09 maio, 2017


[Resenha] A História do Futuro de Glory O'Brien - A.S. King

Ficha Técnica 

Título: A História do Futuro de Glory O'Brien
Título Original: Glory O'Brien's History of the Future
Autor: A.S. King
ISBN: 978-85-8235-434-6
Páginas: 238
Ano: 2017
Tradutor: Eric Novello
Editora: Gutenberg
A História do Futuro de Glory O’BrienO fim do ensino médio é uma época de possibilidades infinitas – mas não para Glory O’Brien, uma jovem norte-americana que não tem nenhum plano para o futuro. Sua mãe cometeu suicídio quando Glory tinha apenas 4 anos, e ela nunca parou de se perguntar se seguiria o mesmo caminho… Até que numa noite transformadora ela começa a experimentar um novo e surpreendente poder que lhe permite enxergar o passado e o futuro das pessoas. De antepassados a muitas gerações futuras, a jovem é bombardeada com visões – e o que ela vê pela frente é aterrorizante: um novo líder tirânico toma o poder e levanta um exército. Os direitos das mulheres desaparecem. Uma violenta segunda guerra civil explode. Jovens garotas somem diariamente, vendidas ou confinadas em campos de concentração.  Sem saber o que fazer, Glory decide registrar todas as suas visões, na esperança de que a sua História do Futuro sirva de alerta e evite o que vem por aí. Mas será que as pessoas vão acreditar nela? Será que estarão dispostas a fazer o que é necessário para impedir a concretização daquele destino medonho? Nesta obra-prima sobre feminismo, liberdade e escolhas, A. S. King mais uma vez nos brinda com seu realismo fantástico para contar a história de uma garota que tenta lidar com uma perda devastadora.

Resenha

A História do Futuro de Glory O'Brien, de A.S. King, é o terceiro livro da autora publicado pela Editora Gutenberg. E confesso que não foi uma das leituras mais fáceis. A escrita da autora que me encantou tanto em Os dois mundos de Astrid Jones não conseguiu me prender através das páginas de A História do Futuro de Glory O'Brien.

O livro nos apresenta a protagonista e narradora da história: Glory. Uma adolescente de 17 anos, sem muitos amigos, quase se formando no ensino médio e que mora com seu pai. Um acontecimento do passado é muito presente na vida da garota. A mãe de Glory cometeu suicídio e ela se tornou orfã de mãe aos 4 anos. Seu pai nunca conversou com ela sobre o que aconteceu e existem perguntas intermináveis dentro de sua cabeça. E existe o temor de acabar não suportando esse mundo igual a sua mãe.

Glory tem Ellie, sua amiga e vizinha desde sempre, mas que a protagonista não consegue dividir seus problemas e nem conversar sobre assuntos mais "pesados" e difíceis. Glory ao decorrer da história percebe que Ellie tem um comportamento que ela considera estranho e que, no futuro, pudesse interferir na relação delas. Ellie vive em uma comunidade e tem hábitos completamente diferentes de Glory, mas, de alguma maneira, sempre foram conectadas.

Existe um morcego, morto, que é um elo entre as amigas. Em uma noite com algumas cervejas e desabafos, as adolescentes bebem o pó, que são os restos do morcego, misturado a cerveja. Um dia após essa mistura, as garotas começam a ter visões do passado e futuro das pessoas. Por exemplo, elas podem estar em um shopping, observar alguém e automaticamente sabem seu passado (dos ancestrais do observado) e o futuro.

A.S. King é uma autora para um público jovem e, como escrevi na resenha de Todo Mundo vê Formigas, entendo perfeitamente que ela decida escrever sobre o que se passa no cotidiano deles. Inclusive, acredito que é muito importante que livros infanto-juvenis e livros juvenis tragam temáticas importantes, desenvolvam e ao final deixem a sua mensagem. Não encaro como obrigação do autor juvenil tratar sobre temas que fazem parte da vivência dos jovens, mas se o livro é destinado a esse público qual a razão de não se discorrer sobre eles? A.S. King, em minha opinião, não desenvolveu o tema que ela pretendia tratar. No verso do livro é colocado que A História do Futuro de Glory O'Brien é sobre feminismo e não concordo. Citar alguns assuntos que mostram que as personagens não devam seguir padrões e que possam tomar decisões com base em suas vontades não torna o livro feminista porque a autora não desenvolve. Terceiro livro que leio de A.S. King e a história parece não acontecer. O leitor espera que Glory consiga lidar com os problemas e angústias mas não consegue se conectar com a personagem.
O passado nem sempre precisa ser o presente.
O presente nem sempre precisa ser o futuro.
P. 186
Compare e Compre
Comentários
14
Compartilhe

