20 outubro, 2021


[Resenha] Um Amor e Nada Mais - Mary Balogh

Ficha Técnica 

Título: Um Amor e Nada Mais
Título Original: Only Beloved
Autor: Mary Balogh
ISBN: 978-65-5565-164-5
Páginas: 272
Ano: 2021
Tradutor: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Pela primeira vez desde a morte da esposa, George Crabbe, o duque de Stanbrook, está cogitando se casar de novo. Quando pensa no assunto, tudo que lhe vem à mente é uma mulher que conheceu um ano antes e nunca mais viu.
Dora Debbins perdeu toda a esperança de se casar quando um escândalo na família a afastou dos salões da sociedade e a obrigou a se dedicar à irmã mais nova. Aos 39 anos, está resignada à rotina de professora de música em um vilarejo até que o inesperado pedido de casamento do duque vem mudar tudo o que planejou para seu futuro.
O que Dora não sabe é que aquele conto de fadas oculta um segredo terrível. Será que esse amor recém-descoberto sobreviverá aos erros do passado?

Resenha


Chegamos ao fim da série Clube dos Sobreviventes e após ler sobre os sete integrantes do autointitulado clube, não há como negar que eles estavam certos em se chamar assim. Para encerrar com chave de ouro, George Crabble, o duque de Stanbrook é o protagonista que faltava.

Como nós já sabemos, George perdeu o filho na Península durante as Guerras Napoleônicas e que, quando soube da morte de Brendan, a esposa se jogou do precipício nas terras da família, sem que George conseguisse chegar a tempo de impedi-la. Assim, sem a esposa e o filho, sofrendo um luto duplo, George abriu as portas de Penderris Hall e transformou o lugar em um hospital para oficiais. Durante o período em que acolheu essas pessoas, George percebeu que ajudar os outros lhe fazia bem e, ao final, restaram apenas Hugo, Vincent, Ben, Flavian, Ralph, Imogen e o próprio George, claro, com dores nem sempre físicas, mas emocionais, e o vínculo entre eles só cresceu e se aprofundou. Vimos que após Hugo dar o primeiro passo no caminho para uma vida feliz, permitindo-se amar e ser amado, os outros também encontraram seus caminhos e assim, dois anos depois aqui estamos nós, poucas semanas depois do casamento de Imogen e Percy e George finalmente se dá conta do quanto se sente solitário e a ideia de casar-se novamente para ter uma companheira, uma amiga, uma amante vem com tudo. Entretanto, atrelada a essa ideia, apenas a figura de uma mulher lhe vem à mente: Dora Debbins.
Mas… quando havia realmente se sentido feliz por si mesmo? Por mais que tentasse, não conseguiu se lembrar de nenhuma ocasião desde que se juntara ao regimento, aos 17 anos, quando se sentira feliz por um tempo breve demais. Apenas recentemente, George começara a sentir algo semelhante a felicidade se aproximando — quando foi para Gloucestershire fazer o pedido de casamento e foi aceito, algumas vezes durante o último mês e, agora, naquela noite. Naquele momento.
P. 67
George não é mais nenhum jovenzinho. No auge de seus quarenta e oito anos, ele não busca o casamento  com alguma debutante. Além de achar ridículo, ele não está preocupado com a herança que deixará, seu sobrinho Julian é seu herdeiro há muitos anos e não há nenhum problema com isso. A senhorita Debbins chamou sua atenção  cerca de um ano e meio antes, quando o encontro anual dos Sobreviventes aconteceu em Middlebury Park, residência de Vincent e Sophia e a senhorita Debbins era a professora de música do casal.

Dora Debbins tem trinta e nove anos e vive no vilarejo de Inglebrook, em Gloucestershire, há nove anos, onde atua como professora de música. Como ela é a irmã mais velha de Agnes, conhecemos um pouco de sua história, na qual o pai acusou a mãe dela de traição, pediu o divórcio e a mãe fugiu na calada da noite supostamente com o amante e nunca mais deu notícias. Pois, Dora, então com dezessete anos, perdeu a chance de debutar em Londres por causa do escândalo e para dar segurança à irmã caçula, que tinha apenas cinco anos na época. Dora renunciou à vida para criar a irmã e quando Agnes se casou e o pai delas fez o mesmo, a nova esposa do pai a lembrou de que não havia lugar para duas senhoras na mesma casa. Dessa forma, o anúncio de uma vaga de professora de música em outra cidade era a melhor notícia que ela tinha encontrado, deixar Lancashire era a melhor coisa que faria.

Dora havia aceitado que não se casaria, que não teria filhos, que seria sempre uma solteirona. Então, imaginem a surpresa ao ver o duque de Stanbrook parado na porta, tendo ido até Gloucestershire exclusivamente para falar com ela, exclusivamente para pedi-la em casamento!? O mesmo homem que, se ela precisasse confessar diria que havia povoado seus pensamentos nos últimos meses desde que o conhecera e se encantara com sua gentileza, beleza e amabilidade.
Era por causa daquele ar de dignidade serena que certamente não fora uma conquista fácil para a Srta. Debbins. Sem dúvida havia mulheres que permaneciam solteiras por escolha, mas George não acreditava que aquele fosse o caso dela. A Srta. Debbins não se casara por força das circunstâncias — ele tomara ciência de algumas delas através de Agnes. No entanto, conseguira criar uma vida interessante e com propósito para si mesma, apensar de qualquer desapontamento que tivesse sofrido.
Sim, George a admirava.
P. 27-28
Dora e George estão em outro momento da vida e George é muito claro ao dizer que não espera amor no casamento, mas sim uma amiga, uma companheira e uma amante e que ele apenas imagina Dora nesse papel; caso ela não aceitasse, ele não seguiria com essa ideia. Para Dora, é a chance de ter alguém constantemente em sua vida, ao contrário da mãe que a abandonou, do pai que sempre foi negligente quando o assunto era afeto, ou seus irmãos que viviam suas próprias vidas. Claro que ela tinha sua independência vivendo em Inglebrook e havia a companhia da senhora Henry, sua governanta, mas mesmo que fosse difícil assumir em voz alta, ela se sentia sozinha sim.

