Primeiras Impressões é minha primeira experiência com a escrita da Laís Rodrigues, que tive o prazer de conhecer na
Bienal de São Paulo 2016. Quando surgiu essa oportunidade fiquei muito feliz em aproveitá-la, afinal é a chance de conhecer a escrita de mais um talento nacional e no caso da Laís trouxe também outro benefício.

Fato é que eu nunca li nenhum livro da Jane Austen (já comprei Orgulho e Preconceito e pretendo remediar isso em breve) nem assisti os filmes que foram inspirados em sua obra (para não ser influenciada), mas assisti trechos da novela Orgulho e Paixão, que tem passado na televisão e foi inspirada em suas obras também. Isso é tudo que eu conheço, então, mesmo
Primeiras Impressões sendo uma versão moderna de Orgulho e Preconceito, eu o li como um livro como qualquer outro. E adorei!
Liz Benevides, sua irmã mais velha Jane e sua melhor amiga Charlotte fizeram graduação em Boston e agora, com o término dos estudos, voltarão ao Brasil para merecidas férias, onde a família tem uma rede de pousadas em Búzios. Ao mesmo tempo que voltam ao Brasil, outros visitantes também chegam em Búzios: Charles Bing, sua irmã Caroline e seu melhor amigo, Frederick Darcy.
Liz vem ao Brasil sabendo que seu retorno para Boston será sozinha, afinal Jane deve ir para Nova Iorque para trabalhar em um escritório de advocacia e Lotte para Washington para tentar uma carreira como assessora política - tendo se formado em ciências políticas - logo aproveitar ao máximo essa proximidade delas e do restante da família é fundamental. Tendo concluído a graduação em Literatura e prestes a iniciar o mestrado na mesma área, também na Universidade de Boston, Liz pretende trabalhar como editora, por isso seu foco é todo na sua carreira, ela não costuma aceitar novas pessoas em seu círculo de amizades e, ao contrário de Jane e Lotte, não pensa muito em romances.
“Não sonhava com o príncipe encantado, pois acreditava que eles somente existiam em romances de Austen, das irmãs Brontë ou de Gaskell. Não havia um John Thornton no mundo real. Ele apenas vagava nos sonhos de jovens ingênuas.”
P. 09
Do outro lado, assim que Jane e Charles se conhecem o clima de romance toma conta da história, mas para Liz, que está sempre com a irmã e para Caroline Bing, que não disfarça seu interesse em Frederick, isso não é muito bom. Aliás, Frederick também não vê com bons olhos o possível relacionamento entre Charles e Jane, afinal seu amigo sempre foi muito volúvel nesse assunto. Na verdade Fred acha tudo errado, desde a ideia de Charles de abrir uma filial de seu restaurante no Brasil, tão longe dos outros, que são em Nova Iorque.
Fred é uma pessoa muito séria e segue a risca o que acredita ser o correto, ou seja, mesmo querendo para seu futuro algo diferente, vindo de uma família de políticos, ele também está traçando esse caminho, ao contrário de Charles, que vem de uma família do ramo da indústria do petróleo, e de Liz, que poderia ajudar sua família com a rede de pousadas BenLoCo. Quanto mais se encontram em Búzios - por conta de Charles e Jane - mais Liz e Fred se veem juntos, mas é quanto retornam aos Estados Unidos que eles se aproximarão ainda mais.
"Pode até ser, mas nada diminui o risco de se decepcionar. A decepção não é fruto somente da surpresa, mas também de expectativas não correspondidas. Acredito que este seja o verdadeiro problema do universo feminino: criamos os heróis, os príncipes, os deuses e nos esquecemos de que todos os homens têm defeitos. Esta é uma regra absoluta. Então, se nossa esperança é a de que o nosso pretendente seja perfeito, vamos nos decepcionar cem por cento das vezes, pois uma coisa é certa: ela nunca será".
P. 101
Em Boston, aguardando o início das aulas do mestrado, Liz volta a trabalhar na loja Garden's Fic, porém, agora como sócia dos tios, o que lhe ajuda a esquecer o fato de que suas amigas não estão mais tão próximas. Entretanto, ao reencontrar Frederick Darcy ela terá a oportunidade de conhecer a irmã dele, Georgiana, e assim uma nova amizade surgirá.
O romance entre Liz e Fred cresce aos poucos e ambos lutam contra ele ferozmente, mas é certo que eles não têm a menor chance. Aos poucos as barreiras que criaram vão se desmanchando e será difícil dizer não à esse amor.
"Liz, eu tenho tentado lutar contra isso, mas não aguento mais. Desde que a conheci, no Ano Novo, tenho sido atormentado por desejos incessantes que tenho buscado apagar e simplesmente não consigo. Eu vim para Washington com o exclusivo propósito de revê-la. E os últimos dias têm sido piores. Tentei extinguir os meus sentimentos por você com a lógica, considerando a inferioridade de suas condições e meu futuro político, mas não foi suficiente".
(...)
"Do que você está falando? O que está fazendo?", ela finalmente voltou a si, quando recordou o que aquele homem havia feito com sua querida irmã. "Está bêbado?"
"Não estou bêbado, Liz. Estou apaixonado... por você"
P. 132 - 133
A história é bem rápida e gostei muito de Liz e Jane. Darcy me conquistou aos poucos (assim como conquistou Liz), Charles também, no início se mostrou muito imaturo e influenciável, Caroline Bing e Catherine Boyd poderiam sumir facilmente, me decepcionei um pouco com Lotte, Anne Boyd parece ser um personagem interessante, pena que não apareceu muito, assim como Malu Benevides, em compensação, Lídia Benevides aparece mais por conta da história, mas é muito mimada e fiquei com raiva de suas ações inconsequentes em muitas situações. Os tios Jardim são ótimos, assim como o patriarca da família Benevides, uma pessoa sensata no meio do caos. E Georgiana e Sophia são incríveis. Resumindo: muitos personagens em um romance leve e rápido.
"As últimas doze horas comigo não foram suficientes?
"Nem doze mil horas seriam, Lizzie".
P. 175
Agora que terminei fiquei ainda mais curiosa para ler a obra da Jane Austen que inspira tantas outras obras, espero conseguir ler em breve.
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