03 agosto, 2020


[Resenha] Com Amor, Creekwood - Becky Albertalli

Ficha Técnica 

Título: Com Amor, Creekwood
Título Original: Love, Creekwood
Autor: Becky Albertalli
ISBN: 978-65-5560-027-8
Páginas: 144
Ano: 2020
Tradutor: Bruna Beber
Editora: Intrínseca
Foi na Creekwood High School que Simon e Blue se conheceram e se apaixonaram, e também onde Leah e Abby descobriram que o que sentiam uma pela outra era mais do que amizade. Ao que tudo indicava, a jornada de Simon e seus amigos tinha chegado ao fim, mas, para a surpresa e alegria dos fãs, o grupo está de volta em uma novela inédita. Em Com amor, Creekwood, vamos descobrir o que aconteceu depois da formatura da escola e como todos estão lidando com a vida na universidade. Simon e Blue continuam apaixonados, só que a 189,1 quilômetros um do outro, e às vezes a saudade é quase insuportável. Já Leah e Abby dividem o dormitório e não se desgrudam, vivendo um romance adorável e chegando cada vez mais perto daquela palavrinha de quatro letras que começa com “a”. Por meio de e-mails apaixonantes e divertidos, mas também profundos e sensíveis, acompanhamos os passos de Simon Spier e seus amigos rumo à vida adulta, uma jornada nem sempre fácil, mas cheia de descobertas e momentos inesquecíveis.

Resenha

Desde o lançamento de Simon vs a Agenda Homo Sapiens, em 2015, os fãs mal conseguem conter a curiosidade. Querem saber o que aconteceu com cada um dos personagens, principalmente Simon e Blue. A gente conseguiu uns fragmentos de informação em Leah Fora de Sintonia (2018) mas passou bastante tempo sem saber o que acontecia com os meninos depois do colégio.

Eis que depois do sucesso do filme Com Amor, Simon (2018), surge a série Love, Victor. A série do Hulu conta a história de um garoto descobrindo sua sexualidade após se mudar para o mesmo colégio de Simon, anos depois da história principal. E com essa nova obra veio também o livro Com Amor, Creekwood, uma coletânea de e-mails trocados entre Simon e seus amigos durante o primeiro ano da faculdade.

Conheça os personagens de Com Amor, Simon! | Arroba Nerd
meus filhinhos

O livro segue uma longa tradição de romances epistolares, que vão desde Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774) até As Vantagens de Ser Invisível (1999), só pra citar dois bem famosos. Em Com Amor, Creekwood as cartas são substituídas por e-mails, como os trocados por Simon e Blue no primeiro livro. Essa estrutura narrativa traz uma certa nostalgia e ajuda a gente a se conectar com as emoções que sentiu lendo a história do Simon pela primeira vez.

Mesmo que os outros amigos (principalmente Leah e Abby) estejam presentes, o foco é a relação entre Simon e Blue e como a distância afeta ou não o que eles sentem um pelo outro. É um livro feito para matar a saudade dos personagens que a gente ama. E funciona. E é um amorzinho. O único defeito do livro é ser muito curto, porque eu leria mais quinhentas páginas desse romance.

Love, Victor': The Inside Story of That 'Love, Simon' Cameo ...
a já icônica jaqueta jeans

Recomendo seriamente que você leia este livro antes de assistir Love, Victor, porque a série tem um spoiler do livro.

