritores?
VG: É uma honra. Mesmo. Mas tento a todo momento trazer para os novos leitores que a linha entre a publicação ou não é muito pequena. Apesar de exigir muito trabalho, e muito mesmo, eles não devem se rebaixar por ainda não serem publicados.
Tenho um mantra que gosto de usar até hoje. O Não nunca vai me parar. Ele geralmente me dá mais combustível pra correr atrás do que eu quero com ainda mais garra.
DTuP: Para finalizar, onde você quer que “Feitos de Sol” te leve? Quais objetivos você tem com este trabalho e que tipo de marca quer deixar com ele?
VG: Meu objetivo ao escrevê-lo, inicialmente, era me curar de um amor que me deixou destroçado. Depois ele foi se transformando em algo maior, e hoje acho que ele não é mais meu. Ele é de cada um que for ler e vai se conectar de amplas maneiras com o livro.
Eu estou apenas de coração aberto, com a certeza que fiz o meu melhor, e entreguei amor ao mundo. Você pode me dar o seu amor de volta?
_________

E aí? Vocês já leram algum livro de Grossos? Gostaram da entrevista? Estão ansiosos para "Feitos de Sol"? Lembro então que o livro já se encontra em pré-venda na Saraiva, e seu lançamento está marcado para  dia 16 de Julho.
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21 abril, 2017


[Resenha] O Verão em Que Tudo Mudou - Gabriela Freitas, Thaís Wandrofski & Vinícius Grossos

Ficha Técnica 

Título: O Verão em Que Tudo Mudou
Autor: Gabriela Freitas, Thaís Wandrofski & Vinícius Grossos
ISBN: 978-85-62409-92-9
Páginas: 304
Ano: 2017
Editora: Intrínseca
A vida às vezes guarda inúmeras surpresas. Sem avisar, ela muda de direção. Na hora você não entende, já que “tudo parecia estar bem”. Então percebe que havia sinais.... um sentimento, uma lembrança, um fato que parecia bobo, mas não era... É quando a gente entende que todo o caminho estava errado, que nada fazia muito sentido. Pelo menos, pra você. Fred sente-se absolutamente comum diante de um mundo com tanta gente especial. Lavínia, ao alcançar aquilo que parecia um sonho, algo pelo qual tanto lutou descobre que a nova conquista nunca foi realmente um desejo seu. E Sol, sem perceber, vive sempre à espreita, desconfiada, em constante alerta, tentando controlar tudo ao redor, na esperança de não se ferir novamente... Mas que controle podemos ter diante de tudo? Três jovens, de cidades distantes, com diferentes realidades, descobrindo o mundo a partir de suas próprias escolhas: complexo, difícil, libertador.Três histórias que se cruzam, no exato momento em que se coloca, diante de cada uma delas, uma exigência capaz de definir algo para o resto de suas vidas.

Resenha


Três autores nacionais se juntaram para um livro de contos, estes que se passam entre o meses de dezembro e fevereiro, época mais conhecida também como a do verão. Cada conto acompanha uma personagem distinta, e em mais ou menos 100 páginas somos apresentados ao seu pequeno universo e as questões pontuais de suas vidas.

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Com temas completamente diferentes e construções tão singulares quanto, os três contos possuem um fator em comum além da época do ano: sonhos. Iremos ver personagens, todos eles jovens, entrando na vida adulta, em processo de amadurecimento e com diversas dúvidas sobre quem eles querem ser no futuro. É baseado nesses sonhos, e principalmente nas mudanças necessárias para torná-los reais, que as histórias vão se desenvolvendo, e meio a isso, os conflitos, romances e muitas reflexões que surgem no processo.

