15 agosto, 2018


[Conhecendo o Autor] Chirlei Wandekoken


Olá, leitores! Querem saber um pouco sobre mim e meus livros? Acho que eu já nasci escrevendo. Não me recordo de nenhum dia em que uma boa história não tenha passado por minha fértil imaginação rs. Mas tudo começou porque minha mãe me apresentou aos livros. Creio que ela lia para mim quando eu ainda estava em seu ventre. Na verdade, sou a irmã do meio de cinco e, enquanto minha mãe me aguardava, ela lia para as duas mais velhas. Bem, foi isso que ela me contou. O resultado, desde muito pequenina eu já amava os livros e sempre inventava histórias. Morávamos num sitio e eu escrevia as peças de teatro e colocava todas as minhas irmãs para representá-las para um “grande” público: nossa mãe, nossa avó paterna e alguma visita que acabava participando do “espetáculo”.

Quando adolescente, fui apresentada à obra A Moreninha, de Joaquim José de Macedo. Apaixonei-me pelo herói e decidi que seria médica. Fiz cursinho pré-vestibular e por dois ou três anos prestei exame para duas faculdades de Medicina do ES (na época só existiam duas). Não passei e fiquei muito triste. Mas não sabia eu que a Providência conhecia meu destino.

O jornalismo veio depois. Uma carreira como assessora de imprensa e mais tarde como editora. Sempre tive veia empreendedora. Desde pequena eu a possuía, quando catava o resto dos cafés que os empregados de meu pai deixavam para trás nos cafezais e os vendia, às vezes para meu próprio pai kkk e tio. Essa inquietude continuou, montei algumas empresas ao longo da minha vida e acabei formando uma editora. Eu já escrevia e até já tinha sido publicada por uma pequena editora (não paguei um centavo). Mas como não fiquei satisfeita com o tratamento dado ao meu primeiro livro, decidi que eu mesma faria isso.

A Pedrazul (não dá para desassociar a minha carreira da editora), nasceu de um desejo intenso de ler os clássicos ingleses, por quem eu sou completamente apaixonada). Eu até tentava lê-los em inglês, mas não rolava. Com a Pedrazul, foi inevitável eu não publicar os meus próprios livros.

Escrever para mim é uma necessidade quase visceral. As histórias nascem prontas em minha mente. É como se os personagens quisessem ganhar vida através de mim. É uma coisa muito louca. Lembro-me, especialmente de um livro, Força & Ternura. Eu sonhava com a história e enquanto eu não sentei e a coloquei no papel não tive paz.

Mas é uma inquietação gostosa. Meus personagens são tão reais para mim quanto os integrantes de minha família. Tenho o estranho hábito de conversar com eles, muitas vezes numa mesa redonda rs. Sim, sou meio louca. Coloco um objeto à minha frente, algo que remeta a cada um deles, e os conto sobre meus projetos, problemas, e peço suas opiniões. É incrível como isso dá certo! Tente você mesma com pessoas, reais ou não, e verá que é muito mais vantajoso do que sair por aí publicando suas dores nas redes sociais, onde só terá pena e críticas.

Qual livro dos meus 12 que eu mais amo? Ah, esqueci de dizer que escrevo numa velocidade incrível. Isso o jornalismo me deu. Quando escrevemos, o nosso inconsciente entra em ação. Às vezes me assusto com alguma coisa que eu escrevi, pode ser um vocabulário que não uso no meu cotidiano, ou mesmo uma frase bastante profunda. Mas o conhecimento veio da leitura, de uma vida engajada com livros, com a psicologia (teve uma época que me voltei para essa área para compreender a mim e as pessoas). Bem, tenho muito amor pelo meu primeiro livro: O Vento de Piedade. Reli-o recentemente para uma segunda edição e chorei de soluçar. Meu marido chegou no sítio (vou para um sítio nas montanhas para escrever) e se deparou comigo de olhos inchados rs. Esse livro é muito emocionante. Também amo Por Trás da Escuridão, pois achei a minha sacada incrível (hehehe) em retratar um lugar que eu estive e me apaixonei, cheio de casarões imperiais, com uma mulher cega e amarga, um amor impossível, essas coisas. Amo amores impossíveis. Esse mote é recorrente em meus livros, pois sou movida a desafios e amores fáceis, facilmente vão embora. Os difíceis, perduram por uma vida!

