Pode parecer que 2014 passou voando, mas houve tempo para diversos lançamentos de relevo cultural durante o ano. Abaixo, uma lista contendo 05 títulos dos álbuns que eu considero os melhores deste ano, selecionados por suas qualidades artísticas, por sua relevância cultural e, também, por sua popularidade e capacidade de alcance de público. Confira:
The Pink Print – Nicki Minaj
Parecia que ia chegar 2015 mas nada de chegar o dia 15/12, data de lançamento do terceiro disco de inéditas da rapper mais bem sucedida da história: Nicki Minaj.
Lembrando que expresso aqui a minha opinião pessoal, mas ouso a dizer que este é o CD do ano de 2014. Eu já esperava muito rap de qualidade excelente após o lançamento dos singles
Pill n´Potions,
Anaconda,
Only e
All Things Go, mas confesso que fiquei surpreso com o que Nicki vinha preparando para gente.
Em
The Pink Print encontramos uma
Onika muito mais sensível como podemos constatar nas faixas
I Lied e
Bed Of Lies (os títulos não se assemelham a toa), e um revés de rimas totalmente oposto e menos agressivo que o do seu alter ego
Roman de Pink Friday: Roman Reloaded – o seu último álbum – deixando transparecer e aparecer os dramas familiares da cantora, os problemas que a fama trouxe, revelações do passado pessoal e uma voz vide Grand Piano, que não só se restringe ao rap fluido e quase impossível de decorar e cantar junto (sinal de excelência a meu ver) como podemos ouvir em
Four Door Aventor,
Trindi Dem Girls,
Shangai e
Put You In a Room.
Podemos ainda contar com feats estelares de Drake e Lil' Wayne em
Truffle Butter, Meek Mill em
Big Daddy e Buy a Heart, Jeremih em
Favorite e de ninguém menos que Beyoncé em
Feeling Myself (para fechar a parceria aclamadíssima de Flawless Remix do álbum de Bey).
O último lançamento de Minaj é um disco de camadas que o torna extremamente envolvente e nos revela novos detalhes toda vez que o escutamos, diferente dos seus trabalhos antigos que apresentaram a cantora como uma rapper, uma diva pop previsível ou até mesmo uma marca – The Pink Print nos apresenta uma Nicki Minaj em seu papel mais inesperado: um ser humano.
Me. I Am Mariah... The Elusive Chateuse – Mariah Carey
Cinco anos e alguns adiamentos foi o tempo que levou para Mariah Carey, que completou 25 anos de carreira este ano, lançar o espetacular
Me. I Am Mariah... The Elusive Chateuse o seu 14° álbum de estúdio. O título egóico nos revela que Mimi decidiu mais uma vez falar de si mesma, agora de uma forma mais crua, natural e simples. Ao longo de sua carreira Mariah já vinha fazendo de sua vida todo um conceito, os álbuns contam sempre uma história moldada por ela, onde na maioria das vezes ela é o centro das atenções, porém a forma como isso é tratado é diferente em cada álbum.
The Elusive Chanteuse é um álbum sedutor e equilibrado, embora o excesso de faixas – 17, na Deluxe Edition – dilua os bons momentos. Ao longo do disco, Mariah transita pelo R&B de aura mais pop, como mostram músicas como Faded e Thristy. A habitual proximidade com o universo hip hop se faz notar com a presença dos rappers
Nas em
Dedicated e
Wale em
You Dont Know What To Do. E destaque para a homenagem à Dona Summer na faixa Meteorite que vai agradar aos fãs de Disco.
Não tem jeito, é meio inútil esperar uma mudança de estilo por parte de Mariah. Com esse disco, Mimi conseguiu uma qualidade que há tempos não se via em sua obra. Porém, ainda peca por não sair do óbvio. Ela se predispõe a fazer o melhor naquilo que ela sempre fez com maestria.
1989 – Taylor Swift
Toda chegada começa com a partida de um lugar anterior, e é assim que Taylor inicia 1989 dando adeus ao
Country (estilo que a consagrou) e um olá às batidas do
Pop com a charmosíssima
Welcome To New York, uma saudação à capital do mundo.
