18 junho, 2020


[Resenha] Como Salvar um Herói - Suzanne Enoch

Ficha Técnica 

Título: Como Salvar um Herói
Título Original: England's Perfect Hero
Autor: Suzanne Enoch
ISBN: 978-65-5509-9061-9
Páginas: 240
Ano: 2020
Tradutor: Thalita Uba
Editora: Harlequin
"Ele estava todo de cinza, com exceção da gravata branca de nó simples. A cor e a pouca luz escureciam seus olhos, fazendo-os brilhar. Novamente, Lucinda teve a sensação inquietante de que ele podia ler seus pensamentos.
— Eu plantei as mudas — disse ele subitamente.
— Ah, sim? Ótimo.
— E nós fizemos um acordo.
Minha nossa.
— Sr. Carroway, você não precisa…
— Robert — interrompeu ele.
— Robert, então. Fico grata pela oferta, mas, realmente, não é…
Devagar, ele estendeu a mão e tocou seu rosto, os dedos roçando em sua pele como se esperasse que ela fosse evaporar.
— Eu disse que ajudaria — murmurou ele — e é o que farei.
Um arrepio desceu pela coluna de Lucinda. Tivesse Robert aceitado as rosas ou não, ela não esperava que voltasse a mencionar o acordo. E não esperava se sentir tão… eufórica com aquele toque."

Resenha


Em Como se Vingar de um Cretino conhecemos três amigas que estavam indignadas com o comportamento dos homens da sociedade londrina, principalmente os solteiros. Por isso cada uma criou uma lista com lições que eles deveriam aprender e cada uma deveria escolher um aluno para ensinar, sem que ele soubesse, é claro! Neste, que foi o primeiro livro da série Lessons in Love, Georgiana ensinou a Tristan que não se deve brincar com os sentimentos dos outros. No livro seguinte, Como Encantar um Canalha, foi a vez da tímida Evie mostrar para Santo que ela pode ser muito mais do que as pessoas pensam. Agora, chegou a vez da prática e determinada, Lucinda.

Lucinda Guinevere Barrett tem 24 anos e é filha do general Augustus Barrett. Desde os 5 anos de idade sua família se resume ao pai e, com excessão do período em que o general esteve na guerra e ela ficou aos cuidados de uma tia, eles sempre estiveram muito próximos. Depois de ver suas melhores amigas casadas após terem ensinado suas lições - ainda que esse não fosse o objetivo inicial delas -, escolher seu aluno era ainda mais importante, afinal, se o casamento é uma possível conclusão das aulas, o cavalheiro a ser escollhido precisa ser alguém que o general também aprove.
Tudo o que queria era um marido gentil, atencioso e descomplicado, que ajudasse a cuidar do pai quando ele envelhecesse e não ressentisse a atenção que Lucinda dedicava ao general. Tranquilidade. Era muito a pedir?
Posição 33%
É por isso que ela escolheu Lorde Geoffrey Newcombe, capitão do exército britânico, afastado por conta do final da guerra com Napoleão. Sendo o quarto filho, Geoffrey precisa conseguir se manter e por isso, construir uma carreira no exército é seu caminho, mas sem uma guerra em andamento, as promoções são muito mais complicadas. Também não dá para dizer que além da facilidade que seria para o general aceitá-lo, o fato dele ser lindo é um bônus e ela ganhou o apoio das amigas ao expressar quem seria seu alvo.

Entretanto, teremos um novo personagem aqui: Robert Sylvester Carroway. Robert é irmão de Tristan, tem 28 anos e, capitão do exército, voltou há três anos da guerra e desde então, tem tentado voltar à vida. Ele não consegue ficar na presença de muitas pessoas, fala pouquíssimo e apenas com algumas pessoas além das diversas crises de pânico que mantém escondido da família. Mas desde que conheceu Lucinda, ou melhor, que passou a escutar as conversas da cunhada com as amigas, ele tem ansiado por estar mais próximo sempre que ela está em sua casa. E assim, ao se verem no mesmo cômodo por acaso, ele não resistiu e perguntou se ela já tinha escolhido seu aluno.
Pela primeira vez, não permitiria que a escuridão vencesse. E devia isso às rosas — e à Srta. Lucinda Barrett.
Posição 19%
Assim, a amizade mais improvável se inicia; Robert vê em Lucinda algo que o faz querer sair do seu esconderijo e Lucinda, sabendo que ele não se abre com quase ninguém, o ajudará no que puder. É desta maneira que Robert inicia um jardim de rosas em casa, algo que Lucinda ama e faz em sua casa também, mas como não consegue pensar nela com pena de sua situação, Robert oferece um acordo: em troca da ajuda com o jardim, ele a ajudará a conseguir que Geoffrey aprenda as lições dela.

Com o pretexto da ajuda com as lições - que ninguém sabia que ele estava fazendo - Robert começa a sair à luz do dia e não apenas suas cavalgadas noturnas solitárias, passa a frequentar os eventos sociais com a família, dançar e visitar Lucinda. Em paralelo, Geoffrey parece mesmo ser a melhor escolha; o general, vendo o interesse do jovem militar em sua filha, o convida para revisar seu livro de memórias, o que o leva a passar mais tempo na casa de Lucinda. Porém, Robert começa a ocupar um espaço maior do que um simples amigo.
Parecia uma eternidade, e não algumas horas, desde a última vez que o vira, e mesmo quando estava longe todos os seus pensamentos pareciam girar em torno dele — torcendo para que estivesse bem, rezando para que ninguém o tivesse prendido, querendo conversar com ele sobre tudo e sobre nada.
Posição 78%
Claro que Robert sequer imagina que Lucinda poderia desenvolver qualquer sentimento por ele. Sabendo que ela já havia escolhido o pretendente ideal e tendo ele a carga psicológica e física da guerra, não havia a menor chance de ser escolhido, mas mesmo assim, o sentimento por Lucinda cresce a cada dia.