Bem, claro que ela aceita o pedido de casamento, mas também veremos como é difícil para George compartilhar seu passado e em parte é porque ele está tão acostumado a viver sozinho que isso é uma experiência totalmente diferente para ele. Mas há mais, há mais na história do seu primeiro casamento, na relação coma esposa e o filho e, assim como Dora, passamos os capítulos desesperados por entender, para descobrir o que fez com que George fosse sempre tão triste — ainda que ele tente esconder isso o máximo possível. Ele claramente consegue deixar as pessoas ao seu redor à vontade para expor seus sentimentos mais profundos, confortá-los, mas não consegue permitir que alguém o conforte e, quanto mais eu lia, mais eu ficava triste ao imaginar uma vida inteira sentindo-se assim.
Talvez tenha sido naquele momento que George se deu conta plenamente do quanto gostava dela. Do quanto a amava. Ele a amava mais do que o ar que respirava. Com toda a paixão juvenil que havia guardado em um cofre íntimo escondido imediatamente após o fim do primeiro casamento. E acreditava ter perdido a chave daquele cofre. Mas, de algum modo, Dora a encontrara, encaixara na fechadura e o destrancara.
P. 227
Achei o fim da série lindo, George finalmente encontrando o amor e a felicidade era exatamente o que faltava, pois desde que os amigos passaram a se casar, parecia que ele ficaria para trás, sozinho e não era justo que isso acontecesse apenas por ele ser o mais velho do grupo. Além disso, Mary caprichou no epílogo, que cena mais linda! Ela conseguiu destroçar meu coração em diversos momentos ao longo dos sete livros e do conto, falar dos ferimentos físicos e emocionais de uma guerra foi tão cruel, tão profundo que em vários momentos nos dá uma mensagem de ânimo ao vê-los encarar essas dificuldades, fraquejar em alguns momentos, mas ainda assim seguir em frente. INCRÍVEL! Obrigada, Mary!

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
2
Compartilhe

23 novembro, 2020


[Resenha] Um Beijo e Nada Mais - Mary Balogh

Ficha Técnica 

Título: Um Beijo e Nada Mais
Título Original: Only a kiss
Autor: Mary Balogh
ISBN: 978-65-5565-015-0
Páginas: 288
Ano: 2020
Tradutor: Livia de Almeida
Editora: Arqueiro
Desde que testemunhou a morte do marido durante as Guerras Napoleônicas, Imogen, Lady Barclay, se isolou em Hardford Hall, na Cornualha. O novo dono da propriedade ainda não apareceu para reivindicá-la, e ela torce desesperadamente para que ele nunca venha acabar com sua frágil paz.
Percival Hayes, o novo conde de Hardford, não tem nenhum interesse na região distante da Cornualha, tanto que, desde que recebeu o título, nunca quis conhecer o lugar. Mas em seu aniversário de 30 anos ele está tão entediado que decide impulsivamente fazer uma visita às suas terras.
Ao chegar lá, fica chocado ao descobrir que Hardford não é o monte de ruínas que imaginou. Fica perplexo também ao constatar que a viúva do filho de seu predecessor é a mulher mais linda que já viu.
Em pouco tempo, Imogen desperta em Percy uma paixão que ele jamais pensou ser capaz de sentir. Mas será que ele conseguirá resgatá-la da infelicidade e convencê-la a voltar à vida?

Resenha


Ai, gente, essa série é tão maravilhosa, com personagens tão incríveis que, chegando ao fim, vai dando aquele apertinho no coração, sabe? Esse é o penúltimo livro da série Clube dos Sobreviventes e será o momento de entender melhor a história de Imogen Hayer, lady Barclay.

Quem acompanha a série já sabe que cada um dos Sobreviventes voltou das Guerras Napoleônicas com vários tipos de sequelas: físicas, psicológicas, emocionais, todas juntas. Enfim, certamente ser um sobrevivente de uma guerra não é nada fácil e essas pessoas que se tornaram amigos em um momento tão difícil apoiam uns aos outros constantemente. Entretanto, mesmo passando pelos livros anteriores era claro que Imogen, a única mulher do grupo, se mantinha ainda distante e tudo que nós leitores sabíamos era que ela havia acompanhado o marido à guerra e também estava junto quando ele foi capturado e torturado e, por fim, ela o viu morrer. Bem, não consigo nem sequer imaginar como deve ser saber que continuará sua vida enquanto seu cônjuge morreu a sua frente. Mas essa dor é ainda mais intensa. Imogen e Dick cresceram juntos, se tornaram grandes amigos e depois se casaram; eram melhores amigos, cúmplices, parceiros. Quando ele decidiu servir na guerra, sequer foi cogitado que Imogen ficasse na Inglaterra e o aguardasse retornar, claro que ela foi com ele. 

Depois de três anos reclusa em Penderris Hall para se recuperar e mais cinco anos tentando viver uma vida normal, Imogen ainda não é a mesma pessoa de antes e, talvez, nunca volte a ser. A verdade é que ela está decidida a viver sua vida. Quando retornou a Hardford Hall, residência de seu sogro e onde morou com o marido, ela deixou claro que não gostaria de viver na casa principal, e sim no chalé da propriedade, onde poderia manter sua privacidade. Além disso, ela passara a visitar mais seus vizinhos, estar presente para as necessidades deles, mas não se casaria novamente; não poderia ser feliz, não se permitiria, não era justo com Dick. Mas suas determinações serão testadas com a chegada do novo conde de Hardford, Percy Hayes.
— Isso não é viver.
— Como chama isso, então? — retrucou Imogen, irritada.
Por que ele não entendia a deixa e voltava a falar sobre o clima?
— Sobreviver — respondeu Percy. — Se tanto. Viver não é só uma questão de permanecer vivo, é? O que importa é o que faz com a vida.
P. 115
Percival Willim Henry Hayes, filho único, mimado e amado ao extremo e muito inteligente sempre teve tudo que quis e até o que não quis. Seus pais contrataram tutores para que sua educação fosse realizada em casa e eles não precisassem ficar distantes. Seus familiares estavam sempre presentes; muitos tios, tias, primos rodeando-o, amando-o, mas ele às vezes sentia que era muito para ele. Percy saiu de casa apenas quando convenceu os pais a ir para Oxford, mas, chegando lá, viu que a última coisa que esperavam dos jovens na universidade era que eles estudassem, mas nem por isso ele mudou seu objetivo, assim, em três anos ele saiu de Oxford com duas graduações. Entretanto, ao sair, tendo então vinte anos, ele decidiu que era o momento de viver como os outros jovens. Passou a sair com vários amigos para noites de bebedeira, aceitar desafios bobos que colocavam em risco sua vida, estar sempre com uma nova amante. Porém, ao completar seu aniversário de trinta anos, Percy está se sentindo absurdamente entediado com sua vida, o que não deveria acontecer com um homem que tem tudo. Assim, completamente bêbado em seu aniversário, ele decide que é o momento de ir a Hardford Hall, na Cornualha, propriedade que herdou com o título de conde de Hardford e visconde Barclay. 
— Acredito que vim à Cornualha na esperança de me redescobrir — revelou ele —, embora não tivesse percebido isso até este momento. Vim porque precisava me afastar da minha vida e descobrir se a partir dos 30 anos eu conseguiria encontrar algum propósito novo e digno.
P. 136
Sem saber nada a respeito da propriedade, Percy escreveu ao seu administrador avisando que estava indo para lá, para que a casa fosse arejada para sua estadia indefinida. Mas imaginem a surpresa dele ao chegar e descobrir que a irmã do antigo conde mora na casa com uma prima, e dama de companhia, e que a viúva do filho do antigo conde também reside na propriedade… tudo o que ele não queria era estar em um lugar remoto da Inglaterra, na beira de um penhasco, com uma vista para um mar revolto e debaixo do mesmo teto que três mulheres desconhecidas. Ah, claro, e cheia de animais abandonados. Sim, lady Lavinia desde a morte do irmão passou a resgatar gatos e cachorros abandonados que apareciam nas imediações, algo que o irmão não permitia enquanto era vivo. 