O primeiro conto é escrito pelo Vinícius Grossos e é intitulado “Quando Infinitos se Encontram”. Lá é narrada a história de Frederico na véspera de Natal, um jovem que trabalha na livraria de sua cidade, e se depara com uma cliente o tanto quanto enfurecida logo na hora que ele precisa fechar a loja. Desse explosivo encontro, surge uma estranha e divertida jornada pela noite de Natal, com direito a astronautas, super-heróis e pizza.
Meus olhos se enchem de lágrimas, por algum motivo. Cada palavra dela me emociona de uma maneira insana. Eu me sinto confiante, livre, feliz. Sinto-me capaz.
Quero que essa sensação dure para sempre.
P. 49
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O próximo conto é o da Gabriela Freitas, e esta sem dúvidas é a história com mais nuances do livro. Aqui iremos conhecer a Lavínia que acabou de ser aprovada para a universidade, mas que não sabe ao certo se é isso que sua vida precisa no exato momento. Então, ela tira um mês de férias para colocar sua cabeça no lugar e talvez assim resolver suas pendências e conseguir decidir qual rumo tomar dali pra frente. “Mantenha-se Viva!” conta com um passado perturbador, um romance arrebatador, além de muita praia e sol.
– E vê se vai às praias.
– É a meta do meu verão.
– Não, não é isso!
– Não?
– A meta do seu verão é descobrir o que é que te faz feliz.
P. 110 
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A terceira e última história é sobre Sol e foi escrita pela Thaís Wandrofski. No conto “Pôr do Sol” acompanhamos a protagonista em seu processo de mudança, após sua melhor amiga lhe apontar um de seus defeitos. Decidida a melhorar e ser uma pessoa mais altruísta, Sol fará de tudo para colocar o próximo em primeiro lugar. E essa mudança virá regada a brownies, mensagens de texto e uma super festa de aniversário.
O espanto em suas feições agora é maior ainda e sinto uma pontada de felicidade. Se eu conseguir surpreendê-la é porque agi de forma correta. É porque fiz algo diferente. Uma mudança!
P. 228 
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Eu gostei de todos os contos, porém em graus diferentes. Todos os autores possuem uma boa escrita e usam e abusam de frases de impacto, estas que ajudam as diversas ilustrações do livro a enriquecerem a obra. O primeiro conto foi o que mais me identifiquei com as personagens, são acessíveis e extremamente carismáticas; já o segundo na minha opinião é o mais maduro dos três e que conseguiu desenvolver melhor a evolução da personagem principal; a última história foi a que menos me atraiu, não pela escrita ou pelas talvez por ser a mais simplória ou talvez por ter achado que algumas coisas se perderam no desenvolvimento.

Com uma edição belíssima, super ilustrada e colorida, “O Verão em que Tudo Mudou” é uma obra gostosa, com histórias bem escritas e personagens ricas. Vale dizer também que cada conto traz uma playlist selecionada pelos autores para enriquecer a leitura. Apesar de já não estarmos mais no verão, acredito que o livro é uma boa pedida para quem busca aquela leitura rápida, mas ainda assim, de qualidade.

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25 janeiro, 2017


[Playlist] 1+1: A Matemática do Amor


A Playlist de hoje é de um livro nacional, que apesar deste fato, possui em sua grande maioria músicas internacionais em sua história. “1+1: A Matemática do Amor” é uma obra que foi publicada no ano passado pela Faro Editorial, e escrita pelos jovens autores Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos.

Se me lembro bem, a maioria dessas músicas de fato aparecem durante os capítulos, e muitas vezes elas interferem e afetam as personagens principais. Ou seja, não estão lá meramente para preencher, mas sim, para enriquecer e complementar. Então, vamos às músicas:

Troye Sivan - FOOLS




Years & Years - Shine




Alabama Shakes - Gimme All Your Love




Carly Rae Jepsen - All That




Tove Lo - Thousand Miles




Pitty - Na Sua Estante




Broods - Bridges




 Paramore - The Only Exception




Oh Wonder - Without You




Phill Veras - Eu, Sim




Brandon Flowers - Crossfire




Ivete Sangalo - Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim





Há outras músicas no livro, e entre as demais canções, estão mais algumas obras de Troye Sivan, Florence + The Machine, Tame Impala, Kimbra, Lorde e Lily Allen. Para conferir a playlist completa, basta clicar aqui e escutá-la no Spotify. 

E aí, quais dessas canções vocês já conheciam e gostavam? Alguma novidade que foi uma boa surpresa aos seus ouvidos? Me diz nos comentários!
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16 outubro, 2016


[Resenha] 1+1: A Matemática do Amor - Augusto Alvarenga & Vinícius Grossos

Ficha Técnica

Título: 1+1: A Matemática do Amor
Autor: Augusto Alvarenga & Vinícius Grossos
ISBN: 978-85-62409-69-1
Páginas: 256
Ano: 2016
Editora: Faro Editorial
69Lucas e Bernardo são dois garotos, melhores amigos um do outro de toda a vida. De repente, recebem a notícia de que Bernardo irá se mudar com a família para outro país. Nesse momento, cada um a seu modo, percebe como valiosa era aquela amizade, algo que não queriam perder. Bernardo reage mal e se revolta. Lucas tenta transformar cada dia que resta com o amigo na melhor experiência de suas vidas. Ele escreve uma lista de coisas para fazer e pretende cumprir uma por uma, em todos os detalhes. Mas, a cada dia, o fantasma da separação os assombra com um cronômetro lembrando que o tempo se esgota e, ainda assim, os dois passam por grandes momentos juntos. Então os meninos percebem que há algo mais entre eles... um sentimento profundo, que não conseguem explicar e tornam todas aquelas experiências ainda mais intensas. Mas o que fazer com tudo isso quando se tem apenas 16 anos?

