28 fevereiro, 2016


[Resenha] Vida e Morte - Stephenie Meyer

Ficha Técnica

Título: Vida e Morte
Título Original: Life and Death
Autor: Stephenie Meyer
ISBN: 978-85-8057-855-3
Páginas: 391
Ano: 2015
Tradutor: Regiane Winarski & Ryta Vinagre
Editora: Intrínseca
17Novamente, os leitores vão se apaixonar pela arrebatadora história de amor de Bella e Edward... ou, quem sabe, será uma primeira vez. A edição especial de aniversário inclui um conteúdo extra e exclusivo: Vida e morte, nova versão em que autora inverte o gênero dos principais personagens. Em Vida e morte os leitores vão se maravilhar com a experiência de ler a icônica saga de amor agora pelos olhos de um adolescente que se apaixona por uma sedutora vampira. Numa publicação ao estilo “vira-vira”, a edição comemorativa traz mais de 400 páginas de conteúdo extra, além da nova capa, com Crepúsculo de um lado e Vida e morte de outro. Os milhares de fãs de Bella e Edward não vão querer perder a oportunidade de ver seus tão queridos personagens em novos papéis.

Resenha



Beaufort Swan acaba de se mudar para Forks, onde irá viver com o seu pai. Extremamente descontente por estar fazendo essa brusca mudança, Beau - como gosta de ser chamado -, dará o seu melhor para se adaptar a pequena cidade. O jovem Beau mal sabe que mudar de cidade irá fazer com que a sua vida tenha uma grande reviravolta. Na escola, o rapaz irá se deparar com a bela Edythe Cullen, tão misteriosa e atraente que será impossível não se apaixonar. Infelizmente, neste caso, o amor poderá ser uma estrada de via única para a morte.
– Você é perigosa? Saiu como uma pergunta, e havia dúvida na minha voz. Ela era menor do que eu, da mesma idade e com corpo delicado. Em circunstâncias normais, eu teria rido por usar a palavra perigosa para me referir a alguém como ela. Mas ela não era normal, e não havia ninguém como ela.
Pág. 82

SELO BLOGEssa história todos nós já conhecemos. Nos últimos dez anos, “Crepúsculo” serviu como um marco literário, em uma época onde Harry Potter arrecadava todas as atenções dos jovens leitores. Sendo uma obra que divide opiniões, “Crepúsculo” sofreu e ainda sofre diversos julgamentos por “x” questões, e um deles foi o fator principal para o nascimento de “Vida e Morte”. Com a chegada dos dez anos de lançamento de seu primeiro livro publicado, a autora Stephenie Meyer decidiu preparar uma surpresa para seus leitores. Ao invés de fazer o que normalmente os autores fazem, como uma introdução comemorativa, uma capa diferenciada ou até mesmo um ou dois capítulos exclusivos, Meyer optou por presentear seus fãs de uma forma totalmente inesperada e diferente: uma nova versão de “Crepúsculo”, onde os sexos das personagens seriam mudados.
Eu tinha certeza de algumas coisas. Primeiro, Edythe era uma vampira de verdade. Segundo, havia uma parte dela que me via como alimento. Mas, no final, nada disso importava. A única coisa que importava era que eu a amava, mais do que imaginei que fosse possível amar alguma coisa. Ela era tudo que eu queria, a única coisa que eu quereria na vida.
Pág. 156

