09 agosto, 2016


[Resenha] O Mensageiro - Lois Lowry

Ficha Técnica

Título: O Mensageiro
Título Original: Messenger
Autor: Lois Lowry
ISBN: 978-85-8041-567-4
Páginas: 160
Ano: 2016
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Arqueiro
Capa nove regras a ignorar_19mm.inddHá seis anos, Matty chegou ao pacato Vilarejo. Sob os cuidados de Vidente, um cego que tem uma visão especial, ele amadureceu e se adaptou à nova vida. Agora, espera receber seu nome verdadeiro, que determinará seu valor ali, como ocorre com todos os habitantes. Contudo, algo nefasto está se infiltrando no Vilarejo, e os moradores, antes orgulhosos de receber forasteiros, passam a exigir que as fronteiras sejam fechadas para se protegerem. Por ser um hábil mensageiro, Matty é encarregado de avisar os outros povoados sobre o bloqueio. Sua missão também tem outro grande objetivo: buscar Kira, a filha de Vidente, antes que seja tarde demais. Ele é o único capaz de viajar pela Floresta, que já provocou algumas mortes. O problema é que ela também está se tornando um lugar perigoso para o garoto. Mas muitos dependem de Matty. Então, armado apenas de um poder recém-descoberto, ainda incompreensível e incontrolável, ele se arriscará a fazer o que talvez seja sua última viagem.

Resenha


Blog parceiro ArqueiroMatty chegou no Vilarejo ainda pequeno, após fugir de sua própria vila e cruzar a densa floresta que ronda o local. Desde então, o menino foi criado por Vidente, um sábio que apesar de ser cego, consegue ver coisas que ninguém mais consegue. Como cada pessoa no Vilarejo precisa ter uma função, essa que denominará o seu futuro e definitivo nome, Matty é encarregado de ser o mensageiro, aquele que entregará as mensagens e cartas tanto dentro da vila, como nas demais áreas ao redor.

Porém, o pacato e acolhedor Vilarejo sofre com uma estranha mudança: as pessoas estão se transformando, se tornando ignorantes e extremamente grosseiras e individualistas. É decidido então, que as fronteiras irão fechar, e ninguém mais irá sair ou entrar do Vilarejo.

Matty então é encarregado de avisar as demais vilas da decisão, ao mesmo tempo que precisa procurar e trazer em segurança a filha de Vidente, Kira, que mora em uma vila nas mediações. O grande problema é que a já amaldiçoada floresta, a qual Matty é o único que consegue atravessar há anos, está mais obscura do que nunca, e o jovem não faz ideia se desta vez, ele continuará sendo poupado pela mesma.
– Já vai para a Floresta outra vez?
Matty suspirou. Não havia escapatória.
– Volto antes de escurecer.
– Tudo bem. Mas acenda o lampião, para o caso de se atrasar. Depois que escurece, é bom ter uma janela iluminada para se guiar. Eu me lembro de como era a Floresta à noite.
– Quando foi isso?
O homem sorriu.
– Quando eu ainda enxergava. Bem antes de você nascer.
– Você tinha medo da Floresta?
Muitas pessoas tinham, e por bons motivos.
– Não. Tudo não passa de ilusão.
P. 08
“O Mensageiro” é o terceiro volume da série “O Doador de Memórias”, sucesso da autora Lois Lowry. Mais uma vez, Lowry nos apresenta um novo personagem, este que está inserido em uma sociedade cheia de regras e rituais. Matty, assim como Jonas de “O Doador de Memórias” e Kira de “A Escolhida”, também possuí um dom especial, que será essencial para que o mesmo se livre de suas amarras sociais.