21 janeiro, 2017


[Resenha] Todo Mundo Vê Formigas - A. S. King


Ficha Técnica

Título: Todo Mundo Vê Formigas
Título Original: Everybody Sees the Ants
Autor: A. S. King
ISBN: 978-85-8235-411-7
Páginas: 235
Ano: 2016
Tradutor: Marcelo Salles
Editora: Gutenberg

A 1ª coisa que você precisa saber é que tudo o que eu fiz foi uma pergunta idiota. A 2ª coisa que você precisa saber é que essa pergunta idiota me trouxe muitos problemas com Nader McMillan, o cara que faz bullying comigo desde que eu tinha 7 anos. E uma semana atrás ele pegou bem pesado comigo. Foi aí que eu comecei a ver formigas. A 3ª coisa que você precisa saber é que meu avô Harry desapareceu durante a Guerra do Vietnã e nunca foi encontrado. Então, todas as noites, eu tento resgatá-lo da sua prisão na selva em meus sonhos. Mas nunca consigo. A 4ª coisa que você precisa saber é que minha mãe é uma lula e meu pai, uma tartaruga. Ela tenta afogar os seus problemas nadando o dia todo em uma piscina pública, e ele nunca está por perto e desaparece dentro da casca no primeiro sinal de confronto. Então, se juntarmos Nader McMillan, a minha pergunta idiota, vovô, e tudo o mais na minha vida, somos só eu e as formigas.

Resenha

Não é muito fácil ser adolescente, acredito que ninguém discorda disso. Agora imagina passar por essa fase complicada e ser alvo de outros adolescentes que decidiram que seria "engraçado" transformar sua vida em um inferno. Lucky Linderman conhecia na pele os danos causados pelos ditos valentões do colégio.

Inicialmente, Lucky acreditava que Nader e Danny eram seus amigos. E em uma dessas conversas entre os três surgiu uma piada entre eles e que Lucky decidiu que podia ser a pergunta para o seu projeto de Ciências Sociais. A pergunta era: Se você fosse cometer suicídio, qual método escolheria? O que para os supostos amigos de Lucky e para o garoto parecia uma pergunta inofensiva, se tornou o grande motivo para a perseguição de Nader ao protagonista.

Nader é aquele típico valentão que sabe como amedrontar suas vítimas. Ele acaba fisicamente e psicologicamente com o seu alvo. É tão perverso que faz com que a vítima, por não suportar as agressões, pense em um ato desesperado para cessar a dor da humilhação. Depois de tantas agressões, tantos momentos humilhantes, Lucky não pensava em cometer suicídio, pelo menos ele batia pé firme que não. Essa pergunta foi o estopim para a perseguição e para o conselho do colégio que enxergava um problema em Lucky. A preocupação era o quê a sua pergunta podia significar. 

Quem deu todo suporte familiar a Lucky foi a sua vó Janice. Era pai e mãe de um garoto que tinha pais vivos e ausentes. Até os sete anos ela se dedicou ao seu neto e em seu leito de morte pediu que ele procurasse por ser avô Harry, um franco-atirador que foi convocado para servir no Vietnã. Com quinze anos, numa casa onde a sua mãe fingia que estava tudo bem e preenchia o vazio que sentia nadando e um pai ausente, que só sabia conversar sobre um assunto, Lucky começou a ter sonhos com seu avô, como se ele estivesse no Vietnã.

Nesse cenário de fuga da realidade, onde ele se encontrava com seu avô em sonho, o garoto passa por outra fuga. Sua mãe decide, após uma agressão física de Nader a Lucky, que eles devem passar um tempo na casa de seu tio Dave e sua esposa Jodi. Lucky que já tinha enfrentado um conselho inteiro que achava que ele ia se matar, teve que lidar com tia Jodi e suas suspeitas de infelicidade por parte do garoto. Nessa nova cidade, ainda que por um curto período, Lucky conhece pessoas que mudam a sua forma de encarar o mundo.

Segundo livro de A. S. King publicado pela Editora Gutenberg, Todo Mundo Vê Formigas é um livro que buscou tratar de muitos temas em poucas páginas. O bullying sofrido por Lucky, em minha opinião, deveria ter sido o assunto chave para a condução da história, porque a partir dele nós conheceríamos o perfil do protagonista e os outros problemas por ele enfrentados. O título da obra é uma referência a um momento em que o garoto começa a ter visões com formigas e elas dizem coisas a ele, como se fosse o seu subconsciente. A autora tem como público os jovens e entendo que em seus livros ela queira tratar de temas que façam parte do cotidiano deles, entretanto, o que me deixou um pouco incomodada foi o pouco desenvolvimento desses assuntos. Talvez o excesso de temas importantes e o número de páginas reduzido tenha sido responsável pelo pouco desenvolvimento desses temas.
"Bem, quantas pessoas você acha que vivem vidas perfeitas, filho? Todos nós somos vítimas de algo uma hora ou outra, não?"
P. 206
Compare e Compre
Comentários
11
Compartilhe