Quanto mais os capítulos passam e conhecemos mais um pouquinho de quem Robert é de fato, mais a gente se encanta com ele. Sua inteligência, lealdade e amor são imensos e perceber o quanto ele sofre com tudo que aconteceu na guerra é de partir o coração em minúsculos pedaços. É totalmente compreensível a maneira como ele chegou em casa e como sua recuperação é lenta. Também é gratificante perceber o quanto Lucinda o ajuda a perceber as coisas ao seu redor, como ele passa a ver mais intensamente como sua família estará ao seu lado haja o que houver.
— Você me quer — repetiu ele. A tensão se dissipou lentamente de seu rosto. Um sorriso leve e hesitante curvou seus lábios. — Você é bem insensata.
Posição 98%
Um romance com um herói incrível, uma protagonista prática que vê sua praticidade ir por água abaixo quando a complicação em pessoa surge em sua vida. Personagens maravilhosos; a presença constante dos personagens dos livros anteriores; uma história de amizade, lealdade e amor.
— Você me trouxe de volta à vida.
(...)
— Acho que você me ensinou o que significa estar vivo. Então estamos quites.
Posição 98%
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11 novembro, 2019


[Resenha] Como Encantar um Canalha - Suzanne Enoch

Ficha Técnica 

Título: Como Encantar um Canalha
Título Original: London's Perfect Scoundrel
Autor: Suzanne Enoch
ISBN: 978-85-398-2726-8
Páginas: 320
Ano: 2019
Tradutor: Thalita Uba
Editora: Harlequin
Evelyn, uma jovem obstinada, promete se vingar de um dos canalhas mais infames de Londres. Mas, quando o cafajeste vira o jogo, quem vai realmente aprender uma lição sobre do que o amor é capaz? Nas ruas, ele é chamado ironicamente de “Santo”, mas o marquês de St. Aubyn merece sua reputação como o maior canalha de Londres. Evie sabe que deve evitá-lo, mas ela quer ajudar as crianças do orfanato, e ele preside o conselho dos administradores. Quando Santo nega seu pedido para ser voluntária no Coração da Esperança, ela decide que o homem precisa aprender uma lição. Ela só precisa descobrir como resistir aos encantos daquele mulherengo. Para Santo, a ideia de ceder a uma mulher como Evie é impensável. Ele não quer se tornar outro projeto de caridade em suas mãos, mas a moça se recusa a desistir. Que outra opção ele tem a não ser seduzir a dama? Porém, ele não esperava ser seduzido pelo doce coração da mulher. A tentação de passar longas noites nos braços dela poderia provocar o impossível? Será que o mais conhecido cafajeste de Londres poderia mudar?

Resenha


Como Encantar um Canalha é o segundo livro da Suzanne Enoch da série Lessons in Love, publicada pela Harlequin. Eu ganhei Como se Vingar de um Cretino de presente de aniversário e adorei os personagens e quando soube que haveriam mais livros da série publicados, fiquei muito feliz, afinal, certamente Georgie e suas amigas prometem muita confusão.

Evelyn Ruddick é uma jovem de 23 anos que está decidida a fazer algo útil com seu tempo. Após cinco temporadas sem encontrar o cavalheiro certo para enfim casar e construir sua família, ela percebe que um orfanato no caminho para a casa da tia seria o lugar ideal para fazer a diferença. Ela só precisará convencer o conselho de curadores de que pode ajudar. O que Evelyn não sabia era que o presidente desse conselho era o maior canalha de Londres, o marquês de St. Aubyn, mais conhecido como "Santo".

Desde que Victor retornou da Índia a vida de Evie ficou mais complicada, afinal o irmão está decidido a conseguir uma vaga na Câmara dos Comuns e a tem usado como ferramenta para alcançar alguns votos. Com isso, dedicar seu tempo e dinheiro a órfãos não é o tipo de situação em que ela deve se envolver.

Michael Halboro é marquês desde os 7 anos e desde então está acostumado com todos a sua volta fazendo suas vontades e ignorando seus erros. Aos 33 anos, o apelido de Santo é exatamente o oposto do que representa para a Sociedade, pois é temido pelo histórico de duelos vencidos e é uma ameaça aos lares de respeito com sua fama de libertino. O que destoa aqui é o fato dele estar ligado à administração do Orfanato Coração da Esperança por conta do testamento deixado pela mãe, mas após seis anos com essa herança indesejada, tudo indica que existe a possibilidade de conseguir acabar com esse vínculo. Mas Michael não tinha ideia que Evie apareceria em seu caminho.
— Espero que sim. Você é um homem muito inteligente. Acho que também poderia ser um homem bom. Está na hora de você aprender algumas coisas.
Posição 41%
Evie, Georgie e Lucinda fizeram um acordo para ensinar preciosas lições para homens da sociedade. Em Como se Vingar de um Cretino, Georgie mostrou a Tristan que não devia brincar com os sentimentos das pessoas e agora, com St. Aubyn em seu caminho, Evie encontra o aluno ideal.

