26 outubro, 2016


[Resenha] Criaturas Estranhas - Histórias Selecionadas por Neil Gaiman

Ficha Técnica

Título: Criaturas Estranhas
Título Original: Unnatural Creatures
Autor: Vários Autores
ISBN: 978-85-68263-44-0
Páginas: 400
Ano: 2016
Tradutor: Antônio Xerxenesky
Editora: Fantástica Rocco
69Dezesseis histórias fantásticas, algumas escritas há mais de cem anos, outras inéditas, selecionadas por ninguém menos que o aclamado autor de Coraline e outros tantos sucessos, Neil Gaiman. Como o título sugere, Criaturas estranhas é uma coletânea de contos povoada por seres fantásticos, magníficos e às vezes assustadores. Assinadas por autores clássicos de ficção científica e fantasia, como Anthony Boucher e Diana Wynne Jones, a escritores contemporâneos, como Nnedi Okorafor e o próprio Gaiman, as histórias, que parecem ter saído de um sonho, ou talvez de um pesadelo, têm em comum o olhar atento e único de Neil Gaiman para o insólito. Cada conto é precedido de um comentário do escritor, que visa a provocar ainda mais a imaginação do leitor.

Resenha


“Criaturas Estranhas” é um livro de contos selecionados pelo premiado autor de fantasia Neil Gaiman. As histórias selecionadas por Gaiman possuem um tema em comum, que como o título já deixa bem explícito, são criaturas não tão convencionais assim.

O livro é composto por 16 contos de dezesseis autores distintos, sendo três destes contos publicados pela primeira vez nesta obra. A seleção de Neil Gaiman foi bastante eclética, pois o mesmo separou histórias de épocas extremamente diferentes, para vocês terem uma ideia, o conto mais antigo do livro foi publicado em 1885, pelo escritor Frank R. Stockton (1834-1902).
“Quando perceberam que o Grifo não dava indícios de que iria embora, todos os que podiam sair da cidade assim o fizeram.”
(O Grifo e o Cônego Menor - Frank R. Stockton)
P. 49 
selo_2016Entre os autores, eu só conhecia três deles: o próprio Neil (dã); a Maria Dahvana Headley, ao qual li um livro recentemente pela primeira vez; e a Diana Wynne Jones (1934-2011), premiada autora infanto-juvenil, conhecida principalmente por sua obra “O Castelo Animado”. A Headley foi coeditora do Neil nesta empreitada, e além disto, seu conto, “O Mal Também se Levanta”, é um dos três citados anteriormente como publicados pela primeira vez nesta edição.

Entre as tais criaturas que compõem os contos, o leitor poderá encontrar de tudo um pouco: grifo, fênix, cacatucano, lobisomen, sereia, dragões, monstros, plantas carnívoras, entre outros. A maioria das histórias são relativamente pequenas, tendo em média de umas 15-20 páginas cada. Porém, um dos contos finais, “O Lobisomen Cabal”, do autor Anthony Boucher (1911-1968), tem 67 páginas, sendo este o mais extenso conto do livro.
“Ele refletiu sobre a ordem, as regras e o Paraíso, e se deu conta de que havia um motivo por trás de todas as perguntas brilhantes que o Sábio fazia. Ele ficou tonto de tanto pensar.”
(O Sábio de Theare - Diana Wynne Jones)
P. 117
Ao início de cada conto, o Gaiman explica rapidamente quem é aquele autor e porque dele ter selecionado essa história em especial, e logo em seguida diz uma pequena sinopse do que está por vir. Com isso fica bastante claro que Neil recorreu à vários contos que marcaram sua carreira como escritor, mas também como pessoa, principalmente em sua juventude.

Infelizmente, como são muitos contos, não faz sentido algum em falar sobre todos eles. Sinceramente tenho que dizer que a maioria deles para mim foram bem modestos, e poucos realmente marcaram. Acho que o Neil Gaiman deveria ter optado por selecionar uma quantidade menor, em torno de 8-10, tendo a certeza de que todos eles seriam mais memoráveis do que aqueles que não precisariam estar ali de fato.
“A cicatriz em meu braço é bem fina e fraca. Tem mais ou menos o tamanho de um fio de cabelo e faz três curvas entre o ombro e o cotovelo. Às vezes, em tardes quentes e silenciosas, saio sozinha e olho para ela sob a luz do sol.”
(A Manticora, A Sereia e Eu - Megan Kurashige)
P. 254 
Com algumas histórias que utilizam de muita fantasia, outras que já tendem a ser mais voltadas ao suspense, e até umas que se voltam pro terror, “Criaturas Estranhas” é uma coletânea de contos muito bem editada. Para quem é fã de Neil Gaiman, essa é uma boa oportunidade de conhecer bons autores que inspiraram e continuam inspirando a lenda que é Gaiman. Além disso, o livro ainda conta com essa belíssima capa, e com ilustrações maravilhosas da artista Briony Morrow-Cribbs.