Enquanto está em Hardford Hall, Percy descobre como Imogen desperta nele seu pior lado, o que também ocorre com ela; eles não tiveram um bom começo e parece piorar a cada dia. Mas, em algum momento, eles também vão descobrir outras coisas, um sobre o outro e definitivamente mudará a maneira como se enxergam. 

O que a gente descobre com o passar dos capítulos é que não é apenas Imogen que precisa encontrar e aceitar a felicidade, Percy, a sua maneira, também precisa se reencontrar e aceitar a felicidade verdadeira, com uma vida com um propósito e, longe do que ele imaginava, estava no caminho para isso tão longe de Londres, na Cornualha. 
Era um som de puro divertimento, e ocorreu a ele, com um sobressalto, que podia estar se apaixonando por aquela mulher — mesmo sem saber muito bem como funcionava aquele negócio de se apaixonar.
P. 200
Mais uma vez a Mary destroçou meu coração com sua narrativa. Os Sobreviventes são personagens com marcas, mas que ainda assim seguem em frente, um dia de cada vez, e essa é a essência da vida, não é mesmo? Não deixar que os obstáculos que encontramos pelo caminho nos façam desistir, devemos ultrapassá-los e continuar em frente. Como diz nossa querida Dory, continue a nadar!

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
0
Compartilhe

29 julho, 2020


[Resenha] Uma Promessa e Nada Mais - Mary Balogh

Ficha Técnica 

Título: Uma Promessa e Nada Mais
Título Original: Only a Promise
Autor: Mary Balogh
ISBN: 978-85-306-0146-1
Páginas: 347
Ano: 2020
Tradutor: Livia de Almeida
Editora: Arqueiro
Ralph Stockwood sempre se orgulhou de ser um líder nato. Mas, quando convenceu os amigos a lutarem com ele nas Guerras Napoleônicas, nunca imaginou que seria o único sobrevivente. Mesmo atormentado pela culpa, Ralph precisa seguir em frente, arranjar uma esposa e garantir um herdeiro para seu título e sua fortuna. Desde que a participação de Chloe Muirhead na temporada de Londres terminou de forma desastrosa, ela aceitou a possibilidade de ser, para sempre, uma solteirona. Para escapar da própria família, a moça se refugia na casa da madrinha de sua mãe. Lá, conhece Ralph. Ele precisa de uma esposa. Ela não acharia ruim encontrar um marido. Então Chloe sugere que os dois se casem, por conveniência. A condição é uma só: Ralph precisa prometer que nunca a levará de volta a Londres. Mas, de uma hora para outra, as circunstâncias mudam. E logo fica claro que, para Ralph, o acordo foi apenas uma promessa e nada mais...

Resenha


É... a série Clube dos Sobreviventes está realmente cada vez mais perto de chegar ao final. Com Uma Promessa e Nada Mais Mary Balogh nos apresenta o penúltimo dos Sobreviventes encontrando seu caminho, Ralph Stockwood, o conde de Berwick.

Desde os primeiros livros Ralph sempre foi um personagem de poucas falas, ele sempre parecia preso em sua mente e com o tempo fomos descobrindo o quão sombrio era esse lugar. Mas agora desvendamos realmente o que houve e porque isso mexe tanto com ele. Ralph e seus três melhores amigos foram para a guerra assim que saíram do colégio, todos com apenas 18 anos. Os quatro eram muito unidos e cheios de ideais, mas Ralph tem certeza de que alguns deles não teriam ido lutar se ele não os houvesse convencido. Porém, logo nos primeiros dias no campo de batalha, Ralph viu seus três amigos serem destroçados por uma granada bem a sua frente. O quanto isso pode acabar com uma pessoa? E se depois de continuar lutando, ainda assim voltar para casa quase inteiro, com poucos ferimentos? Ralph se culpa pela morte dos amigos e nos primeiros meses depois de seu retorno para a Inglaterra ele tentou o suicídio. Por isso o pai o enviou para Penderris Hall, na Cornualha, a residência do duque de Stanbrook. Lá ele curou o corpo e, aos poucos, foi tentando retornar a vida, com a ajuda dos outros Sobreviventes, mas o verdadeiro Ralph, com brilho nos olhos, nunca retornou das profundezas de sua alma.
— Ninguém pode fazer tudo — argumentou Graham. — Cada um de nós só tem condições de fazer o que está ao seu alcance. Se pensarmos apenas na nossa incapacidade para resolver os problemas do mundo, só nos restará o desespero. E o desespero não leva a nada.
Posição 35%
Agora, aos 26 anos, ele enfrenta a realidade de ter visto no último ano quatro casamentos dos seus amigos — inconscientemente ele acreditava que nenhum deles sequer imaginava casar. E sem falar que em sua última visita aos seus avós paternos, sua avó foi clara em afirmar que ele precisava se casar o quanto antes e ter um herdeiro, pois seu avô, o duque de Worthingham não estava ficando mais jovem, e, tendo passado dos 80 anos e com tantos problemas de saúde surgidos com a idade, ele precisava estar preparado. E agora a avó o convocou novamente para uma visita, certamente para dizer o mesmo e saber se ele já havia avançado na busca da esposa ideal.