Também amo Força & Ternura, A Estrangeira e Paixão de Recomeço. Este último foi o livro que eu mais me desgastei para escrever. Embora A Estrangeira tenha sido o que mais me demandou pesquisa, em Paixão de Recomeço eu tive que construir um amor onde não havia nada, sequer uma semente de paixão, e ser crível.

Finalizando: quem sou eu? Estou em cada página de meus livros, pois cada personagem tem um pouquinho de mim: a obstinação de Leonora, a inquietação de Ana Solevade, a coragem de Corina, a paixão de Eliza, a ternura de Rose... Na escrita tiramos a essência e o conhecimento de nós mesmos. Também há animais em quase todos os meus escritos e todos eles existiram, ou existem. É um registro eterno de uma doce criatura que passou por minha vida. Também amo o nome Eduardo. Mas antes que me perguntem, nunca amei nenhum Eduardo, nem levei toco de um. Apenas amo o nome.
  
♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥ 

Curtiram conhecer um pouco a Chirlei? Pois é, assim que Elimar me falou dela fiquei empolgadíssima para conhecê-la e ler seus livros.



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27 julho, 2018


[Resenha] A Estrangeira - Chirlei Wandekoken

Ficha Técnica 

Título: A Estrangeira
Autor: Chirlei Wandekoken
ISBN: 978-85-66549-39-3
Páginas: 340
Ano: 2017
Editora: Pedrazul
Na primeira metade do século XIX, Eliza se viu sozinha em uma terra tomada por facções rivais. Sem meios, à mercê de abusos, ela aceita se casar sem amor com um aristocrata e capitão do exército da Prússia, Joseph Dahmann. Porém, no dia do casamento, Joseph foi tirado do altar por soldados da facção austríaca, liderada pelo seu próprio irmão, o coronel Heinz Dahmann. Forçada pelo cunhado a viver em um cativeiro, assediada dia e noite, ela foge para a Inglaterra à procura de seus parentes. Mas, quando chega à Inglaterra, nada era como ela esperava. Não havia tia, nem tio e nem primos à sua espera. Somente uma velha cabana vazia na qual ela tiritava de frio. Em Londres, o nono conde de Northumberland, ou conde Hotspur como era conhecido, é chamado de volta a Alnwick Castle, no extremo norte da Inglaterra, pois o escudeiro de seu falecido pai havia morrido, e na cabana do velho rendeiro, uma estrangeira havia chegado.

Resenha


A Estrangeira é minha primeira experiência com a escrita da Chirlei Wandekoken, que tive o prazer de conhecer na Bienal do Rio 2017. Ao contrário do que pode parecer a princípio, A Estrangeira não é um romance de época e sim um romance histórico, isso porque tem como característica um aprofundamento maior na ambientação histórica e com a presença de muitos fatos históricos reais.

A Estrangeira nos apresenta duas histórias de amor separadas por mais de quatrocentos anos, mas que se entrelaçam quando a gente menos espera.

Eliza Schumacher é filha de pais ingleses, mas sempre viveu em Leipzig, pequeno vilarejo na Prússia. Embora a vida lá sempre tenha sido muito regrada, após a morte do pai as coisas ficaram ainda mais difíceis para ela, a mãe e a ama que tinha vindo da Inglaterra com eles. Com a doença da mãe e em seguida sua morte, ela aceitou se casar com um ex-aluno de seu pai e capitão do exército prussiano, Joseph Dahmann. As coisas se complicaram quando viu o interesse de seu cunhado crescer, aliado ao desaparecimento repentino de seu noivo e seu consequente cativeiro.