No mais, esta é uma história para matar a curiosidade e a saudade e passar a leitura inteira fazendo cara de ownnn.
Mas talvez seja isso o que acontece quando você encontra uma pessoa e gosta dela mais do que todas as outras. Você diz sim para essa pessoa e não para o resto do mundo (...).
P. 50
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22 julho, 2019


[Resenha] E Se Fosse a Gente? - Becky Albertalli & Adam Silvera

Ficha Técnica 

Título: E Se Fosse a Gente?
Título Original: What If It’s Us
Autor: Becky Albertalli & Adam Silvera
ISBN: 978-85-510-0488-3
Páginas: 351
Ano: 2019
Tradutor: Viviane Diniz
Editora: Intrínseca
De férias em Nova York, Arthur está determinado a viver uma aventura digna de um musical da Broadway antes de voltar para casa. Já Ben acabou de terminar seu primeiro relacionamento, e tudo o que mais quer é se livrar da caixa com todas as lembranças do ex-namorado. Quando eles se conhecem em uma agência dos correios, parece que o universo está mandando um recado claro. Bem, talvez não tão claro assim, já que os dois acabam tomando rumos diferentes sem ao menos saberem o nome ou telefone um do outro. Em meio a encontros e desencontros — sempre embalados por referências a musicais e à cultura pop ¬—, Ben e Arthur se perguntam: e se a vida não for como os musicais da Broadway e os dois não estiverem destinados a ficarem juntos? Mas e se estiverem? Aos poucos, eles percebem que às vezes as coisas não precisam ser perfeitas para darem certo e que os planos do universo podem ser mais surpreendentes do que eles imaginam.

Resenha


Arthur ficará em Nova York por um mês durante as férias de verão, enquanto faz um estágio em um escritório de advocacia, e nestas quatro semanas a vida do jovem rapaz irá mudar completamente, já que ele viverá o seu primeiro amor.

Certa manhã, enquanto está andando pelas extensas ruas da Grande Maçã, Arthur acaba conhecendo o nova iorquino Ben em uma sede dos correios, pois ele está prestes a enviar uma caixa para o seu ex-namorado contendo todos seus pertences.

Durante poucos minutos, através de uma conversa peculiar, em um local mais peculiar ainda, Arthur e Ben trocam um papo, e fica evidente que ali existe uma química. Mas, por ironia do destino – ou não –, Ben desaparece antes que os dois possam trocar seus números de telefone. Realmente tocado com a descontraída e gostosa conversa que teve com Ben, Arthur decide juntar todas as informações que possui, na tentativa de encontrar aquele estranho em meio aos quase 9 milhões de habitantes de Nova York.
Eu vou encontrá-lo. Isso vai acontecer. Meu coração dispara no peito quando imagino isso. Ele estará atrás do balcão, entediado, com um ar sonhador e com o cabelo bagunçado da maneira mais adorável possível.
P. 95
“E Se Fosse a Gente?” é uma obra conjunta entre os autores Becky Albertalli e Adam Silvera. Ambos escritores já permearam a lista de mais vendidos com seus Young Adults, porém o maior trabalho entre os dois é definitivamente o “Simon Vs. a Agenda Homo Sapiens” (ou conhecido também por “Com Amor, Simon”) de Becky.

Neste livro, apesar de não ser evidenciado, fica claro que os capítulos que narram o ponto de vista de Arthur foram escritos por Becky Albertalli, enquanto as passagens de Ben por Adam Silvera. Esse fato se deve principalmente pelas cidades natais dos autores serem as mesmas de suas respectivas personagens. Apesar dessa mudança entre cada capítulo, os autores conseguiram entrelaçar satisfatoriamente suas escritas, para que ambas não ficassem tão destoantes entre si.

Porém, nem essa sintonia entre os autores conseguiu salvar “E Se Fosse a Gente?” de um problema grave: coerência. Apesar da leitura ser bastante rápida e fluida, a narrativa não consegue entregar desenvolvimentos complexos e elaborados. Fiquei com a constante impressão que as dificuldades das personagens principais surgiam do nada e as suas soluções apareciam tão rápido quanto.