Resenha


As férias chegaram e Lucas e Bernardo pretendem aproveitá-las da melhor forma possível, porém um acontecimento inesperado coloca o plano dos dois em prova. Bernardo terá que se mudar para Portugal com os seus pais, e ele não gosta nem um pouco desta ideia. Lucas, apesar de também não ficar feliz com a notícia, fará de tudo para dar as melhores férias para seu melhor amigo. Então, ele decide montar uma lista cheia de aventuras para ambos completarem até o dia que Bernardo terá de ir embora.

Com os dias passando e o tempo juntos se esvaindo, Lucas e Bernardo começarão a perceber que o fim da longa amizade entre os dois é inevitável, e o que era um plano genial, começa a se mostrar uma grande repetição de erros. Enquanto tentam conservar a relação, os meninos desconfiam que talvez a afeição entre os dois seja algo mais do que mera amizade. Mas, para terem certeza disso, eles precisam de muitas coisas, incluindo o tempo que já não possuem mais.
Subimos pro meu quarto. Por sorte, ele era amplo e tinha uma cama de casal. Deitamos ali, um do lado do outro, e eu puxei o edredom por cima de nós dois. Depois da notícia da mudança pra um lugar tão distante, ficar perto do Lucas parecia ser a única coisa que ainda me ligava à vida que eu tinha antes de tudo.
P. 48 
“1+1: A Matemática do Amor” é uma obra escrita a quatro mãos pelos jovens autores Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos, e coincidentemente este é o terceiro livro publicado de ambos. Cada um dos rapazes ficou responsável por escrever em primeira pessoa a visão de um dos personagens principais, mas a escrita de Alvarenga e Grossos é tão unificada que é extremamente difícil notar uma mudança na linearidade da história e até mesmo na própria forma deles escreverem.

Apesar da premissa não ser exatamente uma das mais criativas, já que é normal vermos livros sobre casais que precisam se separar devido a distância, o verdadeiro brilho de “1+1” está nas personagens, que por serem tão bem escritas conseguem transparecer uma verdade rara de se encontrar, principalmente quando elas precisam carregar sozinhas o livro inteiro e convencer o leitor em menos de 300 páginas que a história delas poderia ser real. E felizmente isso acontece.
– Desculpa – ele disse após um tempo. – Não foi certo, não sei o que deu em mim.
– Tudo bem – falei, sem olhar para ele, e então o Bernardo se aproximou e parou ao meu lado, na janela.
– Eu queria que estivesse tudo bem. E quando estou ao seu lado, como agora… – A proximidade dele me arrepiou. – … sinto como se tudo fosse realmente ficar bem e que tudo de bom realmente poderia acontecer.
P. 136 
O desenrolar do livro em si também é muito gostoso, já que a todo momento os autores tentam criar situações que fogem do provável cotidiano que os protagonistas estavam acostumados a ter. Tanto Lucas quanto Bernardo se mostram personagens fortes e carismáticas, e poder observer como eles começam a descobrir que se amam e principalmente como eles lidarão com esta situação, é um prato cheio para qualquer leitor que goste de um bom desenvolvimento de personagem.

Além de todos os pontos positivos discorridos anteriormente, “1+1” possui uma capa lindíssima que consta com uma arte excepcional e com o título em alto relevo. Assim como todos os livros da Faro Editorial que eu tive contato, as páginas são bem grossas e no decorrer do livro há algumas belas ilustrações com traços bem fortes, e apesar delas não acrescentarem em nada à história em si, também não atrapalham. 
Sentado na cama sem entender nada, o Bernardo me olhou confuso. Só então me dei conta de que algumas das coisas dele também já estavam empacotadas, apesar de já ter visto que tudo o mais na casa se encontrava em caixas de papelão.
Mesmo sabendo que aquilo aconteceria de um jeito ou de outro, foi como um soco no estômago.
P. 177 
Para não parecer que eu gostei de tudo no livro, houve apenas dois fatos que me incomodaram, e sendo bem sincero, são pontos bem insignificantes que não mudam em nada a qualidade da obra. O primeiro deles seria o subtítulo, que eu primeiramente achei desnecessário, e que apesar de fazer todo sentido depois que li o livro, ainda me faz lembrar de traduções ruins de filmes estrangeiros. O segundo ponto seria uma passagem muito importante que foi afetada por uma das músicas utilizadas no decorrer da obra, senti que a canção acabou quebrando a cena e deixando-a forçada demais.

Até mesmo com estes pequenos detalhes, que de fato são irrelevantes, eu só tenho coisas boas a dizer sobre “1+1: A Matemática do Amor”. Muito mais do que um livro sobre amizade, ou até mesmo sexualidade, este é um livro sobre amor: seja ele amor próprio, amor entre amigos ou amor por terceiros. É uma celebração da vida escrita por talentosos jovens escritores, que através de uma narrativa bem poética, conseguem transpor ao leitor muita verdade e sentimentos.