Com sua narrativa simples e sem muita enrolação, Lois obviamente vai construindo o desfecho de sua série, que é composta por quatro livros. Pela primeira vez, personagens importantes dos volumes anteriores aparecem, ocupando uma posição importante para o desenrolar da história. Isso me dá esperança de que a autora foi inteligente o suficiente em criar uma grande e complexa teia de aranha, conectando todas as obras de uma forma, que em uma ótica inicial, seria difícil de enxergar. Espero não me decepcionar.
[...] Mas agora sabia que em toda parte, espalhadas pelos quatro cantos do mundo conhecido, existiam comunidades onde as pessoas sofriam. Nem sempre devido a surras ou à fome, como havia acontecido com ele, mas por causa da ignorância. Por não saberem. Porque eram privadas do conhecimento.
P. 27
O que acho bastante curioso desta série é que até agora não achei nenhum dos livros excepcionais, porém todos eles conseguiram me entreter. Talvez sejam suas personagens fortes, talvez seja o tema distópico ou simplesmente o fato da leitura ser extremamente rápida. De qualquer forma, fico bastante contente de finalmente ver uma capa decente para esses livros. As duas anteriores são simplesmente desastrosas.

Apesar de ser uma obra simplista, “O Mensageiro” consegue trazer bons questionamentos durante pouco mais de 150 páginas. Com uma atmosfera bastante similar a do filme “A Vila”, que diga-se de passagem foi lançado no mesmo ano do que o livro, lá em 2004, a autora consegue dar seguimento a sua série, misturando distopia com fantasia e mistério. Resta agora esperar pelo desfecho dessa saga e torcer para que ao menos ele seja no nível dos demais livros.
– Sei do que está falando. Houve uma garota certa vez, muito tempo atrás. Eu era mais jovem que você, Matty, mas estava na idade em que essas coisas começam a acontecer.
– O que houve com ela?
– Ela mudou. E eu também.
– Às vezes acho que preferiria que nada mudasse, nunca – falou Matty com um suspiro.
P. 71
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10 maio, 2015


[Resenha] A Escolhida - Lois Lowry


Ficha Técnica

Título: A Escolhida
Título Original: Gathering Blue
Autor: Lois Lowry
ISBN: 978-85-8041-347-2
Páginas: 192
Ano: 2014
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Arqueiro
16Kira, uma órfã de perna torta, vive em um mundo onde os fracos são deixados de lado. A partir do momento da morte de sua mãe, ela teme por seu futuro até que é perdoada pelo Conselho de Guardiões. A razão é que Kira tem um dom: seus dedos possuem a habilidade de bordar de forma extraordinária. Ela supera a habilidade de sua mãe, e lhe cabe a tarefa que nenhum outro membro da comunidade pode fazer. Enquanto seu talento a mantêm viva e traz certos privilégios, ela percebe que está rodeada de mistérios e segredos, mas ninguém deve saber sua intenção de descobrir a verdade sobre o mundo.

Resenha


“A Escolhida” é o segundo volume da série “O Doador de Memórias”. A tetralogia, que foi escrita pela premiada autora Lois Lowry, foi adaptada aos cinemas no ano passado, com direito a Meryl Streep e Taylor Swift no elenco. Independentemente do grande fracasso nas telonas - o filme arrecadou 67 milhões de dólares no mundo todo –, a adaptação ajudou a divulgar a série literária, que começou a ser públicada em 1993. 

Arqueiro_parceria522Apesar de ser o volume dois, “A Escolhida” não é necessariamente uma continuação de “O Doador de Memórias”. O livro ainda é uma distopia, trabalha os mesmos assuntos do primeiro volume, porém o universo é diferente, a história é diferente e os personagens são diferentes. Eu não sabia disto até começar a ler, e foi um choque, já que o final do primeiro livro grita por uma continuação.

Nesta nova empreitada iremos conhecer Kira, uma menina que acabou de perder sua mãe. Com a morte do último membro de sua família, a jovem se depara com uma situação delicada: as mulheres da vila em que mora, querem banir Kira para o Campo, local onde os habitantes são deixados para morrer, alegando que ela é inútil para à sociedade, devido a uma deficiência em uma de suas pernas.
– Kira – prosseguiu o homem, encarando-a –, você dará continuidade ao trabalho de sua mãe. Fará mais do que isso, na verdade, pois seu talento é muito maior do que o dela jamais foi.
Pág. 45
Após ir a julgamento para saber se seria enviada ao Campo ou não, Kira descobre que além de ser absolvida de tal destino, ela irá se mudar para uma parte mais importante do vilarejo, onde poderá exercer uma profissão bastante importante para a cultura do local.