Com muito custo Eliza conseguiu fugir da Prússia e chegar na Inglaterra, na casa de seus tios, no distante condado de Northumberland, que quase faz fronteira com a Escócia. Entretanto, quando chega lá ela começa a descobrir que sua vida foi construída em cima de muitos segredos, que passará a descobrir agora que chegou à terra de seus pais.
Foi quando lorde Hotspur a viu atravessando a rua. Ela e o cão. Os cabelos mal trançados, desgrenhados, caíam sobre os ombros e eram jogados no rosto pelo vento. Ela sacudia para tirá-los de sua visão. Trazia uma cesta na mão, uma simplicidade desconcertante, coloridamente intrigante, diferente de tudo que ele já vira.
P. 11
Edward Percy Northumberland é nono conde de Northumberland e também conhecido como lorde Hotspur, assim como seu ancestral Henry Percy Northumberland, o segundo conde de Northumberland. Essa fama de libertino e impetuoso vem de muito tempo e, em sua viagem para a Inglaterra, Eliza foi alertada para ter muito cuidado, uma vez que iria morar em suas terras.

Com a recente morte da mãe, Edward saiu de Alnwick Castle e foi passar uma temporada em Londres, mas mal teve tempo de descansar, pois logo seu administrador lhe enviou uma carta informando da morte de John Baker, ex-escudeiro de seu pai, e da chegada de uma sobrinha dele, que precisaria de sua proteção.

É tradição que os Northumberland casem-se com os primos Neville e por isso Edward e Harriet Neville estão prometidos em casamento desde crianças, mas Edward nunca oficializou a proposta, mesmo tendo sido criados como irmãos e sabendo que deverá cumprir a tradição da família. Se tem outra tradição, também esdrúxula é o ódio mortal entre as família Northumberland e Douglas, ambas do norte, pois os Douglas são escoceses.

Para quem o conhece, sabe que ele dificilmente se casará com a prima e a chegada da 'estrangeira' agravará ainda mais essa situação, pois a atração que sentirá por Eliza o deixará desconcertado. Assim como Eliza, que precisará aprender a lidar com o que tem sentido pelo conde, que não deve sequer sonhar com isso.
Há segredos nunca revelados; há emoções cuja alegria é irrefutável. Há vidas que, se separadas, são desafortunadas; se, por ironia, se juntam, são benditas, florescem como jacintos na primavera.
P. 330
Sendo o primeiro livro da série O Quarteto do Norte, A Estrangeira traz muitas informações sobre as famílias, sobre os personagens, como que para embasar mesmo a história, o que a princípio me deixou um pouco confusa, com os nomes muito parecidos, personagens das mesmas famílias, mas separadas por quatro séculos além do fato da semelhança na história entre os personagens, repetindo os mesmo erros de seus ancestrais.

Na mesma proporção em que Eliza é uma personagem forte e corajosa, que enfrentou muita coisa para sobreviver, outros personagens secundários mostram a mesma característica: a ama, a duquesa de Prudhoe e sem esquecer a mãe e a tia de Eliza. Do outro lado, a teimosia de Edward me fez ficar com raiva dele muitas vezes, ainda que fosse em busca da verdade, da revelação dos muitos segredos de sua família e de Eliza, ele deixa que o ódio inexplicável entre famílias lhe cegue diversas vezes.

Eu me surpreendia a cada nova descoberta e, quando eu achava que já estava entendendo uma parte, juntando as peças do quebra-cabeça, vinha uma nova informação que derrubava minha teoria, tanto que a Chirlei me deu uma rasteira até na última página do epílogo, quando achamos que não teremos mais reviravoltas.

Adorei a história e fiquei curiosa para conhecer os outros três livros da série, que já foram publicados e têm versão física e e-book. Se seguirem a mesma premissa do primeiro, são repletos de segredos, mistérios, reviravoltas, revelações bombásticas. Já quero lê-los ;)

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