Chloe Muirhead tem 27 anos e nos últimos meses tem vivido em Manville Court, a casa da madrinha de sua mãe, a duquesa de Worthingham. Porém ela não tem qualquer expectativa de que há um futuro feliz em seu destino e isso porque ele sempre lhe dá uma rasteira quando ela acredita que poderá recomeçar. Para começar, quando ela deveria debutar, a avó materna faleceu e a mãe insistiu que fosse cumprido o luto completo, assim, Chloe foi para Londres com 21 anos, tardiamente. Com a insistência da irmã mais nova em não ficar em casa, ela também foi para Londres e acabou se apaixonando por um dramaturgo casado e fugiu com ele, o que fez com que fossem o centro das fofocas. Assim, ela voltou para casa e ficou lá até o ano anterior, quando uma tia a convenceu a retornar à Londres, afinal, com certeza ninguém se lembrava mais do ocorrido cinco anos antes. Mas aí, surgiu a beldade da temporada e elas eram absurdamente parecidas e as fofocas foram ainda mais cruéis, lembrando que, quando sua mãe foi apresentada a sociedade, houve um marquês ruivo que a havia cortejado antes que ela se casasse com seu pai. E mais uma vez Chloe fugiu para não saber a verdade, que o pai prontamente negou. Mas as fofocas a seguiram até em casa e por isso escreveu para a duquesa oferecendo-se como dama de companhia, mas esta a recebeu como uma convidada em sua casa.
— Tristezas fazem parte da condição humana — declarou ele. — Ninguém que chega à idade adulta consegue escapar delas. Nem as crianças, na verdade. O que importa é o que fazemos com a dor, o modo como moldamos nosso caráter, nossas ações e nossos relacionamentos. Afinal, a vida não é pura tristeza. Ninguém deve, de forma alguma, permitir que o pessimismo ou o ceticismo o lance numa depressão profunda. Existe muita alegria também. Muita alegria.
Posição 48%
Ao longo de sua infância e juventude, Chloe sempre ouviu o irmão mais velho, Graham, se queixar de Ralph. Como uma boa irmã mais nova, Chloe desenvolveu uma verdadeira antipatia pelo nobre, que sempre implicava com seu irmão. Assim, quando soube que o neto da duquesa viria visitá-los, ela imaginava encontrar uma pessoa completamente diferente; certamente não com um olhar tão vazio e tão sem expectativas de futuro. Assim, mesmo estando no mesmo cômodo que ele e a duquesa, ele sequer percebeu sua presença enquanto mencionava que não queria impor a infelicidade a vida de uma esposa. Chloe sempre quis ter uma família e um lar para chamar de seu, assim, em um impulso ela propõe ao conde um casamento sem envolvimento sentimental, afinal, assim como ela tem esses desejos, ele precisa de uma esposa e um herdeiro, ele só precisava prometer nunca ir para Londres, o que Ralph de fato não pretendia.
— Mudou de ideia? — perguntou ele depois de um momento enquanto o chicote batia ritmadamente em uma das botas. — É uma pena. Voltei para lhe propor matrimônio, Srta. Muirhead.
Posição 14%
Com isso, menos de uma semana depois de conhecer o conde, Chloe está casada e aí eles começam a perceber o quanto realmente não se conhecem e como a vida pode ser imprevisível, pois uma nova tempestade chega e eles são obrigados a ir para Londres, afinal, eles agora são os novos duques de Worthingham. Chloe precisará de coragem para enfrentar seus medos perante a sociedade, ainda que ela agora retorne com uma posição muito mais elevada do que da última vez e Ralph também precisará se libertar do peso que carrega, porque certamente será muito mais fácil reencontrar os pais de seus amigos na capital, com tantos compromissos obrigatórios.

Ainda que não percebam inicialmente, Chloe e Ralph se ajudam mutuamente, dando forças para superar suas barreiras e a cumplicidade cresce a cada dia que estão juntos, mas, tendo feito o acordo de não envolver sentimentos na relação, nenhum deles quer dar o primeiro passo e mostrar o que de fato está sentindo, como tudo mudou com o tempo. Além disso, o casal também conta com o apoio indiscutível das famílias e dos outros Sobreviventes.
— Você interpretou de forma errada meu silêncio — disse ele. — Sou seu marido. Quando se sentir solitária, com medo ou infeliz, é a mim que deve procurar, Chloe. Meus braços são seus, minha força também, aconteça o que acontecer. Você nunca será um fardo para mim.
Posição 71%

Mais uma vez Mary foi incrível, criou uma história profunda, romântica e com uma dose de dor na medida certa. Ela consegue nos envolver de uma maneira que nos sentimos parte do grupo, sempre tentando ajudá-los a superar os problemas. Agora estou muito curiosa para saber o que ela reservou para o livro de Imogen, lady Barclay.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
3
Compartilhe

23 setembro, 2019


[Resenha] Uma Paixão e Nada Mais - Mary Balogh

Ficha Técnica 

Título: Uma Paixão e Nada Mais
Título Original: Only enchanting
Autor: Mary Balogh
ISBN: 978-85-306-0010-5
Páginas: 288
Ano: 2019
Tradutor: Livia de Almeida
Editora: Arqueiro
Ao voltar para casa depois das Guerras Napoleônicas, Flavian, o visconde de Ponsonby, ficou arrasado ao ser abandonado pela noiva. Agora a mulher que partiu seu coração está de volta, e todos estão ansiosos para que eles reatem o noivado. Exceto Flavian, que, em pânico, corre para os braços de uma jovem sensível e encantadora. Apesar de ter sido casada por quase cinco anos, a viúva Agnes Keeping nunca se apaixonou, nem quer se apaixonar. Aos 26 anos, ela prefere manter o controle de suas emoções e de sua vida. Porém, ao conhecer o carismático Flavian, fica tão arrebatada que acaba aceitando seu impetuoso pedido de casamento. Quando descobre que Flavian pediu sua mão apenas para se vingar da antiga paixão, Agnes decide fugir. Mas Flavian não tem a menor intenção de deixar a esposa partir, principalmente após descobrir que, para sua própria surpresa, está completamente apaixonado por ela.

Resenha


No quarto livro da série Clube dos Sobreviventes, teremos a oportunidade de conhecer o misterioso Flavian Arnott, o visconde de Ponsonby, que desde o primeiro livro da série despertou minha curiosidade em entender as sequelas que a guerra tinha deixado nele, pois eu só percebia a gagueira e poucas vezes mencionaram que ele tinha acessos de fúria.

No início desse livro Flavian faz uma visita ao amigo Vincent Hunt, que dará um baile para comemorar seu casamento e de fato assumir seu lugar como o visconde de Darleigh e como senhor de Middlebury Park. Atendendo ao pedido de Sophia, esposa de Vincent, Flavian convida a Sra. Agnes Keeping para uma dança. E depois dança mais uma vez com ela por livre escolha.

O baile passa e, seis meses depois, Flavian e seus amigos estão de volta a Middlebury Park para a reunião anual do Clube dos Sobreviventes, que este ano não acontecerá em Penderris Hall em virtude do recente nascimento do filho de Vincent e Sophia. Flavian só não fazia ideia que tinha mexido tanto com a vida da jovem viúva com quem dançou meses atrás e de que isso também mudaria o rumo da sua vida.