Desde o início do livro é possível perceber como Evie é uma mulher inteligente, mas que é duramente subestimada por seu irmão e sua mãe, que fazem o que querem com ela sabendo que, por mais que ela possa discordar de algumas atitudes deles, nunca deixará de aceitar suas imposições. Quando passa a se "relacionar" com Michael, Evie vai conquistando mais coragem de impor suas opiniões, o que é maravilhoso de se ver e difícil de imaginar naquela época. Por outro lado, Michael, que não tem nenhum familiar vivo, se vê dependente da atenção de Evie, de estar perto dela e como ela o faz se sentir diferente.
Não importava o que ele fizesse, acordado ou dormindo, ela o consumia em pensamento. O único momento em que se sentia um pouquinho como si mesmo era quando estava na presença dela, e mesmo então, ele mal conhecia o homem relativamente agradável e bem-humorado que ele tinha milagrosamente se tornado.
Posição 77%
Com o passar dos capítulos, torcia para que Evie ficasse ainda mais forte e que Michael entendesse que deveria ficar com ela por amor e não apenas por paixão. Na mesma medida, odiava Victor e seus comentários desprezivos em relação a irmã e a mãe também não ficava atrás nesse quesito. Sinceramente, tem uns familiares que nem sei, viu... Os órfãos também tiveram seu espaço e adorei quase todos eles. Rever Georgie e Tristan foi maravilhoso e fiquei curiosa para conhecer a história de Lucinda, que deve ser o próximo livro.
A maior parte dos elogios que ele recebia até então eram direcionados a suas habilidades na cama, ou reconhecendo que ele era charmoso ou mortal com uma pistola na mão. Eram todas características que ele podia controlar e definir. A ideia de que alguém de fato gostava dele parecia muito mais tênue e preciosa. E completamente inesperada.
Posição 81%
Uma leitura rápida e que envolve o leitor do início ao fim com um romance construído aos poucos.

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01 fevereiro, 2019


[Resenha] Como se Vingar de um Cretino - Suzanne Enoch

Ficha Técnica 

Título: Como se Vingar de um Cretino
Título Original: The Rake
Autor: Suzanne Enoch
ISBN: 978-85-398-2596-7
Páginas: 288
Ano: 2018
Tradutor: Thalita Uba
Editora: Harlequin
Era uma vez um notório visconde Dare, que seduziu lady Georgiana Halley e tomou sua inocência para ganhar uma aposta, e agora ele vai ter que pagar. O plano é simples: ela vai usar cada artifício de conquista que conhece para ganhar o coração de Dare, e então quebrá-lo. Mas o olhar do visconde tenta Georgiana a se entregar ao prazer mais uma vez, e quando ele a surpreende com um pedido de casamento, ela se pergunta: esse é mais um de seus jogos, ou dessa vez é amor verdadeiro?




Resenha


Como se Vingar de um Cretino é o segundo livro que leio da Suzanne Enoch e, graças a Deus, é muito melhor do que o primeiro.

Nessa história somos apresentados a lady Georgiana Halley, uma jovem que, aos 24 anos, é dona de uma fortuna considerável e não tem o menor interesse em se casar. O que ninguém sabe é que o grande motivo dela ter se tornado tão cética em relação aos homens é o fato de que há seis anos ela foi muito magoada por Tristan Carroway, o visconde de Dare.
Georgiana jamais o perdoara, independentemente dos motivos que o levaram a não se vangloriar da vitória à sociedade. Agora lhe mostraria o quanto doía ser traído. Então, quem sabe, ele entenderia o que significava ser honrado, e poderia ser um marido decente para alguma pobre e ingênua garota, como Amelia.
P. 30
Tristan sempre foi conhecido pelo seu temperamento brigão, por ser um libertino e apostador. Foi assim que há anos atrás ele e Georgie se envolveram, por conta de uma aposta e depois disso eles são conhecidamente inimigos públicos. Entretanto, agora Georgie está decidida a dar uma lição em Tristan para mostrar a ele que não pode brincar com o coração de outras jovens e, certamente depois dessa lição, ele seria um marido perfeito para a lady com que escolhesse se casar – o que deveria acontecer em breve, afinal é de conhecimento da Sociedade que a família Carroway está em situação financeira complicada desde a morte do último visconde.

O plano de Georgie é simples: entrar na casa dele como dama de companhia de suas tias idosas, seduzir e conquistar seu coração e em seguida o desprezar, para que saiba como é ter um coração partido. Ela só não sabia que conhecer Tristan em seu ambiente revelaria um lado dele que ela sequer sabia que existia.
E aquela mulher ultrajante estava sorrindo para ele.
Evidentemente, o mal que provocara durante sua vida fora tão tremendo que o castigo eterno estava começando cedo. A eternidade não era longa o suficiente nesse caso.
P. 26
Claro que assim que Georgie inicia seu plano Tristan sabe que ela está aprontando algo – que precisa urgentemente descobrir o que é. Nesse período em que o plano tem seguimento teremos a oportunidade de conhecer não só o passado deles como "casal" como de conhecer a família Carroway, que é uma diversão a parte. Os irmãos e as tias de Tristan são incríveis, cada um à sua maneira. 
Georgie analisou o perfil do visconde por um bom tempo. Ele fazia aquilo sem pensar, beijar e provocar as velhas tias. Não esperava tal afeição por parte dele, nunca o achara qualquer outra coisa que não arrogante, cínico e egocêntrico. Não fazia sentido. Se tinha sentimentos e compaixão, jamais a teria usado de maneira tão vergonhosa. A ideia de que Dare tinha mudado, contudo, era ainda mais absurda do que acreditar que tinha um coração.
P. 47
Quanto mais fragmentos do passado são apresentados, mais entendemos que algo não ficou completamente esclarecido entre os dois e a atração se torna cada vez mais forte. Sem falar que, agora aos 30 anos e com a responsabilidade de toda uma família, Tristan mudou bastante.

Eles precisarão se perdoar, reconquistar a confiança e ainda enfrentar outros obstáculos para ficarem juntos no final e, a cada capítulo eu torcia para que eles conseguissem, afinal, embora não assumissem, eram um casal ímpar.
E assim voltara à estaca zero: ansiando por um homem com um título antigo, porém maculado, com uma reputação sombria, sem dinheiro e especialista em tumultos e malandragens. Só que, desta vez, ele a queria tanto quanto ela o queria.
P. 261
Um livro lindo e divertido em uma narrativa que conquista o leitor nas primeiras linhas. Se os próximos livros da trilogia Lessons in Love forem publicados no Brasil e seguirem a mesma linha desse, certamente é leitura garantida.