Em uma rápida introdução do livro, Stephenie explica ao leitor que a ideia surgiu após os diversos questionamentos que teve durante esses últimos anos. Como autora, ela teve que responder inúmeras perguntas sobre sexismo relacionadas as suas obras, onde sabemos que a personagem principal é uma menina frágil e desengonçada (fato que foi extremamente magnetizado por Kristen Stewart nos filmes), que se apaixona perdidamente pelo indestrutível, rico e bonito vampiro. A resposta de Meyer perante essas perguntas era bastante simples: “não teria feito diferença se o humano fosse homem e o vampiro fosse mulher; ainda seria a mesma história. Deixando o gênero e a espécie de lado, Crepúsculo sempre foi uma história sobre a magia, a obsessão e o frenesi do primeiro amor”. Decidida então a comprovar sua teoria, Meyer aproveitou a chance para ‘escrever’ “Vida e Morte”, uma versão reimaginada de “Crepúsculo”, onde Bella se torna Beau e Edward vira Edythe.
– Você é mesmo um idiota – concordou ela com uma risada, e ri junto. A situação toda era idiotice. E impossibilidade e magia.  – E então, o leão se apaixonou pelo cordeiro – murmurou ela. A palavra foi como um choque elétrico no meu corpo. Tentei disfarçar minha reação. – Que cordeiro imbecil. Ela suspirou. – Que leão masoquista e doentio.
Pág. 220/221

Tirando alguns personagens – o pai e a mãe de Beau/Bella, tendo como exemplo –, todos os outros acabam tendo seus gêneros trocados. Não nego que esta foi uma experiência bastante interessante, pois foi a primeira vez que vi coisa parecida. Inicialmente, é complicado obrigar o nosso cérebro a troca Bella por Beau e assim por diante, porém aos poucos vamos nos acostumando. Infelizmente, “Vida e Morte” precisa passar por uma urgente revisão. Várias passagens do livro estão com erros ortográficos, incluindo as mudanças de gênero. Há vários momentos onde podemos ver Beau chamando Edythe de “ele”, ou Edythe chamando Archie (Alice, na versão original), de “ela”. Até parece que pegaram a tradução de “Crepúsculo” e foram alternando somente o sexo das personagens no automático. Porém, se engana quem está pensando que “Vida e Morte” se resume somente a esta mudança dos gêneros. Stephenie Meyer aproveitou a oportunidade para lapidar sua obra e trocar palavras e passagens que não lhe agradavam na primeira versão. Além disso, houve a necessidade de cenas inteiras serem alteradas, já que por exemplo Bella não faz a barba e Beau faz, ou Beau tem cabelo curto, e Bella não, e até o fato de Bella comer só metade de uma lasanha, enquanto Beau a come por inteiro. A nível de curiosidade, o livro tem 50 páginas a mais do que “Crepúsculo”.
– Verei o que posso fazer – respondi e saí para a chuva. Bati a porta do carro com uma força exagerada. Ele ainda estava sorrindo ao arrancar com o carro.
Pág. 82 - Final do Capítulo 5 (Tipo Sanguíneo) de “Crepúsculo


– Verei o que posso fazer – prometi.
Saí no rio vertical e corri até a varanda. Quando me virei, o Volvo já tinha sumido.
– Ah!
Botei a mão no bolso do casaco, lembrando que esqueci de dar a ela a chave do meu carro.
O bolso estava vazio.
Pág. 95 - Final do Capítulo 5 (Tipo Sanguíneo) de “Vida e Morte”

Ficou evidente para mim que “Vida e Morte” não é uma obra exclusivamente feita para os fãs. Ao meu ver esse foi um trabalho da autora para sí mesma. Uma década após seu lançamento no mundo literário – em uma carreira que basicamente se define pela série “Crepúsculo” –, Meyer teve a chance de modificar tudo que não lhe agradava como autora iniciante, além de acrescentar detalhes e visões que só obtemos talvez com o passar dos anos. “Vida e Morte” é definitivamente um risco, já que poderá agradar bastante ou fazer com que os fãs sintam que sua querida obra fora mutilada e estragada. Uma opção para Meyer era finalmente finalizar “Midnight Sun”, uma versão de “Crepúsculo” com os fatos narrados pela visão de Edward e que chegou de forma ilegal e incompleta na internet anos atrás. Porém, Stephenie afirma que anda muito ocupada – lembrando que seu último livro foi lançado em 2008... Ao menos que para ela mudar gêneros, passagens e criar novos capítulos não tome nada de seu tempo.

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