Agnes tem apenas 26 anos, mas já é viúva há três anos e no último ano foi morar com a irmã mais velha, Dora, em Inglebrook. Como Dora era professora de música e tinha o visconde e a viscondessa como alunos, foi natural que Agnes conhecesse os dois e criou um vínculo forte de amizade com eles, principalmente depois de conhecer o talento de Sophia e indicou o trabalho dela para um primo de seu falecido marido, que trabalhava como editor.
Estar apaixonada não era nada agradável - a não ser, talvez, quando ela revivia certa valsa sem música e certo beijo que pareceu chocante e lascivo na ocasião, mas que provavelmente não deveria ser considerado assim por nenhum padrão vigente. No entanto, não era possível viver para sempre de lembranças e de sonhos. Não era possível ignorar para sempre o fato de que estava só e de que talvez fosse permanecer assim pelo resto da vida.
P. 76
Em seu primeiro casamento Agnes não teve paixão ou amor. Ela considerava que era um casamento seguro e isso era o que ela acreditava ser o melhor que poderia esperar da vida. Mas agora, anos depois do seu casamento ter chegado ao fim, a atenção que recebeu do visconde de Ponsonby desperta algo que ela nunca imaginou que poderia viver.

Ao conhecermos mais Flavian, vamos descobrir que com o ferimento que sofreu na guerra, sua memória ficou com lacunas que ele ainda hoje não conseguiu recuperar e que, além disso, sofreu uma traição de sua noiva praticamente na mesma época.

Ao retornar ao vilarejo de Inglebrook, dessa vez com todos os amigos reunidos, Flavian se mostra mais inquieto do que o comum e a razão é o "retorno" de sua ex-noiva ao seu círculo de amizades, afinal, ela voltará a ser sua vizinha em Cadlebury Abbey, residência oficial da família. Entretanto, para equilibrar essa aflição, Flavian descobrirá que os breves encontros com a Sra. Keeping lhe trazem uma paz que já não acreditava ser capaz de sentir.
— Acredito que o senhor conheceu muito bem a infelicidade, lorde Ponsonby, e que isso o tornou cínico. A infelicidade pessoal, sem relação com seus ferimentos. E agora persuadiu-se de que a paixão tem mais importância que a satisfação tranquila e o amor comprometido.
P. 91
Flavian é muito mais do que mostrou no decorrer da série, seu arquear de sobrancelhas e comentários ácidos demonstrando falta de interesse na maioria dos assuntos nada mais é do que uma máscara de proteção, da mesma forma que Agnes demonstra frieza quando o assunto é esperar viver um grande amor e construir uma família. O trauma sofrido na infância repercute ainda em seu comportamento.

Diferente de Uma Loucura e Nada Mais, quando mencionei  que a história focou mais em Samantha do que em Ben, o integrante do Clube dos Sobreviventes, aqui voltou a ser equilibrada, mostrando o passado  de Flavian e Agnes igualmente e nos mostrando as feriadas deles e sua busca para curá-las.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
2
Compartilhe

04 setembro, 2019


[Resenha] O Pretendente - Mary Balogh

Ficha Técnica 

Título: O Pretendente
Título Original: The Suitor
Autor: Mary Balogh
ISBN: 978-85-8041-980-1
Páginas: 100
Ano: 2019
Tradutor: Lúcia Brito
Editora: Arqueiro
Depois de sobreviver às guerras napoleônicas, Sir Benedict Harper está lutando para seguir em frente e retomar as rédeas de sua vida. O que ele nunca imaginou era que essa esperança viesse na forma de uma bela mulher, que também já teve sua parcela de sofrimento. Após a morte do marido, Samantha McKay está à mercê dos sogros opressores, até que planeja uma fuga para o distante País de Gales para reivindicar uma casa que herdou. Como o cavalheiro que é, Ben insiste em acompanhá-la em sua jornada. Ben deseja Samantha tanto quanto ela o deseja, mas tenta ser prudente. Afinal, o que uma alma ferida pode oferecer a uma mulher? Já Samantha está disposta a ir aonde o destino a levar, a deixar para trás o convívio com a alta sociedade e até mesmo a propriedade que é sua por direito, por esse...

Resenha


Quando lemos Um Acordo e Nada Mais, segundo livro da série Clube dos Sobreviventes, tivemos  a oportunidade de conhecer a história de Vincent Hunt e logo vimos como sua família era extremamente protetora quando o assunto era ele, chegando ao ponto de arquitetarem uma visita para lhe arranjar uma noiva, Philippa Dean.

Ainda nesse livro a gente viu como Philippa era meio sem-noção, mas agora teremos a chance de conhecer um pouquinho o outro lado dessa história.

Philippa completou recentemente 18 anos e chamou a atenção de alguns possíveis pretendentes, por isso foi convidada com a família para uma visita à residência do visconde Darleigh, com a possibilidade de casar-se com ele. O problema é que o coração de Philippa já tem dono. Há dois anos, quando passava uma temporada em outra região, Philippa conheceu Julian Crabbe e se encantou com ele.
Ela era jovem demais para a corte, e ele também. Mas ainda que não fossem, ele não estava em posição de cortejá-la. Mas tinha um centavo em seu nome.
Mas o amor, descobriu Julian, não seguia as leis da lógica.
P. 09
Julian também se encantou com a jovem, mas como na época ainda não tinha debutado, ela não poderia ser cortejada, por isso Julian aproveitou esse tempo para "apagar" sua fama de devasso e se dedicar a construir sua própria fortuna, mesmo sendo o único herdeiro do duque de Stanbrook (aquele que perdeu o filho na guerra e abrigou diversos sobreviventes da guerra em sua casa na Cornualha). Ele só não imaginava que, depois de tanto esperar, seu plano de voltar e procurar a família Dean fosse impedido pela presença de outro pretendente.

Sendo apenas um conto, a história de Philippa e Julian é curta, mas mostra um pouco do outro lado e como as mulheres mesmo não tendo voz ativa conseguiam driblar algumas regras.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
3
Compartilhe

24 julho, 2019


[Resenha] Uma Loucura e Nada Mais - Mary Balogh

Ficha Técnica 

Título: Uma Loucura e Nada Mais
Título Original: The Escape
Autor: Mary Balogh
ISBN: 978-85-8041-973-3
Páginas: 272
Ano: 2019
Tradutor: Lúcia Brito
Editora: Arqueiro
Depois de sobreviver às guerras napoleônicas, Sir Benedict Harper está lutando para seguir em frente e retomar as rédeas de sua vida. O que ele nunca imaginou era que essa esperança viesse na forma de uma bela mulher, que também já teve sua parcela de sofrimento. Após a morte do marido, Samantha McKay está à mercê dos sogros opressores, até que planeja uma fuga para o distante País de Gales para reivindicar uma casa que herdou. Como o cavalheiro que é, Ben insiste em acompanhá-la em sua jornada. Ben deseja Samantha tanto quanto ela o deseja, mas tenta ser prudente. Afinal, o que uma alma ferida pode oferecer a uma mulher? Já Samantha está disposta a ir aonde o destino a levar, a deixar para trás o convívio com a alta sociedade e até mesmo a propriedade que é sua por direito, por esse...