Todo ano na vila acontece um evento chamado Congregação, onde os moradores se reúnem para relembrar a história do mundo. A função de Kira será restaurar uma manta, papel que antes ficava a cargo de sua falecida mãe. Kira precisa aprender a tinturar linhas e costurar, pois a manta ilustra os acontecimentos de toda uma sociedade, desde a criação do planeta, passando pelas guerras e chegando a atualidade.
– Esta é toda a história do nosso mundo. Precisamos mantê-la intacta. Mais do que intacta. – Kira percebeu que ele agora acariciava o grande trecho não decorado do tecido, a parte que recaía sobre os ombros do Cantor. – O futuro será contado aqui. Nosso mundo depende desse relato.
Pág. 66/67 
Enquanto se ocupa com os deveres de tecelã, Kira conhece novas pessoas como Annabella e Thomas, responsáveis também por ajudar nos preparativos anuais da Congregação. Porém, aos poucos, a jovem vai descobrindo que seu vilarejo esconde muitos segredos e também muitas mentiras, que nem tudo que lhe contaram quando criança era realmente verdade. Restará então a ela, ir de contra aos ensinamentos milenares para descobrir o que realmente acontece por detrás de toda a maquiagem de sua cultura.

Após recuperar-me do meu choque ao descobrir que eu iria iniciar uma história completamente nova, e não acompanhar mais uma aventura de Jonas, comecei a mergulhar de cabeça nas aventuras de Kira. Infelizmente, no início, eu estava achando tudo muito parado e o tanto quanto decepcionante, comparado com “O Doador de Memórias”. Porém, após a página 100 mais ou menos, o livro ganha fôlego, reviravoltas acontecem e finalmente a personagem Kira consegue me cativar.

Mas tudo que é bom dura pouco, como dizem. Após a página 100, só me restavam apenas 90 para serem lidas. Lois Lowry consegue criar um universo muito bom, porém o desenvolve muito pouco. A história poderia ter ido mais além do que vai, e assim se tornado uma obra mais rica e completa. Para piorar, o livro termina da mesma forma que o primeiro… gritando por uma continuação. Só quero saber se nunca mais verei Jonas e Kira, ou se nos dois volumes restantes, de alguma maneira eles irão aparecer novamente.
– Você já viu alguma fera? – indagou Kira, titubeante.
– Muitas, muitas vezes. A floresta está cheia delas. Nunca vá além dos limites do vilarejo. Não saia da trilha.”
Pág. 114 
Apesar do corre corre na narrativa, “A Escolhida” é uma leitura gostosa e uma boa distopia, levando em conta o seu tamanho. A autora se mostra bastante sagaz, criando um enredo que me lembrou um pouco do filme “A Vila” (2004), e alguns personagens são bem carismáticos, como no caso do pequeno Matt, um dos poucos amigos de Kira. Por sinal, adorei o fato de o nome das personagens serem uma referência a sua idade: a cada geração que se passa, uma sílaba é acrescentada no nome da pessoa.

Tirando os pequenos problemas de desenvolvimento do livro e esta capa – desculpa aí, mas precisamos melhorar as capas dessa série, né? –, “A Escolhida” é um bom livro, e que me deixou curioso para ler os volumes seguintes, sendo eles continuações ou apenas volumes separados. Termino a resenha me perguntando o motivo de terem mudado o título do livro, que no seu original se chama “Gathering Blue”, algo como “Colhendo Azul”, em tradução livre. Além de mais poético e distinto, acho que tinha mais relação com a história.
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04 janeiro, 2015


[Resenha] O Doador de Memórias - Lois Lowry


Ficha Técnica

Título: O Doador de Memórias
Título Original: The Giver
Autor: Lois Lowry
ISBN: 978-85-8041-299-4
Páginas: 192
Ano: 2014
Tradutor: Maria Luiza Newlands
Editora: Arqueiro
16Em O doador de memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis.