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05 abril, 2016


[Entrevista] Vinícius Grossos


Ganhador de três categorias do primeiro Prêmio DTuP de Literatura, Vinícius Grossos arranjou um tempo para responder umas perguntinhas para o De Tudo um Pouquinho.

Bastante solícito, Grossos respondeu todas perguntas - e foram muitas -, dissecando desde como sua paixão pela literatura começou, passando pelos seus próximos trabalhos e até como se vê profissionalmente daqui há dez anos.
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Mostrando-se tão carismático quanto suas personagens e tão maduro e consciente sobre o mercado literário nacional, apesar de ter somente 22 anos, Vinícius sem dúvidas é um grande achado para a literatura, e sem dúvidas promete nos entregar surpreendentes obras pelos anos que virão, assim como fez com o elogiado “O Garoto Quase Atropelado”.

Confira agora a entrevista:
De Tudo um Pouquinho: Como surgiu sua paixão pela escrita? 
Vinícius Grossos: É engraçado comentar isso porque eu sempre fui uma criança muito ligada à leitura. Desde pequeno, eu preferia receber gibis do que brinquedos ou coisas do tipo. Com uns oito, nove anos, eu já dizia para todos que queria trabalhar com histórias em quadrinhos. Mas, na verdade, eu era um péssimo desenhista. O que eu gostava mesmo era de criar histórias. Com essa percepção, aos dezessete anos, comecei a escrever e não parei mais.
DTuP: Que autores e livros lhe inspiraram quando mais jovem, e quais lhe inspiram atualmente? 
VG: Eu amo a J.K. Rowling, mas gosto mais ainda de autores que conseguem transformar a rotina em algo interessante. É algo que eu busco para os meus textos. Mas para citar apenas um, acho que eu diria “O Apanhador no Campo de Centeio”. Ele foi o primeiro livro que eu me atentei que era possível escrever para adolescentes de uma forma profunda e poética.
DTuP: Seu primeiro livro escrito foi “Quatro Caminhos”, este que nunca foi publicado. Pode falar um pouco de seu conteúdo, e talvez nos dizer se um dia pretende lançá-­lo? 
VG: “Quatro Caminhos” seria uma quadrilogia com mais um spin-off já em mente. Eu escrevi até o terceiro da série. “Quatro Caminhos” é um Young Adult, que basicamente narra, principalmente, o cotidiano de quatro adolescentes que tem suas vidas entrelaçadas de uma forma muito curiosa. “Quatro Caminhos” é um xodó para mim. E eu pretendo sim publicá-lo... Mas no futuro. Ainda quero trabalhar bastante o texto, até deixa-lo satisfatório.
DTuP: Como é o seu processo de escrita?! 
VG: Meu processo na verdade não tem nada de interessante. É bem insano, na verdade. Eu sou uma pessoa organizada, mas na hora de criar, não consigo seguir um roteiro. Não consigo mesmo. Eu já tentei, e simplesmente odiei cada linha do que criei. Então me rendi. Hoje em dia, quando tenho uma ideia, uma premissa, se eu sentir que vale a pena, eu simplesmente sento e escrevo. As personagens ganham vida. A história se desenvolve. E quando percebo, já tenho um livro escrito.
DTuP: Definitivamente assinar com a Faro Editorial foi um divisor de águas em sua carreira. Qual foi a maior diferença entre publicar “Sereia Negra” e “O Garoto Quase Atropelado” em relação a editora? 
VG: Sim. Foi sim. Eu sempre quis estar numa editora que me levasse para uma Bienal, que colocasse meus livros nas livrarias. Eu não pedia muito... E isso não aconteceu com “Sereia Negra”. Acho que nunca vou esquecer do dia em que fui à uma livraria e encontrei meu livro lá, exposto, na área dos Mais Vendidos. Foi insano. Foi ver, de forma concreta, algo que eu sonhei e desejei por muito tempo.
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DTuP: Percebi que você sempre publica fotos que seus leitores lhe mandam dos seus livros nas livrarias. Qual é a sensação de ver seu livro à venda? E como foi ver “O Garoto Quase Atropelado” tantas vezes esgotado na Saraiva Online? 
VG: Então, é como se uma etapa que eu busquei muito estivesse concluída. Publicar um livro é só o começo, ainda mais quando o autor começa de baixo, com uma editora mais independente. Quando o autor tem que correr atrás de estar em feirinhas, ir conquistando um a um seus leitores. É um trabalho árduo demais. As pessoas veem um autor tendo fila na Bienal ou algo do tipo, e imaginam que é tudo um conto de fadas, que aconteceu da noite pro dia. Não. Não mesmo. Isso tudo é resultado de muito trabalho. Então sempre quando vejo fotos dos meus livros em livrarias, é sentir que cada gotinha de suor, cada dor de cansaço que senti, valeram a pena. E quanto às vendas, inegável dizer que fico muito feliz. Se o livro está esgotando, é porque está havendo procura: as pessoas têm lido, gostado e recomendado. Meu sonho é viver de literatura no Brasil. Sei que para isso, tenho um caminho bem longo a percorrer. Então, cada vez que sei que o livro esgotou mais uma vez, é como estar um passo mais perto desse sonho.
DTuP: Fica claro que “O Garoto Quase Atropelado” é um livro bastante íntimo. É difícil colocar tanta intimidade em uma obra, sabendo que milhares de pessoas irão lê­-lo? 
VG: Na verdade eu nem percebo o quanto de mim um livro tem até vê-lo pronto. Meu processo criativo é assim; há uma junção do que é ficção, do que é biográfico, do que vi acontecer com pessoas próximas. No final, acabo não sabendo dissociar de forma muito exata o que é real ou não.
DTuP: Pode falar um pouco da metodologia utilizada em “1+1: A Matemática do Amor”, obra que você escreveu com o Augusto Alvarenga? Como é escrever a quatro mãos? 
