15 julho, 2022


[Resenha] O Fogo da Perdição - Elizabeth Hoyt


Ficha Técnica 

Título: O Fogo da Perdição
Título Original: To Desire a Devil
Autor: Elizabeth Hoyt
ISBN: 978-65-5587-496-9
Páginas: 336
Ano: 2022
Tradutor: Carolina Simmer
Editora: Record
Reynaud St. Aubyn passou os últimos sete anos em um cativeiro infernal. Escravizado por uma tribo indígena, ele carrega traumas físicos e psicológicos. Após conquistar sua tão sonhada liberdade, ele finalmente adentra a mansão do conde de Blanchard exigindo o título que lhe é de direito. Mas o que todos que presenciam a cena veem é um homem louco, maltrapilho e delirante, bem diferente do distinto cavalheiro inglês que o visconde costumava ser. Será que aquele sujeito de olhar perdido é mesmo o herdeiro do falecido conde? A mesma pessoa que todos acreditavam ter sido assassinada pelos indígenas?
Beatrice Corning, sobrinha do atual conde de Blanchard, é uma dama inglesa. Mas ela tem um segredo: nenhum homem mexe tanto com ela como o jovem bonito e encantador retratado em um dos quadros da casa de seu tio. Então, de repente, aquele homem está ali, em carne e osso, seduzindo-a para sua cama.
Apenas Beatrice consegue enxergar o nobre rapaz sob aquela armadura selvagem. Reynauld sente-se atraído pela adorável dama, ainda que esteja incerto sobre depositar sua confiança nela. Afinal de contas, ela é protegida do homem que tomou seu título e sua herança. Mas será que o amor de Beatrice será capaz de domar um homem disposto a fazer de tudo para reconquistar o que é seu por direito, inclusive sacrificar a inocência dela?

Resenha


E chegamos ao final da série A Lenda dos Quatro Soldados com o livro O Fogo da Perdição, que nos trará um personagem que achávamos que estava morto, o visconde Hope. E tenho que dizer que Reynaud soube fazer sua entrada.

Nos livros anteriores vimos SamuelJasper e Alistair reconstruírem suas vidas após o massacre de Spinner's Falls, mas eles voltaram de lá há sete anos e, mesmo assim, eles só conseguiram fazer isso recentemente, então sabemos que não é nem um pouco simples ou fácil. E poucos foram os sobreviventes. Entretanto, algumas mortes foram certas, eles mesmos as viram, assim como a de Reynaud, havia um homem com a sua roupa morto no acampamento, como eles poderiam imaginar que o visconde estava vivo e escravizado na aldeia indígena?
A questão era: será que, por baixo de todo aquele cabelo e da barba, da sujeira e da loucura, ele ainda era a mesma pessoa que posara para aquele retrato tanto tempo atrás?
Posição 6%
Reynaud Michael Paul St. Aubyn passou por horrores indescritíveis nos últimos sete anos: longe de casa, abandonado por pessoas que acreditava que fossem seus amigos, escravizado, humilhado, lutando para sobreviver dia após dia. Mas agora que tinha conseguido escapar do cativeiro e chegar à Inglaterra, ele precisava chegar à casa de seu pai e tudo ficaria bem… Mas muita coisa tinha acontecido em sete anos na Inglaterra também.