03 agosto, 2015


[Resenha] Os Dois Mundos de Astrid Jones - A.S. King

Ficha Técnica

Título: Os Dois Mundos de Astrid Jones
Título Original: Ask The Passengers
Autor: A.S. King
ISBN: 978-85-8235-269-4
Páginas: 287
Ano: 2015
Tradutor: Santiago Nazarian
Editora: Gutenberg
16“O movimento é impossível.” É o que Astrid Jones, 17 anos, aprendeu na sua aula de filosofia. E, vivendo na pequena cidade em que mora, ela começa a acreditar que isso é mesmo verdade. São sempre as mesmas pessoas, as mesmas fofocas, a mesma visão de mundo limitada, como se estivessem todos presos em uma caverna, nunca enxergando nada além. Nesse ambiente, ela não tem com quem desabafar suas angústias, e por isso deita-se em seu jardim, olha os aviões no céu, e expõe suas dúvidas mais secretas aos passageiros, já que eles nunca irão julgá-la. Em seu conflito solitário, ela se vê dividida entre dois mundos: um em que é livre para ser quem é de verdade e dar vazão ao que vai em seu íntimo, e outro em que precisa se enquadrar desconfortavelmente em convenções sociais. Em um retrato original de uma garota que luta para se libertar de definições ultrapassadas, este livro leva os leitores a questionarem tudo e oferece esperança para aqueles que nunca deixarão de buscar o significado do amor verdadeiro.

Resenha


Astrid é uma garota de 17 anos que mora com seus pais e irmã em uma cidade pequena dos Estados Unidos. A cidade é tão pequena que praticamente todo mundo se conhece e sabe da vida do outro. A protagonista não se sente a vontade na cidade, e até mesmo em casa, não consegue sentir que pertence ao lugar.

O ambiente familiar de Astrid não é um dos melhores. Sua mãe parece não sentir afeto pela garota ao mesmo tempo que "distribui" carinho para sua irmã Ellis. O pai é sempre indiferente a tudo que acontece, aquele famoso cumpre ordens da esposa e que não gosta de se indispor com ninguém. Ellis é a típica menina exemplo que as pessoas veneram e que desejam que seus filhos sejam. Astrid é justamente o contrário.

A garota vive um conflito solitário, mesmo tendo amigos com que pudesse conversar e desabafar, Astrid não se sente preparada para externar tantos sentimentos que ela mesmo nem sabe lidar. E é a partir desse conflito e desse medo de compartilhar o que sente que Astrid passa horas deitada olhando aviões e manda os seus pensamentos para os passageiros. Pessoas que não terão como julgá-la e nem saber de fato o que aflige a garota. Mensagens e pensamentos de amor.
Mas é bom amar uma coisa e não esperar nada em troca. É bom não haver discussão nem pressão alguma, ou qualquer boato de qualquer baboseira. É amor sem amarras. É o ideal.
Pág. 30
Tem um relacionamento que está ficando bem sério, mas não sabe como lidar com isso. Essa dúvida e esse medo é devido ao possível julgamento das pessoas sobre com quem Astrid escolheu para ser feliz.

Astrid é uma menina muito viva, questionadora e que merecia ser compreendida pela família e pelas pessoas de seu colégio. Ela não escolhe simplesmente aceitar as coisas sem entender o porque. As atitudes dela não agradam a maioria das pessoas da cidade e por isso sua vida as vezes parece ser complicada.

O ano ainda não acabou e estou colocando Os Dois Mundos de Astrid Jones como um dos melhores livros de 2015. A autora tratou de temas delicados e soube conduzir a história sem atropelar acontecimentos e, o mais importante, não transformou em um clichê. A vida de Astrid é tudo menos um clichê, tem muitos obstáculos, muitas injustiças e falta de igualdade, um carinho familiar inexistente, uma carência materna real e que moldam o comportamento da garota. E mesmo com tudo isso, Astrid oferece amor. Mesmo com tantas pedras e dedos apontados, ela prefere não brigar, gritar com aqueles que a machucam. Quer apenas ser respeitada e amar quem ela quiser e sem julgamento. Livro mais do que recomendado.
Porque a igualdade não é realmente óbvia para a maioria das pessoas.
Pág. 231

Comentários
16
Compartilhe
 
imagem-logo
De Tudo um Pouquinho - Copyright © 2016 - Todos os direitos reservados.
Layout e Programação HR Criações