Ficha Técnica
Título: Outro DiaTítulo Original: Another Day
Autor: David Levithan
ISBN: 978-85-01-10683-4
Páginas: 320
Ano: 2016
Tradutor: Ana Resende
Editora: Galera Record
Um dos mais inovadores autores de livros jovem adulto e o primeiro a emplacar uma trama gay na lista do New York Times, David Levithan retoma a sua mais emblemática trama em "Outro Dia". Aqui, a já celebrada — com várias resenhas elogiosas — história de "Todo Dia" é mostrada sob o ponto de vista de Rhiannon. A jovem, presa em um relacionamento abusivo, conhece A, por quem se apaixona. Só que A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Mas embarcar nessa paixão também traz desafios para Rhiannon. Todos eles mostrados aqui.
Resenha
Rhiannon é extremamente apaixonada por Justin, porém o rapaz não é o melhor dos namorados. Frio, indiferente e muitas vezes grosseiro, Justin não percebe que tem ao seu lado alguém muito especial. Porém, certo dia, Rhiannon tem uma grande surpresa. Justin aparece na escola mudado, extremamente feliz, romântico e convidando-a para uma aventura na praia em pleno dia de aula.
Vamos fazer sempre assim, é o que quero dizer a ele.A verdade é que Rhiannon passou o dia na praia com A. A é um ser humano que ocupa o corpo dos outros de sua mesma idade por apenas 24 horas. Sem saber desse bizarro fato, a jovem Rhiannon não desiste de tentar trazer o lado romântico de Justin à tona, até que A aparece – na forma de uma nova pessoa – e lhe revela estar apaixonado por ela.
Justin para o carro e destrava as portas.
Terminar numa boa, penso, tanto para mim quanto para ele.
É tão natural estragar uma coisa boa. É preciso bastante determinação para deixá-la ser como é.
P. 31
Assustada e confusa com tamanha revelação, Rhiannon tenta compreender o que aquele estranho está tentando lhe dizer. Compartilhando informações que somente Justin poderia saber da vida de Rhiannon, a menina acaba sendo convencida e encantada por finalmente encontrar alguém que lhe dê valor. Agora, Rhiannon e A terão que aprender a lidar com as dificuldades de um amor tão confuso e inexplicável como acordar a cada dia em um corpo diferente.
Quase sempre, amar parece ser uma tentativa de descobrir o que a outra pessoa deseja e dar isso a ela. Algumas vezes, é impossível. Mas outras vezes é muito simples. Como agora. Ele não tem palavras para me agradecer, mas quando ofereço o telefone, ele o segura por um instante e me faz perceber que fiz a coisa certa.“Outro Dia” é a versão de “Todo Dia”, ambos do autor David Levithan, porém na visão de Rhiannon – o primeiro foi narrado por A. Para quem não leu, “Todo Dia” é de uma beleza fora do comum se tratando de um Young Adult, e vale muito a pena ler. Sob a perspectiva de Rhiannon, acompanharemos QUASE a mesma história. Os livros estão longe de serem iguais: enquanto um trabalha a dificuldade do ser humano em se auto definir e se auto descobrir, o outro opta por trabalhar um relacionamento abusivo e a importância de nos libertarmos dele.
P. 130
Levithan mais uma vez utiliza de sua narrativa poética, criando personagens cheios de dúvidas e bastantes vulneráveis, além de entregar uma obra tocante e reflexiva. Desta vez, a maior reflexão talvez seja como aceitar o próximo do jeito que ele é, quebrando barreiras de identidades e gêneros, e tratando o próximo pelo simples fato dele ser de carne e osso, assim como nós.
Imagino as pessoas olhando para nós enquanto levantamos da mesa, jogamos fora os copos de café e nos despedimos. Deu tudo certo, eles devem pensar. Apenas dois adolescentes num encontro. Não um primeiro encontro… Não. Estão familiarizados demais para isso. E de modo algum um último encontro. Porque deu tudo certo. Porque o garoto nerd e a garota discreta evidentemente gostam um do outro. Não é preciso estar dentro dos nossos corpos para perceber isso.Apesar de não haver uma necessidade de continuação para “Todo Dia”, essa abordagem da mesma história sob outra ótica, funcionou. Há diversidade e inovação na narrativa, fazendo com que o leitor que leu o primeiro não sinta-se enganado com este. Por sinal, senti que apesar do final condizente, o autor deixou em aberto para a possibilidade de uma verdadeira continuação, indo além dessa adaptação ótica.
P. 211
Entre erros e acertos, David Levithan conquistou diversos fãs. Como leitor posso dizer que um desses acertos foi “Todo Dia”, e fico feliz em dizer que este livro ao qual resenho, é outro tiro certeiro. Sendo uma obra leve com seus toques obscuros e densos, “Outro Dia” tem tudo para conquistar tanto os leitores que buscam revisitar a história de A e Rhiannon, assim como aqueles que irão conhecê-los pela primeira vez.
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