Tal falta de coerência afeta principalmente o gosto do leitor, que ao meu ver irá se entreter mais com os capítulos escritos por Albertalli, já que Arthur consegue trazer um pouco mais de nuances do que Ben, apesar de que tanto um quanto outro conseguem sair de 0 à 100km/h em questões de parágrafos, o que acaba gerando uma falta de empatia, mesmo em momentos que deveriam trazer à tona a simpatia de nós leitores.
Talvez isso não vá dar certo e eu não vá sentir falta dele. Mas não posso ir de A para B sem passarmos por A e B primeiro. Viver o momento.
P. 191
Mas nem tudo é embaraçoso, já que o livro possui pontos positivos também. O maior deles definitivamente é uma normalização de personagens LGBTQ+. Aqui tanto os pais de Arthur quanto de Ben sabem de sua realidade, sem contar os seus amigos próximos. Logo, qualquer situação que aconteça no romance dos dois, não provém necessariamente da orientação destas personagens, como normalmente obras deste tipo abordam, mas pelo simples fato que relacionamentos ocasionam altos e baixos, independentemente de quem seja seu respectivo par.

Outro aspecto positivo de “E Se Fosse a Gente?” é a qualidade de suas personagens coadjuvantes, que muitas vezes conseguem roubar a cena, sendo Dylan, melhor amigo de Ben, o melhor representante deste elogio. A atmosfera nova iorquina também é outra característica interessante, e sua ambientação com o universo da cidade, incluindo suas inúmeras referências à musicais da Broadway, é bem legal de ver.
Então encaro a tela do meu celular por cinco minutos seguidos, com o maior sorriso de toda a minha vida.
P. 208
“E Se Fosse a Gente?” é uma obra gostosa, mas que poderia ser muito mais. Seus autores iniciam a obra de uma forma divertida e curiosa, porém da metade para o fim, pecam ao desenvolver um relacionamento corrido, nem um pouco convincente e ao mesmo tempo clichê. Para uma leitura leve e desapegada é uma excelente pedida, mas aviso desde já que o final do livro é daqueles que dividem opiniões.

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25 novembro, 2018


[Resenha] Leah Fora de Sintonia - Becky Albertalli

Ficha Técnica 

Título: Leah Fora de Sintonia
Título Original: Leah on the Offbeat
Autor: Becky Albertalli
ISBN: 978-85-510-0381-7
Páginas: 319
Ano: 2018
Tradutor: Ana Rodrigues
Editora: Intrínseca
Leah odeia demonstrações públicas de afeto. Odeia clichês adolescentes. Odeia quem odeia Harry Potter. Odeia o novo namorado da mãe. Odeia pessoas fofas e felizes. Ela odeia muitas coisas e não tem o menor problema em expor suas opiniões. Mas, ultimamente, ela tem se sentido estranha, como se algo em sua vida estivesse fora de sintonia. No último ano do colégio, em poucas semanas vai ter que se despedir dos amigos, da mãe, da banda em que toca bateria, de tudo que conhece. E, para completar, seus amigos não fazem ideia de que ela pode estar apaixonada por alguém que até então odiava, uma garota que não sai de sua cabeça. Nesta sequência do sucesso Com Amor, Simon, vamos mergulhar na vida e nas dúvidas da melhor amiga de Simon Spier. Em um livro só dela, mas com participações mais do que especiais dos personagens do primeiro livro, vamos acompanhar Leah em sua luta para se encontrar e saber com quem dividir suas verdades e seus sentimentos mais profundos. Em Leah fora de sintonia, Becky Albertalli mostra por que é uma das vozes mais importantes e necessárias de sua geração. Sem nunca soar didática, a escritora lança mão dos mesmos ingredientes que tornaram Com Amor, Simon um sucesso mundial: a leveza, o senso de humor, a representatividade e a certeza de que vale a pena contar histórias sobre jovens que podem até estar perdidos, mas estão determinados a encontrar seu caminho.

Resenha

Leah está no último ano do Ensino Médio, e enquanto se prepara para ingressar em uma universidade e deixar para trás toda a vida que sempre conheceu, a jovem precisará lidar com situações que sempre estiveram presentes em sua vida, mas que ela nunca soube como lidar.