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08 junho, 2018


[Resenha] Nada Escapa a Lady Whistledown - Julia Quinn, Mia Ryan, Karen Hawkins e Suzanne Enoch

Ficha Técnica 

Título: Nada Escapa a Lady Whistledown
Título Original: The Further Observations of Lady Whistledown
Autor: Julia Quinn, Mia Ryan, Karen Hawkins e Suzanne Enoch
ISBN: 978-85-8041-826-2
Páginas: 320
Ano: 2018
Tradutor: Ana Beatriz Rodrigues
Editora: Arqueiro
Em Nada Escapa a Lady Whistledown, a cronista eternizada por Julia Quinn continua a revelar os acontecimentos mais apimentados da temporada londrina. Suas colunas são o fio condutor das quatro histórias que formam esta encantadora e divertida coletânea. Há tanto a ser dito sobre o baile oferecido por lady Trowbridge, em Hampstead, que esta autora não teria como contar tudo em só uma coluna... Crônicas da sociedade de lady Whistledown, maio de 1813. Julia Quinn encanta... A alta sociedade está em polvorosa, afinal a debutante mais promissora da temporada foi rejeitada por seu pretendente... apenas para ser conquistada em seguida pelo charmoso irmão mais velho do canalha que não a quis. Suzanne Enoch fascina...Um futuro noivo fica sabendo que o comportamento escandaloso de sua bela prometida foi parar na coluna de lady Whistledown e volta correndo para Londres com o intuito de ganhar o coração da moça de uma vez por todas. Karen Hawkins seduz...Um conhecido libertino tem sua amizade mais antiga e seu coração postos à prova quando uma adorável dama se encanta por outro cavalheiro. Mia Ryan delicia... Uma jovem é despejada da própria casa por um detestável – embora charmoso – marquês que pretende tomar posse não apenas do imóvel, mas também de sua antiga moradora.

Resenha


Lady Whistledown está de volta em Nada Escapa a Lady Whistledown. Dessa vez, Suzanne Enoch, Karen Hawkins, Mia Ryan e Julia Quinn nos levam em contos ainda mais divertidos da sociedade londrina em um período não tão comum, o mês de janeiro de 1814. Enquanto os membros da sociedade deveriam estar em suas residências de campo, o rio Tâmisa congelou, fato que levou muitas famílias a voltarem para uma temporada de inverno em Londres.

Para iniciar, em Um Amor Verdadeiro, Suzanne nos apresenta lady Anne Bishop e lorde Halfurst, prometidos em casamento desde a infância. Com poucos meses de vida, Anne foi prometida em casamento a Maximilian Trent, mas desde então eles nunca se viram, conversaram ou sequer trocaram cartas, o que deixa Anne completamente indignada, afinal, desde que Max assumiu o título de marquês de Halfurst, ele se mudou com a mãe para Halfurst, na longínqua Yorkshire, onde está recluso há oito anos. Entretanto, ler em Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown que a dama que deveria se casar com ele (quem ele espera que venha até Halfurst para que isso aconteça) está fazendo anjinhos na neve com sir Royce Pemberley, fez com que uma viagem a Londres fosse urgente.

Assim que herdou o título, houve o rumor de que a família Trent estava falida e com a reclusão, nada foi desmentido. A sociedade acredita nisso e que o atual marquês está pobre e criando ovelhas no interior, mas Max não se importa com a opinião dos outros. O que passará a importar é a opinião de Anne, que acabou de descobrir essa parte do boato (e portanto acredita que o motivo do casamento é apenas financeiro), além de que não tem o menor interesse em se mudar de Londres. Viver no interior não é uma opção. Ambos descobrirão que, a imagem que têm um do outro é completamente equivocada.
- Então quer dizer que passei no teste! - exclamou, limpando as mãos e calçando as lucas. - Mas o senhor não passou no meu. E infelizmente não conseguirá passar. Não enquanto Halfurst estiver em Yorkshire.
P. 36
Na história seguinte, Dois Corações, Karen Hawkins apresenta a Srta. Elizabeth Pritchard, uma mulher de trinta e um anos, solteira e conhecida na sociedade por sua excentricidade. Liza ficou órfã aos três anos e foi criada por uma tia até ser apresentada na sociedade, quando perdeu também esse ente querido. Aos vinte e cinco anos, já uma solteirona aos olhos da sociedade, dispensou a parente afastada que mantinha em sua casa e assumiu de vez o controle de sua vida e de sua fortuna.

Embora não tenha uma família próxima, Liza pode contar com a amizade de sua grande amiga lady Margaret Shelbourne e do irmão dela, sir Royce Pemberley. Essa amizade, que já existe há vinte e um anos é o motivo de Liza ser a melhor amiga e confidente de Royce, alguém que lhe aconselha sem julgar. Entretanto, enquanto Royce, com trinta e nove anos, não pensa em se casar em um futuro próximo, Liza (depois de seu último aniversário) percebeu a falta que sente de ter uma família apenas sua, de alguém que a ame de verdade, o que a levou a aceitar a corte de lorde Durham.