Beatrice Corning é sobrinha do atual conde de Blanchard, que reivindicou o título quando o pai de Reynaud faleceu cinco anos atrás. A mãe dela faleceu no parto e o pai, quando ela tinha cinco anos, assim, ela foi morar com o tio Reggie e a esposa dele, ou seja, agora, tio Reggie é a única família que ela tem. Desde que ela e o tio se mudaram para a mansão do conde de Blanchard, o quadro do visconde Hope a atrai por causa de seu olhar risonho, mas agora, o homem que atraiu tanto sua atenção pode ameaçar a segurança da sua família… e de seu coração.
Ela tocou a mão larga e quente dele. Devagar, enfiou os dedos sob a palma até segurá-la. Hope a apertou de leve. Um ponto de calor surgiu em seu peito, espalhando-se aos poucos, como uma poça de água quente se expandindo, até seu corpo inteiro estar iluminado por dentro, e ela identificou aquele sentimento. Felicidade. Ele a deixou extrema e indecentemente feliz com um leve apertar de seus dedos, e ela notou que precisaria tomar cuidado com aquela sensação. Que precisaria tomar cuidado com ele.
Posição 15%
A viagem até a Inglaterra não foi fácil, e Reynaud chegou febril, o que resultou em sua entrada caótica no meio de uma recepção, caindo, e, ainda por cima, parecendo um selvagem. Completamente diferente do que se é esperado de um lorde inglês. Claro que, ao descobrir a respeito da morte do pai e que um homem que desconhece usurpou o seu título, a meta da vida dele passa a ser recuperá-lo a qualquer custo, mas nesse meio-tempo, talvez a sua "prima" seja uma companhia agradável de se ter por perto.

Beatrice é a única que procura o homem do quadro embaixo de toda a aspereza de Reynaud, mas sete anos escravizado e longe da sociedade londrina foram duros demais com ele, mas ela não desiste dele e, ao ser apontado como louco (um dos únicos motivos que poderiam realmente impedi-lo de conseguir seu título de volta), ter uma esposa seria muito bom para sua reputação e a única pessoa que ele consegue pensar para ocupar esse lugar é Beatrice.
— Eu não fiz isso.
— Fez, sim.
—Não… — Vale se interrompeu para soltar o ar com força pelas narinas. — Nós parecemos dois garotos prestes a cair no tapa por causa de doces.
— Humm — resmungou Reynaud, desviando o olhar.
Ele sentiu uma vontade inexplicável de arrastar os pés para a frente e para trás.
Posição 40%
Enquanto avançamos nos capítulos, vemos Reynaud tentando recuperar sua vida à medida que Bea tenta entender o que aconteceu com ele durante o período de cativeiro e como isso o transformou. Também é possível ver o relacionamento dele com o melhor amigo, Jasper, cambalear em uma tentativa de ser retomado (o que eu torci muito, afinal, ele precisava muito disso) e, não menos importante, chegou o momento de descobrir quem era o tal traidor, a pessoa que causou o massacre de Spinner's Falls e o motivo de ter feito isso e confesso para vocês que eu tinha um palpite e errei. Além disso, as fábulas que conhecemos ao longo dos quatro livros também têm seu desfecho aqui e de uma maneira bem especial.

Eu adorei a série e já estou pronta para mais uma.
Aquela mulher era real. Talvez ele nunca mais voltasse a ser o cavalheiro inglês civilizado que Beatrice merecia, mas ela era exatamente o que Reynaud queria. Aquilo de que ele precisava. Ela era afetuosa e acolhedora, e era seu lar.
Posição 55%