Resenha


Demorou, mas chegou! Uma Loucura e Nada Mais, terceiro livro da série Clube dos Sobreviventes traz a continuação das histórias de superação desses amigos que encontraram uns nos outros, e em si mesmos, forças para lutar contra as sequelas deixadas pelas Guerras Napoleônicas.

Para iniciar esse livro voltamos ao mesmo ponto de partida do segundo livro dessa série, Um Acordo e Nada Mais, pois as histórias ocorrerão em paralelo, ou seja, enquanto Vincent encontra seu rumo, Benedict também terá a sua chance de seguir em frente.

Assim como vimos na história de Vincent, Ben se sente sufocado com a proteção da família e creio que no caso deles, as sequelas realmente inspirem isso na família – Vincent ficou cego e Ben consegue, após diversas cirurgias e muito exercício, “andar” com a ajuda de muletas especiais.
— P-prefiro estar aqui - disse Flavian. - Se algum dia um de nós sair daqui infeliz porque não c-conseguiu confiar nos demais, então será melhor p-parar de vir. Afinal de contas, George mora nos confins da Cornualha. Quem v-viria só pela paisagem?
P. 11
Conhecendo um pouco mais sobre Ben, descobrimos que ele é o irmão do meio de quatro – Beatrice, Wallace, Ben e Calvin -, mas sempre foi mais próximo da irmã e que, assim como Wallace sempre quis seguir na política (e isso ficou mais forte depois que herdou um baronato) e Calvin tinha interesse na administração da propriedade deles, Kenelston, Ben queria ir para o exército e durante muitos anos seguiu seu caminho, construiu uma carreira, mas na mesma semana em que Wallace sofreu um acidente e morreu, deixando para ele o baronato e as responsabilidades que vinham com ele, Ben foi atingido em campo e praticamente morreu.

Enquanto os anos passavam e ele lutava contra todas as possibilidades em Penderris Hall (morrer ou nunca mais voltar a andar), Calvin – que já administrava tudo para Wallace – continuou seu trabalho e, para Ben, estava tudo certo. O problema começou quando ele voltou para casa, mas com o irmão, a cunhada e os sobrinhos vivendo debaixo do mesmo teto que deveria ser sua residência, sem deixar que ele faça absolutamente nada, mostrou para ele que ali não era o seu lar.
— Longe disso — disse ele. — A dor não é insignificante. Tampouco a perplexidade ou o medo. Ou condições como pobreza ou falta de moradia. Mas em algum lugar, em algum lugar, há paz. E nem é um lugar distante. Esse lugar está bem dentro de nós, sempre presente, na verdade, apenas esperando olharmos para dentro para encontrá-lo.
P. 155
Mas, após três anos de sua saída de Penderris Hall e com 29 anos, Ben precisa decidir o que fará da sua vida agora que finalmente entendeu que não poderá voltar para o exército, mas também não tem interesse em ser administrador. Sua única certeza é que continua sendo um homem de ação, mas agora com os movimentos reduzidos e limitados. É por isso que, saindo da reunião com os amigos na Cornualha, ao invés de ir para casa, ele vai para Robland Park passar algumas semanas com a irmã enquanto ela se recupera de uma forte gripe e, em sua primeira tentativa de saltar um obstáculo a cavalo, quase acerta a vizinha de sua irmã, a viúva Samantha McKay.

Samantha cuidou do marido sozinha em Bramble Hall por cinco anos, desde que ele retornou da guerra gravemente ferido, mas, apenas em seus últimos dias de vida, a irmã de Matthew – Matilda – veio para ajudá-la – era melhor nem ter vindo 🙄. Quatro meses depois da morte do marido, Samantha está saindo do torpor que a situação lhe causou e o convívio com a cunhada tem sido cada vez mais difícil, afinal está claro para ela que o objetivo de Matilda é vigiá-la, pois seu sogro, o conde de Hearthmoor, tem regras muito rígidas de comportamento e o fato dela ter ¼ de sangue cigano correndo nas veias certamente é garantia de mau comportamento 🙄.

Embora tenha apenas 24 anos, quando Ben conhece Samantha acha que ela é uma matrona por conta da roupa de luto profundo que ela está usando, que não foi ajustada ao tamanho dela e, a forma como eles se conheceram, que não foi nada cordial e convencional. Mas, após as desculpas, eles se tornarão amigos e ajudarão um ao outro a recomeçarem.
Às vezes é bom simplesmente se esquecer de tudo o que talvez se devesse lembrar, e simplesmente viver o momento.
Às vezes o momento é tudo o que realmente importa.
P. 177
Samantha quer ser livre e viver, mas não tem apoio da família de seu marido e muito menos do que sobrou de sua família, um meio-irmão, e encontrará em Ben uma pessoa aberta a ouvi-la, hábito ele que aperfeiçoou nos anos que passou na Cornualha. Ben precisa encontrar seu caminho, descobrir uma atividade que possa exercer com as limitações físicas que tem e conhecer e conviver com Samantha também lhe mostrou que ele está vivo para o amor, algo que ele não pensava enquanto estava se recuperando. A questão depois disso é: como lidar com as marcas do seu corpo?

A história nesse livro é linda e me surpreendeu. A forma como Mary construiu a relação entre Ben e Samantha, gradualmente e sem nada daquelas situações forçadas, tornou o livro ainda mais interessante. Só preciso ressaltar que, embora eu tenha gostado bastante da história, achei que houve um destaque maior para a história de Samantha do que para a de Ben, que é um dos integrantes do Clube dos Sobreviventes, que nomeia a série, queria mais dele.

Bem, enquanto espero o quarto livro da série, lerei o conto O Pretendente, para curtir um pouco mais da escrita da Mary Balogh 😉.

Compre na Amazon

P.S.: Se quiser adicionar esse livro na sua lista de leitura do Skoob basta clicar na capa que você será redirecionado para a página do livro no Skoob. 😉
Comentários
6
Compartilhe

09 outubro, 2018


[Resenha] Um Acordo e Nada Mais - Mary Balogh

Ficha Técnica 

Título: Um Acordo e Nada Mais
Título Original: The Arrangement
Autor: Mary Balogh
ISBN: 978-85-8041-879-8
Páginas: 304
Ano: 2018
Tradutor: Livia de Almeida
Editora: Arqueiro
Embora Vincent, o visconde Darleigh, tenha ficado cego no campo de batalha, está farto da interferência da mãe e das irmãs em sua vida. Por isso, quando elas o pressionam a se casar e, sem consultá-lo, lhe arranjam uma candidata a noiva, ele se sente vítima de uma emboscada e foge para o campo com a ajuda de seu criado. No entanto, logo se vê vítima de outra armadilha conjugal. Por sorte, é salvo por uma jovem desconhecida. Quando a Srta. Sophia Fry intervém em nome dele e é expulsa de casa pelos tios sem um tostão para viver, Vincent é obrigado a agir. Ele pode estar cego, mas consegue ver uma solução para os dois problemas: casamento. Aos poucos, a amizade e o companheirismo dos dois dão lugar a uma doce sedução, e o que era apenas um acordo frio se transforma em um fogo capaz de consumi-los. No segundo volume da série Clube dos Sobreviventes, você vai descobrir se um casamento nascido do desespero pode levar duas pessoas a encontrarem o amor de sua vida.