Enquanto Meg se preocupa com a possibilidade de Durham ser um caça-dotes, Royce se desespera só de imaginar como será sua vida sem sua amiga por perto, que, caso aceite se casar, viverá no campo, bem longe de Londres. E o desespero só aumenta na medida que passa a enxergar coisas que estavam bem a sua frente todos esses anos.
Liza deixara de ser uma amiga querida, protegida, para se transformar em uma mulher desafiadora ao extremo. Uma mulher que, para sua profunda consternação, ele desejava com todas as suas forças. Desejava-a tanto que chegava a doer.
Mas que inferno, eu quero Liza. Uma forte onda de desejo o invadiu e ele teve que se forçar a respirar. Desejava Liza, sua melhor amiga, a única mulher que sabia realmente quem ele era. A ideia era assombrosa. Perturbadora. E absolutamente impossível. Que diabo deveria fazer agora?
P. 128
Seguindo, Mia Ryan traz em Uma Dúzia de Beijos lady Caroline Starling, uma jovem que, após a morte do pai, passou a viver sozinha com a mãe em Ivy Park até que o novo marquês de Darington, um primo afastado que ela não conhecia, assumiu o título e deu um ultimado por carta para que elas deixassem a residência em até dois dias. Desde então, três anos se passaram e Linney e a mãe vivem em outra residência e não têm nenhum contato com o atual marquês (e nem ninguém), até que ele retorna a Londres nesta curta temporada de inverno.

Linney é uma jovem muito reclusa e considera-se apagada em relação aos seus pais. Assim, ela volta sua atenção aos seus gatos (parênteses aqui porque eu adorei os nomes dos gatos dela: Duquesa, Lorde Libertino e Srta. Cuspidela). Sem forças para ir contra o que a mãe quer, aos vinte e cinco anos, ela está quase noiva do conde de Pellering, um homem que tem certeza que não a fará feliz. Mas, conhecer Terrance Greyson, o atual marquês de Darington, lhe trará novas perspectivas.
- Linney, lorde Pellering é mais do que você merece. Você vai sair desta cama imediatamente e aceitar o pedido dele.
P. 219
Terrance sofreu um acidente no campo de batalha na França e ficou com uma bala alojada na cabeça. Mesmo saindo bem do hospital, os médicos disseram que era praticamente certo que por conta da bala sua inteligência seria afetada e também poderia nunca mais falar. Só quem sabe disso é ele e seu amigo, Ronald Stuart (que na verdade foi quem deu o ultimato por carta), que, preocupado com a forma que a sociedade o abordaria se soubesse de sua lesão, fez o máximo que pode para deixá-lo afastado de Londres.

A inteligência não foi afetada, entretanto, Terrance tem grande dificuldade de se expressar. Embora saiba o que dizer, tem dificuldade em dizer, o que fez com que lhe atribuíssem a fama de esnobe. Mesmo assim, Linney terá vislumbres de quem ele realmente é, e a relação entre os dois é incrível, porque um passa a enxergar o outro como são de verdade e não o que acham deles.

Para finalizar, Julia nos traz em Trinta e Seis Cartões de Amor a Srta. Susannah Ballister, uma jovem que após receber a corte do Sr. Clive Mann-Formsby, estava certa do pedido de casamento na última temporada, mas ele surpreendeu a todos ao anunciar o noivado com Herriet Snowe. Reclusa na casa de campo, Susannah não imaginava que voltaria tão rápido para Londres, ainda sem ter se recuperado do "escândalo", mas era necessário. O que ela esperava menos ainda era que o conde de Renminster, irmão mais velho de Clive, lhe dirigisse a palavra depois de tal situação.

Desde que assumiu o título, David se preocupa com sua família em primeiro lugar, mas mesmo antes disso sua vida sempre girou em torno de evitar possíveis catástrofes por conta do comportamento de Clive, mas ao encontrar Susannah em um baile sentindo-se deslocada por conta dos últimos acontecimentos o impeliu a tirá-la para dançar. O que causou um efeito fantástico, afinal, até esse momento, ninguém havia lhe convidado e depois da dança e de sua partida, ela dançou até o momento de sua partida com os pais e a irmã.

Susannah está abalada com a forma que sua vida mudou desde que Clive se casou e isso a levará a desconfiar da aproximação de David, que passa a gostar cada vez mais da companhia dela, até que pensa em cortejá-la, mesmo sem a certeza de que ela não sente mais nada por seu irmão.
Ele a visualizou no banco de neve, naquele exato momento em que tivera a constatação mais impressionante e emocionante de sua vida. Havia decidido cortejá-la por considerar que daria uma excelente condessa, é verdade. Porém, naquele momento, ao ver seu adorável rosto e ter que se esforçar ao máximo para não beijá-la bem ali, na frente de todos, havia percebido que ela seria mais do que uma excelente condessa.
Seria uma esposa maravilhosa.
Seu coração deu saltos de alegria. E de medo.
P. 296
Enquanto Susannah precisará aprender a confiar novamente, David passará a pensar também em sua felicidade e não apenas no futuro de seu título e de sua família e o que seu coração diz é que Susannah é a mulher certa para esse futuro.

Nos quatro contos os personagens se misturam, afinal, todos estão na mesma cidade e na mesma época, frequentando os mesmo eventos, então, nos dá a possibilidade de ver a história por outro ângulo.

Mais uma vez adorei as histórias criadas e, por serem curtas, a gente termina o livro que nem percebe. Lady Whistledown com seus comentários inteligentes e sarcásticos mais uma vez me fez rir e imaginar as fofocas dessa época.