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10 junho, 2022


[Resenha] As Garras do Desejo - Elizabeth Hoyt


Ficha Técnica 

Título: As Garras do Desejo
Título Original: The Beguile a Beast
Autor: Elizabeth Hoyt
ISBN: 978-65-5587-120-3
Páginas: 335
Ano: 2020
Tradutor: Caroline Simmer
Editora: Record
Poderá a fera machucada confiar seus desejos mais secretos a uma bela mulher com um passado turbulento e viver uma grande paixão?
A vida de Sir Alistair Munroe, era viajar exaustivamente para estudar, catalogar e publicar livros sobre a fauna e a flora. Porém, ele precisou lutar pela sua sobrevivência como soldado na guerra entre franceses e britânicos em suas colônias na América. Depois de retornar com muitas cicatrizes físicas e emocionais, o recluso naturalista se esconde em seu castelo na Escócia. No entanto, quando uma bela e misteriosa mulher bate à sua porta, os sentimentos que tanto reprimia vêm à tona novamente.
Famosa por sua beleza, Helen Fitzwilliam viveu os últimos anos desfrutando do luxo da alta sociedade. Disposta a fugir dos erros do passado, aceita trabalhar em um castelo como governanta em troca de abrigo. Helen está determinada a começar uma nova vida e não vai deixar que nada a afaste de seu propósito.
Alistair logo descobre que Helen é muito mais que uma mulher bonita. Corajosa e sensual, ela não se deixa intimidar pela hostilidade dele nem pelas cicatrizes em sua pele, e fica intrigada com a ferocidade do misterioso homem. Mas, quando Alistair começa a acreditar no amor verdadeiro, o passado secreto de Helen ameaça separá-los. Agora, os dois precisam lutar pela única coisa que nunca acreditaram que encontrariam: um final feliz.

Resenha


Seguindo — depois de bastante tempo — com a série A Lenda dos Quatro Soldados, As Garras do Desejo traz Helen Fitzwilliam, que nós conhecemos em O Sabor do Pecado e sabemos que era a amante do duque de Lister, ou melhor, uma das amantes dele.

Durante catorze anos Helen viveu um relacionamento pela metade, mas no início, aos dezessete anos, ela acreditava estar apaixonada, mas agora, com dois filhos, ela tinha certeza de que isso não era verdade e que ela precisava sumir e levar Abigail e Jamie para o mais longe possível, pois, ainda que Lister jamais tenha amado os filhos, ou mesmo ela, ele os tratava como posses, e não admitia perder nada. Foi por isso que, com a ajuda da viscondessa de Vale, ela se viu atravessando a Inglaterra rumo ao ermo castelo Greaves para ser a nova governanta de Sir Alistair Munroe.

Nós também conhecemos Alistair brevemente em O Sabor do Pecado, então dá para imaginar que essa ideia da viscondessa está longe de dar certo (e como eu havia mencionado antes também). Assim como Samuel e Jasper, Alistair estava no vigésimo oitavo regimento durante do ataque de Spinner's Falls, não que ele fosse um militar. Ele é um naturalista e estava coletando informações para seu primeiro livro e, nada mais seguro do que acompanhar os regimentos de Sua Majestade. Ele só não esperava ser capturado, torturado e voltar vivo e desfigurado para casa: um lado do rosto queimado, sem um olho, dois dedos faltando na mão direita.

Agora, mais de sete anos depois de ter voltado das colônias, ele vivia recluso em seu castelo por causa da reação das pessoas à sua aparência, sempre com gritos, histeria, cochichos e até desmaios. Nem criados ele tinha. Imagine ter uma governanta — que ainda por cima era bonita — e duas crianças, sendo que uma delas reagiu como todos ao vê-lo, gritou? Não, ele certamente não precisava de uma governanta. Ele podia muito bem continuar vivendo ali sozinho com Lady Grey, sua lebréu escocesa e seus estudos. Nem mesmo Sophia, sua irmã e única família, o via com frequência.
— Venha, menina.
Alistair se inclinou e, com cuidado, a pegou no colo, pressionando-a contra o peito. Sob suas mãos, sentia o coração de Lady Grey batendo, as pernas trêmulas. Ela era pesada, mas ele a manteve em seus braços enquanto subia até a torre. Ao chegar, ajoelhou-se e a acomodou em seu lugar favorito, no tapete diante da lareira acesa.
— Não precisa ficar com vergonha — sussurrou ele enquanto acariciava as orelhas dela. — Você é uma menina corajosa. É, sim, e, se precisar de ajuda para subir as escadas, estarei aqui para isso.
Posição 17%
Helen não podia se dar por vencida. Sir Alistair não parecia querê-la ali, mas era evidente que o castelo precisava de uma governanta, mas ela logo descobre que não há qualquer criado lá e, tendo vivido por anos em uma casa mantida pelo duque, ela precisaria se virar se quisesse mostrar que era necessária naquele lugar, ou ela precisaria pensar em outro lugar para fugir e levar os filhos.