1989 não poderia ter outro título – é um disco sobe a ansiedade e a liberdade de se ter um quarto de século como idade, e é melhor entendido por aqueles que estão vivendo seus próprios vinte e poucos anos.
As inspirações musicais deste álbum estão bem nítidas com destaque para
Out of the Woods que remete ao trabalho das irmãs californianas
Haim, o clima melancólico e ao mesmo tempo tórrido da deliciosa
Wildest Dreams nos lembra
Lana Del Rey, e as influências de sua amiga
Lorde são bem claras.
O único ponto fraco do disco é que a maioria das músicas não remetem à áurea oitentista prometida pelo título, mas esse mero detalhe de concepção é revertido pelo visual utilizado pela Taylor em suas apresentações, pela visual retrô dos seus clipes e pela maravilhosa
New Romantics.
O pop não sai de moda. A juventude não sai de moda. E Taylor Swift, tudo indica, não vai a lugar algum também.
Kiss Me Once – Kylie Minogue
Em janeiro
Kylie apresentou ao mundo
Into The Blue, uma faixa simples e suave, mas ao mesmo tempo contagiante que vai fazer você querer dançar. No meu ponto de vista essa foi a intenção de Minogue com o
Kiss Me Once: fazer você dançar, dançar e dançar um pouco mais.
Destaque para
Beautiful (Feat, Enrique Iglesias), que pode ser considerada uma das melhores contribuições da cantora devido ao encaixo perfeito entre as vozes dos dois artistas,
I Was Gonna Cancel que nos remonta os anos 70 (Viva o Disco!) e Sexercize em que Kiley aguça nossa imaginação sexual com uns arranjos fortes e eróticos.
A qualidade de
Kiss Me Once é inegável. Possui uma sonoridade incrível, uma mistura de sons, ora exóticos, ora extremamente naturais e depois pulando para um eletrônico muitíssimo bem trabalhado.
O que mais me encanta nesse álbum é o fato de todas as m´sucias parecerem esta conectadas umas às outras. Nada ali parece ser sido encaixado para tapar um buraco ou sem algum motivo. Tudo está ligado, em rítmica, letra, melodia, harmonia fazendo de
Kiss Me Once um álbum maravilhoso.
X – Ed Sheeran
Ao escutar
Sing pela primeira vez confesso que fiquei com um pé atrás. Foi com esse sentimento receoso que dei play em
Multiply, o disco sophomore do ruivo britânico, mas logo o disco resolveu satisfazer minhas duas metades, com poucas incursões corajosas ao território de
Sing e muita sutileza baladeira.
Sheeran trouxe um disco mais sarcástico e animado, uma mistura de música pop e outros estilos. As famosas baladas – estilo que consagrou o cantor – ainda estão presentes:
I’m a Mess,
Bloodstream,
Shirtsleeves e outras preenchem a cota de letras emotivas e arranjos simplistas, mas passam longe de merecerem destaque. Mesmo apresentando uma nova sonoridade, algumas faixas calmas se sobressaem as demais, como é o caso da emocionante
Afire Love, baseada na perda do avô de Ed para o Alzheimer, e
One, sobre um amor incompreendido. Mas nada se compara a
Photograph e
Runaway: enquanto a primeira já foi apontada pela crítica como a nova
Angels (música de Robbie Williams), a segunda é uma produção assinada por Pharrell Williams que parece ter escapado do
Justified, debut solo de Justin Timberlake.
Em suma, Ed trouxe no segundo disco uma sonoridade mais agressiva, mas sem deixar sua essência romântica pra trás. Faixas brilhantemente trabalhadas mostram várias facetas do cantor, até então desconhecidas, e apresentam um compositor cada dia mais afiado.
Multiply, ironicamente ou não, é um divisor na carreira do Ed Sheeran.
Ps: Ed, por favor, deixa o Pharell Williams de mão =X