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04 maio, 2018


[Resenha] Herói nas Highlands - Suzanne Enoch

Ficha Técnica 

Título: Herói nas Highlands
Título Original: Hero in the Highlands
Autor: Suzanne Enoch
ISBN: 978-85-8235-460-5
Páginas: 272
Ano: 2017
Tradutor: A C Reis
Editora: Gutenberg
Será que um soldado inglês é capaz de conquistar o coração da Escócia? Canhões, tiros, cavalarias, armas. O Major Gabriel Forrester adora um combate e não foi à toa que recebeu o título de “Fera de Buçaco” depois de ganhar uma batalha em Portugal. Sem saber se estará vivo no dia seguinte, nunca se importou com nada além de proteger seus aliados e a si mesmo… Até que a notícia inesperada de se tornar o Duque de Lattimer e dono de uma imensa propriedade nas Highlands escocesas muda tudo o que ele achava já estar traçado para seu futuro. Em sua nova posição, a luta de Gabriel será conquistar a confiança de uma vila de escoceses nem um pouco amistosos, que não estão nada satisfeitos com o fato de ter como duque um antigo soldado inglês. Como se não bastasse, as terras ainda são administradas por uma mulher de língua afiada e corpo perfeito, que parece ser tanto sua salvação quanto sua ruína – e ele está disposto a descobrir em qual das duas categorias ela se encaixa. Com a ameaça de uma maldição nas terras em que nenhum inglês é bem-vindo, o novo duque encontra mais obstáculos do que imaginava. De todas as guerras que já lutou, essa aparenta ser a mais difícil. Afinal, é fácil eliminar inimigos; mas o que fazer quando o objetivo é fazer deles seus aliados?

Resenha


Como uma boa fã de romances de época, quis ler Herói nas Highlands por não conhecer a escrita da Suzanne Enoch, afinal, tudo que já li dela foi o conto O Melhor dos Dois Mundos no livro Lady Whistledown Contra-Ataca.

Nessa história Suzanne nos apresenta o Major Gabriel Forrester, um militar que gosta bastante do seu trabalho, pois sabe que é nisso que é realmente bom e é o que faz há doze anos. Porém, depois de muitas batalhas em diversos países protegendo os interesses da Coroa Britânica, ele acabou de descobrir que é o novo Duque de Lattimer, herdeiro de um tio-avô de segundo grau que ele nem sabia que existia. Isso fez com que ele deixasse a batalha na Espanha para entender o que esperam dele agora.

Seu retorno para Londres o leva de volta a sua irmã mais nova, Marjorie, que ele não vê há quatro anos. Na verdade a família se resume a eles dois e desde que entrou no exército Gabriel envia parte de seu salário para ela, para que pudesse estudar e se manter, mas quando chega à casa onde ela está morando atualmente, descobre que ela é uma dama de companhia de uma mulher insuportável, então ser a irmã de um duque mudará e muito as coisas para ela, e para melhor. Entretanto, Gabriel não está muito feliz com essa mudança em sua vida, até porque uma de suas propriedades, o Castelo Lattimer, que fica nas Highlands, não informa seus rendimentos ao duque há muito tempo e, agora que ele herdou tantas propriedades, precisa entender e colocá-las em mãos de bons administradores para que possa retornar ao campo de batalha.
— Enquanto espumava pela boca, fosse de loucura ou fúria, Malcolm MacKittrick declarou que, em mãos inglesas, a terra ficaria arruinada; que qualquer um que se aliasse ao usurpador inglês pereceria e que a linhagem Lattimer não continuaria.
P. 22
Quando ele chega lá, descobre que o problema é maior do que imaginava. Além do fato dos escoceses não aceitarem a intervenção inglesa, que há cem anos tirou as terras do Conde de MacKittrick e entregou ao primeiro Duque de Lattimer, os escoceses de suas terras acreditam que todos os problemas que vêm tendo ao longo dos anos é culpa da maldição. Outra descoberta é que seu administrador, Kieran Blackstock, sumiu há alguns anos e quem tem administrado o castelo é sua irmã, Fiona Blackstock.

Fiona é fiel ao seu povo e tenta ajudá-lo como pode, contratando mais pessoas do que um castelo sem lorde precisaria e tentando reverter ao máximo tudo de ruim que vem acontecendo nas terras: roubo de ovelhas, pedras do moinho que vivem quebrando, incêndios.

Quando se encontram, Gabriel e Fiona sentem-se atraídos um pelo outro, mas enquanto para ele não havia nenhum problema em se divertir com uma mulher disposta, para ela era praticamente uma traição ao seu povo ficar com um inglês.
— Eu gosto dele, admito. Durante a maior parte da minha vida eu estive rodeado de gente, e fiquei sozinho no meio dessas pessoas. É difícil fazer amizade com homens que tenho que mandar para a guerra, e então observá-los morrer. Mas você me faz pensar em outras coisas, e enquanto fizer isso, vou ficar atrás de você. É uma atração poderosa, conseguir ver outra coisa que não a morte. Você é uma atração poderosa, Fiona. E beijos não são o bastante.
P. 144
Entretanto, tenho que dizer aqui algumas coisas que me incomodaram nesse enredo, Gabriel mostrou-se disposto a ajudar quem vive em suas terras, mas os moradores nunca lhe deram nem o benefício da dúvida por ele ser inglês e em muitos momentos acredito que ele se deixou fazer de bobo desnecessariamente. Com a mente astuta tão propagada enquanto estava na guerra, por que seria diferente em outro território hostil? Um homem que tornou-se Major graças aos seus esforços em muitos momentos não parecia o mesmo personagem que eu via nas Highlands.

Também preciso falar do desenvolvimento dos personagens. Para mim Suzanne focou no relacionamento de Gabriel e Fiona, mas não senti o desenvolvimento deles individualmente, é como se do nada fosse apresentada a personagens sem embasamento. Também senti que isso a tirou do foco da descoberta do que estava provocando todos os acidentes por lá, tanto que se "resolve" rapidamente nas últimas páginas, como se fosse só para cumprir tabela.

Infelizmente senti essa ausência e além dos protagonistas outros personagens poderiam ter sido melhor trabalhados como Marjorie e Adam Kelgrove (ajudante de campo de Gabriel). Fiquei triste quando cheguei ao final do livro, porque eu esperava que a história fosse boa, que me prendesse e eu mal consegui chegar ao fim, eu sentia que lia e lia e não avançava. Agora não sei se lerei os próximos livros da série Highlands, afinal, às vezes, apenas um dos livros não é tão bom e eu posso ter começado justamente por esse.