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23 outubro, 2015


[Resenha] O Vitral Encantado - Diana Wynne Jones

Ficha Técnica

Título: O Vitral Encantado
Título Original: Enchanted Glass
Autor: Diana Wynne Jones
ISBN: 978-85-01-09207-6
Páginas: 304
Ano: 2015
Tradutor: Raquel Zampil
Editora: Galera Record
bananaO avô de Andrew Hope acabou de falecer e lhe deixou seu casarão como herança. Mas muito mais do que isso. Ele era um grande mago e Andrew herdou também o campo de proteção da propriedade (o que automaticamente o torna responsável pela segurança de todos os que vivem ali) e um curioso artefato: um vitral de muitas cores e claramente mágico. Quando o jovem Aidan Cain, caçado pelos temidos Perseguidores, surge em sua porta à procura de abrigo, Andrew encontra nele um amigo para desbravar os arredores do casarão. Mas com Aidan ele vai descobrir que o passado de sua família pode ter muito mais magia do que imaginava. Diana Wynne Jones nos proporciona uma aventura delicada e cheia de humor britânico moderno. O Vitral Encantado é um prato cheio para os fãs de Neil Gaiman e outros autores de fantasia.

Resenha


Após a morte de seu avô, Andrew Hope se muda para uma cidadezinha do interior do Reino Unido para cuidar do casarão que recebeu de herança. Esse lugar guarda muitos segredos e memórias, e mudará completamente a vida de Andrew.

Selo-Parceiros-Galera JuniorEnquanto isso, em Londres, o jovem Aidan Cain sofre após a morte de sua avó. Enviado para viver com uma família adotiva, Aidan precisa lidar com seres estranhos que tentam capturá-lo. Bastante assustado, o menino segue os conselhos de sua falecida vovó e foge para buscar refúgio nas dependências dos Hope.

O encontro de Andrew e Aidan será simplesmente extraordinário. Ambos sendo netos de pessoas com poderes mágicos e que agora vivem sob o teto de um local tão mágico quanto, é garantia de que muita confusão irá acontecer. Isso sem contar no misterioso vitral da casa, que guarda um segredo secular, e que será capaz de gerar uma forma de magia jamais vista antes.
[...] – Não sou um mágico como Jocelyn Brandon era. Eu só tenho habilidades não oficiais, pode-se dizer: cultivar rosas, conhecer os cavalos, coisas assim. Mas ele era de verdade, Jocelyn era mesmo, ainda que estivesse velho e um pouco incapacitado quando me mudei para cá. O que sei é que tudo por aqui, em um raio de quinze quilômetros ou mais, é estranho.
Pág. 63 
“O Vitral Encantado” é mais um livro da aclamada escritora inglesa Diana Wynne Jones. Ela é a responsável pela trilogia de sucesso de “O Castelo Animado” - lançado pela Galera Record - , que chegou a virar uma animação pelas mãos dos estúdios Ghibli e com distribuição da Disney em alguns países em 2004.

Sendo conhecida por suas obras para o público infantil, Diana publicou “O Vitral Encantado” em 2011, livro que acabou de ser lançado pela Galera Junior. O livro é repleto de referências fantásticas que com certeza irá encantar os jovens leitores. O enredo não chega a ser mirabolante, porém a boa escrita de Jones consegue amenizar este pequeno problema.
Para sua surpresa, a criatura se foi. Pareceu comprimir-se de ambos os lados cercados de névoa prateada, até tornar-se um risco de ouro e prata que desapareceu no ar. A urgência para falar e a sensação de estar sendo observado que havia pairado como um peso na rua todo o tempo também desapareceram.
Pág. 186 
Com uma narrativa em terceira pessoa e bastante detalhista, “O Vitral Encantado” tem personagens principais interessantes e que conseguem cativar o leitor, principalmente o Aidan. Porém, o livro carrega também alguns pontos negativos. Infelizmente os capítulos são muitas vezes longos, se tornando arrastados. Sem contar que a maioria deles têm um desfecho pobre, que não instinga o leitor a continuar para o próximo. As personagens coadjuvantes também deixam a desejar um pouco, são muitas e todas elas pouco desenvolvidas.

Porém, para mim, talvez, o maior problema tenha sido a falta de foco. Diana, como eu já disse, escreve muito bem, mas, sua história vai se perdendo. O vitral, que dá título ao livro, é uma coisa totalmente simplória, que não afeta em nada o desenrolar principal da obra. O final também deixou a desejar. Eu nem sei ainda se o entendi direito, pareceu até que o livro teria uma continuação, mas pelas minhas pesquisas esse é supostamente um volume único.
Andrew concluiu que essa não era a hora de ressaltar para Aidan que essa atitude era magia ruim. Aidan já ficara abalado o suficiente ao descobrir que alguém em Melstone de fato o queria morto.
Pág. 213
De qualquer forma, “O Vitral Encantado” é um livro juvenil que eu indicaria somente para esse público. Não acredito que seja daquele tipo de leitura que irá interessar aos mais grandinhos. Creio que a imaginação da autora, e a roupagem que ela decidiu dar à sua história, irão agradar bastante os jovens leitores que estão começando a se aventurar em livros com um número maior de páginas, principalmente neste universo fantástico. Uma pena ter que dizer que para mim, que não sou mais tão jovem assim, a melhor coisa do livro foi essa belíssima capa.

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