Resenha


Um Acordo e Nada Mais é o segundo livro da série Clube dos Sobreviventes, da Mary Balogh. Se eu me encantei com Uma Proposta e Nada Mais, nesse livro o amor foi ainda mais arrebatador e, tenho certeza, muito desse sentimento foi por conta de Vincent Hunt, o visconde de  Darleigh, que teremos a chance de conhecer melhor.

No livro anterior conhecemos superficialmente os integrantes do clube dos sobreviventes (George Crabbe - duque de Stanbrook, Hugo Emes - lorde Trentham, Flavian Artnott - visconde Ponsonby, Ralph Stockwood - conde de Berwick, Vincent Hunt - visconde de Darleigh, Imogen Hayes - lady Barclay e sir Benedict Harper) e soubemos que Vincent ficou cego quando foi para a guerra, mas agora veremos que o caçula desse grupo tem se sentido extremamente sufocado por sua amorosa família.

Vincent cresceu na periferia do vilarejo de Barton Coombs, onde foi um jovem líder e aventureiro, portanto, herdar um título não estava em seu futuro, mas foi o que ocorreu no período em que estava em Penderris Hall se recuperando. Vincent também é o caçula em sua família e o único homem e, nesse caso, herdeiro do título. Entretanto, com a deficiência visual, sua família o rodeia de cuidados que muitas vezes mais atrapalham do que ajudam.

Quando se viu pronto para assumir sua vida novamente, afinal agora tinha um título e responsabilidades para cumprir, sua mãe, avó e irmãs já tinham se instalado em Middlebury Park para ajudá-lo quando ele retorna-se. Sobrecarregado com uma tanta proteção, Vincent não sentia-se como ele mesmo, a independência conquistada em seu período de recuperação e nas visitas anuais do clube inexistiam em sua própria casa. E agora que as mulheres da sua vida decidiram que o melhor para ele é casar-se, ainda que tivesse apenas vinte e três anos, a pressão foi ainda maior. Vincent sabe que, agora que possui um título, é esperado que se case e tenha um herdeiro, mas imaginar que não teria o livre-arbítrio para escolher a própria esposa era um absurdo sem tamanho.

Depois de sua família arquitetou a visita de uma jovem e sua família e ficou claro que ela esperava seu pedido de casamento, Vincent simplesmente fugiu com seu valete e melhor amigo, Martin Fisk. Entretanto, depois de alguns dias de liberdade em Lake District ainda não estava pronto para voltar para Middlebury Park e nem pretendia incomodar George antes do previsto e sem o restante do clube, assim, decide ir para a casa da sua infância, Casa Covington, onde sente realmente ser seu lar, com tantas lembranças felizes.
Ela aceitaria se casar com ele, apesar de ele ser cego.
Era óbvio que ela se importava.
Estava irritado com a mãe e as irmãs por imaginarem que deficiência mental era um dos sintomas da cegueira.
P. 09 
Ao retornar para Barton Coombs é visível a mudança que ocorre em Vincent, que, desde que voltou do front, nunca havia retornado lá. Sem a família para lhe cercar de cuidados, Vincent recebe seus vizinhos, conhecidos, todos curiosos em saber como ele estava, ainda mais depois de ter ido para guerra, ter ficado cego e herdado um título de nobreza. Receber visitas, interagir com as pessoas, ir à um baile em sua homenagem, tudo isso mostra que Vincent pode sim levar uma vida absolutamente normal, com confiança e é no baile em sua homenagem que ele conhecerá Sophia Fry, que o ajudará a escapar de uma senhora enrascada.

Sophia vive há dois anos com a família de sua tia Martha, mas isso não significa muita coisa. Desde que sua mãe a abandonou com o pai, a vida foi uma incerteza. Jogos, dívidas, aluguel atrasado. Quando o pai morreu em um duelo, ela tinha quinze anos e, por falta de opção, foi morar com a tia Mary, que logo disse que ela era um caso perdido e a ignorava quase completamente. É bem verdade que ela tinha um teto, comida e uma roupa nova sempre que necessário, mas a falta de carinho e atenção não ajuda em nada. Com a morte da tia Mary, a irmã dela (tia Martha) se viu obrigada a abrigá-la sob seu teto, mas essa a menosprezou ainda mais. Tanto ela quanto o marido - sir Clarence March - e a filha - Henrietta - que tinha idade aproximada a de Sophia a ignoravam, a não ser quando precisavam de algo, tanto que o comentário é que as pessoas praticamente não viam Sophia em Barton Coombs e que ela se vestia pior que os empregados.

Sophia sabia dos planos dos tios para que Henrietta se case com Vincent, afinal agora ele é um visconde, mas ela conseguirá frustrar esses planos, o que a coloca em uma situação ainda pior do que a que estava: não tem mais onde morar. Claro que Vincent, ao saber da situação, não poderia deixar uma pessoa que o ajudou passar por uma situação assim e acaba pedindo-a em casamento, dessa forma, ele a ajuda tendo um lar, um teto, uma família e ela o ajuda à retornar para Middlebury Park como uma nova pessoa, casado, com uma senhora para o seu lar, para estar junto com ele.
Ele sorriu. Talvez não tivesse sido tão precipitado assim, afinal de contas. Tinha a forte sensação de que poderia vir a gostar dela - não apenas por estar determinado a gostar, mas porque...
Bem, porque ela era uma pessoa digna de ser amada.
P. 89
Na cabeça de Sophia, é claro que essa ideia não é a melhor, mas o desejo de ser acolhida acaba falando mais alto, ela aceita o pedido e a vida dos dois toma outro rumo.

Sophia terá a oportunidade de conhecer os amigos de Vincent do clube dos sobreviventes durante seu casamento e, ao chegarem em Middlebury Park, irá descobrir o que é viver verdadeiramente em família. Por outro lado, Vincent sente-se mais confiante e isso o ajudará a impor seu lugar em sua casa, na condução de sua vida. Amizade se torna companheirismo e a sedução entrará nessa equação, que levará o simples acordo à um casamento de cumplicidade.
Agora era sua esposa. Ela o conhecia intimamente - muito intimamente. Apesar de sua beleza quase inacreditável, era apenas um homem. Apenas uma pessoa. Como ela, era vulnerável. Como ela, vinha levando uma vida em muitos aspectos passiva. Como ela, sentia a necessidade, o intenso desejo de viver. De levar a melhor sobre a vida em vez de simplesmente suportá-la. De ser livre e independente...
P. 174
O crescimento das personagens é impressionante e o casamento deles é de uma cumplicidade única. Ficamos na torcida para que eles sejam felizes e consigam a independência que desejam e que isso seja possível de ser conquistado estando juntos.