Entretanto, ainda que diga que está bem em viver como vive, a verdade é que a chegada repentina de Helen, Abigail e Jamie mexe com a rotina de Alistair de uma maneira positiva. Logo ela contrata criados para limpar o castelo e tudo está diferente, mas ele sabe que em breve ela se cansará de passar aquele tempo ali — seja por qual motivo for — e irá embora, assim, ele não deve se apegar a algo que não pode ter.
— (…) Muitas pessoas acham que coragem se trata de um único ato de bravura no campo de batalha, algo feito sem qualquer prudência, sem qualquer consideração sobre as consequências. Um ato que acaba em um segundo ou um minuto, no máximo dois. O que meu irmão fez, o que faz até hoje, é viver com esse fardo há anos. Ele sabe que passará a vida inteira assim. E segue em frente. — A mulher se recostou na poltrona, os olhos ainda focados em Helen. — Para mim, isso é coragem de verdade.
Posição 43%
 Helen aprendeu a viver com seu passado, ela sabe que não pode voltar para Londres, onde todos sabem que ela é, ou foi a amante do duque de Lister e sabe que não tem o poder de mudar isso. Assim, só lhe resta erguer a cabeça e seguir em frente. Ainda que ao chegar na Escócia tenha usado outro sobrenome, é certo que Lister ainda deve estar procurando por ela e ele os encontrar, bem, ela pensará nisso quando o momento chegar, mas enquanto isso, o castelo Greaves é seguro o suficiente para seus filhos e isso é o bastante para ela. Além disso, a cada dia ela vê Abigail e Jamie mais felizes naquelas terras e ao lado do homem taciturno que também tem roubado seus pensamentos.
— Não sou um homem sofisticado e vivo no interior, então você teria que se contentar com flores silvestres. Violetas e papoulas no começo da primavera. Margaridas no outono. Rosas-mosquetas e cardos no verão. E, no fim da primavera, eu traria as campânulas que crescem nas colinas da região. Azuis, campânulas azuis, do mesmo tom dos seus olhos.
E foi então que Helen sentiu: algo se soltando, se libertando. Seu coração se livrou das amarras e saiu correndo, fugindo do seu alcance, do seu controle. Completamente livre, seguindo na direção daquele homem complexo, irritante e tão fascinante. Meu Deus, não.
Posição 66%
Na verdade, ainda que Helen fosse mantida como amante do duque, eles não estavam mais juntos há anos, o duque a mantinha apenas como posse realmente, então, Helen se vê finalmente sendo desejada por quem ela é e não apenas por seu corpo ou por inveja e isso para ela é completamente novo. Para Alistair, acostumado com as pessoas virando o rosto ao vê-lo, também é difícil acreditar que aquela mulher o deseja, mas nós que estamos do lado cá, lendo os capítulos e conhecemos os pensamentos dos dois sabemos que eles são o que o outro precisa. Porém, assim como Helen aprendeu a viver com seu passado, Alistair precisa aprender a viver com o dele.

Assim como nos livros anteriores, no início dos capítulos há trechos de uma fábula que faz parte de um livro que a babá de Emeline deixou para ela e que Melisande traduzisse antes de ir para os Estados Unidos. Aqui a fábula é do Contador de Verdades.
O amor que sentia por Alistair era completamente diferente. Ela conhecia seus defeitos, seu temperamento ruim e seu cinismo, mas também admirava suas melhores partes. Seu amor pela natureza, a docilidade que escondia da maioria das pessoas, sua lealdade inabalável.
Ela já viu seu pior e seu melhor lado, além de todas as partes complicadas entre esses dois extremos. Até sabia que havia coisas que ele ainda não havia contado, coisas que desejava ter tempo para descobrir. Ela sabia disso, e o amava apesar de tudo, ou talvez por causa de tudo. 
Posição 94%
Bem, eu adorei rever Jasper, ainda que tenha sido muito rápido e estou curiosa sobre o que realmente aconteceu em Spinner's Falls e espero descobrir isso no próximo livro, que acredito que é o último da série, O Fogo da Perdição. Também adorei ver Alistair e Lady Grey (ainda que meu coração tenha praticamente se partido ao meio em determinada cena) e vê-lo deixando outras pessoas entrarem em seu convívio foi incrível.