VG: Bem, é uma experiência interessante. Eu e o Augusto aprendemos demais um com o outro. Para fazer o livro ganhar vida, nós dois tivemos que abrir mão de muitas coisas que pensamos e queríamos para o livro. Mas no final, o resultado agradou a ambos. Então, em “1+1” temos dois protagonistas. Basicamente eu narro um, o Augusto outro, e o livro acontece com capítulos intercalados.
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DTuP: Seus livros são cheios de referências musicais. Qual a importância da música no seu processo criativo? 
VG: Eu sempre estou ouvindo música. Sempre. Então isso acaba refletindo quando estou criando. Acho que no livro em si, a música traz uma real aproximação personagem-leitor. É legal saber que tal personagem está ouvindo aquela música que você gosta num momento parecido com o que você viveu. Agora para mim, como autor, a música faz com que eu me situe no clima do livro. Por exemplo, se estou escrevendo uma cena feliz, as músicas que eu escolho me ambientam melhor em tal situação.
DTuP: Muitos blogs lhe elegeram o autor revelação de 2015. Esse reconhecimento de alguma forma lhe pressiona ao escrever seus próximos trabalhos? 
VG: Eu até hoje fico realmente chocado e muito muito feliz com tudo isso. Mas eu não diria que me pressiona. Eu diria que me incentiva. Sei que para algumas pessoas, nada do que eu escrever vai ser melhor que “O Garoto Quase Atropelado”. Para outras, “1+1” vai ser o favorito. Vai ser sempre assim. Então o que tento fazer é pegar esse apoio como um incentivo para sempre melhorar.
DTuP: Como autor iniciante, qual foi a crítica mais difícil de se ouvir? 
VG: Eu acho que críticas são SEMPRE bem-vindas, quando fundamentadas. Uma vez uma menina insinuou que eu plagiei outro livro. Doeu. Mas eu preferi seguir, fazendo o meu trabalho, e respeitei a opinião dela. No fim, peguei o que era produtivo daquela crítica, e o resto deixei de fora do meu coração.
DTuP: Por outro lado, você já está construindo um grupo de leitores fiéis. Como eles lhe afetam? Saber que há fãs ávidos por seus futuros trabalhos lhe assusta? 
VG: Eu não diria que assusta. Mas me excita. Dá vontade de contar todas as novidades, meus planos, o que eu imagino e etc... Ainda bem que eu sou controlado e mantenho segredo! Mas sim, eles me afetam muito. Em muitos momentos, eu estava com vários problemas acontecendo, e uma mensagem de um leitor tornava meu dia melhor. Então eles me tocam, mas dessa maneira mais pura e feliz. 
DTuP: Para você, qual o principal motivo das pessoas curtirem e se identificarem tanto com seus livros? 
VG: Acho que simplesmente pela sinceridade ao qual apresento minhas personagens. Eles não são perfeitos, nem tentam ser. São personagens cheios de traumas, dores, e não tenho medo de lhes expor. De dissecar isso. De enfrentar esses demônios.
DTuP: Além de “1+1: A Matemática do Amor”, que será lançada ainda este ano, você recentemente postou em suas redes sociais que está trabalhando em um novo livro. Pode falar um pouquinho sobre ele? 
VG: Este livro segue a linha de “O Garoto Quase Atropelado” e “1+1”, ou seja, é um novo jovem-adulto. Eu não quero contar muita coisa para não estragar a experiência de ninguém, mas digamos que neste livro, mesmo que tenha sua carga dramática, a relação dos personagens principais é o que norteia a história.
DTuP: Profissionalmente, onde você se vê daqui há 10 anos? 
VG: Vivendo exclusivamente de livros.
DTuP: Se você pudesse ter escrito um livro que já foi publicado por outra pessoa, qual livro seria? Por que? 
VG: “Eu Sou o Mensageiro”, do Markus Zusak. Este livro me toca e mexe comigo de diferentes maneiras. Eu acho incrível e sublime, com uma narrativa incomum, própria.
DTuP: Já imaginou alguma de suas obras como filme?! Como você acha que seria essa experiência? 
VG: Sim! Hahaha Sempre imagino. Algumas vezes vejo algumas fotos no Instagram de pessoas que parecem com as personagens... Salvo tudo! Acho que “O Garoto Quase Atropelado” daria muito certo numa adaptação, enquanto “Sereia Negra” seria belo ver nascer como animação. Porém, a concretização de qualquer projeto meu seria um passo fantástico; seria incrível ver o que sonhei e planejei na minha cabeça, ganhando as telas. Quem sabe um dia...
DTuP: Após várias campanhas e e-­mails enviados à editora, você e o Victor Bonini finalmente farão uma tarde de autógrafos em Salvador. Além de comer muita cocada, o que você espera dessa visita? 
VG: De verdade, meu coração está transbordando de gratidão. Muita gratidão mesmo. Ir para Salvador por causa da demanda do pessoal é algo que, sei lá, eu nunca imaginei acontecendo comigo, de uma forma tão rápida. De forma geral, espero um público muito caloroso, cheio de braços abertos para receber os meus abraços e o meu carinho!
DTuP: Para terminarmos, pode enviar uma mensagem para seus leitores do blog, e talvez convidar aqueles que ainda não conhecem o seu trabalho, a conhecê­-lo? 
VG: Ei pessoal do Blog DTuP. Muito obrigado pelo convite, mesmo! É bom ter um espaço para me expressar e ser completamente sincero. Tácio, valeu pelas perguntas! Adorei responde-las. E para os leitores do blog, eu sei que o dinheiro tá curto, e que é muito legal ler aquele livro que vai virar filme e todo mundo está comentando sobre. Mas dê uma chance aos nacionais. Dê uma chance para algum livro de autor brasileiro te conquistar. Certamente algum vai te tocar. Beijos!