Seja o novo namorado de sua mãe, ou talvez o colega de escola que aparentemente está dando em cima dela. Mas, pode ser também a dificuldade de achar um vestido de formatura de seu número, ou simplesmente o fato de estar apaixonada por uma de suas colegas de escola. Por esses e tantos outros motivos, Leah está perdendo a cabeça, e cedo ou tarde, ela precisará se encontrar, caso queira que sua vida volte a ficar “em sintonia”

– Então, me conta! – diz minha mãe, animada, no caminho até o carro, com um sorriso no rosto.
– Não tem nada para contar.
– Nada? Temos certeza disso?
– Mãe. Para.
Afundo no banco o carro e me viro para a janela. Por um momento, ficamos em silêncio. O estacionamento está lotado de automóveis e pedestres.
P. 63

“Leah Fora de Sintonia” é um young adult escrito pela Becky Albertalli, mesma autora por detrás de “Simon VS. a Agenda Homo Sapiens” – ou conhecido também como “Com Amor, Simon”–, e o excelente “Os 27 Crushes de Molly”, todos publicados no país pela Intrínseca.

Curiosamente, “Leah Fora de Sintonia” é um spin-off de “Com Amor, Simon”, logo, a história se passa no mesmo universo deste último. Para aqueles que já leram Simon e sua desventura romântica, Leah será uma figura conhecida, pois é a melhor amiga do rapaz. Bem escrita, forte e bastante carismática, Leah é aquela personagem dona de sua própria história, estrela do seu show, e portanto, não tem como não gostar dela.

Obviamente que a escrita de Albertalli ajuda bastante, pois é rica e gostosa, o que só fortalece a beleza que é Leah e seu universo. O mais interessante é poder presenciar no livro debates importantes de maneiras naturais e verossímeis. Seja Leah e sua bissexualidade; a relação dela com sua mãe e o possível novo padrasto; o corpo de Leah que foge dos padrões impostos e como ela se ama assim mesmo; o posicionamento de Leah quando seus amigos se mostram racistas, a paixão de Leah por uma menina hétero; e tantas outras situações do cotidiano de um adolescente – e da sociedade como um todo.

A maturidade da autora em tratar desses temas é excelente. Sua destreza e capacidade de passear por muitos temas de uma forma sútil, porém firme, talvez seja a chave de ouro do livro, sem contar claramente, com a excepcionalidade que é Leah.

– É verdade. – Ela ri alto. – Nossa, garotos são tão… argh. Nunca mais vou namorar um.
– Talvez você deva namorar meninas – falo.
Ela sorri.
– Talvez eu deva mesmo.
Eu me viro para a janela na mesma hora, com o rosto pegando fogo.
P. 158

Para ser sincero, só tenho uma crítica à escrita de Becky. Logo nos primeiros capítulos do livro, ela joga para o leitor vários personagens ao mesmo tempo. São diversos nomes, poucas descrições, e mesmo que esse livro contenha personagens de outro exemplar, isso não é garantia que o leitor já teve contato anteriormente com eles. Por exemplo, eu que li “Com Amor, Simon” e conhecia esses indivíduos previamente, fiquei confuso por um bom tempo para relembrar quem era quem e qual era sua importância na narrativa.

A edição do livro, segue os moldes das demais obras de Albertalli: capas modernas e simples; títulos criativos e divertidos; e diagramação fofa. Mas, houve neste volume, um erro que eu particularmente não aprovo, e que irei julgar com todas as minhas forças! A Intrínseca achou que seria muito legal colar um adesivo na capa do livro com a cara de Simon, para poder dizer que esta obra tem relação com o filme lançado no ínicio do ano.