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13 abril, 2021


[Resenha] O Sabor do Pecado - Elizabeth Hoyt

Ficha Técnica 

Título: O Sabor do Pecado
Título Original: To Seduce a Sinner
Autor: Elizabeth Hoyt
ISBN: 978-85-01-11394-8
Páginas: 364
Ano: 2019
Tradutor: Silvia Caldiron Rezende
Editora: Record
Tudo que Jasper Renshaw precisa é se casar e gerar um herdeiro para o título de visconde de Vale. Ele espera encontrar uma dama bonita capaz de cumprir esse papel e, então, voltar para a vida de libertinagem que sempre levou ― uma vida que mantém afastadas as lembranças de um passado que ainda o assombra. No entanto, a sorte que Jasper tem para encontrar amantes não parece ajudar o visconde a mantê-las ao seu lado. Depois de ser abandonado pela segunda noiva em seis meses, ele recebe uma proposta irrecusável: Melisande Fleming se oferece para ser a futura viscondessa de Vale. Aos vinte e oito anos e ainda morando com o irmão, Melisande busca a independência que só um casamento pode lhe proporcionar. Ou, pelo menos, é o que ela conta a Lorde Vale. Mas a dama tem um segredo: há anos, ama Jasper e está disposta a viver um casamento sem amor só para ficar ao lado dele. Afinal, ela já amou uma vez, há muito tempo, mas teve o coração partido e não pretende passar por isso novamente. Mas, para seu desespero, Jasper logo se vê atraído por ela ― recatada durante o dia, sedutora à noite ― e garante que vai descobrir seus segredos. Os dois têm um passado que querem esconder, mas nenhum deles está disposto a revelar esses mistérios um para o outro. Quando começam um jogo de sedução, porém, os segredos que tanto queriam guardar vêm à tona, ameaçando separá-los.

Resenha


Depois do primeiro livro da série A Lenda dos Quatro Soldados, O Gosto da Tentação, em O Sabor do Pecado, conheceremos outro sobrevivente do massacre de Spinner's Falls. 

Jasper Renshaw, serviu no exército como capitão no vigésimo oitavo regimento por sete anos. Também há sete retornou à Inglaterra e agora é o novo visconde de Vale. Como parte de suas obrigações como visconde, Jasper precisa de um herdeiro para que o título se mantenha na família, mas encontrar uma esposa não tem sido fácil — mesmo com sua fama de ótimo amante. Sua primeira tentativa foi casar-se com Emeline, que mais estava para uma irmã do que esposa para ele, mas como sabemos, ela casou com Samuel. A segunda tentativa está indo por água abaixo nas primeiras páginas de O Sabor do Pecado, quando sua noiva, no momento do casamento, lhe pede que a deixe ir pois está apaixonada por um pároco. Assim, enquanto está na sacristia, após ter sido abandonado pela bela senhorita Mary Templeton, a amiga de Emeline — uma dama tão sem graça que ele sequer lembra o nome dela — o aborda e o pede em casamento. 