Então é isso. Obrigado ao Vinícius pelo tempo e paciência em responder todas as perguntas. Lembrando para quem é de Salvador e região, que nesse fim de semana, dia 9 de Abril, terá um Clube do Livro especial na Saraiva do Shopping da Bahia às 15h com a presença do Vinícius e do Victor Bonini, autor de “Colega de Quarto”.
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07 dezembro, 2015


[Conhecendo o Autor] Vinícius Grossos


Olá leitores do Blog “De tudo um Pouquinho”, meu nome é Vinícius Grossos e eu estou aqui para contar um pouquinho da minha história para vocês!

Eu tenho 22 anos, e menos de 2 anos de carreira, o que é incrível pelo tanto de coisas boas que já me aconteceram! Eu nasci no Rio de Janeiro, e minha família ainda mora no estado, em Duque de Caxias. Atualmente, moro sozinho em Juiz de Fora, cidade do interior de Minas Gerais, onde curso jornalismo na Universidade Federal de Juiz de Fora. Mas assim, sinceramente? Cada dia que passa tenho mais certeza que a literatura é a minha grande paixão!


Meu primeiro livro escrito foi o ‘Quatro Caminhos’, que seria uma série de quatro livros. Os três primeiros foram escritos entre 2009 e 2012. Eu cheguei até a assinar contrato com uma editora, que ficou com os direitos do livro por dois anos e não chegou a publicar!

Isso me deixou muito frustrado, porque eu pensei que a pior parte era procurar editora. Com essa frustração, acabei tendo uma ideia completamente diferente de tudo o que eu escrevi, e me aventurei pelo gênero fantasia. Foi aí que surgiu a ideia para escrever Sereia Negra, que foi escrito no ano de 2013, e veio a ser publicado em maio de 2014, pela Editora Selo Jovem.


Por causa de Sereia Negra, passei a ser convidado para inúmeros eventos, para poder divulgar o livro, ao mesmo tempo em que comecei a escrever O Garoto quase-atropelado, já voltando para o Young-adult, gênero que mais me agrada.

Assinei contrato ainda em 2014 pela Faro Editorial, e o livro foi lançado em setembro de 2015. E desde então, estou simplesmente encantado com a repercussão que o livro tem alcançado. Desde sempre eu sabia que OGQA não era uma história fácil, mas as pessoas têm sido tocadas pelas minhas palavras, e isso é o que mais me deixa feliz.

Para o ano que vem, já estou com alguns projetos planejados. Se você quiser ficar por dentro de tudo, curta a minha página Vinícius Grossos, e me siga no instagram: viniciusgrossos e snap: vngrosso.