Quem aí já leu esse livro? O que achou?

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02 fevereiro, 2018


[Resenha] Lady Whistledown Contra-Ataca - Julia Quinn, Mia Ryan, Karen Hawkins e Suzanne Enoch

Ficha Técnica 

Título: Lady Whistledown Contra-Ataca
Título Original: Lady Whistledown Strikes Back
Autor: Julia Quinn, Mia Ryan, Karen Hawkins e Suzanne Enoch
ISBN: 978-85-8041-767-8
Páginas: 352
Ano: 2017
Tradutor: Janaína Sennna
Editora: Arqueiro
Com a participação especial da famosa cronista da sociedade criada por Julia Quinn, Lady Whistledown Contra-Ataca é formado pelas narrativas curtas de quatro escritoras consagradas, tendo como fio condutor o roubo de uma pulseira milionária. Seus contos são como pérolas que se unem e formam uma peça de valor inestimável. Quem roubou o bracelete de lady Neeley? Terá sido o caça-dotes? O apostador? A criada? Ou o libertino? Londres está fervendo com as especulações, mas, se ainda restam muitas dúvidas, pelo menos uma coisa é certa: um desses quatro está envolvido no crime. Crônicas da sociedade de lady Whistledown, maio de 1816 Julia Quinn encanta... Um belo caçador de fortunas foi enfeitiçado pela debutante mais desejada da temporada. Agora ele precisa provar que o que deseja é o coração da jovem, não o dote dela. Mia Ryan delicia... Uma criada adorável e espirituosa está deslumbrada com as atenções românticas que tem recebido de um charmoso conde. Mas um relacionamento entre eles seria escandaloso e poderia arruinar a reputação dos dois. Suzanne Enoch fascina... Uma jovem inocente que passou a vida evitando escândalos de repente se vê secretamente cortejada pelo maior libertino de Londres. Karen Hawkins seduz... Um visconde que vaga sem destino volta para casa para reacender o fogo da paixão de seu casamento, mas descobre que sua linda e decidida esposa não será conquistada tão facilmente.

Resenha


Quando soube que a personagem adorada da série Os Bridgertons estaria de volta em um novo livro e fiquei mega curiosa para ler essa história. Para somar a essa novidade, foi a primeira vez que li um livro onde várias histórias se conectam, escritas por autoras diferentes, o que me permitiu a chance de conhecer a escrita da Suzanne Enoch, da Mia Ryan e da Karen Hawkins - consagradas escritoras do gênero, mas que eu não havia lido ainda.

Julia inicia o livro com O Primeiro Beijo. Nessa história conheceremos lady Mathilda Howard, filha dos condes de Canby. Tillie é a maior herdeira da temporada e agora que passou-se um ano do luto da morte de seu irmão - Harry - na batalha de Waterloo, ela está de volta à Londres e à Sociedade. No baile de lady Neeley - onde vários nobres foram com o objetivo de apreciar as famosas delícias de seu cozinheiro e onde acontecerá o evento que unirá todas as quatro histórias - ela conhecerá dois amigos de Harry, que estiveram em batalha com ele, Robert Dunlop e Peter Thompson. Robbie é divertido e um pouco sem noção, mas Peter é diferente dos outros.

Peter é o filho mais novo de um barão. Agora que voltou da guerra, precisa encontrar uma noiva e casar-se, mas é claro que ele não tem grandes pretensões, ele só quer casar-se com uma jovem de dote que permitissem viver em uma casa no campo. Depois de anos na guerra, ele só queria paz e não ser rotulado como um caça-dotes, mas infelizmente foi exatamente isso que Lady Whistledown faz em uma de suas crônicas, principalmente depois que percebe o interesse dele em Tillie. Embora saiba que não "deve" ficar com ela, Peter não consegue se afastar de Tillie, mas ela é determinada e sabe que precisará se manter firme para ficarem juntos.
Ele deu-lhe um sorriso divertido e baixou o olhar para as mãos.
Ela seguiu o olhar de Peter e só então se deu conta de que agarrava os dedos dele como  se fossem o pescoço de lady Whistledown.
— Ah — ela deixou escapar, surpresa, e em seguida sussurrou um pedido de desculpa.
— A senhorita tem o hábito de amputar os dedos de seus parceiros de dança?
— Só quando preciso torcer seus braços para que me convidem para dançar — disparou ela em resposta.
— E eu aqui pensando que a guerra era perigosa — murmurou ele.
P. 40
Na história seguinte, A Última Tentação, Mia Ryan nos apresenta Isabella Martin, a dama de companhia de lady Neeley. Bella está há duas semanas de completar trinta anos e gostaria de ter um romance em sua vida, mas é certo que, se não teve isso nos últimos vinte e nove anos, não será em duas semanas que será beijada ou viverá algo do tipo. Há dez anos ela perdeu os pais e passou a trabalhar com lady Neeley e desde então, além de ser dama de companhia, cuida das festas oferecidas por ela e por esse motivo, o conde de Waverly, que há anos pede lady Neeley em casamento, pede a ajuda dela para que organizasse uma festa na casa de seu filho, o lorde Roxbury.

Anthony Doring, tem trinta e sete anos, mas seu pai insiste em visitas semanais para lhe convencer de que deve se casar e ter um herdeiro e sua última cartada é que seu filho dê uma festa em casa, para que as jovens sintam-se motivadas a quererem casar com Anthony, que desejem morar nessa casa. Anthony só não imaginava conhecer uma pessoa tão intrigante quanto Bella, que se empolga trabalhando organizando festas, que parece estar sempre feliz, ainda que ela aparentemente não tenha motivos - na opinião dele, é claro.