Resenha

Arqueiro_parceria522Recentemente foi adaptado para os cinemas o livro “O Doador de Memórias”, best seller que já vendeu mais de 11 milhões de cópias no mundo e garantiu a sua autora a Medalha Newbery. Sendo o primeiro volume de uma série composta por quatro livros, “O Doador de Memórias” relata uma sociedade moldada e planejada para ser perfeita, e a solução para isto fora retirar a memória de todos.
Livres de lembranças como a violência, a dor e também da individualidade, os responsáveis por essa sociedade puderam reconstruir tudo da forma que achavam mais correta. Não existiria neve para destruir as colheitas, cada família só poderia ter dois filhos - um menino e uma menina -, todos deveriam tomar pílulas para evitar o desejo pelo outro, além do fato de as ocupações seriam designadas por este governo, incluindo quem iria parir os filhos dessa nova comunidade, quem trabalharia nos centros de saúde ou até mesmo quem seria responsável por guardar todas as memórias da humanidade, caso um dia precisassem delas.
Jonas deu de ombros. Aquilo não o preocupava. Como seria possível alguém não se adaptar? A comunidade era tão meticulosamente organizada, as escolhas eram feitas com tanto cuidado!
Pág. 52
E é aí que o nosso personagem principal entra. Jonas está prestes a completar 12 anos, idade quando as crianças se tornam adultas e são designadas as suas funções trabalhistas durante uma cerimônia. Diferentemente de todos seus amigos que receberam cargos normais, Jonas ganhou a função de Recebedor. Tal profissão se caracteriza por adquirir todas as memórias existentes do mundo, estas que serão transferidas da única pessoa que as tem: o Doador.

O Doador um dia já fora Recebedor, mas com sua idade avançada, está na hora dele passar sua função para alguém mais jovem. E é assim que ele e Jonas irão iniciar um relacionamento profissional, onde o Doador possibilitará ao menino conhecer tudo que um dia existiu, mas que fora banido de seu mundo. Após ser apresentado a solidão, a dor, a perda, o amor e a tantas outras coisas simples da vida, Jonas irá começar a questionar se sua comunidade é realmente completa e feliz. E este será somente o início de uma grande mudança.
Por um momento ele ficou paralisado, entregue ao desespero. Ele não tinha aquela coisa, aquele negócio que ela havia falado. Nem sabia o que era. Agora chegara o momento em que teria de confessar, teria de dizer ‘Não, não tenho. Não consigo fazer isso’ e colocar-se à mercê deles, pedir que o perdoassem e explicar a sua escolha fora um erro, que não era de jeito algum a pessoa certa para aquele cargo.
Pág. 67
“O Doador de Memórias” é um livro que foi publicado em 1993, e apesar de ser uma distopia, fora lançado muito tempo antes desta febre atual. Com características que se assemelham bastante com “Destino”, o livro escrito por Lois Lowry possui sua própria marca, e carrega em suas páginas uma estória única e rica.

Apesar da riqueza do universo criado por Lowry, a autora acaba entregando para o leitor um livro muito curto, se pararmos para pensar as diversas coisas que poderiam ter acontecido na obra. Com um início lento e arrastado, o livro vai ganhando forma e identidade após a função de Jonas nos ser apresentada, porém o final do livro é corrido e extremamente raso, tendo um final em aberto, possivelmente para ser complementado em suas continuações.
– E a lembrança mais forte que me ocorreu foi a da fome. Vinha há muitas gerações. De séculos atrás. A população cresceu tanto que havia fome em toda parte. Uma fome torturante, devastadora. E em seguida veio a guerra.
Pág. 116
Falando rapidamente do filme, posso dizer que o mesmo é bem fiel ao livro, apesar da modificação da faixa de idade dos personagens principais. Muita pouca coisa muda, e algo que me chamou a atenção, foi o fato de que personagens bem secundários receberam uma atenção maior nas telonas, provavelmente com o propósito de dar mais carga e ação para a adaptação. Porém apesar de trazer em seu elenco grandes nomes de peso como Jeff Bridges, Meryl Streep e até mesmo Taylor Swift, o filme falhou em repetir o mesmo sucesso mundial do livro, arrecadando menos de 70 milhões de dólares no mundo todo.

E assim como o livro, o filme de “O Doador de Memórias” é bastante corrido, fazendo com que alguns eventos não sejam muito bem desenvolvidos. Mas independente disto, o livro tem suas qualidades e provavelmente irá agradar os fãs de distopia. Agora resta esperar os três volumes seguintes, pois infelizmente sem eles, esta primeira obra seguramente não estará entregando todo o seu potencial ao leitor.




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