Eu sempre converso com os meus leitores e vou adorar conversar com você! Beijos!

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

Curtiram conhecer um pouco mais o Vinícius? Pois eu também amei conhecê-lo na Bienal, quando fui pegar o autografo de Tácio e por falar nisso, já viram a resenha que ele fez de O Garoto Quase Atropelado? Fiquei na curiosidade depois disso e terei de ler também ;)

 



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16 novembro, 2015


[Resultado] Promoção O Garoto Quase Atropelado


Olá meus queridos, como vocês estão???

Quem está muito ansioso para saber quem é o sortudo que irá receber em casa um exemplar do livro O Garoto Quase Atropelado, do Vinícius Grossos??



a Rafflecopter giveaway

Parabéns Douglas Fernandes!!! Você recebeu um e-mail e tem 72 horas para respondê-lo para garantir o seu prêmio. Mas caso o prazo expire e não haja resposta, um novo sorteio será realizado.

Galera, super obrigada pela participação de todos e lembro que ainda temos a promoção Colega de Quarto, do livro do Victor Bonini e a promoção Para todos os garotos que já amei, do livro da Jenny Han rolando aqui no blog!

Aproveito também aqui para falar que estamos apoiando a campanha que está rolando no Facebook para trazer o Vinícius Grossos e o Victor Bonini aqui para Salvador, então, para a galera da região, vamos divulgar e agitar?? É só clicar aqui!!

Beijos e boa sorte!!!!
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17 outubro, 2015


[Promoção] O Garoto Quase Atropelado


Olá meus queridos, como vocês estão???

Quem está afim de participar de uma promoção??? Então, vocês devem ter visto a resenha do Tácio do livro O Garoto Quase Atropelado e para quem curtiu bastante e ficou com vontade de lê-lo, chegou a oportunidade de ganhá-lo.


Prêmios:
 Livro O Garoto Quase Atropelado

Informações:
 Seguir o blog publicamente;
 Deixar um comentário nesse post dizendo que está participando;
 Não esqueça de ler o Terms & Conditions que está incluso no Rafflecopter;
 Ter endereço de entrega no Brasil;
 A promoção vai de 17 de outubro à 14 de novembro;
 Para se inscrever basta inserir suas entradas no formulário Rafflecopter abaixo;
 Será apenas um ganhador;
 Caso o ganhador mande os dados para o envio do livro errado, o mesmo será sorteado novamente;
 O sorteado terá 3 dias para retornar o e-mail com seus dados, ou um novo sorteio será realizado;
 Na opção twittar sobre a promoção, basta clicar no ícone do twitter que uma janela aparecerá com a mensagem que você deve twittar e é só confirmar e depois copiar o link e colar no local indicado;
 Usar o tweet about the giveaway apenas 1 vez por dia;
 O prêmio será enviado pela Faro Editorial em até 45 dias.

a Rafflecopter giveaway

Beijos e boa sorte à todos!
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06 outubro, 2015


[Playlist] O Garoto Quase Atropelado


A obra de Vínícius Grossos, como eu disse na resenha, traz diversas referências musicais. O autor inclusive indica que caso seus leitores não conheçam as músicas, que escutem as mesmas.

Como a seleção é muito boa, vou compartilhar aqui com vocês uma playlist que embala uma excelente cena do livro. Na verdade, a playlist tem 17 faixas, vou separar algumas… e pra saber o restante, só basta ler o livro! =P

Charlie Brown Jr. - Só os Loucos Sabem




Lorde - Team




Amy Winehouse - Tears Dry On Their Own




Two Door Cinema Club - What You Know




Florence and The Machine - Only If For a Night




Lana Del Rey - Blue Jeans




Hurts - Sunday




 Snow Patrol - Called Out In The Dark




Paramore - Ain’t It Fun




Sia - Elastic Heart




MGMT - Time To Pretend





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02 setembro, 2015


[Resenha] O Garoto Quase Atropelado - Vinícius Grossos

Ficha Técnica

Título: O Garoto Quase Atropelado
Autor: Vinícius Grossos
ISBN: 978-85-62409-46-2
Páginas: 272
Ano: 2015
Editora: Faro Editorial
16Um garoto sofreu com um acontecimento terrível. Para não enlouquecer, ele começa a escrever um diário que o inspira a recomeçar, a fazer algo novo a cada dia. O que não imaginou foi que agindo assim ele se abriria para conhecer pessoas muito diferentes: a cabelo de raposa, o James Dean não-tão-bonito e a menina de cabelo roxo, e que sua vida mudaria para sempre! Prepare-se para se sentir quase atropelado de uma forma intensa, seja pelas fortes emoções do primeiro amor, pelas alegrias de uma nova amizade ou pelas descobertas que só acontecem nos momentos-limite de nossas vidas. Estar vivo e viver são coisas absolutamente diferentes!

