Ficha Técnica
Título: King of Thorns
Título Original: King of Thorns
Autor: Mark Lawrence
ISBN: 978-85-66636-24-6
Páginas: 535
Ano: 2014
Tradutor: Dalton Caldas
Editora: DarkSide® Books
King of Thorns - A terra arde com o fogo de centenas de batalhas enquanto lords e pequenos reis lutam pelo Broken Empire. O longo caminho para vingar o massacre de sua mãe e irmão mostrou para o Príncipe Honorous Jorg Ancrath os atores por detrás dessa guerra sem fim. Ele viu o jogo e se comprometeu a varrer o tabuleiro. Primeiro, entretanto, ele deve reunir suas próprias peças, aprender as regras do jogo, e descobrir como rompe-las.
Resenha
Mark Lawrence dá continuidade à sua Trilogia dos Espinhos regada a muita fantasia e crueldade. “King of Thorns” é o exemplo que bons personagens e uma excelente estória conseguem construir uma obra espetacular, mesmo quando os fatos dão ideia ao leitor de que nada está realmente acontecendo.

Neste segundo volume, Jorg já está com seus 18 anos de idade e também já se tornara rei, mas não exatamente da forma que ele esperava. Quatro anos após os eventos de “Prince of Thorns”, iremos acompanhar Jorg e sua fiel trupe tendo que lidar com uma guerra, na tentativa de salvar seu castelo que está sob ameaças do Reino de Arrow.
Neste meio tempo, Jorg precisa lidar com o seu casamento com uma princesa, mesmo quando supre sentimentos por outra pessoa. E para colocar mais lenha na fogueira, um príncipe, Orrin, procura Jorg para obter sua ajuda em uma empreitada que será de extrema importância para transformar nosso anti-herói em um Imperador.
Gog saltou por detrás dele. Pegou minha mão que a necromancia se enraizou em mim. Há um toque de morte em meus dedos, não só frieza. As flores murcham e morrem. [...]
‘Medo’, ele disse, apertando mais a minha mão. Eu podia sentir o calor surgindo de seus dedos. Talvez anulasse o frio dos meus.’Medo’.
Pág. 44
Ainda com sede de vingança pelo o que aconteceu com sua mãe e seu irmão mais novo, o agora mais velho Rei Jorg irá perceber que nem tudo que julgava ser importante, lhe é realmente primordial. Novas prioridades surgem em seu caminho, e desta forma iremos acompanhar através de flashbacks, os acontecimentos de quatro anos antes, e assim, acompanhar também seu crescimento e amadurecimento.
A ideia central de “King of Thorns” é muito parecida com a do livro anterior, porém Lawrence opta por algumas mudanças em sua escrita. Para começo de conversa, o livro contém quase 200 páginas a mais, se comparado com “
Prince of Thorns”. Isso mostra que o autor desenvolveu muito mais suas ideias, prezando por uma narrativa que brinca com o passado e presente do começo ao fim.
Porém essa brincadeira teve um custo alto. Diferente do primeiro volume, os capítulos são mais longos e descritivos - não que a descrição atrapalhe em algo -, mas eu senti que a leitura devido ao tamanho dos capítulos, se tornou um pouco mais arrastada do que a do livro anterior, principalmente pelo fato da obra não conter travessões, o que exige bastante atenção por parte do leitor para notar quem está falando, quem está respondendo, e por aí em diante.
Tirando esse fato que realmente me incomoda, e que me fez demorar mais do que eu esperava para ler a obra, só tenho elogios para
Mark Lawrence. “King of Thorns” consegue ser mais obscuro e cruel do que “Prince of Thorns”, tendo em sua narrativa um misto de aventura, fantasia e horror - e até romance -, tudo que a DarkSide preza em seus lançamentos. Tem uma passagem em especial no livro que me chocou bastante, e que faria qualquer fã de Graciliano Ramos e sua eterna Baleia, ficarem de cabelos em pé.
Eu havia puxado um único pino para libertar o nubano anos atrás, mudanos atrás. Eu puxei um pino e ele levou duas vidas no mesmo instante.
Aquele Jorg teria puxado este pino também. Aquele Jorg teria puxado este pino sem pensar por um momento nas crianças aglomeradas em volta de um engolidor de espadas, na subsistência de dançarinas e acrobatas, nos habitantes da cidade ou na vingança da Raiz-Mestra.
Pág. 164/165
Um ponto bastante positivo neste volume é a evolução da personagem principal. Ver as diversas possibilidades que Jorg consegue exercer, desde seu lado mais sentimental até o seu lado mais psicopata, faz com que o leitor fique obcecado com tamanha proeza do autor em guiar um ‘ser’ tão único como Jorg. Mesmo quando ele parece estar errado, não tem como não gostar dele, e não é atoa que ele carrega praticamente sozinho, mais um livro inteiro nas costas.
No mais, “King of Thorns” se mostra uma obra rica, que traz em suas páginas o melhor do segmento de fantasia da atualidade. A bela edição de capa dura e muito bem editada pela DarkSide só aumenta mais ainda todos os pontos positivos deste universo criado por Mark Lawrence. Agora é cair de cabeça em “Emperor of Thorns”, e desvendar as surpresas que aguardam o desfecho da trilogia.
Ela cheira como a primavera. Eu estou próximo agora e ela parou de se afastar. Estou próximo e há uma força entre nós, formigando em minha pele, sob as maçãs do meu rosto, tremendo em meus dedos. É difícil respirar. Eu a desejo.
Pág. 241