Um dos maiores clássico da literatura,
“O Pequeno Príncipe” continua conquistando o mundo após 70 anos desde o seu lançamento. Agora que a obra faz parte do domínio público, estão pipocando no mercado editorial diversas novas versões de inúmeras editoras. Mas devido a este fato, os parâmetros de qualidade são altos e as editoras não estão de brincadeira, já que têm em suas mãos um dos livros mais rentáveis do mundo. E quem ganha com isso somos nós, os leitores.

A Geração Editorial não perdeu tempo, e logo no primeiro mês de 2015 – o livro entrou em domínio público no primeiro dia do ano –, lançou no mercado duas edições de
“O Pequeno Príncipe”: uma pocket e outra luxo (a qual eu aqui resenho). A história é a mesma… Nos deparamos com um aviador perdido no meio do deserto após um acidente de avião, e em meio ao desespero que se encontra, topa com um menininho de cabelos dourados que veio de outro planeta, que lhe conta suas aventuras até chegar na Terra. E é assim que somos apresentados ao Pequeno Príncipe e suas ‘mil e uma’ lições de vida.
Mas, para nós, que compreendemos a vida, os números não têm tanta importância! Bem que eu gostaria de narrar esta história como se fosse um conto de fadas. Eu escreveria assim:
‘Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta um pouco maior do que ele próprio, e queria ter um amigo…’
Para quem compreende a vida, isso soaria bem mais convincente.
Pág. 26
Com uma poesia fora do comum, que cativou milhões de leitores ao redor do mundo inteiro - são mais de 250 traduções do livro -, as versões da Geração Editorial ganham novas capas e uma nova tradução feita pelo Frei Betto, escritor e religioso dominicano brasileiro, que já publicou mais de 60 livos no mercado nacional.
Para os que já estão acostumados com a tradução “clássica” brasileira, irão notar algumas diferenças logo na primeira frase do livro. Por exemplo, a sentença “
– É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas.” fica assim: “
– Não se pode conhecer as borboletas sem suportar duas ou três lagartas. Dizem que são muito bonitas.”. O sentido é o mesmo, a formulação nem tanto. Isso não atrapalha em nada a leitura, mas senti que a tradução perdeu um pouco da beleza poética, pois algumas palavras mais rebuscadas se tornaram mais ‘normais’.
– Um dia, vi o Sol se pôr quarenta e quatro vezes!
E logo acrescentou:
– Você sabe… quando se está triste, é bom ver o pôr do sol…
– Você estava tão triste que precisou vê-lo quarenta e quatro vezes em um só dia?
O pequeno príncipe nada respondeu.
Pág. 35
Porém, por outro lado, temos edições de colocar inveja em qualquer outra já lançada no país - talvez somente a versão Pop Up consiga se salvar desta afirmação. A edição de luxo possui capa dura, com o título e o príncipe em alto relevo, além de utilizar detalhes dourados tanto no título quanto nas pequenas estrelas que compõem a imagem. Há um selo na capa dizendo: “
Edição completa com nova tradução e caderno com fotos e estudo sobre vida e obra do autor”. Para mim isso poluiu um pouco, sem contar que é totalmente desnecessário, já que a capa é tão linda que se vende sozinha.
Outro ponto super positivo é a diagramação da obra. Todas as páginas são coloridas e com efeitos nas laterais, o que dá ao livro um ar bem
vintage. Apesar de que, em 4 das páginas, ficou um pouco difícil de se ler, já que o fundo era preto e a letra marrom. As imagens perderam as legendas, mas estão todas lá, afora que sua coloração seja mais escura do que o normal e a impressão seja um pouco granulada, fazendo com que ao mesmo tempo que pareça aquarela, lembrou-me uma imagem pintada no
Paint.
Campos de trigo nada significam para mim. E isso é triste! Mas seus cabelos são dourados. Seria encantador você me cativar! O trigo, que também é dourado, me fará lembrar de você. E me deliciarei com o afago do vento nas espigas de trigo…
Pág. 98
Mas o melhor fica para o final. A história do livro todos nós já conhecemos, e agora é a chance de sermos apresentados ao autor. Eu já conhecia a vida e obra de Antoine de Saint-Exupéry por ter lido outras livros sobre
“O Pequeno Príncipe” e até mesmo outras obras de sua autoria, porém nenhuma delas me ofereceu a riqueza de detalhes que encontrei no final desta nova edição. Em apenas 30 páginas, o leitor irá encontrar informações sobre o autor deste belíssimo clássico, e conhecer um pouco do homem por detrás do príncipe, e que infelizmente, teve um final de vida tão trágico.
“O Pequeno Príncipe” é meu livro favorito e fico muito contente em ter em minhas mãos está edição tão bonita e que com certeza foi idealizada e criada por pessoas tão apaixonadas pela obra quanto eu sou. A edição de bolso também não fica para trás, pois é linda do seu próprio modo, trazendo a mesma qualidade e dedicação que a de luxo recebeu. Não poderia terminar a resenha de outro modo, ao não ser dizendo que caso você ainda não tenha lido esse livro maravilhoso, pare tudo que esteja fazendo, e mude esta situação agora.