Lindo? Com certeza 😍

Compre na Amazon
Comentários
7
Compartilhe

17 abril, 2018


[Resenha] Uma Proposta e Nada Mais - Mary Balogh

Ficha Técnica 

Título: Uma Proposta e Nada Mais
Título Original: The Proposal
Autor: Mary Balogh
ISBN: 978-85-8041-817-0
Páginas: 272
Ano: 2018
Tradutor: Livia de Almeida
Editora: Arqueiro
Primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes, Uma Proposta e Nada Mais é uma história intensa e cativante sobre segundas chances e sobre a perseverança do amor. Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela. Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa. Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Resenha


Depois de adorar Os Bedwyns chegou a hora de iniciar a nova série da Mary Balogh, Clube dos Sobreviventes, que traz uma nova proposta de capas da Editora Arqueiro que eu achei lindíssima.

Em Uma Proposta e Nada Mais, o primeiro livro dessa série conhecemos Hugo Emes, lorde Trentham. Hugo é da classe média, mas seu pai sempre trabalhou muito e tornou-se um homem rico e foi graças a esse dinheiro que seu pai pode comprar-lhe uma patente no exército quando Hugo lhe informou que esse era o desejo de seu coração. Durante os anos de guerra Hugo trabalhou arduamente por suas promoções e, após sobreviver à uma missão suicida recebeu o título de lorde pelo rei. Entretanto, nunca o agradou ser lembrado por essa missão, que lhe cobrou um preço muito alto. Quando saiu do exército foi encaminhado para a casa de George Crabbe, o duque de Stanbrook, na Cornualha, um homem que vinha ajudando jovens a se recuperarem depois da guerra. Assim, surgiu o clube dos sobreviventes, formado por George, Hugo, Flavian Artnott - visconde Ponsonby, Ralph Stockwood - conde de Berwick, Vincent Hunt - lorde Darleigh, Imogen Hayes - lady Barclay e sir Benedict Harper.

Agora, depois de "recuperado", o grupo encontrava-se uma vez por ano em Penderris Hall para se fortalecer como grupo, apoiar uns aos outros. Como Hugo não compareceu à reunião do ano anterior devido o falecimento do pai, é uma grande festa o fato dele ter ido e as novidades que traz, a necessidade de casar-se para ajudar a irmã caçula a encontrar um marido e ter um filho para quem deixar seu legado, promessas feitas ao pai em seu leito de morte.

Entretanto, assim que chega em Penderris Hall acaba conhecendo Gwendoline Grayson, lady Muir, que estava passando um mês hospedada na casa de Vera Parkinson, uma conhecida de quando debutou e que acabou de perder o marido. Gwen, também viúva, vivia em Newbury Abbey, Dorsetshire, com a mãe, mas ao contrário de Vera, não se deixou abater mesmo tendo perdido um filho e o marido e um curto espaço de tempo e, mesmo depois de sete anos não havia sentido a necessidade de casar-se novamente.

No entanto, essa visita lhe despertou uma solidão que há muito não sentia. Após um breve desentendimento com sua anfitriã, saiu para uma caminhada na praia que terminou  em uma torção  severa no tornozelo, agravado pelo fato de ter sido na mesma perna que havia ficado mais curta após um acidente no passado.

Com a ajuda de Hugo, que ela não havia visto até então, foi levada à Penderris Hall e logo o duque lhe chamou o médico e a amiga. As recomendações era de não ser levada de volta para casa por pelo menos uma semana e assim, foi feita membro honorável do clube dos sobreviventes. Nesse período Gwen pode conhecer o carrancudo Hugo e tudo que ele não permitia que outras pessoas, com exceção dos seus amigos soubessem e Hugo viu que, mesmo Gwen sendo uma dama da sociedade, tinha também seus medos e segredos para carregar.
Quando alguém enfrentava um grande sofrimento, sempre restava alguma fragilidade, uma vulnerabilidade onde antes houvera integridade e força, até mesmo inocência.
P. 45
Embora de idade próximas - Hugo, 33 e Gwen, 32 - a experiência de vida dos dois eram bem diferentes. Hugo foi criado para assumir os negócios do pai, mas acabou indo indo para a guerra, onde enfrentou muitas dificuldades e situações que certamente endurecem a alma humana. Gwen sempre foi uma lady, debutou e casou rapidamente, mas seu casamento não foi tão feliz e próspero como todos pensam e após suas perdas não pensou novamente em ter um marido. Mesmo sendo de mundos diferentes, Hugo e Gwen sentem-se atraídos um pelo outro, mas a razão os impede de seguir em frente e tentar algo. Mas como Hugo ainda precisa de ajuda com sua irmã, Gwen se oferece para ser madrinha dela na sociedade.
Ele se irritava principalmente porque ela o perturbava. Não que desgostasse dela, como no dia anterior. Mas ela fazia parte de um mundo desconhecido. Era bela, elegante, bem-vestida, segura de si e encantadora. Tudo o que uma dama deveria ser. E ela o atraía, o que o incomodava. Sempre fora capaz de olhar para as damas - até apreciar sua beleza e encantos - sem desejá-los. Não se deve desejar espécies desconhecidas, por mais belas que sejam.
P. 80
Mary constrói um romance entre duas pessoas de classes diferentes e nos mostra que são muito sensatas em pensar no todo e não apenas no desejo que sentem no momento. Claro que como fã de romances que sou, ficava torcendo para que eles conseguissem encontrar as respostas para as "dificuldades" que previam que viriam pela frente. Gwen se adaptaria ao mundo de Hugo, sua família? E ele, se adaptaria à dela?

Além disso, não posso deixar de mencionar os demais personagens. Mary sempre constrói personagens que ganham vida ao longo das páginas. Alguns autores focam nos protagonistas e os demais são só figurantes, mas não aqui e não falo apenas dos outros integrantes do clube dos sobreviventes. A família de Hugo, a família de Gwen são personagens com nome, sobrenome, uma história e um motivo para estar ali e tudo isso deixa a história ainda melhor.

E, para dar aquela pitada de saudosismo, nosso querido duque de Bewcastle apareceu rapidamente aqui, sendo maravilhoso como sempre.

Agora é esperar pelos próximos livros e conhecer mais o Clube dos Sobreviventes.

Amazon | Submarino | Americanas
Comentários
2
Compartilhe
 
imagem-logo
De Tudo um Pouquinho - Copyright © 2016 - Todos os direitos reservados.
Layout e Programação HR Criações