Anthony acredita que seria um péssimo pai e um marido ainda pior e por esse motivo faz de tudo para mostrar uma fama de libertino, mas Bella vê o cavalheiro que ele tenta esconder de todos e ele - não em troca - mostra para ela que pode ganhar para produzir as festas que tanto adora, o que a tornará uma mulher de negócios, e consequentemente afastará (na visão dela) qualquer possibilidade de ficarem juntos.
— Por quê? — insistiu ele. — Diga-me por que a senhorita é feliz.
Ela deu de ombros e recostou-se na cadeira. Pensou sobre a pergunta por um momento e então disse:
— Este momento nunca mais vai acontecer. Este segundo acabou agora.
— Isso é um tanto profundo.
— Não me provoque se quer a minha resposta.
Bella fechou os olhos.
— Alguns momentos são fáceis. São bons, divertidos e bonitos, e fico feliz com eles. Outros não são tão fáceis. Mas minha decisão é ser feliz durante tempos difíceis, assim como nos fáceis. Não consigo controlar a maioria das coisas, mas posso controlar meus sentimentos. E quero ser feliz. Então encontro algo em cada momento que eu possa desfrutar.
P. 131-132
Na penúltima história, O Melhor dos Dois Mundos, Suzanne Enock apresenta a recatada lady Charlotte Birling, que está em vias de ser pedida em casamento pelo cansativo Herbert Beetly, algo que ela teme profundamente. A verdade é que Charlotte é super protegida pelos pais, que odeiam escândalos. Depois do que aconteceu com a prima de Charlotte, Sophia, há doze anos, eles ficaram ainda mais cautelosos, não mantendo qualquer tipo de relação com pessoas de reputação duvidosa.

Ao contrário da irmã mais velha, que casou logo na primeira temporada de apresentação, Charlotte não teve muitos pretendentes (ou quase nenhum) e seus pais conseguiram um acordo para que Herbert a cortejasse, mas ela sonha com muito mais, com um casamento por amor, que a empolgue, que a aceite como é. Ela nem sabe se isso seria possível, mas sempre que lorde Matson passa em direção ao clube para seu compromisso diário, ela faz de tudo para estar na janela é o admirar.

Há um ano Xavier foi chamado de volta para casa, depois de seis anos no exército. Com a morte do irmão mais velho ele assumiu o título de conde e passou a ter outras responsabilidades. Agora, depois de ter chegado a Londres e aproveitado o máximo possível, ele precisa encontrar uma noiva aceitável, mas Charlotte (que de longe não tem o tipo de beleza que chama atenção a primeira vista) chama sua atenção com seus comentários sinceros - não que as conversas fossem públicas.

Ainda que Xavier esteja interessado em Charlotte, seus pais não querem o nome da família ligado ao nome de um libertino que certamente não tem real intenção de casar e manter um casamento respeitável com sua filha.
— Case comigo, Charlotte — sussurrou ele.
Ela abriu a doce boca, depois a fechou novammente.
— Não posso.Não sem o consentimento deles.
Lembrando-se de que ele gostava dela em parte porque ela era uma garota de coração bom e correta, ele suspirou.
— Por um momento imagine que eu tenha a permissão deles.
— Mas você não tem. E não vai ter. Eu os amo, apesar de não acreditarem que eu conseguiria atrair alguém poe mim mesma, mas eles não vão concordar com algo que achem que possa manchar o nome da família, mesmo que seja só na imaginação deles. Por mais que eu deseje.
Era isso que queria ouvir.
— Você diria sim, se não fosse por isso.
Ela assentiu devagar.
— Sim.
— Então eu cuido do resto.
P. 210-211
Finalizando, Karen Hawkins traz em O Único Para Mim a história de lady Sophia Throckmorton Hampton. Sophia casou há doze anos com Maxwell Hampton, o visconde de Easterly, mas o casamento só durou dois meses, até que uma grande confusão acometeu a vida do casal e Max deixou a esposa e a Inglaterra para viver exilado na Itália. Mas agora, Sophia enviou uma carta ao marido pedindo a anulação do casamento, o que o levou de volta para casa e trouxe à tona os sentimentos que ambos acreditavam estarem esquecidos.

Durante todos os anos que passou na Itália Max nunca deixou que nada faltasse para Sophia, mas a verdade é que ele sentiu muita falta dela, mas o orgulho sempre o guiou e ela também não fica atrás., logo, em nenhuma de suas cartas demonstrou que sentia falta dele, apenas o quanto estava furiosa por ele ter ido embora, ainda que fosse "pelo bem dela". Eles são teimosos na mesma medida e isso faz com que muitas confusões permeiem essa história.
— Max — disse ela por fim —, quando soube que havia cometido um erro?
— Na primeira manhã em que acordei sem você. Mas saber que cometemos um erro e consertá-lo são coisas diferentes. Eu sabia que você estaria brava comigo por eu ter ido embora e que tinha todo o direito de estar. Não achei que fosse aguentar ser rejeitado mais uma vez, então esperei.
— O quê?
— Por um sinal de que me amasse. No entanto, tudo o que eu recebia eram suas cartas.
P. 338
Todas as histórias se interligam, através do roubo da joia de lady Neeley, os personagens que se conhecem, encontros entre eles (que aparecem em mais de uma história) e tudo se torna muito coeso e, embora a gente perceba a sutileza de diferença entre as escritas das autoras, a história não fica parecendo uma colcha de retalhos, todas tem início, meio e fim.

Eu adorei a experiência desse tipo de leitura e adorei ter reencontrado a incrível e inteligente lady Whistledown com seus comentários sarcásticos e ter vislumbres de personagens que já conhecemos.

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