Melisande Fleming tem vinte e oito anos e está cansada de viver de favor na casa do irmão. Entretanto, este não é o único motivo para invadir a sacristia, fechar a porta, ficar sozinha com Jasper Renshaw e pedi-lo em casamento. Desde que foi apresentada a ele, e ele a ignorou completamente, Melisande é apaixonada por Jasper, mas não foi neste momento em que se apaixonou, afinal, ele nem prestou atenção nela, mas sim por ela vê-lo depois consolando um amigo (longe do baile, dos olhos de todos e claro que ela não deveria estar lá escondida observando).  
Melisande amava Jasper Renshaw havia seis longos anos. Fora logo após o retorno dele à Inglaterra que ela o conhecera em uma festa. É claro que Jasper nem a notara.
Posição 9%
Depois de dois casamentos frustrados, porque não aceitar um casamento fácil? Jasper sabe que a jovem é amiga de Emeline, ela é de uma família respeitável, aparentemente deve estar desesperada para casar por causa da idade e não vê muitas perspectivas em seu futuro… além disso, isso irá lhe poupar meses de idas a bailes, conhecer outras jovens, cortejá-las e, no fim, pode não dar certo, como foi com Mary. Realmente, o melhor seria casar e quanto antes, melhor. Assim, um mês depois da última tentativa frustrada de casamento, Jasper estava casado com Melisande. 

Depois de ter acompanhado a vida amorosa de Jasper à distância por seis anos — e sofrido com isso —, Melisande viu na desistência de Mary sua oportunidade de casar com o homem que amava, afinal, que mal poderia fazer? O não ela já tinha, não é mesmo? Mas, agora que ele aceitou e ela se tornou a viscondessa de Vale, precisa esconder o amor que sente e se aproveitar apenas da paixão, do que poderia ter no leito conjugal que imaginava de tanto que já tinha ouvido falar em sua fama como ótimo amante. Mas, como esconder esse sentimento? 
Foi difícil conter o sorriso malicioso. Quem diria que cortejar a própria esposa pudesse ser tão excitante?
Posição 36%
Assim como Melisande tinha o plano de esconder o amor que sentia por Jasper, ele tinha um plano de se casar, ter um ou dois filhos e ir em busca de uma amante, mas, viver com sua esposa tem se mostrado uma grande descoberta: ela parece mais perceptiva do que ele imaginava, seu desejo de conhecê-lo, de entendê-lo mesmo quando ele parece focado apenas em descobrir quem foi o traidor que levou ao massacre em Spinner's Falls. 

Enquanto tenta conhecer sua esposa, Jasper mostra mais de si mesmo, ainda que não fosse essa a intenção. O casal se descobre aos poucos e, para nós que conhecemos a verdade do coração de Melisande e sabemos dos segredos de Jasper, desejamos desesperadamente que eles se encontrem no caminho. 
O que fez exigia inteligência, paciência e muita compaixão. Compaixão por um cão que o mordera nessa mesma manhã. Se já não o amasse, teria se apaixonado nesse momento. 
Posição 45%
Como eu havia mencionado na resenha de O Gosto da Tentação, Jasper é um personagem que nos conquista imediatamente e essa é uma característica que Melisande mostra e que ele parece não perceber, como as pessoas querem estar perto dele, com sua alegria de viver. Eu amei ele. Melisande, que nos é apresentada como uma solteirona, está longe disso, e quando vamos conhecendo sua história, desejamos que ela finalmente encontre a felicidade e a paz, de preferência ao lado de Jasper, que também merece tudo isso. 