Eu, que achei a ideia sem pé nem cabeça, pois poluiu a bela ilustração que o livro possui, fui retirar o adesivo… e não deu outra: capa destruída. Para piorar a situação, já soube que a editora está colando adesivos em outros títulos, e ao receberem reclamações do mesmo no Instagram, respondem que tal adesivo “sai fácil”. Mentira! O meu não saiu, machucou a capa do meu livro, e tenho certeza que quem colocou tal adesivo, não esperou uma semana para tentar tirá-lo e ver a merda que ia dar.

Resumindo… Parem desde já com esses adesivos. Não é bonito, não é funcional e nós leitores não o queremos. Sei que faz parte do marketing, mas há outras dezenas de ideias que podem ser utilizadas, e que não irão depredar o próprio produto de vocês. Pior disso tudo, é a editora alegar que é simples resolver o problema, quando claramente não é, e no final das contas quem vai ficar com o livro feio e destruído somos nós leitores.

Meu estômago se agita um pouco. Ainda fico surpresa ao me dar conta de que esse fim de semana não foi só uma anomalia aleatória. Esses dias foram uma prévia da vida real. Esses lugares, essas pessoas, essa dose estranha de liberdade.
P. 194

Dito isso, queria finalizar a resenha reafirmando as qualidades de “Leah Fora de Sintonia”. Com uma personagem imponente e super excêntrica, a nova empreitada da autora Becky Albertalli é a prova que seus trabalhos atingem um nicho certo de leitores, mas que nem por isso ficará limitado à eles. Sua escrita é deliciosamente leve e curiosamente divertida e atual, e tenho certeza que irá lhe cativar, assim como me cativou. 

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17 setembro, 2017


[Resenha] Os 27 Crushes de Molly - Becky Albertalli

Ficha Técnica 

Título: Os 27 Crushes de Molly
Título Original: The Upside of Unrequited
Autor: Becky Albertalli
ISBN: 978-85-510-0236-0
Páginas: 318
Ano: 2017
Tradutor: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca
Molly já viveu muitas paixões, mas só dentro de sua cabeça. E foi assim que, aos dezessete anos, a menina acumulou vinte e seis crushes. Embora sua irmã gêmea, Cassie, viva dizendo que ela precisa ser mais corajosa, Molly não consegue suportar a possibilidade de levar um fora. Então age com muito cuidado. Como ela diz, garotas gordas sempre têm que ser cautelosas. Tudo muda quando Cassie começa a namorar Mina, e Molly pela primeira vez tem que lidar com uma solidão implacável e sentimentos muito conflitantes. Por sorte, um dos melhores amigos de Mina é um garoto hipster, fofo e lindo, o vigésimo sétimo crush perfeito e talvez até um futuro namorado. Se Molly finalmente se arriscar e se envolver com ele, pode dar seu primeiro beijo e ainda se reaproximar da irmã. Só tem um problema, que atende pelo nome de Reid Wertheim, o garoto com quem Molly trabalha. Ele é meio esquisito. Ele gosta de Tolkien. Ele vai a feiras medievais. Ele usa tênis brancos ridículos. Molly jamais, em hipótese alguma, se apaixonaria por ele. Certo? Em Os 27 Crushes de Molly, a perspicácia, a delicadeza e o senso de humor de Becky Albertalli nos conquistam mais uma vez, em uma história sobre amizade, amadurecimento e, claro, aquele friozinho na barriga que só um crush pode provocar.

Resenha

Becky Albertalli foi aclamada por sua obra de estreia, “Simon vs. a Agenda Homo Sapiens”, porém, é o seu segundo trabalho que realmente prova a competência e versatilidade da autora, que ao criar distintos personagens e núcleos, consegue entregar ao leitor uma história que vai além de um romance. 

Molly é uma jovem apaixonada e sonhadora, que na menor das oportunidades já começa a fantasiar com um romance arrebatador de conto de fadas. Mas ela nunca beijou na vida, e sua lista de crushes já contabiliza 26 rapazes. Insegura, principalmente devido ao seu peso, Molly fica ainda mais tensa ao ver sua irmã gêmea, Cassie, encontrar uma namorada, ficando com medo de perder a pessoa que mais lhe passa confiança na vida.