Resenha


Algumas feridas são tão profundas, que levam certo tempo para se fecharem. Após uma grande perda acontecer em sua vida, o garoto quase atropelado (ele não tem nome, para que o leitor possa se colocar em seu lugar) encontra em um diário sua rota de fuga, uma maneira de extravasar e colocar para fora todos os seus sentimentos, angústias e memórias.

Durante esse processo de cura através da escrita, o garoto quase atropelado irá conhecer três jovens adultos que irão mudar sua vida completamente, de uma forma rápida e eletrizante, fazendo com que os quatro compartilhem de uma amizade especial e avassaladora, como um aterrorizante, porém libertador, passeio de montanha-russa.
Eu não sabia aonde eu estava indo com aqueles estranhos, mas estava feliz. Feliz mesmo. Pela primeira vez em muito tempo eu me sentia vivo. Sentia-me quase atropelado.
Pág. 28
Em conjunto com a cabelo de raposa, o James Dean não-tão-bonito e a menina de cabelo roxo, o garoto quase atropelado irá compartilhar aventuras excepcionais, recheadas de drama e romance, que levarão as personagens, e o próprio leitor, para um universo de descobertas e perdas, onde somente o poder da amizade – com a ajuda da escrita –, será capaz de amenizar a força das surpresas que a vida trás.

“O Garoto Quase Atropelado” é uma obra de sentimentos, com uma narrativa poética e eventos com um teor humano fora do normal. O autor Vinícius Grossos não mede esforços para estar sempre surpreendendo o leitor, colocando suas personagens em situações delicadas, conseguindo trabalhar muito bem diferentes contextos em diferentes tipos de pessoas.

O fato do personagem que escreve o diário não ter um nome é fenomenal, e apesar dos nomes reais dos outros três serem revelados durante a leitura, a utilização dos apelidos reforça essa ideia de codinome, que acaba gerando uma aproximação entre leitor e personagem, devido a humanização da mesma.
É que estamos falando de coisas centrais na vida de uma pessoa e, fora a loucura de cada um de nós, há um mundo com um monte de gente que reage diferente e interfere também nas nossas vidas… Acho que isso é uma busca sem fim.
Pág. 75 
Quando a Faro Editorial nos enviou a sinopse do livro, eles nos disseram que “O Garoto Quase Atropelado” era ‘na pegada de As Vantagens de Ser Invisível’. Quando comecei a ler o livro notei diversos pontos que me lembraram instantaneamente a obra de Stephen Chbosky: o menino que sofre uma perda e só consegue se expressar bem através da escrita, a utilização de referências músicais, a composição dos amigos e até mesmo uma passagem que lembra a emblemática cena do carro. Não vou negar, essas semelhanças me preocuparam bastante no início, mas independente da inspiração/coincidência, Grossos prova que sua obra vai muito além dessa ‘pegada’.

Vinícius, como eu já disse, tem uma narrativa poética, porém com um conteúdo extremamente delicado e sensível. “O Garoto Quase Atropelado” cruza a barreira da já batida história de adolescentes que festejam, se divertem, arrumam confusão, se apaixonam e no final vivem felizes para sempre. Aqui, as personagens são reais até demais, elas têm medos, elas têm dúvidas, elas choram e também sangram.
Apesar dos aborrecimentos, das dores, das lágrimas, havia, lá no fundo, misturado com tudo isso, a alegria, os sorrisos, os beijos e aquela sensação de se sentir quase atropelado. Era como poder, enfim, abrir os olhos e enxergar o mundo que estava à minha espera, me chamando para viver; me chamando para sentir.
Pág. 148
“O Garoto Quase Atropelado” é evidentemente uma leitura densa e que mexe com o leitor. Grossos utiliza de diversos problemas da sociedade e coloca tudo em seu livro, sem ter vergonha de mexer na ferida, sem ter medo de deixar o leitor desconfortável. E é isso que ele quer, conscientizar, propagar a ideia de que a violência - em suas mais diversas formas - existe, mas que ela pode e deve ser combatida… e principalmente, superada.

Apesar de alguns clichês, de algumas semelhanças com obras x ou y, preciso ficar de pé para Vinícius Grossos. Seu livro prende e emociona, trata da vida e da morte – e de tudo que há no meio –, de uma forma bela e ao mesmo tempo crua. Parabéns também à editora, que fez um belo trabalho de capa, além de ter uma edição maravilhosa e uma das melhores folhas de papel que eu já vi. Para finalizar, sem querer ficar preso as comparações, mas já comparando, tenho que dizer que em certo momento achei que “O Garoto Quase Atropelado” podia ser mais um livro de John Green, e para mim este é um grande elogio.



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