Assim como o primeiro livro, neste uma nova fábula inicia todos os capítulos, aqui é a de Jack, o risonho, e agora já sabemos que as fábulas são parte do livro de Emeline (uma lembrança da babá prussiana que ela teve quando criança), que pediu a Melisande que traduzisse pouco antes de se mudar para a América. 
Não a deixaria mudar de ideia. O amor de Melisande era um bálsamo, um alívio para suas cicatrizes, e ele o guardaria pelo resto da vida. 
Posição 88%
Bem, agora quero muito ler o próximo livro da série, As Garras do Desejo, pois já fomos apresentados aos protagonistas desta história aqui, e com certeza causará muito burburinho. Consigo imaginar o encontro desses dois (afinal dá para ter uma ideia em O Sabor do Pecado), mas não consigo pensar em como isso funcionará. Bem, só lendo para descobrir, não é mesmo?
— Quando conheci você, eu era um idiota. Sempre fui. Eu só via o exterior de latão que você usava para se esconder. Eu era muito fútil, muito parvo, muito tolo para enxergar além e ver a sua verdadeira beleza, minha querida esposa. 
Jasper ergueu os lindos olhos azul-turquesa, e ela via que emanavam adoração.
— Quero que entenda que agora eu vejo você de verdade. 
Posição 94%

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12 abril, 2019


[Resenha] O Gosto da Tentação - Elizabeth Hoyt

Ficha Técnica 

Título: O Gosto da Tentação
Título Original: To Taste Temptation
Autor: Elizabeth Hoyt
ISBN: 978-85-01-11378-8
Páginas: 378
Ano: 2018
Tradutor: Silvia Caldiron Rezende
Editora: Record
Lady Emeline Gordon é um exemplo de sofisticação entre a elite da sociedade londrina, uma mulher sempre elegante e extremamente educada. Por isso, ela é a dama perfeita para acompanhar Rebecca, a irmã mais nova de um bem-sucedido homem de negócios de Boston e ex-soldado das colônias. Samuel Hartley pode até ser um homem bem-afortunado, mas seus modos são tão selvagens quanto os confins das colônias onde foi criado. Afinal, quem usaria mocassins em um baile de gala? Sua arrogância e seu desprezo pelo decoro deixam Emeline furiosa, ainda que, no fundo, ela ache aquela ousadia atraente. No entanto, apesar da aparência rebelde, o ex-soldado é assombrado por uma tragédia: o massacre do 28º regimento, no qual centenas de seus companheiros morreram ― inclusive o irmão de Emeline, Reynaud. E é por esse motivo que Samuel está em Londres: para obter respostas, e não para se apaixonar. Mas isso não significa, porém, que seja fácil para ele controlar o próprio coração. Para Emeline, se afastar daquele homem também não é uma tarefa fácil, principalmente quando descobre que ele está tentando desvendar o mistério por trás da morte de seu irmão. À medida que os dois passam cada vez mais tempo juntos, se render àquela paixão se torna impossível. Mas Emeline não pode se comprometer com o forasteiro... por vários motivos. Só que algumas coisas estão além do controle de uma dama...

Resenha


O Gosto da Tentação é o primeiro livro da série A Lenda dos Quatro Soldados da Elizabeth Hoyt que, assim como a Trilogia dos Príncipes, está sendo publicada pela Editora Record.

O prólogo desse livro nos apresenta a lenda dos quatro soldados, mas deixa claro que começará contando a história do soldado Coração de Ferro e é dessa maneira que inicia cada capítulo, apresentando a fábula antes da história propriamente dita.
Coração de Ferro ganhou esse nome devido a um fato muito estranho. Apesar de seus membros, sua face e, de fato, todo o restante de seu corpo serem exatamente iguais aos dos demais homens criados por Deus, esse não era o caso de seu coração. Ele era feito de ferro e batia em seu peito, forte, resoluto e inabalável...
- Coração de Ferro
P. 11
Samuel Hartley foi criado em uma cabana no meio da floresta em Boston, aprendendo com o pai a caçar e a sobreviver do que a natureza dispunha. Anos depois se tornou soldado, lutou na guerra e agora é um empresário bem-sucedido na cidade. Explicitamente por causa de negócios, ele vai para Londres e sua irmã Rebecca o acompanha nessa viagem. O que Rebecca e ninguém mais sabe é que Samuel tem certeza de que o seu regimento foi traído na guerra, o que provocou a morte de quase todos os soldados e sua viagem é também para seguir com essa investigação.