Mas o coração de Molly não perde tempo, e assim que Cassie começa a namorar, o universo lhe entrega não um, mas dois novos crushes. O primeiro deles se chama Will, e é o melhor amigo de Mina, a namorada de sua irmã, e o segundo é Reid, colega de trabalho da nossa protagonista. Com muita cautela, e com as confusões e questionamentos que sempre lhe impedem de investir em seus crushes, Molly terá que mudar suas ações e escolher um dos dois para ser o seu vigésimo sétimo crush, e se tudo der certo, será com ele com quem Molly dará o seu tão esperado primeiro beijo. 

Isso não entra na minha cabeça. Como as pessoas têm certeza de que seu amor será correspondido? Como isso automaticamente vira uma suposição?
P. 65

Com muita fofura e graça, “Os 27 Crushes de Molly” conquista o leitor já no primeiro capítulo. O humor da escrita de Albertalli ajuda a suavizar o drama que a personagem principal lida, sem necessariamente torná-lo forçado ou desvalidando e simplificando o enredo e os problemas. Pelo contrário, a autora, assim como disse no começo da resenha, consegue transformar um hipotético simples romance infanto-juvenil, em uma obra rica e elaborada. 

Além de trabalhar a já citada insegurança de Molly por ser gorda e nunca ter beijado, Becky potencializa a diversidade de suas personagens ao optar por criar uma família bem diversificada. Para começo de conversa, Molly possui duas mães, uma delas gerou através de um doador Molly e Cassie (que diferentemente da primeira, é magra), a segunda mãe gerou anos depois através do mesmo doador, um irmãozinho, o Xavier. 

Portanto, eu devia estar acostumada. Mesmo assim, sempre fico meio desconcertada quando as pessoas falam coisas sobre o meu corpo. Acho que quero acreditar que ninguém repara que sou gorda. Ou que sou bonita e gorda ao mesmo tempo, como uma modelo plus size. Sei lá.
P. 123/124

Para enlouquecer ainda mais os conservadores de plantão, Albertalli opta por definir uma mãe sendo branca e a outra negra, e a família tendo como base religiosa o judaísmo. Claramente, ainda temos o fato de uma das integrantes, a Cassie, assim como as mães, ser homossexual e ter uma namorada. Todos esses detalhes são tratados com muita naturalidade na narrativa da autora, afinal, essa é a realidade desta família.

Porém, sem muito alarde, já que esse não é o plot principal da obra, em alguns momentos existem sim, questionamentos e julgamentos de personagens externos à esta realidade familiar. Desde a avó que não se preocupa em ter uma filha homossexual, mas se incomoda com o peso da neta, ou pessoas que não conseguem compreender como Molly tem integrantes negros em sua família. Esses detalhes mostram muito bem diversas vertentes da nossa sociedade atual, e até mesmo como a ausência de certos preconceitos em determinadas pessoas, não eliminam as mesmas de terem outros. 

– Porque eu não quero ser a garota que precisa de um namorado – respondo.
– Ah, mas é claro que você não precisa de um – diz Nadine. – Mas não tem nada de errado em querer um.
P. 294

“Os 27 Crushes de Molly” pode até ser um young-adult, mas um do tipo maduro, mais para adulto do que adolescente, assim por dizer. Becky Albertalli tem uma escrita cativante e questionamentos válidos e atuais, tratados de uma forma séria, mas sem perder a diversão. A riqueza das personagens é só mais um delicioso fator, que de tão bem escritas e autênticas, chegam a dar a sensação de serem reais e próximas de nós. Não acho que tenha como alguém odiar Molly, e querendo ou não, acho que esse livro será o maior crush de quem o ler.

