21 janeiro, 2017


[Resenha] Todo Mundo Vê Formigas - A. S. King


Ficha Técnica

Título: Todo Mundo Vê Formigas
Título Original: Everybody Sees the Ants
Autor: A. S. King
ISBN: 978-85-8235-411-7
Páginas: 235
Ano: 2016
Tradutor: Marcelo Salles
Editora: Gutenberg

A 1ª coisa que você precisa saber é que tudo o que eu fiz foi uma pergunta idiota. A 2ª coisa que você precisa saber é que essa pergunta idiota me trouxe muitos problemas com Nader McMillan, o cara que faz bullying comigo desde que eu tinha 7 anos. E uma semana atrás ele pegou bem pesado comigo. Foi aí que eu comecei a ver formigas. A 3ª coisa que você precisa saber é que meu avô Harry desapareceu durante a Guerra do Vietnã e nunca foi encontrado. Então, todas as noites, eu tento resgatá-lo da sua prisão na selva em meus sonhos. Mas nunca consigo. A 4ª coisa que você precisa saber é que minha mãe é uma lula e meu pai, uma tartaruga. Ela tenta afogar os seus problemas nadando o dia todo em uma piscina pública, e ele nunca está por perto e desaparece dentro da casca no primeiro sinal de confronto. Então, se juntarmos Nader McMillan, a minha pergunta idiota, vovô, e tudo o mais na minha vida, somos só eu e as formigas.

Resenha

Não é muito fácil ser adolescente, acredito que ninguém discorda disso. Agora imagina passar por essa fase complicada e ser alvo de outros adolescentes que decidiram que seria "engraçado" transformar sua vida em um inferno. Lucky Linderman conhecia na pele os danos causados pelos ditos valentões do colégio.

Inicialmente, Lucky acreditava que Nader e Danny eram seus amigos. E em uma dessas conversas entre os três surgiu uma piada entre eles e que Lucky decidiu que podia ser a pergunta para o seu projeto de Ciências Sociais. A pergunta era: Se você fosse cometer suicídio, qual método escolheria? O que para os supostos amigos de Lucky e para o garoto parecia uma pergunta inofensiva, se tornou o grande motivo para a perseguição de Nader ao protagonista.

Nader é aquele típico valentão que sabe como amedrontar suas vítimas. Ele acaba fisicamente e psicologicamente com o seu alvo. É tão perverso que faz com que a vítima, por não suportar as agressões, pense em um ato desesperado para cessar a dor da humilhação. Depois de tantas agressões, tantos momentos humilhantes, Lucky não pensava em cometer suicídio, pelo menos ele batia pé firme que não. Essa pergunta foi o estopim para a perseguição e para o conselho do colégio que enxergava um problema em Lucky. A preocupação era o quê a sua pergunta podia significar. 

Quem deu todo suporte familiar a Lucky foi a sua vó Janice. Era pai e mãe de um garoto que tinha pais vivos e ausentes. Até os sete anos ela se dedicou ao seu neto e em seu leito de morte pediu que ele procurasse por ser avô Harry, um franco-atirador que foi convocado para servir no Vietnã. Com quinze anos, numa casa onde a sua mãe fingia que estava tudo bem e preenchia o vazio que sentia nadando e um pai ausente, que só sabia conversar sobre um assunto, Lucky começou a ter sonhos com seu avô, como se ele estivesse no Vietnã.

Nesse cenário de fuga da realidade, onde ele se encontrava com seu avô em sonho, o garoto passa por outra fuga. Sua mãe decide, após uma agressão física de Nader a Lucky, que eles devem passar um tempo na casa de seu tio Dave e sua esposa Jodi. Lucky que já tinha enfrentado um conselho inteiro que achava que ele ia se matar, teve que lidar com tia Jodi e suas suspeitas de infelicidade por parte do garoto. Nessa nova cidade, ainda que por um curto período, Lucky conhece pessoas que mudam a sua forma de encarar o mundo.

Segundo livro de A. S. King publicado pela Editora Gutenberg, Todo Mundo Vê Formigas é um livro que buscou tratar de muitos temas em poucas páginas. O bullying sofrido por Lucky, em minha opinião, deveria ter sido o assunto chave para a condução da história, porque a partir dele nós conheceríamos o perfil do protagonista e os outros problemas por ele enfrentados. O título da obra é uma referência a um momento em que o garoto começa a ter visões com formigas e elas dizem coisas a ele, como se fosse o seu subconsciente. A autora tem como público os jovens e entendo que em seus livros ela queira tratar de temas que façam parte do cotidiano deles, entretanto, o que me deixou um pouco incomodada foi o pouco desenvolvimento desses assuntos. Talvez o excesso de temas importantes e o número de páginas reduzido tenha sido responsável pelo pouco desenvolvimento desses temas.
"Bem, quantas pessoas você acha que vivem vidas perfeitas, filho? Todos nós somos vítimas de algo uma hora ou outra, não?"
P. 206
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