Samuel chama atenção por onde passa. O fato de ser da colônia, ter um jeito diferente de se portar diante dos outros e usar mocassins e perneiras causa estranhamento e curiosidade, o que lhe rende alguns convites e permite que ele conheça sua vizinha, lady Emeline Gordon, uma viúva que é exemplo de sofisticação e elegância e atua como acompanhante de algumas jovens, que é o que Samuel busca para Rebecca – e para sua investigação.
Ele mantinha os braços cruzados, um ombro escorado na parede, e parecia estar interessado no que via. Como se as pessoas ali fossem as exóticas, não ele.
P. 13
A curiosidade de Emeline também é aguçada pelo estranho vizinho, mas ser abordada por ele para ser dama de companhia de sua irmã está longe do que ela imaginava, mas o fato do ex-soldado ter servido no mesmo regimento e ter sobrevivido ao massacre em que seu irmão morreu foi a razão para ela aceitar essa proposta – ainda que Rebecca não seja o tipo de jovem que ela costuma aceitar sob sua tutela.

Emiline é filha e irmã de condes, ou seja, foi criada dentro de uma família tradicional, mas agora se vê em uma situação que nunca imaginou: senhora de sua família. Primeiro Reynaud (o irmão) morreu na guerra, deixando o título para um primo; em seguida seu marido faleceu; e pouco tempo depois o pai. Agora ela cuida do filho e da tia e de seu patrimônio.

A aproximação por causa de Rebecca permite que Samuel e Emeline convivam mais e a atração entre eles fica cada vez mais evidente para eles, mas para ela é impossível sequer cogitar ter qualquer envolvimento com ele por causa da diferença social entre eles e pelo fato dela estar noiva de Jasper Renshaw, o visconde Vale, que também esteve na guerra, no mesmo regimento que Samuel e Reynaud.
Ele jamais se adaptaria à sociedade inglesa, e, na verdade, nem queria. Aquela era a vida que Emeline levava. Casas bonitas, conhaque francês legítimo, bailes que acabavam muito depois da meia-noite. O oceano que separava o mundo dela do seu - tanto metafórica quanto fisicamente - era imenso. Sam sabia de tudo isso, já pensara a respeito inúmeras vezes.
E não fazia diferença.
P. 272-273
Ao contrário de muitos romances de época que já li, esse traz uma protagonista viúva, ou seja, sem aquela inocência que estamos acostumadas, das protagonistas virginais. Samuel também difere bastante como personagem: ele foi criado na floresta, estudou em um internato, depois foi para a guerra, vive em Boston – onde é um empresário respeitado – e mesmo estando em outro país, onde sua cultura e dinheiro não são tão bem vistos, não abaixa a cabeça. Também adorei Rebecca e espero que ela seja protagonista em um dos livros, o fato dela querer um relacionamento com o irmão, de entendê-lo é lindo e mostra como a diferença entre eles é grande, mas nem por isso ela desiste dele. Jasper é um amor, meio destrambelhado – é verdade – mas não tem como não gostar dele e será o protagonista no próximo livro, O Sabor do Pecado. Ahh e O’Hare também 😍, quero livro dele também, um personagem secundário que apareceu pouquíssimo, mas agregou muito em suas cenas.
Não fazia sentido desejar uma mulher que não o queria. Em Boston, Sam era uma pessoa respeitada, um líder da área comercial graças aos negócios do tio e à fortuna que ele havia acumulado desde que herdara tudo.
(...)
E, agora, sentia um desejo idiota e desesperado por uma mulher que jamais poderia ser sua. Uma mulher que queria um homem civilizado. Por que ela? Por que aquela aristocrata afetada que nem gostava dele?
P. 133
Eu gostei bastante da história que a Elizabeth desenvolveu em O Gosto da Tentação e espero que os próximos livros não demorem a ser publicados, afinal, além das histórias, teremos o restante da fábula dos quatro soldados.

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