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26 abril, 2016


[Resenha] Simon VS. a Agenda Homo Sapiens - Becky Albertalli

Ficha Técnica

Título: Simon VS. a Agenda Homo Sapiens
Título Original: Simon vs. the Homo Sapiens Agenda
Autor: Becky Albertalli
ISBN: 978-85-8057-892-8
Páginas: 370
Ano: 2016
Tradutor: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca
17Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar. Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu. Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontrarmos.

Resenha



SELO BLOG Simon é gay, mas ninguém sabe. Quer dizer, ninguém sabia até então. Certo dia, Martin, um colega de escola, acaba descobrindo uns e-mails que Simon vem trocando com Blue, um garoto misterioso, e que há algum tempo, de maneira anônima, se comunica com Simon de uma forma bem romântica e pessoal. Para manter o segredo de Simon, Martin o chantageia, pedindo ajuda para conseguir conquistar uma de suas amigas. Simon realmente não se importa que sua sexualidade seja revelada para todos, o grande problema é incluir Blue nessa situação delicada, fazendo com que o garoto se assuste, perca a confiança nele e possivelmente acabe se afastando.
Sério, eu não aguento. A franja do Cal. Os olhos do Cal. O fato de que ele aparentemente repara em mim o bastante para saber que não vou aos jogos de futebol.
– É minha primeira vez – digo.
Porque sempre tenho que dizer a coisa mais virgem possível.
P. 69

Decidido a preservar seu paquera, Simon prometerá ajudar Martin. Enquanto tenta achar uma solução definitiva, para que possa se livrar de vez das chantagens, e assim focar 100% no seu relacionamento com Blue, Simon terá que enfrentar algumas provações que muitas vezes colocarão seu segredo – e também sua relação amorosa – na zona de perigo. “Simon VS. a Agenda Homo Sapiens” é o primeiro livro publicado da autora Becky Albertalli. Com uma atmosfera jovem e moderna, Albertalli constrói um universo fácil de se relacionar e extremamente convidativo. As personagens cativantes e a gostosa narrativa imergidas em uma história divertida é uma fórmula que dificilmente dará errado, e este é o caso do livro.
Que pena que seu dia também foi esquisito. Quer conversar sobre isso? É mesmo muito irritante que hétero (e branco, diga-se de passagem) seja o normal e que as pessoas que precisam pensar sobre sua identidade sejam só aquelas que não se encaixam nesse molde.
P. 131

Ao intercalar os capítulos entre a narrativa em primeira pessoa de Simon e as trocas de e-mails entre Simon e Blue, a autora coloca o leitor a par de todo o desenrolar das provações que nosso personagem principal terá que cruzar dentro e fora de seu ambiente escolar. Com muitas referências à cultura pop, que ajudam a embalar um inocente romance, os capítulos que trazem os e-mails são muito bem dosados se tratando de humor e romance. As personagens secundárias também são interessantes, e importantes para o desenrolar da história e do amadurecimento de Simon. É interessante notar que Becky constrói seu livro focada em certas questões sociais, como as divergências, o preconceito e a necessidade de respeitar o próximo independente de sua opção sexual, sua cor, sua religião, etc, sem deixar o livro massante e com um discurso extremamente político.
– Não tenho o direito de ficar com raiva.
– Como assim?
– Isso é um problema seu, Simon.
– Mas você tem o direito a ter emoções.
P. 159

Para os fãs de uma leitura gostosa e bem jovem, que além da diversão lhe trará bons momentos de reflexão, “Simon VS. a Agenda Homo Sapiens” é a pedida certa. Além da qualidade literária da obra, vale a pena dizer também que a capa do livro, apesar de simples, é muito bonita e combina bastante com a vibe da história. PS: Essa semana a Intrínseca está fazendo a Semana Especial Simon, então caso você não tenha visto, ontem publicamos uma postagem especial sobre a dinâmica narrativa do livro.

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